Nota: R&R.


005
closer than close


should i speak?
should i bother shaking hands?
am i weak if i leave it as it stands?
i've submerged
and i've surfaced with the blame
i guess i'm no good
i guess i'm insane

Insane, Damien Rice.


21 DE SETEMBRO DE 1998

O que ele sentia?

Nojo. Prazer. Culpa. Uma sensação contínua no estômago que deixava a boca amarga e os olhos lacrimejando. Deitado em sua cama, há algum tempo naquela condição de torpor, Draco pensava sobre o que ocorreu nas últimas horas. Granger, mais um ataque, a carta inoportuna de Narcisa (a gota de desespero que faltava naquela merda de vida), Pansy, Granger e sua ajuda e seus abraços e seus olhares e seus lábios e Hermione.

Ainda conseguia sentir a saliva dela em sua língua, mesmo depois de ter escovado bem os dentes e tomado a poção ácida contra mau hálito – era verde e queimava suas papilas gustativas, como se mostrasse naquilo o quão impura sua boca estava –, mas era quase impossível se manter limpo quando sua mente já estava suja. Só podia ser fruto de sua imaginação, é claro, mas sentia-a em todo o seu corpo, correndo em suas veias, infectando-o com seu sangue sujo, mudando-o por dentro sem ao menos se dar conta.

Fechava os olhos e via íris castanhas em meio ao negrume, observando-o. O enjoo aumentava.

O que diria Lucius, enfermo na mansão, da situação pela qual se encontrava? Um filho traumatizado, uma esposa no limite da sanidade, sua família e seu nome na ruína. Não sabia dizer se as palavras dele poderiam afetá-lo como antigamente, já que ele estava morrendo e aquele assunto seria o último que passaria em sua mente enquanto via a vida de seu pai esvair diante de seus olhos. Se ele o amava tanto quanto demonstrou naqueles gestos e olhares durante toda a guerra, ele lhe diria para ser feliz apenas, pois merecia isto mais do que qualquer um naquele maldito castelo, porque teve tudo e depois não lhe sobrou nada (amigos, dinheiro, poder, tudo o que ele conhecia havia mudado. Até si mesmo).

Levantou rapidamente da cama quando percebeu que enjoo não bastaria, batendo a porta do banheiro enquanto o corpo despencava no chão e ele lançava violentamente no vaso tudo o que havia comido no jantar com Granger – quando foi que ela ficou tão presente em sua vida?, ele se perguntou rapidamente. O corpo curvava-se de tempos em tempos, como se fosse vomitar até a alma. Talvez fosse o efeito de ter tomado tantos remédios ao mesmo tempo, mas como ele poderia evitar? Quando sentia todo o corpo tremer, era automático procurar por ajuda, e só a encontrava na caixinha que agora tinha apenas seis frascos. Sabia que tinha que moderar, mas estava tudo muito frequente. Ainda sonhava com a guerra, Voldemort (só em pensar em seu nome sentiu o estômago contrair) e com o cheiro do fogo queimando a carne de Crabbe. E agora, seu pai estava com metade do braço esquerdo dominado pela doença e suas chances de cura iam diminuindo de minuto a minuto.

– Malfoy, você tá legal? – ouviu uma voz questionar do outro lado da porta.

– Estou, só foi um enjoo, Blaise.

Escovou os dentes, sentindo as mãos frias e trêmulas quando lavou o rosto de todo aquele suor, e voltou para o quarto, entrando em suas cobertas e encolhendo-se como um bebê. Ainda sentia-se tonto, mas faltavam poucas horas para amanhecer e ele precisava realmente dormir. Sabia que seus remédios haviam ido embora junto com toda a comida, mas o efeito entorpecente continuava presente em seu corpo, só não conseguia realizar seu maior desejo no momento, fechar os olhos e dormir em paz. A dormência em seus sentidos só o aterrorizava, como a sensação de impotência que seus ataques de pânico traziam. Não gostava de nominar o que tinha, mas era isto e precisava reconhecer a sua cicatriz de guerra.

Inclinou o corpo até as mãos alcançarem o criado mundo, tateando às cegas até achar uma caixinha próxima da grande vela esverdeada que há muito havia sido apagada. Lá estava sua outra saída de escape; poções do sono. Era uma pena que, com o uso frequente e considerável tolerância a certas poções – amaldiçoava seu sangue puro, às vezes –, seu efeito já não era tão satisfatório, mas desde que conseguisse pregar os olhos, estava resolvido. Enfrentaria seus demônios de qualquer jeito, pensou resignado antes de finalmente adormecer.

X

Foi com medo e raiva que descobriu estar na sala de espelhos novamente.

Dessa vez a sala estava suficiente iluminada, e o seu reflexo infinito, o seu verdadeiro reflexo, estava refletido em todos os quatro espelhos. Hermione sentiu-se enjoada só em encarar-se no espelho. Perguntava-se quando aquilo iria acabar, se um dia iria acabar. A impotência aos poucos fazia o seu caminho até os seus ossos, corroendo todas as suas certezas.

Em sua frente, percebeu um dos reflexos sorrindo. Seria sempre perturbador quando isso acontecesse, quando o reflexo não condizia com a realidade. Aos poucos Hermione percebeu que aquele reflexo em especial era Helena.

Como se lesse seus pensamentos, o reflexo meneou a cabeça.

– Você é inteligente, Hermione. Mas quanto mais você mentir para si mesma, mais você tem a perder. Não deixe que os outros mintam para você. As pessoas podem ser cruéis, e você é uma bruxa extraordinária, não podemos permitir que seja ludibriada o tempo inteiro. Descobrirá a verdade, de um jeito ou de outro.

À medida em que falava, seus olhos começaram a sangrar algo negro. Hermione tocou o próprio rosto, e com alívio percebeu que era apenas no espelho. Quando voltou os olhos para este, Helena sangrava também pelos ouvidos, boca, nariz, e todo aquele visco preto escorria por seu corpo, como se ela estivesse coberta pelo próprio mal. Helena apoiou a mão no espelho, ainda sorrindo com os olhos fixos em Hermione.

Você descobrirá a verdade toda a verdade a verdade sua estúpida você vai descobrir a verdade, ela continuou repetindo até os espelhos quebrarem.

Hermione acordou com um gosto amargo na boca. Havia mordido a própria língua durante o sonho, e com muita força de vontade saiu da cama, sabendo que aquele dia seria uma merda. Não bastasse o sonho, Parvati se atrasou no banheiro e Lavender de tempos em tempos perguntava se ela estava bem. Não aguentava mais a falsa preocupação da colega de quarto, os olhos castanhos escuros com uma malícia escondida nas íris. Sabia que ela estava feliz com a separação com Ron, e não precisava de sua caridade repleta de más intenções.

Assim que Parvati liberou o banheiro, correu para que nenhum outro imprevisto realmente a atrasasse. Olhando-se no espelho, quase entendeu a preocupação de Lavender. Havia olheiras bastante escuras embaixo de seus olhos e a expressão cansada que seu rosto emitia quase a assustou. Sorriu sarcasticamente para o espelho antes de tirar o pijama e entrar no jato de água quente. Ela precisava relaxar.

Estava vestindo o uniforme quando percebeu uma mancha embaixo de seu nariz e aproximou o rosto do espelho.

Não era uma mancha. Era sangue, que escorria lentamente da narina esquerda. Pegou papel higiênico rapidamente, limpando-se. Por um momento, viu-o completamente sujo por algo negro, viscoso e nojento. Largou-o no chão, afastando-se a passos lentos sem tirar os olhos dele, como se fosse possível tomar forma e engoli-la (só não esqueça o quão podre é por dentro, nunca, nunca se esqueça disso, porque as pessoas são horríveis e elas sempre te lembrarão o que você é). Pegou sua mochila e saiu às pressas do Salão Comunal.

Havia pequenas manchas vermelhas nas pontas dos dedos pequenos e pouco calejados, mas ela não havia reparado nisso quando finalmente se sentou entre seus amigos. Harry e Ginny sorriram para ela, enquanto Ron mantinha sua conversa com Neville e Seamus, apenas meneando a cabeça com o seu bom dia. Não se importou, pelo menos não a estava ignorando totalmente. Enquanto conversava com seus amigos, como se fosse um ato muito comum de sua parte – e até era, considerando os últimos dias –, deixou os olhos correrem até a inquieta mesa da Sonserina, não encontrando os cabelos platinados que ansiava intimamente encontrar. A partir daí, o tempo correu lentamente até os alunos começarem a se arrumar para o início das aulas, sua mente dividida entre a noite anterior e o que aconteceu no banheiro, sintetizando, resumindo, mas sem chegar a lugar nenhum.

Fora necessário reunir muita coragem para fazer o que iria fazer em seguida. Todos já haviam-nos visto juntos e não seria nada demais perguntar para algum de seus amigos onde Draco estava. Depois da noite passada, ficou com o terrível pressentimento de que ele pudesse fazer alguma coisa estúpida.

Deixou o ar escapar por entre os lábios secos e foi ao encontro de Pansy Parkinson e Blaise Zabini. Não precisou de muito esforço para mostrar que estava ali, já que ambos se viraram para encará-la, as testas enrugadas em descrença muda. Tossiu timidamente para testar o controle da voz.

– Vocês viram Malfoy? Ele não estava muito bem ontem e...

– Está na enfermaria. É só isso? – Pansy respondeu com o tom de voz insolente, mas ao mesmo tempo contido, já que depois da guerra eram poucos que se atreviam a tratar mal um nascido trouxa. Ninguém queria ir para Azkaban por soltar um sangue ruim à toa.

– O que houve com ele?

– Eu não sei, de madrugada acordou vomitando e tremendo. Pediu pra ficar na cama, mas eu o levei para Madame Pomfrey. – Zabini respondeu enquanto Pansy brevemente resmungou algo para si mesma, encarando-a com os olhos escuros perspicazes demais.

Ambos lhe deram as costas e voltaram para o seu percurso. Hermione continuou no corredor, o fluxo de alunos aumentando conforme o tempo corria. Estava indecisa, surpresa, com um medo latente. Por ela e por ele, por todas as perguntas não respondidas, todos os conselhos dados, toda a história. Não sabia o que fazer, parecia que o sangue havia congelado em suas veias e mover o corpo era impossível. Sem perceber, limpou os dedos na barra da saia, porque todos aqueles conceitos estavam intrínsecos em suas almas, e mesmo que quisessem, não seria fácil quebrá-los para apenas se livrarem de seus medos ou encontrar alguém que finalmente pudesse entendê-los. Não era tão fácil, nunca fora tão fácil.

Ela não poderia salvá-lo de si mesmo, nem ele poderia salvá-la de si mesma, mas ela tentaria por ambos. Vamos ver no que isso vai dar, pensou enquanto corria na direção contrária dos alunos, indo para a ala que tanto odiava. Ser a melhor aluna e heroína de guerra poderia livrar-lhe ao menos de uma falta em poções. Uma hora seria o bastante.

X

Havia um cheiro estranho na enfermaria, algo parecido com os esterilizantes que ela tanto odiava nos hospitais trouxas. O lugar estaria vazio se não fosse pela garota com o cachecol amarelo e preto a duas macas da porta. Tinha a testa franzida enquanto Madame Pomfrey aparecia por entre as cortinas com uma bandeja, olhando para a menina com os olhos questionadores.

– Terceiranistas tentando se dar bem em poções, é nisso que dá... Oh, Srta. Granger, o que faz aqui? Já devia estar em aula!

– Bom dia, Madame Pomfrey. – disse Hermione um pouco arfante. Umedeceu os lábios, ainda observando a enfermeira medicar a garotinha gemente. – Tenho permissão de Slughorn para visitar Draco Malfoy.

– Você não pode vê-lo.

– Por favor.

Alguma coisa em sua voz fez com que a mulher parasse por alguns segundos seu trabalho. Não disse nada por um minuto, e quando Hermione chegou a pensar que aquela era uma negativa, Pomfrey a olhou séria, antes de voltar a cuidar da Lufa-Lufa.

– Ele está ali, na penúltima maca, então faça silêncio. Foi difícil fazê-lo dormir, está com uma febre altíssima mas que já deve ter passado por conta da poção.

– Você sabe o que ele tem? – a morena perguntou com a garganta travada, sem conseguir se mexer. Não queria saber a resposta, mas sua preocupação era maior do que qualquer outra vontade.

Pomfrey gesticulou com a cabeça para o seu estoque pessoal de poções, longe o suficiente dos olhares e ouvidos da terceiranista.

– Foi uma overdose, Srta. Granger. Misturou poção do sono com remédios que não devia tomar com tanta frequência. Sorte a dele que o Sr. Zabini o trouxe para a enfermaria. – os olhos castanho esverdeados da mulher pareciam olhar através dela, tentando descobrir se Hermione sabia do que se tratava. Tremeu, mesmo não tendo culpa. – Vá antes que eu mude de ideia.

Andou a passos rápidos até onde ele estava. Escondido embaixo de lençóis, Hermione só conseguiu enxergá-lo por conta dos cabelos loiros contra o branco imaculado do travesseiro. Sua respiração ia e vinha com facilidade, mas ela sabia que o sonho não era bom por conta das sobrancelhas franzidas. Havia uma fina camada de suor em sua testa, sombra de algum pesadelo, e Hermione se viu pegando o pano seco que estava no criado mudo para tirá-la, como se este ato fosse muito comum entre eles. Draco tremeu com o toque repentino, mas não abriu os olhos quando a ponta dos dedos dela acariciaram sua bochecha.

Um frio intenso tomou conta de seu corpo, ao mesmo tempo em que a visão embaçava e a respiração travava. Sua mão tremia muito e tudo estava escuro ao seu redor, havia o cheiro de medo e morte que pareciam entranhar em seu corpo até chegar ao centro do seu ser, partindo sua alma em mil pedacinhos. Havia olhos azuis compreensivos e fracos, havia sentimentos e emoções que lhe assaltavam. Havia uma lembrança que não era sua e que fora quebrada no momento em que os olhos cinza abriram.

– Oi, Draco.

Sua voz saiu fraca, assustada. Não sabia o que havia acontecido ali e se afastou assim que seus olhos encontraram os dele. Também parecia assustado, mas havia a sombra em seu rosto dos remédios que Pomfrey usou para estabilizá-lo, que o deixava um pouco sonolento, mas ao mesmo tempo alerta. Ele sempre estava alerta.

– Oi.

Draco sussurrou de volta, observando-a pegar uma cadeira próxima e sentar ao seu lado. Ela parecia nervosa e assustada, torcendo os dedos uns com os outros enquanto fugia de seu olhar. O uniforme estava ligeiramente desalinhado, e seu peito subia e descia com um pouco de dificuldade. Draco sorriu ao pensar que ela estava perdendo aula apenas para visitá-lo.

– Como você está?

– Fodido, não dá pra perceber? – retrucou em um tom calmo, fechando os olhos. Não estava com humor para perguntas retóricas, sua cabeça estava pesando toneladas e tudo o que ele queria era dormir, mas não conseguia, mesmo que toda aquela sensação de paz que o havia impregnado de repente o puxasse para mais longe da consciência. A voz de Hermione o tirou daquele estado, mesmo que seus olhos ainda estivessem fechados. Pelo seu tom, conseguia vê-la com as sobrancelhas franzidas e a boca entreaberta. Quase sorriu.

– Eu quero saber o que houve com você. Depois de ontem, eu pensei... – a frase morreu aos poucos quando ele novamente a olhou, raiva queimando no cinza.

– Pensou o quê? Que eu tentei me matar? Não foi uma tentativa, se você quer saber.

O sarcasmo não conseguia esconder toda a dor por trás das palavras, ele reconheceu isto assim que ela o encarou de volta. Havia uma compreensão absurda nos olhos dela, e Draco se viu desarmado por conta da intensidade. Apoiou-se incomodado na cabeceira da cama, novamente sorrindo para o vazio quando Hermione se moveu em sincronia, aproximando-se para ajudá-lo a ficar confortável. Descobriu-se parcialmente do cobertor alvo que cheirava a doença e virou-se para encará-la.

– Você não vai mesmo contar, não é? – ela perguntou resignadamente, mesmo com um quê de irritação em sua voz.

– Isso não é algo que eu me orgulhe muito, sabe.

– Eu apenas sei que o seu sarcasmo não irá encobrir tudo isso, ao menos não por muito tempo.

– Isso é algum tipo de ameaça, Granger? Se não, estou realmente amedrontado. – ele cruzou os braços sem desviar os olhos, mesmo que se mexer muito o deixasse enjoado e com a visão enturvada. Mas ela não precisava saber disso.

– Mera constatação, Malfoy. Você não vai conseguir esconder isso de mim. – a verdade irá se revelar, queira sim, queira não, lembrou. Tremeu sob o olhar de Malfoy, que suspirou em conformação apenas para desviar os olhos para o teto, longe da intensidade (ou do medo ou da vergonha que eles lhe infligiam, ele não gostava de admitir certas coisas nem para si mesmo) do castanho dos olhos dela.

– Lembra do frasco, Granger? Da noite passada? – esperou que ela concordasse com um aceno de cabeça para continuar. – Ele carrega uma coisinha engraçada. Para os bruxos é chamado de remédio alternativo, para os trouxas, remédio controlado. Não sei se você já percebeu que eu fico um pouco estranho de repente – tossiu por conta da entrada indevida de ar em sua garganta, deixando seus olhos marejados e fazendo com que sua cabeça desse voltas. Olhou para ela, de lado, que ainda não havia se movido como boa ouvinte que era, os olhos novamente focados apenas nele com aquela intensidade que o deixava desconcertado. – Isso, segundo o medibruxo da minha família, é denominado de ataque de pânico, e eu tenho transtorno de pânico porque, digamos, esses ataques são bastante frequentes. Nessa madrugada eu tive uma crise muito forte, e acabei triplicando o número de pílulas que é aconselhável tomar, além de ter misturado poção do sono depois de ter vomitado minha vida no vaso sanitário. Então, depois que eu consegui dormir, eu tive convulsões pela manhã e Blaise me trouxe para cá. Satisfeita, Granger, ou vou ter que desenhar?

Hermione não conseguia falar. Sua boca estava entreaberta de surpresa, e sua mente procurava de todas as maneiras formar uma sentença consoladora, alguma coisa, mas sentia-se vazia. Pensamentos confusos atravessavam sua mente e ela não conseguia fazer uma conexão entre eles. Franziu a testa, ainda pensando, sem perceber os olhos de Malfoy sobre si, tão imersa que estava.

– Eu... – ela suspirou, torcendo discretamente os dedos uns contra os outros. Tinha um pouco de sangue seco embaixo das unhas, mas Hermione estava pouco se importando com aquilo no momento. Draco ainda a observava, esperando qualquer reação da garota, mas ela continuava sendo uma incógnita. – Eu não sei pelo que você está passando, não faço a mínima ideia, mas... Eu estarei aqui. – concluiu, erguendo finalmente os olhos para encarar o cinza dos dele, determinada.

– Nossa, isso é um consolo e tanto, Granger. – disse com ironia, e percebeu que a tensão nos ombros dela havia se dissipado.

Sentiu-a entrelaçar sua mão com a dele, e rendeu-se ao calor morno que dela emanava. De todas as reações, esta era a que Draco mais precisava.

X

Ron estava achando tudo aquilo uma puta palhaçada.

Quando Slughorn havia feito a chamada no início da aula, toda a sala já estava aos cochichos. Malfoy estava na enfermaria e Hermione havia faltado para visitá-lo, e isto era uma fofoca e tanto. O fato do professor não ter feito anotações sobre o acontecido também rendeu sussurros de ambas as casas.

Havia um conflito existente entre o lado verde e prata com o vermelho e dourado; o primeiro preocupado com a saúde de um de seus alunos mais brilhantes, e o segundo preocupado com a preocupação de sua aluna mais brilhante.

Não era para ser assim, aquilo estava errado e não fazia o menor sentido. Eles acompanharam a rixa existente entre eles, as ofensas trocadas assim que seus olhos se cruzavam nos corredores, o lados na guerra que ambos escolheram. Tentavam encontrar em algum lugar de suas mentes o momento em que Hermione deixou de xingar Malfoy para segurar sua mão no Salão Principal e visitá-lo na enfermaria, porém não encontraram, pois foi algo íntimo e que não fora compartilhado com o resto do castelo.

Ron não gostou nada daquilo. Nada mesmo. E pelo olhar que encontrou o seu durante a aula, sabia que não era o único.

Esperou que o sinal batesse para poder falar com Pansy, que também havia arrumado uma maneira de permanecer na sala depois que todos haviam ido embora. Os olhares se cruzaram novamente e dessa vez nenhum ousou desviar. Existia uma tensão quase palpável no ar tamanha a intensidade trocada naquele gesto. Nenhum queria o contato, mas era necessário. Naquele momento, eles se entendiam demais.

– Isso não está certo. – Ron disse depois de um tempo observando-a. A luz dos candelabros incidia nos cabelos dela, dando um efeito azulado que ele se percebeu gostando intimamente. Descartou o pensamento com um discreto balançar da cabeça.

– Eu sei. – Parkinson disse depois de um tempo, o quadril apoiado despreocupadamente na carteira, com os braços cruzados e olhar firme.

Ela sabia.

Eles sabiam.


N/A: Novidades: Ron/Pansy estará presente na fic. Tirei as dúvidas em relação ao estado do Draco, e gostaria de deixar claro que meu conhecimento sobre transtorno e ataque de pânicos se resume aos sites em que pesquisei. R&R, Nanda.

Publicado em: 30/05/2015.