Aí estava...

Depois da primeira explosão de raiva e choro compulsivo, era impossível encontrar Jane fora do trabalho.

Olhando para trás, é engraçado como o primeiro mês depois de ter perdido o bebé foi tão fácil- Negação. A Maura devia ter adivinhado. Ela viu fragmentos do que estava para vir, mas ao contrário do normal, decidiu ignorar estudos científicos e manter-se optimista. Agora, não conseguia deixar de se sentir culpada pela dor da amiga. Devia ter feito mais para lhe dar apoio e a animar, em vez de tentar proteger si mesma. Sem contar com Jane, ela era quem estava mais entusiasmada com o bebé...ok, talvez fosse Angela mas era praticamente empate. Mais do que uma tia, ela estava pronta para ser um género de segunda mãe.

Maura arquivou algumas amostras para o papel de parede do quarto de bebé da casa dela e pensou no que Jane estaria a fazer naquele momento. Pensou em lhe enviar uma mensagem mas não é que fosse receber uma resposta. Tinha imensas saudades mas quanto mais se tentava aproximar, mais a Jane se afastava. Em vez disso, decidiu ligar a Frankie.


Menos de cinco minutos, foi o tempo que demorou para o Frankie a convidar ir lá a casa. Maura só lá tinha estado algumas vezes mas nunca sozinha. Era um sítio agradável. Os dois sentaram-se a beber cerveja...inclusive ela.

M: "Espero não estar a atrapalhar."

F: "Fui eu que te convidei"

M: "Obrigada. Então...como está a Jane?"

F: "Não sei. Estava à espera que ela falasse pelo menos contigo."

M: "Só se contares falar por cima de cadáveres sobre a sua causa de morte"

F: "...e tu?"

M: "Eu o quê?"

F: "Como andas?"

M: "Eu...não tenho direito."

F: "Ela é a tua melhor amiga, Maura. É normal sentires o que estás a sentir"

M: "Mas não devia. Estou a ser egoísta."

F: "Não estás nada"

Frankie tomou a mão dela na dele e aproximou-se.

M: "Frankie..."

Com isso, ele afastou-se. Maura sentiu-se aliviada por ele a ter percebido e tentou apagar o acorrido da memória.

F: "Desculpa"

M: "Não, está tudo bem. Não precisas de pedir desculpa."

F: "Tens que saber uma coisa...o Casey voltou."

M: "O quê!?"

F: "A minha mãe viu-os juntos."

M: "Que porra é que ele está aqui a fazer?"

F: "Percebo-te. Não sei o que se está a passar mas não estou a gostar nada disto."

M: "Bem, ela está demasiado frágil. Se não nos quer por perto pode ser que isto seja bom."

F: "Se calhar. Só espero que ele não a faça fazer algo que se fosse noutra altura ela não faria."


Maura acordou, mexendo-se desconfortavelmente, por causa do tecido contra a face e a falta de espaço, completamente esquecendo-se que não chegou a voltar para casa. Na noite anterior o Frankie insistiu para ela dormir no quarto dele mas ela não se quis aproveitar da sua bondade. Ela era mesmo um espécime humano incrível. A Angela tinha feito um óptimo trabalho a criar os filhos. Todos eles eram fantásticos e excepcionais à sua maneira...podiam não ser as pessoas mais cultas, mas certamente tinham o maior coração. A médica sentou-se e começou a fazer exercícios de aquecimento ao pescoço para aliviar tensão acumulada.

F: "Apetece-te café?"

Maura voltou-se para trás e viu Frankie de pijama, enquanto bebia algo. Ela sorriu-lhe.

M: "Adorava."

Quando ela se levantou e moveu para perto dele a porta abriu-se. Era Jane. A detetive olhou para eles sem querer acreditar e bateu com a porta, deixando a Maura confusa.

J: "O que é que estás aqui a fazer?"

M: "Eu-"

J: "Por isso é que não estavas em casa de manhã?"

M: "Foste à minha casa?"

J: "Okay, o que é que está a acontecer?"

M: Não percebo o que queres dizer com isso"

J: "Estás a vestir a roupa de ontem, Maura. Dormistes aqui?"

M: "Jane, vá lá, não é o que estás a pensar."

J: "Pensava que já tínhamos ultrapassado isto. Não decidimos que isto não podia acontecer?"

M: "Não é o que estás a pensar"

J: "Então o que é?"

M: "Estava aborrecida. Vimos um filme e fiquei demasiado cansada para voltar a casa."

J: "Então, em vez de chamares um táxi ficaste na casa do meu irmão, que tem uma paixoneta por ti?"

M: "Jane, isso é absurdo. Ele vê-me como uma irmã."

J: "És assim mesmo tão ingénua? E EU sou a irmã dele, não tu."

F: "Jane, isso é um bocado..."

M: "Deixa estar. Está tudo bem, Frankie"

J: "Estás a defendê-la? A sério? Eu sou tua irmã."

F: "A Maura estava preocupada contigo!"

M: "Frankie, está tudo bem. Obrigada pelo café mas fica para a próxima vez. Adeus Jane."

Sem compreender por completo tudo o que estava a acontecer, e por estar demasiado ansiosa ao ponto de não os conseguir ouvir, Maura foi-se embora rapidamente.

Ela apressou-se a entrar no carro, enquanto tentava impedir com que as lágrimas lhe saíssem antes de o fazer. Quando o consegui cruzou os braços em cima do volante e encostou a testa no mesmo, a chorar e a tentar controlar a respiração.