Capítulo 33 – Don (Chefão)
Vegeta perdera a noção de quanto tempo eles haviam rodado depois que ele foi levado para dentro do Mahindra com um saco de pano na cabeça. Os três homens falavam bem pouco entre si, talvez porque não quisessem dar pista de quem eram.
Isso era um bom sinal. Talvez o objetivo não fosse matá-los.
Bulma, que havia sido posta sentada ao lado dele no banco de trás do carro, tremia descontroladamente, mas eles não conseguiam se falar porque, ao contrário dele, ela estava amordaçada. Quando foram postos lado a lado ele ouviu o homem de rabo-de-cavalo dizer a ela:
– Agora preciso te vendar, querida. Não queremos que veja o caminho.
Vegeta sentia Bulma tremer mais a cada palavra que o homem dizia. Parecia que ela tinha mais medo dele de que dos outros dois. Ele se perguntava porquê. O motorista, um gorducho que ele vira apenas de relance, ele já sabia que se chamava Dodoria. O homem do rabo-de-cavalo em um momento foi chamado por ele de Zarbon e o terceiro elemento, ele acabou descobrindo, se chamava Kiwi. Vegeta ia captando essas informações e memorizando, pensando numa eventual reação.
– Acha que o chefe já vai estar lá, Zarbon? Ele quase nunca sai de Goa... – disse Dodoria, bruscamente cortado por Zarbon, que disse:
– Não fale no chefe, idiota.
"Então" pensou Vegeta "É de Goa que o chefe deles vem. Bulma disse que tinha morado em Goa na infância. Será que há alguma relação?"
De repente, o carro começou a andar por um terreno claramente acidentado. Uma estrada de terra ou coisa parecida, com muitas pedras. Vegeta sentia o carro balançar pensando se eles ainda estavam dentro de de Mumbai, mas, mesmo tendo perdido um pouco a noção do tempo ele sabia que a cidade era grande o suficiente para se andar por por horas sem sair dos seus limites, e eles poderiam estar indo na direção de uma área menos populosa e mais periférica, como o extremo de Andheri ou o antigo distrito industrial de Mulund, no Norte da cidade, área onde ele jamais estivera, mesmo tendo nascido em Mumbai.
O carro parou de repente e Zarbon disse:
– Hora de desembarcar, celebridades. Parece que o chefe ainda não chegou, vamos ter que deixá-los esperando por ele...
Vegeta começou a contar os passos sobre o terreno pedregoso assim que foi tirado do carro com brutalidade por um dos capangas. Ele ouviu um murmúrio de lamentação de Bulma atrás de si, provavelmente porque ela estava usando sapatos delicados e não tênis de corrida como ele. Ele contou mais de 800 passos até que entraram num lugar com o chão liso de cimento, um galpão ou prédio, ele pensou. Não era um lugar abandonado, ele podia ouvir uma movimentação em algum lugar próximo, como se houvesse muitas pessoas trabalhando.
"Uma fábrica ou manufatura" ele pensou "mas deve ser clandestina, ou não nos trariam para cá..."
Subiram por uma escada por dois andares e então, Zarbon disse:
– Não podemos coloca-los no escritório do chefe. Ele não iria gostar. Leve-os ao depósito do último andar, tranque-os lá e vigie a porta, Dodoria. Ninguém pode saber que estão aqui.
– Eu tenho que ficar trancado com eles dentro do depósito? – resmungou Dodoria.
– Não, basta ficar do lado de fora, não tem janelas nem outra saída. Mas não saia nem por um minuto. O chefe não deve demorar.
Eles foram levados por mais um andar e Vegeta disse, quando sentiu que eram empurrados para dentro de um cômodo que parecia um pouco mais abafado que o ambiente onde estavam:
– Já que vamos ficar num depósito vigiados por você, podia tirar nossas vendas. É sufocante.
– Boa tentativa – disse Dodoria – mas não faço nada sem a autorização do Chefe...
– Ok – disse Vegeta – então se Bulma, que está amordaçada, sufocar aqui nesse forno, a culpa é sua.
O homem pareceu pensar um instante e então Vegeta sentiu o saco que cobria sua cabeça ser retirado. Ele foi empurrado para o cômodo e logo era amarrado a uma cadeira com fios elétricos. Viu Bulma ser colocada numa cadeira de costas para ele e ser amarrada do mesmo jeito. O homem então tirou a mordaça de Bulma e disse aos dois, antes de fechar a porta e sair:
– Conversem à vontade, podem até gritar... ninguém vai ouvir vocês mesmo!
Ele bateu a porta e os dois ficaram no escuro. De repente, Bulma deu um grito:
– AAAAAAAAAAAAAH! Aquele homem, o do rabo-de-cavalo! Eu tive pesadelos com ele!
– Calma, Bulma – disse Vegeta, ríspido. Não vai adiantar ficar histérica agora!
– Ah, não, imagina! Eu fui sequestrada, provavelmente vou ser morta, e você vem me pedir calma?
– Eu também fui sequestrado, se você não notou. – ele disse, com a voz aborrecida – quero entender por que você foi sequestrada, caramba.
– Oh, meu precioso Shiva, eu não posso ser morta. Sou uma jovem e linda atriz muito promissora! O mundo não pode me perder!
– Eu não acredito que estou ouvindo isso...
– Ai, não, eu não posso morrer virgem!
Vegeta sentiu seu rosto esquentar como se estivesse ruborizando com aquela informação completamente desnecessária que a histeria de Bulma a fizera revelar e disse:
– Pode deixar de se comportar como uma mulher vulgar por um segundo ao menos e me ouvir? Se eles quisessem te matar simplesmente, já teriam feito isso.
– O que não impede eles de me matarem depois! E você também, Vegeta! Como pode estar tão calmo?
– Eu quero tirar a gente daqui. Não vou conseguir se ficar doido que nem você. Por que acha que foi sequestrada?
– Eu... eu não sei!
– O homem que você disse que sonhou, foi o Zarbon?
– Quem?
– O Zarbon, aquele do rabo-de-cavalo!
– Como você sabe o nome dele?
– Eu prestei atenção na conversa deles e descobri os nomes. Queria saber o nome do chefe, mas eles não disseram. Mas de onde você conhecia o Zarbon?
Bulma fechou os olhos. Ela se lembrava de alguma coisa, sempre voltava nos sonhos. Claro que o homem na época era bem mais jovem, mas ela se lembrava dos olhos verdes cruéis. De repente, ela disse:
– Eu... eu acho que ele matou os meus pais.
– Você tinha me dito que seus pais não haviam sido assassinados.
– Eu não me lembro... mas me lembro desse homem visitando a nossa casa em Goa e dizendo algo que assustou meu pai. Nós fomos para Mumbai, chegamos a ficar em um hotel, mas quando meu pai disse que voltaríamos para casa... bem, acho que fomos perseguidos, chovia muito, eles me deixaram em um lugar seguro e disseram que voltariam, mas nunca voltaram.
– É tudo muito estranho. Por que ele a sequestraria tantos anos depois?
– Também não faço ideia, Vegeta.
– Precisamos nos manter calmos, precisamos pensar em como fugir.
– Como? Estamos com os pulsos amarrados com cintas de plástico e ainda nos amarraram nas cadeiras e estamos numa sala sem nenhuma janela. Não tem como fugir daqui, Vegeta.
– Eu vou dar um, jeito de nos tirar daqui, Bulma.
Ela ficou calada. Se havia uma coisa que aprendera sobre Vegeta é que ele era o sujeito mais obstinado de toda Índia quando punha alguma coisa na cabeça. Ele, por sua vez, pensava em quem seria o tal chefe, de repente disse:
– Será que fomos sequestrados por algum Don?
– Don? Como no filme?
– Sim, um chefe mafioso. Mas o que um chefão criminoso ia querer te sequestrando?
De repente, ao longe, havia um barulho de motor. O cômodo não tinha janelas, mas as paredes eram finas e eles podiam sentir a vibração de um veículo aéreo se aproximando, um helicóptero. Estavam no último andar da construção, segundo dissera Zarbon, mas nada impedia que acima deles houvesse um terraço e um heliporto. Quando a vibração das paredes do pequeno depósito se intensificou, Vegeta teve absoluta certeza de que era um helicóptero que pousava diretamente sobre eles. Ele estava de costas para Bulma, mas conseguiu alcançar os dedos dela, que apertou ligeiramente e disse:
– Bulma! Preste atenção. Eu preciso que você se acalme, provavelmente esse tal Don, chefe, seja lá o que for, te sequestrou por algum motivo que tem a ver com seus pais, talvez ele estivesse te procurando há anos. Fique calma, não podemos perder a cabeça se quisermos sair daqui. Eu estou com você, não esqueça disso!
Bulma, que ainda estava aflita, sentiu-se mais calma e sussurrou:
– Você... você se meteu nessa por mim?
Vegeta engoliu em seco e disse:
– Eu não sei se fiz a coisa certa e não fui muito prudente. Talvez eu tivesse mais sucesso ligando para a polícia, mas quando te vi sendo arrastada para aquele carro eu não consegui pensar em mais nada. Me desculpe...
– Vegeta – ela começou, com a voz emocionada, mas não pôde concluir porque a porta abriu-se subitamente e Dodoria apareceu dizendo:
– O chefe quer ver você, garota!
– Eu não saio daqui sem o Vegeta! – Bulma disse, subitamente. Ela tinha medo de ser levada sem ele e não o ver mais. Dodoria olhou para os dois e disse:
– Eu cumpro ordens... o chefe não sabe que trouxemos ele...
– Você vai ter que me matar se quiser que eu veja esse chefe sozinha – Bulma disse, fincando os pés no chão. De repente Zarbon apareceu na porta das escadas dizendo:
– Por que ainda não trouxe a garota?
– Ela não quer ir sem ele... – Dodoria disse, sem jeito e o outro respondeu:
– Traga-o junto. O chefe vai mesmo ter que decidir o que fazer com ele, seu imbecil.
Os dois foram levados pela escada e agora Vegeta podia ver que se tratava realmente de uma instalação industrial. Não era nada moderna, devia ser dos anos 60 ou 70, e eles foram levados a uma sala no segundo andar que reforçou essa impressão por conta do papel de parede antiquado, meio gasto e desbotado em alguns lugares. Um homem estava sentado numa mesa grande e antiga, não muito bem conservada. Ele estava vestido de branco e usava uma gravata roxa. Ele era calvo e pálido e tinha olhos num tom incomum de violeta, não parecia nada um indiano. Vegeta pensou imediatamente num carrasco nazista ou coisa parecida quando ele o encarou.
– Hum... eu não me lembro de termos combinado de me trazerem esse rapaz, Zarbon...
O homem de rabo-de-cavalo pareceu embaraçado e gaguejou quando disse:
– E-ele nos seguiu e...
– E você achou que era melhor trazê-lo que matar um ator indiano. Fez bem. Tem coisas que atrapalham os negócios. Corpos encontrados por aí fora de hora são uma delas...
Vegeta encarou o homem. Ele não sentia medo, mas olhou para Bulma, que parecia tremer quando disse:
– Eu... eu me lembro de você.
O homem sorriu e parecia o sorriso mau de um predador diante da presa.
– Eu fui sócio do seu pai, se é isso que você quer saber... há quase vinte anos eu o trouxe da Inglaterra para produzir aqui algo que ele estava desenvolvendo. As cápsulas hoi-poi. Seu pai tinha ótima situação financeira e algumas patentes bem rentáveis, mas o potencial dessa invenção era muito maior, só que os investidores dele em Londres zombaram dele...
– Meu pai era inglês? – perguntou Bulma, chocada.
– Você é inglesa, menina! – riu o homem. – Quando veio para Goa, onde seu pai desenvolveu a pesquisa financiado por mim, tinha apenas dois anos, talvez não se lembre de Londres, mas é a sua cidade natal.
– Você... você é o Freeza? – perguntou Bulma, pensando no registro de patentes que tinha um outro nome além do de seu pai.
– Ora, então você é tão genial quanto ele. – disse Freeza, com o mesmo sorriso falso de antes – sim, eu sou o Freeza. Você consultou a patente da cápsula Hoi-Poi há pouco menos de um mês e viu meu nome no pré-registro de patentes... então não é difícil presumir o que eu quero.
Bulma olhava para o homem atônita. Eram as anotações, o trabalho do seu pai, que aquele homem queria.
– O que você pretende... meu pai fugiu de você! – ela disse, agora alterada – foi você, não foi? Você mandou mata-los! E eu podia ter sido morta se eles não tivessem me deixado na árvore! Eles estavam sendo seguidos e quando despistaram, me deixaram lá... eles estavam pensando em voltar para me pegar logo em seguida...
– Mas Zarbon os alcançou e se tornou violento... sim, é verdade. A ideia era vasculhar o carro, tínhamos certeza de que as anotações estavam lá...
– Não. Elas estavam na minha mochila. – disse Bulma, irritada.
– Pois é. Sempre tivemos essa dúvida – disse Freeza, com uma voz entediada – afinal, você era apenas uma criança e, infelizmente, foi acolhida justamente por um policial... um policial bem curioso, por sinal. – dessa vez Freeza assumiu um ar mais sombrio. – Se ele não tivesse resolvido fuçar os arquivos dos seus pais, bem, ele poderia estar por aí até hoje – o olhar de Freeza era frio, mostrando sua natureza implacável.
– Foi você quem mandou matar o meu pai Bardock também?
Freeza não disse nada imediatamente. Ele se levantou e sua estatura era surpreendentemente baixa. Ele usava um terno de corte antiquado, mas encarou Bulma com aqueles olhos frios e disse:
– Mas não pretendo matar você e nem seu amigo aí... vocês dois são atores famosos e não seria bom para os negócios. Só os Deuses sabem como é caro manter a polícia longe das minhas atividades... a única coisa que eu quero mesmo é que me entregue as anotações, aquelas que seu pai fez... as que explicam a funcionalidade das cápsulas. Se quer saber, eu não pretendia tanto comercializá-las... eu as queria para uso próprio. Para os meus negócios...
– Você é um traficante, não é? – perguntou Vegeta, se manifestando pela primeira vez – agora eu me lembro de onde conheço o seu nome, maldito...
– Seu pai já ouviu falar bastante de mim – riu Freeza – há bastante dinheiro sujo circulando em Bollywood, mas o velho Raaja não gosta nem um pouco de mim, então nunca fizemos negócios juntos. Nós precisamos limpar nossos investimentos... mas seu pai não gostou da ideia de ter alguém como eu associado aos belos filmes da jovem princesa Shanti – ele riu. Mas isso já não importa. Eu só quero as anotações do pai de Bulma e depois, bem, depois eu prometo que devolvo os dois sãos e salvos nas proximidades do estúdio Sadala. É só não colocarem a polícia no meio.
– Eu não ando com as anotações – disse Bulma, irritada – me sequestrou por nada.
– Eu imaginava que você não estaria com elas... vou te dizer como vamos conseguí-las para libertar os dois... você vai ligar para o seu irmão Raditz e vai avisar tudo que aconteceu e dizer o que quero: seu caderno. Um dos meus homens vai encontra-lo em um ponto de encontro e então, nós liberamos vocês... contanto que a polícia não seja envolvida.
– Você promete que vamos ser libertados tão logo você esteja com as anotações?
– Claro. Agora, querida, você vai telefonar para ele e logo tudo isso não passará de uma inconveniência para vocês dois...
O homem sorriu e Vegeta teve um mau pressentimento. Ele não parecia o tipo de Don que cumpria promessas.
Raditz estava em seu escritório tentando localizar Bulma, porque o estúdio notificara o atraso dela e de Vegeta. Já havia quase três horas que nenhum dos dois dava notícia alguma, e Raditz estava oscilando entre estar extremamente irritado achando que os dois haviam enlouquecido, uma vez que ela dispensara o carro do estúdio que a buscaria e ele achava que podiam estar juntos curtindo, mas eventualmente pensava em coisas horríveis como ataque terrorista, sequestro ou outro crime hediondo.
Ele ainda não telefonara para a mãe ou para Kakarotto. Não queria preocupar nenhum dos dois à toa, e ele sabia que sua mãe certamente faria um drama do tamanho do mundo porque desde criança ela tratava Bulma como se fosse um delicado botão de flor. Kakarotto estava treinando como um louco, muito concentrado para tentar voltar à boa forma e superar o fortíssimo Jiren e até mesmo suas ligações noturnas para Chichi tinham ficado mais curtas, o treino ocupava a mente do irmão e ele não o queria perturbar.
Depois de mais uma ligação frustrada para a academia onde Bulma costumava malhar, que Vegeta também frequentava, de repente, o telefone celular dele tocou e ele viu que era o número de Bulma. Ele atendeu aflito e disse:
– Onde você se enfiou, sua maluca?
– Senhor Raditz, estamos com a sua irmã. Em um minuto ela vai ligar para o senhor e dizer nossas condições para devolvê-la. É bom não tentar localizar o telefone dela, porque se algo acontecer comigo, o seu contato, ela será morta imediatamente junto com o ator Vegeta Junior.
– Quem é você?
– Colabore e isso não vai durar muito – disse o homem do outro lado da linha, antes de desligar.
Raditz tentou ligar de volta, mas o telefone havia sido desligado. Pensou em ligar para a polícia, mas lembrou-se das ameaças e então ficou ali, perdido e sem saber o que fazer ou mesmo o que pensar, mas isso durou apenas até seu telefone tocar novamente, dessa vez era um número privado:
– Alô? Quem são vocês e o que querem?
– Bhaee? – era a voz de Bulma do outro lado.
– Bulma? Onde você está? O que diabos está acontecendo com você e...
– Calma! Eu estou bem. Eu preciso que você faça algo para mim.
Ela explicou onde estava o caderno e deu a localização exata de onde o irmão deveria encontrar o homem que havia ligado para ele um instante antes, que estava no Portal da Índia, um monumento em forma de arco do triunfo próximo ao porto de Mumbai, um ponto turístico movimentado o suficiente para que o homem despistasse Raditz logo depois do encontro. Raditz ouviu, obedientemente e saiu como um raio do escritório, avisando à sua secretária que não voltaria mais aquele dia e que ela desmarcasse toda sua agenda.
Bulma e Vegeta foram amarrados novamente, dessa vez não no depósito, mas na sala ao lado da de Freeza. Eles podiam ouvir a Zarbon orientando o homem que receberia o caderno no ponto de encontro, no horário marcado de meio-dia.
– Ginyu – disse Zarbon – Já se livrou do celular da garota? Não, não é para devolver, jogue-o no mar sem que ninguém veja, idiota.
– Bulma – sussurrou Vegeta – eu acho que eles não estão falando a verdade quando dizem que vão nos soltar quando receberem as anotações...
– Eu também acho que não – ela sussurrou para ele em resposta – mas nós estamos com essa coisa nos prendendo... e eu realmente não sei como vamos sobreviver.
– Eu acho que tenho uma ideia... mas preciso que você concorde com tudo que eu disser a partir do momento em que eu começar...
– Eu acho que não tenho escolha.
– Não temos... mas vou tirar nós dois dessa, prometo.
De repente, Zarbon entrou na sala e disse:
– Seu irmão cumpriu o acordo... nosso homem está com as anotações.
Vegeta percebeu que ele remexia no coldre da pistola que tinha na cintura, como que esperando o momento certo de sacá-la e disse:
– Seu homem disse que as anotações são codificadas?
– O quê?
– Codificadas... elas são completamente inúteis se não souberem decodificar e traduzir. Mas eu fiz isso já.
Zarbon ficou olhando para ele, intrigado e voltou-se, falando em outra língua com Freeza. Depois de alguns minutos em que Freeza falou com Ginyu, do outro lado da linha, foi o próprio Don que apareceu, agora furioso e com uma pistola na mão esquerda, dizendo:
– Muito bem... que truque é esse e que história é essa de codificação?
Vegeta olhou para ele e disse:
– Se nos matar agora, não vai ter a tradução... mas se soltar as minhas mãos, posso te entregar a tradução, que com os esquemas do caderno, explicam como tornar as cápsulas funcionais. Eu troco as nossas vidas pelo que você persegue há 20 anos. E dessa vez sem truques. Posso fazer o download do arquivo do meu drive pessoal em menos de 5 minutos. A senha é biométrica e se eu morrer, você pode dar adeus ao seu precioso projeto.
O chefe criminoso olhou para ele, percebendo que Vegeta tinha um trunfo poderoso e disse, entredentes:
– Posso deixá-los vivos, mas quero o arquivo imediatamente.
– Nos solte primeiro e poderemos resolver isso tudo – disse Vegeta, com um ar decidido e uma expressão fria no rosto.
– Feito – disse Freeza – mas se tentarem qualquer gracinha, morrem os dois.
Vegeta olhou para Bulma. Ainda não acreditava que seriam realmente poupados, mas com as mãos livres suas chances aumentavam muito.
Notas:
1. Era para isso que Freeza queria as cápsulas: para transportar grandes quantidades de drogas sem ser importunado. E Freeza é um chefe traficante e mafioso. Não é muito diferente do Freeza original, não?
2. O Portal da Índia é um monumento que foi uma espécie de presente da então colônia britânica para o Rei George V, quando da sua visita em 1911. Foi revestido de Basalto Amarelo, uma pedra que é símbolo da arquitetura indiana, e situa-se na região portuária de Collaba, por onde os principais navios sempre chegaram a Mumbai. Sua arquitetura mistura motivos hindus e muçulmanos, inspirada principalmente no monumento do Taj Mahal. Devido ao atentado terrorista de 2003, que matou 44 pessoas e feriu mais de 150, hoje as salas internas tem acesso controlado.
3. Alô fãs do Vegeta: no próximo capítulo o moço vai tentar salvar o dia e, se conseguir, vai ser chamado de Desi Hero (Herói indiano). Pra vocês, que dizem que eu não faço nada por ele...
4. Don, que significa "chefe de quadrilha" é um neologismo indiano cunhado por Bollywood a partir de um filme de 1978 estrelado por Amithab Bacchan no duplo papel de Don, um chefe criminoso e também do sósia Vijay, contratado para ficar no lugar do verdadeiro bandido e Zeenat Aman no papel da agente especial Roma, que tem a missão de captura-lo. Em 2006 o filme teve um remake com Sharukh Khan no papel principal e Pryanka Chopra no papel de Roma. O filme contou ainda com o saudoso Om Puri, famoso por ter feito filmes em Hollywood, principalmente "Gandhi" (1981) e "A sombra e a escuridão" (1996) no papel do inspetor da Interpol Vishal Malik.
