Título: Bodas de Fogo.
Personagens principais: Sabaku no Gaara e Yamanaka Ino.
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Disclaimer: Naruto não me pertence, pertence a Masashi Kishimoto. Desta forma, não viso quaisquer lucros sobre seus personagens. Esta fanfic é uma adaptação*¹ do livro Bodas de Fogo, de autoria de Deborah Simmons, de 1995.
¹*Adaptação: Ação ou efeito de adaptar(-se), ajuste de uma coisa a outra, utilização de qualquer objeto ou utensílio para finalidade diversa de seu uso primitivo.
¹¹*Acho importante avisar que nem tudo estará como no livro.
Sinopse:
Sabaku no Gaara
Diziam que o misterioso Cavaleiro Vermelho não era um simples mortal. Que fizera um pacto com demônio, em troca de se tornar um guerreiro invencível.
Ino, porém, podia sentir com todo o seu ser que as sombras do enigmático e fascinante Gaara ocultava um segredo muito mais profundo...
Yamanaka Ino
Feito um vendaval, Ino invadiu o castelo de Suna para reivindicar o Cavaleiro Vermelho como marido!
E Gaara percebeu que sua vida mudaria para sempre. Mas uma mulher tão ardente e cheia de luz iria aceitar viver uma paixão envolta pelas trevas?
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Capítulo 7
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Gaara estava furioso.
Andando de um lado para o outro, tentava se concentrar no que Kankurou contava, mas era difícil. O servo lhe dizia coisas que preferiria não ouvir e cada palavra caía sobre sua raiva como uma chicotada em carne viva.
- E onde estão eles agora?
- Fui informado de que se dirigiram à aldeia, meu lorde.
- Depois de uma conversa informal, uma refeição gostosa e um passeio pela floresta. - Gaara falou entre os dentes.
- Aparentemente sim, meu lorde. Embora eu deva deixar claro que na minha opinião nenhum dos dois seria capaz de se comportar de maneira imprópria às posições que ocupam.
- DE MANEIRA IMPRÓPRIA?! - A voz do Cavaleiro Vermelho ecoou cheia de ira pelos aposentos enquanto um murro possante sobre a mesa quase partia a madeira em duas.
Imprópria era um termo delicado demais para descrever o que poderia estar acontecendo. Melhor usar a palavra certa: infidelidade, adultério, traição...
- Meu lorde, talvez fosse mais prudente se preocupar com o que Naruto possa estar revelando à sua esposa do que com as ações de ambos. Porque se ela souber a verdade a seu respeito, terá uma arma de poder mortífero nas mãos.
A razão lhe dizia que os argumentos de Kankurou em sensatos, porém, o que fazia transbordar sua raiva era mesmo a ideia do que seu vassalo e sua mulher poderiam estar fazendo juntos. O ciúme sim, o levava à beira do descontrole total. Entretanto a fúria contida já se tornara parte da sua vida. De que adiantava esbravejar quando sequer podia tomar as rédeas do próprio destino?
Com muito esforço, o Sabaku recuperou o controle das emoções e quando voltou a falar, sua voz soava calma e tranquila, apesar de cortante como o aço.
- Por favor, diga à minha esposa e ao meu vassalo que os espero para jantar comigo esta noite. - Ao perceber que o servo não se movera um centímetro do lugar, Gaara irritou-se. - Agora! Vamos! Quero que os encontre antes que saíam para qualquer outro lugar juntos! Pelo sangue de Cristo, quer eu a possua ou não, Ino é minha mulher... aos olhos de Neji, aos olhos da igreja e aos olhos dos homens! Quero os dois na minha frente para que eu mesmo possa julgar... até que ponto andaram se comportando de... maneira imprópria.
Assim que o servo saiu, Gaara recomeçou a andar de um lado para o outro, diante da enorme cama de casal, fria e vazia. A ironia do fato não lhe passou despercebida.
Percebendo o adiantado da hora, Ino tomou um banho rápido e deixou que Kurenai a ajudasse a vestir-se. Pelo menos desta vez a criada não contava as histórias de sempre sobre o terrível lorde de Suna. Parecia mais preocupada com o homem que Naruto enviara para lhe servir de guarda pessoal.
- O nome dele é Asuma, embora tenha me pedido para chamá-lo de Asu-kun. Como se eu quisesse manter essas familiaridades. Quando eu lhe disse para me chamar de senhora Kurenai, você precisava ver como o danado sorriu! Pois vou lhe dizer uma coisa, minha lady. Aposto que me sentiria muito mais segura num ninho de cobras do que tendo um homem como aquele à minha porta.
- Se você tem medo do tal guarda, então peça a Naruto para substituí-lo por outro.
Ignorando o conselho, Kurenai suspirou alto e continuou a resmungar.
- Duvido até que seja mesmo um soldado porque é baixo e magro como uma vara de marmelo. Como é que pode garantir a proteção de alguém? Talvez seu belo vassalo o tenha mandado com o único propósito de debochar de mim.
- Ele não é meu vassalo e sim de meu marido. - Ino falou com firmeza. - Tenho certeza de que Naruto pouco se preocupou em escolher um homem cuja aparência pudesse ou não agradá-la.
- Bem, se esse Asu-kun é um exemplo, então os soldados de Suna são tristes figuras. Isto é, caso Suna possua soldados de verdade. Porque se as criaturas forem semelhantes ao lorde do castelo, não devem passar de sombras.
- Por favor, certifique-se de que o guarda tenha uma boa refeição no jantar. - Ino ordenou depressa, ansiosa para livrar-se do falatório da criada.
- É o que farei. Pelo menos se o coitado engordar um pouco terá mais substância e não sairá voando por aí, na primeira lufada de vento.
Tão logo Kurenai se ausentou do quarto, Ino suspirou aliviada e continuou a pentear os cabelos. Como ainda estivessem úmidos, resolveu deixá-los soltos em vez de trançá-los e prendê-los no coque habitual. Felizmente a criada encontrara algo novo com o que se preocupar, pensou sorrindo. Com um pouco de sorte, o irreverente Asu-kun manteria Kurenai ocupada o suficiente para deixar de lado o Cavaleiro Vermelho. Precisava agradecer Naruto por ter mandado o guarda.
Ao se lembrar de como a criada chamara Naruto de "seu" vassalo, Ino parou de sorrir.
Seria normal esperar que os aldeões, na ausência constante do verdadeiro lorde, começassem a ver o vassalo como o senhor de Suna. Isso não estava certo. O instinto lhe dizia que Gaara não iria gostar nada... se soubesse. Daria tudo para que aquela noite já tivesse terminado. O fato é que preferia não partilhar a refeição na companhia do marido e de Naruto. Ainda se sentia um tanto culpada por ter passado o dia inteiro ao ar livre, embora soubesse que nada fizera de errado. Simplesmente escapara à atmosfera pesada do castelo durante algumas horas. Então por que a sensação de que traíra o marido? Por que preferia a luz à escuridão?
Uma batida à porta arrancou-a dos pensamentos sombrios. No instante em que abriu e se deparou com o olhar de Kankurou, percebeu que alguma coisa estava errada. Não que o criado tivesse alterado a expressão impenetrável do rosto. Aliás não conseguia imaginá-lo rindo ou chorando. Sempre austero, jamais demonstrava a menor emoção em qualquer circunstância. Porém hoje... ele parecia diferente. Positivamente preocupado.
- Meu lorde mandou avisá-la de que a espera para o jantar.
Seria impressão sua ou ouvira uma leve hesitação na voz do servo?
- Sim, claro. Sempre janto com o barão. Kankurou, o que foi? Problemas sérios?
- Minha lady, sei que um homem da minha posição não deveria dizer nada... mas...
- Por favor, sinta-se à vontade para falar.
- Minha lady, o barão ficou furioso quando soube que você pareceu preferir a companhia do vassalo. Talvez ele tema que possa haver... falatórios.
- Falatórios? Falatórios? Como, se não mora ninguém neste castelo deserto?!
Todo o sentimento de culpa que viera experimentando por ter aproveitado o dia desapareceu num passe de mágica. Sentia apenas raiva.
- Qualquer coisa que se diga de mim jamais poderá ser comparada aos horrores que se contam do Cavaleiro Vermelho. Os aldeões, por exemplo, adoram a história de que durante o dia o barão oferece sacrifícios humanos e à noite come corações de crianças no jantar!
Diante da explosão de Ino, Kankurou se retraiu e voltou à atitude servil e impessoal de sempre.
- Sim, minha lady.
Os dois caminharam para os aposentos principais sem trocarem mais uma palavra. Falatórios... Que ideia ultrajante, absurda! Como é que seu marido, uma pessoa que jamais a levara para um passeio ou se dignara a sair do quarto para jantar no salão, podia se ofender com o fato de que ela dera atenção ao vassalo, um homem bem-educado e de confiança? Um soldado que provavelmente jurara lealdade ao seu lorde até a morte? Como é que Sabaku pudera julgá-la capaz de trai-lo com tanta facilidade? Por mais que apreciasse a companhia do vassalo, nunca lhe passara pela cabeça um outro tipo de relacionamento que não fosse amizade. Naruto era bonito sim, porém não tinha nada de especial. Apenas simpático e de boa aparência, como muitos dos cavaleiros que conhecera e a quem não dera a menor importância ou por quem não tivera o mínimo interesse.
Na verdade, o único detalhe que diferenciava Naruto dos outros é que a presença dele aliviara um pouco o peso da escuridão. Em Konoha, sempre vivera rodeada de pessoas, podendo escolher com quem conversar. Mas aqui, em Suna, as opções eram praticamente inexistentes. Gaara se dignava a lhe dirigir a palavra apenas durante as refeições. Restavam Kurenai, com suas histórias bizarras, o tocador de flauta, a cozinheira e a filha. Kankurou não contava por que se mantinha sempre calado. Naruto surgira como uma alternativa à atmosfera solitária do castelo. Até que o Cavaleiro Vermelho conseguira arruinar tudo. E era isso o que mais a enfurecia. A certeza de que o prazer de um dia passado ao ar livre fora perdido para sempre.
Ino entrou no quarto de mau humor, os olhos buscando a silhueta alta do marido. Pretendia colocar a história toda em pratos limpos imediatamente, entretanto a presença de uma terceira pessoa a fez mudar de ideia.
- Minha lady. - Cumprimentou-a Naruto.
Talvez Kankurou tivesse exagerado a seriedade da irritação de Gaara, pensou. Talvez ela mesma se agitara tanto a troco de nada.
- Minha lady. - O tom de voz de Sabaku soava calmo e controlado, deixando-a um pouco mais aliviada. Para sua surpresa, seu lugar à mesa fora colocado ao lado do vassalo. Uma espécie de armadilha, talvez?
- Gaara, você se esqueceu de dizer que a beleza de sua esposa supera a da mais bela joia.
Ao ouvir o elogio do vassalo, Ino quase se engasgou com o vinho. Será que aquele insensato não tinha noção do quanto era perigoso despertar a ira de Sabaku?
- Na aldeia as pessoas comentam que agora foi encontrado um anjo para o nosso Cavaleiro Vermelho. Mas eu não imaginava que os aldeões falavam de maneira tão literal.
Ela ficou tensa, aguardando a explosão do marido. Porém nada aconteceu.
- Sim, é o que dizem todos os que tiveram o privilégio de contemplar sua beleza.
Apesar das palavras gentis, Ino sentiu-se desassossegada. Havia algo de ameaçador escondido sob o manto da delicadeza. Um perigo crescente emanava da figura escondida nas sombras. Será que Naruto não era capaz de perceber? Aparentemente não, porque as palavras seguintes do vassalo não demonstravam qualquer tipo de cautela.
- Gaara me contou que esse casamento foi arranjado por Neji, minha lady. Você não ficou surpresa ao descobrir que seria esposa do Cavaleiro Vermelho? Muitas mulheres ficariam apavoradas com a perspectiva, considerando a reputação de Sabaku.
- Não, não fiquei nada surpresa, uma vez que a escolha foi minha. Eu o escolhi. - E pelo jeito, foi um erro terrível, teve vontade de acrescentar.
- Você o escolheu? Não estou entendendo.
Ino queria sumir da face da terra. Hoje pela manhã pensara haver colocado um ponto final na curiosidade de Naruto, mas pelo visto o vassalo estava ousando ainda mais nas perguntas. E bem na presença do Cavaleiro Vermelho!
- Neji me permitiu escolher um marido dentre todos os cavaleiros da corte e me decidi pelo barão Sabaku. - Como Gaara não demonstrasse qualquer objeção à conversa, esperava que o marido deixasse claro que o arranjo não fora do seu agrado. Entretanto ele continuou em silêncio. O que estaria pensando, calado dentro da escuridão? Se ao menos pudesse enxergá-lo...
- Verdade? - Naruto continuou interessado. – Mas você mesma me disse que nunca havia se encontrado com Gaara antes. O que a levou a tomar uma decisão assim?
Será que aquele homem nunca ia parar com o interrogatório? Por que seu marido não interferia?
- A reputação do barão é impressionante.
- Ah! Quer dizer que você ouviu falar sobre o desempenho dele nas guerras?
- Sim. - Cansada de tantas perguntas, Ino decidiu que acabaria contando a história inteira, com todos os detalhes, se Gaara não interviesse. Diria que fizera aquela escolha insensata na esperança de ser recusada, que jamais passara pela sua cabeça tornar-se esposa do barão Sabaku. Naruto sorriu para si mesmo. Com certeza havia mais nesta história do que o casal parecia disposto a contar. E como adoraria saber os detalhes! Conhecendo Gaara há anos, ouvira todos os rumores que envolviam a figura do Cavaleiro Vermelho, rumores que desencorajariam a mais determinada das donzelas. Ainda assim a bela herdeira de Konoha escolhera o lorde de Suna.
Por quê? Somente uma mulher com inclinações para a feitiçaria, para a magia negra, buscaria a companhia de um homem de quem se contavam horrores. Porém poderia jurar que a nova castelã possuía um espírito puro, alguém que preferia a luz às trevas.
- Então você queria um guerreiro poderoso para proteger as suas propriedades?
De repente Ino se deu conta de que não valia a pena tanta aflição. Se Naruto era vassalo de Gaara, devia saber, melhor do que ninguém, como e o que o Cavaleiro Vermelho era. Qualquer pessoa do reino conhecia os boatos que cercavam o lorde de Suna.
- Eu o escolhi por causa da sua reputação. – Ela falou aparentando tranqüilidade. - É claro que você já deve ter ouvido todas as histórias que se contam sobre o barão Sabaku, ou será que eu preciso colocá-lo a par dos rumores? Meu marido é chamado de Cavaleiro Vermelho devido à sua associação com o diabo. Também é um poderoso feiticeiro, capaz de trazer a Suna os bruxos do mundo todo a fim de aprender os seus segredos. Depois os descarta porque prefere conjurar sozinho. É também alquimista, astrólogo e o responsável direto por toda a sorte de mal-feitos. Na verdade, pode-se culpá-lo de tudo que assola o reino, desde cerveja estragada até doenças e mortes. Com tantos poderes, ele deve ser o cavaleiro mais forte da terra, maior ainda do que o próprio Neji. Você não acha, Naruto?
O vassalo parecia, pela primeira vez, completamente perdido e, ao responder, decidiu-se pela cautela.
- Talvez as histórias que cercam o lorde de Suna sejam um tanto exageradas. Todos sabem que os camponeses têm um gosto especial pelo sobrenatural.
Ino sorriu, satisfeita pelo embaraço de Naruto. Pelo menos conseguira virar o jogo.
- Talvez, mas você devia ter cuidado em não irritar meu marido, ou ele pode transformá-lo num sapo. – Ou então mantê-lo, para sempre, dentro dessa escuridão, ela pensou amarga. Qual punição seria pior? Determinada a não responder outras perguntas, Ino bebeu um pouco de vinho e procurou se concentrar no jantar.
- Não precisa se preocupar, minha lady. Tenho mais utilidade a Gaara assim como sou. Um sapo encontraria muitas dificuldades para obter o respeito dos soldados. Ninguém entenderia meu coaxar. Para não mencionar o fato de que seria impossível achar uma montaria adequada, imagino.
A ideia de uma criatura parecida com um sapo montada num cavalo deu-lhe vontade de rir. Porém ao perceber que nenhum som vinha das sombras, o comentário espirituoso perdeu a graça. Gaara não parecia partilhar o humor da piada. Talvez fosse melhor parar com aquela conversa já. Embora não acreditasse que seu marido pudesse transformar o vassalo num sapo, não tinha dúvidas que o barão saberia encontrar outras maneiras de demonstrar seu desagrado. E com certeza Sabaku estava bastante irritado. O lorde de Suna permanecera imóvel, uma presença sombria e ameaçadora durante toda a refeição. Por um curto espaço de tempo os dois homens até chegaram a falar sobre a guerra travada contra os galeses, porém quando o assunto foi abandonado, um silêncio pesado caiu sobre o ambiente.
Mesmo o entusiasmo natural de Naruto perdeu o brilho e a graça. Finalmente, quando Ino falou sobre a tarde passada ao ar livre, Gaara não demonstrou qualquer interesse sobre os aldeões ou sobre as condições em que suas terras se encontravam. Se alguma pergunta lhe era feita, respondia com monossílabos secos. Até quando ela aguentaria ficar ali, sentindo todo o peso do mundo sobre as costas? Daria tudo para estar em seu quarto agora. Sozinha.
- Devo admitir que fiquei surpreso com as mudanças que sua lady fez em Suna. Nunca pensei que o velho salão principal pudesse parecer tão aconchegante. E desta vez não vou nem queixar da comida.
- Minha esposa é bem qualificada para a posição que ocupa, não é, Naruto? - Gaara indagou num tom estranho.
- É sim, meu lorde. Você teve muita sorte.
Ino corou e empurrou o prato para o lado. De alguma maneira não conseguia acreditar que o Cavaleiro Vermelho partilhasse a mesma opinião do vassalo. Porém as palavras do marido pegaram-na de surpresa.
- Sim. - Gaara concordou. - Ela é meu presente de Natal, um prêmio que eu não procurei, mas ainda assim, muito valorizado.
Sabaku só devia estar concordando com Naruto por uma questão de cortesia, ela decidiu. Afinal o barão odiara a intervenção de Neji. Oh, Deus, só queria ir para seu quarto. Não suportava mais aquele jogo de indiretas e sentimentos ocultos. Entretanto tinha mesmo coragem de culpar Gaara por tanta amargura? Afinal não fora ele quem procurara uma esposa. Ela sim, o obrigara a aceitar uma situação já definida. De repente Ino se deu conta de que a vida em Suna não passava de uma farsa. E o que mais doía, o que mais feria seu orgulho, era a rejeição e a indiferença do Cavaleiro Vermelho. Não, aquele tipo de pensamento não servia para nada, apenas para lhe dar indigestão.
Preocupar-se com o que Gaara dizia ou fazia era uma grande tolice. Afinal não fora ela mesma quem erguera uma barreira ao redor do coração anos atrás, para se proteger das palavras duras de seu pai e irmãos? Cerrando as mãos em punho, Ino abriu a boca para pedir licença e se retirar. Porém não foi rápida o suficiente.
- Ouvi dizer que a sua voz é ainda mais bela do que a de um pássaro, minha lady. Será que poderíamos ser brindados com uma amostra de seu talento?- Naruto pediu.
A última coisa que ela queria fazer no momento era cantar diante desses dois homens como um animalzinho ensinado. Na verdade sentia-se irritada e desgostosa com ambos... e com a espécie masculina em geral. Antes que pudesse formular uma desculpa educada, seu marido veio em seu auxílio.
- Não esta noite. Vou me retirar cedo. - Gaara anunciou.- Você deve estar cansado também, Naruto. Foi um longo dia.
- Sim, é verdade. - Compreendendo a sutileza do comentário, o vassalo levantou-se imediatamente e se preparou para sair. Ino quase fez o mesmo até perceber que não seria sensato deixar os aposentos do marido na companhia do outro.
- Foi um prazer, minha lady. E mais uma vez, dou-lhe os parabéns, meu lorde.
Gaara murmurou qualquer coisa ininteligível em resposta.
Embora notasse uma certa animosidade entre os homens, não conseguia entender o motivo e nem a maneira como ela própria poderia ter contribuído para isso. Sabia apenas que precisava escapar da atmosfera sufocante daqueles aposentos. Contendo a ansiedade, continuou sentada e imóvel até ouvir a porta se fechar atrás de Naruto. Então levantou-se.
A voz de Gaara, profunda e suave, surpreendeu-a.
- Ino?
- Sim?
Não era possível que o barão pretendesse obrigá-la a ouvir um sermão sobre a tarde passada nu companhia do vassalo! Apesar de ter a consciência tranquila, pois nada fizera de errado, sentia-se esgotada demais para discutir. Só queria que aquele dia terminasse. Só queria dormir e esquecer.
- Não deixe nenhuma vela acesa em seu quarto e mantenha as cortinas da cama bem fechadas. Irei procurá-la esta noite, minha esposa.
Ino quase perdeu o equilíbrio, atordoada por sensações estranhas em que se misturavam surpresa e um pouco de medo.
Ela fitou a escuridão intensamente, tentando enxergá-lo através das sombras. Porém seu esforço foi em vão. Nervosa, passou a língua pelos lábios secos antes de dar a única resposta possível.
- Sim, meu lorde.
Com o coração aos pulos, chegou até a porta que Kankurou mantinha aberta esperando-a, mas dispensou a companhia do criado com um gesto de mão e preferiu atravessar os corredores sozinha. Precisava de tempo para pensar, para dominar as emoções desencontradas que sufocavam lhe o peito. O medo era até fácil de entender e controlar porque não acreditava que o marido fosse um tipo bestial, inumano. Tinha quase certeza absoluta que Gaara sofrera alguma espécie de desfiguração que o forçava a viver nas trevas para se ocultar de olhares apavorados ou piedosos.
Embora a ideia de dormir com alguém assim lhe causasse apreensão, o pavor era de longe superado pela excitação estranha que palpitava em seu ventre. Então ele não a estava rejeitando e essa crença era suficiente para fazê-la sentir-se nas alturas. O. que servia para confundi-Ia ainda mais. Kankurou estava em seu quarto, preparando os aposentos para a noite, e Ino mandou o retirar-se.
Depois sentou-se na cama, satisfeita que Kurenai não iria passar a noite ali. As duas haviam desenvolvido uma rotina que lhe permitia saborear a privacidade total depois do jantar. Até agora fora um tempo dedicado à leitura ou ao planejamento das atividades do dia seguinte. Não lhe passara pela cabeça, não desde a primeira noite sob o teto de Suna, que essas horas poderiam ser usadas para o propósito óbvio. Contudo, hoje à noite, cumpriria o destino reservado às mulheres casadas...
De súbito foi tomada por um acesso de pânico, como se o Cavaleiro Vermelho pudesse chegar a qualquer momento.
"Não deixe nenhuma vela acesa", ele dissera.
Ino olhou ao redor, procurando algum ponto de iluminação. Imediatamente reparou que todos os castiçais haviam sido removidos. Por um louco instante perguntou-se se Gaara tinha conseguido fazê-los desaparecer num passe de mágica. Então lembrou-se de Kankurou, que em geral não costumava ir ao seu quarto àquela hora da noite. Claro que o criado levara todos os castiçais consigo. Ino suspirou aliviada. Porém seu alívio não durou mais do que alguns poucos segundos ao pensar que ao sair dos aposentos do marido deixara Kankurou parado junto a porta.
Entretanto fora encontrá-lo dentro de seu quarto!
Ela estremeceu violentamente, um arrepio de pavor percorrendo-a de alto a baixo. Kankurou não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo. Nenhum ser humano seria capaz de realizar tal feito... a menos que fosse uma questão de bruxaria. A menos que se tratasse de um demônio. Todas as histórias de Kurenai voltaram à sua mente com uma precisão de detalhes apavorantes.
Angustiada, Ino cerrou as mãos nas beiradas da cama com tanta força que os nódulos dos dedos ficaram brancos e doloridos. Oh, Deus, por que hoje, dentre todas as noites, precisara enfrentar essa revelação monstruosa? Hoje, dentre todas as noites, quando aguardava a chegada iminente do Cavaleiro Vermelho em pessoa? Seu marido, o homem que decidira fazer valer seus direitos de esposo...
Gemendo baixinho, ela encostou a cabeça no travesseiro sem saber o que fazer ou onde encontrar conforto para o tumulto interior que ameaçava partir sua alma em pedaços. Não havia ninguém a quem recorrer, ninguém com quem se aconselhar. Podia contar apenas consigo mesma. Um ruído do lado de fora do quarto obrigou-a a sair daquele estado de estupor e pela primeira vez, desde o dia de seu casamento, Ino teve medo do que poderia descobrir caso enxergasse o marido à luz do dia. Talvez a ignorância fosse melhor e as trevas a protegessem de uma verdade a qual não estava preparada para enfrentar. Rapidamente, desvencilhou-se das roupas e meteu-se sob os lençóis, trêmula e assustada.
E naquela escuridão absoluta, em que não se enxergava sequer um palmo adiante do nariz, aguardou que seu destino se cumprisse.
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Nota de rodapé: Gaa-kun todo ciumento é uma graça né gente? Aqui entre nós, homem só dá valor quando acha que vai perder, ou quando realmente perde.
EEE AGORA JOSÉ? Vai rolar? Não vai rolar? Como vai ser? Negócio tá ficando bom hein! HAHAHA! Particularmente: ADORO!
Encontro vocês no capítulo que vem ;)
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