Capítulo 40 – Ang laga de re (Toca-me com teu corpo)

Raditz marchou resolutamente até Vegeta e Bulma, sério, encarando os dois:

– O que pensam que estão fazendo? Que brincadeira é essa, bahaan? Esqueceu que a palavra e a honra da nossa família estão empenhadas com os Kapoor?

– Raditz... eu não... eu não amo o Yamcha!

– Teve um ano inteiro para dizer isso a ele, agora só porque esse palhaço aí resolveu te seduzir resolveu acabar com tudo?

– Raditz, você não me conhece bem... – disse Vegeta.

– Eu conheço o seu tipo, canalha. Alguns meses atrás estava cercado de modelos, pode ter a mulher que quiser em Mumbai ou onde os filmes chegarem e resolveu, no entanto, ter logo a minha irmã, a minha pequena bahaan? Em hipótese nenhuma ela vai desistir do casamento para ficar contigo, enlamear a sua reputação e acabar com sua carreira que nem bem começou! Ela e Kakarotto se iludem com Bollywood, mas não eu! Eu estive por 10 anos nas estradas da Índia, conheço toda malícia que o coração de um homem mulherengo pode ter, todas as mentiras que um canalha pode contar para ter uma mulher na cama, por mais doces que sejam as suas palavras.

Bhaee... eu – disse Bulma, com lágrimas nos olhos.

– Sim, eu sou o seu irmão, e o mais velho da família. E eu defendo a honra do nosso pai, que morreu investigando o crime que vitimou seus pais biológicos. Se não liga para a sua honra, ligue para a honra dele que você estava prestes a jogar na lama!

Bhaee, eu não posso me casa com Yamcha...

– Você pode e vai. Disse que aceitava, lembra? Esse sujeito pode ter salvo a sua vida, mas não vai usar isso como licença para te levar para cama!

– Eu quero me casar com ela! – gritou Vegeta e Raditz o encarou, sério e disse:

– Devia ter dito isso quando ela ainda era livre e desimpedida. Você a conheceu antes de Yamcha e jamais se interessou. Agora, como seu pai fez um dia, quer seduzir e desonrar uma estrela. Tal pai, tal filho.

Bulma tinha lágrimas sentidas nos olhos. A menção da honra de seu pai havia sido demais para ela. Não poderia ser tão egoísta. Raditz a protegia desde que ela era uma menininha. Num soluço, ela disse:

– Está bem, bhaee... você está certo. Eu não vou desmanchar o casamento e ferir a honra de nosso pai. – ela soluçou – eu sinto muito, Vegeta...

– Bulma, não!

Ela o encarou, com os olhos azuis cheios de lágrimas e disse:

– Há momentos que não podemos nos deixar levar pelo coração. Vamos, bhaee... eu quero ir para o meu quarto.

Raditz ainda encarou Vegeta, furioso e disse, antes de arrastar Bulma para fora do cinema improvisado:

– E pode arranjar outro agente, seu canalha!

Os dois deixaram o cinema e Vegeta, atônito, para trás. Ele caiu de joelhos no chão e, a despeito de todo seu orgulho, de tudo, chorou como uma criança, porque seu coração havia sido irremediavelmente partido.

Raditz levou Bulma até seu quarto, recomendando que ela não contasse aquela história para a sua mãe. Ele pensou então, que precisava ter uma conversa séria com o irmão, para evitar que ele pensasse em acobertar qualquer aproximação de Bulma e Vegeta. Pensando que ele ainda estaria na festa, Raditz desceu, mas encontrou apenas Raaja e sua mãe conversando animadamente. Mesmo não gostando muito daquilo, ele perguntou:

– Onde está o Kakarotto? – ele perguntou, visivelmente mal humorado. – tava aqui mesmo quando eu saí.

– Onde você foi, pahala bachcha (primogênito)?

– Fui procurar a Bulma, mas ela estava cansada, foi dormir.

– Mas é o grande momento dela, porque saiu tão cedo? – perguntou Raaja, e Raditz fechou a cara.

– Ela está noiva, precisa cuidar da reputação. Tem muito tempo que Kakarotto se foi?

– Uns quinze minutos. – disse Gine, tranquila.

– Vou atrás dele – ele disse, irritado. – preciso conversar com ele sobre amanhã – mentiu Raditz – ele precisa ir bem na entrevista e não falar besteira.

Ele subiu até o quarto do irmão e bateu na porta uma, duas, três vezes. Pensou que ele poderia estar dormindo, então, olhou para o elevador ao lado do que havia usado para subir até ali e viu que estava parado no andar mais alto, o mesmo do quarto onde estava hospedada Chichi. Condenando-se internamente por isso, pegou o cartão de acesso adicional do quarto de Goku, que fora providenciado pela SFL sem o conhecimento de Goku porque ele era o representante oficial e poderia socorrer o irmão em alguma emergência, e colocou na porta.

O quarto estava vazio. O kurta e a dupatta que ele usara na festa estavam jogados numa poltrona junto com o terno esportivo que ele usara para vir do centro esportivo e o armário estava aberto, como se Goku tivesse retirado roupas apressadamente para trocar. Ele entendeu imediatamente: o irmão certamente estava com Chichi e só restava a ele esperar que fossem discretos.

Goku nunca na vida havia trocado de roupa tão rápido na vida. Ele entrou no quarto, já tirando a roupa de festa e logo estava nu, porque achou que não estava usando uma cueca digna de uma noite especial. Então, depois de 30 segundos, pegou uma camiseta preta, um conjunto esportivo escuro, composto por calça e casaco com capuz, um par de tênis e acabou se vestindo sem cueca mesmo. Estava muito nervoso. Ele saiu rapidamente e então, pensou que deveria ser discreto, então, puxou o capuz sobre os cabelos, para escondê-los totalmente antes de entrar no elevador de cabeça baixa.

No seu quarto, Chichi tinha acabado de soltar os cabelos, que caíam pelas suas costas como uma seda negra. Ela havia tomado uma chuveirada rápida e tirado toda sua maquiagem de estrela, por mais estranho que aquilo pudesse parecer. O que ela realmente queria era que Goku a amasse na sua forma mais pura. Todas as noites, quando eles conversavam através de chamadas de vídeo, era sem maquiagem que ele a via, com os cabelos soltos, e era assim que ela queria que ele a encontrasse naquela noite. Ela pegou a longa camisola vermelha que havia escolhido e vestiu, então, esperou por ele.

A porta de comunicação entre os quartos abriu-se lentamente e Goku olhou cautelosamente para dentro e sorriu ao ver Chichi sentada na poltrona em frente, parecendo linda e nervosa na longa camisola, os cabelos soltos caindo pelos ombros. Ele baixou o capuz, e arrepiou os cabelos, então tirou o casaco e jogou de lado antes de ir até ela e puxá-la para um beijo, longo, ansiado e sentido. Desde sua chegada a Dubai ele esperava por esse momento.

Ele deu uma ligeira estremecida e ela se afastou ao perceber o lábio dele machucado.

– Dói? – perguntou Chichi, tocando o pequeno corte.

– Eu não me importo. – ele riu – o nariz tá doendo também... mas estar contigo é mais importante, Chichi.

Os dois tornaram a se beijar, e Chichi estava trêmula e insegura, porque se sentia inexperiente, mas logo o beijo se tornou mais desejoso, mais faminto, e ela, superando a sua timidez, começou a erguer a camisa de malha que ele usava, mas quando ele ergueu os braços para ajudá-la ela teve um choque ao perceber todos os ferimentos de luta dele: hematomas e equimoses nos ombros e braços, e uma mancha roxa no meio do plexo solar, onde Jiren o atingira com força. Ela se abraçou ao tórax dele, agora nu e disse, de encontro ao seu peito:

– Me preocupei tanto contigo... fiquei aterrorizada pensando na outra luta, sabia?

Ele sorriu e a fez olhar nos seus olhos, dizendo:

– Quando ele me derrubou, foi seu grito que me fez levantar. Eu tinha que vencer, Chichi. Era meu destino.

Eles tornaram a se beijar e ele a segurou nos braços como uma noiva, sentindo a seda da camisola junto ao peito, a excitação crescendo diante da delicadeza do corpo dela, que ele carregava como uma pluma. Andou com ela até a luxuosa cama, no estilo oriental, cercada por um dossel cor de açafrão, no quarto que Chichi deixara à meia luz. Ele deixara os tênis na outra suíte assim que entrara, então, deitou-a na cama, e subiu, apenas de calça, aproximando-se dela e tomando seus lábios nos dele, com fome, desejo. Lentamente, eles se deitaram juntos, sentindo a emoção daquele delicioso momento íntimo.

Goku não havia tido muitas parceiras sexuais antes dela, apenas duas namoradas, e Chichi tivera apenas Shallot. Os dois agora estavam entregues não apenas a um exercício de conhecimento mútuo, mas de aprendizado sobre amor e prazer. O beijo quente, doce e molhado era apenas o primeiro passo, e Goku, tomando a iniciativa, desceu pelo pescoço de Chichi numa trilha de beijos, fazendo o corpo dela se arrepiar com seu toque. Ele a encarou, como que pedindo permissão, e ela mesma baixou as alças da camisola, desnudando os seios redondos, que ele tocou, rindo por um instante como um bobo, antes de sussurrar:

– Tão perfeitos...

Ele começou com beijos tímidos sobre a pele nua e macia, mas logo chegou a um dos mamilos, e o gemido de Chichi o encorajou a rodear o rosado mamilo com a língua, enquanto acariciava o outro seio. Chichi fechou os olhos, entregue àquela sensação boa de ser amada com carinho, com atenção. Ele então, tornou a beijá-la na boca, devorando-a, encostando-se no corpo dela, que sentiu a ereção dele de encontro à sua coxa, ciente da sua própria excitação. Ela então, afastou-o delicadamente e ergueu-se da cama um instante, sem perder o contato visual ao deixar a camisola de seda escorrer por seu corpo lentamente, revelando seu corpo esguio e curvilíneo, agora coberto apenas por uma minúscula calcinha.

Goku fez um gesto para que ela se deitasse, e então, virou-a de costas, distribuindo beijos lentos, deliberados, ao longo de sua coluna, sentindo a pele dela se arrepiar com o calor dos seus lábios. Ele desceu beijando até a sua bunda redondinha, e, depois de beijar a pele nua, lentamente ele puxou a calcinha fio dental para baixo, ao mesmo tempo que virava Chichi de frente para ele. Os dois se encararam um instante quando ele terminou de passar a calcinha pelos pés dela. Então ele deu um sorriso quase inocente e tirou ele mesmo a sua calça, revelando sua extensão ereta, fazendo Chichi arregalar os olhos, surpresa.

Ele era grande. Bem maior que Shallot, na verdade.

Goku abriu delicadamente as pernas de Chichi e beijou suas coxas, como fizera com o resto de seu corpo, e só então, seus beijos chegaram à sua delicada vulva coberta por pelos negros bem aparados. Ele a encarou enquanto tocava delicadamente com os dedos os grandes lábios, como que brincando com sua delicada flor de lótus, então, ele mordeu os lábios, ainda olhando para ela, e abriu-a, vendo a pequena cavidade rosada e úmida exposta. Delicadamente, ele a beijou, fazendo Chichi estremecer de prazer e excitação.

Ele então passou a língua por ela, explorando os pequenos lábios por um longo instante antes de capturar o clitóris dela com os lábios e sugar delicadamente. Chichi arqueou o corpo e gemeu, abrindo mais as pernas para que ele seguisse com sua prazerosa exploração. A língua de Goku ia e vinha, sem pressa, ora penetrando-a, ora apenas acariciando com delicadeza, mas, conforme ele a sentia mais excitada, ele passou a trabalhar mais com a língua no seu ponto mais sensível até que ela gemeu alto e gritou seu nome, derramando-se num gozo molhado que ele provou, agora excitado e louco para tê-la por inteiro finalmente, a sua preciosa Chichi.

Ela o puxou para cima, mas sentou-se na cama, surpreendendo-o e o acariciou, tocando-o com as mãos delicadas por toda sua extensão, fazendo agora com que ele gemesse.

– Chi... – ele disse, com a voz rouca de desejo – assim eu não aguento... – ele a encarou e disse, meio confuso – eu tenho... no bolso do casaco, sabe? Pre- preservativos... – ele gaguejou, nervoso.

Ela riu e disse:

– Eu não retirei meu D.I.U, Goku... e tenho boa saúde.

– Eu também – ele riu – a SFL faz... exames... ah, Chichi...

– Vem... – ela murmurou, deitando-se de costas, convidando-o a possuí-la. Goku encaixou-se entre suas pernas, mas não a penetrou imediatamente, beijou-a novamente, tentando conter a excitação e disse, logo em seguida:

– Eu não quero ir rápido demais, Chi... eu estou tão louco, tão excitado...

Chichi então sorriu e delicadamente o tirou de cima dela, dizendo:

– Vamos tentar algo diferente, vem aqui – ela apontou o centro da cama e ele sentou-se obediente.

Lentamente, então, ela subiu em seu colo, apoiando-se nos seus ombros enquanto ele a segurava pela cintura. Encaixando-se nele, ela manteve uma perna esticada enquanto a outra se enlaçou no quadril dele. Ela desceu lentamente até sentir-se totalmente preenchida por ele, que grunhiu de prazer, mas realmente sentiu que era mais fácil se controlar naquela posição, com o peso dela contendo-o. Chichi então começou a movimentar-se com a ajuda dele, que a abraçou pela cintura com mais força, e eles beijaram-se mais uma vez, as respirações compassadas no mesmo ritmo, à medida que o prazer deles aumentava.

Ofegante e excitada, Chichi cravou as unhas nos ombros de Goku, sentindo novamente o prazer crescendo dentro dela, enquanto ele, com esforço, sentia-se cada vez mais próximo ao ponto do êxtase, segurando-se porque queria dar a ela o mesmo prazer que tivesse. Então, Chichi gemeu e ele sentiu que ela chegava ao ápice, agarrando-se a ele, que finalmente pôde se libertar e gozar com ela, o prazer vindo numa explosão de sensações, fazendo com que ele a abraçasse forte antes de finalmente cair de costas sobre os macios lençóis da imensa cama onde estavam.

Chichi deitou-se ao lado dele, que virou de lado e a puxou, colando a sua testa na dela antes de dizer, olhando nos olhos negros de sua amada:

– Fica comigo pra sempre?

– Por todas as vidas que eu viver – ela murmurou, sorrindo e ele sorriu de volta.

Ele riu para ela e os dois se beijaram, dessa vez suavemente e se aconchegaram um ao outro. Era quase inacreditável que, depois de tantos anos, finalmente haviam consumado seu amor. Depois de um tempo, cobertos e abraçados, Goku perguntou:

– O que foi aquilo, Chi?

– Aquilo o quê? – ela riu, sabendo ao que ele se referia.

– Aquela posição... diferente.

– Ah – ela riu alto – quando eu tinha uns 14 anos achei um livro na biblioteca dos meus pais... era o Kamasutra. Quer dizer, uma dessas muitas edições de luxo com as ilustrações da época... – ela enrubesceu e foi a vez dele rir e perguntar:

– E você aprendeu isso num livro, então?

– É – ela sorriu, muito vermelha – mas eu nunca tinha feito... essa pose se chama lótus enviesada.

– Hum – ele riu – eu nunca tive um livro desses, tem mais alguma coisa que queira me ensinar?

Ela enlaçou seus braços no pescoço dele e disse, sorridente:

– Você parece já saber bastante coisa...

– Sei que eu amo você.

– E eu também te amo – ela o puxou e tornaram a se beijar, e logo estavam sentindo aquele calor excitante, a química de pele que os unia como um só. Os beijos logo deixaram Goku excitado, e, dessa vez, Chichi o puxou porque queria sentir o peso do seu amado sobre seu corpo. Sustentando-se com os cotovelos, ele ainda brincou um pouco em sua entrada fazendo com que ela gemesse alto com aquele doce e delicioso atrito, até que ele a penetrou lentamente, fazendo Chichi gemer baixinho, um gemido doce e sentido. Goku dessa vez controlou o ritmo, ora lento, ora mais rápido, até que Chichi empurrou os quadris contra os dele em súplica por mais e ele acelerou o ritmo, buscando os lábios dela novamente, enquanto estocava-a sem dó, indo e vindo até que o prazer veio para ambos novamente, o gozo excitante e libertador que praticamente os esgotou, fazendo Goku desabar para o lado quase sem fôlego antes de dizer:

– Pelos Deuses...

– Somos perfeitos juntos – ela disse, aninhando-se a ele. – o corte sangrou um pouquinho... – ela limpou uma manchinha de sangue sobre os lábios dele, que disse:

– Um preço bem pequeno por tudo que tivemos... – ele a encarou, os olhos dela agora estavam pesados e ele disse:

– Só quero agora dormir contigo...

Ela sorriu e disse

– Vou apagar as luzes – ela bateu palmas e o sistema desligou as luzes. E em menos de 5 minutos, os amantes estavam confortavelmente adormecidos nos braços um do outro. Tinha sido uma noite perfeita.

A luz entrava suave no quarto, filtrada pelas cortinas claras. Enquanto fora o sol já iluminava a varanda, quente, brilhante e abrasador antes das oito da manhã, Goku e Chichi seguiam adormecidos, embalados pelo conforto dos lençóis, protegidos do calor de Dubai pela deliciosa climatização do ambiente. Goku remexeu-se na cama, abriu os olhos e então, sorriu quando sentiu a maciez do corpo de Chichi aconchegada a ele. Beijou-lhe o rosto suavemente e ela abriu os olhos e sorriu.

– Que horas devem ser? – ela perguntou e Goku ia dizer qualquer coisa quando sua barriga roncou ruidosamente, fazendo a garota gargalhar. Goku sorriu, sem jeito e disse, com ar inocente:

– Deve ser hora do café da manhã...

Os dois riram e Chichi perguntou:

– O que você costuma comer de manhã?

– Agora? – ele perguntou – ovos, chapati, ghee, uma fruta... às vezes maan faz dosa (pão de batata) com paneer, ou um bom poha (arroz achatado com vegetais e outas sementes e cereais) ou uma tigela de lentilhas. Mas antigamente, comíamos o que tinha, normalmente, era arroz – ele sorriu – e você?

– Ah, eu amo dosa com paneer também, chapati... eu sei fazer chapati, sabia? Vou fazer para você um dia.

– Antes ou depois do casamento?

Ela olhou para ele e sorriu. Era impressionante como, ao contrário do que acontecia com Shallot, quando ele falava em casamento, ela se sentia empolgada e feliz, porque era o que queria, permanecer ao lado dele, sempre.

– Quando você quiser! – ela sorriu e beijou-o. De repente, em algum lugar, começou a tocar um rap conhecido que sampleava a melodia de uma música de filme antigo e ela perguntou – o que é isso?

– Meu celular! – exclamou Goku, olhando em volta como que procurando – ai, tá lá no meu casaco... – ele se agarrou a ela – e eu não quero levantar agora...

– Pode ser sério, Goku – ela disse, rindo enquanto ele brincava mordiscando o pescoço dela.

– Deve ser o Raditz pra me encher o saco – brincou Goku – ele anda muito chato, controlador. Se me achasse ontem à noite duvido que eu estaria aqui agora!

Chichi ia dizer qualquer coisa quando o seu celular, perto da cabeceira da cama, começou a tocar e ela viu no visor:

– É o Raditz... será que ele sabe que...?

– Atende – ele suspirou. Quando Chichi atendeu ouviu, do outro lado:

– Chichi, ele está aí ainda?

Ela enrubesceu, mas não conseguiu mentir:

– Quer falar com ele?

– Agora.

Ela passou o telefone para Goku, que bufou irritado e atendeu:

– O que foi, bhaee?

– Eu preciso que você veja o vídeo que saiu agora pela manhã no canal da Ribrianne. Vê e me liga.

Raditz desligou e Goku disse:

– Ele falou algo sobre um vídeo no canal da tal da Ribrianne...

Chichi sentou-se na cama, um pouco tensa, e pegou o celular, entrando no canal de fofocas mais acessado de Bollywood. Ribrianne estava bem furiosa porque Raaja Vegeta a havia barrado para aquele evento por causa do seu estilo fofoqueiro e sensacionalista e Chichi pressentiu que podia ser algo ruim.

Havia um vídeo publicado menos de uma hora antes, já com mais de 500 mil visualizações, cujo título era "Son Goku me traiu com Chichi Cutelo". As mãos de Chichi tremiam quando ela clicou no link e logo o rosto gorducho de Ribrianne enchia a tela dizendo que havia uma revelação bombástica sobre o mais novo romance não assumido de Bollywood. Então, havia uma foto da dança de Goku com Chichi no The Raj meses antes, cortando em seguida para um depoimento visivelmente gravado com uma câmera de celular em que Caulifla dizia que havia terminado com Goku a caminho de Dubai por descobrir o romance dele com Chichi, que durava há meses. A visão da lutadora machucada numa cama de hospital já era bem ruim, mas ela culpava Goku por sua derrota para Heles, e dizia que Goku a havia enganado.

– Isso é uma mentira deslavada! – gritou Goku e Chichi tocou seu braço de leve, pedindo que se calasse.

Logo depois, o vídeo retornava a Ribrianne que dizia maliciosamente que havia ligado para o ex-namorado de Chichi, Shallot Khan, e ele confirmara a história, mas não quisera gravar nenhum depoimento. Ela então dizia:

– E agora parece que os dois pombinhos estão juntos em Dubai, indiferentes aos corações que partiram.

O vídeo terminava com uma imagem de celular dos dois dançando "Bole Chudyan" na festa de horas antes, aquilo provavelmente havia sido obtido de forma clandestina porque os seguranças eram instruídos a abordar quem filmasse a festa e mandar que parasse imediatamente. Chichi e Goku se entreolharam, cientes de que mesmo se não tivessem se encontrado e passado aquela noite juntos, como tinham feito, certamente aquele vídeo faria um tremendo estrago, ainda que lotado de fake news. Goku ligou para Raditz, que atendeu e disse:

– Entende agora porque eu disse para serem discretos? Tudo que fizeram aqui pode confirmar o que aquela guria maluca e o canalha do ex-namorado da Chichi disseram. Precisamos minimizar os danos.

– Como, bhaee?

– Bem, para começar, você precisa tomar cuidado ao sair daí. O gerente do hotel me avisou que tem um repórter da Bollywood Files hospedado bem diante do quarto de Chichi. Ele deve estar vigiando com a porta entreaberta e uma câmera escondida, esperando qualquer bandeira para ter uma confirmação. Você precisa sair daí o mais rápido e discretamente possível. E, por enquanto, vocês precisam ficar separados. Vamos ver o que...

– Raditz – Goku disse, firme – eu não quero mais me esconder. Eu posso fazer qualquer coisa para salvar a Chichi, mas não vou me separar dela.

Bhaee...

– Não somos crianças. Vamos dar um jeito nisso.

Goku desligou o telefone e explicou a Chichi o que havia acontecido e então disse:

– Eu preciso sair daqui sem ser visto. Não se assuste.

Ele rapidamente recolheu suas roupas, vestiu-se e, para surpresa de Chichi, dirigiu-se à varanda. Olhou para os apartamentos ao lado daquele, era possível pular de uma varanda para a outra até a outra extremidade do hotel. Chichi, percebendo o que ele ia fazer disse:

– Goku, não seja doido!

Ele deu um beijo de leve nela e disse:

– Eu vou dar um jeito nisso. Ninguém vai me separar de você e ninguém vai te julgar.

Num movimento rápido, ele passou pela mureta da varanda para o quarto seguinte, e foi pulando até chegar a um quarto onde duas criadas vestindo chadores (véus muçulmanos) arrumavam a cama. Ele entrou pela varanda e uma delas gritou mas ele fez gestos como se fosse o hóspede daquele quarto e tivesse dormido na varanda e as mulheres ficaram olhando enquanto ele escondia novamente os cabelos com o capuz e saía pela porta. Era distante o suficiente do quarto de Chichi, mas ele foi até a entrada das escadas, sempre de cabeça baixa para evitar as câmeras e, em vez de descer apenas até seu andar, ele foi até o térreo e, discretamente ele largou o casaco numa cadeira próximo à saída para a área de lazer e esportes do hotel e se esgueirou na direção da pista de corrida onde começou a correr como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Ligou para o irmão e disse onde estava, pedindo para que qualquer um que o procurasse fosse informado que ele estava mantendo sua rotina de exercícios do dia. Logo, ele dava voltas pela pista como se tudo estivesse sob controle, mesmo sabendo que naquele momento milhares de pessoas estavam assistindo o vídeo de Ribrianne e julgando a ele e Chichi, certamente pesando isso mais contra ela.

E ele não iria permitir que ela fosse condenada por uma traição que jamais acontecera. A carreira de Chichi, muito mais que a dele, estava em jogo e cabia a ele consertar o estrago feito por Caulifla.

Notas:

1. "Aline, pelo amor de Krishna, algum dia você pretende facilitar a vida de algum casal nessa história?" Claro que a resposta é não, mwahahahahaha! Mas Vegeta está, na verdade, pagando pelo erro que cometeu ao não se declarar quando devia para a Bulma. Raditz não sabe o quanto ele ama a sua irmã, nem mesmo tem como saber, afinal, ele não conhece Vegeta como ela.

2. O Baudjê (patriarca) tem a obrigação de zelar pela fortuna, segurança e honra da família. Como já disse a vocês, com a morte de Bardock Raditz assumiu esse papel, agora sente-se obrigado a separar Bulma do seu amor por questões culturais que são demasiadamente arraigadas na Índia. Claro que se fosse Gine que descobrisse os dois a coisa teria outro rumo. Será que Bulma vai seguir sofrendo ou vai contar para a mãe o que está acontecendo? Cartas à redação.

3. Mas finalmente Goku e Chichi tiveram a sua noite! Aleluia para quem é de Aleluia, Hare Baba para quem é de Hare Baba!

4. Só que claro que sai a Caulifla do além para embaçar a parada, né? Ainda com a urubuzice do Shallot. O orgulho ferido e a vaidade fazem estragos, mas será que essa mentira toda vai se sustentar? Antes que achem que é exagero meu, preciso te dizer que qualquer treta na imprensa de celebridades indianas pode durar meses e meses: recentemente, após o suicídio de Sushant Singh Rajput, uma atriz culpou "os filhos de atores protegidos" pelo suicídio do rapaz e a imprensa tem caído em cima e explorado o tema incansavelmente. Sem entrar no mérito da questão, alguns atores e atrizes tiveram seus instagrans fechados por conta da onda de ódio que receberam, muitas vezes de forma injusta. E a treta parece longe de acabar. Vamos torcer que Chichi e Goku achem uma solução sem precisar se separar novamente.

5. Lembrando que estamos na Quarta-Feira e o casamento de Bulma está marcado para o Domingo. Quatro dias para reverter a situação. Vegeta, dá teu jeito aí!

6. "Ang Laga De Re" é um numero musical lindíssimo do filme "Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela" (A dança das balas: Ram-Leela), ou simplesmente "Ram-Leela", onde Leela (Deepika Padukorne) dança sensualmente para Ram durante a noite em que consumariam seu casamento. O filme é baseado em "Romeu e Julieta", de William Shakespeare e eu dizer isso a vocês é um tremendo spoiler, né? Mas é um filme de imenso sucesso que uniu um dos casais mais amados de Bollywood: Deepika Padukorne e Ranveer Singh, que estão realmente muito lindos no par que repetiriam em "Bajirao Mastani", de 2015.