Eu coloquei sapatos confortáveis para o meu primeiro dia no Grupo Financeiro Uchiha e usei saia e blusa em tons de cinza. Fiz um rabo de cavalo apertado, bem no alto, tentando mostrar um look sexy e sofisticado. Pelo ligeiro reflexo nos olhos do Uchiha quando ele me viu, eu devia ter conseguido.

A recepcionista tinha me enviado para o piso executivo e tinha me dito para esperar pelo Sr. Uchiha, que iria me encontrar no hall de entrada junto a seu escritório. Não tive que esperar. Ele já estava lá quando as portas do elevador se abriram.

"Você chegou cedo," ele disse, sem nem mesmo verificar o horário. Ele parecia muito sexy e sofisticado, usava um terno caro com abotoaduras de prata espreitando as mangas do casaco e uma gravata amarela. Ele não estava sorrindo.

"Não gosto de me atrasar."

Sasuke ficou na frente de uma parede de vidro com o seu nome. Atrás da parede tinha uma grande área com uma mesa, um único vaso com uma palmeira e algumas obras de arte moderna. Uma sala de estar, com duas cadeiras e uma estante baixa compunham o resto da mobília. A estante ficava contra uma parede de madeira polida, ao lado de uma porta que levava para outro escritório. Devia ser o de Sasuke. "Bem-vinda," ele disse, abrindo a porta de vidro para mim. "Já que você chegou cedo, você tem tempo."

"Tempo para quê?"

"Para me fazer uma xícara de café antes da primeira reunião."

Eu coloquei minha bolsa embaixo da mesa e olhei ao redor. "Onde é a cozinha?"

"Atrás da parede." Ele tocou num painel e esperou ele deslizar silenciosamente até revelar uma pequena cozinha. "Preto, uma colher de açúcar. Faça um para você também." Ele me deixou antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta, fechando a porta da sala com um clique firme. Avaliei rapidamente o meu local de trabalho. Uma senha estava escrita num rabisco infantil, em uma nota autoadesiva colocada no monitor do computador e artigos de papelaria estavam colocados ordenadamente nas gavetas. Comecei a fazer o café e depois bati na porta de Sasuke. Ele abriu, o celular no ouvido e fez um sinal para eu entrar. Eu coloquei a xícara na mesa dele e estava prestes a sair quando ele desligou.

"Espera," ele disse, pegando a xícara. "Não bata na próxima vez. Se eu estiver no telefone e não puder responder, você pode ficar esperando por horas. Além disso, não há nenhuma necessidade de formalidade entre nós." Foi minha imaginação ou ele abaixou um pouco o tom da voz dele?

"Há algo que eu possa fazer por você, antes de sua reunião começar?" Ele tomou um gole, em seguida, pousou a xícara. "Pegue seu caderno e caneta para tomar notas. Você sabe taquigrafia?"

"É claro."

Ele assentiu com a cabeça em aprovação. "Eles estarão aqui em um minuto." Eu entendi como "seja rápida" e voltei para a minha mesa.

Consegui tornar um gole do meu café e voltei para o escritório dele, assim que seu primeiro executivo entrou. Logo aprendi que a maioria dos funcionários sênior no Grupo Financeiro Uchiha estava abaixo dos quarenta anos como Sasuke. Nem todos usavam ternos caros. Um estava sem gravata e com as mangas da camisa arregaçadas e outro usava jeans. Ele piscou para mim quando entrou. "Então você é a vítima mais recente de Sasuke" ele disse com um sorriso.

Eu sorri de volta. "Temporariamente."

"Sim? Não me admira que ele tenha contratado você." Eu não sabia o que isso significava, mas ri junto com ele até que peguei o brilho gelado de Sasuke pelo canto do meu olho.

"Todo mundo, essa é Hyuuga Hinata. Hinata, estes são meus funcionários mais confiáveis. Você aprenderá os nomes com o tempo." Ele parecia estar fazendo de tudo para me fazer com que eu me sentisse como uma estranha. Eu podia lidar com isso. Eu era uma estranha e planejava me manter assim.

"Eu sou o Naruto" disse o cara de calça jeans, estendendo sua mão para mim.

Eu a apertei. "Prazer em conhecê-lo," eu sussurrei enquanto me sentava.

A reunião foi curta e direta. Consistiu em cada homem fazer um relatório sobre seu departamento e responder às perguntas de Sasuke. Até o alegre Naruto falou com precisão. Ele era o responsável por todo o sistema de informática da empresa. Só no final da reunião eu percebi que não havia nenhuma mulher no grupo sênior.

Digitei todas as notas da reunião e tentei conhecer o banco de dados, os arquivos e os projetos atuais da empresa. Ino tinha deixado os arquivos um pouco bagunçados e havia algumas lacunas nos registros do banco de dados que eu queria fechar. Fiz uma lista de objetivos a serem traçados em curto, médio e longo prazo, para ficar tudo organizado. Depois do almoço, quando Sasuke tinha desaparecido para outra reunião, procurei encontrar alguma coisa sobre a compra da casa de Kushina. Eu estava no meio da leitura do contrato de venda, quando uma mulher da minha idade entrou pela porta de vidro.

"Olá," ela disse com um aceno que levou sua franja para seus olhos. "O Sasuke está?"

"Não. Posso ajudá-la?"

"Claro que pode." Ela sentou-se na cadeira do outro lado da minha mesa e inclinou-se para frente. "Para ser honesta, estou feliz dele não estar aqui." Ela olhou para a porta do escritório dele como se ela esperasse ele sair. "Ele me deixa nervosa."

"Isso acontece comigo também. Eu sou a Hinata" Eu disse, estendo a minha mão. Ela parecia surpresa no início, depois pegou minha mão.

"Sakura. Sou a Assistente do Gerente de Marketing. Meu chefe me mandou aqui para obter algumas informações. Na verdade, ele não me mandou, eu decidi vir. Eu queria conhecê-la."

"Obrigada. Estou feliz que você tenha vindo."

Sakura sorriu. Ela tinha dentes grandes dentro de uma boca grande que parecia se estender de orelha a orelha quando ela sorria. Seus olhos verdes dançavam alegremente enquanto olhavam meu rosto, minhas roupas e meu cabelo. "Você não é o tipo dele," ela disse.

"Você quer dizer que não sou nada parecida com a Ino?"

"Precisamente."

"Para mim isso é um elogio."

Ela deu uma risada profunda. "Acho que vou gostar de você."

Eu me inclinei sobre a mesa e falei um pouco mais baixo. "Diga-me o que você sabe sobre o Sr. Uchiha."

Ela me deu um olhar vazio. "Tudo que há para saber sobre o Sr. Uchiha você pode ler nos jornais. É chato, mas é verdade. Sua vida amorosa é um livro aberto, como eu acho que você já sabe, e sua vida de trabalho existe nas páginas de negócios para quem quiser ler sobre ela."

Balancei a cabeça. "Sim, mas me fale sobre ele. Diga-me coisas que eu não vou conseguir descobrir lendo os jornais e os blogs de sociedade."

Ela se recostou na cadeira e jogou suas mãos para cima. "Só Deus sabe! Ele quase não vê seus empregados, exceto os executivos. Tudo o que posso dizer é que ele é muito lindo para seu próprio bem. As mulheres se atiram para ele e ele não dá à mínima. E a menos que você seja uma modelo, pode esquecer. Ele não vai estar interessado."

"Isso me exclui," eu disse com uma risada.

"E eu." Ela suspirou. "As únicas pessoas que realmente o conhecem são as pessoas da sua família."

"Os Uchihas," eu murmurei. "Eles são uma grande família, não são? Acho que li isso em algum lugar."

"Uh-huh. A maioria vive no bairro junto ao rio, mas não na mesma casa."

"Eu me lembro agora. O Sasuke não comprou uma casa antiga lá perto?"

"Sim."

"Ele vai viver nela?"

"Ele vai derrubá-la. Você vai saber tudo sobre essa compra em breve. É o projeto número um da empresa, foi o que ele disse para o meu chefe. Não sei como a família dele viu essa compra, mas não acho que ele se importe muito. O boato é que ele raramente volta para o rio. Aparentemente ele odeia a área."

"Ele teve alguma briga com a família?"

Ela deu de ombros. "Tudo o que sei é que nosso senhor Uchiha mora em uma cobertura na cidade. Não sei onde exatamente. É um segredo dele, como a maioria das outras coisas."

"Que outras coisas?"

"Por exemplo, aonde diabos ele vai todas as tardes de quinta-feira, faça chuva, caia granizo ou o sol brilhe."

Fui verificar sua agenda on-line, mas Sakura balançou a cabeça. "Não se incomode. Não existe nada escrito. Nenhuma de suas assistentes conseguiu descobrir para onde ele vai. Nenhuma, incluindo as suas, hum, favoritas." Ela me deu uma piscadela e ficou de pé. "Tenho que ir. Me avise se você precisar de alguma coisa. Meu ramal é um-dois-nove." Ela estava prestes a sair, quando eu pensei em algo e gritei para ela. Ela já estava entrando no elevador.

"Você sabe por que a Ino foi embora? Ela fez algo errado profissionalmente ou pessoalmente? Eu só quero saber para não cometer o mesmo erro," disse com um encolher de ombros.

Sakura mordia o lábio dela. "Até onde eu sei, ela ficou muito pegajosa. Acho que você teria que arquivar esse parecer como um erro pessoal."

"Muito pegajosa? Em como se ela quisesse alguma coisa a mais dele?"

"Ela queria um relacionamento com ele. Ultimamente, ela ia para a minha mesa para se lamentar sobre como ele a tratava apenas como uma funcionária da empresa e não como sua namorada."

"Entendi."

"De qualquer maneira ela não era realmente a namorada dele. Ele nunca disse isso para ela. Se ela soubesse que ele dormiu com todas as suas assistentes antes dela ter subido na cama dele, ela provavelmente teria se salvado do desgosto e só teria se divertido."

"Pobre Ino." Agora sabia por que a mulher tinha agarrado Sasuke na galeria. Ela já sentia que ele ia fugir, e ela queria segurá-lo enquanto fosse possível. Não podia culpa-la. Se eu tivesse um cara assim, eu gostaria de mantê-lo também.

"Não se preocupe, ele não vai dormir com você." Ela deu de ombros. "Como eu disse você não parece o tipo dele. Sinto muito."

"Não se desculpe." Eu ri para esconder minha decepção. "Espero quebrar o ciclo e ser apenas sua PA." Era estranho como Sakura tinha certeza de que eu não era o tipo dele, e Tsunade também estava convencida disso.

O elevador se abriu e Sasuke saiu. Sakura saltou para fora de seu caminho e murmurou, "Boa tarde, ." Ele assentiu com a cabeça para ela. "Boa tarde,Sakura. Hinata, eu preciso dos últimos relatórios financeiros do Projeto Doveton." Ele foi direto para o seu escritório.

"Boa sorte" mumurou Sakura para mim. Eu murmurei de volta Obrigada e voltei para a minha mesa.

Sasuke tinha deixado a porta da sala aberta. Eu procurei o projeto nos arquivos, imprimi o que ele queria e levei para ele. Ele acenou-me um lugar sem levantar a cabeça do seu monitor. Eu sentei e esperei com as mãos no colo. Quando ele terminou de ler, ele se inclinou sem pegar os relatórios.

"Você já se instalou?"

"Sim, obrigada."

"Vejo que você conheceu alguns dos funcionários."

"Sakura é muito agradável. Todo mundo tem sido útil"

"Enchendo seus ouvidos com as fofocas, sem dúvida." Este era outro teste? Eu decidi ser honesta. Tive um pressentimento que Sasuke era um homem que gostava que sua equipe fosse honesta.

"Na verdade, sim, mas infelizmente parece haver muito pouca fofoca que já não seja de conhecimento público." Ele se inclinou para frente, os cotovelos na mesa e derrotou-me com seu olhar gelado.

"Verdade? Diga-me, Hinata, você quer me perguntar alguma coisa?"

"Sim," eu admiti. Eu não ia ser intimidada por esse homem.

"Vá em frente. Me pergunte qualquer coisa."

"Aonde você vai todas as tardes de quinta-feira?" Ele piscou lentamente. Então começou a rir.

"Isso é o que você quer saber?"

Eu concordei com a cabeça.

"Você não quer saber quem eu convidei para o meu próximo encontro, por exemplo? Essa parece ser a fofoca do dia."

"Tenho certeza de que eu vou descobrir em tempo útil. O consenso em torno do escritório parece ser que não serei eu." Eu não tinha certeza se estava a dizendo isso em voz alta para convencê-lo ou para me convencer. Suas pálpebras se fecharam. Sua boca deu um sorrisinho.

"E por que todo mundo acha isso quando todas as evidências são o contrário? Eu tenho reputação de dormir com todas as minhas assistentes." Oh Deus. Sua voz tinha o poder de acabar com todas as minhas defesas, que eu sempre pensei que fossem sólidas.

"Eu não sou seu tipo. Faço tipo professora de escola e não o tipo de modelo que você gosta." Sua sobrancelha esquerda se levantou.

"Você acha? Eu tive um fraco pela minha professora da quinta série então não descarte o seu efeito. Você é muito parecida com ela, exceto que você não usa óculos. Cabelos longos, bonita, magra, mas com as curvas nos lugares certos." Eu me contorci, mas me recusei a abaixar o meu olhar. Eu não seria derrotada por sua intensidade ou desejo. Mas isso não significa que eu não sentia desejo entre as minhas coxas. Peguei os papéis e lhe entreguei.

"Vamos apenas esclarecer uma coisa antes do fim do dia. Eu não vou dormir com você, Sasuke." Ele simplesmente me deu um sorriso torto, como se ele soubesse que isso não era verdade. Idiota. "

Suponho que você não consideraria usar óculos."

Peguei os papéis e os coloquei suavemente em cima da mesa na frente dele. "Posso te fazer outra pergunta?" A luz dançava em seus olhos.

"Vá em frente."

"Você sabia que eu estava no depósito antes de você fazer amor com Ino?" A luz em seus olhos escureceu. Ele estava envergonhado pela minha pergunta? Eu esperava que sim, porque eu me senti embaraçada por ter feito essa pergunta. Mas parte de mim tinha que saber a resposta. Eu não sabia por quê.

"Depois," ele disse sem me olhar nos olhos. "se eu soubesse que você estava lá, eu teria parado." Ele pegou os papéis, ainda evitando meu olhar, mas em seguida colocou-os na mesa de novo. "Vendo como nós estamos fazendo perguntas pessoais um para o outro, tenho uma pergunta para você."

"Vá em frente. Mas eu não vou responder nada muito pessoal. Vamos manter nossa relação estritamente profissional, está bem?"

"Isto não deve ser muito pessoal, mas não posso prometer isso para futuras perguntas."

"E eu não posso prometer que eu vou respondê-las."

"Não me ache bisbilhoteiro. Não gosto de espiar meus funcionários." Inferno. Ele ia me espionar? Eu engoli.

"Faça sua pergunta."

"Sua conexão com a casa em Serendipity Bend vai me causar problemas?" Hesitei por um instante, pensando na minha resposta.

"Nenhum que antevejo."

"Sua irmã não vai ficar brava?"

"Minha irmã não sabe que eu trabalho para você e nem vai descobrir. Este trabalho é temporário e não faz nenhuma diferença se eu trabalho para você ou não, você ainda vai continuar com seus planos."

"O que você quer dizer com isso?"

"Porque o que as pessoas falam é que você é um filho da puta sem coração e não quer saber se alguém pede para você não derrubar aquela casa. Ainda assim você vai derrubá-la."

Ele deu uma risada rouca. "Pelo menos você é honesta. Poucas pessoas aqui são. Você não tem medo de perder o emprego?"

"Sou uma temporária, Sasuke. Eu começo e termino trabalho o tempo todo. Eu encontro outro."

"Com certeza. Mas o chefe não vai ser tão bom para trabalhar como eu." Babaca arrogante. Eu dei um sorriso.

"Por falar nisso, não assinei um contrato ainda. Com quem devo falar sobre a papelada?"

"Deixe comigo."

"Mas eu gostaria de resolver este problema logo, antes que nós dois fiquemos muito confortáveis."

"Tarde demais. Já estou à vontade. Você tomou notas nas minhas reuniões, fez planos para corrigir os erros de Ino e até regou a planta."

Ele viu as minhas sobrancelhas levantadas, e me deu um sorriso. "Eu xeretei a sua área de trabalho enquanto você estava no almoço."

"Isso não é justo."

"Não jogo justo, Hinata. Filho da puta sem coração, lembra-se?"

Eu o fixei com o meu olhar mais grave. Ele podia fazer tudo o que ele gostava para tentar me intimidar ou me controlar, ou o que ele estivesse tentando fazer, mas não ia funcionar. Em essência, eu não trabalho para ele, eu trabalho para Tsunade e eu fui contratada para parar o Projeto Serendipity Bend antes dos tratores aparecerem. Isso era muito mais importante do que jogar seus joguinhos.

"Tenha meu contrato de emprego na minha mesa pela manhã," eu disse e fui para a porta. De alguma forma ele a alcançou primeiro. Ele bloqueou a porta com seu corpo maravilhoso. Estar tão perto dele era como estar à beira de um buraco negro. Toda minha bravata tinha sido sugada para fora de mim por sua presença. Tudo o que eu queria era alcançar e tocar seu abdômen sob sua camisa. Mas nós não nos tocamos. Somente nos olhamos. Rezei para que ele não pudesse ver ansiedade nos meus olhos.

"Você não pode me dar ordens," ele disse em voz baixa que vinha do fundo do seu peito. "Entendeu?" Eu concordei.

"É claro. Como sua funcionária nunca sonharia em fazer uma coisa dessas. Ajudaria se eu disser, por favor?" Ele parecia incerto como reagir ao meu jeito doce. Seu olhar se suavizou e ele abaixou o braço.

"Você pode pegar outro café para mim antes de ir embora."

"Você não deveria beber tanto café. É ruim para você. Mas se esta é a sua vontade. Eu nem sonharia em lhe dizer o que é melhor para você. É a sua saúde." Eu abaixei meus cílios, esperando o olhar esfumaçado e sexy que ele tinha aperfeiçoado. "Seu corpo." Eu passei por ele, prendendo a respiração, na esperança de que se eu não respirasse seu perfume, eu não seria afetada. Errado. Minhas entranhas reviraram quando meu braço tocou o dele. Podia ter roupa entre nós, mas senti como se um relâmpago passasse pelo meu corpo.

Não olhei para trás para ver se ele tinha sentido isso também. Eu corri para a cozinha e fiz um café e levei para ele, mas ele não tirou os olhos de seus papéis. Saí do escritório, fechei a porta e fui para a minha mesa. Passava das cinco, mas eu não planejava ir embora agora. Eu não apenas tinha um monte de trabalho de Sasuke para fazer, como também precisava seguir as técnicas de Tsunade para ser simpática. Isso significava trabalhar mais duro do que qualquer PA que ele tinha tido antes.

Liguei para Hanabi para avisá-la que eu não estaria em casa para o jantar. Ela disse que faria algo que eu pudesse esquentar mais tarde. Ela estava acostumada a me ver chegar em casa tarde da noite. Três horas mais tarde, Sasuke saiu de seu escritório. Ele estava esfregando a mão sobre o rosto e não me viu imediatamente. Minha respiração ficou presa na minha garganta. O breve momento em que ele pensou que estivesse sozinho me disse mais sobre Uchiha Sasuke que qualquer outra coisa até agora. Ele estava cansado, sim, mas ele estava com problemas também. A maneira que ele abaixou a cabeça e o suspiro que ele deu foi um sinal claro de que ele tinha algo em mente. Eu desejei poder aliviar a pressão para ele.

O momento de vulnerabilidade acabou quando ele abaixou a mão e me viu. Nós dois nos encaramos, sem falar. Eu tentei procurar algo para dizer e falhei. Eu nem consegui dar um sorriso. O desejo de ter o seu rosto em minhas mãos e tirar todas as sombras de preocupação com os meus dedos era esmagador. Eu enterrei meus dedos no couro do assento da minha cadeira.

"Você ainda está aqui," ele disse.

Balancei a cabeça. "Tenho muito a fazer."

Ele agitou um pouco sua cabeça e ombros, como se isso fosse sumir com os seus problemas. As sombras à espreita em seus olhos desapareceram, e foram substituídas com a frieza familiar que parecia se embrulhar em torno dele, quando ele precisava parecer o grande chefe ruim. "Está ficando tarde, Hinata. Vá para casa."

"Em um minuto. Só quero terminar de ver essas planilhas."

"Tentando me impressionar?"

"Não. Tentando descobrir por que você gastou tanto com os servidores da empresa no ano passado e seu sistema ainda é lento."

Ele franziu a testa. "O que você quer dizer?"

"Você não acha que ele é lento? Já trabalhei em várias empresas, algumas um pouco maiores que esta, e o sistema delas trabalham com mais eficiência."

"Naruto diz que é apenas a natureza da tecnologia nos dias de hoje. Nossa empresa tem fome de informação e todos os dados ocupam um espaço cada vez maior. Ele alega ter comprado os melhores servidores que o dinheiro pode comprar."

"Isso é o que diz aqui nas planilhas." Eu acenei com a cabeça em direção ao monitor e ele veio para trás de mim. Eu podia sentir seu calor e intensidade, mas ele não me tocou. Eu tentei me concentrar na tarefa. "Eu reconheço essa marca de hardware e Naruto tem razão, essa marca é uma das melhores. Eles são capazes de lidar com o banco de dados do Grupo Uchiha sem problemas. Em outros lugares que trabalhei eles também instalaram esses servidores e eles são tão famintos de dados quanto essa empresa."

"Selecione os formulários de pedidos," ele disse.

"Eu tenho tentado, mas eles estão protegidos por senha." Tentei selecionar para mostrar para ele. Ele bateu na parte de trás da minha cadeira. "Quem coloca uma senha para proteger um formulário de pedidos?"

"Alguém com algo a esconder. Há uma maneira fácil de verificar isto," ele disse, já caminhando para a porta que ia em direção ao elevador. "Vamos lá." Corri atrás dele e entramos no elevador juntos e fomos para o segundo andar, direto para o departamento de Tecnologia de Informação.

Ainda havia uma pessoa trabalhando, um garoto nerd com muitas sardas. Sr. Uchiha!" ele quase chorou ao ver-nos. "Posso ajudá-lo, senhor?" "Esta é a minha PA, Hinata, Sasuke disse. "Qual é o seu nome?"

"Kiba."

"Kiba, mostre-me a sala do servidor."

Kiba deu um pulo e colocou um código numa plataforma na parede atrás dele. A porta da sala do servidor abriu e nós fomos abraçados por uma explosão de ar frio e o zumbido dos processadores. Sasuke apontou para o nome de um dos servidores. "Esta é uma boa marca?" ele perguntou para Kiba.

"Servidores não são muito a minha área," disse o garoto. "Minha área é software."

"Você sabe se isso é uma boa marca, ou não?"

Kiba engoliu e assentiu rapidamente. "Uma das melhores."

Sasuke olhou para mim, suas sobrancelhas levantadas. "Olha o número do modelo," eu disse para ele. "Esse é um bom modelo?" Eu perguntei para Kiba.

Kiba empurrou seus óculos para cima e verificou o número. "Ele já tem alguns anos e foi destinado para pequenas cargas de dados médios. Talvez seja por isso que temos tido problemas com velocidade."

"Obrigado," Sasuke disse. Nós saímos da sala do servidor e fomos para o andar dos executivos.

"Pegue as suas coisas, eu vou te levar para casa. Vamos conversar no caminho." Ele não parecia querer ser questionado. Ele parecia furioso.

"Eu não preciso de uma carona," eu disse enquanto voltávamos para o elevador.

"Você não vai pegar ônibus a esta hora da noite para voltar para casa."

"Como sabe que eu não vim de carro?"

O olhar dele deslizou para o meu. "Apenas sei."

Não sabia o que pensar. Não queria que ele me levasse para casa onde Hanabi poderia me ver saindo de seu carro, mas eu gostei da ideia de passar mais tempo com ele, mesmo que estivesse com um humor assustadoramente horrível.

"Eu vou pegar o ônibus," disse.

Ele suspirou e olhou para o teto. "Bem, se você não quer entrar no carro comigo, me deixe lhe pagar um táxi."

"Mas —"

"Você não vai pegar o ônibus para casa agora. Está ficando tarde." Aporta se abriu e entramos no vestíbulo. Não tinha mais ninguém.

"Se você insiste."

"Eu insisto. Amanhã você pode vir de carro e colocar no estacionamento da empresa."

Eu balancei minha cabeça. "Eu não posso. Minha irmã às vezes precisa do carro."

"Ela não tem seu próprio carro?"

"Não." Nós não podemos ter dois carros.

Saímos do edifício e a noite estava agradável. Uma leve brisa balançava meu cabelo A rua já estava envolta em sombras. Sasuke procurou por um táxi. "Como sabe todas essas informações sobre hardware?" ele perguntou.

"Eu trabalhei em uma variedade de empresas. Uma delas tinha o mesmo problema que a sua empresa — um sistema lento, aparentemente o mais moderno equipamento e um empregado corrupto. Eu aprendi muito lá."

Um táxi parou e ele abriu a porta para mim. "Obrigado, Hinata" ele disse suavemente. "Estou feliz de ter te contratado."

Eu estava prestes a dizer algo fora do comum para aliviar o momento, mas assim que meu olhar se conectou com o dele, toda a leveza desapareceu. Não havia nenhum tipo de flerte em seus olhos, nenhuma provocação, apenas verdadeira admiração. E isso fez meu coração pular dentro do meu peito. Eu estava a caminho de me tornar inestimável para o Grupo Financeiro Uchiha e não podia estar mais satisfeita. E mais preocupada. Eu gostei quando ele me olhou assim. Eu podia me acostumar com esse olhar.

"O que você vai fazer com Naruto?" eu perguntei.

"Demiti-lo."

"Sem dar-lhe uma explicação?"

"Qual é a explicação que pode eventualmente compensar o que ele fez? Não é a perda de dinheiro que me incomoda, é a decepção. Eu pensei que ele era um amigo. Pelo amor de Deus, eu fui ao seu casamento. Aparentemente essa amizade não significa nada."

Dei um pequeno aceno e entrei no banco de trás do táxi, meu sangue correndo quente em minhas veias. Eu dei o endereço para o motorista e não tentei impedir Sasuke de pagar antecipadamente.

Não consegui olhar para ele.

Não ousaria deixá-lo ver os meus olhos. Se ele o fizesse, ele saberia que eu estava enganando ele também.