Capítulo 31 – Khojon (descobertas)

Bulma baixou os olhos, sem querer encarar Vegeta. Nunca tinha conseguido dividir suas angústias e dúvidas sobre a morte dos pais biológicos nem com a mãe ou os irmãos adotivos por uma espécie estranha de sentimento de culpa que ela mesma não conseguia entender. Tinha medo de parecer ingrata com os pais adotivos por tudo que havia sido feito por ela se falasse na sua origem e nos pais verdadeiros, de quem ela mesma não conseguia lembrar-se muito bem.

– Eu não me lembro muito dos meus pais – ela disse, o que era em parte verdade – e não acho que eles foram assassinados ou algo assim...

Mas ela tinha dúvidas sobre isso. Sua última lembrança da mãe biológica era ela dizendo "agora vamos voltar para casa". Mas ela não sabia que casa era essa. Seria Goa? Ela só se lembrava de morar em Goa, um lugar bonito perto da praia, e então a visita do homem assustador, o homem do rabo-de-cavalo. Ela não se lembrava do que ele dissera, mas lembrava-se do medo que sentira.

Tinham viajado de carro, uma longa viagem até Mumbai, e ela se lembrava de chegarem com chuva. Por isso a chuva dava a ela tanto medo, porque associava a chuva à morte dos pais. E depois, tudo que ela se lembrava era de ser deixada na árvore e de ser encontrada por Raditz e Kakarotto.

– Bem – disse Vegeta – eu acho que posso decifrar o que está no caderno contigo. Eu não sei se tudo vai estar em Francês, mas se juntarmos tudo isso com as fórmulas matemáticas, talvez consigamos entender o que ele estava fazendo quando morreu.

– Verdade – disse Bulma – obrigada pela ajuda, Vegeta.

Vegeta a encarou. Talvez aquela fosse a forma de se aproximar dela. Então ele disse:

– Posso te levar em casa e a gente pode tentar traduzir mais um pouco, o que acha?

– Ainda está cedo – ela sorriu – e eu duvido que se for lá em casa vá conseguir sair sem jantar.

– Pelo que o Kakarotto fala da comida da sua mãe, acho que eu vou adorar – ele riu e os dois se prepararam para ir até a casa dela.

– Que incrível ter um astro de Bollywood comendo minha comida! – disse Gine, pondo um prato enorme de frango vindaloo diante de Vegeta. Logo depois distribuiu os chapatis (pães achatados) diante dos filhos e disse – Senhora Lakshimi, que nunca falte o alimento abençoado pela senhora na mesa da minha família e na do jovem Vegeta Junior. Om Shanti.

– Om shanti – repetiram Bulma, Goku e Raditz. Vegeta ficou olhando para eles, espantado. Então repetiu também – Om shanti!

– Como a senhora trabalha o dia todo e ainda cozinha tão bem? – perguntou Vegeta, maravilhado com o sabor do frango.

– Ah, eu não trabalho mais como antes... meus doces artesanais agora são produzidos numa pequena fábrica, seguindo ainda minha receita e processos, mas não mais por mim, diretamente. Vou pela manhã à fábrica, depois vou à loja no shopping e então venho cuidar do jantar dos meninos, que compraram para mim um lindo carrinho para fazer tudo isso! Eu não dirigia desde que era nova, tive que renovar minha carteira e tudo mais! Mas o que você e minha Bulma estão estudando? É um novo roteiro ou vão fazer pós-graduação ou algo assim?

Vegeta olhou para Bulma, em um pedido de socorro. Ela não dissera se podia comentar sobre aquilo e ela disse:

– Ele está me ajudando a decodificar o caderno que meu pai biológico deixou.

– Aquele dos desenhinhos? – perguntou Goku, e Bulma riu, dizendo:

– Esse mesmo. Vegeta me ajudou a descobrir que o código leva a anotações em francês. E vai me ajudar a traduzir.

– Isso deve levar um mês, mais ou menos – disse Vegeta – mas não estamos gravando... então temos tempo livre.

– Interessante – disse Raditz – eu estou tentando negociar uma participação da Bulma num filme do Sharukh Khan e num promo do novo filme do Sanjay Leela Bhansali.

– Você é imparável – disse Vegeta – é bom que é meu agente também...

– Tem um roteiro novo que querem oferecer para você – disse Raditz a Vegeta – queriam você e Chichi e eu disse o que você me falou: não estão mais trabalhando como casal porque querem abrir novos horizontes. Eu ofereci a Bulma, mas eles estão meio hesitantes. Estão pensando em Suno Arora, ela está bem cotada também. Acho que eu vou me tornar agente dela, parece que está insatisfeita com o atual.

– Nada contra Suno, mas quando virem "Shakti" eles vão deixar as dúvidas para trás, Bulma está perfeita no filme. – disse Vegeta, sorrindo para Bulma.

Raditz olhou desconfiado para Bulma, que sorria de volta para Vegeta. De repente disse:

– E seu noivo, Bulma, ele não falou mais em fazer outro filme contigo. Seria interessante.

Bulma olhou surpresa para o irmão e disse, sem jeito:

– Ah... o Yanny sempre muda de par a cada filme, é típico de quem trabalha em Masalas como ele... os filmes de ação não tem casais marcantes como os romances.

– É, pode ser – disse Raditz. Então Goku comentou:

– O Yamcha nunca veio aqui, né? Você tem ideia de quando vai conhecer a família dele?

– Ah, ele disse que deveríamos fazer o Kurmai e o Chunny em maio, mas talvez não façamos todas essas formalidades, afinal, ele já conhece vocês e a maan. Eu que ainda não conheço a mãe dele, ele diz que ela é bem exigente...

Vegeta não disse nada, se limitou a comer seu frango, olhando para o prato. Não que não se sentisse afetado, mas não queria demonstrar para Bulma que cada vez que ela falava em Yamcha ele se roía de ciúmes. Goku percebeu, mas preferiu não falar nada. Se limitou a revirar os olhos e mudar de assunto, falando com entusiasmo no treino que retomaria em duas semanas. Mas, no fundo, achou que devia fazer alguma coisa.


– Oi – disse Goku, recostando-se em sua cama com um sorriso enquanto segurava o celular diante de si. Do outro lado, Chichi também sorria para ele, como fazia todas as noites – como foi seu dia?

– Bem... o de sempre, aulas de dança, treinamento... – ela deu um suspiro – e saudade de você. E você?

– Queria ter treinado, mas só pude fazer alongamento e exercícios leves... – ele suspirou – contando os dias para treinar sério.

– Goku! – ela brigou – você precisa ficar bom! O resto é secundário.

– Eu sei – ele disse, contrariado. – Hoje o Vegeta esteve aqui, ele e a Bulma estão tentando decodificar umas coisas que o pai biológico dela deixou anotadas e...

– Esses dois... eu queria empurrar um para cima do outro.

Goku riu e ela acompanhou e ele disse:

– Não sei. Não quero me meter, mas acho que ela não vai ser feliz com o Yamcha.

– Às vezes acho que o Yamcha tem alguma... não sei explicar. Parece que ele nunca está à vontade. E, francamente, Goku, eles não têm química alguma.

– Mas ele era o namorado dos sonhos dela na adolescência, acho que por isso ela ficou com ele. Só espero que ela não acorde desse sonho num casamento sem amor. A gente podia capturar o Vegeta e a Bulma e colocar numa ilha e ver o que acontece.

– Goku, você sabe que isso seria crime, né?

– É, pois é. Precisamos de uma ideia melhor.

Os dois riram e logo mudaram de assunto.


Vegeta recebeu por e-mail a programação do evento da SFL com a confirmação de suas passagens e da reserva deles para o hotel Jumeirah Al Qasar. Ele franziu então o supercílio, em estranhamento. O pai tinha um apartamento, por sinal, enorme, em Dubai, porque solicitara aquilo aos organizadores?

– Ei, Puranaa (velho), – ele disse, entrando no escritório do pai sem avisar, como sempre fazia. Raaja o olhou com cara de poucos amigos e ele perguntou – Por que vamos ficar em hotel em Dubai se temos um apartamento lá?

– Por que não temos mais o apartamento. Eu vendi.

– Vendeu um apartamento em Dubai? Uma das nossas propriedades mais caras? A troco de quê?

– Eu precisava comprar a parte do Shallot na Sadala. Era isso ou ceder a casa em Juhu.

Vegeta levou um susto. O pai nunca parecera intimamente apegado à casa na beira da praia e sempre reclamava dos custos de manutenção. Apenas Vegeta ia sempre lá, quando queria ficar sozinho.

– Mas a casa estava empenhada para o filme.

– Sim, e eu poderia passa-la como garantia total e para pagar a parte dele, mas não quis. Eu tenho outros planos para aquela casa.

– Posso saber quais? – o rapaz encarou o pai, que sorriu de lado de disse:

– Só no momento certo.

– O apartamento de Dubai valia mais do que 15% na Sadala.

– Sim, rendeu um bom troquinho a mais, se quer saber. E eu também sei o que vou fazer com esse dinheiro.

Percebendo que o pai não diria mais nada sobre aquilo, Vegeta deu de ombros e voltou para o seu quarto. Sozinho, consigo mesmo, Raaja disse:

– Só espero que você amadureça e tome as decisões certas, meu filho... para que eu possa ter certeza de que o que pretendo fazer vai valer a pena.


O mês de maio chegou logo. Goku começou a treinar para a luta do Eid Mubarak, Bulma teve compromissos de gravação nas participações especiais que Raditz conseguiu, por isso ela e Vegeta diminuíram o ritmo da tradução e decodificação das anotações. Rapidamente se aproximava junho e a temporada das monções, então, a edição de Shakti ia se acelerando, com Raaja acompanhando cada corte e fazendo algumas intervenções. Algumas cenas de luta da SFL foram introduzidas, algumas de Goku, e o nome "Tyger" foi inserido por meio de efeitos especiais no lugar do dele nas suas roupas de luta, assim, o personagem foi introduzido e citado no filme anterior, mesmo sem nenhuma fala ou interação com Chichi, apenas para criar uma conexão maior entre os filmes.

E logo chegou o evento de maio da SFL, onde a luta principal foi vencida por Broly, mais selvagem e falastrão que nunca. Na entrevista, porém, ele realmente passou de todos os limites quando foi perguntado se aquela era a luta que o conduziria de volta ao caminho da vitória, ele disse, furioso:

– Não sou eu o perdedor... a luta com o Jiren teve tudo armado para favorecê-lo e o Son Goku, aquele falso que na verdade se chama Kakarotto mas tem vergonha do nome porque veio de uma favela de Andheri, bem, aquele sujeito todo mundo viu que eu derrubei.

– Mas você já falou sobre isso – insistiu uma repórter – e foram duas lutas perdidas por nocaute. Não te parece que esse seu discurso o leva a parecer mau perdedor?

– Mau perdedor? – Broly deu uma gargalhada sinistra e disse – existe o mau perdedor e o mau vencedor... ninguém achou estranho que o Son Goku tivesse parado no hospital depois das duas últimas lutas dele? Ele venceu o Dispo e ainda assim correu para o hospital Saifee, mas ninguém soube o que ele tinha, saiu no dia seguinte, não foi? E depois da minha luta com ele foram 48 horas em "observação" no hospital Wockhard... de novo num hospital? Foi uma concussão, e se ele tiver outra, pode virar um Vegetal. E eu soube que ele não está treinando. Quem frequenta a academia onde ele treina pode dizer que ele passou um mês só fazendo alongamento... que lutador de elite faz isso? Vou dizer uma coisa para vocês: quem apostar no Son Goku para a luta do Eid Mubarak vai perder dinheiro porque ele vai lutar contra o Jiren cheio de medo de levar um soco e acabar em coma. E eu lutei com esse cara e o Kakarotto não vai dar nem para saída... a não ser, é claro, que seja ajudado mais uma vez pela liga.

Em casa, Raditz, que sempre assistia as entrevistas pós-luta no pay-per-view levantou-se imediatamente e pegou seu telefone. Goku, que estava ao lado dele, passou a mão no rosto, irritado. Como ele havia descoberto tudo aquilo? Pensou um pouco. A internação de 48 horas não havia sido escondida da imprensa, mas o diagnóstico tinha sido mantido em sigilo. Como ele descobrira a concussão? E como descobrira sobre o mês sem treino pesado? Ele então começou a prestar atenção na conversa de Raditz, que cobrava de um representante da SFL que Broly fosse punido pelas declarações irresponsáveis. Ele desligou logo depois, dizendo ao irmão:

– Logo o senhor Raj Kundra vai ligar para a gente. Esse cretino aí vai se ver comigo, palhaço.

– Mas como ele ficou sabendo disso tudo, bhaee? – perguntou Goku, ainda intrigado.

– Bem – Raditz coçou a cabeça – vocês não treinam na mesma academia, mas ele sabe onde você treina. O doutor Beerus não comentaria o seu diagnóstico... mas não sei se ele subornou alguém do staff do hospital ou algo assim. Mas o problema maior é que ele vai fazer um estrago na sua cotação. Você vai precisar postar um vídeo na internet, compartilhar seu treino, mostrar que está se preparando. E a SFL precisa puni-lo. É a terceira vez que ele questiona a idoneidade da liga. Precisa levar uma lição.

– O que será que vão fazer com ele?

– Isso não é problema nosso. O que a gente tem que se preocupar é em te preparar para essa luta... e te fazer valioso para a SFL. A bolsa da luta, em caso de vitória, já está fixada em 10 crore. Tem a premiação do cinturão, que garante mais dois crore... agora, a porcentagem das apostas em você é termômetro de popularidade, se ela estiver baixa, seus contratos publicitários podem ser negociados para baixo antes da luta, e é isso que eu quero evitar. O Broly está com raiva porque não só ele perdeu como se tornou impopular, mal cotado nas apostas, depois que você o derrotou. Achou algo para dar o troco.

Goku olhou para o irmão. Ele não precisava de motivação adicional para querer vencer Jiren, mas tinha conseguido.


Os dias seguintes foram conturbados para Goku. Ele teve repórteres atrás dele para comentar as declarações do rival, mas, orientado pelo irmão, manteve o silêncio e disse apenas que a imprensa podia acompanhar o treino dele quando quisesse. Com a ajuda de Vegeta, que emprestou uma equipe, ele gravou alguns vídeos de treinamento e postou no seu canal do YouTube, mas a desconfiança lançada por Broly acabou prevalecendo e derrubando Goku na bolsa de apostas quando as informações sobre a concussão dele foram confirmadas por repórteres do Indian Express.

Enquanto ele caía na bolsa de apostas, Caulifla subia, depois de defender seu cinturão com sucesso pela terceira vez e ser confirmada como uma das lutas preliminares do evento do Eid Mubarak em Dubai. Goku sequer desconfiou que ela havia contado para Broly sobre a concussão, acabou acreditando, como Raditz, que alguém do hospital tinha sido a fonte.

Broly acabou não lucrando absolutamente nada com suas declarações: na semana seguinte à luta que ele venceu, a SFL anunciou sua expulsão por conduta anti-desportiva. Ele ainda tentou recorrer à Indian Sports Comission, um tribunal arbitral esportivo, mas acabou tendo o pedido indeferido e a expulsão, e conseguinte fim de carreira, confirmados.

Goku procurou deixar todos os fatores externos para lá e se concentrou em seu treinamento. Mais que nunca, ele precisava vencer. Seu último compromisso com Caulifla foi uma campanha para uma loja de suplementos, e, então, ele ficou apenas esperando o fim da vigência dos contratos para confirmar o fim do relacionamento. O único inconveniente foi quando soube que a Air Emirates havia emitido as passagens dos dois no mesmo voo, como cortesia promocional. A sorte é que ele podia escolher o lugar bem longe do dela, para evitar qualquer constrangimento.

Ele tinha um mês e meio para provar a si mesmo que podia, sim, vencer o lutador mais poderoso da SFL. E gastaria toda energia que tivesse para isso.


Quase no fim de maio, Vegeta e Bulma finalmente tinham uma ideia do que o caderno do pai dela guardava, e aquilo os surpreendeu mais do que ambos podiam imaginar:

– Se isso se confirmar – disse Vegeta, observando as últimas anotações – é uma revolução tecnológica sem precedentes, Bulma. Você consegue imaginar o que o seu pai conseguiu aqui?

– Bom... diz aí que ele fez protótipos funcionais, mas nunca apareceu nenhum. O que é estranho.

– Talvez ele deva ter deixado para trás, a gente não tem como saber... mas encolher qualquer tipo de objeto, até mesmo carros, para o tamanho que cabe numa cápsula? Imagina a infinidade de aplicações, Bulma. Seu pai pode ter feito a invenção do século.

– Sim. – ela disse, tristemente – mas no caderno também diz que os investidores estavam cobrando dele. Cobrando o quê?

– Esse nome... Freeza. Eu já o ouvi em algum lugar – disse Vegeta – o parceiro dele indiano, o que o levou para Goa...

– Pois é. Tudo é muito estranho, Vegeta.

– Precisamos fazer uma pesquisa para ver se ele chegou a dar entrada nas patentes. Se for, podemos descobrir o que aconteceu de verdade, se existem de fato protótipos. – disse Vegeta – pela internet podemos fazer uma pesquisa. O Instituto de Patentes tem um site.

– É uma boa ideia. – ela sorriu para Vegeta – vou pegar meu laptop.

Os dois entraram no site, colocaram o nome do pai biológico de Bulma – Shorts Burifs, o nome do parceiro comercial dele, Coola Freeza e o nome da invenção, cápsulas hoi-poi. Descobriram um processo em arquivo morto por insuficiência de documentação e acharam que isso era tudo. Como o login não era anônimo, Bulma criou uma ID, mas não podia fazer muita coisa além de uma consulta, que ficou registrada no histórico do processo. Ela tinha sido adotada, portanto, não podia mais reivindicar a patente em nome do pai biológico.

– Bom – disse Vegeta – não sei o que você pode fazer mais, mas posso consultar um advogado para você.

– Acho que você já fez bastante, Vegeta – Bulma sorriu para ele – esse trabalho todo me desnorteou e temos muita coisa para fazer, não é? O lançamento do filme está chegando, temos mais um promo para gravar... quando voltar de Dubai eu procuro um advogado. Isso ficou esquecido tanto tempo, podemos esperar mais um pouquinho.

– Ok, Bulma, se mudar de ideia, sabe que eu estou à sua disposição.

– Ah, agradeço – disse ela dando um beijo no rosto de Vegeta. Ele ficou encarando-a e ela disse, de repente:

– Tenho uma novidade. O Yamcha marcou a data do nosso Chunni, não vamos fazer o Kurmai.

Vegeta engoliu em seco. Queria dizer alguma coisa, queria demonstrar sua insatisfação. Os encontros deles para traduzir o caderno tinham evocado a ele a época em que eram estudantes. Eles estavam próximos, íntimos... mas parecia apenas amizade. Ele precisava se conformar.

– Eu... desejo felicidades a vocês. Espero que a mãe dele te ame. Isso, obviamente não é difícil, Bulma... você é adorável.

Ele a envolveu com um olhar intenso e ela ruborizou e sorriu, dizendo:

– Ah, Vegeta... obrigada. – ela deu um beijo no rosto dele e se despediu. Quando ele saiu, ela se sentiu desapontada. Esperava que ele dissesse algo diferente, que nem mesmo ela sabia o que era. A verdade era que ela estava esperando ser salva, como uma mocinha de filme, esperava que ele declarasse o seu amor por ela, mas, infelizmente, concluiu que ele não a amava. E por isso, pensou que era bom que se casasse logo com Yamcha. Podia não ser um namorado ardente, mas era alguém que dizia amá-la.


Em Goa, um homem numa mansão antiga, no belo estilo antigo português da ex-colônia, acessava suas transações pelo celular. Tinha operações dentro e fora da Índia: fornecia para os príncipes de Dubai, a máfia russa, para as organizações do leste europeu, a máfia da Indonésia e a das Filipinas e muitos outros "parceiros" em diversos países. Ele era conhecido e temido, embora poucos soubessem seu verdadeiro nome: Cold Freeza, ou somente Freeza, o traficante internacional que fizera de Goa seu centro de operações.

Ele trabalhava numa sala fechada da mansão à beira-mar, sempre com seguranças armados por todo perímetro, porque sabia que sua cabeça valia ouro. O tráfico internacional de drogas era um negócio tão rentável quanto arriscado. Mas ele tinha livre trânsito pela Indonésia e por Dubai, por saber como operar, mesmo nos países com pior política anti-drogas. O que ele realmente sempre quisera era uma forma de conseguir transportar grandes quantidades com a mínima perda, e quase conseguira isso quando decidira "financiar" Trunks Briefs, que fora contatado por ele anos antes, na qualidade de investidor, e levado para a Índia para desenvolver as cápsulas hoi-poi acreditando que estava sendo financiado por um investidor idôneo.

A fuga e o sumiço do cientista, que estava na Índia com nome falso, acompanhado da mulher e da filha, acabara estragando tudo. Eles nunca conseguiram encontrar as anotações com o desenvolvimento do projeto, embora o laboratório e os protótipos tivessem ficado para trás. Trunks destruíra os arquivos de computador, de forma que o que ficara para ele era apenas uma coleção de protótipos inúteis e nada funcionais. Ele mandara os capangas encontrarem o casal, a filha e as anotações.

Os imbecis tinham feito tudo errado. Mas ele não podia se livrar de todos, Zarbon sempre fora um excelente capanga. Tinha sido ele que tinha sugerido monitorar a família que acolhera a garota, mas depois de um tempo, eles acabaram desistindo, porque, apesar do pai impertinente ter sido eliminado quando decidira investigar mais do que devia, a pobreza em que então viviam os Sayajins não sugeria que eles pudessem ter encontrado as valiosas anotações do velho Briefs.

Mas tudo estava prestes a mudar. Um e-mail do sistema do Instituto Nacional de Patentes da Índia informou a ele um acesso no antigo processo, há muito arquivado, da patente das cápsulas hoi-poi. Bulma Sayajin havia acessado os arquivos via internet.

Ele sorriu. Era hora de entrar em contato com o seu pessoal em Mumbai.


Notas:

1. Então... como vocês podem imaginar, a invenção do pai de Bulma teria sido roubada por Freeza se eles não fugissem, mas Freeza nunca perdeu interesse nas cápsulas hoi-poi. Será que ele vai tentar roubar o caderno de anotações ou fará algo pior?

2. Não reclamem do Vegeta apenas, a Bulma também não sabe lidar com os sentimentos.

3. Agora a popularidade de Goku está em jogo. Será que ele vai conseguir vencer Jiren em Dubai?

4. E Broly, será o fim do Deus-macaco ou será que ele vai perturbar mais, quem sabe em parceria com Caulifla?