Saint Seiya, obviamente não me pertence.

"Won't you save me?
Saving is what I need
I just wanna be by your side
Won't you save me?
I don't wanna to be
Just drifting through the sea of life"

Save me – Hanson.


Capítulo 5 – As doze casas. - Parte I.

Santuário.

Mirela acordou com o som de água. Ela abriu os olhos e viu Layla enchendo a banheira. A mulher agora tinha os cabelos soltos e o seu vestido era um pouco mais curto e bege. Jogava pétalas de rosas na banheira e algumas essências. O cheiro começou a incomodar o nariz de Mirela. Ela amava perfumes, mas os mesmos atacavam a sua alergia. Fungou um pouco e estalou o pescoço no processo. Sentia-se mais revigorada. Nada como uma boa noite de sono.

"Dormiu bem?" Perguntou a mulher.

"Sim".

Levantou-se e se espreguiçou. Foi até as grandes janelas e saboreou o vento em sua pele. Sentou-se ali, na beira, e ficou observando a paisagem. Era possível ver as montanhas ao fundo. Um lindo campo verde com uma enorme plantação de lavanda. Mirela nunca tinha visto uma em sua vida. A cidade grande não tinha muitas árvores ou flores. Dava para sentir o perfume de lavanda no ar. Fechou os olhos e se permitiu sentir a beleza daquele lugar. Tudo era lindo e diferente aos seus olhos. Então, por mais que a missão fosse difícil, ela aproveitaria a sua estádia ali, afinal, um dia ela voltaria para casa, para a sua antiga vida e família. O silêncio era agradável. Escutar somente o som da natureza era relaxante.

"Seu banho está pronto, senhora".

"Obrigada".

Mirela deixou o som dos pássaros para depois. Ela conheceria as doze casas hoje e queria muito entender melhor Saga e os outros. Ela sentia um vínculo com Aioros, o que já era meio caminho andado, mas ela sabia que o problema era Saga. Então, era dele que ela tinha que se aproximar. Também precisava saber se Kanon estava no santuário e como era a relação dos dois. Se, de fato, o mangá de Kurumada tinha acertado em tudo ou só em alguns detalhes.

Suspirou. A água estava quente e fez com que os seus músculos, antes tensionados de tanta preocupação, relaxassem. Layla retirou os prendedores dos cabelos dela e começou a escová-los. Era muito bom ter alguém para ajudar a penteá-los. Com certeza, isto deixava as coisas mais fáceis. Ela sentiria falta desses mimos. Apesar da falta de privacidade, era muito bom ter alguém ajudando em tudo, até a escolher a própria roupa.

"Estou ficando mimada com esse estilo de vida". Confidenciou Mirela.

"Por que diz isso? Como é em seu mundo?" Layla tirou a última flor do cabelo dela. "Eu deveria ter feito isso ontem à noite. Assim você não teria dormindo com as mesmas roupas e nem com isso nos cabelos. Deve ser desconfortável".

"No meu mundo, até existem pessoas como você, mas não são todos que tem esse tipo de privilégio".

Layla entendia de privilégios. No mundo dela, somente os deuses ou pessoas com condições melhores de vida tinham o privilégio ao qual Mirela se referia.

Layla começou a pentear os cabelos, agora livres dos arranjos de flores. "Como você gostaria de usar os cabelos hoje?" Perguntou desfazendo um nó.

"Não sei. Eu sempre os deixei presos em um rabo. Mas você pode ficar à vontade para fazer o que quiser".

Mirela fechou os olhos e deixou que ela terminasse de pentear seus cabelos. Queria aproveitar um pouco mais a água quente. Ela deve ter cochilado, pois sentiu a mão da menina em seu ombro, chamando-lhe.

"Senhora?"

"Desculpa. O banho estava muito bom. Acabei dormindo".

Layla tinha separado um vestido de algodão lilás, com flores bordadas no busto e na bainha. Ele tinha um decote reto e alças finas, e era mais curto do que o anterior que ela tinha usado, ficando a quatro dedos acima dos joelhos. Era mais casual que o primeiro.

"Esse é a segundo vestido lilás que uso". Mirela se olhava no espelho. "Estou começando a achar estranho".

"Essas são as cores que a deusa gosta".

"Espera, essas são as roupas dela?" Mirela estava perplexa. Ela estava usando as roupas de Athena! É claro, que roupa ela usaria, não é mesmo?

Sentiu que aquilo era errado. "Esse quarto é dela também?"

"Não. Somente as roupas".

"Eu quero usar outra coisa, algo que não seja dela". Mirela começou a tirar o vestido e Layla voltou ao armário à procura de alguma coisa. A única que achou foram as roupas com as quais Mirela chegou ao santuário.

"De diferente, só tem a sua roupa aqui, minha senhora".

Mirela olhou para a legging preta, para a camiseta branca e o casaco vermelho. Ela poderia usar a legging e a blusa sem problemas. Não demorou muito para colocá-los e, logo depois, foi se ver no espelho. Agora sim ela se parecia mais consigo. Seus cabelos ainda estavam soltos, só que penteados e arrumados.

"Acho que vou deixar os cabelos soltos hoje". Ela disse, satisfeita com o que via no espelho.

"Como quiser, minha senhora". Layla colocou o vestido de volta no armário.

Mirela deixou-a e seguiu até a sala do grande mestre. Ela queria pedir que Shion tirasse os vestidos de Athena do seu quarto.

Não foi difícil achá-lo. Ele estava acompanhado de Aioros e Saga, e parecia que os três falavam sobre o torneio que estavam organizando. Ela até pensou em voltar e deixar eles terminassem, mas Shion percebeu a sua presença.

"Mirela, não precisa se esconder. Pode vir". Ele a chamou sem tirar os olhos dos papéis que estava segurando.

"Desculpa, eu não queria atrapalhar vocês".

"Não está atrapalhando". Ele falou erguendo os olhos para vê-la.

Mirela se aproximou dos três, um pouco sem graça.

"Tem algo que queira falar?" Ele colocou os papéis de lado.

"Bom dia". Ela cumprimentou os três antes de entrar no assunto. "Tem sim, mas eu posso esperar que a reunião de vocês acabe".

Ela já estava saindo quando Aioros segurou o seu braço, fazendo-a ficar.

"Ele já disse que você não está atrapalhando. Diga. O que houve?"

Saga queria ter resolvido aquele problema o mais rápido possível. Ele não queria ter que esbarrar com ela todos os dias e todas as horas. Infelizmente, ela seria algo presente em sua vida mais do que ele gostava. Dessa vez, ela estava diferente. Não usava um vestido como na noite anterior, e sim uma calça muito justa no corpo, assim como uma blusa que deixava os seus seios em evidência. Aquilo o fez pensar no dia anterior, quando ele a viu nua. Passou as mãos pelos cabelos e evitou o olhar para ela.

"Eu queria que você tirasse os vestidos de Athena do meu quarto". Falou sem delongas.

"Porque? Não gostou deles?" Shion perguntou, preocupado. Ele achava que as mulheres gostavam de usar vestidos bonitos e ela tinha a mesma medida da Athena de sua época.

"Eles são lindos, mas são dela. Eu não quero usar algo que é da deusa, pois me sinto desconfortável. Eu posso usar qualquer roupa". Mirela olhou para Aioros e para Saga. Eles vestiam uma calça simples, de algodão verde, e camisas brancas. "Pode ser a mesma coisa que eles". Ela apontou para os dois. "Ou pode ser a roupa que as servas daqui usam".

Shion achou o pedido meio inusitado. Já que ela era uma convidada da deusa, não podia se vestir como uma serva ou como um homem. Ele olhou de Saga para Aioros, pedindo ajuda, uma vez que não sabia lidar com essas coisas.

"Tudo bem. Eu sei que deve ser meio estranho ter que lidar com as roupas de uma mulher". Mirela sabia o que estava acontecendo. Ela tinha irmãos e um pai que odiavam ir às compras com a sua mãe. Ela mesma odiava sair com ela para comprar roupas, pois era uma tortura. "Você pode deixar que eu resolvo isso. Eu só não quero aparentar ser alguém que eu não sou".

"Tudo bem. Eu pedirei para alguém retirar as roupas do seu quarto. É só isso?"

"Sim". Disse sem graça. Agora parecia meio mesquinho da sua parte reclamar das roupas de Athena, mas Mirela sabia que era o certo a ser feito, afinal, ela não era a deusa. "Tem algo que eu possa fazer para ajudar, já que atrapalhei o trabalho de vocês?"

"Você não atrapalhou. Nós já havíamos acabado". Ele dispensou os dois cavaleiros e sorriu para ela. "Acho que você tem um passeio a ser feito. Aioros, faça com que ela se divirta". Pediu enquanto arrumava as suas coisas.

"Pode deixar". O sagitariano fez uma reverência para Shion e um leve aceno de cabeça para Saga. Depois, ele puxou Mirela pelo braço. "Vamos?"

"Vamos". Ela disse, entusiasmada.

Os dois seguiram felizes enquanto Saga permanecia em seu lugar, olhando para as costas de ambos. Ele não achava uma coisa boa ela andar por aí, mas quem era ele para tecer algum comentário a respeito?

"O que te perturba, Saga?" Shion olhava para o cavaleiro, que ainda mantinha os olhos na grande porta de madeira clara que acabara de se fechar.

"Não acho apropriado que ela fique andando por aí". Ele acabou dizendo o que estava pesando. "Não acho certo. Afinal, Ares não está atrás dela? O mais sensato seria mantê-la dentro do templo".

"Você tem razão, mas Mirela não é uma prisioneira e eu conto com você e com os outros para protegê-la".

"Você mais uma vez tem razão, mestre". Saga se despediu de Shion e foi embora. Ele sabia que Aioros e Mirela logo chegariam à casa de gêmeos, e ele não queria que os dois dessem de cara com Kanon, já que nem o próprio Saga sabia se o seu irmão estava em sua casa ou se estava e Rodório.


Escadaria das Doze Casas.

Mirela mordia uma maçã enquanto Aioros falava sobre a vida que os cavaleiros levavam no Santuário. Ela escutava cada palavra com bastante atenção, já que, em um futuro muito próximo, ela poderia precisar dessas informações. Enquanto isso, o sol castigava os dois conforme eles desciam pelas longas escadarias de pedra branca.

Mirela tinha acabado de terminar a maçã quando ambos chegaram na casa de peixes. Era uma construção enorme e cheia de ricos detalhes que fez com que a carioca ficasse maravilhada com o que via.

O símbolo da casa de peixes ficava bem no centro da construção. Os grandes pilares de pedra eram enormes, com cerca de 10 metros de altura, o que fez Mirela ficar ainda mais impressionada.

"É enorme". Falou enquanto entrava na casa, sem saber se podia ou não fazer isto.

"Você devia olhar lá dentro. Só não sei se você vai aguentar o cheiro". Alertou-a.

"Como assim?" Mirela não sabia o que ele queria dizer com aquilo. Porém, ficou um pouco atordoada ao entrar na casa e entendeu o que ele quis dizer: Peixes era cheia de rosas. Brancas e vermelhas. O cheiro era muito forte, apesar de ser gostoso. Seu nariz começou a coçar e ela soube que teria uma crise de rinite. "Agora eu entendi".

"Afrodite ama rosas". Disse dando de ombros. "No começo a gente também ficava assim como você. Touro quase morria de tanto espirrar, mas depois a gente acabou criando imunidade ao cheiro, se é que me entende".

Mirela achava compreensível a casa de peixes ser cheia de rosas, afinal, esse era o poder do seu cavaleiro. E ela gostava de como ele tinha feito os arranjos. Parecia uma festa de casamento bem chique. As paredes eram completamente cheias de rosas do chão ao teto, e ela ficaria muito feliz em tirar uma self ali. Bem no fundo da casa, tinha um grande trono de rosas vermelhas. Mirela ficou impressionada com a forma em que cada uma estava posicionada. Era um trabalho excepcional.

"É muito lindo". Ela espirrou. "Sério, se eu vier a casar um dia, quero que Afrodite seja o meu cerimonialista".

"Você pensa em se casar?" Aioros estava interessado em saber mais sobre ela. "Você tem algum namorado?"

"Acho que o sonho de toda mulher deve ser casar". Falou enquanto ponderava sobre o que tinha dito. Na realidade, ela tinha dito aquilo sobre o casamento por dizer mesmo, porque nunca tinha parado para pensar na hipótese de entrar de branco em uma igreja e de fazer os votos para toda a eternidade com outra pessoa. Primeiro, que ela nem tinha namorado – o que ela ainda tinha que dizer em voz alta para Aioros, já que ele havia perguntado. No entanto, ela estava se sentindo um pouco estranha. Admitir que não tinha alguém esperando por ela no seu mundo lhe deixava um pouco triste. "Eu não tenho namorado". Era difícil dizer isto em voz alta. No entanto, era verdade que não tinha alguém – e ela não estava disposta a mentir sobre algo assim. Na realidade, não fazia muito sentido mentir para se sentir um pouco melhor, pois, no final, a mentira tem perna curta e ela sempre se dava mal. Então, era melhor ser sempre sincera.

"Os homens do seu mundo não sabem valorizar as mulheres, então". Aioros falou com sinceridade. Sentia um grande carinho por ela, apesar do pouco tempo em que tinham convivido. Ele sentia que ela era alguém com quem ele gostaria de passar o resto de sua vida, caso fosse uma pessoa normal, apenas um cidadão de Rodório.

Mirela ficou um pouco desconcertada com o que ele disse, mas resolveu não focar muito nesse assunto, pois não queria que as coisas ficassem estranhas. Então, ela voltou a falar sobre a casa de peixes.

"Afrodite ainda vai demorar muito a voltar?"

"Ele deve estar chegando. Talvez hoje no final do dia ou amanhã pela manhã. Não sabemos ao certo, mas, em breve, ele estará conosco".

"Como ele é?" Perguntou. Estava curiosa sobre o cavaleiro de peixes. Será que ele era tão bonito e sexy como no anime/mangá?

"Ele é gentil, apesar de ser um pouco difícil às vezes".

"O que você quer dizer com isso?" A curiosidade era maior que Mirela. Ela queria saber tudo sobre aquele mundo e sobre eles.

"Você vai entender quando ele estiver perto do Mask". Aioros não queria entrar em detalhes ou ficar falando de peixes. Ele não gostava muito desse tipo de coisa, pois era muito mais reservado do que os outros cavaleiros. Agora, se Miro estivesse ali, com certeza adoraria contar tudo para ela, detalhe por detalhe. "Talvez eu não seja o melhor indicado a falar sobre isso".

"Opa! Me desculpe, não quero que você pense que sou enxerida. Vamos seguir com o passeio". Falou constrangida.

Os dois seguiram descendo as grandes escadas e foi assim o caminho todo. Ela fazendo apenas algumas perguntas sobre as casas e ele respondendo. O clima tinha ficado estranho entre eles. Ela não sabia o que fazer para o clima ficar um pouco menos tenso e ele não sabia como se desculpar com ela por ter dado a entender algo errado. Ele não estava chateado com ela pelas perguntas sobre os cavaleiros. Aioros achava até normal, mas não fazia esse tipo de coisa porque não era natural para ele.

Passaram por Aquário e Kamus não estava lá. Mirela não quis entrar na casa dele, pois a entrada era muito fria e ela já imaginava que não aguentaria o seu interior. Ficou satisfeita em só admirá-la por fora, uma vez que era tão bonita quanto a de peixes e, por causa do frio em seu interior, uma leve névoa saia pela entrada.

"Estou tendo calafrios só de estar aqui na entrada". Mirela falou mais para si mesma do que para ele.

Aioros pensou em dizer alguma coisa, mas se manteve calado. Ela não estava mais irradiando alegria como no começo, e ele estava se sentindo bastante culpado por causa disso. Quando ela começou a descer as escadas mais uma vez, ele tratou de alcançá-la e ficou formulando em sua cabeça alguns pedidos de desculpa.

"Será que Capricórnio estará em casa?" Ela perguntou, apesar de achar que ele não lhe responderia.

Mas Aioros aproveitou a oportunidade para pedir desculpas.

"Mirela, antes de mais nada, queria te pedir desculpas. Acho que fui meio estúpido com você na casa de peixes. Eu não sou muito bom em ficar falando dos outros. Não faz muito o meu estilo, então, não me leve a mal, pois eu não queria te ofender. Eu só não sabia como responder à sua perguntar sem ficar constrangido ou me sentir desconfortável".

Mirela ficou surpresa com as desculpas dele. Ela se sentiu um pouco idiota. Deveria saber que ele não era o tipo de homem que ficaria fazendo mexerico por aí. Ela não perguntou nada demais, porém, lembrou-se de que os costumes deles eram diferentes dos seus. O que para ela poderia ser algo simples e inocente, para ele poderia ter outro tipo de conotação.

"Tá tudo bem. `Para ser honesta, eu deveria ter te pedido desculpas antes, afinal, a errada sou eu. Eu não fiz aquela pergunta para te colocar em uma situação constrangedora ou até mesmo te deixar desconfortável. Às vezes, eu esqueço que esse mundo não é o meu e que algumas coisas que podem ser simples para mim, podem ser diferentes para vocês". Ela parou de andar e o encarou. "Eu deveria ter imaginado como você iria se sentir. Desculpa, eu fui uma péssima amiga agora".

"Vamos deixar isso para lá". Ele começou a sentir o rosto ficar quente. "Vamos entrar na casa do Shura?" Mudou de assunto.

Mirela concordou e os dois passaram pelas grandes pilastras de pedra. Shura não estava em casa também, e Aioros contou a ela que ninguém estaria, já que os mesmos estavam treinando junto com seus discípulos ou sozinhos. Mirela sempre achou que eles ficavam em suas casas, esperando alguma coisa acontecer, mas ela logo percebeu que eles sempre estavam ocupados fazendo alguma coisa no santuário. Ajudando alguém, treinando, ou resolvendo alguma coisa em Rodório – ou até mesmo fazendo rondas pelo santuário à procura de alguma coisa suspeita.

O clima entre ela e Aioros tinha ficado mais suave e eles já estavam falando sobre o mundo dela e seus costumes. Mirela contou a ele sobre o cinema, que lembrava um teatro, só que era através de uma pequena caixa que transmitia imagens coloridas. Ele ficou um pouco incrédulo no começo, mas a riqueza de detalhes que ela lhe dava era tão grande que era impossível não acreditar.

Eles deixaram a casa de capricórnio para trás. Assim como o seu dono, a casa era simples. Era apenas possível ver alguns profundos cortes feitos com espada nas pedras. Aioros tinha dito que aquilo era o trabalho da Excalibur, e Mirela se pegou pensando na espada. Logo ela se lembrou do filme Rei Arthur e contou para Aioros sobre o conto e de como a espada era representada em seu mundo.

Os dois avançaram até a casa de sagitário e ele começou a dizer que a casa dele não tinha muita coisa para ela olhar ou admirar. Então, resolveu levá-la até os seus aposentos. Ela, no começo, manteve-se um pouco na defensiva. Ir até onde ele vivia lhe deixava um pouco desconfortável, mas ela estava curiosa sobre onde ele morava. Porque o próprio Aioros disse que as casas eram um lugar onde os cavaleiros meditavam e não um lugar onde eles moravam. Nos fundos de cada casa, havia uma pequena morada de apenas três cômodos. Um quarto, banheiro e sala/cozinha. O estilo dessas cozinhas era o americano, e Mirela ficou ainda mais curiosa para saber como eram.

Eles cruzaram a construção da casa de sagitário e, como ele havia dito, ela era igual às outras. Só que cada uma tinha um detalhe do seu dono, mas a de Aioros não tinha nada em especial, o que a fez ficar um pouco desapontada. Mas, quando ela chegou em frente à porta da casa dele, seus olhos se iluminaram. Era pequena, mas era tão acolhedora por fora que ela queria simplesmente entrar e confirmar o que já estava imaginando. Quando ele abriu a porta e a convidou, ela não ficou surpresa ao ver tudo arrumado e em seu devido lugar. As cores do ambiente eram quentes e convidativas. Tinha uma lareira – que ele já estava começando a acender, apesar de ela achar que aquilo não era necessário porque o dia tinha sido muito quente –, mas logo ela entendeu que, quando a noite caía, com ela vinha o frio.

Um sofá de dois lugares estava posicionado de frente para a lareira e, na lateral, havia uma grande estante com livros. Logo atrás, estava a cozinha. Ela era pequena assim como o resto, mas estava muito bem organizada. Um fogão a lenha, um armário e uma pequena geladeira.

"Você deve estar com fome". Ele falou já indo até a geladeira e pegando algumas coisas para preparar algo para ela. "Nós passamos o dia todo nas casas e nem vimos tudo".

"Nós começamos o passeio um pouco tarde, mas ficarei feliz em terminá-lo com você amanhã. Minhas pernas estão doendo de tanto descer escadas. Fico imaginando se eu vou aguentar subir isso tudo de novo".

Aioros começou a rir. Era realmente bastante cansativo ter que subir aqueles degraus todos os dias, mas ele já estava tão acostumado com aquilo! Mas, para um humano, poderia ser bem exaustivo mesmo.

"O que você gostaria de comer?" Perguntou avaliando o que tinha na geladeira. "Eu devo admitir que não sou muito bom na cozinha, mas sei fazer excelentes sanduíches".

"Eu aceito o que você for fazer para si". Ela se permitiu sentar e descansar um pouco. "Da próxima vez, eu vou cozinhar algo do meu mundo para você".

"Vou cobrar". Ele falou um pouco alto para que ela pudesse escutar.

Algum tempo depois, Aioros terminou o sanduíche, tomando o cuidado para não colocar carne. Ficou um pouco triste ao perceber que só tinha alface, tomate, queijo, cebola e pepino. Já o dele, tinha um belo pedaço de carne. Ele revirou os olhos e resolveu tirar a carne. Ia acompanhar Mirela até na comida. Colocou-a em um prato e levou para ela com um copo de suco de laranja que ele havia feito pela manhã. Ela agradeceu e comeu com gosto. Estava com fome e aquele sanduíche estava bem apetitoso, mesmo não ligando muito para cebola. Ela estava com tanta fome por não ter almoçado que ficou feliz e grata por ter aquele sanduíche.

"Obrigada. Eu não tinha percebido que estava com tanta fome assim". Disse, sem graça.

"Eu deveria ter imaginado que iriamos ficar muito tempo nas casas e ter feito algo para comer. Amanhã pedirei às servas para prepararem uns sanduíches para a gente levar". Falou enquanto dava uma outra mordida em seu sanduíche.

Mirela o observou comendo, em silêncio. Ele estava sentado ao lado dela e ela agradeceu internamente por ele ter sido gentil e atencioso em todos os momentos, até mesmo quando ela havia chegado àquele mundo.

"Obrigada". Ela tornou a agradecer, só que, agora, não era por causa da comida e sim por ele ter lhe tratado com dignidade desde o início. "Por tudo".