Personagens de Stephenie Meyer, só estou brincando com eles...
P.S.: Barbara Gouveia, fico tão feliz em ver que está gostando da história :D Muito obrigada por seus reviews.
Capítulo 4
— Eu não acredito que ela nem esperou minha resposta! – Bella disse um pouco indignada.
Eles estavam deitados lado a lado em sua pequena cama. Edward normalmente ficava sentado, mas Bella pediu que se juntasse a ela. Mesmo que não pudesse senti-lo, tê-lo tão perto a reconfortava. Não teve palavras para Charlie depois de sua revelação; apenas se virou e subiu, sem se incomodar de tomar banho, e foi direto para o quarto. Ela desfiou reclamações sobre Renée e sua atitude para Edward.
— Bella, conte a Charlie tudo o que ela te fez – Ele voltou a sugerir – Se ele souber, tenho certeza que não irá permitir que ela se aproxime de você.
— Não posso contar.
— Por que não?
Ela pensou e pensou, mas não conseguia encontrar outro motivo além de sua própria falta de vontade. Não queria reviver aquelas lembranças ruins, não queria puxar aquelas coisas de volta. Sentiu-se de repente muito enraivecida com Renée. Apesar da mágoa, ela tinha colocado uma pedra por cima daquilo, decidida a ser maior do que seu passado ruim. Já não tinha mais medo de trancar a porta de seu quarto ou de sentir o estomago doer de fome. Tinha dito a si mesma que aqueles medos pertenciam ao passado. E realmente pertenciam, até Renée aparecer para trazer tudo de volta. Todas aquelas coisas ruins estavam ameaçando subir. Coisas que ela se recusava a lembrar, coisas que ela não podia evitar se lembrar.
— Bella...
Encontrou os olhos verdes de Edward com os seus.
— Eu vou te apoiar em qualquer coisa que você decidir, sabe disso, não é? – Ele lhe perguntou – Minhas opiniões não importam realmente. Eu estou morto.
— Importa para mim – Ela disse com sinceridade – Eu só... Edward, eu estou tão cansada disso tudo. Não posso dizer que gosto de ver gente morta, e alguns me assustam pra valer, mas já me acostumei com isso. Não é uma coisa que posso tirar. E também não posso simplesmente ignorar, até porque nem sempre dá para saber quem está vivo e quem não está. E daí tem Renée e Charlie e todo o resto. Isso tudo... É demais para mim.
— Uma porcaria em tempo integral, não é?
— Quase sempre – Bella suspirou – Você acha mesmo que ela poderia me machucar?
— Eu me preocupo, Bella, pois sua mãe tinha medo de você e das coisas que você falava. Já lhe disse que o medo faz as pessoas fazerem coisas idiotas. Eu já vi.
— Andava por aí procurando tragédias?
— Não, mas tem coisas que acontecem de repente. Pessoas assassinadas brutalmente tendem a ficar, você sabe – Edward comentou e então fez uma careta – É claro que existem casos e casos.
— Eu não quero vê-la, só que também não quero falar nada para o meu pai. Então, o que faço? – Ela fechou os olhos e bufou, seus pensamentos a mil. A vida estava tão tranquila quanto poderia estar até Renée reaparecer. Queria aquele sossego de volta. Queria ser deixada em paz... Bella se sentou o encarou – Acha que devo acabar logo com isso? Quer dizer, só ver o que ela quer e deixar bem claro que não a quero na minha vida de novo, tipo um ponto final? Não preciso ver ela sozinha, Charlie pode estar comigo.
Ele a avaliou brevemente.
— Você tem que decidir isso por si mesma, Bella.
— Me dê sua opinião – Incentivou.
Edward sorriu.
— Pense sobre isso. Se você acha que pode aguentar esse encontro, vá em frente. Do contrário, apenas fale para seu pai que não quer. Ela ainda abandonou você e não te deu noticias durante todos esses anos, depois de tudo. Isso deve bastar para que ele não insista.
— Vai estar ao meu lado, se eu aceitar esse encontro?
— Que pergunta. Você sabe que sim.
Ela voltou a se deitar ao lado dele, mais tranquila. Parecia uma boa resolução. Um caminho mais fácil. Um encontro. Apenas um, e então mais nenhum. Mordeu o lábio, tentando montar um script em sua cabeça, para que durasse o menor tempo possível, pensando em todas as coisas que poderia dizer.
— O que se passa nessa cabeça diabólica? – Edward brincou.
Bella viu o sorriso crescente dele, iluminando seu rosto. Aquele sorriso que a fazia sentir que tudo poderia ficar bem. Queria lhe sorrir de volta, porém tudo o que conseguiu fazer foi observá-lo. Ele era tão bonito. Não havia calor ou cheiro vindo dele, nem a pressão que deveria ter sob os lençóis, mas ele parecia tão vivo. Queria que ele estivesse vivo. Que seu coração batesse como o dela estava batendo naquele momento.
— Você nasceu na época errada – Ela disse baixinho, desconcertada por seus sentimentos – Eu sou completamente louca.
— Todo mundo é um pouco louco, alguns mais do outros – Ainda tinha humor na voz dele, junto com outra coisa mais suave – Isso não tem que ser ruim... E sobre nascer na época errada – Ele apoiou a cabeça na mão, ainda olhando-a – Me sinto assim também, com bastante frequência. Tem coisas dessa época que... Bem, eu morreria para ter.
Bella começou a rir. Ele se fingiu de bravo, franzindo as sobrancelhas e fazendo um bico, o que a fez rir mais.
— Tipo o quê? – Perguntou para ele depois que se controlou.
Edward voltou a sorrir, mas desviou do assunto.
— Você deveria tomar um banho e ir dormir. Tem aula amanhã.
Bella fez uma careta, mas não insistiu. Pegou seu pijama e sua toalha e foi se cuidar. Seu pai já estava dormindo há muito tempo; podia ouvir seus roncos através da porta fechada. Sozinha no banheiro, ela voltou a pensar em sua decisão. A ideia de ver Renée ainda a deixava nervosa, mesmo que já estivesse convicta do que diria. Não conseguiu se impedir de pensar naquele último dia, por mais que fosse uma das piores lembranças. Podia ouvir seus gritos com clareza. Se lembrava dela colocando suas roupas de qualquer jeito em uma mala, puxando-a pelo braço até o táxi e das palavras rápidas que dizia a Charlie no telefone. Da conversa de Renée com a atendente no aeroporto, sobre voos de última hora. A memória que mais doía era a do momento final, quando por fim o voo foi chamado, e Renée a empurrou quando Bella tentou abraçá-la para se despedir. Aquilo a fez chorar na época e lhe trouxe lágrimas aos olhos no momento atual. Era apenas uma criança que ainda não entendia os maus tratos que sofria. Uma criança triste que amava sua mãe e que não queria se afastar dela. O choro dela chamou a atenção das outras pessoas no aeroporto, o que enfureceu mais Renée.
— VOCÊ É UMA ABERRAÇÃO! VÁ LOGO! – Ela gritou, empurrando Bella para o agente do aeroporto que a acompanharia durante o voo. E daí ela virou as costas e partiu sem olhar para trás.
O agente foi muito gentil com ela, lhe dando um lenço para secar o rosto, falando coisas boas e tentando de tudo para distraí-la. Não se esquecia da pena nos olhos dele. Ela estava mais calma quando aterrissaram em Seattle, mas quis chorar de novo quando o agente trocou de lugar com um outro, que iria com ela até Portland. De alguma forma conseguiu engolir suas lágrimas e correu com um sorriso no rosto para abraçar Charlie no desembarque.
Bella empurrou aquelas lembranças para baixo novamente, se recusando a chorar. Deixou a água do chuveiro lavar muito mais do que seu corpo. Imaginou-a tirando toda aquela dor e levando-a pelo ralo. Ela deixaria tudo bem claro para Renée, fosse qual fosse seu motivo para querer vê-la. Talvez, em um dia bem distante, encontrasse lugar em seu coração para perdoar a mãe. Mas no presente não havia espaço para ela em sua vida.
Edward ainda estava deitado em sua cama quando ela voltou para o quarto. Ele se levantou para sair e ela balançou a cabeça. Precisava dele perto. O queria perto.
— Fique – Pediu deitando-se novamente ao seu lado.
— Claro.
Ela se enrolou no cobertor e o olhou, sentindo seu coração se aquecer. Seu dom lhe trouxera muitos problemas e coisas ruins, mas também trouxera Edward, e isso compensava.
— Edward?
— Sim?
— Obrigada.
— Pelo que?
— Por existir.
Seu sorriso, aquele sorriso que ela tanto amava, voltou para o rosto dele. Foi com aquela imagem que Bella adormeceu.
