Saint seiya, obviamente não me pertence.
"I tell them move move
Got somewhere to go I'm making move
I been cooking up a stew
Tell ur girl come thru
Better get a hold
Ima make that flower bloom
Oo yea
She wanna ride she wanna fly so I say where?
Come inside I'll change your life better prepare
Put in work in like the renaissance
Bend that body like a gumnast
She ask me what? I want"
Luhan – Lu.
Capítulo 6 – As doze casas. Parte II.
Casa de Gêmeos.
Saga estava irritado.
Ele havia esperado o dia todo por ela e Aioros, porém nenhum dos dois deram as caras em Gêmeos. Será que eles evitaram a casa dele? Ele era assim tão insignificante? Bufou ao escutar o som da porta de entrada abrindo. Ele sabia quem era. Fechou os olhos e fingiu dormir. Não queria ter que conversar com o irmão aquela noite.
"Não acredito que você já está dormindo?" Kanon estava chateado. Ele tinha passado o dia todo sozinho em Rodório escondido. "Fiquei trancado naquela pocilga o dia todo e você nem foi lá me visitar."
Saga olhou para o irmão que estava sentado na mesa de centro. Seus braços apoiavam a cabeça e seus olhos expressavam um tédio sem fim.
"Não seja dramático." sentou-se vencido. "Eu também fiquei em casa o dia todo."
"Então você admite que ficou aqui sem fazer nada em vez de me fazer companhia?" perguntou magoado.
"Deixa de ser dramático." disse irritado. "Eu estava esperado Aioros, mas pelo jeito ele tinha outras coisas mais importantes para fazer do que vir aqui."
"Você está chateado por causa disso?" falou entediado, mas agora parecia que as coisas estavam começado a se agitar. Ele gostava de ficar perto do irmão porque sempre algo novo acontecia, e se Saga estava chateado por causa de Aioros – o que era bastante estranho na visão de Kanon, algo estava acontecendo e o irmão não queria lhe contar. "Abre o jogo comigo. O que Aioros ia fazer aqui?"
"Não é nada demais." deu de ombros. Saga não queria que o irmão soubesse de Mirela. Tetou desconversar. "Você realmente ficou preso o tempo todo?" Perguntou.
"Não." Kanon entrou na dele. "Eu saí uma vez e dei de cara com a Shina." disse divertido.
"E o que você fez?" Saga não ia fazer alarde por causa disso.
"O de sempre. Fingi que era você e tudo deu certo." Kanon se jogou ao lado do irmão. "Já que você não tem nada para me dizer." começou a dizer de forma irônica. "Eu tenho algo para lhe dizer."
"Não estou a fim de conversar agora, será que você pode me deixar em paz?" pediu cansado. Saga levou o braço aos olhos. "Quero dormir."
Kanon estava se sentindo ofendido. Fez beicinho e resolveu deixar o irmão descansar, porém falaria o que sabia, pois queria ter certeza de uma coisa antes de ir embora.
"Você sabia que no Santuário há uma garota vinda de outro mundo?" Kanon viu o irmão ficar rígido no sofá. Lá estava a informação que ele queria. Saga sabia o tempo todo e não havia mencionado nada da garota para ele. "Então você sabia e não me disse." ele estava se sentindo traído. "Deu para esconder as coisas de mim agora, Saga?"
Saga não tinha achado uma oportunidade para contar a Kanon, em seu âmago, ele não queria dividir essa informação com ele. Era algo que seria somente dele. Entretanto, ele havia esquecido que se Kanon não soubesse por ele, saberia por outras pessoas e nesse caso, com certeza Shina havia dito a ele.
"Ela não é ninguém." Sabia que o irmão não iria mais embora, não sem antes tirar tudo o que ele sabia. "Apenas uma garota sem graça de outro mundo." mentiu.
"Não é o que a Shina acha." Kanon havia vencido a batalha. "Ela disse que a própria Athena a trouxe aqui, isso é verdade?" voltou a sentar.
Saga já estava de pé e de costas para o irmão, não queria que ele visse a raiva estampada em seu rosto. Como ninguém pensou em repreender a Shina? Mas ela ia ser ver com ele. Ela não deveria ficar falando de Mirela para todo mundo. Foi até a cozinha, precisava de um copo de água para se acalmar.
"Você sabe que ela só me contou porque achou que eu fosse você, não é?" Mais uma vez Kanon havia lido entre as entrelinhas. Ele conhecia muito bem o irmão. "Porque Athena a trouxe aqui?"
Essa era uma pergunta que ele não queria responder. Fechou a porta da geladeira com mais força que o necessário.
"Eu não sei." Mentiu.
"Tem certeza? Não é isso que eu vejo em seu rosto." Kanon insistiu.
"Eu só sei de uma coisa, ela não significa nada. Ela é apenas uma garota qualquer de um mundo qualquer que Athena trouxe para cá. Será que você não percebe que isso acaba tirando o nosso foco do que é realmente importante?" Saga quebrou o copo de tanta força que fazia ao segurá-lo.
"Eu posso até acreditar que ela não signifique nada para esse mundo, agora não me peça para acreditar que ela não signifique algo para você!" Kanon cuspiu as palavras com desprezo. Ele só estava sondando o irmão, mas agora as coisas estavam ficando cada vez mais claras. "Se ela realmente não é ninguém, porque vejo desejo em seus olhos? Se apaixonou por uma humana?" Kanon encurtou o espaço entre eles. "Reze para que eu não a encontre, porque você sabe muito bem do que eu sou capaz." dizendo isso, ele saiu da casa do irmão sem nem ao menos olhar para trás.
Com um estrondo a porta da frente se fechou e Saga ficou ali olhando para o copo quebrado em sua mão.
Casa de Sagitário.
Kanon não podia acreditar que o irmão estava neglicenciando ele por causa de uma mulher. Aliais, ele não, o plano deles de comandar o Santuário. Algo que eles planejam desde mais novos. Subiu as escadas pisando firme sem nem ao menos se importar se seria visto por alguém. Nem se deu conta de que estava próximo da casa de Sagitário. Parou ao escutar uma conversa vindo da casa de Aioros. Ele teria passado direto se não fosse pela voz ser de uma mulher.
Esgueirou-se pelas pilastras da casa de sagitário até ver o casal. Eles estavam conversando animadamente sobre o santuário e nem se deram conta de que estavam sendo observados.
"Está com a guarda aberta, Aioros" pensou o geminiano.
"Muito obrigada pelo sanduíche." agradeceu. "Amanhã a gente termina o passeio, espero que não seja um incomodo."
"De forma alguma, eu gosto desses passeios." falou com sinceridade.
"Pelo visto não é só o meu irmão que está apaixonado." Kanon continuou seguindo o casal.
"Só não sei se eu vou aguentar subir isso tudo amanhã de novo." falou divertida. "Eu sou meio sedentária em meu mundo."
"Talvez esteja na hora de começar a mudar a sua rotina. Quer treinar com agente amanhã depois da visita as casas?"
"Treinar?" aquilo era algo a se pensar. "Tipo, pegar no pesado?" perguntou.
"Minha querida, você não deve aguentar o pesinho de 1 kg." desdenhou Kanon.
"Não, vamos só começar com exercícios leves." falou rindo dela. "Você não está preparada para pegar no pesado."
"Aioros, essa mulher nunca vai pegar no pesado, olha só esses bracinhos." caçou.
"Sério, minhas pernas estão tremendo. Eu definitivamente não sei como vocês aguentam isso todos os dias. Por isso estão sempre em forma, acho que eu nem preciso treinar." tentou desconversar. Ela não servia para essas coisas. "Capaz que eu caia dura no chão, mortinha de tanto cansaço."
Aioros gargalhou. Aquilo era algo diferente do que Kanon podia imaginar, era difícil ver o sagitariano rindo daquele jeito. É, ele estava encantado com aquela humana, não restava dúvidas. O problema era que Kanon não via o que os outros estavam vendo, ele não entendia que encanto essa garota tinha. Ficou curioso, queria vê-la de perto.
"Bom, chegamos." Mirela falou depois de um tempo em silêncio. "Graças a Deus!" sorriu.
"Estar comigo é tão ruim assim?" fingiu estar ofendido.
"Deixa de ser besta, Aioros." Kanon fingiu vomitar.
"Você entendeu." Mirela continuava sorrindo. "Foi muito bom passar o dia com você."
"Foi muito bom passar o dia com você… Aff" debochou um pouco mais.
Aioros beijou a mão dela e esperou ela entrar no santuário antes de ir embora. Kanon aproveitou a chance e seguiu a garota. Alguns servos lhe acenavam e ele passava sem nem ao menos cumprimentar. Não podia perder a garota de vista, quando ela chegou em um corredor longo e vazio ele se aproximou.
"Ei." chamou. Ele não sabia o nome dela. Shina não havia dito, nem seu irmão.
Mirela antes de abrir a porta de seu quarto escutou alguém lhe chamando. Ela olhou a procura da pessoa e sentiu o corpo tremer ao ver Saga vindo em sua direção. "Meu Deus, o que ele quer?" pensou.
"Saga." o nome dele saiu quase como um sussurro. "Tudo bem?" perguntou tentando manter a compostura.
Pela primeira vez ele conseguiu a ver direito. Ela era mais baixa do que ele achava, chegava somente até a altura de seus ombros, era branca, magra e aquela roupa deixava muito em evidência a suas curvas. Seus olhos eram castanhos claros e seus cabelos estavam soltos e bagunçados por causa do vento frio que entrava pelas janelas abertas do corredor.
"Sim." ele respondeu quando diminuiu a distância entre eles. "Como foi o passeio?" perguntou. Afinal, era a única coisa que ele sabia a respeito dela.
Mirela ficou encarando aqueles olhos azuis misteriosos. Tinha alguma coisa diferente. Até a voz parecia diferente, um pouco mais grossa. Por mais que ela achasse Saga um tanto quanto peculiar – vamos colocar dessa forma, já que nem ela mesma conseguia arrumar uma palavra para descrevê-lo, ela achava a voz dele mais sedosa e macia do que escutava agora.
"Está com a garganta ruim?" perguntou preocupada. "Sua voz está diferente."
Kanon não esperava por aquilo. Nunca ninguém reparou na voz dele. Ele pigarreou para confirmar o que ela havia perguntando.
"Um leve incomodo, já passa." disse indiferente. "Pensei que você fosse na casa de gêmeos hoje."
"Ah!" Mirela ignorou o tom de voz dele. "Não deu tempo, fui até sagitário somente."
"Então devo te esperar amanhã em minha casa?" perguntou.
Mirela tinha certeza que aquilo era mais uma afirmação do que uma pergunta em si.
"Eu pensei que você assim como os outros estivessem ocupados."
"Eu queria conversar com você." ele insistiu.
"Olha Saga." Mirela sabia que aquela conversa uma hora ia chegar, era melhor terminar de uma vez com aquilo. "Eu sei que você não fez por mal, eu também não esperava que você fosse entrar no meu quarto daquele jeito e me ver… Bem, você sabe." ela cruzou os braços como se assim pudesse se proteger dos olhos dele. "Foi constrangedor, eu sei, mas já passou. Vamos deixar esse assunto encerrado." falou evitando olhar para ele. Sentia o rosto arder e sabia que devia estar vermelha feito um tomate.
"Concordo." ele não sabia do que ela estava falando, mas aceitou.
Mirela sentiu um peso sair de suas costas. Ela agradeceu e se despediu, entrando no quarto sem dar a chance dele falar qualquer outra coisa.
"Saga, Saga… O que você fez?" pensou o irmão.
Santuário
Mirela se jogou na cama ainda sentindo o rosto queimar de tanta vergonha. Ela não podia simplesmente deixar esse assunto assim inacabado, ela precisava ter feito aquilo e colocado um ponto final. O clima entre eles dois estava ficando ruim e não dava para conseguir sucesso naquela missão sem nem conseguir olhar na cara dele.
"Eu fiz o certo." falou para si mesma. "Tinha que ser feito." repetiu. "Não foi nada demais. Sem drama."
Ficou repetindo aquilo na sua cabeça até se sentir satisfeita e confortável de novo. Escutou um barulho e sabia que Layla já estava com ela no quarto. Sentou-se na cama e encarou a mulher.
"Meu rosto está vermelho?" perguntou na esperança de escutar um não.
"Um pouco." admitiu a mulher.
Layla até queria perguntar o motivo, mas não ousava se meter nos assuntos que não lhe diziam respeito.
"Puta merda!" Mirela se jogou na cama mais uma vez. "Puta merda!" falou mais alto. "Que vergonha!" Pegou o travesseiro e cobriu o rosto.
Layla ficou vendo a mulher se debatendo e se contorcendo na cama. Achou melhor preparar um chá de gengibre para dor, pois ela podia estar naqueles dias. Talvez deixar a água um pouco mais quente que o habitual ajudasse também a relaxar os músculos. Colocou essência de camomila na água para ela ficar mais calma e ter uma boa noite de sono.
"Seu banho está pronto, senhora." Layla jogou algumas pétalas de rosas na água. "Vai se sentir mais relaxada depois do banho e vou preparar um chá de gengibre para a dor. Vai ajudar com as cólicas."
Mirela abriu e fechou a boca e desistiu de responder a mulher, achou melhor ela pensar que estava com dor. Não queria sentir mais vergonha. Tirou as roupas e se permitiu apreciar o banho. A água estava bem quente, mas não se importou. Aquilo lhe tirava Saga dos pensamentos. Fechou os olhos e relaxou. Layla escovava os seus cabelos com delicadeza a fazendo cair no sono.
Acordou com batidas na porta, dessa vez não se preocupou em ter alguém invadindo o seu quarto. Percebeu que Layla deixou entrar um carrinho de prata com várias guloseimas. Devia ser o jantar. Shion deve ter percebido que ela não chegou a tempo da janta e fez essa gentileza. Ela gostava de como ele podia ser atencioso com ela.
Layla ajudou Mirela a se arrumar. A mulher havia comprado alguns panos em Rodório aquela manhã e havia costurado alguns vestidos para Mirela, já que a mesma se recusava a usar as roupas da deusa Athena.
Mirela ficou feliz e agradecida em ver as novas roupas. Eram simples, porém bonitas. Vestiu uma blusa branca e calças da mesma cor e se olhou no espelho. Era um pijama simples e confortável. Sorriu e agradeceu Layla pelo carinho e competência antes de beliscar o que estava no carrinho. Pegou o chá e mordiscou umas rosquinhas de laranja.
Amanha seria outro dia e ela estava doida para terminar o passeio com Aioros e poder participar do treinamento dos cavaleiros. Ela tinha que se aproximar deles para poder conseguir realizar o que Athena queria. Ela tinha que mudar as coisas, porque nem ela mesma aguentaria perder Aioros e não suportaria ter que ver Saga sucumbir a escuridão.
