Capítulo 36 – Parineeta (comprometida)

Os olhos pareciam entediados enquanto ele, de calça de moleton, sem camisa, a barba de alguns dias por fazer, jogava videogame em seu quarto, os dedos agilmente operando o controle do console de última geração enquanto na TV 4k gigantesca alguns soldados eram massacrados implacavelmente cada vez que o seu avatar, que era obviamente um soldado em missão, chegava a uma nova área.

Apesar de ter condições para isso, Vegeta jamais se mudara do confortável apartamento do pai na praia de Chowpatti. Muitas vezes ele tivera vontade de reivindicar sua herança ou simplesmente pegar sua lucrativa parte nos filmes e comprar um apartamento para si, mas a verdade é que havia o comodismo cultural porque na Índia não era considerado tabu um homem solteiro morar com a família. E era verdade que ele levava mesmo uma vida de playboy.

De repente, o rosto amigo de Tarble apareceu no vão da porta, mas ele não deu muita atenção. Nos últimos dias, pela primeira vez em dois anos, dera-se o luxo de simplesmente não ter agenda nenhuma. Isso começara na desmarcação da gravação do último promo de Shakti e prosseguira com ele desmarcando reuniões na produtora sobre próximos projetos. Ele disse ao pai que queria férias até a viagem a Dubai, e o pai havia ficado calado. Havia anos que Raaja não enfrentava o filho. Era o preço que o pai se dispusera a pagar pelas escolhas acertadas que o filho fizera desde que ingressara na indústria de filmes. Raaja sabia que, cedo ou tarde, Vegeta além de atuar estaria ou dirigindo ou produzindo filmes, portanto, o deixava fazer o que queria.

Tarble conhecia o irmão muito bem, no entanto. Nem sempre havia sido assim: a diferença de mais de sete anos de idade entre eles os fizera crescer em mundos quase diferentes: enquanto Vegeta sempre se sentira rejeitado pela mãe, Tarble tinha sido um queridinho dela desde que nascera. Aos seis anos Vegeta já era taxado de "problemático" e tinha sido jogado num colégio particular muito rígido em Mumbai para que os pais se sentissem menos responsáveis por sua conduta rebelde, achando que o estavam "consertando" e aos dez ele havia sido encaminhado para outro colégio, este interno, na Suíça. Tarble, no entanto, permanecera estudando em casa com preceptores até os oito anos, quando a doença da mãe mudou tudo.

Vegeta lembrava-se muito bem de chegar naquele ano para as férias e ver o irmão pequeno sentadinho mudo entre seus inúmeros brinquedos, sem entender porque sua mãe não podia mais dar a ele atenção. O quarto da mãe dos dois tinha se convertido em uma unidade de terapia intensiva enquanto o câncer pulmonar a consumia e o pai estava fora, em Dubai, com a desculpa de atrair investimentos para os filmes. Mesmo sendo um adolescente, mesmo tendo tido ciúmes do irmão a vida inteira, ele entrara no quarto e sentara-se ao lado dos hotwheels do irmão, perguntando a ele do que queria brincar.

Uma união forte entre eles nascera naquele verão, e permanecera quando, após a morte da mãe, Tarble foi encaminhado para o pai diretamente para a mesma escola na Suíça onde Vegeta estudava. O irmão mais velho sabia que a super exclusividade da escola, mas sabia também que o fato de estarem entre "os melhores dos melhores", numa escola que só não era mais cara do que as que atendiam os magnatas do petróleo, bilionários do mundo todo e a realeza, não a impedia de ser um ambiente tóxico, hostil e racista. Podiam ser filhos de um semideus de Bollywood em Mumbai, mais ali eles eram apenas indianos ricos, tratados como párias pelos filhos da aristocracia europeia que os aceitava não de bom grado, mas apenas para a escola parecer diversa e tolerante.

Vegeta protegera o irmão até se formar no colégio interno, e a proteção redobrara quando ele percebera a evidente tendência dele à homossexualidade. A segurança e extroversão de Tarble deviam-se, em parte, ao ambiente positivo que o irmão garantira para ele, algumas vezes à custa de ameaças diretas, uma vez que ele era conhecido por ser um dos mais fortes do colégio por ser capitão do time de luta olímpica e campeão de todos os torneios interescolares da categoria. Ninguém era besta de zombar dos trejeitos de Tarble temendo o irmão mais velho dele. Nem mesmo seu pai, sempre desconfortável com a orientação sexual do filho.

Por isso, naquela tarde, depois de observar o irmão passar mais um dia vegetando em frente à TV com aquele olhar de zumbi digno de um adolescente japonês viciado em games, Tarble, que tinha na mão uma tablet com um roteiro que escrevia, disse, de forma simpática:

– Há quantos dias você não toma um banho?

– Estou de férias. – ele disse, sem desviar os olhos da tela.

– O departamento de saúde pública não leva isso em conta se eu denunciar a violação das regras de higiene desse apartamento, tenho certeza – disse o irmão alegremente, entrando sem cerimônia e sentando-se na beirada da cama onde Vegeta estava esparramado sobre almofadas, meio de lado e onde ele permaneceu, com o mesmo olhar morto enquanto seguia jogando, ignorando o irmão mais novo que disse:

– Eu não estou enfrentando o seu futum insuportável de quem não toma banho no verão de Mumbai pra te ver jogar, sabia?

Vegeta revirou os olhos, pausou o jogo e mudou de posição, ficando de pernas cruzadas encarando o irmão, a quem perguntou:

– O que você quer, pirralho?

Bhaee... Tarble começou, com um suspiro, revirando a tablet nas mãos – desde o sequestro você parece um morto-vivo. É estresse pós-traumático ou algo assim?

– Não. Resolvi tirar férias.

– Não. Isso não são férias. Férias são ir para Ibiza, Cannes, Los Angeles... com muito boa vontade, Goa. Ficar no quarto criando fungos nas partes íntimas por falta de banho me cheira mais a depressão.

Vegeta olhou para ele, aborrecido e levantou-se, abrindo o armário para pegar uma muda de roupa. Entrou no banheiro e o irmão o ouviu abrindo as torneiras da banheira. Um dos grandes luxos daquele apartamento triplex eram as cinco enormes suítes com banheiras redondas luxuosas, duas dois quais nunca eram usadas. Tarble coçou a cabeça, considerando continuar ou não a conversa, mas, diante do silêncio, esperou o som do irmão entrando na banheira para se levantar e entrar no banheiro, vendo Vegeta enfurnado quase até o nariz em espuma com ar aborrecido antes de dizer:

– O problema número um foi resolvido. Vou chamar uma criada para trocar roupa de cama e limpar esse quarto... tem migalhas de samosa por todo lado, seu porcalhão. – ele saiu e voltou, dizendo – pronto. A criada disse que sua roupa de cama tem jeito, ufa, pensei que íamos precisar incinerar para evitar contaminação!

Vegeta rosnou qualquer coisa em resposta de dentro da banheira, e Tarble finalmente tomou coragem e disse:

– O problema é a garota?

Vegeta seguiu mudo. Tarble suspirou e afirmou:

– O problema é a garota.

– Ela vai casar com outro. Que se dane.

– Ok, ok... você salvou a vida dela. Porque não aproveitou para se declarar? Ela ainda não está casada. E vai com você para Dubai.

– Até onde sei, o verme inútil também vai.

– Isso não deveria ser empecilho para o grande Vegeta, o príncipe das mulheres, grande galã de Bollywood... até um ano atrás, eu me lembro, você era um tremendo conquistador.

– Bah. – Vegeta grunhiu. Era difícil para ele admitir que estava apaixonado por Bulma e que os últimos meses tinham mexido com ele e aumentado o que ele sentia.

Bhaee... não entendo: você esteve com essa garota desde os seus, sei lá, 20 anos? Fez faculdade com ela! Por que nunca chegou para ela e disse "Sai comigo?". Precisou perder pra querer?

Vegeta afundou, sumindo sob a espuma e Tarble bufou, irritado com a teimosia do irmão. Ele emergiu alguns segundos depois e pegou um shampoo na beirada da banheira, ensaboando os cabelos, que estavam muito sujos, vigorosamente. Então, ele disse:

– Acredita que ela é virgem?

– O quê? – gritou Tarble, de forma quase caricata. – aos 23 anos?

– Dá para entender. – ele disse, sério – ela é a caçula, a mãe não permitia muito a ela até ir para a faculdade e...

– Hello? Ela está com o Yamcha há um ano e...

– Ele é daqueles babacas tradicionalistas que querem uma noiva virgem, pelo jeito.

– Ela te contou isso naquele tempo em que vocês trabalharam naquela tradução?

– Não. A gente só falava ali do que estávamos fazendo. Também não foi antes. Foi... uma espécie de desabafo quando ela estava comigo presa, durante o sequestro. Ela disse que era muito jovem para morrer, essas coisas...

– E o que você disse?

– Eu... não consegui dizer nada. Na verdade... eu não sei o que dizer para ela. E eu acho que ela gosta daquele babaca do Yamcha, então... não vejo muito o que fazer, ela vai casar com ele.

Tarble deu um suspiro profundo chocado com a imaturidade emocional do irmão.

– Vegeta... acho que você olha para essa garota e vê uma daquelas, sei lá, suíças ou francesas que você pegava na Europa, mas esquece que, embora ela pareça europeia, por dentro é muito mais indiana que você. Eu sei, que ao contrário de mim, você sempre rejeitou nossa cultura. Não percebe que o casamento, para uma mulher indiana, é uma honra que ela aceita mesmo que não ame o sujeito. E fica aí, igual um tolo, esperando que ela dê um sinal que ela está esperando de VOCÊ, seu tonto.

Vegeta abriu a boca e tornou a fechar e o irmão disse:

– Se tivesse chegado primeiro, pelo jeito, já tinha atado o nó com a moça e já estaríamos aqui, no lar dos Vegeta, como uma incrível e feliz família aumentada de Bollywood... embora eu ache que você prefira morar em Juhu, você ama aquela casa mausoléu... então, mesmo com a moça já comprometida, eu aconselho você FIRMEMENTE a ir lá e dizer que a ama. O Yamcha que peça à mamãezinha que escolha uma noiva nova para ele, tem dezenas de mocinhas muito endinheiradas em Mumbai, Déli ou no Rajastão que adorariam casar com um astro de Bollywood que ainda é herdeiro de um império das joias. Aproveita a viagem, corteje ela. Ignore o noivo.

Vegeta ficou olhando para o irmão, meio incrédulo, mas pensando na noite em que ele e Bulma tinham dançado juntos. Depois nela pedindo a ele um beijo com a cabeça cheia de bhang no Holi. Ele deu um sorriso malicioso, então e afundou novamente na banheira, para tirar a espuma dos cabelos. Logo em seguida, ele foi se enxugar e vestir-se e quando saiu do banheiro, surpreendeu-se porque o irmão estava no quarto enquanto esperava a criada que chamara terminar de limpar e arrumar tudo. Quando ela saiu, Vegeta sentou-se na cama e encarou o irmão, que parecia ainda ter algo a dizer.

– O que você ainda quer, pirralho?

– Não fez a barba. Sabe que quando for a Dubai vai ter que estar com mais ou menos a mesma cara do personagem do filme...

– Eu tenho 4 dias para me barbear. Talvez eu deixe um bigode, é bem indiano, não acha?

– Vai ficar ridículo e o público vai pedir que raspe – disse Tarble, rindo, mas logo prosseguiu – precisamos falar sobre novos projetos. Vegeta revirou os olhos e ele prosseguiu:

– Você precisa pensar na vida depois de Shakti.

– Já tenho um filme agendado, lembra? Com aquela atriz, Suno Arora, o Raditz está agitando.

– Um bom ator faz dois a três filmes por temporada. Não quer ver minhas ideias de roteiro?

– Sabia. O que andou aprontando?

– Muita coisa. Pensei em um romance...

– Passo. Chega de mocinhos aguados e chorões.

– Ok, ok, e um filme de época? Você sabe, Bajirao Mastani manteve o gênero mais em alta do que nunca...

– Estou traumatizado por todos aqueles filmes de época em que eu morria, ou a Chichi morria ou, épico dos épicos, os dois morriam. Passo também.

– Meu Shiva Nataraja, como você é chato. Vamos a algo mais ousado e caro para enlouquecer o papai! Aventura, ação e doses de ficção científica, que tal? Um jovem sobrevivente de um planeta extinto que chegou à Terra para dominá-la, mas no processo foi desmemoriado e acabou se tornando bom... então, no meio de um torneio de artes marciais, ele encontra sua mocinha e eles se casam!

– De onde tirou isso? Parece uma maluquice sem sentido...

– A Chichi amou!

– Ótimo. Ofereça para ela e para Kakarotto, eles sim, vão se dar bem com isso aí...

– Mas espere... eu não terminei aí! O herói tem um arqui-inimigo muito poderoso que aparece depois do intervalo e o desafia para uma luta de vida e morte!

– Nossa, gostei disso. Um vilão? Arqui-inimigo. Esse sou eu. Posso dar uns tapas no Kakarotto, isso ia ser divertido.

– Que mané Kakarotto. Ele é lutador, sabe lá se vai querer fazer outro filme?

– Ok, mais um filme para eu morrer no fim. Satisfeito? Agora me deixa jogar meu Call of Duty e pede para a cozinheira fazer um ensopado de frango na manteiga. Juro que não vou comer no quarto.

– Quem disse que eu acabei, bhaee?

– Não acabou? Quer me convencer a fazer mais outro filme?

– Não. O arqui-inimigo não morre, simplesmente, seu trouxa. Ele se redime e arranja um grande amor. Podia ser a Bulma, que tal?

– Ah, some daqui, pirralho.

– Não se preocupe, até o fim da semana eu vou te convencer a aceitar um dos treze roteiros que eu estou escrevendo! – ele disse, saindo alegremente do quarto. De repente, Vegeta o chamou:

– Treze roteiros? De onde você tira tantas ideias?

– Hum, comecei cedo. Passei a adolescência escrevendo e publicando fanfics no , sabia? Algumas bem cotadas, até, bem lidas. Eu transformava histórias da Marvel em filmes indianos. Inclusive para aplacar meus sentimentos impróprios pelo Tony Stark...

– O Homem de ferro? Tarble, o Robert Downey Junior tem idade para ser seu pai! – completou Vegeta, indignado.

Bhaee... em fanfic vale tudo – disse Tarble, saltitando alegremente para fora do quarto.


Dois dias depois, Bulma estava decepcionada. Yamcha a deixara em casa depois de mais um daqueles intermináveis jantares dos dois em que ele falava de tudo, menos deles, e confessara que iria finalizar os efeitos especiais de mais um filme em Los Angeles justamente nos dias em que ela estaria em Dubai para o lançamento de Shakti.

Bulma mal conseguia esconder a sua frustração e insatisfação, porque parecia que nunca havia modo dela e Yamcha se aproximarem. Mas ao mesmo tempo, ela se sentia quase aliviada por não ter que administrar o constrangimento que sentia quando estava entre Vegeta e Yamcha. Depois do sequestro, de tudo que acontecera, ela já não se sentia tão dividida entre os dois, percebera-se apaixonada de fato por Vegeta, mas, ao mesmo tempo, se conformara porque achava que tinha se apaixonado por alguém que não correspondia, que aquilo que ela percebera na boate e no Holi tinha sido apenas, certamente, uma atração, porque ele, assim que Yamcha chegara, dera as costas e fora embora e desde então, não haviam trocado uma única palavra, apesar da intensidade da experiência que tinha sido o sequestro.

Ela chegou em casa e foi logo para o quarto. Raditz discutia com a mãe alguma coisa sobre o gerenciamento da loja no shopping e da sua nascente franquia de doces que seria inaugurada após os eventos em Dubai. O irmão mais velho sempre tinha sido um pouco controlador, mas depois que eles haviam mudado de vida, ele estava mais severo que nunca, agindo sempre como chefe da família. A porta do quarto de Goku já estava fechada, e ela sentiu falta de conversar com o irmão, que estava, nos últimos sete dias, na rotina de treinos mais rígida que ela vira em toda sua vida, então, ela não tinha ninguém com quem abrir o seu coração.

Quando finalmente se deitou, ficou pensando se depois do seu casamento, tudo se ajeitaria. Yamcha era, sem dúvida, doce e respeitador, mas também era frio e distante e ela sentia que faltava algo. Ela se virou na cama imaginando o olhar intenso de Vegeta, e sentiu um arrepio excitado. O beijo trocado pelos dois em Shakti povoava ainda a sua imaginação, seus sonhos... e, ao contrário dos de Yamcha, a fazia querer mais dele. Mas ela precisava se conformar. Era um sonho distante, um romance com Vegeta, que, tirando o vivido na tela, provavelmente nunca aconteceria.


– Passaporte na mão, Kakarotto! Não estamos indo para Uttar Pradesh ou para Déli. Essa é uma viagem internacional!

– Você já disse isso tantas vezes que eu acho que é você quem vai acabar esquecendo o passaporte, nervosinho! – disse Goku, revirando os olhos – tá tudo no bolso da jaqueta, – ele completou, enquanto empurrava o seu carrinho de bagagens – mãe, por todos os deuses, precisava de tanta bagagem para quatro míseros dias em Dubai? – ele perguntou, vendo o tamanho da mala que Gine acabara de depositar no seu carrinho – tá levando o que aí?

– Tudo que eu preciso e nada mais – disse Gine, muito elegante usando roupas bastante ocidentalizadas, um terninho cor de cereja, ajeitando os óculos escuros, que, na ideia da matriarca, compunham o figurino ideal para aquela viagem internacional, mesmo que ela não enxergasse tão bem com eles uma vez dentro do terminal. Ela não queria chegar em Dubai parecendo, nas palavras dela "Uma caipirona indiana". Agora era uma mulher de negócios. De repente, virou-se para Bulma e disse:

– Trouxe o filtro solar?

– Fator 50 – suspirou Bulma – anti-idade, sem perfume, textura leve, não oleosa, etc, etc...

– Excelente. – ela perdeu a paciência e tirou os óculos escuros, guardando-os na bolsa – o Toma disse que tem que passar muito hidratante à noite porque é muito seco o ar por lá...

– Que história é essa de "O Toma disse"? – perguntou Goku, desconfiado. – Tá de conversinha com ele agora, é?

– O Toma tem duas filhas formadas que conseguiram emprego em Dubai – disse Gine, ignorando o comentário ciumento do filho mais novo. – Podíamos casar uma delas com Raditz. Ele me pediu que começasse a procurar uma noiva para ele, embora eu ache isso muito antiquado.

– Isso é verdade, bhaee? – perguntou Goku, virando-se para Raditz, que revirou os olhos, empurrando um carrinho de bagagem tão cheio quanto o dele.

– Eu fiz 28 anos lembra? Tinha prometido à maan que me casaria com 30, 28 é uma boa idade para procurar uma esposa, assim, caso com 30. – ele deu de ombros – Mas duvido que alguma das duas jovens sikhs trabalhando em Dubai queira voltar para a Índia, e eu, certamente não vou me mudar para Dubai para ir atrás de uma noiva, então, acho que as filhas do Toma estão fora...

– Tudo bem, mas ele está me cortejando. – disse Gine, fingindo que não dizia nada demais.

– Como é que é? – perguntou Goku, estacando de repente fazendo o carrinho chacoalhar – a senhora não deveria aceitar corte, é uma viúva respeitável!

– Respeitável, independente e que ganha seu próprio dinheiro, pode perguntar pro seu irmão. A lojinha está vendendo como nunca. – ela disse, rindo com o ciúme bobo do filho.

– E o que isso tem a ver com aceitar a corte de um sikh malandrão? – replicou Goku, emburrado.

– Você disse que religião não deveria ser um empecilho quando namorou aquela muçulmana que eu não gostava, e aliás, não era porque ela era muçulmana, mas porque ela disse que não gostava de besan ladoo, lembra? Pois é, maan Gine aprendeu com os filhos a não ser preconceituosa...

Bhaee... – Goku pediu socorro ao irmão que riu e disse:

– Boa sorte em tentar fazer a nova e moderna viúva Gine a mudar de ideia, bhaee. Nada impede que ela seja cortejada. E Toma é um bom homem! Ela perguntou para mim e eu achei que não tinha problema!

– Ele era colega do papai na delegacia! E como assim, ela decide as coisas perguntando só para você? – perguntou Goku indignado, e Raditz deu um suspiro profundo.

Bhaee, Toma também é viúvo há alguns anos, não acho que ele seja um sujeito mal-intencionado, e é só uma corte, ela pode aceitar ou não. Não vou permitir que ele fique de safadeza com a nossa maan...

Goku ia retrucar quando chegaram ao portão correto de embarque. Ele fechou mais ainda a cara quando Caulifla, que ele não via há um bom tempo se aproximou dele e disse:

– E aí, velhote?

Ele não respondeu a ela, virou-se para o irmão e disse:

– Ela tinha mesmo que ir no mesmo voo? A imprensa vai estar no desembarque e vão achar que ainda estamos juntos!

– A Fly Emirates não tinha como saber que vocês não estavam mais juntos, bhaee... sinto muito.

– Eu não acredito – disse Goku irritado.

– Legal, agora você não é nem mesmo educado comigo... – disse Caulifla, olhando para ele, de cara feia. – Mas não se preocupe, quando você perder a luta para o Jiren, e eu sei que vai perder, e eu vencer a minha, quem vai ter o prazer de recalcular todos os contratos, exigindo que você seja tirado de qualquer campanha para cada patrocinador que queira fechar comigo. E não só você, mas cada atleta representado por esse xexelento aí – ela disse, apontando para Raditz, que a encarou, paciente, e disse:

– Caulifla, você que quis deixar meu agenciamento, é livre para fazer o que quiser. Mas não precisa declarar essa guerra.

– A gente foi namorado e ele age como se eu fosse lixo. – ela encarou Goku. Raditz deu um suspiro. Como sempre, assumiu a negociação, dizendo:

– Façam um acordo de paz durante o voo, pelo menos, bhaee. Não precisa tratar ela assim. Depois vemos o que a gente faz, mas, por enquanto, sejam ao menos educados...

– Ok – disse Goku. – se é assim, então, bom dia, Caulifla. Mas fique longe de mim – disse Goku, se alinhando na fila atrás da irmã e da mãe. – não temos mais nada e você sabe disso.

Caulifla fechou a cara e voltou para a fila, e foi assim, de cara feia um para o outro, que ela e Goku embarcaram para Dubai, onde a imprensa esperava pelo casal de ouro da SFL, sem saber que eles já não eram mais um casal há bastante tempo.


Notas:

1. Agora o Vegeta realmente pensa em ter uma atitude. Bulma percebe seus sentimentos. Não tem Yamcha para atrapalhar. Seria Dubai o local da tempestade perfeita?

2. Só a Aline para colocar o Tarble como um ex-escritor de fanfic, não é mesmo? O é extremamente popular entre os indianos, e o fandom em que eles mais escrevem fanfics realmente é o da Marvel, daí o interesse do Tarble.

3. Ah, dona Gine toda moderna. Será que vai haver um romance entre ela e o Toma? Será?

4. E será que ela vai encontrar (absolutamente contra sua vontade) um para para Raditz?

5. Mas antes teremos a luta entre Goku e Jiren. Chak-de, Deewar! Jai ho! (Força, Deewar! Avante)

6. A "parineeta" do título obviamente é a Bulma. O título se refere a um filme de 2005 que gira em torno do amor de um rapaz por uma garota que seu pai não aceita por rixa de família. É adaptado de um romance e se passa nos anos 1960. O filme é estrelado por um verdadeiro príncipe (Saif Ali Khan, descendente de marajás) e por uma das atrizes mais premiadas nos anos 2000, Vidya Balan.