Capítulo 3
Finalmente era chegada a noite do último baile da temporada – finalmente para Lily, que já não aguentava mais pensar em vestidos para a próxima grande festa. Para a maior parte da população feminina de Londres, se tratava da última chance das mamães casamenteiras encontrarem um par para suas amadas debutantes.
Enquanto caminhava em torno da pista de dança junto com Alice, que resolvera comparecer naquela noite, Lily deixou seu pensamento flutuar sem freios. Ah, que mundo injusto era aquele em que a vida de uma mulher se resumia em ir a bailes, usar roupas desconfortáveis, fingir sorrisos idiotas, esperar ser notada por algum homem hipócrita em geral consideravelmente mais velho, casar, procriar e morrer?
Era bom não precisar mais se preocupar com pelo menos parte daquelas coisas. Ser uma solteirona realmente tinha muitas vantagens, ainda que ela provavelmente fosse ser um problema financeiro para os pais. Bom, havia sempre seus tios na Escócia, que a adoravam. Ela poderia passar algumas temporadas por lá para dar um alívio aos Evans, pensou.
Antes que seus pensamentos continuassem nessa linha, ela se lembrou de um detalhe o qual havia empurrado para algum lugar sombrio da própria mente nos últimos dias. James Potter. Não era exatamente um detalhe, visto que ela precisara deliberadamente se esforçar para não pensar no dito cujo.
Ela ainda não havia entendido como em questão de poucos dias aquele homem a havia feito questionar algumas de suas grades certezas. 1) Que seria uma solteirona eterna, e que realmente queria ser uma; 2) Que os homens necessariamente eram libertinos inveterados ou arrogantes vomitadores de regras ridículas, ou ambos; e 3) Que talvez houvesse algo mais interessante em um baile do que ler Orgulho e Preconceito, mas apenas se esse algo envolvesse dançar duas músicas seguidas com um certo futuro duque chamado James Potter.
Ela sorriu sozinha, inconformada consigo mesma. Já haviam se passado duas semanas. Não era possível que continuasse pensando nas mesmas questões em relação a ele de novo e de novo. Não havia interesse. Não havia sinais. Não havia coisa nenhuma. Estava inventando fatos em sua mente, irracionalmente formando ligações entre situações que não tinham nexo. Remus fora a sua casa para agradecer – só isso. Aquela dança havia sido um agradecimento também. Mesmo que no fundo ela talvez quisesse que não. Mesmo que ao lembrar-se da ocasião experimentasse uma incômoda sensação de formigamento e calor. Pela própria sanidade mental, ela precisava parar de pensar.
Alice estava falando qualquer coisa sobre alguém que havia pedido a mão de alguém em casamento quando Lily foi tirada de suas reminiscências pela visão de outro alguém caminhando em sua direção, fazendo a volta da pista da mesma forma que ela. Era Severus Snape, de novo. Nervosa, ela disse à Alice que não se sentia bem e rapidamente foi se sentar. Encontrou um canto aceitável onde tentou se esconder.
Olhava para os pés com agitação, não queria levantar os olhos e encontrar os de seu conhecido perseguidor. Já estava considerando bancar a mal-humorada e ir embora antes da metade da noite, quando foi surpreendida por um déjà vu.
Como se surgidos do além, de repente havia sapatos masculinos escuros parados à sua frente. Foi o suficiente para fazer seu coração dar um salto, e uma sensação de borboletas no estômago surgir como mágica. Levantou os olhos controlando-se para não demonstrar nenhuma emoção em particular, e encontrou algo que decididamente não esperava – o sorriso malicioso de Sirius Black.
"Imaginei que a encontraria próxima às plantas, e não me enganei" foi o cumprimento dele, com uma sobrancelha erguida, um sorriso que mostrava todos os dentes e beirava uma gargalhada. Lily apertou os lábios, contendo-se para não sorrir de volta. Ele era carismático, tinha que admitir. "Onde está seu livro esta noite?"
Lily revirou os olhos, dizendo que não trouxera um, pois teria a companhia da amiga para passar o tempo. Sirius olhou na direção que ela apontava, onde viu Alice conversando animadamente com Frank e algum outro casal. Olhou de volta para ela e estendeu uma mão a sua frente.
"Me daria a honra desta dança, senhorita Evans?"
Lily analisou-o. Ainda não tinha captado do que aquilo se tratava, o que era dizer muito visto que ela se considerava perspicaz e geralmente podia decifrar as intenções das pessoas. Ele parecia genuinamente apenas querer dançar com ela. Com um aceno de cabeça, levantou-se e aceitou a mão do rapaz.
O que seu pai diria se não estivesse há um mês no norte do país em visitas de negócios? Lily Evans dançando pelo segundo baile consecutivo com mais um dos solteiros mais desejados da cidade. O mundo estava mesmo perdido.
Sentiu novamente aquela sensação de ter vários olhares sobre si. Dessa vez, no entanto, se permitiu olhar ao redor. Encontrou surpresa, inveja, aprovação, curiosidade, entre outras coisas nos olhares das pessoas a sua volta. Perguntou-se, sem poder se conter, onde estaria James Potter e o que ele acharia de vê-la dançando com um de seus melhores amigos. Voltou a encarar Sirius, que sorria com simpático mistério.
Como se lesse sua mente, ele falou.
"James está aqui." Lily tentou fazer-se de desentendida, falhando miseravelmente. "Ele está na varanda norte do segundo andar, que dá vista para os fundos da propriedade." Ela não entendeu o que ele queria com toda aquela descrição, e franziu o cenho.
A música estava se encaminhando para o final, e Sirius se empertigou, focando em passar a mensagem da forma que havia combinado com Remus. Tinha que dar certo.
"Posso estar muito enganado, apesar de geralmente não ser o caso, mas acredito ter percebido certa tensão entre a senhorita e meu amigo." Lily encarou-o diretamente nos olhos, surpresa, não acreditando no que ele dizia. Seria tão óbvio? Mas como ele poderia saber das coisas que ela andava pensando?
Pode-se dizer que ele havia jogado verde para colher maduro, e aquele olhar surpreso de quem fora descoberta estampado no rosto de Lily disse tudo que ele precisava. Com um último passo de dança, Sirius a rodopiou, finalizando com um singelo beijo em sua mão enluvada e um conselho direto. "Acho que você deveria falar com ele." E saiu.
Sentindo-se como se começasse a se acostumar a ser deixada na pista de dança por rapazes misteriosos, e desta vez já habituada, Lily não se demorou no mesmo lugar. Agradeceu a algum outro rapaz que estranhamente solicitava sua permissão para a próxima dança e foi na direção dos banheiros.
O que aquilo tudo significava? Primeiro Remus Lupin visitando-a em sua casa, e agora Sirius Black a tirando para dançar e lançando insinuações em relação a ela e James Potter. Além disso, havia também aquele comentário estranho de Alice sobre James estar alheio e pouco comunicativo nas últimas duas semanas. Ela sentiu o coração dar um salto inesperado. Não deveria se iludir. Mas seria possível que ela estivesse presente nos pensamentos dele tanto quanto ele estivera nos dela recentemente?
Encarando a si própria em um espelho do corredor da casa dos Pettigrew, ela ponderou. Só havia uma maneira de descobrir. E para tal, teria que assumir o risco de talvez ser vista conversando com um rapaz solteiro em algum lugar da mansão sem uma dama de companhia. Lançando mais um olhar ao próprio reflexo, tomou sua decisão e caminhou com determinação na direção das escadas, mais especificamente da varanda norte da propriedade.
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James se apoiava no parapeito da sacada, o olhar perdido a sua frente, sem realmente ver alguma coisa. Os fundos da mansão dos Pettigrew davam para um amplo jardim e por detrás deste era possível enxergar uma rua e a Grosvenor Square. Era o centro do rico e próspero bairro de Mayfair.
Ele se perguntava por que afinal havia vindo ao baile. Não colocara um pé no salão naquela noite, tendo vagado pela mansão que tão bem conhecia, pensando, e acabou parando naquela parte da propriedade da qual tanto gostava. Havia visto Sirius, que fora procura-lo, e pediu para não ser incomodado. Precisava pensar – no quê, não tinha tanta certeza.
As duas últimas semanas haviam sido atípicas. Passara os dias enfurnado no escritório, analisando documentos e revisando contratos, lendo e respondendo correspondências, ou apenas contemplando estar sozinho. A mãe estava preocupada, pois James sempre fora uma pessoa sociável, falante, usualmente planejando algum passeio ou encontro dos amigos. O pai tranquilizou-a, de certa forma feliz que o herdeiro estivesse colocando mais afinco nas tarefas da casa, preparando-se adequadamente para quando ele deixasse de ser o Duque de Somerset em favor do filho.
Mas todo aquele esforço era uma fachada para que James não pensasse em alguém muito específico. E por mais que durante o dia tivesse certo sucesso em evitar falar seu nome e ver seu rosto em seus pensamentos, à noite as coisas mudavam.
Definitivamente sentia algo por Lily Evans. Algo até então desconhecido e que não imaginara realmente ser possível sentir. Não sabia o nome. Não sabia como agir. O que dizer. Sentia-se preso ao momento. Pensava nas suas decisões, responsabilidades, no que era esperado de si. Pensava nos pais, no ducado. Nos melhores amigos, no segredo. Seria mais fácil se ela não tivesse visto o que vira, se nem tivessem se conhecido. Já havia decidido que se casaria apenas no ano seguinte, tudo estava planejado. E ainda assim...
Como se houvesse sido invocada de dentro da mente de James, de repente ele ouviu a voz daquela que o estava tirando o sono, vinda da entrada da varanda.
"Sirius Black me disse que você estaria aqui."
Ele se virou antes que pudesse se conter, e encontrou Lily Evans parada no umbral, parecendo hesitante apesar da voz firme. Estava ainda mais bonita do que ele se lembrava. Os cabelos ruivos e enrolados em cachos bem desenhados, delineados por uma tiara. Usava desta vez um vestido azul escuro, que contrastava com a pele alva e a desenhava tão bem quanto o do baile anterior.
Usando sua última gota de autocontrole, James balançou a cabeça, pensando que não podia acreditar no que via. Mataria Sirius.
"Ele não deveria ter dito nada. Eu disse que queria ficar sozinho."
No segundo em que as palavras frias deixaram seus lábios, no entanto, e ele viu a expressão chocada no rosto de Lily, o arrependimento atingiu-o como um soco no estômago.
Ela já se virava para sair da sacada, perguntando-se no que diabos estivera pensando ao acreditar em Sirius e Remus. Em imaginar que quisessem dizer que James Potter sentia algo por ela. Ela mal os conhecia. Nenhum deles. E não iria se humilhar daquela forma, não era de seu feitio. Então sentiu uma mão se fechar em seu punho com delicadeza.
"Por favor... Fique."
Ela encarou o próprio punho e levantou o rosto para o dele sem entender. Estava mais confusa do que nunca. Realmente achara que tudo o que vinha acontecendo nas últimas duas semanas eram malditos sinais, que sugeriam que ela não era a única que estava se sentindo atraída. Era muita loucura pensar que havia algo mais?
Assim que ela parou e encarou-o, James pôde olhá-la nos olhos de perto. E então entendeu por que precisara se isolar naquele baile. Mas também entendeu por que precisara vir. Se realmente não quisesse encontrá-la, teria ficado em casa. Mas ele veio. E ao vê-la novamente, todo o esforço das últimas semanas pareceu-lhe inútil. Forçara-se a jogar fora o fio de cabelo e a limpar a mente dos sonhos que vinha tendo quase todas as noites desde aquele primeiro. E para quê? Para vê-la em sua frente uma única vez e sentir tudo voltar duas vezes mais forte?
"Senhor Potter, eu..."
"James. Por favor, me chame de James."
Ela respirou fundo, assentindo. Virou-se completamente para ele e caminhou na direção do parapeito. James continuou olhando-a da entrada da varanda. Aquele movimento devia significar que ela estaria disposta a talvez ouvi-lo.
"Me desculpe." Foi o que ele disse, esforçando-se para colocar todo significado em suas palavras.
Ela agora se apoiava no peitoril, de frente para ele. Ouviu a desculpa e não disse nada, mas continuou ali como se o analisasse, autorizando-o a continuar, esperando que dissesse algo. James continuou, aproximando-se um pouco.
"Acho que não devo perguntar novamente se não se preocupa em ser encontrada conversando com um cavalheiro sem uma dama de companhia?"
Encarou-a com um olhar nervoso, agora a meio caminho de chegar até ela. Ela percebeu sua tensão e meneou a cabeça em negativa. A tentativa de quebrar o gelo era válida.
"Achei que pelo pouco que me conheceu você já teria percebido que não tenho tanto apreço pelas regras." Ela disse ainda um pouco áspera, mas com um discreto sorriso após.
Os olhos dele de repente brilharam quando ela aceitou sua referência, lembrando-se do que havia dito a ela há alguns dias.
"O que estamos fazendo... James?"
O misto de inconformidade e aflição na voz dela fez James sentir-se frágil. Encarando-a tão de perto, pensou que provavelmente não haveria um melhor momento para afinal colocar para fora o que vinha sentindo, senão diante da proprietária de seus pensamentos, no último baile da temporada.
"Eu sonhei com você..." Ele havia se aproximado um pouco mais, ainda mantendo uma distância segura. Ela manteve o olhar ante a confissão, apesar da surpresa. Ele parecia incerto de que palavras usar. Passou a mão pelos cabelos nervosamente, desviando o olhar do dela. "Repetidamente. Quero dizer... Eu não consigo parar de pensar em você desde o baile." Ele voltou a encará-la, claramente em agonia por estar finalmente dizendo algo. "Eu não sei exatamente porque estou dizendo tudo isso a você, mas... Preciso saber o que poderia acontecer, eu acho... Não que eu espere nada de você, obviamente..."
James parou sem saber como continuar. Encontrou os olhos dela, que pareciam congelados na surpresa do início de sua fala. Quando ela se recuperou, seus lábios se separaram e mantiveram-se nessa posição por alguns segundos até que ela fez sua pergunta.
"O que você quer de mim?"
Ela realmente o levaria ao limite da razão. Parecia ainda desconfiada e incerta quanto ao que estaria do outro lado daquela conversa. Não a culpava. Haviam se colocado naquela situação e precisavam achar uma forma de sair dela. Precisavam ser sinceros. E ele estava finalmente disposto. Era isso. Iria até o fim.
"Quero saber se existe alguma chance para nós dois."
A declaração atingiu Lily como uma luz ofuscante. Ela ofegou, sem tentar conter. Agora ele estava mais próximo – caminhara pequenos passos em sua direção conforme falavam. Estavam separados por um mísero metro.
"Isso é uma proposta?" foi o que saiu de seus lábios, ainda que ela não se lembrasse de elaborar uma pergunta.
"Talvez." James finalmente sorriu, mantendo-se onde estava. "Antes eu gostaria de saber algo." Ela ergueu as sobrancelhas, aguardando a pergunta. "Por que você veio até aqui?"
Lily pensou por um instante. Tinha muitas respostas para aquela pergunta.
"Eu..." Poderia dizer que algo a impeliu, talvez curiosidade, ou que se sentia simplesmente atraída, ou que desejava do fundo de sua alma jogar-se em seus braços naquele instante e beijá-lo ali mesmo. Respirou fundo e conteve-se, afinal não estava dentro de um de seus romances. Ao invés, disse: "Eu só queria dizer a você que não tinha com o que se preocupar" ela balançou os braços, deixando-os cair dos lados do corpo. "Que eu vejo Remus Lupin e Sirius Black da mesma forma que você. Eu os admiro imensamente por assumirem seus sentimentos." Sentiu-se bem ao externar finalmente sua opinião a ele. Mas achou que devia terminar com uma última verdade, ainda que esta a deixasse mais vulnerável do que jamais estivera "E admiro a você também, por ser um amigo tão dedicado. Tenho certeza de que poucos se arriscariam dessa forma. E isso o torna especial... para mim."
"Eles são meus irmãos, não é como se eu tivesse opção." Ele desconversou, mas ela pôde ver um lampejo de orgulho em seu olhar.
"É exatamente isso que eu quero dizer."
Os olhos dos dois se encontraram uma vez mais. James sorriu de lado, Lily apertou os lábios.
"Você é incrível, sabia Lily?"
Ela fez que não. "Você nem me conhece, James."
"Posso?"
Uma pequena pergunta de uma palavra. Ainda assim, a coisa mais significativa que ele poderia tê-la dito. Lily tomou um gole da coragem que estivera à sua frente por algum tempo, mas na qual ela não ousara encostar até agora. E quando sentiu o gosto da possibilidade, não houve mais caminho de volta.
Rompeu a distância que havia entre eles, aquele mísero metro, lembrando-se vagamente de todas as regras da sociedade que estava prestes a quebrar. Ignorou-as completamente ao tocá-lo no peito com as mãos, encará-lo fundo nos olhos e autorizá-lo sem palavras a finalmente conhecê-la.
Para James, foi como se as coisas estivessem acontecendo em câmera lenta. Quando ela o tocou, foi melhor do que em todos aqueles sonhos juntos. Foi real. Ele inspirou e finamente sentiu o aroma que só havia imaginado, antes de retribuir o gesto. Com segurança colocou as mãos dos dois lados do rosto dela, segurando-o e olhando-a fundo nos olhos.
Ela sentiu como se o ar talvez fosse lhe faltar enquanto o observava aproximar-se, os olhos se fechando durante o movimento. E quando os lábios de James Potter tocaram os dela pela primeira vez, tantas coisas finalmente fizeram sentido. Então era isso que as pessoas consideravam tão vulgar e absurdo de acontecer sem que houvesse um compromisso sério? Esse toque entre peles, a troca e a atenção mútua. Bom, não poderia culpá-los, afinal tal pequeno toque já parecia querer incendiá-la, quem dirá se houver algo mais?
Como se lesse sua mente, James pressionou os lábios um pouco mais contra os dela, ainda segurando seu rosto com as mãos, as dela apoiadas em seu tórax. Suas costas encostavam-se ao parapeito e ele se encontrava de costas para a entrada. Lily nem pensou, abrindo os próprios lábios como por instinto e procurando a língua dele com a sua. Sentiu-o sorrir dentro do beijo, e uma estranha sensação de plenitude a dominou.
Sem que pudesse se conter, ela ergueu as mãos e segurou-o pelo pescoço, enquanto ele descia as dele pelas suas costas até a cintura, puxando-a para perto. Sentiu-o pela primeira vez próximo a si, os corpos quentes e estranhos um ao outro – e, ainda assim, aquilo parecia tão certo.
O beijo foi terno, lento, empírico, mas cheio de entrega. Não durou muito. Talvez ambos estivessem se perguntando o que iria acontecer assim que aquele momento inicial passasse, o que diriam, como agir e continuar a partir dali.
Eles se separaram devagar, sem se afastar. Ambos abriram os olhos e encontraram olhares de desejo. Desejo reprimido e incerto finalmente direcionado ao seu lugar. Lily sentiu como se pudesse ser lida inteiramente sob aquele olhar, uma sensação já conhecida. James achou que nunca poderia se sentir tão bem quanto naquele instante.
Sorriram. E se encararam por mais alguns segundos antes de romper o silêncio.
"Se formos pegos nessa situação, você vai ter que pedir a minha mão agora mesmo." Lily disse por fim, uma expressão marota e um sorriso misterioso. Sentia-se subitamente cheia de confiança.
James riu.
"Você me deu uma ideia" começou, piscando para ela. "O que acha de voltarmos ao salão para um pequeno número de dança?"
Ela meneou a cabeça, concordando. "Tudo bem. Mas antes precisamos terminar uma coisa." E puxou-o pelo pescoço para um novo beijo, mais intenso, voraz e quente que o anterior.
