Mike estava se sentindo extremamente feliz. E a melhor parte é que não estava dirigindo um carro.
Da última vez sua felicidade durou pouco. Tivera que se preocupar com muitas outras coisas incluindo namorada enfezada, guaxinins machucados, pulso torcido, família preocupada e sogro com uma bazuca. Podia finalmente curtir o fato de que tinha perdido a virgindade com El e que tinha sido maravilhoso. Foi difícil, esquisito, mas sabia que iam se entender e aos poucos iria ficando ainda melhor. Claro que tinham de discutir o prazer de Eleven ainda porque para ela era mais difícil por ser mulher, mas daria tudo certo no final.
Mike estava muito otimista... até Eleven levantar e começar a colocar a roupa.
— El! – ele reclamou, mas ela continuou.
— Daqui a pouco o papai chega!
Mike bufou, revirou os olhos, mas começou a colocar sua roupa também.
— Pelo menos a gente conseguiu fazer alguma coisa...
El riu. Para ela estava ótimo, apesar de ainda ser um pouco esquisito, mas era impressionante ver o quanto Mike gostava.
Ela o abraçou pelas costas.
— Prometo que a gente vai ter mais tempo logo – Beijou suas costas –, mas realmente não queremos mexer com o papai.
— Com certeza. – Ele sorriu e a beijou.
Deu para ouvir o carro de Hopper chegando e eles se separaram. Foram para a sala aguarda-lo e fingir que nada tinha acontecido.
Hopper entrou todo feliz até sentar seus olhos em Mike. Ele bufou.
— O que o garoto tá fazendo aqui? – Foi direto para a cozinha pegar uma lata de cerveja.
— É o namorado de Eleven! – Joyce respondeu indo logo atrás.
— Eles não nasceram grudados!
A mulher revirou os olhos.
— Dá um crédito pra ele. Acabou de sofrer um acidente de carro. Eles ficaram quietinho cuidando da Kitty e...
— Quem?!
— O guaxinim. – Hopper revirou os olhos, mas deixou que Joyce prosseguisse. – Eles ficaram quietinhos no quarto desde que ele chegou! Nem deram trabalho... Estão na idade e a gente vai ter que aceitar...
— Ah, claro... – Hopper tomou um gole distraído até se tocar de algo. – Espera aí, no quarto? Sozinhos?! A porta está fechada?!
Joyce engoliu em seco dedurando a verdade. Ela não via mal, até porque os dois namoravam e Kitty precisava dormir. Sim, ela só tinha filhos homens, mas via Mike e El com muito carinho e por isso confiava nos dois.
Imediatamente, Hopper disparou para a sala e pegou Mike pelo colarinho.
— Você acha que pode fazer essas coisas bem de baixo do meu nariz, hein? Se acha esperto, garoto? Pois eu sou mais e tenho uma arma e nunca mais...
— Hopper! – El e Joyce gritaram juntas, a menina já se preparando para usar seus poderes para soltar Mike.
— Precisamos conversar a sós.
Joyce puxou o marido para o quarto deles e ele sabia que estava ferrado. A mulher era brava, pois tivera que lidar com Will, Jonathan e Lonnie a vida inteira. Sabia como faze-lo prestar atenção.
Quem engoliu em seco dessa vez foi Hopper.
Dustin e Max estavam deitados na cama, nus, curtindo o pouco tempo que tinham juntos. Ela acariciava o peito de seja quem Dustin fosse dela, pensativa.
Tinha que admitir que pensara diversas vezes nele daquele jeito. Assim como muitas vezes lembrara-se de Lucas e chorara. Pensar em Dustin não a ajudava a se sentir melhor, porque junto dele vinha a lembrança de que não soubera lidar com ele direito quando namorava Lucas. Ainda assim, não esperava que dormissem juntos.
Imaginara como seria e se um dia fariam, mas sempre descartava a possibilidade. Quando soube que ele iria buscá-la na estação ficou animada e teve esperanças de que poderiam ter um caso. Uso a palavra 'caso' para descrever a situação, porque logo Max voltaria para o internato e seria difícil manter uma relação assim, principalmente porque era proibido contato com meninos lá dentro. Voltando para o ponto, ela era mais atirada que ele, que era muito tímido, e imaginava roubar um beijo, assim como fizera com Lucas, porém nunca imaginara que teria coragem de iniciar algo tão mais íntimo. E nunca se vira tão esperançosa daquele jeito. Não queria pensar no depois e só curtir aquele momento.
Pensou em seus amigos. Mal tivera tempo para ficar com eles. Cada um estava resolvendo a sua vida. Pareciam mais distantes.
Lucas não desgrudava de Lily. Mike não desgrudava de Eleven. E por não desgrudar de Bethany, Will sofria com seu passado. A propósito, ele parecera tão entristecido no hospital. Seria tudo aquilo por Mike?
— Dusty... – ela chamou e o garoto demorou para voltar. Estava perdido em seus próprios pensamentos, aqueles em que se via casando e tendo filhos com Max. Não podia estar mais apaixonado e não acreditava na sua sorte.
— Hm? – ele respondeu de leve voltando aos poucos.
— Você percebeu que o Will tava meio esquisito no hospital?
Ele franziu o cenho.
— Esquisito como? – Não percebera nada. Só tinha olhos para Max. O cabelo ruivo dela era hipnotizante, como pensar em qualquer outra coisa? As únicas informações que processara foram: Mike havia sofrido um acidente e ele estava bem.
— Parecia meio triste. Mal falava, só olhava pro chão...
Dustin ainda precisou pensar um pouco e então lembrou-se que no dia anterior ele disse que tentara contar a Bethany, mas que ela havia praticamente terminado com ele.
— Lembra que eu disse que o Will queria contar pra Bethany sobre tudo? – Ela assentiu. – Então, ele tentou e não deu muito certo...
— Como assim?
— Ela achou que ele tava curtindo com a cara dela e expulsou ele da casa dela. Agora não se falam há dias...
— Meu Deus, Dusty! – Max se apoiou no cotovelo para olhar para ele. – A gente tem que fazer alguma coisa! Ele só tava querendo melhorar a relação deles sendo sincero e não fazer graça!
— Sim. Ele queria que a El provasse usando seus poderes, mas com tudo que aconteceu, nem deu tempo...
— E se a gente convocasse uma reunião?
E assim foi feito.
Primeiro, eles se vestiram. Então, Dustin contatou Lucas e Will pelo supercom contando o motivo da reunião. Enquanto isso, Max telefonou para Eleven, porque além de querer falar com a sua amiga, sabia que Mike provavelmente estaria lá, e estava. Assim ficou combinado no porão da casa dele. Quanto a Bethany, Max pediu para cuidar dela.
Ela mesma foi bater na porta da garota.
— Max! – Bethany gritou de felicidade ao dar de cara com a amiga. Imediatamente envolveu-a em um abraço apertado.
Primeiramente as duas não se deram muito bem. Já bastava uma amiga afeminada (El) para a ruiva. Não aguentava outra. Sem contar que além de ser cheia de feminilidade, Bethany também era rica. Morava em Loch Nora, algo que sempre intimidou muito Max, porque ela tinha fama de ser durona, mas era sensível por dentro. Tinha medo de perder por conta do dinheiro. Ninguém no grupo era tão rico quanto a loira.
Bethany não era popular, porque não se deixava, não queria, mas recebia muitos pedidos de amizade por interesse. Todos queriam ter acesso aos seus luxos. Por isso ela sempre fora mais amiga daqueles que tinham condição financeira similar, para evitar atritos. Nunca pensara em ser amiga do grupo, muito menos em namorar Will. E ele também nunca a paquerou, teve um 'crush' nela, porque sabia que era muita areia para seu caminhãozinho. Para que sonhar se nunca aconteceria?
Enquanto isso, Lucas era o contrário. Foi revelado no jogo de verdade ou desafio uma semana antes que Lucas gostava de Bethany, mas desencanou por conta de Will tê-la beijado na brincadeira.
O ranger costumava sonhar com aquela vida no Loch Nora desde criança. Isso pois sua condição financeira não era como a de Max ou Will, mas por ser negro, o preconceito sempre foi maior. Pensava que se tivesse mais dinheiro e morasse no bairro mais nobre poderia ter mais respeito. Então não era uma queda por ela que tivera, mas um sonho de ser como ela. Depois conheceu Max que estava em uma situação pior que a dele financeiramente – algo que o fazia se sentir melhor e que causava tantas brigas entre os dois – para logo depois terminarem e Lily chegar.
A namorada atual de Lucas estava no mesmo nível que ele socialmente, só um pouco acima por ser branca – tingia o cabelo de loiro também, mas não era verdadeiramente como Bethany. E a última que parecia que pintava por algumas madeixas, normalmente as que ficavam por baixo, serem de um castanho escuro também. Só que mesmo que não tivesse tanto dinheiro quanto Bethany, possuía mais ou menos a mesma quantia que Lucas, Lily era popular.
Lily era alta, esbelta, magrela e confiante, porém engolia as chatices de Lucas algo que Max nunca fizera – daí vinham os atritos. Sua aparência sempre chamou atenção e garantiu sua vaga no grupo dos populares. Beth era bem bonita, mas Lily era de uma beleza diferente, única, realmente uma maravilha. Cada um garantia seu lugar com uma vantagem, mas Bethany nunca quis usar a sua. Porém, a loira falsa não era uma pessoa ruim, assim como Lucas também não era. Só tinham gênios fortes, todavia ela era mais submissa e ele adorava isso, pois, depois de ter tanto tempo uma mulher questionando-o sempre, Lucas se sentia bem. Não chegava a ser machista. Lily sempre dava a sua opinião, e se seu jeito não fosse tão submisso, ele também a aceitaria, só não teimava o tempo todo. Eram o casal perfeito. Assim como Will e Bethany!
Lucas queria uma posição maior, pois queria provar que apesar de não ser rico, ser negro e nerd ele podia muito. Com Lily conseguia isso, pois quem não ia respeitar o namorado de uma das garotas mais poderosas daquele lugar? A propósito ela era prima de Steve o que a deixava com uma história já no colégio. Enquanto isso, precisava dele para que pudesse estudar. Não era burra, mas muito ansiosa. Faltava-lhe atenção e por isso suas notas não eram as melhores. Entretanto lidava direitinho com as líderes de torcida da escola. Era a capitã. Já fazia algo daquele tipo por ser muito agitada. Somente Lucas conseguia fazê-la parar e absorver a matéria de física. Algo que achou interessante, pois percebeu estar presente direto nas danças que faziam.
Completavam-se e por isso se davam muito bem. Além de se amarem por serem compatíveis em vários aspectos culturais – os dois adoravam Jazz, física e jogar sinuca (alguns exemplos), também acharam um modo prático para lidarem com seus problemas.
Will também tinha esse encaixe com Bethany, mas ao contrário.
Ela havia notado seus talentos para desenho, porque era impossível passarem despercebidos nas aulas de arte e claro que ele era bonitinho, quem não perceberia isso? Mas muito pobre. Não era preconceituosa, só estava cansada de interesseiros. Era meio que uma regra que criou para si mesma. Só se envolveria com aqueles que também morassem em Loch Nora.
Mas como o destino é, acabaram na mesma festa.
Seus pais não seguiam sua regra, por isso eram amigos de um vizinho de rua de Mike e Lucas, o que fez com que deixassem Bethany na casa desse tal homem – porque precisavam ir até Indianopolis fazer algumas compras – que por acaso estava dando uma festinha de aniversário para seu filho. Ele convidou todas as crianças da rua e era só por isso que Will, Mike, Dustin e Lucas foram parar em uma festa e acabaram jogando verdade ou desafio. Então, Will beijou Bethany e imediatamente saiu uma faísca, algo que surpreendeu aos dois.
Will era tímido e mesmo com Mike e Dustin praticamente o jogando para cima dela, o garoto não tomava iniciativa. Já havia sofrido demais. Não queria um coração partido para completar. Até que um dia Bethany o abordou em seu armário, chamando-o para sair. Ela não esperava fazer aquilo, mas o beijo a intrigou. Logo descobriram que tinham muito em comum e em menos de uma semana começaram a namorar. Eram tão fortes juntos que Beth ignorou um de seus princípios imediatamente.
Completavam-se porque os dois eram artistas e sentiam-se sozinhos. Por isso estavam tão acabados com o repentino término. Sentiam-se sem chão. Como se ninguém jamais conseguia entendê-los como eles.
— Não sabia que vinha para cá, amiga! – Beth disse assim que finalmente largou Max e pediu que entrasse.
— O Will não... – Percebeu que eles deveriam ter brigado antes dela avisar que iria. – Bom, eu preciso falar com você sobre o Will... – Bethany revirou os olhos, bufou e foi para a cozinha. Apesar de serem ricos, não ostentavam e por isso ela ajudava nas tarefas de casa. Começou a lavar a louça. – Beth, você não é assim – reclamou.
— É só que o Will mentiu pra mim esse tempo todo! – Ela largou com tudo o prato e virou-se para a amiga. – Eu achando que a nossa relação era especial, e de repente ele se torna um grande filho da puta!
— Beth! – Max repreendeu. Bethany não era de xingar.
— É verdade! – ela rebateu. – Eu deixo ele se abrir comigo. Me abria o tempo todo com ele e ele me vem com Mundo Invertido, Demogorgan e poderes de super-herói?!
— Ele tá falando a verdade... – Max murmurou com medo dos julgamentos da garota.
— Max! – Bethany se indignou. Estariam todos nesse deboche?
— Bethany, por favor me escuta! – a ruiva pediu segurando os braços da amiga para que não fugisse. – Eu sei que parece loucura, mas é verdade...
— Max...
— Por favor, venha hoje à noite pro porão dos Wheelers e veja por si mesma! Nós temos como provar. Por favor! Por mim e pela El! Nós mulheres temos que ficar juntas!
Bethany suspirou e pensou até os olhos azuis de Max convencerem-na de dar uma última chance. Ainda bem que ela perdeu os acontecimentos daquela noite.
A série que se passou foi: Mike já estava lá – obviamente, pois era sua casa – quando Lucas chegou. Logo em seguida Will e Eleven. Por último Max e Dustin.
Lucas estranhou a proximidade entre os dois e por isso provocou Dustin que partiu para cima dele por conta de suas mentiras. Houve uma grande discussão cheia de ciúmes e raiva até começarem os socos. Max gritava para que parasse enquanto Will, Mike e Eleven boiavam até que a última se cansou, levantou os dois no ar com seus poderes. Foi bem aí que Bethany entrou. Mas tudo isso deixaremos para o próximo ;)
