Personagens de Stephenie Meyer, só estou brincando com eles...
Capítulo 2
A escola passou rápido naquele dia, felizmente. Bella saiu do prédio e correu para sua picape, querendo fugir do frio. Hoje também seria mais tranquilo pelo fato de que não teria de ir para a loja trabalhar. O inverno estava começando de fato, então o Sr. Newton quis aproveitar o dia de baixo movimento para ter uma folga também.
Em casa, ela apenas tirou os sapatos e se jogou no sofá, mudando de canal distraidamente. Edward não demorou a aparecer.
— A maioria dos jovens gosta de sair nas sextas. – Foi seu comentário.
— A maioria dos jovens não vê gente morta. – Bella devolveu.
Ele riu.
— Você é muito azeda, sabia? – Ele foi até a poltrona que pertencia a Charlie e se sentou. – As pessoas não se aproximam de você porque você é chata, não porque vê gente morta.
Ela o olhou bem humorada e lhe mostrou a língua.
— Quem precisa dos vivos quando se tem seu próprio fantasminha camarada?
Os dois deram risada. Era tudo o que ela queria para relaxar.
— Mas então, como vai o bom povo de Forks? – Edward perguntou.
— Com frio – Ela respondeu indiferente – Você não sai mesmo daqui?
— Não tem muito para ver nessa cidade – Ele deu de ombros – Passo o dia assombrando seu quarto e o resto da casa quando você está dormindo.
— Assombrações geralmente assustam as pessoas.
— Seu pai é um homem durão. Claro, ajuda ele não poder me ver.
— Você sabe que não é obrigado a ficar aqui comigo – Bella o olhou — Pode ir visitar os lugares que quiser. Eu me viro por aqui.
Não era exatamente algo que ela queria. A ideia de ficar sem ele a deixava assustada. Ainda que estivesse morto, era a pessoa com quem tinha mais intimidade e confiança.
— Eu visitei todos os lugares que tinha vontade de conhecer. No fim, são apenas lugares. Você pode não entender, mas é muito chato conversar só com quem já morreu.
— Os mortos não tem muito assunto?
Edward fez uma careta.
— Só lamentações, para ser sincero. Aceitar que morreram é muito difícil.
— E para você não é?
— Se a gripe não tivesse me pegado, a guerra iria. – Ele deu de ombros de novo – Eu queria ser um soldado, mas não era idiota. Sabia o que podia acontecer.
— E você iria mesmo assim? – Bella perguntou.
— Em vida, só tive dois caminhos; a guerra ou seguir a carreira do meu pai. Nunca escondi o quanto detestava a ideia de lidar com papéis todo dia, durante toda a vida. Cresci cercado pelo trabalho do meu pai e sempre soube que aquilo não era para mim. Foi quando a guerra começou. Me apaixonei pela ideia de ser soldado. Minha mãe ficou horrorizada – Ele sorriu com a lembrança – Ela tentou mudar a minha cabeça, sabia? Nossa casa era uma passarela de moças ricas e bem vestidas. Ela tinha esperança que alguma delas fisgasse meu coração.
— Adiantou?
— Nem um pouco.
Charlie chegou naquele momento, parando ruidosamente a radiopatrulha no quintal. Bella se aprumou e parou de falar. Seu pai sabia que havia algo nela, alguma coisa por trás de seu comportamento estranho, mas não tocava no assunto, e Bella tampouco iria fazê-lo. Ou deixá-lo ver que estava conversando com uma poltrona aparentemente vazia. Edward sorriu e foi para o andar de cima.
— Hey Bells – Charlie chamou da soleira.
— Estou aqui, pai.
— Você está com fome? Trouxe comida.
Os dois comeram e conversaram sobre banalidades por um tempo. Charlie era policial há anos e sabia ser controlado, mas Bella podia ver o desconforto em seu rosto, a tensão em seus ombros. Algo estava errado. Ela logo descobriu o que era.
— Bells – Ele pigarreou um pouco, ficando muito reto na cadeira – Eu recebi um telefonema hoje.
— De quem?
— De Renée. Ela... Ela disse que gostaria de ver você.
Bella sentiu a comida virando uma bola no estomago.
— O que disse para ela? – Perguntou ao pai nervosamente.
— Disse que falaria com você primeiro. Depende de você. – Ele ficou muito quieto por um tempo. Então voltou a falar – Sei que ela errou, mas Renée ainda é sua mãe, querida.
Sim, Renée, sua mãe, que Bella também conhecia por Renée, a mulher que gritou que ela era uma aberração, Renée, a mulher que a trancava no quarto por dias, Renée, que mais de uma vez a deixou sem comer como castigo. Charlie não sabia de nada disso, claro. Para ele, Renée disse apenas que estava com problemas financeiros e não poderia mais cuidar dela, sem mencionar tudo o que acontecera. Para Bella, era Renée, a pior mãe que poderia ter, mas para Charlie, ela era Renée, a mulher que ele ainda amava.
— Eu... – Bella começou incerta – Pai... Posso pensar?
— Claro que pode.
Ainda tinha um pouco de comida mexicana em seu prato, que Bella se levantou e jogou fora. Não tinha mais apetite para comer. Estava muito enjoada. Charlie murmurou que lavaria a louça e ela ficou grata. Queria ficar sozinha. Tomou banho tentando segurar o jantar no estomago, o coração martelando no peito.
No quarto, colocou seu pijama e jogou a toalha na cadeira, se afundando na cama. Foi muito bom ver Edward. Ele atravessou o quarto e se ajoelhou na borda da cama, perto dela.
— Você quer conversar sobre isso? – Ele perguntou, os olhos verdes cheios de preocupação.
Ela assentiu. Estava tremendo tanto. Abriu a boca para falar com seu amigo sobre aquela mulher terrível, mas começou a chorar, incapaz de dizer qualquer coisa. Bella chorou por muito tempo, com o rosto no travesseiro para que Charlie não ouvisse. Edward ficou ali, sussurrando palavras de consolo. Ele não podia tocá-la para abraçá-la, então seu único recurso eram as palavras. Suas lágrimas só secaram de madrugada.
— Você não tem que ir. Charlie não vai te obrigar – Edward disse depois que ela se acalmou.
— Eu sei – Bella fungou – É só... A ideia de ver ela de novo...
— Não acha que devia contar a Charlie sobre tudo o que ela fez com você? – Ele perguntou suavemente – Eu nunca compreendi o motivo de você não contar a ele.
— Eu não sei, para ser sincera – Ela admitiu – Depois que vim para cá e comecei a crescer compreendi tudo o que ela fazia comigo. Mas aí já não fazia tanta diferença, sabe? Ela estava longe e eu duvidava que voltaria. Eu vivo bem aqui. E agora... Quer dizer, o que ela quer comigo?
— Acha que ela se arrependeu?
Bella pensou por um momento.
— Acho que não – Respondeu devagar – Ela não era de se arrepender de nada.
— Eu ainda acho que você deveria contar ao seu pai.
— Charlie nunca deixou de amar ela.
— Deixará de amar se souber o que ela fez com você – Edward apontou.
Bella puxou o travesseiro para cima do rosto novamente.
— Eu tenho mesmo que fazer isso? – Perguntou com a voz abafada – Não é que eu morra de amores por ela, eu só não quero destruir Charlie desse jeito. Ele vai ficar péssimo.
— Talvez. No entanto, é hora de deixar seu altruísmo de lado – Ele respondeu seriamente – Bella, talvez sua mãe tenha mudado, mas talvez não. Charlie não vai te obrigar a ir, mas será que Renée vai desistir de te ver? E qual é o motivo por trás disso? E se ela quiser fazer alguma maldade com você?
Ela descobriu o rosto e o encarou.
— Eu não sou mais criança para ela me trancar no quarto ou me deixar com fome de novo...
— E olhe só como você está com a simples ideia de vê-la – Edward a cortou – Para ser sincero, não é o terror psicológico que me preocupa, embora ela tenha muito poder sobre você nesse quesito. Eu falo sobre uma coisa física.
— O que ela pode fazer?
— As pessoas fazem coisas idiotas quando estão com medo, Bella.
