A Acompanhante

Ficção baseada no livro "A Armadilha do Namorado Bilionário", com os personagens do Anime/Mangá Naruto. Fic Sasuhina. Espero que vocês se divirtam.


Minha chefe vive me dizendo que eu sou muito cínica para os meus vinte e cinco anos de idade, mas é isso o que acontece quando alguém faz o que eu tenho feito por dois anos apenas para pagar as contas.

Eu não sou uma prostituta, eu sou uma acompanhante. Existe uma diferença. Prostitutas dormem com homens por dinheiro. Eu sou paga para fazê-los confiar em mim e algumas vezes se apaixonarem por mim. Algumas acompanhantes cruzam a fronteira e vão para a cama com o seu alvo por uma quantia, enquanto outras pensam que estão participando do filme "Pretty Woman" (Uma Linda Mulher). Eu não.

Eu gosto muito da minha saúde mental. Eu não poderia fazer sexo com um homem que não fosse meu namorado. Se ao menos namorados não fossem tão difíceis de encontrar no meu ramo de trabalho, eu poderia estar bem nesse departamento. Infelizmente não existem muitos homens que compreendem quando você explica o que faz para viver. Eles não veem a diferença entre uma prostituta e uma acompanhante.

"Esse cara é importante," disse Tsunade, minha chefe, entregando-me um pen drive.

"Quão importante?" Eu perguntei enquanto copiava os arquivos para o meu disco rígido. Tsunade cruzou as pernas e se recostou na cadeira com um sorriso nos lábios vermelhos. "Você vai ver."

Derrubávamos quem nossos clientes nos pagavam para derrubar, e Tsunade amava isso. Ela já havia me dito que o trabalho a fazia sentir-se como um personagem de um filme de ação, vivendo uma vida clandestina matando bandidos. Não me importava nem um pouco em estragar um negócio para alguns desses idiotas. Felizmente todos os nossos alvos até agora faziam negócios com ética duvidosa ou eu teria um problema com o meu trabalho.

Irei resumir o nosso trabalho para vocês. Homens ricos e poderosos contratam Tsunade para aprender segredos de outros homens ricos e poderosos, normalmente rivais entre si, querendo fechar o mesmo acordo de negócios. Tsunade nos contrata em nome de seus clientes para descobrir os segredos e fraquezas desses homens, ou para conseguir documentos confidenciais ou para provar práticas antiéticas.

Nosso trabalho era nos envolver com os nossos alvos durante certo tempo até que eles confiassem em nós para nos incluir em seus santuários. Às vezes eu me perguntava se eu poderia conseguir mais rápido o que eu queria se eu dormisse com eles.

As pessoas revelam um monte de coisas, quando estão cegas pela luxúria. Mas eu sempre evitei esse tipo de arranjo e Tsunade nunca me pediu para fazê-lo. Meu papel era de glamour e de amiga. Se algum dos meus alvos ficasse um pouco apaixonado por mim, melhor.

Suas frustrações e suas tentativas de me levarem para cama sempre serviram perfeitamente aos meus propósitos.

Tsunade riu do meu olhar. "É por isso que você vai ser perfeita para este caso, Cleo."

"O que você quer dizer?"

"Você é engraçada e atrevida. Inteligente também. Ele gosta dessas características em uma mulher. E é claro, ajuda você ser linda e fazer o tipo professora de escola sexy."

Eu não podia imaginar qualquer uma das minhas antigas professoras, fazendo o que eu fazia. Talvez a velha professora de francês da minha irmã Hanabi podia ter uma vida dupla. Os rapazes costumavam babar por ela nas aulas. Ela também foi um amor, quando me procurou para saber se eu precisava de alguma coisa quando Hanabi ficou doente.

Claro que eu disse "Obrigada, mas não precisamos de ajuda." Só mais tarde, quando a doença de Hanabi entrou em remissão, eu percebi que precisava de dinheiro para pagar as contas médicas. Foi por isso que eu respondi ao anúncio de Tsunade e acabei sendo uma acompanhante, contra a minha vontade.

Dois anos mais tarde eu ainda não tinha conseguido pagar todo o empréstimo que eu tinha pegado para pagar as contas médicas e eu continuava trabalhando como acompanhante. Eu ri e Tsunade também.

Acho que até os arrogantes e idiotas bilionários gostavam do tipo de professora de escola "sexy". Ou apenas confiavam mais nelas. Os arquivos finalmente tinham baixado no meu computador, e eu os abri um por um. O primeiro era um documento que listava seus interesses comerciais, seus associados e os detalhes de como ele tinha se tornado o fundador e CEO do Grupo Financeiro Uchiha com apenas trinta e três anos. O próximo arquivo cobria sua vida pessoal — data de nascimento, seus endereços, escolas e suas ex-namoradas. Então abri o próximo documento. Continha várias fotografias do alvo. Eu sabia quem ele era. Eu já o tinha visto nas revistas e jornais.

Uchiha Sasuke era lindo. Cabelo preto como carvão, pele clara, sem uma única marca para manchar sua perfeição e ossos fortes. Sua boca às vezes ficava curvada de um lado em um sorriso irônico ou mergulhada em uma carranca intensa dependendo do ângulo da foto. Mas foram seus olhos que me prenderam. Os olhos sempre contavam como um homem era, e os olhos de Uchiha Sasuke eram de um profundo preto — frio, profundo e perigoso.

Um ligeiro tremor passou pela minha espinha e eu queria estar usando algo mais quente do que o meu vestido amarelo curto. "Ele te deixa nervoso," Tsunade disse.

Não foi uma pergunta. Ela tinha visto a minha reação. Tsunade via tudo.

"Não tenho certeza ainda," eu disse encolhendo os ombros casualmente. Ninguém podia determinar o que um homem era apenas olhando algumas fotos. Ele podia ser uma pessoa amigável.

"Com certeza, ele é um cara frio," Tsunade disse. "Alguns até dizem que ele é cruel, mas eu não encontrei nenhuma evidência sobre isso."

Eu engoli com desdém. "Você sabe por que ele é uma pessoa fria?"

"A ausência de pais estragou sua educação. Sem dúvida ele ainda os culpa pelos seus problemas no passado, no presente e no futuro." Ela balançou a cabeça, como se ela já tivesse ouvido tudo isso antes. Tsunade não acreditava que as pessoas faziam asneiras por causa dos erros dos seus pais. De acordo com ela, crianças cresciam se tornavam adultos e adultos precisavam assumir a responsabilidade por seus próprios problemas. Claro, seus pais podiam ter sido abusivos ou simplesmente incapazes de amar, mas isso tinha que ser superado. Isso era o que ela tinha me dito.

Me fez pensar que ela tinha filhos, mas eles a culpavam por problemas que eles tinham agora. Meus pais tinham morrido há sete anos em um acidente de carro. Eu ainda sentia falta deles.

"Foi seu cliente, que alegou ser Sasuke um homem cruel?" Eu perguntei olhando para a tela. Eu não conseguia desviar o olhar. Mesmo em pixels, Uchiha Sasuke tinha uma presença que fazia querer olhar e olhar e olhar para ele. Havia tanta certeza no rosto dele que provavelmente ele deveria ser arrogante na vida real.

Esse era o problema com homens lindos e ricos. Eles pensavam ser um presente de Deus para a população feminina. Acho que eu não saberia ao certo até conhecê-lo. "Não foi o meu cliente." Tsunade bateu as unhas bem feitas na lateral da xícara de café. "Seus rivais, algumas ex-namoradas, alguns conhecidos... todos com quem falei disseram que ele mantém certa distância."

"E amigos? Ele tem algum?"

"Muito poucos."

"Aqui diz que ele é o mais novo dos filhos nascidos na família Uchiha. Eles ainda vivem em Serendipity Bend," eu disse, falando sobre o mais exclusivo subúrbio de Roxburg.

"Ele é chegado à família?"

"A família é extremamente boca fechada sobre suas próprias vidas."

Eu cliquei sobre a página que listava suas namoradas anteriores. Estava cheia. Eu reconheci três modelos, pelo menos quatro celebridades e algumas cujo trabalho só poderia ser descrito como socialite. A coleção de troféus de Sasuke era impressionante.

Eu comecei a imaginar quem teria descrito ele como cruel, e o que isso significava. Eu peguei as fotos de Sasuke novamente. "Não é comum ver homens tão bonitos e poderosos. Geralmente eles são velhos, carecas e gordos."

"E casados," Tsunade completou. Ela continuou a mexer na xícara do café dela. Era irritante, mas eu não falaria isso para ela. Eu queria manter o meu emprego. De repente, ela parou e me deu um sorriso irônico. "Na verdade você ficaria surpresa. Conheço vários homens bilionários que são tão ricos e poderosos como o Uchiha e tão bonitos e disponíveis quanto ele."

"E por que eles estão solteiros?"

"São casados com o trabalho, ou com o poder, ou eles têm problemas com "P" maiúsculo." Ela deu um dos seus raros sorrisos para mim.

Eu sorri de volta. "Mas todo mundo não tem problemas?"

O sorriso dela congelou e ela ficou olhando para o café. "Uns mais do que outros." Ela tomou um gole e eu encarei Sasuke novamente. Então eu fechei o laptop. Os olhos dele estavam me incomodando.

"Quando vou encontrá-lo?"

"Hoje à noite."

Droga. Tinha que ser hoje à noite, não tinha? Eu nunca saía, não ia a nenhum lugar, exceto para o trabalho e para o supermercado, e a única vez que eu tinha algo para fazer, ia diretamente contra os planos de Tsunade. E Tsunade não gostava de confrontos. Ela gostava que tudo fosse feito da maneira dela. Meninas tinham sido "despedidas" por mostrar sua falta de comprometimento, colocando sua própria vida à frente de seu trabalho.

Embora Tsunade soubesse sobre a Hanabi, ela não sabia como era importante a exposição desta noite para a minha irmãzinha. Ou para mim. A recuperação de Hanabi tinha sido lenta e árdua, mas uma vez que ela tinha ficado boa, ela tinha se tornado apática e entediada. Ela não podia entender por que deveria voltar para a escola.

Ela tinha quase perdido a vida e não queria gastar um tempo precioso fechada em uma sala com crianças mais jovens do que ela. Ela tinha perdido o último ano do colégio e voltar significava se formar com pessoas que não eram da idade dela. Embora eu não concordasse com o pensamento dela de não se formar, eu não poderia forçá-la. Mas ela estava certa. A vida devia ser vivida, e não havia nada diferente que você pudesse dizer para um sobrevivente de câncer.

Quando ela estava tão mal que eu pensava que cada respiração que ela dava com dificuldade poderia ser a última, eu jurei que se ela sobrevivesse teria uma vida plena e feliz. E eu não voltaria atrás agora que ela havia se recuperado. Uma coisa era dizer e outra coisa era descobrir o que uma adolescente queria. Não podíamos viajar — as contas médicas tinham me ferrado — mas, graças a Tsunade, tínhamos o suficiente para que ela pudesse estudar na escola de arte.

Hanabi sempre teve talento para desenho, e parecia lhe dar paz quando ela pintava. Sua primeira exposição com os outros alunos seria realizada esta noite em uma galeria de arte dirigida por um amigo de sua professora. E eu ia perdê-la.

"Hoje é um problema?" Tsunade me perguntou, seus olhos azuis vibrantes perfurando os meus. Caramba, ela sabia. Como ela conseguia? Eu tinha certeza que eu não tinha mostrado nenhuma decepção, mas ela tinha pegado uma vibração minha de qualquer maneira. Eu pensei em lhe contar a verdade, mas decidi não fazer isso. Por agora.

Apesar da simpatia de Tsunade, o seu olhar frio me avisou para não o fazer.

"Claro que não." Eu ri. "Aonde eu vou? É só que eu pensei que eu ia ser a assistente de Uchiha Sasuke." Que é como geralmente eu me aproximo dos meus alvos. Tsunade tinha se livrado de sua assistente regular e eu ficaria no lugar dela, toda eficiente e glamorosa e me tornaria indispensável. "Eu não deveria começar na segunda-feira?"

"Eu quero que você jogue seu charme em um evento de gala, que ele vai estar presente esta noite. Consegui um convite. É a oportunidade perfeita para você fazer contato e deixá-lo saber que você está disponível." A maneira que ela aprofundou sua voz quando falou 'disponível' tinha me feito procurar por sinais de provocação. Ela não é do tipo que acha divertido falar frases com duplo sentido, mas eu procurei no rosto de qualquer maneira. Não, eram somente negócios. Ela se levantou e andou pela sala como uma cegonha, com suas longas pernas e pousou a xícara na mesa. "Há um convite aqui em algum lugar"

"A que horas começa esta gala?" Eu perguntei esperançosa. Talvez eu pudesse ir para a exposição da Hanabi, por uma hora, e em seguida, ir me encontrar com Uchiha Sasuke.

Ela arrancou um convite preto e prateado e o abriu. Pareceu-me familiar. Meu coração pareceu parar e eu me senti doente. "Minhas desculpas, não é uma gala," ela disse. "É uma exposição de arte pequena de trabalhos de um grupo de estudantes." Ela me entregou o convite.

Eu não precisava olhar para o convite para saber hora ou o local, mesmo assim olhei. Era a exposição da Hanabi. Uma espécie de entorpecimento passou pelo meu corpo enquanto eu tentava digerir a coincidência. Será que era uma coisa boa eu ser ao mesmo tempo uma boa irmã e uma acompanhante? Ou era uma má ideia o meu trabalho invadir o meu espaço pessoal? Não conseguia pensar através da neblina que se formou no meu cérebro. Eu coloquei o convite e o laptop na minha bolsa. De qualquer forma, eu estava liberada. "Eu me pergunto por que ele vai a um evento tão pequeno e sem importância? Ele tem algum amigo que está expondo?" Tsunade fungou. Ela fungou! Era tão fora do normal que eu ri, mas rapidamente parei, quando ela olhou para mim.

"Seus amigos e família não são do tipo artístico. Não, não há uma resposta óbvia sobre porque ele vai. Esta é a razão pela qual fomos contratadas para este trabalho."

"hã?"

"Ele comprou o local onde se encontra a escola de arte."

"Ele comprou?" Nem sabia que o edifício tinha sido vendido. "Então ele está checando a sua nova propriedade. Parece inocente o suficiente."

Ela cruzou os braços. "Não, ele vai lá esta noite para avaliar a coragem das pessoas que ele vai enfrentar." Parecia que meus ouvidos iam estourar. Tinha um mau pressentimento sobre isso.

"Avaliar a coragem das pessoas? O que você quer dizer?"

"Ele quer fechar a escola e demolir o prédio para construir um hotel."

...