A Acompanhante - Capítulo 5
Eu trabalhei até tarde na primeira semana e na semana seguinte, e levei trabalho para casa nos finais de semana. Hanabi reclamou que ela mal me via, mas eu lhe disse que precisava dar uma boa impressão.
"O seu chefe é uma boa pessoa?" ela me perguntou uma noite enquanto eu aquecia o frango e o arroz que ela tinha feito.
"Ele é legal."
"Qual é mesmo o nome da empresa? Eu acho que você não me disse."
"É uma empresa financeira. Eles compram e vendem propriedades, ações, companhias, esse tipo de coisa."
"Parece chato." Eu ri, aliviada que ela não tivesse notado a falta de uma resposta direta ao que ela tinha me perguntado.
"Na verdade é muito interessante."
"Estou feliz que você esteja gostando, Hina. Eu odiaria ver você trabalhar em algo que você odiasse." O microondas apitou e ela tirou o prato, mas não o largou quando tentei pegá-lo. Ela procurou o meu rosto. "Não fique num trabalho que você odeie só pelo dinheiro, está bem?
"É claro." Ela me entregou o prato e eu me sentei no banco. "Eu gosto do trabalho." Pelo menos não era uma mentira. "Eles me dão liberdade para fazê-lo da minha maneira."
Sasuke me deixava sozinha grande parte do tempo para fazer o meu trabalho, eu estava grata por isso. Significava que eu poderia bisbilhotar e descobrir tanto quanto eu pudesse sobre o projeto Serendipity Bend. Até agora eu tinha conseguido muito pouco. Ele tinha planos preliminares para a criação de um hotel boutique e já tinha contratado um empreiteiro para quando tudo fosse aprovado. Não havia nada escondido para que eu tentasse ver. Nenhum pagamento de propina feito, que normalmente indicava que um pagamento secreto tinha sido feito para o departamento de planejamento. Ele pagou ao irmão de Kushina um monte de dinheiro pela casa então eu não podia nem dizer que Sasuke o tinha forçado a vendê-la.
O que me parecia estranho é que ela ficava ao lado da casa dos pais dele, onde ele tinha crescido. Certamente eles não queriam que o filho construísse um hotel tão perto da casa de sua família. Apesar de suas terras serem extensas o suficiente para que qualquer tipo de construção não ofuscasse a casa e os arredores imediatos, a construção abaixaria o preço das propriedades ao redor. As pessoas ricas que viviam em The Bend não iriam querer uma monstruosidade moderna no meio da vizinhança deles.
Um dia eu ia perguntar para Sasuke o que a sua família achava do projeto, mas ainda não era o momento certo.
"Como vai a Kushina?" Eu perguntei. "Ela tem feito algum progresso para impedir os planos de Uchiha Sasuke?" Hanabi inclinou seus cotovelos sobre a bancada da cozinha, um copo de água na mão.
"Não. Ele não retorna as ligações dela." Franzi a testa. Nenhuma ligação de Kushina tinha passado por mim. Ela devia ter ligado para o telefone celular dele ou para o número privado. Ela tinha me dito que eles se conheciam, e parecia que tinham crescido como amigos, então não seria nenhuma surpresa ela entrar em contato com ele fora do escritório.
"Eu não entendo ele," Hanabi disse. "Kushina me falou que ele nunca agiu como um idiota, mas que ele mudou."
"O que mudou nele?"
"Ela não quis me dizer, mas acho que ela sabe."
"Segredos," eu murmurei, colocando um pouco de arroz no meu garfo. "Todos nós temos."
"Você tem trabalhado duro," Sasuke disse na minha terceira quinta-feira no Grupo Uchiha. Ele se sentou na borda da minha mesa, seus braços cruzados sobre o peito. Ele tinha tirado seu paletó e sua gravata, e tinha as mangas da camisa arregaçadas até os cotovelos. Todos os seus compromissos tinham terminado e a agenda dele estava livre o resto da tarde, como toda quinta-feira.
Ele tinha deixado claro quando comecei a trabalhar com ele que nada deveria ser marcado para as quintas-feiras, após a uma hora da tarde.
"Você merece um descanso." Eu olhei para ele cuidadosamente. Ele parecia muito alegre.
"Você não vai me fazer acompanhá-lo em uma partida de paintball corporativo, vai?" Ele riu.
"Não, mas vou manter esse pensamento em mente." Eu ri também.
Sasuke parecia ter relaxado um pouco nos últimos dias. Ele tinha despedido Naruto na manhã seguinte que tínhamos descoberto sua fraude e "bloqueou" o acontecido por mais de uma semana. Ele se sentiu profundamente traído, e eu notei a mudança na forma que ele passou a tratar todos os seus funcionários a partir desse momento. Ele já não brincava com eles ou perguntava por suas famílias. Ele manteve distância com todos. Todos, menos eu. Quanto mais ele os empurrava para longe, mais para perto ele me trazia.
Ele me perguntou sobre Hanabi, mas eu lhe disse o mínimo possível. Guardei o susto que tive sobre a saúde dela. Ele nunca perguntou sobre meus pais e eu nunca os mencionei. Eu queria desesperadamente descobrir seu passado, mas eu não queria parecer muito interessada. Ele algumas vezes falou com carinho sobre seu irmão, mas o tema sobre seus pais nunca surgiu. Ele não os visitava e nunca recebi nenhuma ligação deles. Claro que sua família deveria ter seus números privados, mas ainda assim, seu silêncio sobre o assunto me mantinha intrigada.
Ele podia exibir suas acompanhantes em público, mas todo o resto era mantido dentro dele, incluindo o que ele fazia todas as tardes de quinta-feira. Falávamos sobre política e economia, livros e filmes, atualidades e história. Nossas conversas variavam entre o profundo e o frívolo. Trabalhávamos longas horas, às vezes na mesma mesa, olhando para o mesmo monitor. Seu conhecimento sobre negócios e finanças era impressionante e eu me sentia totalmente por fora, mas ele me mostrava, passo a passo, como ele tinha chegado as suas conclusões. Lentamente eu fui pegando cada vez mais trabalho interno, do dia a dia da empresa, para liberar seu tempo para que ele pudesse fazer o que ele fazia melhor — ganhar dinheiro para os seus clientes.
Nunca antes estive em tão perfeita sincronia com um dos meus chefes. Com ninguém. Era a parceria perfeita. E por isso fiquei assustada. O que ele ia fazer se ele descobrisse que eu estava mentindo para ele? Mas eu não conseguia pensar assim. Nenhum dos meus outros chefes tinha ficado decepcionado comigo e isso também iria acontecer com Sasuke. Assim que eu encontrasse algo para frustrar seus planos com relação ao projeto Serendipity e passasse adiante para Tsunade, eu terminaria o meu contrato, alegando que era hora de seguir em frente e silenciosamente deixaria o emprego.
Nesse meio tempo, tinha que manter meu juízo sobre mim e meus hormônios. Meus hormônios pulavam sempre que ele me tocava. Ele nunca novamente mencionou em dormir comigo, mas eu tinha a impressão de que ele não tinha se esquecido de sua promessa de que ele sempre dormia com suas assistentes. Ele tornava impossível esquecer. Estava em seus olhos quando ele me olhava e estava definitivamente presente sempre que nos tocávamos acidentalmente. Era apenas uma mão ou um braço, mas o contato sempre aumentava a minha frequência cardíaca e fazia o meu sangue esquentar.
"Que tipo de pausa você tem em mente?" Eu perguntei. Talvez ele me convidasse a ir com ele ao lugar aonde ele ia todas as quintas-feiras na parte da tarde.
"Eu fui convidado para uma festa de lançamento pelo CEO de uma empresa em que eu tenho investimentos. Eles estão lançando uma nova versão do seu telefone."
Eu sentei e pisquei para ele. "Você quer que eu seja sua acompanhante," disse categoricamente.
Ele encolheu os ombros. "Chame como você quiser. Estou pedindo para você me acompanhar."
"Eu te disse, que eu não vou dormir com você."
"Não vou passar da primeira base num primeiro encontro," ele disse com os olhos brilhando.
Sim, claro. Como se eu fosse cair nessa. Além disso, já sabia sobre o lançamento do telefone. Tinha visto o convite quando ele chegou a minha mesa. Haveria mídia na festa e fofocas observando os altos vôos dos chefões corporativos. Todo mundo me veria com Sasuke e concluiria que eu era sua última foda. Não, obrigada. Não era o que estava no meu contrato, e certamente não era uma boa ideia Hanabi ficar preocupada. Ela me odiaria se descobrisse.
"Sair com você não é minha ideia de uma pausa," eu menti. Um encontro tranquilo, sem atenção, parecia maravilhoso, mas não lhe disse isso. "Ao contrário de você, não misturo trabalho e prazer."
Ele uniu os lábios e olhou para baixo. Depois de um momento, ele respirou e ficou de pé. "Não me faça te demitir," ele disse preguiçosamente enquanto entrava no seu escritório. "Você é boa demais para eu te perder."
Olhei para a porta fechada. Não sabia o que fazer com esse comentário. Tudo o que eu sabia era que eu gostava de tê-lo sentado na minha mesa comigo, flertando comigo e me convidando para sair. Gostava muito. Se as circunstâncias fossem diferentes — Não. Esqueça esse tipo de conversa. As circunstâncias não eram diferentes. Era inútil, suspirar por algo que eu não poderia ter. Caras como Uchiha Sasuke despedaçavam corações. Eles não queriam um relacionamento em longo prazo, apenas curto. A prova disso estava no documento que Tsunade tinha me dado com a lista de suas namoradas. Suas muitas, muitas namoradas. Ou melhor as namoradas que ele se importava.
Eu duvidava que Sasuke tivesse se importado com Ino. Sua demissão depois de trepar com ela no depósito era a prova. De jeito nenhum eu o deixaria fazer isso comigo. Eu não era diferente de Ino quando se resumia ao que eu sentia por ele. Eu odiaria ter um homem como Sasuke na minha cama só para perdê-lo depois que eu caísse de amor por ele.
Eu almoçava na minha mesa como fazia muitas vezes. Eu estava terminando meu sanduíche, quando ele passou com a pasta na mão.
"Te vejo amanhã, Hinata. Não trabalhe até tarde. Até você precisa de algum tempo às vezes."
"Tem planos para hoje à tarde?" Perguntei inocentemente.
"Você sabe que sim." Eu o vi entrar no elevador e as portas se fecharem. Tão logo elas estavam firmemente fechadas, eu peguei a minha bolsa. Eu corri e apertei o botão e o segundo elevador chegou. Felizmente um táxi tinha acabado de chegar para deixar alguém. Entrei no carro, coloquei minha bolsa no colo e olhei para o motorista. "Espere," disse para o motorista. A porta do estacionamento subterrâneo deslizou e o Jaguar preto de Sasuke apareceu. "Siga aquele carro." O motorista pisou no pedal. Abrimos nosso caminho através do tráfego da cidade, mantendo o Jaguar bem a nossa à frente. Assim que chegamos à rodovia, o motorista teve dificuldade em manter a perseguição.
Sasuke não quebrou o limite de velocidade, mas ele dirigia rápido como se estivesse jogando Super Mario Brothers. Após dirigir por trinta minutos, Sasuke virou para uma estrada menor e de novo para outra menor. Tinha pouco tráfego e fiquei preocupada se ele podia nos ver, mas isso não aconteceu. A estrada estreitou-se para uma única faixa com ramos crescidos que chicoteavam o seu Jaguar. Finalmente, após uma curva eu vi que ele diminuía a velocidade. Havia dois outros carros estacionados nas proximidades, ambos com duas pranchas amarradas no teto. Pedi ao motorista para parar. "Espere por mim aqui," eu disse, abrindo a porta. "Voltarei em alguns minutos." Andei o resto do caminho, me mantendo nas sombras. Meus pés afundavam no solo arenoso e a brisa quente e salgada fez minha jaqueta grudar no meu corpo. Ondas batiam sobre rochas à distância, mas não estávamos em qualquer praia que eu conhecesse. Onde quer que eu estivesse, poucas pessoas se aventuravam a frequentar.
Vi atrás de um arbusto Sasuke cumprimentar alguns outros caras. Fiquei chocada ao ver que todos se pareciam. Eles eram altos e mais bonitos do que qualquer homem tinha o direito de ser. Eu sabia que sem dúvida que eles eram da família de Sasuke, e não parecia que eles estavam esperando alguém chegar. Eles tiraram roupas de mergulho dos carros e se despiram perto dos automóveis. Opa. Era possível que os meus olhos saíssem do meu rosto. Eu tinha uma visão perfeita das costas e da bunda de Sasuke. Mesmo à distância eu podia ver seus músculos fortes, dos seus ombros até as suas costas. Sua bunda era rígida, ele era todo sexy, masculino, viril. Eu pisquei, tentando ver melhor, mas rapidamente a roupa de mergulho já estava vestida até a sua cintura. Então ele se virou e eu tive que admirar sua visão frontal. Era tudo que eu sabia que seria. Ele tinha o abdômen de um atleta, todas as depressões e sulcos e o peito de um nadador. Não conseguia parar de olhar. Eu estava atordoada e possivelmente babando.
De repente, os outros três caras se alinharam ao lado dele, todos com suas roupas de mergulho abertas nas suas cinturas. Sasuke virou para eles e disse algo. Os três o ignoraram, olharam para mim e acenaram na minha direção. Abaixei-me por trás do arbusto. Eles tinham me visto! Que maldição.
Isso significava que Sasuke devia saber que eu estava lá o tempo todo. Eu assistia através das folhas. Os três irmãos estavam rindo. Sasuke não estava. Ele os deixou para desamarrar uma prancha de um dos outros carros. Eventualmente eles se juntaram a ele e todos os quatro desapareceram, e eu podia ouvir o barulho das ondas. Eu queria assistir, mas eu sabia o que era bom para mim. Eu tinha que sair de lá e pensar em uma desculpa para preservar a minha dignidade. Mas não consegui pensar em nada. Deu um branco na minha mente. Não, não era um branco. Eu ainda estava pensando na melhor bunda que eu já tinha visto e o melhor peito, e ombros, e abdômen... Eu suspirei. Agora que eu tinha visto o pacote que eu estava recusando todo esse tempo, fiquei duplamente feliz de já ter recusado o convite para acompanhá-lo na noite seguinte. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse resistir à força de Uchiha Sasuke, se ele me pedisse novamente porque, bem, porque eu não queria mais resistir.
Na manhã seguinte, um convite para a festa de lançamento estava em cima do meu teclado, com o meu nome escrito. Olhei para ele, pensando se eu deveria estragar tudo e me livrar dele antes que Sasuke visse. Mas ele provavelmente já sabia que estava lá. O maldito sabia tudo. A porta dele abriu e sua figura encheu o portal. Ele me deu um sorriso travesso. Ele acenou com o convite.
"Eu odeio perder. Eu pensei que você já teria percebido isso." Pelo menos ele não tinha mencionado de eu tê-lo seguido até a praia. Ainda. Eu guardei minha bolsa e liguei o computador. "Você contatou alguém e eles entregaram isto aqui. É traiçoeiro."
"Eu prefiro engenhoso." Ele entrou na minha parte do escritório e parecia querer também encher esta parte com sua presença. Ele passou pela minha mesa e apertou o painel da parede para revelar a cozinha. "Desta forma, você pode ir ao lançamento, mas não precisa ir comigo. Você não precisa ser vista comigo, se você não quiser."
"Então por que você me quer lá?"
"Para mais tarde," ele murmurou, olhando para mim por cima do ombro. Os olhos dele pesquisando meu rosto. Eu engoli. "E porque você deve estar lá," ele disse enquanto fazia café. "Este novo telefone é um lançamento importante para uma empresa em que o Grupo Uchiha investe, e você é uma parte importante do Grupo Uchiha."
Eu peguei o convite e fiquei passando a minha unha sobre a etiqueta com o meu nome. "E se eu disser não?"
"Você não vai dizer não," ele disse.
"Como você sabe?"
"Porque eu ordeno que você compareça. A menos que você tenha algo importante para fazer, você vai ter que ir. Além disso." Ele se virou, xícara de café na mão e se inclinou. "Eu sei que você quer ir."
Fique calma, Hinata. "O que te faz achar isso?" Os olhos dele se encontraram com os meus sobre a borda do copo. Eles eram os olhos do diabo, insondável e onisciente.
"Não finja que não está interessada em ver mais de mim. Isso ficou provado ontem."
Meu rosto ficou quente e eu queria me esconder debaixo da mesa, mas não havia como me esconder daqueles olhos. Eles viam através de mim e me deixavam nua, deixando-me indefesa. "Ontem vi um pouco de você," eu disse. "Isso é suficiente para mim, obrigada."
"É verdade?" ele falou lentamente como se não acreditasse em uma palavra. "Vamos ver."
Virei para o meu computador e me forcei a não me envolver mais com ele. Parecia sempre acabar mal quando eu discutia com ele. O homem sempre parecia ter a última palavra.
"A propósito, era a minha família," ele disse, voltando-se para frente da minha mesa.
"Todos os três?" Eu perguntei, fingindo inocência. Ele assentiu.
"Só Itachi não estava lá." Ele falou tão baixinho que eu quase esqueci a minha determinação para não olhar para ele e olhei para cima. Ele estava olhando para a sua xícara, com a boca torcida tristemente. "Ele está sumido há algum tempo."
"Você não sabe onde ele está?"
"Nós temos uma ideia. É impossível se esconder dos Uchihas para sempre. Mas ele nunca se comunica com a gente."
"Por quê?"
"É uma longa história."
"Eu tenho tempo."
Seus cílios fechados vibraram, e quando eles reabriram, o aço estava de volta em seus olhos. Todos os traços de vulnerabilidade foram dizimados. "Não, não. Temos muito trabalho a fazer. Eu quero levar as coisas adiante, juntamente com o projeto Serendipity Bend." Assim de repente, ele me excluiu.
A pequena janela dentro da sua alma foi fechada mais rapidamente do que quando foi aberta e ele voltou a ser somente negócios de novo. Eu queria perguntar-lhe mais sobre sua família. Eles pareciam brincalhões e tão diferentes de Sasuke que era difícil imaginá-los sendo parentes. Eu me perguntava se alguma vez iria conhecê-los. O clique da sua porta se fechando me fazia pensar esses tipos de pensamentos.
Não queria conhecer a família do Sasuke. Não queria chegar perto do homem. Eu preferia que o lado surfista brincalhão dele ficasse escondido. Porque eu gostei demais desse lado.
