Capítulo 42 – Pardes (Da terra estrangeira)

Goku estava ajoelhado, as pernas de Chichi, deitada, envolviam a sua cintura enquanto ele arremetia, cada vez mais excitado, as mãos segurando-a pela cintura enquanto ela arqueava o corpo e torcia as mãos, apertando os lençóis conforme o prazer que sentia se agigantava até que ela intensificou o aperto das coxas contra os quadris dele, gemendo longamente e fazendo Goku perder o controle e segurá-la com mais força, unindo-se a ela num orgasmo intenso, que nem era o primeiro naquela noite.

Um instante depois, estavam unidos, ele deitado sobre ela, os dois, testa com testa, suados e ofegantes apesar da temperatura agradável do quarto dela, onde ele havia entrado usando o mesmo subterfúgio da noite anterior. De repente, ele deu uma risadinha e disse:

– E isso foi o que mesmo?

– Acho que é o arco – ela disse, enrubescendo – Goku, eu olhava o livro escondida! Não decorei o nome de cada posição.

– Mas você me disse que são 524 – ele disse, se aconchegando a ela, agora deitada ao lado dele – ainda faltam 520.

Ela riu alto e disse:

– Não dá para fazer as 524 posições do kamasutra!

– Por que não? Somos jovens e bem-dispostos, ora. – ele riu, mordendo o ombro dela – temos preparo físico!

– Não, você não entende! – ela disse, fingindo fazer bonequinhos com as mãos – tem umas que o homem fica assim curvado e a mulher torcida assim, ó, e eu acho que não dá para...

Ele pegou as mãos dela e puxou para si, dando beijos nos dedos, dizendo:

– Então a gente faz as mais simples e vai melhorando depois – ele a encarou mordendo os lábios, contendo o riso – você disse que olhava o livro escondida?

– É – ela disse, sem jeito – quando se tem 14 anos temos curiosidades, ora... não é como se eu fosse uma pervertida que ficasse olhando o livro toda hora...

Ele deu uma gargalhada alta e ela deu um soquinho nele, que disse:

– Minha doce e meiga princesa Shanti tendo pensamentos eróticos de adolescente, ora, quem diria!

– Depois que eu te conheci posso ter uma ou outra vez fantasiado que fazia algumas, só as mais fáceis e românticas, contigo, quem sabe...

Ele pegou o rosto dela pelo queixo, olhando no fundo dos olhos negros e disse:

– Aposto que não foi nem a metade das vezes que eu fantasiei que tinha você comigo...

Os dois se beijaram longamente antes de Goku deitar-se ao lado dela com um suspiro longo, dizendo:

– Nossa, podia ficar aqui até o Divali.

– Não podemos. Eu tenho que me preparar para o próximo filme, temos a finalização de Anarkali – ela colou o corpo ao dele e perguntou – seria legal ter você no promo, hein? Nós dois?

– Hum... pode ser. Mas já vou voltar a treinar, não posso baixar o ritmo, agora que tenho o cinturão para defender não vou me acomodar. Os mestres disseram para que eu fique dez dias off, afinal, preciso me recuperar – ela, involuntariamente tocou o hematoma que ele tinha no plexo solar e ele olhou para ela, dizendo: – hoje foi um ótimo dia off, não foi? Adorei a tarde naquele piscinão, sem fazer nada, só nadando.

– Verdade, foi uma delícia mesmo. Mas aí você nem fez o City Tour com sua família, espero que eles tenham gostado.

– Não tava muito a fim de ficar perto do Raditz. Tô irritado com ele. – disse Goku, emburrando a face de repente. Chichi sentou-se na cama, chocada e perguntou:

– O que aconteceu? Brigou com seu irmão?

Goku também sentou e contou toda história, dizendo que o irmão havia flagrado Bulma e Vegeta juntos e que havia proibido a irmã de se aproximar do ator e ela havia acatado, mas que ele não havia ainda conversado com Bulma sobre isso.

– Eu mandei uma mensagem sobre isso para ela, mas ela respondeu que não queria falar e que tinha decidido manter o compromisso e esquecer o Vegeta – bufou Goku – mas eu sei que essa não é uma boa decisão, Chichi. Eu não sei porque, mas sinto que ela vai se arrepender se casar com o Yamcha.

Chichi encarou Goku. Ela também compartilhava essa mesma ideia e disse:

– Não sei. Acho o Yamcha estranho, frio, travado, sabe? Ele era para ser meu par em "Princesa Shanti felizes para sempre" mas teve o negócio do acidente e ele foi fazer outro tipo de filme, mas no período em que a gente contracenou ele quase nem conversava...

– Ele teve outra namorada antes da Bulma, né?

– Sim, a Suno. Mas durou pouco. Engraçado que ele chegou a viajar com ela para os Estados Unidos, não era um namoro rígido e nem uma coisa assim tão distante igual ele tem com a Bulma. Não sei... acha que o Raditz pode mudar de ideia?

– Meu bhaee tem a cabeça mais dura que as bolas de um elefante – ele disse e Chichi gargalhou – duvido que mude de ideia. Mas eu acho que Bulma pode mudar... ao mesmo tempo que eu não quero me meter nas decisões dela, eu sinto que preciso fazer algo...

– A gente pode falar com o Vegeta amanhã. No avião, digo, o que você acha?

– É, pode ser – ele puxou Chichi para se deitar ao lado dele, em conchinha e sussurrou no ouvido dela – chega de falar do casamento da Bulma. Vamos falar do nosso. Quando vai ser?

Ela sorriu e olhou para ele dizendo:

– Bom, um casamento, ainda mais no meio de Bollywood, exige certas preparações. Acho que em alguns meses conseguimos providenciar tudo, se conseguirmos começar a arrumar tudo logo.

– Não posso esperar para ver você linda, com um sári vermelho, cheia de joias lindas... vou te comprar o maior anel de diamante que eu puder achar e o mais lindo mangalasutra (colar de casamento). Mas antes... – ele começou a beijar o pescoço de Chichi, que deu uma risadinha – vamos diminuir a contagem para 519 que tal?

Ela virou-se rindo e se entregou nos braços dele.


O aeroporto de Dubai estava lotado no pós-feriado muçulmano do Eid. Goku sabia que sua família iria mais tarde, mas se preocupou apenas em se despedir da mãe e de Bulma durante o café da manhã, dando uma desculpa para desencontrar de Raditz, a quem ainda não conseguira perdoar depois da discussão da véspera. O embarque na aeronave foi relativamente rápido e logo estavam todos acomodados no belo jato de luxo, Goku ao lado de Chichi e próximo a Tarble, Raaja ao lado de Oolong, que atualizava a agenda do chefe para a semana seguinte e Vegeta no fundo, isolado, lendo algo no seu kindle.

– O astral dele está baixíssimo – comentou Tarble – nem adianta falar com ele, já tentei. Ele disse que não pode forçar Bulma, e eu até entendo, mas pelo que ele me falou... o gigantão do seu irmão intimidou ela. A decisão dela não foi muito isenta, não acha?

– Não foi nada isenta. – disse Goku – meu irmão acha que pode mandar na família porque é o mais velho. A única pessoa que ele finge que manda e acata tudo é a minha mãe, então, eu acho que se ela disser que a Bulma pode cancelar esse casamento ele acata, mas eu não tenho certeza.

Os três olharam de soslaio para Vegeta, que fingia não ouvir a conversa. Ele havia tentado de todas as formas possíveis falar com Bulma desde a antevéspera, mas ela estava fugindo dele. Ele não queria desistir dela, mas também, não podia insistir indefinidamente. Em apenas 3 dias, ela seria uma mulher casada e tudo estaria perdido. Tentara falar com Raditz, mas ele dissera que não permitiria a desonra da família por um capricho de um atorzinho rico, e, colocando-se no lugar dele, Vegeta viu que por mais horrível que fosse, a culpa toda daquele embrulho era dele e apenas dele.

Ele tivera muitas oportunidade de se declarar, mas sempre havia mentido para si mesmo. No Holi ele poderia ter roubado Bulma de Yamcha, depois do sequestro ele podia tê-la procurado. Mas sua teimosia e orgulho o haviam feito adiar sua declaração até ser tarde demais, provavelmente. De repente, ele ouviu a voz do pai chamando-o:

– Ei, Júnior.

Ele não respondeu.

– Não finja que não está me ouvindo.

– Não gosto de ser chamado de Junior, puraana (velho). – ele disse, sem tirar os olhos do kindle.

– Sei. Estou aqui acertando com Oolong. No fim de agosto você começa a gravar o novo filme. Aquele masala que falamos.

– Sei. Vou fazer um policial babaca. Grande papel... – ele disse com ironia – mas é um filme com o grande ator Akshay Kumar, tenho que ser grato...

– Exatamente, está aprendendo. Mas não é apenas isso. Marquei um almoço para você com Suno Arora no sábado .

Vegeta levantou os olhos do kindle finalmente, parecendo furioso.

– Você o quê?

– Marquei um almoço para você com Suno.

– Você pirou? Eu nem conheço essa guria, vi uma ou duas vezes por aí em eventos. Não vou a almoço nenhum.

– Não é um almoço romântico, seu idiota – o pai disse, exasperado – você e ela vão começar a gravar em breve, precisam se conhecer e eu sei que se fizer um evento para isso, não vai conversar com ela e vocês TEM que aprender a interagir, entendeu? Ela não vai com nenhuma expectativa também, posso garantir isso a você.

Vegeta deu um suspiro. Não custava nada almoçar com a atriz, embora ele soubesse que isso ia gerar especulações. Lembrou-se que a garota tinha sido namorada de Yamcha e pensou "era só o que faltava, acharem que estou cortejando a ex-namorada do verme inútil". Mas não estava a fim de discutir com o próprio pai e disse:

– Tá bom, onde eu vou almoçar com ela?

– Naquele restaurante do Hotel Taj Mahal que tem um vasto cardápio vegano, ela não come carne nenhuma. O estúdio paga a conta.

– Feito – ele disse, e voltou a olhar para o kindle.

Tarble, Chichi e Goku se entreolharam. Parecia que Vegeta havia seguido em frente.

Mas isso não era verdade.


Eles chegaram a Mumbai depois de quase três horas de vôo em que Goku, Chichi e Tarble haviam conversado animadamente, mas ao chegar ao aeroporto de Mumbai, tiveram de correr porque muitos repórteres queriam fotografar Goku com Chichi. Não era como quando eles haviam chegado de Varanasi, quando Chichi viajara em segredo. Toda imprensa sabia que eles chegariam de Dubai e estavam todos ali.

Goku pôs a mão protetoramente na cintura de Chichi e muitos flashes estouravam em volta deles. De repente, eles iam andando entre os seguranças e Chichi viu um rosto conhecido.

– Tenshin, o que está fazendo aqui, poderoso Vishnu! Lunch teve o bebê e...

– Hoje é o dia do Nanmkaran, senhorita Chichi – ele disse, sorridente – eu pedi ao senhor Raaja que me deixasse pegá-los aqui para ir à casa do meu primo, onde vamos fazer a cerimônia...

Chichi sorriu e disse:

– Claro que vamos, Tenshin!

– Tenshin? – perguntou Goku – o famoso Tenshinhan de quem o mestre tanto fala?

– Sou eu mesmo – sorriu o segurança – e gostaria de dizer que sua luta foi a mais incrível que vi na vida.

Eles foram caminhando, e logo estavam num carro do estúdio, rumo a cerimônia de revelação de nome da filhinha de Tenshin e Lunch. Nem perceberam que Raaja não seguira no outro carro com o filho e ficara por ali, no aeroporto, com alguma intenção misteriosa.

O avião que um dia pertencera a Chichi taxiava na pista e Shallot seguia intrigado com a mensagem que recebera de seu pai, Camba Khan, na véspera, à noite. Dizia apenas que ele voltasse sem falta no dia seguinte e não prolongasse a estadia em Dubai até o fim de semana, porque havia um assunto urgente a ser resolvido ainda naquela sexta feira, logo depois do feriado.

Ele estava irritado. Maron era linda, os príncipes haviam adorado ela à primeira vista, mas a performance da outra garota de cabelo azul no filme havia estragado tudo, porque agora eles queriam um filme com a original, e não a cópia, e Bulma jamais faria um filme que ele financiasse, ele tinha certeza disso. Então, desde a véspera, ele tratava Maron mal para descontar suas frustrações e ela simplesmente aceitava.

Eles saíram do avião e não havia movimento de imprensa, ele havia comprado o silêncio de vários veículos sobre a declaração de Caulifla sobre ele ter entregado a relação de Chichi com Goku para Ribrianne. Não queria escândalos e nem passar por mentiroso publicamente, afinal, tinha um nome a zelar.

Mas assim que desembarcou, o nome que ele tinha a zelar começou a desabar de forma épica: havia uma pequena delegação da polícia de finanças indiana esperando por ele logo no desembarque, e ele disse:

– Se é alguma coisa em relação à alfândega, eu não trouxe nada de...

– A moça está liberada – disse o policial secamente – não há nada contra ela – ele entregou o passaporte a Maron, que ficou olhando, sem jeito, pensando no que ela iria fazer, tinha sido trazida de Bengala por Shallot um tempo antes e estava hospedada na casa dele, não fazia a mínima ideia de como se movimentar em Mumbai sozinha.

De repente, um homem alto se aproximou dela e disse:

– A senhorita é a jovem Maron Rangali?

– S-sim – disse ela, retraída.

– Eu sou o secretário particular de Camba Khan, meu nome é Yamoshi. Vamos providenciar sua hospedagem e logo vai poder decidir se volta ao seu estado natal ou fica por aqui – ele disse, de forma protocolar.

– Mas... e o Shallot? – ela perguntou, olhando para trás, vendo Shallot conversando com os policiais sem entender nada.

– Ele... vai demorar mais do que a senhorita imagina.

De repente, Maron arregalou os olhos. Shallot, que começou a gritar porque estava sendo algemado.

– Eu quero um advogado! – gritava o jovem produtor, enquanto era levado pelos policiais a uma sala da polícia de fronteiras, ali mesmo no aeroporto. – eu não desviei dinheiro nenhum!

– Não é o que nos disse o seu pai, que deu a queixa. E as provas apresentadas são mais do que razoáveis – disse o policial enquanto caminhavam. – o senhor terá a chance de se explicar em breve...

Shallot estava sendo acusado de fraudes em muitas prestações de contas de diversos investimentos que haviam sido desviados de filmes para seu fundo pessoal, obviamente sem o pagamento dos impostos devidos. Por anos ele achara que ninguém iria descobrir que ele captava mais dinheiro do que precisava e aplicava o excedente em seu próprio fundo pessoal, ficando com uma fortuna cada vez maior desviada até mesmo do seu pai.

De repente, no meio do caminho, ele viu Raaja Vegeta, que parecia andar despreocupadamente pelo aeroporto, rumo à saída. Ele deu um sorriso cínico para Shallot que se descontrolou e começou novamente a berrar:

– Foi você, não foi? Foi você quem entregou o meu esquema!

Raaja passou por ele o ignorando, porque não queria se comprometer nem mesmo minimamente com qualquer declaração. Mas havia sido ele quem solicitara que um portador pegasse um envelope aos cuidados de uma secretária e entregasse na residência de Camba Khan, na véspera, com provas documentais consistentes do roubo de mais de 5 bilhões de rúpias (equivalente a mais de 300 milhões de reais) do pai ao longo dos anos que passara como produtor.

Raaja deu um sorriso enviesado conforme saía do aeroporto e entrava no carro com motorista que o esperava, rindo para si mesmo. Shallot imaginara que o silêncio sobre contas dele infladas significava que Raaja não sabia sobre elas, mas ele as percebera desde o princípio.

Havia tantas provas dos desvios que agora era simplesmente impossível que ele conseguisse escapar impune dos roubos que cometera nas costas do próprio pai. E tudo tinha sido revelado apenas porque ele se atrevera a falar de Chichi para Ribrianne. Ele ainda tinha sido generoso, deixando de fora a parte do consumo de drogas, bebidas e do envolvimento de Shallot com prostitutas, porque sabia que isso alimentaria um moto contínuo de fofocas que acabaria respingando em Chichi, porque vinha desde que eles eram namorados.

E se tinha uma coisa que Raaja odiava e sempre odiaria naquele meio eram as malditas fofocas.


Mesmo para um vôo de menos de 3 horas, receber um upgrade de passagem da classe executiva para a primeira classe era um presente e tanto, considerou Raditz assim que ele, a mãe e a irmã foram conduzidos ao luxuoso A-380 que iria de Dubai a Mumbai. Depois de serem recebidos numa sala vip com drinques de boas-vindas e um mix de castanhas e tâmaras, eles foram levados às cabines da primeira classe, individuais e espaçosas, com multimidia disponível e outras comodidades. Eles estavam separados por divisórias que podiam ser baixadas se quisessem conversar, mas ele, na cabine central, viu que a irmã logo pôs os fones de ouvido e começou a procurar filmes na multimídia enquanto a mãe olhava tudo como uma criança que recebe um brinquedo caro e tem medo de quebrar.

Raditz a orientou e logo ela estava confortavelmente instalada, assistindo um capítulo de sua novela indiana favorita e vibrando com os diálogos um instante antes dos avisos de bordo a interromperem. Ele pacientemente esperou antes de desejar boa viagem à mãe e erguer a divisória entre os dois para ler os relatórios sobre a carteira de investimentos da família que ele vinha administrando rigidamente desde que todos os rendimentos deles somados tinham atingido a impressionante marca de 50 crore (500 milhões de rúpias, equivalente a pouco mais de 25 milhões de reais).

Claro que eles ainda não poderiam ser considerados fabulosamente ricos, levando em conta que havia na Índia milionários que movimentavam aquilo em um dia, mas aquele feito certamente era todo dele: administrava as carreiras dos dois irmãos rigidamente conseguindo os melhores contratos de patrocínio e expandira o pequeno negócio de doces da mãe a um nível de excelência, tanto que havia até mesmo recebido menções elogiosas da Forbes indiana. Tudo isso em apenas um ano e seis meses.

Dois anos antes, ele estava ainda atrás de um volante de um velho caminhão colorido comprado com muito sacrifício, negociando cargas com transportadores nem sempre muito honestos e às vezes tendo que partir para o confronto físico com seus contratantes para receber o devido. Tudo para levar para casa cada suada rúpia que ele ganhava e ter uma vida dura. Claro que tudo era somado e ao longo dos anos ele e o pequeno negócio da mãe tinham tirado eles de uma situação de pobreza para uma vida de classe média baixa mas, ainda assim, melhor que 90% da população indiana.

Mas, num sopro de vento, passara de principal provedor da família a mero coadjuvante: o que Goku recebia por um comercial era quase dez vezes o que ele faturava em um ano atrás do volante. Os rendimentos de Bulma ainda não tinham sido tão expressivos quanto os do irmão lutador, mas, pelo tanto de ligações e mensagens que ele recebera nos últimos dois dias, logo ela também estaria recebendo muito dinheiro por cada filme e ação publicitária que fizesse. Eram duas pequenas minas de ouro, seus irmãos.

E, apesar disso, o irmão e a irmã tinham elegido ele, o bronco, bruto e ignorante caminhoneiro, como negociador e ele havia conseguido que cada contrato rendesse o máximo. E ele, assim como os irmãos, sabia que tinha sido uma decisão acertada porque a habilidade de negociar era ausente nos irmãos e praticamente inata a ele. Desconfiado e pragmático, rapidamente ele tinha se acostumado ao meio empresarial, afinal, ricos empresários e negociadores de patrocínio não eram assim tão diferentes dos tratantes das estradas. A única diferença era que em vez de ameaçar com socos, bastava dizer que chamaria o advogado e tudo se resolvia.

E talvez fosse por isso, por serem tão unidos e complementares, que a briga da véspera com o irmão o machucara tanto. Nunca haviam brigado seriamente desde a infância: por mais que fossem completamente diferentes e muito divergentes em diversos aspectos, mas naquele caso especificamente, ele não queria de forma nenhuma abrir mão do que pensava.

Bulma não fora obrigada: ela escolhera Yamcha, aceitara o pedido, não era como um casamento arranjado na infância com um velho horrendo. Ele conversara com Yamcha o suficiente para perceber que se tratava de um homem bom, era rico, do mesmo meio que ela. O que mais a irmã poderia querer?

Claro, ela sonhara com essa coisa de atriz a vida toda, mas precisava se apaixonar pelo tal de Vegeta? Ele mal o conhecia, mas já não confiava em um homem que se declarava para uma moça comprometida e tentava virar-lhe a cabeça às vésperas do casamento. Em três dias, no entanto, ele pensava, tudo estaria resolvido e Bulma acabaria agradecendo a ele por ter tirado aquele malandro do seu caminho. Sabia lá o que aconteceria se ela fosse nas águas dele.

Olhou para o lado e viu a irmã olhando para a tela da multimidia do avião com um ar entediado, meio morto e sentiu uma pontada de culpa. Mas ele era o mais velho. Sabia o que estava fazendo. Essa história de amor e paixão para ele era uma bobagem cultivada pelos filmes. As pessoas que ele realmente amava na vida eram três: a mãe e os irmãos. O dia que tivesse de cuidar de uma boa noiva indiana, acabaria amando-a também.

Na cabeça dele era assim que as coisas funcionavam e todo o resto não passava de fantasia.


O desembarque deles em Mumbai foi tumultuado porque com a bilheteria de Shakti quebrando recordes desde a estreia na véspera, o interesse local por Bulma havia subitamente disparado, e Raditz não previra aquilo. A fly Emirates, graças ao seu bom relacionamento com a empresa, disponibilizara dois seguranças para a família, mas ele agora estava quase arrependido de ter recusado a oferta de Raaja Vegeta, porque o produtor certamente teria conseguido um exército de seguranças e eles sairiam do aeroporto cercados por eles e não por todos aqueles repórteres chatos.

Ele segurava Bulma pelos ombros, abrindo caminho como podia, indo atrás dos seguranças que os levariam até o transporte executivo que ele deixara solicitado, no terminal internacional Oeste, quando, de repente, uma mulher corpulenta apareceu e se postou na frente dele apresentando uma credencial. Junto com ela havia um outro homem que ele achou familiar.

– Senhorita Bulma Sayajin? Meu nome é Bonyu Anand, sou do M16.

Raditz sentiu o choque de adrenalina o atingir. Polícia? Inglesa ainda por cima? Ele se colocou à frente de Bulma e disse:

– O que a senhorita quer com a minha irmã?

O segundo homem se apresentou e Bulma pareceu reconhece-lo:

– Não é nada de ruim, senhor Sayajin. Nos conhecemos há um tempo atrás, lembra-se? Quase um mês, na ocasião daquele infeliz incidente do sequestro da sua irmã. Sou Meerus Iswar, do CBI.

– Ah – disse Raditz, aliviado – o senhor disse que precisava investigar algo sobre a origem de Bulma...

Os repórteres em volta se acotovelavam e Meerus disse:

– Vou leva-los a uma sala reservada, a senhorita Anand também vai ajudar na escolta.

Eles foram levados pela escolta até o espaço onde funcionava o CBI no aeroporto e a imprensa ficou do lado de fora. Bonyu então disse:

– Por aqui, senhorita – ela abriu a porta de uma sala e Bulma entrou primeiro, seguida por Raditz e Gine.

Havia uma moça alta e loura, de olhos azuis e cabelos curtos. Ela usava um terninho, parecia uma executiva americana ou algo assim, mas quando Bulma entrou ela pareceu emocionada e gritou:

– SISTER! – o simples jeito com que pronunciou essa única palavra denunciou a sua origem inglesa, e Bulma ficou olhando, confusa, para a moça, que se aproximou e disse – você não deve se lembrar de mim! Eu tinha dez anos e você três quando foram para o oriente e me deixaram no colégio interno!

– Colégio interno? – perguntou Bulma – Quem é você?

A moça, sorrindo mas com lágrimas nos olhos disse então, com a voz embargada:

– Eu sou Tights Briefs, Bulma. Eu sou sua irmã!


Notas:

! A família está reunida! O que será que Tights vai trazer para a história?

2. Chichi e Goku, agora íntimos e juntos não podem mais ser separados, mas será que conseguirão dobrar o Raditz e ajudar a Bulma a escapar do casamento com Yamcha? Faltam apenas três dias.

3. Shallot preso? Exatamente! E por um crime federal. E foi assim que o ex da Chichi aprendeu a não mexer com Raaja Vegeta.

4. Palavrões indianos são muito engraçados e eu usei um nesse capítulo: "bolas de elefante" (haathee ke gole) são uma comparação muito usada para definir pessoas extremamente teimosas. Morro de rir.

5. Akshay Kumar, citado no capítulo, é um ator nascido em 1967 d famoso por filmes de ação, mais notoriamente a série Khiladi, que tem 8 filmes e alguns spin offs, sendo um ícone do cinema de ação indiano. Nos últimos anos ele se dedicou a filmes diferentes e engajados, como Toilet ek Prem Katha (2017) e Pad Man (2018) baseados na história de homens comuns que fizeram diferença nas suas comunidades.

6. Pardes é um filme de 1997 cujo tema central é a lealdade. A história gira em torno do milionário Kishorial, que pede ao seu empregado de confiança Arjun que ajude a aproximar seu filho mau caráter Rajiv com a jovem Ganga, por quem Arjun acaba apaixonado mas sempre sabendo que deve renunciar a esse amor por lealdade o homem que ele trata como um mestre. O filme foi protagonizado por Sharukh Khan, Mahima Chaudri e Amrish Puri (1932-2005), este último conhecido por interpretar um vilão em "Indiana Jones e o templo da perdição"