O rosto de Shaka ficou lívido.
Estático ele sentia as mãos tremerem e os joelhos pouco a pouco perderam a força, mas se manteve firme.
Ouvir aquilo foi como ter o coração e sua dignidade transpassados por uma flecha cuja ponta era embebida no mais amargo fel.
— O... que? — o pianista disse com voz vacilante. Tinha os olhos arregalados, congelados e fixos na direção do queixo de Asmita. — Como você sabe que...
— Asmita, do que está falando, filho? Que sujeito esquisito? — perguntou Nilo confuso e preocupado, depois voltou-se para Shaka aproximando-se lentamente — Tem se encontrado com alguém, Shaka? E não nos disse nada?
— Sim ele tem, pai! — rosnou o mais velho com propriedade — E ele está ai todo de segredinho porque certamente estava com ele.
— Deus do céu, isso é perigoso! Quem é essa pessoa? Você conhece? — Nilo perguntou tocando no ombro do mais novo, que tremia desconcertado.
— Conhece nada. É um burguesinho bem do estranho que tem ido lá no maldito Terminal tocar aquela merda de piano com ele. — alardeou Asmita — Esse idiota ingênuo deve ter caído na lábia desse playboy que com certeza só quer rir da cara dele.
Shaka bufava de tão nervoso.
O rosto corado, tanto pela raiva quanto pela vergonha, fremia alucinadamente.
Não podia acreditar que Asmita estivesse falando de Mu. Porém, era mais que óbvio que estava. E se o irmão sabia de Mu significava que fizera algo que abominava.
— Você... você me seguiu? — perguntou com a voz baixa e embargada.
Nilo olhava assustado e descrente para ambos os filhos. Não gostava da ideia de Shaka estar se encontrando com pessoas as quais não conhecia e também não aprovava a atitude de Asmita em seguir o mais novo para espioná-lo, contudo simplesmente não sabia o que fazer diante daquela situação.
— Eu sabia que isso ia dar merda. Olha só para você! — Asmita ralhou correndo os olhos selvagens pela figura do irmão à sua frente — Está cheio de minhoca na cabeça. E provavelmente foi aquele sujeitinho que as colocou aí. Aposto que ele que veio para cima de você com o papinho furado de inclusão, visibilidade e independência que conhecemos muito bem, mas que sabemos melhor que ninguém que na realidade não é assim que as coisas funcionam.
— Eu... não posso acreditar que você... me seguiu... — o pianista sussurrou com voz lamurienta, então respirou fundo... uma, duas, três vezes, mas por mais que tentasse se controlar fora tomado por um sentimento de magoa profunda, então a vergonha lhe corroeu a alma e sentiu-se miseravelmente impotente — Eu te odeio... EU TE ODEIO!
Desesperado e alucinado de raiva, num movimento brusco, e obedecendo a um impulso de dor causada pela mágoa selvagem que lhe comprimia o peito num amargor severo, Shaka esticou um dos braço para a frente, agarrou na gola da camisa de Asmita e com força bravia lhe acertou em cheio um soco no rosto com a outra mão.
A força da pancada, que atingira precisamente o nariz, fez o mais velho tombar a cabeça para trás e Nilo agir imediatamente.
— Jesus do céu! — exclamou o senhor que com as mãos frias pelo nervosismo agarrou com força os punhos do filho mais novo o obrigando a soltar o outro — Shaka, por Deus! Solte seu irmão!
— EU ODEIO VOCÊ, ASMITA! — o pianista se debatia sendo contido pelo pai que usava toda a força que tinha para separa-los, e quando conseguiu abraçou o mais novo com força dando as costas ao mais velho — Eu confiava em você!
— Shaka, acalme-se! Sou eu que estou aqui. Sou eu meu filho. — pediu o pai abraçado ao pianista. Apesar de nervoso e cheio de questionamentos sentia o corpo todo do filho mais novo tremer, e isso lhe causou profundo pesar.
— Pai, ele não pode fazer isso! Ele não pode ficar me seguindo, me fazendo de idiota! — reclamou, pois aquela atitude baixa de Asmita soava para si como uma traição e uma censura à sua privacidade, que já era tão pouca ou quase nenhuma.
Aquele golpe de Asmita certamente lhe causara mais dor do que o soco que lhe dera no nariz. Era um golpe baixo, cruel, e lhe causara tanto sofrimento que ali, nos braços do pai, desatinou a chorar. Um choro de revolta, de vergonha, de raiva, mágoa, mas muito mais de tristeza, porque era justamente nessas horas que se sentia a criatura mais impotente do mundo.
— Eu só não quebro a sua cara agora, Shaka, em respeito ao pai, e porque não sou um covarde. — a voz de Asmita, agora em tom mais baixo e comedido, porém não menos ríspido, entrou pelos ouvidos do pianista feito marcha fúnebre — Você não seria capaz de se defender, já que é cego. Mas é isso que está merecendo. Uma bela surra para deixar de ser moleque!
— Asmita! Chega. Já basta. — disse Nilo o repreendendo enquanto apertava o corpo do filho mais novo em seus braços, o qual sacolejava violento devido ao choro.
— Me acertou por pura sorte. — continuou o mais velho levando os dedos ao nariz que sangrava ligeiramente — Você me odeia? Ótimo. Estamos quites, porque eu também te odeio, porque além de cego você é um idiota ingrato que só pensa em si mesmo!
— ASMITA! VÁ AGORA PARA O SEU QUARTO! SAIA JÁ DAQUI. — a voz de Nilo troou pelo recinto provocando um momento de silêncio absoluto.
— Eu vou sair sim. — respondeu ele lançando um olhar de desprezo para o pianista — Para mim já deu. Se quer viver como uma pessoa normal, então vai, Shaka, viva como uma pessoa normal. Não serei eu mais a te impedir... Vamos ver quanto tempo vai levar até você descobrir que esse mundo perfeitinho e utópico, onde pessoas como você, deficiente, gay e pobre, são tratadas de igual para igual ou com o mínimo de respeito, não existe. Esse mundo só existe nessa sua cabeça ingênua.
— Asmita, saia. — repetiu Nilo.
O mais velho então foi até o cabideiro ao lado da porta de saída, pegou o casaco e deixou a sala.
Com o estrondo do bater forte da porta Shaka engoliu um soluço em sobressalto.
Nilo afagou as costas do filho o sentindo ofegante e ainda trêmulo, enquanto o pianista tinha o rosto enfiado na curva de seu pescoço e as mãos seguravam firme no cos de sua calça, os dedos enroscados no cinto de couro surrado.
— Shiii, se acalme, Shaka. — disse com voz terna e em tom ameno.
— Eu não queria ter batido nele, pai. — o pianista lamentou num chiado.
— Eu sei. — Nilo respondeu afagando seus cabelos — Vamos, acalme-se. Pare de chorar. — devagar afastou-se apenas para poder segurar no rosto de Shaka e olhar para ele, e enquanto o analisava de coração partido passava os polegares pelas bochechas e o nariz muito vermelhos para secar as lágrimas — Irmãos não devem brigar. Um ao outro é tudo que vocês têm nessa vida, já que não lhes deixarei bens, nem herança... Você fez muito pior do que acertar o rosto do seu irmão, Shaka... Você usou palavras pesadas. Quantas vezes eu lhe disse que palavras podem ferir mais que agressões físicas?
— Eu... não queria...
— Os dois disseram coisas ruins, mas você disse que o odeia. Faz ideia de como isso foi cruel? Há instantes seu irmão estava quase aos prantos, desesperado com o seu desaparecimento... Asmita só quer o seu bem, meu filho. Toda essa proteção é nada mais que amor... Asmita te ama profundamente, Shaka. Pode ter certeza que o coração do seu irmão está doendo muito mais que o nariz.
O pianista engoliu um soluço.
— Eu... não o odeio, pai. Eu falei no calor do momento, eu... estava com raiva. — agora ele mesmo levava as mãos ao rosto para enxuga-lo enquanto fungava — Eu apenas não aguento mais Asmita controlando a minha vida... Ele quer o meu bem e eu quero viver, pai. Eu quero viver!
— Shaka...
— E eu não vou deixar de viver porque ele acha que todo mundo que se aproxima de mim quer o meu mal, ou vai rir de mim, me machucar, ou sei lá o que mais passa pela cabeça dele. Eu sei que já passamos por muitas coisas ruins, mas não é tudo que é ruim. Não, pai... Vocês vão ver que não é assim! Vocês vão ver!
Nilo olhou para ele sério, então um pensamento se formou em sua cabeça.
— Esse tal... rapaz, o que o Asmita mencionou que vai ao Terminal tocar o piano com você... Você está se encontrando com ele?
Shaka baixou a cabeça e engoliu em seco.
Não era hora ainda de falar sobre Mu, pois apesar daquele primeiro encontro ter sido perfeito e promissor era cedo demais para concluir qualquer coisa baseada apenas em seus desejos íntimos, principalmente depois daquela briga horrorosa entre ele e o irmão. Por isso, esfregou um dos olhos, os quais mantinha agora fechados, respirou fundo já conseguindo controlar o choro.
— Não... Eu apenas o conheci hoje... conversamos um pouco...
— Era com ele que você estava até agora?
— Era.
Foi a vez de Nilo respirar fundo, reter todo o ar dentro dos pulmões por alguns breves segundos para depois solta-lo ruidoso pela boca fazendo um bico. Levou a mão à nuca apertando os dedos ali.
Há dois anos, poucas semanas após o beijo roubado do aluno mais velho, Shaka sentara-se a seu lado naquele sofá enquanto assistia a uma partida entre o New York Giants e o Dallas Cowboys, e lhe dissera que era bissexual. Não entendeu exatamente o que o termo significava, já que dentro de seu parco conhecimento sabia existir apenas duas orientações sexuais, heterossexualidade e homossexualidade, mas depois de uma longa conversa com o filho soube que existiam muitos mais. De início ficou chocado, porém muito mais pelo fato de se dar conta de que seu filho caçula, seu menino tão amado e protegido, havia crescido e ele mal percebera.
A vida tem dessas. Um dia o estava vendo brincar na rua em sua bicicleta amarela de rodinhas na roda traseira, no outro estava colocando objetos em suas pequenas mãos para que sentisse seus formatos, para que pudesse "vê-los", e então agora o ouvia falar de sua sexualidade, descoberta nem tanto por acaso.
De repente a noção de que Shaka já era um homem fez pesar seu coração. Já eram tantos anos vendo o filho viver na completa escuridão...
Quando a partida de futebol chegou ao fim, e enquanto Shaka ainda aguardava ansioso sua reação, fosse ela qual fosse, Nilo desligou a televisão e o abraçou com força. Shaka já enfrentava preconceito por ser cego, agora enfrentaria também por ser bissexual se por ventura se apaixona-se por um homem, mas esse preconceito não sofreria de si. De si o filho teria somente seu amor.
E era nisso que Nilo pensava quando fez aquelas perguntas ao pianista.
— E quem é ele, Shaka? De onde é? — inquiriu com verdadeiro interesse e insolúvel receio.
De cabeça baixa, olhos abertos voltados para os pés, entre uma fungada e outra enquanto mexia de forma desajeitada na barra da jaqueta o pianista pensou por um momento. Não diria ainda quem era Mu e o que ele já significava para si. Não falaria de sua tresloucada e expedita paixão. Não relataria o encontro, a doçura com que fora tratado pelo estudante de cinema, ainda que essa fosse a prova de que havia amor em Nova York sim para pessoas como ele, e que estava certo de que o encontrara. Não falaria sobre o beijo...
Ah, o beijo!
Só de lembrar-se dele seu espírito ria em festa e seu corpo todo estremecia.
Certamente seria desencorajado a prosseguir com seu desejo de encontrar Mu mais vezes, quiçá até impedido de ir ao Grand Terminal tocar o piano.
Não.
Por mais que estivesse aflito por partilhar com o pai a exultante experiência que vivera naquela noite achou por bem omiti-la.
— Ele é apenas um amigo, pai, alguém que conheci no Terminal. Nada mais que isso. — disse o pianista incomodado com o tom da própria voz, embargado, duro, que em nada fazia jus à alegria que a lembrança de Mu e sua menção lhe causava — Só alguém que... também gosta de tocar piano.
— Asmita disse que ele é esquisito... É alguém confiável? — Nilo inquiriu preocupado.
O pianista súbito ergueu a cabeça e levantou a mirada até a altura que imaginava estar o rosto do pai, então abriu os olhos.
— De que adiantaria eu te dizer que ele é confiável se... — hesitou engolindo o ar, depois continuou em tom mais brando — Se já decidiram que não é.
— Shaka, não é bem assim, filho. Tem que entender que seu irmão e eu só estamos querendo te proteger. Claro que pode fazer amigos, o que não pode é simplesmente sumir de repente sem nos dar notícias até essa hora. A noite é perigosa, e já faz tempo que está escuro!
— Sim. Para mim já fazem quatorze anos, pai. — disse o pianista.
Ouvir aquilo minou toda e qualquer vontade de Nilo em continuar aquela discussão. A garganta do gentil operário apertou-se e ele trancou a respiração por um momento. Quatorze anos e aquela realidade do filho ainda lhe era pesadamente dolorosa, e se assim o era para si que dirá para Shaka?
Era bem verdade que a solidão de Shaka lhe incomodava deveras. Shijima era seu único amigo, e mesmo assim a comunicação entre eles não era das mais fáceis, já que o garoto era surdo-mudo, o que limitava muito o que conseguiam fazer na companhia um do outro. Então, para Nilo, o filho fazer novos amigos era uma notícia tão excelente quanto assustadora, pois assim como Asmita ele também tinha uma visão cruelmente realista do mundo.
— Se não se importa, pai, eu vou para meu quarto.
— Vá. — foi tudo que Nilo conseguiu dizer antes de dar uns passos ao lado para deixar o caminho livre.
O pianista seguiu preciso contando os passos até o estreito corredor e depois desapareceu do alcance dos olhos do pai que o observava penalizado mergulhar na escuridão.
Sozinho na sala Nilo caiu sentado no sofá levando ambas as mãos ao rosto cansado. Apertou os olhos ardidos pelo sono e soltou um suspiro forte e profundo. Nunca desejou com tanto afinco que ele e Asmita estivessem errados. Que o mundo que os olhos da alma de Shaka enxergavam não era aquele mesmo mundo hostil, mas um lugar onde saberia que seu menino estaria seguro e feliz. Que seria respeitado e tratado como uma pessoa normal. Mas sabia que esse mundo só existia na cabeça sonhadora de seu caçula.
Amofinado em seus pensamentos ficou ali por mais alguns minutos e então apanhou a bengala do filho no chão a deixando no lugar de costume, ao lado da porta, e se recolheu a seu quarto. Acordava muito cedo para o trabalho e não havia nada que pudesse fazer de imediato para confortar os filhos. Sabia que Asmita não tinha ido longe e que logo estaria de volta quando tivesse esfriado um pouco a cabeça. O filho mais velho sempre fora muito ponderado e responsável, mas tudo que envolvia Shaka parecia lhe tirar o juízo. Contava com o amor que sempre tiveram um pelo outro para sanar aquela crise.
Quando entrou em seu quarto Shaka bateu a porta atrás de si produzindo um seco clangor que ecoou pela pequena casa. Caminhou apenas alguns passos e parou no meio do cômodo engolido pela escuridão. Ali ele ficou, de pé, hirto, quebrado, a cabeça pensa para baixo e os olhos abertos. Naquele infinito, onde sempre estava envolto por uma densa nevoa plúmbea que tinha o poder de desnuda-lo e de tornar sua matéria etérea, sentia-se esmagadoramente sozinho e ao mesmo tempo cercado por mil maravilhas, uma vez que apenas seus olhos eram cegos, não seu espírito, tampouco sua mente extremamente criativa e apaixonada, mas dos tantos encantos que habitavam seu acurado catálogo mental o rosto de Mu capturado para sempre em sua memória agora era o que lhe saltava à visão.
Ainda sentia a mão com a qual acertara do rosto do irmão dolorida e com pesar soltou um longo suspiro recordando-se do ocorrido.
Estava tão arrependido...
Mas, se quisesse — e era tudo o que mais queria — estar com Mu novamente não poderia continuar baixando a cabeça para as vontades de Asmita. Teria que ser firme com o irmão e o pai, mesmo que por dentro se sentisse como martelar uma estaca em areia fina.
Com um movimento moroso carregado de desânimo retirou a jaqueta, mas antes de abandoná-la ali mesmo no chão apanhou do bolso o celular. Dobrou os joelhos até esses tocarem o chão e com um dos braços esticados tateou o veludo de chumbo daquele espaço vazio até seus dedos tocarem a cama, então agarrou o travesseiro sobre ela e o jogou no chão.
Deitou ali mesmo, de lado, encolhido, e quando ligou o aparelho teve um sobressalto. Mu havia lhe deixado uma mensagem em áudio gravado com a própria voz.
"Oi. Que bom que chegou bem. Já posso dormir tranquilo, quer dizer, nem tão tranquilo, né? Estou ansioso para te ver amanhã... Tomara que o dia passe bem rápido... Bom, é isso. Boa noite... Shaka."
Com o celular colado em seu ouvido, o estômago gelado revirando e o coração a pular desenfreado dentro do peito o pianista ouvia repetidamente a mensagem, e naquele instante, naquele espaço vazio onde estava sozinho coberto pelo manto profuso e constrito da escuridão, a voz dele, assim como por vezes as notas musicais que produzia quando tocava o piano, tinha forma e luz própria.
Se contasse para alguém era bem capaz de ser considerado louco, ou talvez quisessem convence-lo de que se tratava de mero delírio de cego, as tais percepções-fantasmas das quais já lhe falaram muitas vezes e que muitos deficientes visuais como ele relatavam, mas a verdade era que a música, o piano, lhe possibilitava algumas vezes enxergar um mundo fantástico de cores, formas e luzes, este provavelmente fruto das imagens que seu cérebro captava quando recebia estímulos sonoros e os convertia em seus centros visuais.
Por isso Shaka tocava de olhos fechados.
Não queria parecer alucinado enquanto seus olhos passeavam frenéticos pelo balé que vislumbravam, ainda que este fosse tão breve quanto um suspiro de alívio, quanto o lampejar de um vagalume em meio à noite escura.
E se a voz de Mu já tinha esse poder, de trazer luz e cor para a seu mundo de escuridão, de preencher seu espírito e torná-lo pleno tanto quanto a música o fazia, significava que sua paixão tão repentina quanto arrebatadora por ele não devia ser mero entusiasmo de adolescente, portanto lutaria por ela, pelo direito de poder vivê-la.
Com lagrimas nos olhos congelados ouviu mais algumas vezes a mensagem antes de, exausto, pegar no sono e dormir ali mesmo no chão, culpando-se amargamente por não ter atendido às ligações do pai e do irmão, por tê-los preocupado, mas consciente de sua escolha naquela noite, uma vez que se dissesse a Asmita que estava em um café tendo um encontro romântico com um rapaz por quem estava perdidamente apaixonado certamente este teria ido buscá-lo na mesma hora e feito um escândalo ainda maior, e aí sim Mu lhe acharia um completo idiota.
E como havia dito na mensagem que mandara ao estudante de cinema momentos antes do conflito com a família, faria tudo de novo, exatamente igual, se fosse preciso.
