Hopper estava sentado numa poltrona na sala da casa dos Byers, que agora era sua também, tomando uma lata de cerveja enquanto encarava Eleven que estava sentada bem a sua frente no sofá. Joyce estava preocupada com o marido já que fazia muito tempo que ele não bebia para espantar seus problemas.
Logo depois que Mike foi embora, Will e sua mãe tentaram acalmar o delegado enquanto El chorava. Ela tinha medo de nunca mais poder ver o namorado. Jonathan chegou e ficou maluco quando ouviu de Hopper a cena que ele tinha visto no quarto de Eleven uns minutos antes. Principalmente porque ele se culpou muito por ter ido embora. Talvez se tivesse ficado ele poderia ter impedido e preservado sua irmãzinha. Foi então que Joyce perdeu as estribeiras. Todos falando da vida sexual de Eleven sem a permissão dela. Não era da conta de ninguém e ela teria ficado extremamente chateada se fosse com ela.
Depois de empurrar os meninos para seus devidos quartos, Joyce sentou Hopper no sofá que estava com um pouco de medo da atitude repentina da esposa e acabou obedecendo criando muita coragem depois para pedir uma cerveja que a mulher deu de mau grado.
Joyce andava em círculos pela sala pensando. O que ela faria com Hopper? Ela entedia muito bem suas preocupações. El já tinha 16 anos e Mike quase 18. Mesmo que já estivesse começando o tempo de se relacionar, até um dia antes ela nem namorava. Sem contar que a menina era extremamente inocente para sua idade. O delegado não confiava muito no mais novo genro. Não que ele fosse um mau garoto, mas ele era homem e isso já dizia o suficiente.
— Jim – Joyce disse sentando-se junto de El para confortá-la –, eu sei que é difícil, mas a Eleven já está grandinha, entende?
— Não me diz que você concorda com isso, Joyce!
— Eu não gosto, mas concordo! Não adianta. Uma hora ou outra isso iria acontecer...
— Não me diz que eles…
— Não, ainda.
Eleven olhava seus pais discutindo desesperada. Ela não queria causar nenhum tipo de problema, só queria ficar perto de Mike. Aquilo que eles tinham feito parecia tão certo. Como Hopper podia não gostar? Ele fazia com Joyce, não fazia?
— Eu conversei com o Mike e ele disse que vai pegar leve com a Eleven.
— Dá para perceber como ele tava tirando as roupas dela de levinho mesmo!
— Eu que pedi. E ele não ia tirar minha roupa. Ele só colocou a mão por baixo! – Eleven disse trazendo a atenção do casal para si. Joyce ficou encarando El para que ela não falasse mais nada por conta do estado que Hopper já se encontrava, mas ela continuou. – Não entendo por que é errado se é… gostoso – a garota disse completamente calma e feliz pela a escolha de palavras.
— Ah não! – Hopper colocou sua lata de lado. – Eu não tenho que ouvir isso. – Ele se levantou bruscamente. – A Eleven não vai transar e ponto final!
As duas pularam em seus assentos quando Hopper bateu a porta do quarto. El começou a chorar de novo. Ela não entendia o que acontecia e preferia morrer a pensar que não poderia fazer aquilo novamente com Mike.
— Não se preocupe, El querida – Joyce disse enquanto a abraçava. – Hop só é protetor demais, mas com o tempo ele vai entender. – Ela quebrou o abraço. – Que tal agora você tomar um banho e ir dormir? Amanhã discutimos mais sobre o Mike.
El concordou com a cabeça, deu um beijo no rosto de Joyce e foi fazer o que sua mãe mandara.
Joyce ficou um pouco mais de tempo sentada pensando nos fatos. Era muito difícil lidar com aquilo. Eleven não via o mal no sexo. Não percebia a posição dos garotos sobre aquilo e como algumas pessoas poderiam tirar proveito de outras. Para ela era somente algo bonito que pessoas que se amavam faziam – e como Joyce queria que fosse só aquilo mesmo. Como amava Mike não via motivo para não o fazer. Joyce também sabia que Mike nunca se aproveitaria de El e que a amava demais. Ele era completamente respeitoso, sempre fora. Se era verdade que estava tirando a roupa de El depois da conversa que tiveram, então havia um lado da história que ela não conhecia. Tanto que ela imaginava que Hopper exagerou um pouco. Provavelmente eles estavam só se beijando como casais normais fazem.
Foi então que Joyce percebeu, teria que levar Eleven no ginecologista! Ela havia tentado evitar, porque Eleven não estava preparada ainda para saber certas coisas. Joyce tentava contar aos poucos para garota, mas agora que ela estava fazendo mesmo sem entender era inevitável. Era muito mais fácil ter filhos meninos.
Mike acordou com um pouco de dor de cabeça. Foram as 36 horas mais esquisitas da vida dele. Ele nem conseguia acreditar que era verdade. Que aquilo realmente havia acontecido. Ele sonhou com Eleven por quatro anos e do nada eles estavam se beijando, depois dormindo juntos e então tomando banho juntos e fazendo tudo aquilo.
Ele pedalou rápido como nunca na noite anterior. Tinha um medo do delegado resolver ir atrás dele e ele iria de carro e tinha uma arma! Mas tudo valia a pena por Eleven. Ele se sentiu mal mesmo foi por Joyce, porque ele tinha prometido algo a ela e não cumpriu. Mas como poderia com Eleven o dominando daquele jeito? Tudo o que ele queria era que aquilo fosse esquecido e que então, ele e El poderiam namorar em paz.
Foi difícil acordar cedo, mas era segunda e ele tinha escola. Porém o pior não era a preguiça e sim o medo de El não ir para a aula. Isso sim significaria algo muito ruim. No começo ela foi ensinada em casa por Hopper, nada o impediria de tirar Eleven da escola.
Depois de Mike fazer sua higiene matinal e trocar de roupa ele desceu as escadas, mas parou e ficou escondido atrás da parede. Ele conseguia ouvir sua mãe falando no telefone. Claro que ela sempre estava no telefone, mas dessa vez ele ouviu o seu nome e o de Eleven.
— Tudo bem. Conversa com a El e eu com o Mike. – Houve uma pausa, mas logo ela continuou. – Eu falo, pode deixar. Outro, Joyce. Tchau.
Joyce? Era com Joyce que sua mãe estava falando? Será que Joyce tinha contado tudo para sua mãe? Ah não, não! Ele não aguentaria! Foi então que ele se preparou para subir as escadas, mas foi interrompido.
— Eu já tive Michael, desce aqui!
Contrariado ele desceu e sentou-se ao lado de sua mãe no sofá.
— Que é? – perguntou indiferente como se nada tivesse acontecido.
— Joyce me contou de você e Eleven...
— Quê?! – ele a interrompeu.
— Tudo bem, Michael. Eu só queria dizer para você ser cuidadoso com ela, sabe como são as meninas, não é? E também Joyce pediu um tempinho que ela vai levar El no ginecologista depois vocês estão liberados, sempre usando camisinha claro. Ela também pensou que você pudesse fazer uma surpresa para El já que ela está meio chateada… MICHAEL!
Mike tinha literalmente enfiado a cara no travesseiro. Nunca, durante sua vida inteira, passou pela sua cabeça que teria que ouvir aquilo da sua mãe. Ele só gemeu um pouco e sua mãe disse.
— Vai tomar café e depois direto para escola.
— Então, o delegado pegou você e a El no ato? – Dustin perguntou enquanto os dois andavam pelo corredor.
— Como você sabe? – Mike perguntou surpreso. – Will? – Dustin assentiu com a cabeça. – É melhor isso não se espalhar!
Então, eles avistaram Will, El e Lucas conversando perto dos armários.
— Oi, gente! – Dustin disse se aproximando.
— Mike! – El correu para abraçar o namorado ignorando completamente Dustin.
— Nossa! Eu tinha quase certeza que não era invisível!
El lançou um sorrisinho para ele ainda abraçada com Mike.
— Tomem cuidado, hein? O chefe tá de olho em vocês! – Lucas avisou.
— Você também? – Mike disse irritado e depois se virou para Will esperando uma explicação.
— É que apesar do Hopper ter ficado muito puto, foi divertido Mike! – Will disse rindo levando os outros junto com ele.
— Está tudo bem em casa, então? – Mike perguntou a El preocupado. De algum jeito ele queria ter podido ficar e proteger El da ira de Hopper. Não que o delegado fosse agressivo desse jeito com sua filha, mas Mike se sentia culpado e queria deixar claro que não era culpa dela.
El assentiu com um breve sorriso e ele se abaixou para dar um beijinho nela, ainda sem quebrar o abraço.
— Ou! Que isso agora? – Will perguntou com um pouco de ciúmes da sua irmãzinha.
— Estamos namorando! – El respondeu voltando a encostar sua cabeça no peito dele.
— Ah é? Eu sou o irmão dela. Na minha frente não Mike! – Will sabia que Mike era um cara legal, mas ele preferia não.
— Foi mal, Wil… uuhnph!
Eleven tascou um beijão de Mike antes que ele pudesse terminar a frase. Ela colocou as mãos atrás de sua cabeça tornando difícil se libertar.
— El! – Mike gritou quando ela finalmente o soltou junto de Will que disse:
— Eleven!
— Falei? Namorados, Will!
O sinal tocou e Eleven deu mais um selinho em Mike e depois um beijo na bochecha de cada um de seus amigos e foi embora tranquilamente.
— Ela é tão de boa! Parece que não há problemas no mundo dela! – Lucas comentou enquanto os quatro meninos assistiam El sumir entre a multidão do corredor.
— Sabe? Eu tô achando que o Mike não dá conta de todo esse fogo da Eleven não!
— Dustin! – Will não aguentava mais ouvir essas coisas e ver sua irmã fazendo essas coisas. – Lucas, avisa a professora que eu vou chegar um pouco atrasado, preciso fazer uma ligação! – Então ele se virou para Mike. – E você comporte-se!
Lucas tinha aula com o Will naquele momento e todos os outros tinham separados.
— Tá curtindo, hein colega? – Dustin provocou Mike dando tapinhas nas suas costas.
E assim o resto do dia Mike teve que ouvir piadinhas sobre sua vida sexual quando Will não estava claro.
Eleven e Joyce estavam sentadas na sala de espera do consultório naquela tarde de segunda feira. Joyce não pensava em marcar uma consulta tão imediata assim, mas depois que Will ligou e disse que Mike e El estavam com o fogo todo ela achou melhor.
Eleven estava nervosa. Ela não fazia ideia do que ia acontecer.
— Fique calma, E. – Joyce disse enquanto massageava a mão da menina com a sua, ao perceber seu nervosismo. Eleven balançava as pernas sem parar.
— O que ela vai fazer, mãe?
— Só vai conversar um pouco com você sobre sexo e examinar seu corpinho para ver se tá tudo bem!
— Ah… – El abaixou a cabeça ainda assustada. Como assim examinar o corpo?
— Se você quiser eu não preciso entrar com você.
— Não, mamãe!
Eleven não estava nem aí se seria constrangedor ou não. Ela não confiava mais nas pessoas. Queria muito que sua mãe estivesse ali com ela. Joyce lhe dava segurança.
Quando a consulta terminou a cabeça de El girava de tanta informação que tinha recebido. A doutora afirmou que com o tempo ela ia absorver todas as informações. A parte mais difícil foi quando ela foi examinar o corpo de El. Apesar de não ser certo, Joyce teve de ficar do lado da menina, senão ela poderia se desesperar e usar os seus poderes, porque não estava nada feliz de alguém a olhando em lugares íntimos.
Como todos os meninos estavam na casa de Mike, Joyce a deixou lá para que depois El voltasse com Will.
— Onde você tava, El? – Mike perguntou preocupado. Will não quisera comentar.
Todos os meninos estavam sentados na mesa jogando o que incrivelmente não era D&D.
— No… gine… ginco… no gilogista! – El disse triunfante como se tivesse pronunciado a palavra corretamente.
Os meninos entenderam o que ela queria dizer. Will fingiu que não ouviu enquanto Mike corava e Dustin e Lucas davam risadinhas abafadas, porque tentavam segurar.
— Q-que bom, El. Fo… foi tudo bem? – Mike não sabia se era bom perguntar, mas pensou que seria rude se não o fizesse.
— Uhum! Ela me deu isso! – El estendeu um pacote de camisinhas. – Iguais a que Lucas deu pra você! Mamãe disse que apesar da pílula não estar funcionando ainda, se você usar isso a gente tá liberado – ela falava rapidamente, praticamente cuspindo as informações sem realmente entendê-las muito bem. – Foi divertido conversar, mas eu não gostei quando ela mexeu na minha vegi… não! Va-g…
— Ok! – Mike a interrompeu antes que ela falasse demais, se já não tinha falado. – Que bom que foi quase tudo bem. Me dá isso. – Arrancou as camisinhas da mão de El querendo escondê-las para que os meninos parassem de rir.
— Então, quando é que vocês vão fazer, El? – Dustin perguntou querendo provocar Mike e Will que estavam morrendo de vergonha.
— Fazer o que? – El perguntou confusa. Eles podiam fazer tantas coisas. O que exatamente?
— Isso não é da conta de vocês! – Will falou rapidamente antes que a conversa se prolongasse.
— Brigado, Will.
Mike ficou pensando o que faria com Eleven. Sua mãe dissera para impressioná-la de um jeito ou de outro, mas ele não sabia como. E era assustador saber que o caminho estava livre para eles. O problema que agora todos estavam contando com isso. Seus pais, os de El, seus amigos… Todos sabiam que uma hora ou outra aconteceria e ele não gostava nada nada.
