Capítulo 2
Esse capítulo terá hentai. Espero que gostem.
"Ele está esperando oposição da professora de arte e de seus alunos," Tsunade falou.
Eu me ouvi concordando com ela, mas mal sabia o que estava fazendo. Eu estava no piloto automático, tentando digerir o que ela tinha me dito. Uchiha Sasuke queria fechar a escola de arte onde Hanabi estudava, o único lugar que ela amava, a única coisa que a preenchia e que a fazia feliz. Talvez não fosse tão ruim. A professora poderia fazer algum movimento e a escola poderia continuar aberta. A escola ficava num bonito local no subúrbio de Serendipity Bend, o mesmo subúrbio onde Uchiha Sasuke tinha sido criado. The Bend, como era conhecido localmente, se aconchegava num local arrebatador de Serendipity River como uma criança nos braços da mãe. Era uma parte cara para locação e venda de imóveis perto do coração da cidade e muito procurados pelos ricos e famosos.
Os estudantes de arte espelhavam suas inspirações nos salgueiros curvando-se para a água do rio e para os patos nadando preguiçosamente na água. Era um oásis tranquilo na parte mais movimentada de Roxburg. Seria uma pena perder a casa, mas não seria uma perda total. A professora de Hanabi podia se realocar para outro local com o dinheiro da venda.
"O Uchiha está esperando oposição?" Perguntei a Tsunade. "Além do seu cliente, quero dizer."
Ela assentiu com a cabeça. "O proprietário anterior era irmão da professora de arte. Ele vendeu o prédio para o Uchiha sem informar a irmã. Ela está aparentemente furiosa e se recusa a sair. A casa pertencia a sua avó e sua irmã morreu lá. Ela afirma que não vai deixá-la ser destruída e vai lutar com o Grupo Financeiro Uchiha se for preciso. Vai ser uma noite interessante com esses dois no mesmo ambiente." "Sim," eu disse fracamente. "Muito interessante." Particularmente para mim.
Hanabi não ficaria feliz quando me visse flertando com o inimigo. Ela não sabia o que eu fazia para viver e eu não tinha nenhuma intenção de dizer-lhe. Ela cairia na categoria de pessoas que considerava meu trabalho antiético, mesmo que eu dissesse para ela que eu não dormia com meus alvos. Sua bússola moral sempre apontou para o norte. A minha sempre ia para trás e às vezes girava sem parar como se estivesse seguindo um ímã bêbado. Tsunade estava certa. Seria uma noite interessante.
Hanabi claramente não sabia que a casa de sua professora tinha sido vendida. Ela estava como uma bola de energia nervosa, se contorcendo e falando durante todo o caminho para a galeria. Não consegui dizer uma palavra, mas tudo bem. Eu estava muito nervosa, mas de uma maneira diferente. Era de trepidação e não de emoção. Eu estava acostumado a lidar com bilionários VCG (velho, careca, gordo), mas não com caras gostosos como Uchiha Sasuke. Era mais fácil conseguir que um VCG desenvolvesse uma paixão por mim, mas por que alguém que podia conseguir uma linda modelo responderia as minhas tentativas de flerte? Ao contrário de Tsunade, eu não achava que o tipo professora de escola sexy iria conquistar um cara que podia ter qualquer garota que ele quisesse.
"Minhas três peças vão estar à esquerda," Hanabi disse enquanto entregávamos nosso convite na porta. Ela esticou o pescoço para a esquerda e ficou na ponta do pé. Ela era um pouco menor que eu, mesmo em suas botas de salto; os meus saltos eram ainda mais altos. Eu tinha mudado de roupa depois de voltar do escritório da Tsunade. Esqueci as roupas de estilo casual porque eu precisava de sofisticação e classe. Fiquei aliviada ao ver que eu não estava vestida de uma maneira exagerada. Havia pelo menos outra mulher de salto alto e de vestido fino.
Hanabi tinha escolhido jeans e uma camisa branca, mas só depois que eu a aconselhei a tirar a camiseta com um slogan político impresso na frente. Felizmente, pela primeira vez, ela me ouviu. Ela pegou uma taça de champanhe da bandeja de um garçom e me entregou. "Quer ver as minhas peças primeiro?" ela perguntou, sorrindo. Ela não parou de sorrir desde que tinha saído do carro.
"Mostre-me o caminho." Ela pegou a minha mão e me puxou para junto dela. Olhei para a sala, mas não havia sinal do Uchiha. Ainda era cedo. O olhar da mulher bem-vestida veio na minha direção e então se desviou e vasculhou a sala também. Eu me perguntei se estávamos procurando a mesma pessoa. Hanabi parou em frente de uma pintura de uma mulher que eu reconheci ser sua professora, Kushina. Era feita principalmente de vários tons de cinza exceto o cabelo, pintado com um toque brilhante de vermelho. Em uma inspeção mais minuciosa, os fios eram de diferentes tons de vermelho e laranja, dando profundidade ao cabelo e trazendo-o à vida. Era um quadro vibrante e ainda assim uma peça evocativa com os olhos de Kushina abatidos, e seus cílios sombreando suas bochechas. "Você fez isto?" Eu perguntei para Hanabi.
Seu sorriso se abriu. "Você gosta?"
"Claro que sim. É incrível. Kushina está linda."
"Ela é linda."
"Quanto custa?" Eu perguntei, voltando para a imagem. "Eu quero comprálo."
"Já está vendido." Hanabi apontou para a etiqueta anexada ao quadro. "Alguém o comprou com base na foto que Kushina colocou no site. Ela não tem idéia quem é o comprador."
"Intrigante. Um amante da arte misterioso."
"Ou apenas um amante da Kushina," ela disse, rindo. Ela me cutucou. "Vá ver os outros, então é melhor nos separarmos." Ela já estava olhando ao redor da sala, antes mesmo dela ter terminado a frase. Olhei para as outras pinturas e decidi comprar uma tela do rio atrás do estúdio de arte. Os ramos do salgueiro estavam maravilhosamente retratados como o cabelo de Kushina, e a luz dava um frescor a cena que me fazia ter vontade de me sentar e descansar nas margens gramadas.
"Você não tem que comprá-lo, eu vou dar para você," disse Hanabi. "Você é minha irmã. Além disso, você não pode pagar."
"Na verdade, a reunião com a Agência hoje foi produtiva," eu disse. "Nada ainda está certo, mas na semana que vem eu vou saber com certeza se eu tenho um novo emprego."
Para Hanabi eu trabalhava para uma agência de empregos temporários que me contratava em curto prazo como assistente pessoal para empresários em visita a cidade. Era tão perto da verdade que eu não sentia estar mentindo para ela. Não muito. Ela colocou seu braço ao meu redor e apertou. "Você vai conseguir. Como pode alguém resistir a minha maravilhosa irmã mais velha?"
Eu a abracei de volta. "Não me importo se você me chamar de maravilhosa, mas podemos deixar de fora o 'mais velha'?" Ela riu e pegou a minha mão. "Vamos lá, Hina. Vamos procurar a Kushina."
Passamos pelo trabalho dos outros estudantes e vimos Kushina no meio da galeria cercada pelos seus convidados. A ruiva vivaz estava no meio de uma conversa animada quando ela viu algo na porta que tirou o sorriso de seu rosto. Os olhos dela escureceram. Seus lábios se fecharam e ela se empurrou através da multidão. "O que você está fazendo aqui?" ela surtou, apontando o dedo na direção do recém-chegado. Uchiha Sasuke.
Mesmo se não tivesse visto as fotos dele, eu saberia que era ele baseado na sua saudação mordaz. Ela não queria que o homem que ia demolir sua amada casa e estúdio estivesse presente na sua exposição. Eu não podia culpá-la. Sasuke puxou o cartão prateado e preto dele dentro do bolso da jaqueta. "Eu tenho um convite." Sua voz era rica e profunda, vinha das profundezas do seu peito. Era perfeita para ele. Seria decepcionante para um cara tão gostoso e masculino soar como um adolescente irregular. Eu não achei que não fosse possível, mas ele era mais lindo na vida real do que nas fotos.
Seu cabelo era preto como nanquim, adicionando um tom escuro ao seu maxilar e um toque áspero ao rosto suave. Ou ele gostava de usar ternos ou ele tinha vindo direto do trabalho. Eu não era muito boa com marcas, mas eu podia apostar que era um Armani ou algo igualmente caro. Era um terno bem cortado e mostrava seus ombros largos com perfeição. Ele era alto, com o corpo de um atleta, embora pudesse ter uma barriguinha escondida debaixo do paletó. Deus, eu esperava que sim, caso contrário eu estava perdida. Diabos, mesmo se ele tivesse uma barriguinha e um pênis pequeno ainda assim eu iria lutar para conseguir a atenção dele.
"Quem te convidou?" Kushina perguntou, sem nenhum tipo de distração pela beleza deslumbrante do homem na frente dela. Ela era pequena comparada a ele, mal chegando à metade do peito dele. Ela não estava distraída, como também não estava nem um pouco intimidada. Com as mãos nos quadris, ela olhou de volta para aqueles olhos pretos gelados enquanto Sasuke olhava para baixo.
"Sabe quem é?" Hanabi sussurrou para mim.
"Uchiha Sasuke," eu disse, incapaz de desviar o olhar. "Um empresário bilionário."
"Sim? Então porque a Kushina não o quer aqui?"
"Talvez eles sejam ex-amantes e ele tenha terminado com ela." Hanabi deu um muxoxo.
"Duvido. Homens de terno não é o tipo dela. Eles são mais dela." Ela apontou o queixo para a mulher bem vestida que eu tinha visto mais cedo. A mulher, uma loira elegante escorregou o braço em torno da cintura de Sasuke. Ele não reagiu. "Eu o convidei," ela disse.
Kushina se virou para ela e eu pensei que ela iria matá-la, mas em vez disso, ela abanou a cabeça e suspirou. "Eu deveria saber. Cuidado, Ino. Ele não é um cara legal." Ela se afastou antes que a mulher chamada Ino tivesse uma chance de responder e logo foi engolida pela multidão.
Hanabi se juntou a professora dela, deixando-me sozinha para observar o Uchiha. Ele se dirigiu para longe de Ino e ela teve que soltar o braço dele. Ela falou com ele, sua expressão séria, seu olhar sem deixar o rosto dele. Ele, porém, não parecia estar ouvindo. Ele olhou ao redor da sala, avaliando. Em momentos parecia que ele já tinha visto o rosto de todos, inclusive o meu. Ele não parou o olhar no rosto das pessoas por mais de que uma fração de segundo. Era como se ninguém fosse interessante o suficiente para ele perder tempo.
A enorme tarefa pela frente só ficou ainda mais difícil. Eu deveria deslumbrar o Uchiha com minha eficiência e habilidade, enquanto flertava com ele na frente de sua acompanhante e em uma sala cheia de pessoas que o desprezavam, incluindo minha própria irmã. Pior, eu não tinha conseguido fazê-lo se interessar por mim com minha mini-saia e meu cabelo comprido. Eu passei séculos tentando fazer com que os fios longos ficassem em um elegante nó desarrumado. Alguém podia me dar um pau para que eu pudesse me picar nos olhos. Seria menos doloroso do que tentar chamar a atenção do Uchiha.
Não tinha idéia de quanto tempo ele ficaria então eu precisava agir rapidamente ou correria o risco de perder a chance por completo. Ele claramente não era bem-vindo na Galeria, os estudantes de Kushina não estavam escondendo esse sentimento. Todos os encaravam com raiva quando ele falava com eles. Hanabi veio até mim e relatou as informações que eu já sabia. Ela mal podia falar, já que sua mandíbula estava rígida. "Aparentemente o idiota do irmão da Kushina vendeu a casa para o Uchiha. Ele vai derrubá-la." Ela não somente falou como cuspiu as palavras na direção dele. Nem ele nem Ino notaram. Eles estavam conversando, apesar de seu olhar ainda vagar pela sala de vez em quando. Ela o aborrecia, ou ele simplesmente era o tipo de pessoa que precisava vasculhar a sala ao invés de prestar atenção nela?
"Será que a Kushina não pode mudar o estúdio para outro lugar?" Eu perguntei. "Eu sei que a casa vai ser uma perda, mas é só uma casa."
"É a casa da avó dela! A irmã dela morreu lá!" Como se isso explicasse tudo. "É a inspiração de Kushina. Ela adora essa casa, ama sua localização, a atmosfera, tudo. Ela disse que não tem dinheiro para viver em Serendipity Bend, se ela tiver que alugar ou comprar outra casa. E ela precisa da tranquilidade do rio para trazer para fora o melhor para o seu trabalho. Vamos perdê-la, Hina." Lágrimas enchiam seus olhos, mas não rolavam pelo seu rosto. "Tudo por causa da ganância desse idiota."
Eu pensei que ela estava se referindo ao irmão de Kushina, mas ela concentrou toda a sua energia negativa no Uchiha. E a energia era tanta que ele deve ter sentido seu ódio porquê de repente olhou diretamente para nós. Então ele se aproximou.
Ino, pega de surpresa, se virou para acompanhá-lo. Meu pulso acelerou, mas eu me recompus e controlei meu nervosismo. Esse não era diferente de qualquer outro trabalho. Eu não seria reduzida a uma poça de nervos por um par de olhos frios e um rosto bonito.
"Eu conheço vocês, senhoras?" ele perguntou em uma voz que parecia seda.
"Não," Hanabi falou. "Eu sou aluna de Kushina."
"Quais são as suas peças?"
"Não lhe diz respeito."
"Posso querer comprá-las." Hanabi abriu a boca, em seguida se calou, não tendo certeza de como reagir diante ao implacável empresário e amante da arte. Sua mente provavelmente estava tendo problemas de como agir, por causa de sua experiência limitada com os Uchihas Sasukes do mundo. A minha não tinha esse problema. Eu sabia que as pessoas sempre não faziam sentido.
Traficantes de drogas davam seu dinheiro para crianças pobres, ladrões devolviam câmeras caras com fotos pessoais, e algumas vezes empresários babacas viam beleza na arte. As pessoas nem sempre se encaixavam num estereótipo.
A confusão de Hanabi me deu a oportunidade que eu precisava. Eu estendi a minha mão. "Eu sou Hyuuga Hinata e esta é minha irmã Hanabi. Prazer em conhecê-lo, Sr Uchiha."
As sobrancelhas de Sasuke se levantaram mostrando surpresa. Ele pegou minha mão e me cumprimentou. Eu estava à espera de seu toque, ou mesmo de apenas uma pequena faísca de fogos de artifício, mas nada tão clichê aconteceu. Sua mão era forte, grande e quente, mas a palma era áspera, como se ele passasse um tempo longe de sua mesa fazendo coisas de homem. "Como você sabe meu nome?" ele perguntou.
"Eu leio as páginas financeiras," disse com um encolher de ombros. "Eu gosto de me manter atualizada com as grandes corporações."
"Por quê?" Ele me perguntou. Ele estava me desafiando? Tentando me pegar? Ele pensou que eu estava mentindo e o conhecia pelas páginas das revistas de fofoca? O homem sempre aparecia em ambas às seções, com regularidade, mas era verdade que eu preferia às páginas financeiras as outras seções. Eu gostava de seguir assuntos de negócio dos meus alvos pois isso me ajudava a conhecê-los melhor.
"Se eu vou trabalhar para grandes corporações, preciso saber o que é que elas fazem," eu disse.
"Então você não é uma artista também?"
"Nem posso pintar com os dedos."
Sua boca se fixou de um lado, mas rapidamente o sorriso desapareceu, se isso era o que tinha acontecido. O olhar dele varreu todo o meu corpo, de cima a baixo. Meu rosto ficou vermelho. Eu mordi minha língua para distrair a emoção de formigamento na minha espinha e me forcei a encontrar seu olhar. Para minha surpresa, os olhos dele tinham se aquecido um pouco. Ele estava sorrindo de novo, mas era um sorriso de curiosidade, como se algo tivesse lhe intrigado e ele quisesse saber mais. "Eu também não posso," ele disse.
"Eu acho tudo desafiador." O homem tinha senso de humor! Eu não teria pensado isso. Eu sorri e ele também. Um sorriso genuíno. Do meu lado, ouvi Hanabi gemer.
"Então o que é que você faz Miss Hyuuga?" ele perguntou. Ótimo, uma oportunidade para plantar a semente.
"Me chame de Hina. Eu sou assistente pessoal. Na verdade, meu último contrato acabou e estou à procura de trabalho." Eu peguei na minha bolsa um cartão. Eu vi Hanabi endurecer o canto do seu olho e encolher-se. No entanto, ela não me impediu. Eu estendi o meu cartão para Sasuke.
"Não acho que você poderia passar para alguém —" Ino tirou o cartão dos meus dedos. "O Sr Uchiha já tem uma assistente." O tom era duro.
"Eu." Porcaria. Tsunade tinha me dito que ele precisava de uma nova assistente, no entanto, Sasuke não discordou da loira. Claro que Ino era mais do que uma assistente. Ela pegou o braço de Sasuke e o agarrou até seus dedos ficarem brancos contra o cinza escuro do casaco dele. Ela jogou meu cartão numa mesa próxima. Hanabi foi pegá-lo, mas Sasuke chegou primeiro. Ele embolsou o cartão. Eu não sabia quem estava mais chocada e irritada, Hanabi ou Ino. Me recusei a encontrar o olhar da minha irmã, mas eu gostei de de ver as linhas contraídas dos lábios anêmicos de Ino.
"Eu sei de alguém que precisa de uma Assistente Pessoal," Sasuke disse. "Pessoas que acompanham as páginas de negócios são difíceis de encontrar. Vou chamá-la no fim de semana. Tenha seu currículo pronto." Ele saiu com Ino ainda agarrada ao braço dele, mas não havia nenhum triunfo nos olhos dela. Nenhum deles olhou para trás.
"Que puta de primeira classe," Hanabi disse com as mãos nos quadris. "Eles são um par perfeito." Eu não disse nada. Meu coração estava afundando. Eu tinha perdido minha chance com Sasuke, mas o pior agora é que eu sabia que não havia sequer uma vaga de emprego. Ele daria meu cartão para outra pessoa e eu teria que educadamente recusar a oferta de emprego. De alguma forma, a assustadoramente e competente Tsunade tinha se enganado. Sasuke não precisava de uma assistente e agora teríamos que encontrar outra maneira para forçar uma aproximação. Isso ia ser difícil para alguém como eu.
Tsunade podia ter que mudar e usar uma das meninas que não se importava em dormir com o alvo. Meu coração bateu num ritmo de decepção... mesmo que minha cabeça soubesse que era bobeira ficar encantada com ele depois de um encontro tão breve. Ele era um homem atraente, não só para olhar, mas para estar por perto. Ele tinha sorrido para mim. Ele estava com o meu cartão. Mas era importante lembrar quem ele era. Ele era o empresário implacável que tinha essa etiqueta carimbada em todo o seu corpo, de acordo com a Tsunade. Flertar era uma coisa, mas negócios era outra.
Eu me misturei com Hanabi e falei com seus amigos e sua professora. Kushina não podia parar de falar do talento da minha irmã. Ela parecia não notar Sasuke nos perseguindo ao redor da galeria, verificando todas as pinturas, mas eu notei. Não conseguia tirar meus olhos dele.
"O que você acha que ele está fazendo aqui?" Perguntei-lhe durante uma pausa na conversa.
"Lembrando-me do que eu sou contra."
"Você vai lutar com ele?" Ela balançou seus cabelos vermelhos. Ela tinha a maioria presa num coque, mas alguns fios caíam para baixo em torno de seu rosto e de suas costas. "Eu preciso," ela disse. "O estúdio não é só o meu sustento, é a minha casa. Minhas memórias e história estão nesta casa. Meu irmão, minha irmã e eu nascemos lá pelas mãos da nossa avó. Minha irmã morreu lá." A voz dela tremeu e ela limpou sua garganta. "Meu irmão a herdou, mas a vovó o obrigou a se comprometer a um acordo para permitir que eu fique lá até o fim da minha vida. Ele não conseguiu quebrar esse acordo por cinco anos. É um recorde para ele," ela disse com um toque triste.
"Por que ele vendeu?"
"Dinheiro. Ele é pobre e Sasuke vinha farejando a casa há anos. Parece que finalmente ele ganhou."
" Sasuke?" Eu falei. "Você o conhece pessoalmente?"
"Você pode dizer que sim." Ela escondeu as mãos nos bolsos de trás de seus jeans e desviou o olhar. "Ele costumava sair com minha irmã. Eu costumava sair com um dos seus irmãos. Os dois relacionamentos acabaram mal." Eu me perguntei se a irmã de Kushina tinha terminado o namoro com Sasuke antes de sua morte. De qualquer forma, isso deve tê-lo afetado também. "Os irmãos Uchihas não são flor que se cheire," ela prosseguiu. "Fique longe de Sasuke."
Eu queria perguntar-lhe o porquê, mas tive a impressão de que ela não queria falar sobre isso. "O que fará se Sasuke for bem-sucedido e derrubar o lugar?"
"Ele não vai. Ele é um valentão e eu detesto valentões. Eu vou lutar com ele a cada passo do caminho."
"Você tem dinheiro para fazer isso?"
Ela deu de ombros. "Peço emprestado se for preciso."
Não acho que o banco fosse emprestar dinheiro a uma artista sem-teto para lutar contra uma grande corporação, mas eu não disse nada. Ela parecia determinada e eu queria que ela fosse bem-sucedida. A felicidade de Hanabi dependia de Kushina ganhar a causa e ficar na casa e na cidade.
Graças a Deus o cliente de Tsunade tinha interesse em ver Sasuke falhar também. Me senti melhor sabendo que alguém estava cuidando de Kushina e da casa dela, embora eu não conseguisse pensar quem seria essa pessoa. Provavelmente um rival de negócios de Sasuke.
Eu apertei o braço de Kushina. "Deixe-me saber se há alguma coisa a qual eu possa ajudar." Foi uma resposta vazia, por que o que diabos eu poderia fazer? Ela me agradeceu e saiu para se juntar a seus alunos. Discursos se seguiram, com uma ou duas pessoas se queixando sobre a venda da propriedade, e eu maravilhada por ver que Sasuke podia ficar lá parado e inflexível como um poste enquanto todos na sala desejavam que ele fosse embora.
Tão logo os discursos terminaram, olhei novamente para ele. Ele e Ino tinham desaparecido. Com um suspiro, andei pelo longo corredor até o banheiro. As paredes brancas estavam revestidas com pequenas fotografias em preto e branco e eu as admirei enquanto caminhava lentamente. Uma voz de homem me chamou a atenção e eu parei. Era Sasuke. Ele devia estar na sala ao lado, porque eu não podia vê-lo.
"Aqui não," ele disse calmamente. "Alguém pode ver."
"Deixe que eles vejam." Era Ino, a voz dela era um apelo rastejante, escorregadio. Eu não podia vê-los, mas eu poderia imaginar ela se jogando para cima dele na tentativa de impedi-lo de ir embora. Ouvi passos e o instinto me fez eu me esconder. Não queria que eles me vissem, então abri a porta mais próxima e entrei. O quarto era pequeno e parecia ser usado como depósito. O cheiro dos produtos químicos e dos produtos de limpeza cheirava a limão. Ficou completamente escuro quando fechei a porta. Eu escutava enquanto passos se aproximavam e as vozes continuavam.
"Sasuke, querido, não se afaste de mim. Vamos lá, vamos fazer. Aqui. Agora."
"Não."
"Por que não? Isso nunca te impediu antes. Você ama fazer em lugares públicos." Ela estava falando sobre sexo! Eu fiz uma careta. Por favor, não entre aqui para fazer sexo com ela no escuro. Ou, pior ainda, não acenda a luz para ver que eu estou aqui.
"Hoje não," ele disse. "Não estou de bom humor."
"Venha, querido, você está sempre de bom humor e com vontade. O que está acontecendo com você ultimamente?"
"Nada. Este não é o lugar certo ou à hora certa. Nós temos um compromisso amanhã."
"Você nunca me informou a sua agenda," Ino protestou. "Nós costumávamos fazer em todos os lugares, o tempo todo. Lembra-se? Vamos, venha aqui." A maçaneta da porta mexeu e a porta do depósito se abriu. Merda!
"Eu te disse —" sua frase foi interrompida. Eu a imaginei beijando-o, sufocando seu protesto. No momento seguinte, a porta foi empurrada para trás e eles entraram na sala. Eu tive a sensação de que ela o estava empurrando, mas o feixe de luz foi cortado quando a porta se fechou. Eu encostei as minhas costas num pequeno espaço entre duas estantes. Meu coração batia mais forte. Rezei para que eles não me vissem ou me ouvissem.
"Isto é um erro," Sasuke disse com sua voz calma e tranquila enchendo a sala. "Nós não devemos. Não aqui."
"Quem se importa?" Ino perguntou.
"Não me parece certo."
"Ninguém vai saber. Só estamos eu e você aqui. Isso vai mudar a sua idéia." Ouvi um tecido farfalhando e a respiração acelerada de Ino. Eu a imaginei levantando o vestido e colocando a mão dele em suas partes íntimas. Eu não ouvi Sasuke protestar. Parecia que ele era como qualquer outro homem ao ser apresentado a um sexo fácil. Ele aceitou. Eu ouvi barulho de um zíper se abrindo. Provavelmente deveria ser as calças de Sasuke. Ele gemeu.
"Deus, você é tão gostoso," murmurou Ino. "Eu amo o seu corpo."
"Shhh," Sasuke sussurrou. "Não diga nada."
"Por que não? Você costumava gostar de me ouvir falando."
"Tire seu vestido, mas continue com os sapatos. Se vamos fazer isso, vamos fazê-lo corretamente."
"Sim, senhor," ela disse, rindo. Depois veio mais farfalhar de tecido enquanto ela tirava seu vestido justo. "Me acaricie," ela murmurou. "Os meus seios. Quero que você me chupe."
"Você não dá as ordens, eu as dou. Fique de joelhos."
"Mas —"
"Fique de joelhos." Ele não levantou a voz, mas a voz de comando era inconfundível. Ele não esperava que ela discutisse com ele. E ela não discutiu. "Mmmmm," ele murmurou. Imaginei ela com o pau dele na boca. Aposto que ele era longo e grosso. Um pequeno pulsar entre as minhas coxas me pegou de surpresa. Parecia que não era apenas o casal que estava gostando disto. Eu nunca tinha espiado alguém fazendo sexo antes.
"Pare," ele disse. Ela deu um pequeno suspiro e eu a imaginei ficando de pé no escuro. A voz dela confirmou.
"Aqui," ela murmurou. "Sim Deus, Sasuke, me toque aqui." A despensa ficou quente. Uma gota de suor escorria nas minhas coxas. Mas não era suor. Era eu. Eu estava molhada dos sons do sexo que estava acontecendo a uma pequena distância de mim. "Agora," sussurrou Ino. "Quero gozar agora." Depois ouve uma pequena batida contra a porta — talvez as suas costas — seguidas do rítmico som de carne contra carne.
Eles estavam fazendo isso bem ali na minha frente e eu não podia estar mais excitada. Eu desejava poder vê-los — vê-lo — mas teria que ser um momento de privacidade e segredos. Eu iria revivê-lo mais tarde, quando estivesse sozinha na minha própria cama. Não ousei me mexer mesmo estando desconfortavelmente esmagada entre as prateleiras. O desconforto logo foi inundado por um calor percorrendo o meu corpo e os sons de sexo preenchendo o meu espaço pequeno. Eu os sentia próximos de mim, como se eu pudesse alcançar e tocar seus corpos nus. A respiração deles tornou-se a minha respiração. O calor deles era o meu calor. O desejo deles fluía em torno de mim, e era quase doloroso para mim não me tocar. A respiração deles se acelerou e, em seguida, veio um grunhido de Sasuke e um pequeno grito de Ino. Tinha acabado. Nenhum dos dois falou, mas alguém — acho que Sasuke — explodiu num longo suspiro, como se ele não pudesse acreditar no que tinha feito. "Vista a sua roupa e saia," ele disse rispidamente. "Eu estarei lá fora em um minuto." O farfalhar do tecido foi seguido por uma risadinha de Ino.
"Me dê um beijo," ela disse.
"Não." A porta se abriu, deixando entrar uma pequena quantidade de luz. Ele estava de costas para mim, suas costas protegendo-a de mim, ou eu dela. Meu coração bateu mais rápido, e meu cérebro estava uma bagunça, formado de pensamentos cheios de muitas emoções. Meus nervos estavam à flor da pele por causa do calor e do desejo que ainda percorria o meu corpo.
Ino saiu sem mais uma palavra e Sasuke fechou a porta novamente. Ele permaneceu na despensa. Comigo.
"Você gostou?" ele perguntou.
...
