Nota: Eu quero começar essa nota inicial pedindo desculpas pela puta demora que tive pra atualizar essa fanfic. Eu queria ter publicado esse capítulo no dia em que a fic completo motherfuckin' seis anos, mas eu só comecei a escrever o capítulo dia 28/11. Shame on me. A minha vida deu uma estabilizada, mas continua meio louca – só ano passado tive TRÊS SEMESTRES na faculdade, e esse ano tá sendo a mesma coisa porque ainda tô em 2016.2, isso não é possível –, então o tempo pra atualizar tá sendo mínimo. Desculpem mesmo. De qualquer jeito, a fanfic tá chegando perto do final.
Mas tem a continuação pra vocês continuarem sofrendo...
E FELIZ ANO NOVO PRA TODO MUNDO!
O capítulo não foi betado, como todos os outros, mas vamos vivendo e seguindo a canção, né. Vejo vocês nas notas finais.
013
darling, you never did nothing
i gotta think
those days are coming to get you
nobody wanna protect you
they only wanna forget you
The Weight of Love, The Black Keys.
Ela não sabia há quanto tempo estava ali. Ou quando foi que teve consciência de estar ali.
Era a mesma sala dos outros sonhos. Branca, fria, com o único espelho presente para confrontar além da sua própria presença, nua e exposta. Sentia o frio penetrar seus ossos e vergonha de encarar seu próprio reflexo – apesar de que o fazia de vez em quando, porque era a única coisa que poderia fazer numa sala desprovida de distrações. Estava sozinha como nunca antes havia estado, onde a única coisa que poderia fazer para evitar a insanidade seria pensar.
E se tinha uma coisa que Hermione não queria fazer naquele momento seria pensar. A linha entre pensar e recordar era tênue demais, e ela não podia se dar ao luxo de lembrar de nada.
– Você se lembra como chegou aqui?
A voz tão igual à sua a pegou desprevenida. De um jeito ou de outro, Hermione sabia que Helena apareceria em algum momento, apesar desta ter demorado mais do que o esperado. Mas então Hermione se lembrou de que não sabia precisamente há quanto tempo estava ali.
Tirar a noção de tempo de uma pessoa é um dos primeiros caminhos para enlouquece-la. Retirar totalmente a noção de realidade de alguém pode tornar rapidamente um são em um paranoico conspiracionista.
– Qual foi o último momento que você se lembra fora dessa sala, Hermione?
De forma inconsciente, Hermione havia bloqueado suas lembranças e demorou um pouco até que pudesse acessá-las. E quando o fez, foi como se alguém tivesse quebrado algo dentro de si e uma enchente de pensamentos a inundou.
... Você está tomando a direção errada...
... Precisa encarar o espelho...
... Desista...
... Você precisa lembrar...
Colocou as mãos na própria cabeça, como se nesse gesto fosse capaz de silenciar as vozes e sensações que vinham como ondas cada vez mais altas e fortes. A lembrança de seu último momento acordada lhe roubou a respiração, e por mais tempo que conseguia contar – afinal, ela estava numa porra de local onde não havia nenhuma maneira de contar o tempo – sentira um peso insuportável no peito. Fechou os olhos. Estava cansada de tudo aquilo.
– Pare agora mesmo de fazer isso, Hermione. É por causa desse comportamento que você nos colocou nessa situação. Forçar as lembranças para dentro não irá ajudar em absolutamente nada.
A voz de Helena era calma demais para a compreensão de Hermione. Ela estava lá, estirada no chão, nua como no dia do seu nascimento, fazendo um esforço absurdo para conseguir respirar novamente. Ela não conseguia compreender como ainda não havia perdido a consciência daquela maneira. A única coisa que lhe restava fazer era arranhar o próprio pescoço em busca do ar que nunca vinha.
Longe de tudo aquilo, ela sentiu quando Helena se ajoelhou ao seu lado e a forçou a encarar seus olhos, ao mesmo tempo tão iguais e tão diferentes dos seus, e lhe dizia palavras que não conseguia entender. Ela só queria ir embora daquele lugar. Por favor, ela só queria uma vida normal.
E uma vida normal era algo que ela nunca iria ter. Pobrezinha da estúpida Hermione Granger, bruxa demais para os trouxas, trouxa demais para os bruxos. Tanto esforço e dedicação para cobrir o fato de não pertencer à lugar algum. Ou você achou mesmo que vencer uma guerra lhe faria pertencer à um mundo em que você não faz parte, nunca fez e nunca fará?
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– POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO?!
– Isso é você, Hermione, e apenas você! – respondeu Helena, com um quê de desespero em sua voz. Era real e humana e convincente demais. Hermione se forçou a abrir os olhos, e quando o fez, viu a mulher coberta de sangue, a pele descamando em carne viva em diversos locais, com a boca aberta soltando um rosnado animalesco. A besta fera havia voltado.
Hermione gritou e nisso conseguiu puxar o ar que tanto precisava para os seus pulmões. Empurrou as mãos de Helena para longe, arrastando-se para um dos cantos da sala. Piscou os olhos, enxugando as lágrimas nos cantos. A visão de Helena à sua frente parecia mais com um holograma do que qualquer outra coisa. Em momentos, ela era apática gentil do início, para então se transformar na visão sangrenta em um piscar de olhos, e então ficar flutuando entre as duas personalidades tão distintas. Não sabia mais o que era real ou não. A verdade era algo completamente não confiável dentro da sua mente.
– Isso não irá parar até você entender que precisa encarar o espelho. – a apática gentil havia voltado e tentava se aproximar. Hermione se encolheu instintivamente.
– Eu já encarei esse maldito espelho diversas vezes, Helena, mas tudo o que ele me mostra é o quão exposta eu estou!
– Ótimo! Isso é um ótimo começo! Admita e reconheça você mesma!
Isso fez com que Hermione a encarasse. A aparência dela começava a mudar em sua frente. Os cabelos estavam desgrenhados e cobertos de pó, com alguns fios grudados no suor de seu pescoço e testa. As roupas, uma calça jeans puída e rasgada e uma blusa suja de sangue e poeira, apareciam magicamente em seu corpo. Isso não deveria surpreendê-la, mas surpreendeu. A magia nunca havia deixado de surpreendê-la.
Não havia mais Helena em sua frente. Não havia mais o monstro que a assustou ou a criatura raivosa e vingativa que a infernizou, forçando-a a ver as memórias mais devastadoras daqueles que amava e sussurrando em seu ouvido todas as coisas horríveis que colocara tão fundo de sua mente. Suas barreiras haviam sido lentamente minadas até não mais restar lugar para esconder todos os seus medos, toda a sua dor, toda a sua raiva, que foram constantemente soterrados para não dar lugar a qualquer coisa remotamente próxima à fraqueza. Ela tinha que ser forte em todos os momentos, criando mecanismos para tal. E agora não havia sobrado mais nenhum subterfúgio para esconder a verdade que demorara demais de aparecer. De um jeito ou de outro, ela a descobriria.
Em sua frente, Hermione Granger, em toda sua glória e ruína, a encarava com olhos cheios de um remorso sem culpa. A ironia de se arrepender dos seus atos, mas não o fazendo por saber que tudo fora realizado para o bem maior. No final do dia, quando seus mortos já foram enterrados e a culpa é a única coisa que lhe mantêm viva, você se pergunta: valera a pena?
Hermione não percebeu que estava chorando até passar as mãos no rosto. Doía demais.
Helena – não, Hermione – lhe ofereceu a mão esquerda repleta de arranhões e sangue seco no gesto universal de ajuda. Hermione temerosamente aceitou, deixando-se ser guiada até o espelho. Ao seu lado, a imagem que ela mesma criou e nomeou se desfez aos poucos com seriedade e algo de pesar. Encarando-a de volta do outro lado do espelho, não havia mais ninguém além dela mesma e suas próprias contradições. E como se soubesse desde sempre exatamente o que deveria fazer – como se soubesse que o espelho era sua única saída daquele inferno pessoal –, ela o atravessou.
X
Estava sozinha na biblioteca. Isso não era nenhuma novidade.
Seus pais já haviam avisado à direção do colégio que iriam se atrasar para buscar Hermione. Quando informada, preferiu esperar no único lugar em que se sentia confortável naquela escola, e, considerando o horário, não encontraria nem mesmo as crianças mais velhas que estudavam no período da tarde.
Ela aprendeu a gostar de sua própria companhia.
(foi forçada a isso)
Não era que seus colegas de turma não gostassem dela, eles só... não a entendiam. Às vezes alguém exclamava "lá vai a sabe tudo da Granger de novo" ou "puxa saco do professor" quando este fazia alguma pergunta e ela era a única que prontamente levantava o braço para responder. "Ela gosta de ficar se aparecendo e mostrar que sabe mais que todo mundo, aquela imbecil", foi o que ela ouviu na primeira semana de aula, quando passava por um grupinho da sua sala.
Ela apenas abaixou a cabeça e seguiu em frente. Crianças são cruéis, foi o que sua mãe dissera para ela.
Os meninos costumavam ser piores. As meninas da sua sala focavam sempre em sua inteligência, mas os meninos adoravam comentar o quanto ela era feia e estranha, como seus dentes eram horríveis para uma filha de dentistas e seu cabelo era a coisa mais hedionda e engraçada nos corredores daquela escola.
Você é uma piada pronta.
Crianças são cruéis, meu bem. Elas não sabem o quanto palavras podem machucar os outros.
Hermione sabia bem que eles tinham noção do quanto doía. E eles não ligavam. E nisso residia toda a crueldade.
Você precisa esquecer isso, Hermione.
Afastou os pensamentos da cabeça e pegou um livro assim que entrou na biblioteca. Falava sobre origem dos nomes, uma leitura rápida para esperar os seus pais. Sabia que não encontraria seu nome nas páginas do livro – ele não era exatamente popular, e sabia disso pelo tanto de vezes que precisava repeti-lo para que as pessoas pronunciassem corretamente. Se quisesse acha-lo, teria que ir para a sessão de mitologia grega, e com muito esforço veria uma menção à Hermione, filha de Menelau e Helena de Tróia.
Helena. Eis um nome que Hermione achava bastante bonito. Saía suava por entre os lábios, de forma quase cantada. Procurou o significado do nome; aquela que reluz, filha do raio de sol. Era um significado bonito, ela ponderou. Não era como se ela não gostasse do seu próprio nome. Hermione era bonito também. Eloquência em grego; aquilo lhe caía como uma luva. Mas às vezes, só às vezes, admitia para si mesma que seria bom ser reconhecida e prestigiada por seus colegas, ao invés de ostracizada.
A secretária do diretor chegou e avisou que seus pais haviam chegado e estavam ao seu aguardo. Fechou o livro e enterrou o pensamento no fundo da mente.
X
23 DE NOVEMBRO DE 1998
Uma nova semana de aulas havia começado, e a primeira coisa que ele iria fazer antes mesmo de tomar o café da manhã seria subir mais alguns degraus até o primeiro andar em direção à enfermaria. Suas pernas já o levavam automaticamente ao local onde Hermione já estava há 34 dias desacordada.
Nada havia mudado em seu estado. Pomfrey e McGonagall discutiram novamente sobre movê-la para St. Mungus, uma discussão que ele interrompeu quando fora visitar Granger no seu vigésimo nono dia em coma.
Coma. Eis uma palavra que dói ser pronunciada.
– Poppy, você precisa entender. A probabilidade de conseguirmos retirar Hermione do St. Mungus é minúscula caso a deixemos ir para lá desse jeito. Eles nem mesmo sabem onde a colocariam, se seria na ala psiquiátrica ou de acidentes mágicos! E mesmo Hermione já tendo alcançado a maioridade, eu me responsabilizo por ela desde a perda da memória dos pais. Não posso permitir que ela seja sugada por aqueles corredores. Você sabe que os poucos que entram dificilmente saem! – dissera McGonagall no final de uma discussão aparentemente acalorada. Sua voz estava cansada e havia um tom de finalidade em suas palavras.
– Mas não existe mais nada que eu possa fazer por ela, Minerva! Ela simplesmente não acorda! E todas as circunstâncias envolvendo o que aconteceu com ela... algo não está certo! – já com Pomfrey, dava pra sentir o desespero da impotência por trás da sua voz. E foi pensando nisso que Malfoy acabou revelando a sua presença na ala hospitalar, quando esbarrou sem querer em uma das cortinas que o escondia do olhar das duas mulheres.
– Sr. Malfoy! Saiba que é estritamente proibido ouvir escondido a conversa dos funcionários deste castelo! 20 pontos da Sonserina! – disse McGonagall exaltadamente.
– Eu sinto muito, diretora, não fora a minha intenção. Mas eu acho que posso ajudar Herm-Granger de alguma forma. – Draco dissera testando as águas. O olhar que recebeu de volta era mais do que a resposta necessária para continuar falando. Fechou os olhos, respirou fundo e encarou as duas mulheres à sua frente. – Granger me confessou que tudo isso começou com um sonho, um pesadelo, que ela teve quando veio para Hogwarts este ano-
– Um momento, Sr. Malfoy, o senhor precisa ser mais claro: explique o que você quis dizer com "tudo isso". – interrompeu Madame Pomfrey.
E então ele contou tudo o que conseguira lembrar. Da dispersão, do medo no olhar dela, em como ela tivera acesso à suas lembranças apenas tocando sua pele – algo que fez a diretora arregalar os olhos e encará-lo pensativamente –, de como ela muitas vezes parecia estar falando sozinha ou com outro alguém não presente. Era perceptível que McGonagall tentava conter a sua surpresa e crescente preocupação o máximo que podia. Mas todas essas novas informações aumentavam ainda mais o seu desespero.
A situação de Hermione era muito pior do que havia imaginado.
– Nesse sonho, ela me disse que havia uma mulher, mas não foi mais além do que isso. Tudo o que falei foi por mera observação, porque Granger não comentava nada com ninguém, nem mesmo com Potter. – finalizou Draco.
– E mesmo assim, ela dividiu este pouco com você. – murmurou Minerva, refletindo.
Isso fez com que um leve rubor tomasse as bochechas dele. Saber que Hermione confiava nele era uma das coisas que fazia valer à pena viver.
A lembrança da discussão com as duas mulheres há cinco dias atrás se desfez quando segurou a mão de Hermione e a apertou, focando-se na maciez de sua pele do que na sua não resposta. Nesses momentos era impossível não lembrar dela dormindo em seu abraço, procurando sentir seu cheiro como se isso lhe trouxesse algum conforto. Ele não tinha como saber. Fora tudo tão novo e estranho e bom, e acontecera tantas coisas no meio do caminho. E seus sentimentos por ela eram tão confusos que só percebeu de forma cristalina o que vinha sentindo quando ela já tinha suas raízes fincadas em seu peito.
– Você precisa acordar. – ele começou.
Ela não se movera. Draco não esperava que o fizesse, mas no dia que desistisse de tentar ele estaria arruinado.
– Eu estou falando sério, Granger. A gente tá ficando sem saber o que fazer pra te deixar aqui. St. Mungus aliviou o seu lado, mas vai chegar o momento em que o colégio não mais poderá abrigar uma garota em coma. E então você vai sair por aquelas portas e talvez a gente nunca mais se veja. E eu nunca imaginei um futuro onde Draco Malfoy e Hermione Granger estivessem lado a lado, mas a perspectiva de viver em um mundo onde você está definhando numa ala qualquer do St. Mungus, privada de usar sua mente brilhante, é dolorosa, Granger. O mundo é um lugar podre demais pra você, mas... saiba que o que quer que esteja te mantendo presa aí dentro não é mais forte que você. E você precisa acordar logo, porque o mundo fica ainda pior sem você por perto.
Ele não sabia de onde tudo aquilo tinha vindo. Soltou o ar que não percebeu estar preso nos pulmões. As palavras soavam estranhas ao sair de sua boca, mas elas não deixavam de ser verdadeiras. Às vezes ele esquecia a dimensão do que sentia por ela. De gratidão a coisas maiores que ele ainda tinha vergonha de admitir em voz alta.
Apertou suavemente a mão dela, rezando para qualquer deus que o estivesse ouvindo, que ela acordasse logo. O mundo já passara por merda demais para perder Hermione Granger à essa altura da história.
Esperou por um sinal. Qualquer coisa. Um piscar de olhos, um movimento no dedo mindinho. Qualquer coisa que mostrasse que ela ainda estava ali, que havia esperança.
Ela permaneceu imóvel enquanto Draco dava as costas e ia para a sua aula.
X
Em um instante, sua varinha estava apontada para o peito dele e, antes mesmo que sequer cogitasse, o jato de luz verde o acertou em cheio.
No seu olhar havia o fantasma da surpresa de ter sido acertado por um feitiço como aquele vindo de uma pessoa como ela. A guerra não era justa, todos sabiam, mas era conhecimento comum que os membros da Ordem da Fênix se recusavam a matar até ela ser a única opção possível. "Nós não somos assassinos" e coisas do tipo. Era uma piada contada por comensais entre um firewhiskey e outro.
Mas lá estava ela, a grandiosa sangue ruim amiga de Harry Potter, lançando um Avada Kedavra sem pestanejar. Como se fosse natural como respirar.
Aconteceu depois de ter visto Jeremy e Claire serem levados pelos sequestradores. Ela dormira por dois dias inteiros, o que deixou Harry e Ron à flor da pele de preocupação, mas não se sentia nem um pouco descansada. Acordou tensa, com o corpo dolorido, e com vontade de vomitar aquilo que não tinha no estômago. A barraca estava apertada demais e o peso daquela guerra a sufocava pouco a pouco.
Uma coisa era saber que coisas como aquela ocorriam no mundo, e numa frequência assustadora. Outra coisa bem diferente é ver acontecendo em sua frente e você não poder fazer absolutamente nada para ajudar. Só sentar, observar e rezar para que acabasse logo, enquanto sabia que uma parte sua ia se quebrando, ao mesmo tempo em que a impotência corroía seus ossos e crença de que existe bondade no ser humano.
Ela tentou ser o mais breve possível ao contar o que acontecera naquela noite. Ron estava agitado e a interrompia à todo instante – você deixou que eles te vissem?! Você é burra ou o que, Hermione?! Você percebe que colocou todos nós, tudo, em risco?! –, e Harry tentava ao máximo compreender o seu lado e retirar a horcrux do pescoço do amigo sem causar uma briga ainda maior. Hermione encolheu na cama, pressionando as mãos contra os olhos numa tentativa falha para não chorar. Ela estava exausta e com medo, e nada do que estavam fazendo dava certo. Pessoas estavam morrendo por conta do seu fracasso. Era algo pesado demais para uma menina de 18 anos aguentar.
Ela havia exposto coisas demais. Só naquele encontro já podia-se imaginar que o trio se refugiava em partes distantes do Reino Unido, o que eliminaria todas as falsas denúncias do Escolhido e companhia aparecendo no Beco Diagonal durante as madrugadas, e que os três estavam sozinhos, ou apenas ela sozinha. Quanto menos soubermos melhor, Claire. Ele já sabia, e isso fora o que condenou a todos. Ela os condenou.
Parabéns, Hermione.
Em meio à raiva voltada para si mesma, tentava se manter calma ao analisar a situação – talvez Jeremy tivesse atacado os sequestradores e resistido a tal ponto porque sabia que enlouquecer seria a única forma que ele encontrou para não divulgar o mínimo de informações que conseguiu naquele encontro, ou talvez ele ainda assim tivesse deixado escapar algo em meio à dor –, mas de todas as formas analisadas, a resposta era única e clara: eles já deviam ter saído dali. No mesmo momento em que os sequestradores desaparataram com aqueles bruxos, ela devia ter voltado, alertado os amigos, guardado todas as coisas enquanto procurava um novo lugar para eles se refugiarem. Mas ela escolheu o momento perfeito para entrar em choque.
(Você está numa maldita guerra. Pessoas morrem todos os dias, Hermione. Lide com isso ou você vai acabar morrendo também. Ou pior, ver todos aqueles que você ama morrerem enquanto é torturada ao ponto de pensar que não existe mais sentido entre permanecer viva ou morrer de uma vez.
Ou você acha que só por ter apagado a memória dos seus paizinhos significa que eles estão salvos? Eles vão acha-los e mata-los na sua frente caso você aja de forma estúpida de novo, seu projeto imbecil de bruxa.)
Pare de pensar nisso.
Você precisa esquecer isso.
Você precisa apagar isso.
Sim, você precisa.
Quando finalmente se recompôs, Harry e Ron continuavam discutindo quando ela pôs um basta e disse em tom firme e frio que eles precisavam sair dali naquele exato instante. Conseguiram desarmar a barraca e armazenar tudo em menos de vinte minutos. Estavam se desfazendo de alguns feitiços de proteção quando um deles apareceu. Continuava com os mesmos trajes puídos e escuros do outro dia. Um pouco trôpego e com um sorriso bêbado nos lábios, ele estava a vários passos de distância, mas o cheiro de álcool parecia emanar dele mesmo assim.
Ela o reconheceu imediatamente. Fora o primeiro a lançar o crucio em Jeremy.
Ron quem acabara atraindo a atenção dele para os três. Ele parecia estar apenas averiguando a área, mas Hermione viu o exato momento em que seus olhos brilharam ao reconhecer a cicatriz na testa de Harry.
E dessa vez ela iria agir rápido. Sem mais acidentes no meio do caminho.
No momento em que o bruxo abriu a boca – talvez para gritar e chamar os outros, ela nunca iria saber – ergueu a varinha e nem mesmo precisou vocalizar o feitiço para que ele saísse poderoso e mortal. Sua respiração continuava normal quando deu as costas para o corpo ainda quente do sequestrador e segurou as mãos de Harry e Ron, atônitos, enquanto os aparatava até um lugar de sua infância. Talvez aquilo lhe trouxesse conforto.
– Eu precisei fazer aquilo. – foi tudo o que ela disse quando colocaram os pés no chão. Não havia traço de remorso em sua voz, só um pesar encoberto por uma estranha e assustadora determinação. Nem Harry e nem Ron lhe responderam.
O peso no peito que sentia no momento era o mesmo de todas as vezes em que carregava o medalhão de Tom Riddle. Por um segundo, pensou em pôr a culpa nele, mas a horcrux brilhava fria e zombeteira no pescoço de Harry, como se esse fosse seu modo de sorrir de sua desgraça.
Não havia desculpas ou culpados para o que havia cometido. Fora apenas ela.
– Você está em uma guerra, você não precisa de desculpas. – repetira para si mesma o resto do tempo enquanto montavam novamente a barraca. – Valerá a pena no final.
Estes se tornaram o seu mantra até o final da guerra.
X
Ele estava fugindo dela como o diabo foge da cruz. Ou seja lá qual for o ditado.
Ron havia sonhado com ela no dia anterior, e o conteúdo do sonho o deixou extremamente perturbado.
Pansy Parkinson prensada contra a parede. Pansy Parkinson arranhando a base do seu pescoço. Pansy Parkinson mordendo seu lábio inferior antes de unir a língua na sua. Pansy Parkinson erguendo a perna até a sua cintura e encaixando seus quadris. Pansy Parkinson gemendo sacanagens no seu ouvido.
Pansy, Pansy, Pansy.
Isso o fez acordar com raiva e pau duro. E por um momento ele pensou em cuidar do problema, mas de alguma forma sabia – sentia – que ela também apareceria na sua mente nesse momento.
Parecia que a bruxa o havia envenenado, mas lembrou que seria muito difícil para ela criar algo do tipo; primeiro aque ela não era nenhuma Hermione Granger, e segundo que seria extremamente difícil para ela encontrar material genético dele. Afinal, eles nunca se tocaram.
Argh, lá vem os pensamentos de novo.
Respirou fundo e buscou de todas as maneiras esquecer que algum dia sonhou ter as mãos deslizando para baixo da saia daquela Sonserina desgraçada e ficando feliz de vê-la com uma lingerie rendada vermelha, e de como foi fácil coloca-la para o lado e sentir o quanto ela estava molhada só com algumas provocações e-
CARALHO, PARA DE PENSAR NISSO.
Era isso. Ele estava envenenado. Talvez ela tivesse pego algum fio de cabelo seu no chão da aula de poções. Era isso. Só podia ser isso.
Ao mesmo tempo em que considerava a teoria, imaginava-a agachada embaixo da sua mesa, procurando um fio ruivo perdido-
Rosnou de leve e procurou disfarçar a ereção. Às vezes ele odiava o quanto seu pau respondia rápido à estímulos visuais.
Parou no meio do caminho para sua aula de História da Magia para respirar ainda mais fundo. Sabia que aquilo não adiantaria em nada, mas ele gostava de fazê-lo mesmo assim. Fazia com que ele parecesse estar pensando numa decisão muito difícil e importante, quando na verdade ele só queria fazer seu pau amolecer.
Para ajudar, pensou nos próprios pais transando. Pra ter tantos filhos eles precisaram transar pra caral-
– Pensando na vida, Weasley?
Como se mandada pela entidade mais maligna ainda não documentada neste universo, lá estava Pansy Parkinson naquela maldita manhã amaldiçoada, em carne e osso, alguns minutos após ser imaginada de quatro na sala de Poções.
– Olha, Parkinson, hoje eu não tô pra joguinhos e a última coisa que eu quero nesse dia é olhar pra sua cara.
Mas ele ainda assim o fez, e se estivesse esperando um resquício de mágoa em sua feição, estaria bastante decepcionado. Ela só o olhava com divertimento e um leve desdém.
– E quem disse que eu ligo para o que você pensa, hein Weasley? Eu não sou sua amiguinha.
Precisou respirar fundo pra não acabar gritando na cara dela o quanto a odiava, o quanto a desprezava, o quanto ele queria que ela fosse embora e nunca mais voltasse. Teve que controlar tudo isso porque tinha medo que, em algum momento, acabasse confessando que faltava bem pouco para ele não acabar batendo uma pra ela e suas calcinhas rendadas imaginárias.
Ela nem deu tempo para que ele pudesse terminar de processar tudo.
– Falando em amiguinha, como vai Granger?
– Talvez você devesse perguntar ao Malfoy, não à mim.
– Mas eu estou perguntando pra você. Você não era amigo dela? – talvez estivesse enganado, mas havia um traço de dúvida genuína em sua voz.
Sua resposta foi apenas silêncio. A verdade é que não sabia o que responder. Pelo canto do olho viu-a abrindo a boca de surpresa, para logo dar um sorriso que era uma mistura de surpresa e ironia.
– Você é mesmo patético, Weasley. – ela disse por fim.
Isso fez com que ele a olhasse de novo. Ele ainda não havia criado um escudo para ela, para o quanto ela o colocava para baixo e jogava álcool em suas feridas, então cada palavra continuava o enraivando como nunca. E patético era uma das palavras que mais o perseguia.
Ele havia conquistado seu nome e seu mérito, mas às vezes ele continuava se sentindo como a sombra ruiva do grande Harry Potter.
Patético.
– Eu sinceramente não vou ficar parado ouvindo você falar-
– É sério que você ainda não foi visita-la? Alguém que já foi sua melhor amiga? – ela perguntou, e dessa vez o choque que sentia estava muito aparente.
– O que Hermione e eu somos não é sua conta, sua Sonserina ridícula-
– Há, e lá vem você me diminuir pelo que você acha que a minha casa é. Veja bem, Weasley, você abre tanto a sua boca pra falar que a Sonserina nunca irá conhecer os conceitos de nobreza e amizade como a Grifinória, mas nós, sonserinos, somos os únicos que conhecem o que é a verdadeira lealdade. Nós não largamos os nossos sozinhos em momentos de dificuldade. Talvez isso seja algo que vocês nunca irão conhecer.
Todo o discurso foi carregado de uma raiva contida, onde a linha entre a amizade dele com Hermione e a visão que as pessoas tinham da casa verde e prata se misturavam. E, mais uma vez, Ron não tinha resposta para ela.
E não foi preciso dá-la, porque Pansy já se encaminhava para a aula que ambos teriam naquele horário.
– Se eu precisava de uma razão concreta pra entender o porquê Granger preferiu a companhia de um sonserino ostracizado e desprezado ao de um "grifinório herói de guerra", eu não preciso mais. A verdade é que você é um péssimo amigo, Ron.
No meio de todas aquelas palavras, talvez ele não tivesse entendido que aquela era a primeira vez que ela dizia o seu primeiro nome; mas Pansy percebeu, e precisou morder a língua para lembrar a si mesma de nunca mais repetir isso.
X
Próximo ao local de onde estava deitada, ele desviava de seu olhar.
Ela não sabia o porquê focar em sua presença, mas era a única coisa que conseguia se agarrar à medida em que sentia a loucura corrompendo sua sanidade. Os amigos estavam longe demais, seus ideais escorregavam por entre seus dedos e a figura de Draco Malfoy, o ponto pálido mais próximo no meio da escuridão daquela mansão, era a única coisa que conseguia focar entre gritos de desespero e mentiras arfantes. E ela se perguntava o porquê.
Ele se recusou a tortura-la.
Ah, era isso.
Em algum ponto, Bellatrix o pediu para tortura-la com ela – você precisa treinar, Draco, o seu crucio é fraco demais, aquela outrazinha ainda conseguia andar mesmo depois de você lança-lo cinco vezes –, o que ele recusou com um menear fraco de cabeça.
Conseguiu se lembrar disso porque Bellatrix a atacou com muito mais raiva do que antes. Logo depois, ela decidiu marca-la.
... traga a minha adaga pois vamos mostrar como nossa família trata esse tipo de porquinha imunda...
Seu corpo doía. Sua mente doía. Cada partícula que constituía Hermione Granger naquele momento se contorcia de dor. E havia momentos não tão distintos onde ela conseguia pensar. E era como se ela estivesse flutuando num mar em chamas, onde o sistema nervoso entrou em choque e lhe capacitou segundos para pensar com clareza no meio do fogo e do sofrimento. E de repente parava, como se o peso da realidade e término do feitiço a lançassem para o fundo do mar, onde uma nova forma de dor a esperava.
A de abrir os olhos e ver que nada mudara.
E que o ponto pálido e trêmulo no lado esquerdo do seu campo de visão desviava do seu olhar não focado.
Respirou fundo, o ar queimando enquanto passava sofregamente por suas vias aéreas. Forçou-se a lembrar do porquê estava ali, quem eram as pessoas que amava e daria a vida protegendo, o porquê de ela não poder finalmente responder todas as verdades que não poderia contar para a bruxa louca de cabelos negros.
Ela sentia o seu ponto de ruptura – este que já estava tão, tão mais próximo do que havia imaginado – cada vez mais perto, e foi quando pensava na própria não lucidez e desesperança que ouviu gritos ao fundo, e braços rodeando seu corpo, e o ponto pálido do antigo inimigo se encolhendo no canto, cheio de medos e incertezas.
Eu te entendo, ela comentou em algum canto obscuro de sua mente, eu te entendo completamente.
X
27 DE NOVEMBRO DE 1998
27 de novembro de 1998. Eis um dia para marcar no calendário.
Draco estava tão feliz e nervoso que começara a suar frio à medida que se aproximava da enfermaria.
Hermione havia acordado. Depois de 38 dias em coma, ela finalmente havia acordado.
Em algum lugar, alguma divindade esquecida havia ouvido os seus pedidos e trazido ela de volta para realidade. Para ele.
Não conseguia conter o sorriso e a vontade de abraça-la. Parecia que uma vida inteira havia sido vivida desde a última vez em que ele a teve nos braços. Eles praticamente formigavam de saudade do contato físico e do toque de Hermione. Merlin, que ninguém nunca lesse os seus pensamentos, mas tudo o que ele mais queria agora era ouvir a voz de Hermione Granger.
Seus pensamentos estavam recheados de dúvida e excitação. Como ela estaria? Havia ficado alguma sequela? Ela iria querer vê-lo?
Draco finalmente parou em frente à porta da enfermaria e não pensou duas vezes antes de abri-la. E o que encontrou foi o que menos queria – e esperava.
McGonagall e Madame Pomfrey estavam ao lado da cama de Hermione. Potter, Weasley e Weasley fêmea haviam chegado primeiro. Potter tinha os cabelos desgrenhados, com os fios apontando para todos os cantos, e um sorriso gigantesco nos lábios enquanto falava sobre coisas que não interessam à mínima para Malfoy. Weasley fêmea estava sentada na cama aos pés de Hermione, sorrindo e fazendo comentários pertinentes sempre que Potter dava uma pausa. O imbecil do Weasley estava apoiado na maca ao lado, braços cruzados e expressão desconcertada. E por fim, lá estava Hermione.
Ela fora a primeira a perceber sua presença. Ele arfava após correr pelo castelo para encontrá-la, mas todos os presentes pareciam estar felizes demais em ignorar o visitante indesejado. E tudo aquilo que esperara e planejara para o reencontro – o beijo em sua testa, o sorriso gentil que ela lhe daria, o abraço apertado que tanto almejara dar durante todo esse tempo – veio à baixo quando seus olhos finalmente encontraram com os dela. E de todas as emoções que esperava encontrar ali, indiferença era uma das últimas.
– Sr. Malfoy, vejo que recebeu o meu recado. – disse McGonagall para quebrar o silêncio.
Weasley riu pelo nariz, abaixando a cabeça para esconder qualquer que fosse a expressão que aquele tipo de imbecil poderia fazer. Respirou fundo, ainda não conseguindo desviar os olhos de Hermione.
– Sim, vim o mais rápido que pude. – foi tudo o que conseguiu responder.
Sentiu o peso no peito aumentar. Hermione também não desviara o olhar do seu, e mais uma vez Draco buscou divindades desconhecidas para que acontecesse alguma coisa, qualquer coisa, só não o deixasse enfrentar a indiferença nos olhos de alguém que passara a amar.
– Você acordou. – ele disse por fim, aproximando-se de forma cautelosa. Ela não se moveu nem mesmo um centímetro.
– Já estava na hora. – Hermione respondeu, e ouvir a voz dela depois de tanto tempo acordou algo dentro dele, e mais do que nunca Draco sentiu vontade de puxá-la pelo braço e abraça-la até o fim dos tempos, mas ao mesmo tempo o tom apático era um balde de água fria na sua felicidade. Ele não entendia o que estava acontecendo. – Eu precisava acordar.
– Entendo.
Sentia os olhos coçando pouco a pouco e o rosto ficando cada vez mais vermelho. Hermione continuo o encarando, mas a maneira como o olhava estava desmoralizando todo o controle que precisava construir para sair inteiro daquela situação. Não era apenas um balde de água fria; era a destruição de esperanças que tinham muito mais que 38 dias de vida. Era não saber mais se ele era alguém importante na vida de Granger, se ele ao menos algum dia foi significativo para ela.
Talvez ela só estivesse confusa depois de passar tanto tempo desacordada. Era isso. Ele falaria com ela outro dia. Ela iria procura-lo, certo? Tentou controlar os pensamentos, mas estava ficando cada vez mais difícil manter a postura.
– Fico feliz que você tenha acordado. – começou a dizer, e nisso percebeu o quanto sua voz estava trêmula e embargada. Se tivesse mais algo a dizer, isso já o havia desencorajado. O controle estava indo embora, e em nada ajudava o fato de que agora, enquanto ela desviava o olhar do seu para fixa-los em Potter – como pedindo para que ele voltasse a falar e em nada lhe importasse se Draco continuasse ali ou não –, ele se sentia um completo nada.
Ouviu Weasley rindo baixinho enquanto se aproximava da maca e tocava o ombro de Hermione. Ela não reagiu ao toque, mas lá estava o desgraçado a tocando enquanto o olhava nos olhos com um sorriso zombeteiro. E Hermione não parecia ligar.
Encarou os próprios pés ao sentir o peso do olhar fixo e confuso da diretora e enfermeira. Os amigos de Hermione alegremente o ignoraram enquanto ele dava as costas e se encaminhava para fora da enfermaria, a ardência em seus olhos impossível demais para controlar naquele ponto.
Já fazia um bom tempo desde a última vez que chorara desse jeito.
N/A: POR FAVOR, NÃO ME MATEM. Não sei o que vocês irão achar desse capítulo; teve flashback, teve Ron/Pansy, teve momentos de dor e teve Draco chorando. Acho que é pra compensar o tanto de tempo que fiquei sem atualizar – inclusive esse capítulo é um pouquinho maior do que os que costumo escrever. Pra compensar o tanto de meses sem atualização.
Me digam o que acharam, por favor. A pessoa escreveu esse capítulo às 5h49 da manhã de uma quarta-feira e revisando 03h26 de uma madrugada de quinta, eu só queria a sua reviews dizendo o que vocês acharam.
Alias, algo que me veio à mente agora: vocês gostariam que eu colocasse as datas de cada cena ao invés do X? Porque eu tenho tudo organizadinho aqui, mas nunca coloquei na fanfic. Acho que é melhor pra se posicionar temporalmente na história.
É isso, pessoas. Até o próximo capítulo, que espero que não seja postado no ano que vem. HHAHAHAHAH (tô rindo mas é de nervoso)
Publicado em: 16/02/2017.
