Saint Seiya, obviamente não me pertence.
"I'll just stay a victim
If I can for sure
All the good love
When we're all alone
Keep it up girl
Yeah, you turn me on
I-I-I-I'm hooked on a feeling
I'm high on believing
That you're in love with me"
Blue Swede - Hooked on a Feeling
Capítulo 7 – As doze casas. Parte III.
Escorpião.
Aioros esperava por Mirela na entrada da casa de Escorpião. Ela disse que o encontraria ali, que ele não precisava subir aquele monte de degraus para depois ter que descer de novo, porque, na visão dela, para descer todo santo ajuda, mas para subir… Ele não tinha entendido, mas resolveu não questionar.
Não demorou e ela apareceu com um sorriso e o rosto bastante vermelho. Ela estava bonita, usando um vestido rosa claro e simples. Ele era justo no corpo dela e um pouco curto, deixando as pernas em evidência. Seus cabelos estavam soltos, assim como no dia anterior.
"Vejo que já resolveu os problemas com as roupas". Falou enquanto a analisava. "Está muito bonita".
"Obrigada". Disse sem graça. "Mesmo sendo um vestido, acho que esse tem mais a minha cara do que aqueles rodados de Athena".
"Realmente esse parece mais com você". Ele a encarou, divertido. "Mas vejo que esqueceu do nosso treino".
Mirela não tinha esquecido. Ela estava doida para ver todos eles juntos suando a camisa, só não estava empolgada em ter que se juntar a eles. Ela se conhecia e sabia que nunca deixaria de ser sedentária: só de subir e descer aqueles degraus já era um exercício e tanto.
"Eu não esqueci". Ela começou a se defender. "Veja bem, eu quero primeiro ter uma noção do que vou fazer para depois começar a fazer, entende?"
"Eu só vejo você me enrolando, mas tudo bem. Vamos fazer do seu jeito". Ele fez um gesto em direção à casa de escorpião. "Vamos?"
Mirela passou por ele e entrou na casa de escorpião. Ela não tinha nada demais, apenas alguns espelhos espalhados. Não eram muitos, mas, mesmo assim, eles a deixaram pensativa.
"Porque tantos espelhos?" Perguntou, curiosa.
"Advinha".
"Hum… Não sei. Não lembro de ler nada sobre isso". Ela realmente não lembrava de ter lido que na casa de escorpião haviam espelhos espalhados.
"Milo é um narcisista". Aioros disse, indiferente.
Ela podia esperar aquilo de Afrodite, mas de escorpião? Não mesmo!
"Ele ama se ver no espelho". Aioros passou por mais um espelho e olhou para ela. "Acho que esse é o último".
Mirela descobriu que não sabia nada sobre eles. Ela achava que sabia, mas, no fundo, ela não tinha noção de nada.
"Sabe, às vezes eu acho que conheço vocês". Ela começou a divagar. "Só que aí eu descubro que eu não sei nada".
"Isso não tinha em seus livros?" Perguntou.
Mirela chegou perto o suficiente para sentir o hálito dele em seu rosto.
"Eu sei de muitas coisas. Boas, ruins…" Ela agora encarava os olhos verdes dele. "No final, não importa o quanto eu saiba, pois eu não consigo pensar em algo que possa mudar o futuro de vocês". Sua voz saiu triste.
"Pela forma como você está falando, parece que alguém vai morrer".
Mirela deu dois passos para trás sem tirar os olhos dele. Ela podia sentir que estava prestes a contar para ele, dizer que ele ia morrer e que ela não conseguia pensar em algo para aquilo mudar. Ela queria dizer que Aioria ficaria com raiva dele, que ele seria visto como traidor, que Saga ficaria tão dominado pelo ódio que nem mesmo a deusa seria capaz de trazê-lo de volta e que, no final, ele preferiria morrer.
"Eu estou certo, então". Ele podia ver o medo nos olhos dela. "Quem?" Ele se ouviu perguntar. "Só não pode ser ele". Aioros não queria ser egoísta, mas ele não queria imaginar viver uma vida sem o irmão.
Mirela segurou o cordão que Athena lhe dera com força. Ela sentia que estava nadando em águas perigosas. Se ela falasse alguma coisa a mais, as coisas poderiam dar errado.
"Não, ninguém vai morrer". Mentiu.
"Você é uma péssima mentirosa, sabia?" Falou encurtando a distância entre eles.
"Eu sei". Falou segurando o choro. "Mas ninguém vai morrer". Tornou a mentir. "Eu não vou deixar". Pensou.
"Acredito que seja difícil carregar isso sozinha. Então, eu quero que saiba que, no que eu puder te ajudar, eu irei".
"Você já ajuda". Ela segurou as mãos dele. "Só de estar aqui comigo, me escutar e ser gentil, já é mais do que eu poderia esperar".
Aioros ficou olhando para as mãos dos dois. A mão dela era pequena e quente, já a dele era calejada de tanto treino e enorme em comparação à dela. Sempre que estavam juntos, seu coração batia mais rápido, o seu estômago ficava estranho, e ele sentia seu corpo tremer como se, ao tocar nela, uma carga de eletricidade passasse pelas suas veias.
"Vamos para a casa de Libra?" Perguntou.
"Vamos". Ela soltou as mãos dele com relutância. Gostava de sentir o calor que emanava dele.
"Já vou avisar que não tem nada lá".
'Eu sei". Falou sorrindo. "Gostaria de visitar o mestre ancião qualquer dia desses".
"Você realmente sabe das coisas". Aioros sempre se surpreendia com o conhecimento dela a respeito de seu mundo. "Ele está lá…"
"…sentado de frente para a cachoeira". Ela terminou a frase dele.
"Isso". Ele não pôde deixar de sorrir. "Às vezes, eu me assusto com todo o seu conhecimento".
"Eu também".
Os dois chegaram na casa de libra em silêncio. Era gostoso apreciar esses momentos com Aioros. Mesmo estando em silêncio, o clima entre eles era gostoso e Mirela não se sentia deslocada. Conviver com ele era simples e fácil. Como esperado da casa de libra, ela estava vazia. Não era como as outras. Estas tinham vida, por mais que não tivessem alguém. Já de libra estava meio que abandonada.
Não demoraram muito e foram para a casa de Virgem. Mirela ficou um pouco apreensiva. Shaka era o tipo de cavaleiro que intimidava mesmo de olhos fechados. Ela sentiu a presença dele antes mesmo de entrar em sua casa. Até Aioros ficou impressionado por ele estar lá.
"Pensei que não fosse ter ninguém em casa". Mirela disse com receio de entrar e atrapalhar seja lá o que o virginiano estivesse fazendo.
"Não precisa ficar com vergonha de entrar. Shaka é muito gentil". Aioros percebeu a relutância dela em entrar.
"Gentil?" Ela não sabia se acreditava nisso. Ele tinha sido representado de outras formas. E gentil não era uma delas.
"Você parece com medo".
"Não é medo". Ela ficou tentando avaliar o que realmente sentia em relação a ele. "Talvez um pouco de medo". Disse, vencida.
"É dessa forma que me representaram em seu mundo?"
Shaka estava ali, ao lado deles, e aquilo fez com que Mirela desse um salto involuntário para trás, tropeçando em um degrau e caindo de bunda no chão.
"Desculpa se eu te assustei". Ele estendeu a mão para ela.
Mirela ficou confusa. Como aquele homem sabia onde ela estava sem olhar para ela? Era muito estranho vê-lo sempre de olhos fechados. Ela queria muito ver a cor de seus olhos e enxergar a força neles. Pegou a mão dele, um pouco hesitante. Ele tinha mãos suaves e delicadas.
"Eu que peço desculpas por essa cena".
"Você está bem?" Aioros a olhava procurando algum machucado. "Não se machucou?"
"Estou bem". Ela o tranquilizou. "Só com vergonha mesmo".
"Você é mesmo estabanada". Falou mais tranquilo. "Talvez esteja certa sobre treinar conosco".
"Você a convidou para treinar conosco?" Perguntou virgem.
"Sim. Acredito que ela precise aprender a se defender. Pelo menos o básico".
"Concordo". Shaka virou-se na direção de Mirela. "Eu posso te ensinar, se quiser".
"Me ensinar?" Mirela começou a suar frio. Ser aprendiz de virgem era uma honra, mas ela tinha medo de decepcioná-lo. "Eu…"
"Shaka é muito bom em treinamento. Os discípulos amam estar com ele". Aioros a encorajou.
Mirela não queria aceitar, mas não podia fazer essa desfeita. Ela concordou e Aioros sorriu. Ele estava mais tranquilo agora que Virgem a treinaria. Ele sabia como fazê-lo.
Os dois se despediram de Shaka e foram para a casa de leão. Aioria não estava lá, mas tinha deixado um bilhete para Mirela.
"Fique à vontade na minha casa. Minha casa é sua casa".
Ela ficou muito feliz com aquele pequeno pedaço de papel. Era muito reconfortante quando se sentia acolhida e aceita por eles. Principalmente por leão, que era o seu signo. Acabou que o peso daquele bilhete caiu como chumbo em seu coração. Aioria era sempre gentil e amigável, e ela não gostaria de vê-lo triste e revoltado.
"Qual a diferença de idade entre você e seu irmão?" Ela se pegou perguntando. Ela sabia que, quando Aioros morresse, Aioria ficaria rebelde, pintaria os cabelos de vermelho, desenvolveria um poder de matar um deus. "Meu Deus!" Mirela levou a mão à boca, com medo de ter dito aquilo em voz alta. "Aquela era a solução para o seu problema". Pensou. Aioria matou Cronos e Athena tinha lhe feito esquecer desse poder, por ser muito poderoso. "Puta que pariu, Athena! Burrice ou medo da sua parte?" Mirela nem escutou quando Aioros respondeu a pergunta dela. Ela estava tão absorta em seus pensamentos que se assustou quando o sagitariano lhe segurou pelos braços. Seus olhos verdes estavam preocupados e ela se culpou por ter deixado ele no "escuro".
"Você está bem?" Perguntou. "Parece que sua alma estava em outro lugar".
"Desculpa". Foi a única coisa que conseguiu dizer. Ela tinha que colocar aquela informação bem no fundo de sua mente e, à noite, pensaria naquilo. "Eu lembrei de uma coisa".
"O quê?"
"Que no meu mundo a diferença de idade entre você e seu irmão é de sete anos". Desconversou.
"Nossa! É muita coisa!" Falou. "São apenas três anos de diferença entre a gente".
"Sim". Ela sorriu. "Sabe, no meu mundo a idade de vocês é bem ridícula. Quero dizer, você tem apenas quatorze anos e seu irmão sete".
"Nossa!" Ele estava um pouco incrédulo com aquela informação. "Com quatorze anos eu estava treinando, ainda não tinha a armadura de sagitário. Eu a consegui com dezesseis anos".
"Sério?" Mirela adorava esse tipo de informação. Era muito mais plausível do que no anime/mangá.
"Sim". Ele começou a se lembrar da fase em que era apenas um discípulo. "Treinávamos dia e noite. Era muito cansativo, mas valeu apena quando recebi a armadura de ouro".
Os dois saíram da casa de leão e chegaram na casa de câncer trocando informações. Mirela só contou coisas simples para ele. Como a idade de cada um, personalidade, e até como eles eram retratados fisicamente. Falou também sobre as origens, o que deixou Aioros bem divertido. Ele ficou com ciúmes por Aldebaran ser do Brasil, país ao qual ela pertencia.
Ele contou que todos eles pertenciam a Rodório e que ninguém era de outro mundo, apesar de eles terem noção da existência de outros mundos e que, se Athena perdesse, todos os mundos sentiriam. Aquela informação deixou Mirela mais nervosa ainda. Se o destino do mundo dela também dependia de Athena, ela não podia falhar de jeito nenhum. Sua família dependia disso.
Pensar neles fez seu coração pesar. Estava com saudades de casa, dos seus pais e dos seus irmãos. Principalmente de Martim, seu irmão mais novo. Eles eram bastante agarrados e Martim só não tinha ido com ela para Friburgo porque precisava estudar para a faculdade. Apesar da saudade que sentia dele, agradecia por ele não ter ido com ela, por não estar ali.
"Então câncer foi retratado dessa forma". Aioros não podia acreditar que Câncer tinha sido representado de uma forma tão horrível. "Ele nunca teria sido escolhido pela armadura se fosse um ser tão desprezível assim".
Mirela tinha mencionado sobre as cabeças na casa de câncer no trajeto de leão até lá. Aioros não parecia nada feliz com aquela descoberta.
"Sim. Eu também nunca vi sentido nisso. Ele foi representado como alguém ruim".
"Câncer é muito sentimental. Ele é gentil e atencioso, também é engraçado e gosta muito de se divertir com Afrodite". Aioros começou a pontuar as qualidades do amigo. "Ele pode ser bem sensível também".
"Quero muito conhecer o verdadeiro Máscara da Morte". Mirela tinha uma ideia completamente errônea dele. "Eu sempre associei o nome dele ao fato dele ter cabeças em sua casa".
"Não tem nada a ver". Falou, enojado. "Câncer sempre foi muito dramático. Ele queria um nome que colocasse medo em seus inimigos e daí surgiu o Máscara da Morte".
"Ele é muito dramático?"
"Muito. Igual ao Afrodite". Aioros riu de algo que lhe passou pela mente. "Ele, quando era mais novo, participava de teatros escritos e dirigidos por Afrodite".
"Sério?" Aquilo era muito interessante. "Será que ele, um dia, me dará a honra de poder apreciar uma representação dessas?"
"Se você pedir, pode ser que ele faça sem problema algum".
Mirela saiu da casa de Câncer cheia de ideias na cabeça. Queria muito entender mais sobre ele e apreciar os talentos do cavaleiro. Queria também poder ver a interação dele com Afrodite. Pelo que ela pôde entender, segundo as explicações de Aioros, ela tinha quase certeza de que Câncer tinha um caso com o cavaleiro de peixes.
"Meu Deus! Eu vou pirar se eles tiverem um caso. É o meu shippe favorito". Pensou.
Estava tão animada com o que tinha descoberto que nem se deu conta quando parou na casa de gêmeos. Saga estava na porta, de braços cruzados, com cara fechada. Como se não estivesse gostando da presença dela ali. Aioros falou com o amigo tranquilamente e Saga apenas fez um gesto com a cabeça. Mirela sentiu as bochechas ficando vermelhas ao olhar para ele. Lembrou-se da conversa da noite anterior, o que fez suas mãos suarem.
"Parece que o passeio está sendo divertido". Falou avaliando-a.
Ela tinha um sorriso genuíno nos lábios e estava descontraída até lhe ver. Saga sabia que ela não gostava dele, mas não imaginava que ela sentisse repulsa. O rosto dela estava com uma tonalidade estranha de vermelho, como se tivesse subido e descido aqueles degraus rápido demais. Sentiu ciúmes de Aioros por estar tão próximo dela.
"Está sim". Mirela tentou deixar as coisas mais suaves entre eles. "Acredita que Shaka vai me treinar"? Tentou puxar assunto.
"Você permitiu isso, Aioros?" Saga ignorou completamente Mirela.
"Acho uma boa ideia". Falou. "Se Ares pode estar atrás dela, melhor que ela saiba se defender".
"Se você vier a se deparar com Ares, corra. Corra sem olhar para trás". Saga a encarou. "Você nunca terá chance contra ele".
