Primeiro que eram três horas da manhã e todo mundo queria morrer por ter sido tirado da cama naquele horário e Mike mal ter se machucado. Mesmo assim não voltaram correndo para suas casas por apoio ao amigo.
Aquela sala estava silenciosa, tirando pelos roncos de Ted Wheeler que não fez muita questão de apoiar o filho.
Havia poucas opções de lugares para se sentar e Max acabou ficando entre Lucas e Dustin.
Muito dificilmente, principalmente após Lucas e Max terminarem o namoro, os três ficavam sozinhos. E claro que Karen, Ted, Holly e Will estavam ali, mas com cada um cuidando da sua vida, aquele silêncio não podia ficar mais constrangedor para os três adolescentes.
Um cara que já havia estado entre as pernas da ruiva, um que queria estar e uma garota completamente indecisa, em um dilema: ser feliz com Dustin, até onde puderem, pois ela nem morava mais em Hawkins e magoar Lucas, possivelmente acabando com a amizade; ou deixar as coisas do jeito que estão e ficar frustrada para sempre.
Max suspirou profundamente só esperando que Mike fosse liberado e eles pudessem ir embora dali.
— Cadê o Mi... – Eleven entrou correndo no hospital, mas parou no meio do caminho quando notou a amiga. – Max!
As duas correram até se abraçarem rindo. Nem parecia que estavam num lugar particularmente trágico.
— É tão bom te ver! – Max a abraçou como nunca precisando seriamente de um apoio.
— Eu tenho tanto pra te contar! – El disse se afastando.
— Eu também. O Mike tá naquela sala ali. Amanhã a gente bota o papo em dia!
El sorriu e saiu correndo atrás de Mike. Joyce sorriu com a interação entre as meninas, achando muito bom Eleven ter uma amiga por perto depois de perder a virgindade. Ela se encostou na parede esperando por Hopper.
Mike estava entediado. Por que não o liberavam logo? Ele já estava usando faixas na mão e nos joelhos, mesmo assim o mantinham lá. Hopper explicou que a polícia que deveria liberá-lo, porque ele atropelou o guaxinim e Mike bufou frustrado. Hopper era a polícia, por que ele não podia ir para casa então?
A pior parte era que seu sogro não tirava os olhos dele e era evidente sua raiva por ter deflorado sua filha. Mike não era o único culpado. Não era como se El não quisesse. Ele não fez nada sem ela ter concordado primeiro. Hopper devia saber disso. O que fizeram, fizeram juntos e estavam muito felizes por isso. Hopper ia ter que se acostumar.
— Mike! – Ele mal teve tempo de se mexer e El já estava se jogando em cima dele e o abraçando fortemente. – Eu tava tão preocupada com você!
Mike se derreteu nos braços de Eleven. Ela sempre melhorava seu mundo e mesmo que tivessem se separado duas horas antes, ele não podia negar que estava muito feliz por se reunirem tão cedo novamente. Por Mike, não se desgrudavam nunca mais. Principalmente depois de terem perdido a virgindade juntos.
Quando foram se separar, El agarrou o rosto dele e o beijou fervorosamente, livrando-se de todos os sentimentos de culpa e preocupação que a assombraram durante o caminho.
Logo eles ouviram alguém pigarreando e se separaram rapidamente. Pela primeira vez após os eventos tão esperados, os olhos de Mike e El se encontraram e os dois coraram, lembrando-se o que fizeram algum tempo antes. Era noite e eles não tinham acendido as luzes. Conseguiam se enxergar, mas não tão bem quanto aquele momento no hospital.
Eleven lançou um sorriso tímido para o namorado que ele retribuiu do mesmo jeito. Ficaram se olhando daquele jeito por um tempo até que Hopper pigarrear novamente. O nível de paixão que os dois se encontravam era um perigo para o delegado.
Os dois se separaram e encontraram Hopper com uma expressão nada agradável e engoliram em seco.
— Nós ainda vamos conversar sobre isso, Eleven! Não pensem que vão sair ilesos disso!
El arregalou os olhos e virou-se para Mike que suspirou deixando bem claro que Hopper já sabia o que tinham feito.
— Pai – ela começou com uma voz totalmente inocente –, não vai judiar do Mike!
— Eu não preciso! Você sabia que ele atropelou um guaxinim?
— O quê?!
Imediatamente Mike levou uma bofetada no braço.
— Ai! – Ele começou a esfregar o lugar dolorido.
— E ele sobreviveu?!
— Sim. Tá no quarto ao lado.
Eleven disparou para fora do consultório e Mike xingou o amor dela por animais.
Nos anos 80 não existiam veterinários em cidades pequenas e médicos tinham que se conformar em cuidar de alguns. Mike inclusive sentiu que o tratamento que deram para o guaxinim era mais privilegiado que o que recebera.
— Trocado por um guaxinim. – Hopper estava se divertindo com a situação. – Sabia que ele vai precisar de cuidados especiais?
O homem deu dois tapinhas nas costas de Mike e se retirou da sala rindo.
Mike bufou frustrado percebendo que o guaxinim havia passado a perna nele e roubado sua namorada.
— Você não gosta da Lily e da Bethany? – Max perguntou enquanto ela e Dustin andavam até a casa dele. Haviam acabado de sair do hospital.
— Não! – ele respondeu rapidamente na defensiva. – Eu adoro elas! Mas não dá pra fingir que eu não fico de fora... – Ele suspirou pensando em todas vezes que foi deixado de lado para que seus amigos saíssem com suas respectivas namoradas. – O Lucas tem a Lily, o Will pelo menos tinha a Bethany e mesmo que não tivessem namorando ainda, o Mike e a El nunca se desgrudaram. É difícil ficar sozinho, sabe? Ou não? É que você estuda só com garotas...
— Verdade, mas tem umas meninas que não se importam com isso e se pegam!
— Nossa! – Dustin se surpreendeu com a resposta e depois riu junto de Max. Não podia negar que garotas se pegando o deixava muito excitado.
— Mas você tem razão – ela disse quando as risadas cessaram. – É ruim ficar sozinho. Principalmente quando você sabe o que é ter alguém!
Os dois chegaram e foram se aprontar para dormir. Já estavam na cama quando foram avisados do acidente e por isso só colocaram seus pijamas e se deitaram, Max na cama de Dustin e ele num colchão no chão.
O quarto ficou em silêncio por alguns minutos. Max ficava pensando no que haviam conversado e como tinha ultimamente se sentido sozinha até porque não gostava de garotas de jeito algum. Imaginou porque sempre negara tanto Dustin. Tinha medo de magoar Lucas por serem amigos, mas ele nem esperara três meses para se relacionar com outra pessoa. Claro que ela não fazia parte do grupo, mas era uma pessoa. Mesmo que Dustin e Lucas fossem melhores amigos, Lucas não tinha direito de proibi-los de serem felizes.
— Dusty, tá acordado? – ela perguntou ouvindo só a respiração dele.
— Tô. – E Dustin não estava esperando nada. Só de poder passar um tempo com Max já o deixava feliz e por isso decidiu que era melhor dormir para poderem fazer muitas coisas no dia seguinte. Ela o surpreendeu.
De repente, Dustin ouviu uma movimentação e quando percebeu, Max estava sentada nele, com uma perna de cada lado do seu corpo, beijando-o.
Como já foi dito antes, Dustin já havia beijado uma menina numa festa e acabou babando muito por conta da sua falta de experiência e dentes, porém isso aconteceu dois antes e ele nem lembrava mais o que fazer, até porque não teve muito tempo para praticar já que a menina saiu correndo.
Ele gemeu na boca de Max surpreso com a atitude, mas entregou-se ao momento, enterrando sua mão nas madeixas ruivas dela e aprofundando o beijo.
As coisas foram ficando mais sérias. Rapidamente suas mãos começaram a explorar os corpos um do outro, inclusive por baixo das roupas que foram descartadas sem hesitação.
Max não estava desesperada por afeição e acabou usando Dustin. Não era isso. Só deixou de lado todas suas dúvidas por conta de Lucas e aproveitou o momento oportuno – estavam completamente sozinhos sem chance de interrupção – e fez o que queria há muito tempo. Ela sabia que Dustin queria também. Não era boba. Sabia muito bem que ele não havia superado seus sentimentos por ela ainda. E se tivesse alguma dúvida, o fato de Dustin recebe-la de terno e com flores disse tudo.
Usando somente suas roupas de baixo, Dustin aproveitou para apertar o traseiro de Max, pois apesar de sempre tê-la respeitado muito, não podia negar que sempre quisera toca-la daquele jeito.
Max se sentou bruscamente tentando abrir seu sutiã frustrada. Nunca tivera dificuldades, mas tremia de ansiedade e isso dificultava o que queria fazer.
Naquele momento, Dustin finalmente teve tempo para pensar no que estava fazendo: Max, seminua, sentada no meu...
— Max! – Ele segurou no braço dela antes que ela conseguisse abri-lo. Se visse os seios dela, perderia completamente o controle. Os olhos azuis dela eram perceptíveis até no escuro e o encararam com insegurança. Por um momento esqueceu até o que ia dizer. – E-Eu n-nunca...
Max relaxou pensando que ele fosse acabar com toda a graça, mas só estava nervoso assim como ela.
Ela o beijou delicadamente e acariciou seus braços para que ele relaxasse.
— Tudo bem – sussurrou olhando diretamente nos olhos dele e Dustin arrepiou.
— T-Tem certeza? – Não era tanto pelo fato de ele ser virgem, mas se ela queria mesmo fazer aquilo. E Max assentiu sorrindo, voltando a beija-lo logo em seguida.
Foi muito bom, Dustin não podia negar. Não imaginava que sexo era tão bom assim quanto diziam, mas sua expressão era de completa insatisfação. Nunca soube de Max se envolvendo com ninguém além de Lucas e como uma garota teria tirado a virgindade dela no quesito romper hímen? Ele fora tão cuidadoso, mas sem necessidade, ela deixou isso bem claro. Mas como? Quem foi?
Mike esperava que El o visitasse logo de manhã. Sempre que ficavam doentes, cuidavam um do outro, mas ela não apareceu.
Quando Mike foi liberado, ele descobriu que El já havia ido para casa, pois queria preparar as coisas para receber o guaxinim. Sim, ela estava adotando o guaxinim.
Mike nunca ficou tão bravo na vida. E ele? Tudo bem que o guaxinim tinha quebrado duas costelas e esmagado uma pata, mas ele era o namorado. Os dois tinham acabado de transar pelo amor de Deus! Por que El tinha que se importar mais com um bicho qualquer que com ele?
Mike fez questão de passar na casa dela no final da manhã. Pediu para sua mãe levá-lo, pois não podia dirigir com um braço enfaixado e foi recebido por Joyce. Hopper estava trabalhando.
— Eu só não entendo por que ela gosta tanto desse bicho!
Joyce riu com a irritação de Mike.
— Você sabe que a El tem um coração grande e ela se culpa muito por ter judiado dos bichinhos no laboratório.
— Mas não foi culpa dela!
— Nem do guaxinim... – Joyce murmurou, mas não queria deixar Mike ainda mais chateado. – Olha, o coitado se machucou feio. O que importa é que você está bem! Hopper só acha que é bom ela ter uma ocupação... – Para não ficar pensando em sexo. – Fique à vontade.
Joyce indicou o quarto da garota e ele entrou. A porta estava fechada e Mike deixou assim. Privacidade era sempre bom e podiam se aproveitar que Hopper não estava ali.
Eleven estava encostada na cabeceira da cama com o guaxinim no colo. Ele dormia enquanto ela o acariciava.
— Oi, El! – ele disse animado.
— Shh! – El ficou brava. – Ele tá dormindo.
Mike concordou e se sentou na beirada da cama. Ficou esperando um 'como você está, morzinho?' ou 'meu bebê ficou bem?', mas El continuou acariciando o animal como se Mike nem estivesse ali. Então, ele resolveu fazer o contrário. Talvez se ela percebesse como ele se preocupava com o bichinho, perdoaria-o.
— Como ele tá, El?
— Ela. É menina! – Eleven o corrigiu como se fosse óbvio que era fêmea. Mike adorava ciências, mas puxava mais para o lado de física e não biologia. Como é que ia saber? – Kitty.
Ela já tinha até dado nome? Mike se irritou. Desistiu de fingir que se preocupava com o guaxinim. Ele havia sofrido um acidente de carro e Eleven estava preocupada com um bicho selvagem que nunca vira na vida antes!
— Eu não acredito que você gosta desse troço! – reclamou irritado e isso fez com que El finalmente olhasse para ele.
— Troço, Mike? É um ser vivo! Tem sentimentos, sabia? – Eleven se sentiu na obrigação de cuidar do pobre bichinho, porque além de ser um 'adolescente', ou seja, muito novinho ainda, seu namorado o atropelara por conta dela. Ela que teve a ideia de ficarem na casa da sua mãe e tia. Não podia deixa-la para morrer.
— E os meus sentimentos? Eu sofri um acidente de carro!
Eleven suspirou derrotada.
— E isso foi culpa minha... Desculpa, Mike.
Ele franziu o cenho confuso.
— Culpa sua? Por quê?
— Porque a ideia de ir lá foi minha!
— Ah, El! Essas coisas acontecem e eu fico feliz que você tenha um bichinho de estimação, mas eu queria passar um tempo com você!
— Você pode ficar aqui. Eu não posso sair de perto dela, porque senão ela não dorme.
— E vai ser assim o resto da vida dela? Vai ter que ficar dormindo com você? – Era o trabalho de Mike dormir com ela, não de uma guaxinim.
Eleven revirou os olhos. Por que os homens eram tão dodóis, hein?
— Nossa, Mike! A Kitty tá cheia de dor e por isso é melhor se ela ficar dormindo. Se eu não massagear as costelinhas, a dor é tanta que ela não dorme! Um dia ela vai se recuperar, e não vai mais precisar de mim! Sem contar que ela é selvagem. Aposto que vai voltar pro mato quando conseguir se mexer!
Conseguir se mexer? Mas o que ele havia feito com o animal?
Como viu Kitty no meio da estrada de última hora, Mike tentou desviar e quase conseguiu. A única parte que ele pegou foi uma pata, que foi esmagada pela roda do carro. O bichinho se assustou e acabou caindo de um penhasco pequeno o que quebrou duas costelas.
Mike se sentiu mal. Não queria machucar ninguém, inclusive um animal indefeso, ele só queria se sentir um pouco amado pela sua namorada. Pensava que o fato de ter se acidentado ia valer a pena no final, porque ela ia mima-lo e enche-lo de beijinhos. Mas não! Ela estava fazendo isso, só que com um guaxinim!
Mike suspirou aceitando sua derrota. Ele se sentou ao lado de El na cama e a ajudou a massagear a Kitty. Pelo menos, aquilo era passar um tempo com ela.
Quando Max acordou, ela estava sozinha no colchão no chão. Ouviu imediatamente barulhos vindos da cozinha por isso nem teve tempo de pirar. Sem contar que era a casa dele então em algum momento teria que voltar. Ela riu por terem dormido no chão ao invés da cama aconchegante dele.
Trocou-se e seguiu o barulho que estava vindo da cozinha. Já eram quase meio-dia.
— Bom dia! – Dustin disse animado quando a viu. Ele estava cozinhando algo. – Não sabia se fazia café da manhã ou almoço pra você, então decidi fazer os dois!
Ela riu com o jeitinho dele e se juntou a ele na arte de cozinhar.
Alguns minutos depois, quando estavam comendo, Max resolveu questionar Dustin. Ele estava meio esquisito. Parecia que estava sendo legal porque ela era sua hóspede e não porque tinham dormido juntos.
— O que foi, Dustin?
— Hm? – Ele levantou os olhos para ela com a boca cheia.
— Nem vem que eu te conheço! O que tá te incomodando? – Max falou tudo em um tom brincalhão para encorajá-lo.
Dustin engoliu a comida e suspirou tentando encontrar as palavras para dizer aquilo.
— Ontem foi muito bom, Max, mas parece que você já tinha feito antes... – Max franziu a sobrancelha. Não era óbvio? – E eu tava imaginando com quem você dormiu, porque você vive no meio das meninas... Ah, isso tudo é besteira! – Ele voltou sua atenção para a comida. – Não é da minha conta mesmo...
O grupo de amigos sempre andou juntos. Se Max tivesse se relacionado com alguém além de Lucas, eles saberiam. E Lucas deixou claro que perdeu a virgindade com a Lily, então isso só poderia ter acontecido depois que ela foi para o internato. Mas como? Não havia meninos lá! Por acaso aquelas meninas tinham vibradores ou algo do tipo?
Dustin sabia que não podia julgar Max pelo tanto de pessoas com quem ela dormira, mas não podia negar que tinha ciúmes. Primeiro, porque sempre foi difícil vê-la com Lucas. Saber que a boca que ele beijou, já havia sido beijada pelo seu melhor amigo era difícil. Mas agora havia outros? Não queria parecer completamente inexperiente para ela!
— Dustin, pensei que Lucas tivesse te contado... – Ela colocou sua mão por cima da dele com medo de sua reação. – Eu perdi a virgindade com ele!
