Mike não sabia que barulho infernal era aquele, mas não queria acordar de jeito nenhum. Quando se deu conta de si, era o despertador. Mas tinha que ser mesmo para cortar o barato deles!

Eleven desligou o alarme com a sua mente e voltou a se aconchegar nos braços de Mike. Eles haviam caído no sono, porque aquela semana inteira (que eu demorei um ano para escrever rs) fora cansativa. Primeiro os dois se declararam, então sofreram pressão para transarem. Eles queriam, mas era difícil com todo mundo sabendo. Depois Hopper deu umas piradas... Na verdade, todos piraram. Mas eles finalmente estavam ali juntos e tinham conseguido. Mike não conseguia tirar o sorriso do rosto e El tinha uma expressão serena.

— Você tem que ir – ela disse simplesmente deitada no peito de Mike.

— Uhum – ele concordou e manteve seus olhos fechados. Estava aconchegante ali e Mike não percebeu o que Eleven falava. – Quê?! – Ele se sentou bruscamente e Eleven riu enquanto abraçava o travesseiro, já que o seu tinha levantado. – Por quê?! Nem é dia ainda!

— Mike – Ela pegou a mão namorado para confortá-lo –, a gente não pode arriscar. A tia Becky podia contar pro Hop!

Eleven deu um beijinho na mão dele e depois esfregou-a perto de seu rosto. Queria que Mike soubesse que o seu desejo era que ele ficasse ali, porém não era uma opção. Ele tinha que ir.

— Eu sei. – Mike abaixou a cabeça desanimado. Tentaram tanto chegar naquele momento e havia acabado tão rápido. Ele queria abraçar El e nunca mais soltá-la.

Eleven fez um carinho nas costas de Mike e depois se espreguiçou sabendo que teria que levantar senão ele não iria. Seus seios ficaram descobertos e Mike não pode deixar de notá-los e pensar o quanto El era bonita e ele, sortudo.

Ele rolou para cima dela e ela se assustou, mas logo riu quando começou a receber beijos por toda a extensão de seu corpo. Mike começou pelo seu pescoço, passando pelo vão entre seus seios, e então pela sua barriga. Eleven o observou. O olhar em seus olhos de pura adoração e a emoção de tudo aquilo ser seu. Seus olhos se encontraram e ela sorriu, feliz de que finalmente pertencia a ele e ele a ela, algo que por muito tempo nem soube o que pensar, porque era simplesmente estranho demais. Agora estavam bem e ela faria de tudo para manter isso.

Mike não resistia o sorriso de El, então a beijou docemente. Só que eles não conseguiam controlar suas mãos, por isso logo Mike estava distribuindo beijos por todo o corpo de El novamente e ela ria sem parar.

— Mike! Para! – Ela tentava segurar suas gargalhadas, mas sentia cócegas e Mike não parava. Claro que ela o derrubava se quisesse, mas sem violência, né? Mike adorava estar no controle.

— Você é muita linda, El! – Ele sorriu e continuou com seus beijos. – Eu te amo muito!

Eleven observou o céu estrelado enquanto Mike descia os beijos pelo seu corpo e soube que aquele fora o melhor momento. Estavam mais apaixonados que nunca e ela sentia que ficariam assim por muito tempo.

— Eu também te amo muito, Mike! – Ele parou para observá-la, pois percebeu sua voz cheia de emoção e não pôde acreditar que El estava chorando outra vez. – Obrigada por me encontrar e cuidar de mim aquela vez, e por isso agora. Eu tô tão feliz!

Mike subiu para ficar cara a cara com El, ainda em cima dela.

— Eu também tô e não quero ir embora! – Ele se deitou sobre o tórax de El e nunca pensou que pertencia tanto a algum lugar. Ela acariciou os seus cabelos e Mike pensou que então ele iria chorar, porque não queria de jeito nenhum ir embora, mas sabia que tinha. Eleven tinha sido esperta deixando o despertador ali.

Mike deu um beijão em Eleven antes de se levantar e começou a colocar suas roupas. El apoiou-se nos seus ombros e notou que o estilo do namorado havia mudado drasticamente. Ele usava uma camisa azul escuro e deixava os primeiros botões abertos, expondo seu peito branco e magro. A calça jeans era bem apertada e ela teve certeza que poderia ver o exato formato de seu traseiro. Porém o que não acreditou foi que não percebeu o cabelo diferente. Estava cheio se gel e após dar uma arrumada, Mike deixou tudo para trás.

— Que foi? – ele perguntou assim que terminou de se vestir. Percebeu que os olhos de El estavam fixos nele aquele tempo todo. Mas não esperava ouvir o que ouviu.

— Mas que droga é essa, Mike? – ela disse simplesmente e Mike se assustou. Do que ela estava falando?

— O que?!

— A roupa! – Ela apontou para o namorado de baixo para cima.

— Ah! – Ele se deu conta do que ela falava e se ajeitou para ficar sexy, colocando seus óculos escuros. Tinha que tomar cuidados porque tinha certeza de que El iria pular em cima dele com aquela visão, mas na verdade Eleven começou a rir. – El?

— Mike – Ela colocou a mão sobre sua boca para que controlasse suas risadas –, por que você tá vestido que nem o Billy?

El estava somente apoiada em seus cotovelos no colchão, mas se jogou para que pudesse rir histericamente enquanto Mike ficou a observando o tempo todo sem reação. Era para ser sexy e não engraçado!

Quando finalmente conseguiu se controlar, Eleven percebeu a expressão em seu rosto. Ele estava evidentemente machucado e El revirou os olhos. Alcançou seu roupão, e foi em direção a Mike, envolvendo seu pescoço com seus braços.

— Eu queria que você ficasse... animada. – Ele não sabia muito bem como definir, mas com certeza queria que Eleven ficasse muito atraída e talvez ele não fosse o suficiente.

El riu outra vez.

— Sem nada – disse simplesmente como se fosse os outros tempos que ela mal falava.

— Que?

— Sem usar nada. É o que me deixa... animada!

De repente, Eleven começou a brincar com os botões da camisa de Mike, e foi os abrindo um por um até liberar completamente o seu torno e beijar seu peito com vontade. Ela abriu os seus olhos e sorriu, então Mike deu graças a Deus que haviam acordado cedo.


Quando o trem anunciou sua chegada, Dustin gelou. Ele tinha ensaiado, tinha se preparado, mas nada se comparava ao momento. Havia dois anos que não via Max então esperava que ele superasse as expectativas da garota. Sabia que não tinha chance, mas não custava tentar.

— Dustin! – ela gritou saindo pela última porta e ele foi atrás. Max aproveitou para retirar sua bagagem e Dustin chegou a tempo para que a mala não caísse no chão. Estava pesada demais. O que será que ela carregava ali? Max sorriu e o abraçou com tanta vontade que Dustin quase caiu no chão. Parte porque não esperava e parte porque ela o deixava meio tonto. Havia quase 5 anos que se conheceram e mesmo assim, toda vez que ficavam juntos, Dustin sentia aquela dor voltar. Não queria ser mal, mas era mais fácil agora que Max e Lucas não estavam mais juntos. – Por que você tá de terno? – ela perguntou assim que se separam.

— Ahh... e-eu queria estar apresentável! – Não queria deixar na cara que ainda gostava dela. – Toma.

Dustin entregou as rosas que segurara aquele tempo todo e Max sorriu. Dustin sabia muito bem que Max não era dessas coisas, mas não sabia qual outro presente dar sem deixar claro seus sentimentos. As rosas iam dar e Max ficou muito satisfeita.

— Obrigada! – Cheirou as flores e ela mesmo não conseguiu acreditar que estava gostando. Lucas era ótimo, mas Dustin sempre fora mais delicado.

Max se pegava de vez em quando pensando porque havia escolhido Lucas e não Dustin. Quando se conheceram, Dustin estava tendo problemas e as vezes acaba sendo grosso, e por isso que ela resolveu ficar no teto do ônibus conversando com Lucas. Porém Mike e Will juravam que ele não era assim e com o tempo ela percebeu também.

Dustin superou seus conflitos quaisquer que fossem eles e acabou voltando a ser o doce garoto de antes, mas Max já havia escolhido Lucas e quer saber? Gostava muito dele! E exatamente porque namorava Lucas, Dustin ficava longe. Mal sabia isso que era um pacto entre os dois amigos para não dar problema entre eles. Já haviam brigado por Max e não estavam dispostos a fazer isso de novo. Mas ela percebia quem Dustin realmente era e lamentava não poder ser sua amiga.

O problema entre Max e Lucas era que os dois eram muito... esquentadinhos e por serem tão novos, acabaram se perdendo no caminho. Brigavam demais. Não concordavam em muita coisa e foi uma pena, seus amigos pensaram, mas era a vida. Nem todo mundo era como Mileven.

Dustin pegou Max chorando uma vez escondida na biblioteca e ele hesitou bastante, mas não pôde aguentar. O pacto não era mais válido. Lucas e Max não namoravam mais.

Quando viu Dustin a observando por trás de uma prateleira, Max tentou limpar suas lágrimas e fingir que não tinha nada demais ali.

— Que é?

Dustin respirou fundo e sentou-se ao lado da ruiva, esperando que aquilo fosse o necessário para confortá-la.

O silêncio podia ser cortado com uma faca. Nenhum dos dois sabiam o que dizer. Dustin queria abraçar Max e dizer que ficaria tudo bem e Max queria desculpar-se por ter escolhido Lucas a ele. Não foi errado optar por Lucas, mas naquele momento parecia porque finalmente tinha percebido que seu namoro havia realmente acabado e por isso estava ali chorando.

Ela e Lucas se encontraram em um dos corredores da escola e discutiram porque os dois queriam fazer coisas diferentes após a aula. Se quase se matavam, porque acredite, a discussão foi feia, por motivos tão banais, nunca conseguiriam se entender. E eram tão jovens. Não deviam passar por aquilo.

Devagar, Max deitou sua cabeça no ombro de Dustin e eles perderam as três últimas aulas. Por um milagre ninguém os encontrou ali e quando o sinal bateu, tiveram que se levantar, porque seus amigos procurariam por eles.

Max tentou se ajeitar para não parecer que andou chorando e Dustin se levantou, preparando-se para ir embora quando parou e decidiu dizer algo.

— Você é forte. É maravilhosa. Não precisa dele pra ser feliz. Não precisa de ninguém.

E assim ele foi embora, deixando Max mais confusa ainda. Aquela situação toda havia sido esquisita e seus sentimentos foram ficando cada vez mais misturados.

Sua relação com Dustin ficou melhor depois daquilo. Eles viraram amigos, mas não comentavam sobre a biblioteca, muito menos o fato dele ter sido seu pretendente uma vez, e no fundo, ainda era.

Lucas teve ciúmes, mas Dustin disse que eram só amigos e que Max não o via como mais que aquilo. Porém deixou claro que nunca havia superado seus sentimentos. Com o tempo, principalmente quando conheceu Lily, Lucas começou a aceitar e nem se importava mais. Podiam fazer o que quiser.

Ainda assim, Max estava confusa. Amava Lucas, ele foi tudo para ela, mas Dustin também era muito bom. Fazia-a sentir-se segura, por isso quando seus pais quiseram mandar ela para o reformatório, ela não hesitou. Ficar um pouco longe a ajudaria a resolver seus sentimentos.

Voltava uma vez por ano para rever seus amigos, mas ela e Dustin continuavam no mesmo lugar. Entretanto, cada vez mais ela sentia sua falta.

— Como tá o pessoal? – Max perguntou enquanto os dois andavam em direção à porta empurrando suas malas.

— Will tá decidindo se conta pra Bethany a verdade ou não...

— Ai, eu sabia que esse dia ia chegar.

— Pois é. O Mike e a Eleven provavelmente vão transar essa noite...

— Mentira! Eles finalmente se acertaram?!

Dustin sorriu e assentiu.

— E o Lucas... tá bem.

Ele não sabia se Max queria que ele entrasse em detalhes, mas Lucas realmente estava muito bem. Era como se Max nunca tivesse feito parte de sua vida e isso incomodava muito Dustin, porque Max era tudo para ele. Tinha medo de que ela soubesse aquilo e ficasse chateada.

— E você? Está bem?

Bom, ele não estava bem. Tinha mentido para os seus próprios amigos que não era virgem mais. A maior parte do tempo ficava sozinho, porque os meninos tinham que dar atenção para suas namoradas. Nem brincavam mais de Dungeons & Dragons, muito menos iam no fliperama. Dustin ia sozinho. Esperava que Max quisesse acompanhá-lo durante sua estadia.

A verdade era que estava depressivo e isso estava afetando suas notas na escola o que era mal porque logo iria para a faculdade. Mas não queria que Max soubesse. Não queria que ela pensasse que ele era um perdedor mais do que já pensava.

— Tô bem – ele disse rapidamente esperando mudar de assunto logo.

Max queria insistir, porque ela o conhecia bem, mas precisava de outra coisa naquele momento.

— Dustin, olha – Ela fez com que ele parasse de andar para que pudessem conversar sério –, o Billy andou falando algumas coisas esquisitas e eu tô com medo de ir pra casa. – Ele olhou fixamente para ela tentando entender o que ela queria dizer com aquilo. – Posso ficar na sua casa?

Os olhos de Dustin brilharam. Não. Por incrível que pareça ele não pensou besteira. Pensou que teria muito mais tempo com Max. E não havia problema algum, porque sua mãe tinha saído para um Spa e só voltava na segunda-feira.

— Claro! – Dustin falou animado demais e depois tentou se recompor. – A-acho que não tem problema.


Mike não conseguia tirar o sorriso do rosto. Dessa vez ele conseguiu se segurar, e El finalizou junto com ele. Sua nova meta era que ela tivesse dois orgasmos antes que ele tivesse o seu. E foi muito bom. A noite anterior foi bem esquisita e ele achava que ainda não estava tão natural, mas foi definitivamente melhor.

Ele estava dirigindo de volta para Hawkins pensando o que poderia fazer para que eles transassem logo de novo, porque ele definitivamente queria experimentar novas coisas. Novas portas haviam sido abertas, ele estava conhecendo um novo mundo, uma nova vida com a garota que ele amava. Nada podia ser melhor.

Se Eleven ou Karen estivessem ali estariam muito bravas, porque Mike mal prestava atenção na estrada e estava meio escuro ainda, porque o sol começava a aparecer. Pelo menos, se estivessem ali, teriam avisado que tinha um guaxinim logo a sua frente.


Max sorriu. Nunca tinha ficado muito tempo na casa de Dustin para prestar atenção exatamente como era. Eles estavam afastados e quando ficaram mais amigos, logo depois ela se mudou.

Parecia uma casa de uma senhora de idade, mas o quarto de Dustin era exatamente o oposto.

— Onde você quer dormir? – Dustin perguntou enquanto corria para lá e para cá tentando deixar seu quarto mais arrumado. – Se quiser, pode pegar a minha cama.

— Na verdade, não importa desde que fique comigo. Não quero dormir sozinha.

Dustin concordou e tirou os seus lençóis para trocar por limpos para Max e depois ia encontrar um jeito de dormir com ela no quarto. Deveria ter um colchão ali em algum lugar.