Capítulo 41 – Teri meri kahani... (A história de nós dois)

Goku percorria mais uma vez a pista de corrida quando viu o repórter vindo na sua direção. Não era um jornalista esportivo, e ele logo fechou a cara e disse:

– Não vou dizer nada.

– Goku, viu o vídeo da Ribrianne?

– Não quero falar sobre isso. – Goku correu mais rápido e o homem disse:

– Uma declaração?

– Vá para o inferno!

Não era o primeiro. Ele descera para a pista de corrida realmente para ser visto, mas agora estava cercado por repórteres que queriam que ele confirmasse ou desmentisse a história de Caulifla. Então ele parou, virou-se para a pequena multidão que o seguia e disse:

– Meio dia tem a entrevista dos vencedores da SFL. Prometo que vou contar tudo sobre isso.

– Mas nós não temos credenciais de imprensa esportiva! – disse o jornalista da Bollywood Hungama. Goku deu de ombros então, e disse:

– Assistam na plateia, então. Só não vão poder fazer perguntas.

Ele tornou a correr, mas dessa vez, tomou o caminho do seu quarto. Depois de uma chuveirada, chamou Raditz, que começou a tentar direcionar sua entrevista:

– Olha só, você vai dizer que a Caulifla e você terminaram amigavelmente e que não existe esse relacionamento com a Chichi...

– Não vou fazer isso, bhaee.

– Quê? Ficou maluco? Acha por acaso que isso é brincadeira? E a carreira da Chichi? Esqueceu que eu a estou agenciando agora também?

– Não, não esqueci. Mas a vida da Chichi é mais que a carreira dela, e se nós negarmos agora e ficarmos juntos mais adiante, vai todo mundo dizer que nós estávamos mentindo. E eu e ela não estamos mais dispostos a nos esconder ou mentir. Quem mentiu foi a Caulifla.

– Mas...

– Eu vou contar a verdade, e a Chi me apoia, bhaee.

– Mas... a verdade? As pessoas vão acreditar na verdade?

– Não sei, mas sei que é melhor que mentir.

Raditz saiu do quarto bufando, mas ciente que não ia conseguir convencer o irmão a seguir seu conselho. Goku então ligou para Chichi e disse que queria contar toda verdade sobre os dois na entrevista. Então completou:

– Não vou mais me esconder e nem você. Não fizemos nada de errado. Nós nos amamos, e ninguém vai nos separar. Você quer assumir isso comigo, Chichi? Eu te apoio em tudo, eu sempre vou te apoiar e proteger.

– Sim! – ela disse, num rompante – eu também quero assumir, Goku. Eu te amo e não quero mais esconder.

– Nunca mais vamos nos esconder, prometo – ele disse – te vejo depois da sua entrevista.

Do outro lado, Chichi, depois de desligar, suspirou. Logo depois das entrevistas da SFL havia uma coletiva de imprensa sobre o filme, e ela queria demais confirmar a história de Goku, mas, ao mesmo tempo, ela tinha medo do julgamento da imprensa, porque crescera naquela indústria e sabia que sua carreira estava em risco. Mas então, pensou que era um risco que valia a pena: ser feliz, não se esconder mais e não ter mais medo era algo que ela queria mais que nunca.

Mas, ao mesmo tempo, ela não resistiu a olhar a repercussão na internet, e se sentiu mal ao ver comentários que a julgavam e a tratavam como monstra. Mas, graças à sua curiosidade, acabou descobrindo que Caulifla teria alta ainda durante a manhã e voltaria ao hotel. E ela sabia exatamente para onde ela voltaria: o quarto ao lado do que Goku ocupava.

Chichi subitamente teve uma ideia e colocou um aviso de "arrume o quarto" do lado de fora e esperou.

O corpo todo de Caulifla doía. Ela havia dormido muito mal no hospital e como não havia um dentista disponível quando ela fora internada, o esforço da SFL para salvar seus dois dentes quebrados se perdera e ela iria ter de passar por uma dolorosa reconstrução quando chegasse a Mumbai.

Para completar, ela havia sido advertida pela SFL por prejudicar Goku com sua entrevista não autorizada para Ribrianne, e ela tinha ficado bem irritada com a total falta de suporte da liga às suas declarações. Tinha esquecido que a SFL era um mundo machista e que provavelmente ela não lucraria absolutamente nada com aquele vídeo que já havia até se arrependido de ter gravado. Goku agora era valioso para os patrocinadores, e não ela. Tudo que ela imaginara que aconteceria quando viajara a Dubai se processara de forma completamente oposta e isso que a deixava furiosa.

No fundo, ela também se culpava pela derrota para Heles. Tinha consciência de que nos últimos meses, depois da sua defesa de cinturão ter sido tão fácil, descuidara-se e não treinara tão sério quanto antes, tinha esquecido o quão dura era a vida de uma atleta de alta performance. E tudo isso porque um agente havia prometido a ela que talvez a levasse para o UFC. Como Indiana criada no Canadá, detestava Mumbai e ansiava por voltar à América do Norte.

Ela tinha desprezo pela SFL e só estava nela porque não conseguira vaga na competitiva liga com sede nos EUA. Tinha se envolvido com Goku primeiramente por farra, mas depois, quando percebera que ele não "entrava na dela" quis manter o namoro por orgulho e amor próprio, mas havia se apaixonado por ele, e o desprezo dele havia despertado nela uma violenta raiva, por isso ela havia entrado em contato com um agente que prometera leva-la para o UFC ou pelo menos tentar: bastava vencer em Dubai para ser apresentada como uma lutador com um cartel impecável.

– Mas você ferrou tudo bonitinho – disse ela para si mesma, entrando no quarto do hotel querendo pegar as suas coisas, já que pretendia deixar Dubai ainda naquela tarde e a Índia o mais rápido o possível – com sorte vai conseguir uma vaga num time universitário do Canadá, já que perdeu a única luta que não podia perder.

Havia uma criada, usando um chador, arrumando a sua cama e ela fez uma careta e disse, em inglês:

– Tanta hora para arrumar comigo fora daqui e você decide vir aqui quando eu chego?

A criada se virou e tirou o chador, revelando os cabelos negros presos em um coque. Ela então a encarou e Caulifla a reconheceu:

– Você? O que tá fazendo no meu quarto? Veio me ameaçar, é?

Chichi deu um suspiro. Sabia que seria difícil, mas para seguir adiante com Goku ela precisava acertar contas. Com Shallot as contas já estavam mais do que acertadas, mas faltava a garota que a deixara furiosa e com ciúmes mais de uma vez, mesmo que ela na época não se sentisse nesse direito:

– É difícil não se apaixonar por ele, não? – disse Chichi, olhando para Caulifla com simpatia – ele é engraçado, às vezes diz coisas super inteligentes e logo depois, parece bobo e inocente, até mesmo meio criança e a gente pergunta como é possível. – ela suspirou – eu me apaixonei por ele aos 16 anos, sabia? E eu fiquei sete anos sem vê-lo e aí ficava fantasiando que o encontrava de novo, e isso realmente aconteceu. Eu sinto muito que você sido envolvida nisso tudo, tenho certeza que nem eu nem ele queríamos te magoar.

Ela baixou os olhos, sem jeito, com uma expressão emburrada e disse:

– Eu não me apaixonei por ele... quer dizer, tivemos aquele caso lá, e os contratos. Mas...

– Eu imagino que você deve ter raiva de mim, Caulifla. Mas não sou sua inimiga. E estou nessa indústria desde criança. Vou te dizer o que vai acontecer: qualquer desculpa que Goku dê, o público vai aceitar. Ele é homem, os homens sempre são perdoados. Foi assim com o senhor Raaja. Foi ele quem disse que amava minha mãe, mas foi dela que desconfiaram, sabia? Não dele. Eu vi minha mãe ser chamada de destruidora de corações depois de morta quando eu tinha apenas oito anos, não pense que não fui ferida. Eu sabia a pessoa doce e boa que ela era, mas para a imprensa, ela era uma tirana que partira o coração de um galã. É isso que dirão de mim: eu vou ser, perante os olhos deles, a mulher cruel que destruiu um namoro. Mas não pense que você vai ficar impune, ah, não. Vão dizer que provavelmente você era também culpada, uma péssima namorada, disseram horrores de mim quando dispensei Shallot. – ela encarou a garota – e a gente sabe que nem namorados vocês são mais, há tanto tempo... se é que um dia foram mesmo namorados. Você sabe, no fundo, que Goku nunca sentiu nada por você, não sabe?

Caulifla encarou Chichi, com ar de raiva, e disse:

– E o que quer que eu faça? Já fiz a besteira. Já disse que vocês me traíram, mesmo sabendo que era mentira... agora vai ser a sua palavra contra a minha e vejamos quem tem o soco mais forte.

Chichi deu um sorriso triste para a garota e disse:

– Isso não é uma competição ou uma luta e, como eu disse, não sou sua inimiga. Eu e Goku decidimos que vamos falar a verdade sobre tudo – ela se dirigiu à porta e ainda deu uma última encarada na garota – só espero que você pense no que ganhou com essa bobagem. E tenha boa sorte na sua vida.

Ela saiu do quarto deixando Caulifla irritada, porém, pensativa.

Bulma não queria sair da cama naquele dia. Era o dia que seria a sua consagração como protagonista, mas ela só conseguia pensar que em quatro dias estaria casada com Yamcha e definitivamente, não o amava. Não seria tão ruim se ela não tivesse descoberto, finalmente, que Vegeta realmente a amava.

Chegava a sentir raiva dele por ter passado tanto tempo escondendo isso dela. Agora, examinando suas memórias, ela via que desde a universidade ele estivera sempre perto dela. Quando ela pensava nele naquela época, o via como o melhor amigo, porque ele sempre a tratara como amiga e ela achava que ele não estava interessado nela, afinal, poderia ter qualquer garota do Campus, de Mumbai, até mesmo da Índia.

Olhando para trás, ela se via e percebia, finalmente, como o encanto que sentira quando Yamcha havia se aproximado e a chamado para sair tinha sido motivado pelo fato dele ser seu ídolo de adolescência, mas que ela, apesar de crer piamente nisso até poucos meses antes, jamais o amara. Talvez se não tivesse se encantado por Vegeta jamais tivesse se importado com isso... mas agora que conhecia o amor e como ele poderia ser, não conseguia se imaginar num casamento com Yamcha.

Yamcha tinha se interessado pela Bulma afetada e comportada que ela era diante dele quando o conhecera. Ele, na verdade, não conhecia a verdadeira Bulma, a garota atrevida e espevitada de um bairro pobre que saía aos trezes anos para gritar que os irmãos largassem o cricket e entrassem para a janta, a menina que tinha sempre uma boa resposta e era divertida, engraçada. A Bulma que ele conhecia era uma noiva indiana perfeita, mas não era a verdadeira Bulma e ela achava impossível que os dois pudessem realmente ser felizes juntos.

Mas o que era a sua felicidade diante da honra de sua família? Pior, o que era a sua felicidade perto de todos os sacrifícios que Raditz fizera ao longo dos anos? O seu bada bhaee (irmão mais velho) tinha aberto mão do cricket, da faculdade e de muitos sonhos apenas para que ELA se formasse na prestigiada Universidade de Mumbai, dirigindo um caminhão pelas perigosas estradas da Índia ao longo de anos, cumprindo o papel de baudje (chefe de família) até que o irmão mais novo o chamou para cuidar de sua carreira.

Goku dera a Raditz uma nova profissão, um novo status, uma nova vida, mas ela ainda devia a ele mais do que poderia pagar, por isso para ela a palavra dele valia tanto. O problema seria continuar em Bollywood e filmar novamente com Vegeta, o que a fez tomar uma decisão.

Ela se levantou da cama, disfarçando para a mãe sua tristeza, e começou a se arrumar para a coletiva da tarde. A mãe a avisou que o senhor Raaja a chamara para novamente ser maquiada e penteada, mas ela disse que queria se maquiar ali no quarto mesmo. Logo a maquiadora chegou, livrando-a do tormento de encarar Vegeta antes da entrevista. Enquanto a moça, que era indiana, falava pelos cotovelos Bulma pensava que era bom que ela fizesse sucesso depois com outros galãs.

Porque nunca mais na sua vida ela dividiria um filme com Vegeta.

Meio dia em ponto, Goku chegou para sua entrevista da SFL. A sala estava cheia, porque além dos repórteres credenciados, nas primeiras filas do auditório, havia muitos sem direito a perguntas, a maioria repórteres que cobriam notícias de cinema e que estavam ansiosos por alguma declaração sobre a fofoca do momento, e, além deles, estava ali Broly, que havia sido contratado como comentarista por um canal de TV mas não havia sido credenciado para fazer perguntas, por isso estava furioso.

Goku entrou e percebeu que nunca, desde que se tornara lutador, tivera uma entrevista tão absurdamente cheia e nem tantos flashes e lâmpadas de filmagem sobre si. Podia, sim, ser porque agora ele era uma lenda da SFL: invicto, campeão em duas categorias com todas as vitórias por nocaute sem contestação possível, o maior campeão de todos até então.

Mas aquilo nem o enganava ou iludia: o interesse de todos aqueles repórteres era sua história com Chichi, ele sabia, e sabia também que cabia a ele contar a sua história de forma que ela saísse limpa e honrada, sem estigmas ou demonizada por uma história que, caso contrário, deveria pertencer apenas a eles. Sabendo exatamente o que ia dizer ele sentou-se diante do microfone e disse:

– Oi, eu sou o Goku! – e sorriu para a plateia, que começou a rodada de perguntas.

As primeiras foram realmente sobre a luta, e ele estava preparado para elas. Elogiou Jiren, com elegância, como sempre fizera, exaltando as qualidades do adversário, dizendo que ele tinha sido o adversário mais difícil e desafiador de sua carreira, fazendo Broly bufar visivelmente irritado, mas escaldado o suficiente para não se manifestar e ser expulso do evento.

Então, quando a entrevista seria normalmente encerrada, um entrevistador perguntou:

– E sobre a declaração de Caulifla?

Ele viu Raditz se remexer, ansioso por terminar a entrevista, mas fez um gesto para o irmão e olhou para o repórter, que sentia-se visivelmente constrangido porque repórteres esportivos não se ocupavam tanto da vida pessoal dos atletas, principalmente os homens, mas ele havia recebido um bom dinheiro para fazer aquela pergunta. Então, Goku sorriu e disse:

– Se eu estou com Chichi? Sim, estou e pretendo ficar pelo resto da vida. Se eu traí a Caulifla com ela? Não. Nem por um minuto, por várias razões, mas eu vou começar essa história pelo princípio. Há quase dez anos eu era um garoto muito sonhador que andava por aí, na minha bicicleta entregando doces para a minha mãe, e, nas horas vagas, eu dançava imitando filmes com a minha irmã. Numa tarde pouco antes das monções de 2007 eu fazia faxina num bar, e minha mãe vai me dar uma bronca porque que lá vendiam bebidas, e estava lá quando a porta abriu e eu levei um susto... porque a Chichi estava gravando "Princesa Shanti e a joia de Mumbai" ali pertinho e, por algum motivo, entrou bem quando eu estava ensaiando escondido para dançar num festival de Ganesha Chathurti... longa história, mas acho que tem uns vídeos meus por aí disso – ele riu e pareceu sonhador quando disse:

– Tem noção do que é para um garoto pobre ver sua estrela favorita ali, diante de você? E ela me pediu para dançar para ela, e eu dancei e então pedi para dançar com ela e dançamos... e demos nosso primeiro beijo ali, naquele bar sujo e vazio de Andheri East. Depois ficamos com vergonha, conversamos mais um pouco, ela comeu um dos ladoos que minha mãe fazia... e um segurança careca que na época parecia duas vezes maior que eu me jogou no chão e me imobilizou.

– A Chichi pediu por mim, e em vez de um chute, eu ganhei um cartão para um teste de dança que nunca aconteceu... mas por causa disso que eu estou aqui diante de vocês, porque aquele segurança careca que eu nunca mais vi achou que eu podia ser um bom lutador, e aí eu conheci o mestre Karim, depois fui para o Wrestling, e o resto vocês acompanharam... mas antes a gente ainda se viu uma vez!

– Eu fui entregar doces para uma festa de estúdio, aí eu já tinha um furgãozinho, depois de ter tido um tuc-tuc... adorava aquele negócio, mas minha mãe achava perigoso... e aí eu entrei no estúdio e foi a minha vez de encontrá-la... e ela ainda lembrava de mim, um simples slumdog das ruas de Mumbai, e foi assim que aquele então noivo intragável dela me chamou... mas ela não tinha me esquecido e eu só queria reencontrá-la... tá, eu sei que vocês achavam que eu e a Caulifla éramos um casal perfeito, mas a verdade é que era tudo contrato. Não no começo... a gente ficou junto por um tempo, na verdade um tempo bem curto, mas não estava apaixonado, nem eu, nem ela, pelo que ela me dizia...

– Mas tínhamos um monte de contratos de imagem negociados e enquanto eles estiveram valendo, eu e a Chichi ficamos distante, mesmo loucos para ficarmos juntos, mesmo apaixonados... sabem por quê? Porque eu não queria, de forma nenhuma, que a mulher eu amo demais ficasse marcada ou fosse julgada de forma errada. E ontem, quando finalmente nos encontramos... ah, eu não posso mais ficar longe dela e nem ela de mim... e o que a Caulifla disse...

Nesse momento, uma pessoa que estava no meio da plateia levantou-se e baixou um capuz. Era Caulifla. As câmeras se voltaram para ela. Os repórteres esperavam um conflito sério, uma troca de acusações, mas não foi isso que aconteceu.

– Eu estou aqui – ela disse, parecendo deslocada e sem jeito – para esclarecer as coisas... eu ontem estava sob efeito de remédios muito fortes... e a Ribrianne tinha me ligado mais cedo e tornou a ligar e me convenceu a gravar aquele vídeo. Fontes ligadas ao tal do Shallot lá davam conta de que ele vinha falando por aí que a ex-noiva tinha traído ele com o Son Goku... e aí ela queria que ele gravasse, porque estava com ódio da Sadala Filmes, da SFL e do Raaja Vegeta. Eu estava dopada e aí disse exatamente o que ela queria e graveim com o meu próprio celular aquela história com o roteiro que a Ribrianne me deu. E era tudo mentira.

Ela saiu, seguida por alguns repórteres que queriam declarações adicionais e Goku disse apenas, sem sair do lugar que estava:

– Vocês queriam a verdade, está aí a verdade.

A imprensa estava em polvorosa com a declaração de Goku, mas ainda havia a entrevista do elenco de Shakti. Goku, agora aliviado, sentou-se na plateia para ver a entrevista, feliz porque ele e Chichi estavam livres e ele já queria fazer muitos planos. Sentado numa poltrona de auditório, com os braços abertos, muito descontraído, ele ficou olhando para Chichi, que eventualmente sorria para ele, parecendo aliviada.

As perguntas eram exclusivamente sobre o filme, o que tranquilizava os dois, mas, de repente, Goku começou a perceber algo estranho. Sua irmã definitivamente não parecia ela mesma. Bulma normalmente era alegre, vivaz, espontânea, mas, naquela entrevista, parecia uma boneca. Uma boneca perfeita e tranquila, mas, ainda assim, artificial.

Não que estivesse indo mal na entrevista, suas respostas atendiam perfeitamente o que os repórteres queriam, com sorrisos, declarações sobre como estava feliz pela primeira protagonista. Mas os olhos azuis de Bulma não refletiam essa felicidade e pareciam apagados e tristes, e ele achava que já conhecia aquela expressão. De repente percebeu que era exatamente assim que ela se comportara no Chunny, um mês e meio antes e um alarme soou em sua cabeça.

Goku começou a observar Vegeta, que estava ao lado dela mas em momento algum, interagia ou olhava para ela, atitude que ela replicava. Pensando na véspera, nos dois conversando aos cochichos durante toda sessão, ele começou a considerar a possibilidade do ator ter simplesmente partido o coração da sua irmã. Mas isso parecia extremamente improvável. O Vegeta que ele conhecia parecia, na verdade, esconder muito bem seus sentimentos por ela. Ele havia salvo sua irmã de morrer nas mãos de Freeza!

E quando uma pergunta sobre isso surgiu na entrevista, ele foi frio e disse que tinha feito o que qualquer pessoa faria. Não era verdade. Vegeta tinha se comportado como um herói, um herói salvando sua mocinha. Foi quando Goku observou Raditz em pé, de braços cruzados, num canto perto do tablado de entrevistas, e ele olhava concentrado para Bulma. Ainda tinham uma noite em Dubai antes de partir para casa, e ele perguntaria ao irmão se ele percebera alguma coisa.

De repente, Raaja Vegeta apareceu, surgido sabia-se lá de onde e sentou-se ao lado dele. Goku o olhou desconfiado. Percebera a aproximação do produtor e sua mãe e tinha sentimentos bem contraditórios em relação a isso.

– Eles estão indo bem, não? – disse Raaja, e Goku balançou a cabeça. Então Raaja completou – Estão atualizando os números hora a hora para mim – ele disse, com um sorriso sincero – vai ser a estreia do ano, rapaz. E o filme da Chichi não vai ficar atrás.

– Sei – disse Goku, monossilabicamente. O homem o encarou e disse:

– Sua mãe é fantástica.

– Eu sei disso há 25 anos – ponderou Goku, secamente e o outro tornou a rir.

– Filhos ciumentos? Ela me falou de seu pai. Deve ter sido um homem admirável. O tipo que eu gostaria que estivesse ao meu lado numa guerra, se eu fosse um soldado.

– Sei – disse Goku – mas é na esposa desse soldado que você está interessado.

– Ei, garoto – disse Raaja, sem perder a paciência – eu também sou viúvo e também perdi um grande amor. O maior do mundo para mim, e não a perdi quando ela morreu, mas muto antes, por erro meu... com o tempo a gente se conforma que não vai acontecer de novo... não da mesma forma. Mas a idade chega e a solidão também. Não me parece que vocês são uma daquelas famílias que vai morar todo mundo na mesma casa... eu sei que você logo vai estar naquele enorme apartamento... com a minha filha, embora ela não me considere assim.

Goku bufou ligeiramente e Raaja continuou:

– E talvez, apenas talvez, o que pessoas como eu e sua mãe precisemos é de alguém da mesma idade para conversar.

Goku o olhou de soslaio e disse:

– Não vai adiantar eu fazer cara feia, vai?

– Nem um pouco. Aliás, estou aqui para convidá-los para voltar conosco para Mumbai. Você sabe, eu acabo de comprar um jato e ele tem 15 lugares e nós somos apenas 5. E você vai poder voltar segurando a mão, e não mais que isso, da minha linda filha.

Goku o encarou. De repente, tinha de admitir: não conseguia não gostar daquele homem, por mais que se esforçasse. Então abriu um sorriso e disse:

– Claro que vamos.

– Rapaz, não é de hoje que quero te dizer isso, mas você vale umas cem vezes mais que o cretino do Shallot.

Então, os dois conversaram até o final da entrevista.

– Não, não vamos. – Raditz disse ao irmão, com a cara fechada, quando retornavam ao quarto. Bulma ia ao lado dele, rígida, e Gine ia mais a frente.

– Mas bhaee... – ele disse – o senhor Raaja é bem legal e ele está cortejando nossa mãe. Gine se virou para os dois e disse:

– Eu não permitiria que ele me cortejasse enquanto Toma está fazendo o mesmo. Somos amigos, ainda.

– Ah, maan – disse Goku – corta essa, quando eu aceito um pretendente a senhora vem com isso? E bhaee, qual o problema?

– Nenhum, além das quatro passagens da Emirates que temos, com upgrade de primeira classe. Seria grosseria devolver.

– Por mim pode devolver a minha – eles chegaram aos quartos e Raditz abriu a porta do quarto de Bulma e da mãe, que entraram e ia dirigindo-se ao seu quando Goku disse – e você não perguntou a opinião delas!

Raditz olhou o irmão de lado e disse:

– Já falo com você.

Ele entregou fechou a porta, sob o olhar desconfiado da mãe e disse a Goku, apontando o próprio quarto:

– Aqui, vamos ter uma conversa.

Os dois entraram e Raditz, brevemente, relatou tudo que vira na véspera, concluindo:

– Então, eu não quero nossa pequena bahaan do lado daquele cara, ela vai casar em quatro dias, não podemos permitir que um sujeito mal intencionado vire a sua cabeça. É a honra da família em jogo, bhaee.

Goku o encarava, incrédulo. De repente disse:

– Você realmente assistiu a entrevista que eu dei hoje, bhaee? Viu o que eu falei sobre o meu amor com a Chichi e tudo mais?

– Kakarotto, você e ela são sonhadores, acho legal e tudo mais, mas a vida real...

Bhaee, a vida real tá acontecendo na sua frente e você não está vendo, preso a tudo que...

– O que você sabe sobre a vida real? Esqueceu que eu dirigi um caminhão por...

– E não dirige mais graças a mim, graças ao sonho que eu segui e você criticou por anos! E será que você não viu o olhar da Bulma naquela mesa no Chunny dela? Será que não notou como era completamente diferente do jeito que ela olhava para o Vegeta ontem, bhaee?

– Ela empenhou a palavra de todos nós quando aceitou...

– Palavra, honra, tradição... o que vale isso tudo diante da felicidade da nossa bahaan? Prefere condenar a Bulma a uma vida triste e infeliz pela sua honra?

– Ela teve tempo para se decidir e...

– E então você quer piorar tudo, empurrando-a para um casamento infeliz com um cara que nem olha direito para ela?

– Ela não foi obrigada pela família a casar! Nossa mãe nem gostou da mãe dele, lembra? Então ela que aguente a sua escolha!

– Ela não foi forçada, mas talvez ele tenha sido, já pensou nisso? Forçado pelos milhões da família dele a achar uma noiva, e acabou escolhendo nossa irmã como quem olha um produto numa loja! Bonita, inteligente, do mesmo meio! E nossa irmã quando o conheceu não era quem é hoje. Vegeta salvou a vida dela, bhaee, acha que ele fez isso para "se aproveitar" da nossa pequena sitara, acha mesmo? Bhaee... eu torno a dizer que você está sendo insensível e não está vendo diante dos olhos! Eu entendo que você tenha se sacrificado, aberto mão de tudo... mas não é justo que Bulma pague com sua felicidade por isso!

– Quem disse que ela vai ser infeliz com Yamcha ou que seria feliz com Vegeta? Isso tudo de paixão é uma fantasia boba que serve para vender filmes.

– Você é assim porque jamais se apaixonou – disse Goku, irritado – mas eu te digo, bhaee... eu o respeito, sou obrigada a isso. Mas por mim, Bulma deveria tomar a decisão ela como quisesse. Se você amasse alguém ia entender por quê.

– Como eu sou esse monstro insensível, eu sei que nunca vou entender – riu Raditz – mas eu sou o monstro insensível que cuida dessa família. O dia que quiser me casar, peço para maan escolher uma noiva para mim e deixo essas bobagens de amor para você, Kakarotto.

Goku abriu a porta do quarto e disse:

– Pode me devolver a minha passagem, então? Vou trocá-la por milhas ou qualquer outra coisa. Já venci a luta, era o meu compromisso com meu empresário. Agora vou passar o resto do feriado com a mulher que eu amo e longe de você.

Raditz pegou a passagem num case sobre a mesa e entregou a Goku, que saiu do quarto bufando, irritado. Mas ele sabia que deveria fazer algo para salvar Bulma daquele casamento.

Notas:

1. "Então você não vai castigar a Caulifla?" Claro que não, ela já perdeu o suficiente, e ela não é uma pessoa de péssimo caráter como o Shallot, ela apenas é uma garota que ficou com o orgulho ferido. Vamos torcer para ela conseguir um lugar no UFC feminino, quem sabe?

2. "Mas o Shallot? Não aconteceu nada com ele!" Gente, a história ainda não acabou. Mas não vou dar spoiler.

3. Eu sei que todo mundo viu o lado do Raditz mas... ELE ESTÁ ERRADO. Ele está completamente errado, gente. Por mais que ele veja a parte de honra e família, ele está fazendo a pobre da Bulma fazer uma escolha que ela não quer e, teoricamente, para toda vida.

4. Mas a Bulma está convencida que deve abrir mão da sua felicidade por causa do que deve ao irmão e esse é o maior obstáculo. Como será que vamos resolver esse grande dilema antes do casamento? Ou será que não vamos? Quatro dias e contando...

5. Goku em conflito com Raditz. Será que o irmão mais velho nunca vai ouvir o mais novo? O que vocês acham?

6. Teri Meri Kahaani é um filme de 2012 que retrata 3 histórias de amor em diferentes épocas protagonizado por Shahid Kapoor e Pryanka Chopra nos papéis dos apaixonado que atravessam eras e vidas e sempre se encontram, de acordo com a lei do Carma que os indianos acreditam tanto. O filme foi feito a partir da letra da canção "Teri Meri Kahani" cantada por Himesh Reshammiya e Ranu Mondal .

7. Sobre rivalidade feminina e fofoca em Bollywood: Há anos que reputações são abaladas e até mesmo destruídas pela voraz indústria de fofocas que existe desde muito antes da era da internet. A história aqui retratada não tem um paralelo exato, mas em 2014 um rumor de rivalidade entre as atrizes Pryanka Chopra e Deepika Padukorne abalou as filmagens de "Bajirao Mastani" onde as duas faziam respectivamente a esposa e a amante do ator Ranveer Singh, que mais tarde viria a se casar com Deepika. O rumor de rivalidade foi fomentado por conta de rumores que Pryanka "gostava de se envolver com homens comprometidos" por conta de fofocas anteriores que davam certo seu envolvimento com atores casados como Sharukh Khan e Hrithik Roshan, com quem ela dividiu a cena em filmes anteriores, sem que nunca nada houvesse sido comprovado. Sobre o episódio, foi a própria Deepika quem finalizou os rumores dizendo "embora não sejamos melhores amigas, nunca vi nada que indicasse que as fofocas em torno da Prya tenham o menor fundamento. As pessoas estão confundindo filmes com vida real." As duas então estrelaram o promo do Filme Bajirao Mastani com a música "Pinga" (nome de uma dança tradicional Benghali) e um making off onde aparecem num ambiente amigável.