N/A: Essa é uma das músicas que poderia quotar todinha para esse capítulo, essa fic, esse ship. Ela fala tanto para o Draco quanto para a Hermione e acho isso mágico. Assim como Damien Rice, Hozier compõe músicas pensando em DHr. Aposto que também tem um perfil no ffnet separado só para fanfics dramiones.

Uma garota pode sonhar.

O capítulo não foi betado, perdão. Vejo vocês nas notas finais.


012
staring into open flames


when i was sixteen my senses fooled me
i thought gasoline was on my clothes
i knew that something would always rule me
i knew the scent was mine alone

Arsonist's Lullaby, Hozier.


14 DE NOVEMBRO DE 1998

Vinte e cinco dias.

Vinte e cinco dias era o tempo em que Hermione estava adormecida.

Vinte e cinco malditos dias.

Ele estava jantando quando um garoto histérico da grifinória entrou correndo pelas portas do Salão Principal gritando "Hermione Granger! Diretora! Hermione Granger na Seção Restrita!" e demorou alguns minutos e copos d'águas até que alguém conseguisse tirar alguma informação do menino. Potter e a Weasley fêmea já haviam corrido até o local, e Draco precisou de muita força de vontade para não agir como um estúpido grifinório e correr junto com eles para ajudá-la, para saber se ela estava bem. O que fez foi perguntar repetidamente para o garoto o que havia acontecido. Todos os detalhes. Quando não conseguiu, já era tarde demais para ir para a Seção Restrita. Todo o corpo docente já organizava a volta dos alunos para seus dormitórios, sem restrições.

Não conseguiu dormir aquela noite. A única coisa que conseguira pensar era nela, como ela estava, se ficaria bem, o que havia acontecido. Também se perguntou se ela ficara assim quando soube que ele estava internado. Não era um sentimento que desejava sentir.

No dia seguinte, saiu duas horas mais cedo do dormitório e foi para a enfermaria. Pomfrey estava acordada, juntamente com a Diretora McGonagall, fazendo alguns testes em Hermione. Vê-la daquele jeito o deixou paralisado por alguns segundos.

– Sr. Malfoy, você não deveria estar acordado nesse horário. – disse McGonagall confusa por um momento.

– Eu... eu precisava ver como ela estava. – ele disse por fim, reunindo um pouco da coragem que construía a cada dia. Encarou Madame Pomfrey em busca de ajuda. McGonagall apenas pareceu surpresa.

– Eu esperava uma ação dessas vinda do Sr. Potter e Sr. Weasley, Sr. Malfoy. Perdoe a minha surpresa.

Pomfrey apenas o encarou e, por fim, suspirou, pondo uma mão no ombro de Minerva para terminar logo aquela conversa.

– Vamos dar um tempo ao garoto, Minerva. Eu preciso te informar mais sobre o caso, de qualquer jeito. Cinco minutos, Sr. Malfoy, e nada demais.

Ele acenou rapidamente com a cabeça, e as duas o deixaram à sós com Hermione. Engoliu em seco quando finalmente se aproximou e a viu por inteiro, sem obstruções.

Ela estava absurdamente pálida e, quando se atreveu a tocar sua mão, também gelada. Aquilo o pegou de guarda baixa. Parecia haver algo travando a sua garganta, porque não conseguia mais engolir. Sabia que a qualquer momento poderia começar a chorar, mas respirou fundo para manter a compostura. Ninguém o deixaria aqui caso vissem que ele estava fora de controle. Ele precisava manter o controle. Por ele. Por ela.

Sentou-se na cadeira mais próxima, ainda segurando a mão dela. Seus olhos não desgrudavam mais do rosto de Hermione. Sua expressão era pacífica, como se estivesse dormindo, mas ela não respondia ao seu toque. Não se mexia, não procurava pelo calor do seu corpo. Horas atrás eles estavam deitados em uma maca não tão longe desta, e a memória o deixou com olhos marejados.

Ela precisava acordar.

Antes que pudesse se controlar, aproximou a mão dela dos seus lábios e a beijou. O gesto o pegou desprevenido, mas não fora mal recebido. Ele havia feito as pazes com seus sentimentos, agora já os conhecia demais e não mais os repreendia. Principalmente agora que ela estava tão longe.

Forçou-se a parar de pensar nisso. Ela iria acordar.

Precisava acordar.

Foi com as mãos dadas e olhos marejados que Minerva McGonagall o encontrou. Mais uma vez fora pega de surpresa com a intensidade do carinho que Malfoy sentia pela sua protegida. Havia ouvido os rumores, é claro, mas pensara ser mais uma mentira criada pelo corpo estudantil. E, quando dissera que os cinco minutos haviam se passado, ele não parecia capaz de tirar o olhar da grifinória, deixando apenas um "por favor" escapar por entre os lábios. Não fora capaz de separá-los – apenas pediu para que ele não faltasse as aulas.

Ele faltou e, dessa vez, ela não ficou surpresa.

X

Draco visitava a enfermaria todos os dias. A partir desse ponto, Madame Pomfrey e ele já poderiam se chamar pelo primeiro nome. A enfermeira praticamente lhe dera permissão de entrada permanente pela sua constância no lugar, que se tornara seu segundo dormitório. Perdera as contas de quantas vezes ela o pegara cochilando na cadeira ao lado da maca de Hermione, suas mãos segurando as dela com delicadeza.

Ele não mais se assustava em vê-la daquele jeito – ela sempre parecia estar dormindo. Não era tão assustador quanto no segundo ano, quando despistou Pomfrey para dar uma olhada na sangue ruim nojenta. As coisas eram tão simples naquela época. Monstros mitológicos escondidos em passagens secretas em um castelo antigo. Seu corpo não estava petrificado e ela respirava. Ela estava viva, só inconsciente, dissera Pomfrey no terceiro dia. E era ali que estava o perigo.

Afastou os pensamentos e se encaminhou para a enfermaria, pretendendo ver Hermione antes de ir para as aulas. Draco sabia que, uma hora ou outra, seus horários de visita iriam chocar, mas foi surpreendido quando encontrou Potter e Weasley fêmea no seu lugar de sempre.

O silêncio predominou por alguns segundos. Potter estava sentado na cadeira mais próxima de Hermione – a sua cadeira, a que ele praticamente dormia todas as noites antes de ser expulso por Madame Pince para ir jantar –, e a Weasley fêmea estava em pé do outro lado da maca, acariciando os cabelos de Hermione. Os dois pareciam em dúvida se reconheciam a sua presença ou se o ignoravam. Aquilo irritou Draco. Ele estivera ali, todos os vinte e cinco dias ao lado dela, esperando tanto quanto eles para que ela acordasse.

Ele não iria à lugar algum.

– Potter, Weasley. – ele disse brevemente antes de se aproximar da maca.

Os dois retribuíram o aceno, e a atmosfera do ambiente foi ficando cada vez mais desconfortável com o passar do tempo. Harry pigarreou antes de falar, o som estranho no meio de todo aquele silêncio.

– Madame Pomfrey já fez a checagem da manhã. Nada novo até agora.

Draco meneou com a cabeça. Aquilo já não era novidade. Todos os dias acordava com a esperança de que, ao ir para a enfermaria naquela manhã, iria encontra-la sentada na cama, atordoada e irritada por ter perdido tanto tempo de aula. Então iria calá-la com um abraço tão apertado quanto possível e respiraria seu cheiro diretamente na base do pescoço. Não iria se importar com quem estivesse ao redor e diria com todas as letras: "Eu senti a sua falta, Hermione".

Mas depois de vinte e cinco dias, ele acabara se acostumando com as notícias ruins. Logo na segunda semana, Pomfrey lhe contara todos os pormenores da situação de Granger. Ela havia ingerido de uma só vez toda a poção calmante que havia lhe fornecido para o caso de ter alguma crise, e, antes mesmo que a poção alcançasse a sua totalidade, batera a cabeça contra a mesa, fazendo com que seu cérebro não conseguisse processar tudo o que ocorrera; o trauma craniano, as substâncias calmantes da poção, a adrenalina liberada em seu sistema nos segundos antes da queda. Seu corpo entrou em colapso.

O que assustava aqueles que estavam cuidando da situação era a improbabilidade da queda. Uma série de complexos feitiços foram feitos no local, tentando analisar de diversos ângulos o que havia acontecido na Seção Restrita. O mais provável era que Hermione tivesse sido empurrada propositalmente contra a mesa – a coincidência de todos os três fatores acontecerem ao mesmo tempo era mínima e assustadora. Depois que fora provado que nenhum fator externo fora o causador da queda, tudo ficou ainda mais bizarro.

– É tudo muito estranho. – confessara Pomfrey em um sussurro. – Tomar toda aquela poção e então simplesmente bater com a cabeça numa mesa. É como se... É como se ela mesma tivesse se induzido ao coma.

Não havia como Malfoy descartar essa ideia. Ela arranhava as paredes de sua consciência, como se forçasse para fora da sua memória toda vez que pensava sobre o assunto, tentando mostrar para ele algo que lhe era impossível enxergar. Hermione estava sob intenso estresse, sem nenhum tipo de tratamento eficaz para o mal que lhe acometia. Nem ao menos confessar por completo ela conseguira. Era quando pensava nisso que a angústia em seu peito chegava a níveis insuportáveis. Ele poderia ter feito mais por ela. Ele poderia tê-la salvado.

Para piorar a situação, fisicamente Hermione já estava bem. A poção fora retirada do seu corpo logo nas primeiras horas, a perda de sangue fora controlada e a anemia combatida em poucos dias, e os exames em sua cabeça afirmavam que nada fora do normal estava acontecendo.

Mas Hermione Granger não acordava.

McGonagall já havia discutido a ideia de leva-la ao Saint Mungus, mas após a visita de alguns médicos do hospital, lhe foi dito que todo o possível já estava sendo feito ali, na enfermaria, e que tirá-la dali só a afastaria da presença dos poucos entes queridos que lhe restaram. Os pais sumiram na guerra e só tinha seus amigos. Como seu quadro mostrava que fisicamente tudo estava sob controle, talvez a voz e o contato com essas pessoas poderiam fazê-la acordar.

Mas já se passara vinte e cinco dias e Hermione Granger sequer movera os dedos dos pés.

É como se ela mesma tivesse se induzido ao coma.

Pare de pensar nisso.

– Eu não consigo entender. – disse Ginny em um fiapo de voz, os dedos se entrelaçando aos cabelos de Hermione. – Ela já está bem. Madame Pomfrey disse que está tudo bem, mas ela simplesmente não acorda. Eles sequer cogitaram dar a ela algum tipo de poção reanimadora?!

– Não seja estúpida, Weasley fêmea. – retrucou Malfoy com um suspiro cansado. – A gente não sabe o que está acontecendo com ela. Ela pode estar "bem", mas ela não acorda. Ou talvez nem queira acordar.

– Cala a boca. – rosnou a ruiva.

– Vocês poderiam parar com essa briga estúpida? – Harry finalizou com uma mistura de irritação e cansaço. – O que você quis dizer com isso, Malfoy?

– Eu acho que não é meu direito falar sobre isso.

– Não é como se Hermione estivesse aqui para se irritar, não é? – e logo que Harry disse isso, se arrependeu. Tornava a ausência da amiga ainda mais real e assustadora.

Draco respirou fundo. Não é como se soubesse muita coisa, mas ele sabia mais do que os dois, e nisso ganhou confiança. Hermione confiara a ele seus medos, e agora iria compartilhá-los. Mesmo que fosse com os melhores amigos dela, sentia como se a estivesse traindo.

Mas não como se ela estivesse ali para se irritar.

Por favor, acorda.

– Eu não sei muito sobre o que está acontecendo com ela, Potter. – começou Malfoy – Só fui percebendo que ela não era a Granger de antes. Entendo que a guerra deixou marcas em todos nós, e existia algo em Granger que a puxava para trás, que não a deixava melhorar. Então ela começou a falar sozinha e a se arranhar. E... – teve que morder a própria língua nesse momento. Não sabia se deveria contar sobre os surtos de legilimência. Só agora, em seu monólogo, ele percebeu a importância disso no caso de Hermione. Havia limites sobre o que poderia compartilhar com outras pessoas, e aquilo fora algo que Hermione mostrara apenas para ele. Iria discutir com Pomfrey, não com o cabeça rachada. Pigarreou antes de recomeçar, esperando que os dois não percebessem a pausa mais longa. – No dia em que ela foi liberada da enfermaria, ela me disse que tudo começou com uns pesadelos no início do ano envolvendo uma mulher. Eu acho que eles estão ligados com tudo o que está acontecendo.

– Ela deveria ter procurado um medibruxo assim que tudo começou. – disse Potter em um tom baixo e resignado.

– Você sabe como é Hermione.

– É, nós sabemos. – concluiu Ginny, sem conseguir esconder a raiva e o ciúmes da voz.

Foda-se você e seu ciúme, ruivinha, Draco pensou. Eu não vou à lugar algum.

X

Pomfrey retornou ao aposento minutos depois, expulsando-os logo em seguida por conta do início das aulas. Os três saíram juntos, desconfortáveis com a presença uns dos outros por estarem indo para a mesma aula. E no meio do caminho, encontraram Ron.

– Eu não acredito nisso. – o ruivo disse controlando a raiva.

Era como se a irmã e o melhor amigo o tivessem apunhalado pelas costas. Primeiro fora Hermione, que só poderia ter sido enfeitiçada para começar a andar com aquele traste. Não era possível que em sã consciência ela decidisse descarta-lo por causa de um Malfoy. O seu nome sozinho era um xingamento, e a própria existência um erro do universo. E então havia Pansy, o atormentando ao constantemente lembra-lo que, não, Hermione não havia sido enfeitiçado e que, sim, ela escolhera com livre arbítrio Malfoy à ele. Seu amigo, seu namorado, à um Comensal da Morte que não fez nada além de ficar em pé enquanto ela era torturada em sua frente. Um filho da puta covarde.

E agora Harry e Ginny, sua própria irmã, andavam lado a lado daquele bastado desgraçado.

Não havia contexto algum em que aquilo poderia estar correto.

– Ron, calma, nós só voltamos juntos da enfermaria-

– Primeiro a Hermione, e agora vocês! Até parece que vocês querem o mesmo destino dela!

– Ron! – exclamou Ginny.

Os quatro já haviam começado a atrair atenção de alguns alunos. Era algo que o corpo estudantil estava esperando – e muitos, desejando – que acontecesse. O quebrado trio de ouro confrontando Malfoy. Mas as coisas pareciam ter tomado um rumo diferente.

Draco fechou os punhos. Sentiu os tremores começarem na base da espinha, de forma muito mais estável e sutil que antes. Mas eles estavam lá. E ele não poderia admitir que aquele desgraçado em ruivo o fizesse se sentir daquele jeito novamente. Sentiu vontade de quebra-lo ao meio com suas próprias mãos, mas o outro era maior, mais pesado e mais forte, e uma briga seria o pior que poderia ocorrer para ambos os lados. Precisava ser racional e controlar aquela situação antes que ela ficasse fora de controle. E também havia a questão de que Hermione muito provavelmente iria odiar vê-los brigando. Aquilo o fez sorrir.

O que foi encarado como uma provocação da parte de Ron.

– Me diz, o que foi que você fez com ela? Porque só depois desse romancinho entre vocês dois, é que a Hermione ficou desse jeito! – vociferou o ruivo, aproximando-se ainda mais dos outros três. Harry tentou afastá-lo, mas aquilo parece incentivar o outro ainda mais. – A culpa é sua, Malfoy! Se ela tá presa naquela enfermaria, é culpa sua, seu Comensalzinho de merda! Você infectou Hermione com... eu não sei o que você fez, seu merda, mas eu sei que a culpa é toda sua!

Um, dois, três. Um, dois, três. Respire. Você consegue fazer isso.

– O que é? Não vai falar nada? Talvez porque você sabe que é o errado nessa porra toda! Seu covarde, a culpa é-

– A culpa não é minha, Weasley. Eu estive ao lado dela em todos os momentos em que ela precisava. – Harry precisou conter o amigo ainda mais depois disso. Draco percebeu a raiva brilhando de forma assassina no azul dos olhos do inimigo de infância. Mas ele não dava à mínima. Ele precisava que alguém dissesse a verdade para ele. – Eu a ouvi, eu a consolei, eu procurei saber o que estava acontecendo com ela. Enquanto todos vocês aqui fechavam os olhos. Principalmente, você, Weasley. Você tentou afastá-la de todo mundo com o seu ciúme ridículo e ego ferido. Você pode falar o que for sobre mim, mas não abra a boca pra dizer que a culpa é minha.

Aquilo pareceu ter agido como um balde de água fria no ruivo, ao mesmo tempo em que o enraivara ainda mais. Seu ódio por Malfoy parecia envolve-lo, e era tão forte que poderia ser palpável. Queria soca-lo até deformar aquele rosto pontudo e pálido, queria colorir de sangue o cabelo quase branco. Mas não queria admitir que suas palavras o cortaram mais fundo que imaginara.

– Sabe há quanto tempo Hermione está em coma? Vinte cinco dias. E em nenhum deles você teve a coragem de ir visita-la. Não fui eu quem dei as costas para Hermione. Não sou eu o covarde da história.

Aquela fora a gota d'água. Ele não iria deixar aquele sujeitinho se livrar-

Como se previsse o que estava prestes a acontecer, Ginny entrou em seu campo de visão com um olhar tão sério e assustador que conseguia se equiparar aos olhares de sua mãe quando estava irritada.

– Ronald Weasley, é melhor você parar antes que piore tudo.

Ele se desvencilhou do aperto de Harry, cuspiu no chão e foi para a direção contrária à sala de poções. Foda-se a aula. Estava cansado de encarar tantos sonserinos de uma vez. Que se fodessem todos eles.

X

– Pensando nos argumentos que poderia ter lançado mais cedo? – perguntou uma voz que se aproximava de suas costas.

– Ah, puta que pariu...

Ao que parecia, era pedir demais uma tarde livre de encontros com sonserinos cujo único objetivo era arruinar a sua vida. Depois de ter faltado a aula de poções, Ron decidiu que iria usar aquele tempo pra sentar em frente ao lado e tentar não amaldiçoar nenhuma pessoa com gravata verde no caminho. Mas obviamente Pansy Parkinson precisava jogar álcool em suas feridas recentes antes mesmo do sino de fim da aula tocar.

– Eu acho incrível o quanto você consegue se superar. – Pansy disse ao se sentar próxima a ele.

– O que você tá fazendo aqui?... O que?

– Ah, por favor, eu tive que andar tudo isso e ainda tenho que te atormentar de pé? Faça-me o favor! – Pansy agora observava as unhas das mãos, ignorando o olhar confuso e irritado da pessoa ao seu lado.

– Você nem precisava ter vindo aqui, sua maluca! – disse Ron, deitando-se na grama e fechando os olhos. Estava cansado pra caralho.

– E como é que eu poderia perder uma oportunidade fresquinha de te provocar?

Ele virou o rosto para encará-la e a encontrou com um sorriso no rosto. E teve que se controlar bastante para não ter que admitir para si mesmo que Parkinson era atraente. Não bonita, mas atraente.

– A única coisa que você pode fazer para me provocar agora é desabotoar os botões dessa sua camisa, docinho. – respondeu com um sorriso cínico.

Teve a resposta esperada. Parkinson o encarou com algo entre ultraje e divertimento, mas nada próximo ao constrangimento. Malditos sonserinos. A expressão foi aos poucos quebrando com um riso que durou alguns minutos. No final, fora ele quem acabou ficando envergonhado.

– Merlin, é assim que você tenta se aproximar das mulheres?! – questionou Pansy, limpando algumas lágrimas que escorriam de seus olhos.

– Ei, eu não estava tentando me aproximar de você! Eu só estava-

– Deve ter sido por isso que Granger escolheu Draco.

– Você adora falar isso. Você por um acaso já abriu as pernas para o Malfoy ou gosta de fazer propaganda de graça? – cobriu os olhos com o antebraço, preferindo não continuar encarando o rosto sorridente de Pansy Parkinson.

Quando menos esperava, sentiu a respiração quente dela em seu ouvido, e novamente forçou para longe dos seus pensamentos que, se ela continuasse daquele jeito, muito provavelmente ele ficaria duro por ela. E aquilo era inadmissível.

– Com ciúmes, Weasley? Mais uma garota que prefere o cara rico e bonito ao invés do-

– Ah, cala a boca. Malfoy é a porra de um comensal da morte. Um fracassado. Eu sou um herói de guerra. Percebe a diferença entre nós dois?

Sua voz não conseguia esconder sua indignação. E Pansy Parkinson sabia disso. Ela sempre parecia saber quais botões apertar para deixa-lo puto da vida. Às vezes ele a odiava mais do que a Malfoy.

Sonserinos desgraçados.

– E mesmo assim Granger ainda o preferiu a você. Isso deve significar alguma coisa.


N/A: Peço mil desculpas pela demora. Eu estava tão empolgada para escrever esse capítulo, mas tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo que acabei esquecendo o que fazer. Entrei de férias no começo de junho – e já volto às aulas agora em julho, maldita federal – e eu precisava escrever logo. A primeira parte do capítulo eu já tinha pronta desde dezembro, e o resto eu escrevi em dois dias. HAHAHAHAH Eu sou uma péssima escritora, desculpa.

Meus mais sinceros agradecimentos à hubermann, Re Malfoy, Ane Whitlock Malfoy e ao reviewer anônimo que apareceu no meu tumblr pedindo a atualização do capítulo. Espero que gostem desse capítulo.

Espero que o próximo não demore tanto. Não irei prometer nada, porque esse semestre peguei seis matérias bem pesadinhas, e preciso dar atenção à elas e viver também. Mas acho que viver é superestimado, né?

Revisem o capítulo (tipo, revisem mesmo, vocês não sabem o quanto isso motiva essa pessoinha aqui a escrever), comentem o que gostaram (e o que não gostaram também), mostrem para os amigos, espalhem o amor por esse ship maravilhoso, façam uma ficwriter feliz. E até o próximo.

Publicado em: 14/06/2016.