Nota: Eu peço perdão pela demora em atualizar e pelo capítulo ser tão curto – eu também não sou conhecida por fazê-los longos, I know – mas hoje é o dia em que a fanfic faz aniversário de cinco anos de postada, então eu queria comemorar. Cinco anos, o tempo passa muito rápido e eu demoro demais de atualizar. Enfim, esses dois últimos meses foram extremamente bizarros para mim. Meu pai faleceu no início de novembro e mais uma tonelada de merda caiu na minha vida. A única coisa que eu soube fazer foi ler fanfic como uma louca (principalmente em inglês, e tô vendo que a língua tá influenciando muito na minha escrita), mas pra voltar a escrever foi difícil. Tudo acabava voltando para ele.
De qualquer jeito, eu tô melhor e voltando aos poucos. Agradeço a todo mundo que mandou reviews – eu ainda tenho que responder, perdoem essa ficwriter desleixada. Espero que gostem desse capítulo e vejo vocês nas notas finais.
010
and i leave my burdens at the door
i can see through you
see your true colors
cause inside you're ugly
you're ugly like me
i can see through you
see to the real you
Outside, Staind.
Ela estava de olhos fechados, como se estivesse calculando todas as possibilidades dentro daquela conversa. Ele não a culpava. Mas a ansiedade o comia por dentro, e fora difícil manter a boca fechada nos segundos que se passaram. De cabeça baixa, olhos fechados e dedos nervosos, Hermione Granger era a definição da expressão "fique ou fuja".
Ele só queria abraça-la. Ele só queria agradecer por tudo o que ela fez por ele, sem nem mesmo perceber.
– Eu tive um pesadelo quando cheguei em Hogwarts. E eu pensei que seria apenas isso, mas foi progredindo para algo além do meu controle.
Hermione ainda não o encarava, mesmo sabendo que ele estava ali, em sua frente, observando-a nos mínimos detalhes. Sentia-se exposta demais; mesmo se tirassem as roupas que lhe cobriam o corpo, ela não se sentiria tão nua sob o olhar dele quanto agora. Preparava-se para despir e revelar a razão de sua loucura, o que havia debaixo da pele e dos ossos. Hermione Granger, pura, crua e insana.
– E como foi esse pesadelo? – ele por fim perguntou quando ela não disse mais nada.
Ele estava verdadeiramente interessado. Não apenas no bem estar dela; aquele era o momento em que Hermione estava deixando a sua guarda baixa. Sempre sonhara em ter um vislumbre da mente da bruxa, e agora ela se abrira para ele, mostrando os seus pensamentos e medos mais secretos. O sonserino interior se regozijou com isso.
– Existe uma pessoa... uma mulher... que sempre está nele. Ela...
A voz dela tremeu um pouco. Na verdade, ela toda tremia. Draco sabia bem a sensação. Muitas noites e incontáveis vidrinhos os deixaram na base do primeiro nome.
Levantou de sua maca e sentou ao seu lado, passando o braço pelos ombros dela e puxando-a para mais perto. Lá estava o que antes não percebera sentir falta. Granger contra ele, tão próxima que o seu perfume acabava impregnando em sua roupa e o deixando sem saber o que fazer pelo resto do dia porque ela estava em todos os lugares, mas simplesmente não estava lá.
Abraçá-la faz bem pra caralho.
– Respire fundo, Granger. Sem pressa. Eu estou aqui e não vou te deixar. Ouviu bem?
Ela acenou rapidamente com a cabeça e afundou o rosto em seu pescoço. Sentiu lágrimas molharem a gola de sua camisa, mas Draco simplesmente não se importava. Aquilo era bom, ela precisava disso. E foi nesse momento em que ele percebeu que faria o necessário para ela ficar bem. Não se tratava mais de gratidão, e ele sabia muito bem disso. Draco odiava seus pensamentos. Não queria pensar nisso agora, não quando ela estava ali, tão vulnerável, tão inconsciente de tudo aquilo que ele sentia.
Draco era um desgraçado ingrato, e não era difícil assim diagnosticar aquela calma em seu peito quando toda a sua vida está um verdadeiro inferno.
Ela chorou por um bom tempo. E em momento algum ele saiu do seu lado.
X
Quando Harry entrou na enfermaria, a primeira coisa que vira fora os dois abraçados.
Aquilo era muito estranho. Apenas em vê-los desse jeito, tão íntimos, deixava-o com o estômago embrulhado. Ao contrário do que anteriormente pensava, não sentia raiva ou qualquer sentimento relacionado a inveja ou traição. Era mais preocupação do que qualquer outra coisa. Hermione sempre fora o porto seguro, a base forte do trio de ouro da Grifinória. Era para ela quem eles sempre voltaram, para a segurança da sua inteligência e sensatez, da sua força e persistência. Nem mesmo Hermione conseguira sair inteira daquela guerra. Harry pensava que talvez todos os medos tivessem ficado para trás, que o maldito hábito de arranhar a mão esquerda tivesse sido expurgado.
Nos primeiros dias pós-guerra, ele, com toda a sutileza que conseguia arranjar, costumava observar o estado das mãos dela – se havia resquícios de pele por baixo das unhas ou os arranhões profundos. Um dia, ela apareceu com as mãos livres de cicatrizes e unhas bem cortadas. Então ele pensou que estava tudo bem. Hermione havia voltado, e eles ficariam bem.
Harry se esqueceu que ela é ótima em esconder as coisas.
Sua cegueira o impediu de ver o que estava acontecendo com ela. Não sabia mais se era apenas auto mutilamento. Durante o tempo em que ficaram escondidos, isso acontecia de forma muito equilibrada, se pudesse usar a palavra. Nunca fora tão intenso e agressivo quanto o episódio na aula de poções. Hermione coçava a mão esquerda em determinados horários. Antes de dormir, depois de acordar, sempre que planeja algo sobre a guerra. Eventualmente a pele ficava extremamente sensível, então Harry passava unguentos em sua mão e ela entrava em um período que não podia arranhar por conta das faixas na mão. Era onde ela ficava mais inquieta e irritadiça.
Não percebeu que estava encarando tão fixamente o casal até Malfoy abrir os olhos e encará-lo de volta.
Havia algo de protetor na postura que ele tomou. Os braços se fecharam ainda mais ao redor dela e o corpo dele curvou-se um pouco mais para cobri-la. Era nojento.
Ele não tinha o direito de fazer isso. Harry não era o vilão dessa história.
– Potter. – disse Malfoy por fim, em um tom baixo que mostrava o quanto a sua intenção de acordar Hermione era nula.
– Malfoy. – Harry respondeu por fim, no mesmo volume, sem deixar de encará-lo. Passou-se vários segundos até falar novamente. – O que aconteceu com ela?
– Você não sabe mesmo, não é? – perguntou, sua voz pingando um irônico desprezo. Não por quem Harry era, não por conta da inimizade entre os dois, mas por conta da falta de conhecimento dele sobre o atual estado de Hermione. Mas que belo amigo você, hein Potter.
– Corta os joguinhos, Malfoy. Eu sei que vocês dois são amiguinhos, mas você acompanhou ela até aqui e conversou com Pomfrey. Eu quero saber o que está acontecendo com a minha amiga.
De alguma forma isso inflou ainda mais a raiva contida de Malfoy.
– Amiga? Amiga? Potter, Hermione está no limite e você sequer notou. Eu também não tenho ideia do que está acontecendo com ela, mas não vou fechar os olhos. Se eu fosse você, parava de ser um heróizinho de merda e passava a cuidar melhor dos seus amigos.
– E desde quando você sabe algo sobre amizade, Malfoy? – retrucou Harry numa forma de mostrar que tudo aquilo que lhe fora dito não era verdade. Mas era, e doeu demais ter sal esfregado nas feridas. – Você sempre comprou companhia, seu fracassado.
Malfoy encolheu um pouco com o seu ataque. Sentiu-se um pouco mais satisfeito com isso. Mesmo tendo-o defendido em seu julgamento e consequentemente libertado sua família de uma vida em Azkaban, mesmo tendo visto o que Voldemort fazia com ele, o nível de empatia que sentia por Malfoy era baixo. Dentro dele sempre iria existir aquele menino de 11 anos que faria o seu melhor para vê-lo destruído.
– Eu sei o que é amizade desde que ela apareceu para me ajudar.
Como se sentisse a tensão da sala, Hermione se movimentou em seu sono. Draco o encarou alarmado, alertando-o com os olhos para não fazer o menor barulho. Hermione se aproximou ainda mais dele, apoiando a mão enfaixada em seu peito e erguendo o rosto o suficiente para que seu nariz ficasse próximo do pescoço dele, como se precisasse respirar seu cheiro para ficar bem. Malfoy a encarou, um sorriso triste nos lábios, e, como se esquecesse que Harry estava lá, beijou a testa dela cautelosamente.
Se não soubesse de toda a história deles, se não soubesse quem eles eram, Harry teria achado a cena a sua frente muito bonita. Era romântica de um jeito não meloso ou explícito demais. Uma demonstração de carinho entre pessoas que confiam uma na outra. Era íntimo de uma forma que deixava as pessoas ao redor desconfortáveis. Era algo tão forte que poderia ser palpável.
Harry conhecia bem esse sentimento. Sua mãe o protegeu da morte por causa dele.
Engoliu em seco quando finalmente compreendeu o que estava acontecendo. As coisas sempre são maiores e mais densas do que o esperado.
– Ela demorou horas pra dormir, e o sono dela estava inquieto até pouco tempo. Não quero acorda-la quando ela finalmente conseguiu descansar. – respondeu Malfoy depois de um tempo, os lábios ainda próximos da pele dela, como se não conseguisse mais se distanciar.
Harry murmurou um "entendi" e suspirou. Ao menos ele sabia que ela estava bem. Ponderou se deveria ou não sair logo, mas viu que aquele momento já estava constrangedor demais sem precisar de um segundo tempo.
Já havia dado as costas para sair da enfermaria quando ouviu o sussurro de Malfoy.
– Eu vou cuidar dela, Potter.
Virou o corpo de leve, apenas o suficiente para encarar Malfoy. Os olhos cinza o encararam de volta, e neles não encontrou nada além de determinação.
– Não precisa se preocupar. Você não é a única pessoa que ela tem.
Quando saiu da enfermaria, se deu conta de que talvez Hermione fosse a única pessoa que ele tivesse.
X
Ron a odiava com a força de dóis sóis.
A garota era insuportável de uma maneira que ultrapassava os limites do que é possível. Parkinson não o deixava em paz. Desde o momento em que Malfoy e Hermione saíram da aula de Poções, parecia que ela o estivera seguindo pelo castelo porque em todo o lugar que ele ia, ela estava lá, sorrindo aquele sorriso vitorioso ridículo.
Ou talvez ele estivesse super consciente da presença dela. Mas Pansy Parkinson o irritava pra caralho.
Durante o jantar, uma bolinha de papel apareceu por entre os seus pés. E ele simplesmente sabia que era ela o importunando mais uma vez.
Não sabia dizer por que se deu ao trabalho de pegar aquela porra.
"Eu fiquei pensando na sua cara ao imaginar Draco e Granger trepando numa maca da enfermaria enquanto você enfia esse frango na boca. Dizem por aí que Draco fode bem gostoso. Sonserinos fazem as coisas tão melhores, não acha?".
Sentiu vontade de vomitar só com a imagem mental não desejada que veio em sua mente – mas era óbvio que ele não iria desperdiçar boa comida só por conta de Parkinson. Mas pelo olhar que recebeu da mesa verde e cinza, ela se satisfez só com sua careta irritada e enojada.
Assim que saísse do jantar, iria tocar fogo naquela porra de bolinha de papel.
N/A: Eu sei, eu sei, capítulo extremamente curto, mas prometo que o próximo sairá mais rápido. Eu acabei as minhas provas hoje, só tenho uma resenha pra entregar e então estarei livre. Só tive dois dias pra escrever esse capítulo e queria muito atualizar nessa data. Tenho algo especial com datas.
De qualquer jeito, quero opiniões sobre o capítulo. Eu prometi pra mim mesma que desenvolveria mais o problema da Hermione nele, mas o tempo foi contra mim. E eu xingo muito, xingo pra caralho, mas eu não consigo escrever Ron/Pansy de forma bonitinha. No meu ponto de vista, esses dois são aqueles personagens boca suja que colocam palavrões a cada cinco palavras. É gostoso aproveitar isso.
Enfim, leiam e revisem, pessoal.
Publicado em: 24/11/2015.
