"Last things last

By the grace of the fire and the flames

You're the face of the future,

The blood in my veins, oh-ooh

The blood in my veins, oh-ooh

But they never did, ever lived,

ebbing and flowing inhibited, limited

Till it broke open and it rained down

It rained down, like

Pain!"

Believer – Imagine Dragons


Capítulo 8 – Verdade nua e crua.

Casa de Gêmeos.

"Aioros, se você não se importar, eu gostaria de terminar esse reconhecimento das casas com Mirela". Saga encarou o rival.

Mirela se assustou com o pedido do geminiano. Ela não esperava por aquilo, não achava que ele fosse a favor daquele passeio. Aioros também pareceu perturbado com o pedido do amigo, mas não fez caso com aquilo. Ele apenas assentiu discretamente.

"Peço para que leve-a até a arena".

"Claro".

Mirela observou Aioros ir embora dando-lhe apenas um sorriso. Ela sentiu saudades dele de imediato, ao vê-lo sumir por entre os degraus de pedra.

"Pensei que fosse contra eu estar fora do templo de Athena". Sentiu as maçãs de seu rosto queimarem ao perceber os olhos azuis intensos dele nos seus.

"Sou contra". Ele fez um gesto quase imperceptível para que ela o seguisse.

Mirela o seguiu. Ele entrou na casa de gêmeos dando a ela um vislumbre de como a mesma era antes de chegarem na parte de trás, onde ele realmente vivia. A casa era como todas as outras, porém, tinha um certo agouro no ar. Mirela pensou em recuar, dar as costas e ir embora, mas ele era a sua missão. Ela precisava desse contato com ele.

Passando pela casa de gêmeos, Saga atravessou um pequeno caminho de pedras e chegou até onde, de fato, morava. Ele abriu a porta e fez um gesto para que ela entrasse. O cômodo era bem iluminado, assim como a casa de sagitário. Um cheiro forte de café preenchia o ambiente, o que fez Mirela salivar. Ela não curtia muito café, mas apreciava a bebida uma vez ou outra e, naquele momento, o cheiro fez com que ela se lembrasse de casa.

"Você me esperava?" Ela queria muito acreditar naquilo, apesar de achar que talvez ele estivesse mesmo esperando o irmão.

"Sim". Foi até a cozinha colocando um pouco de café em duas canecas. "Você gosta dele puro ou com açúcar?" Perguntou.

"Três colheres, por favor". Ela apenas ficou em pé, observando-o.

"Sente-se". Ele caminhou até ela e lhe entregou a caneca. "Está bem quente".

Mirela pegou a caneca da mão dele, tomando o cuidado para não tocar a sua pele. Sentou-se e bebericou o líquido fumegante e inebriante.

"Esse cheiro me lembra tanto a minha casa". Falou.

Se tinha uma coisa que ela precisava admitir para si era a facilidade que tinha em conversar com Saga e com o sagitariano. Ela morria de vergonha de Saga, disso ela não tinha dúvidas. Mesmo se o episódio dele a pegando daquela forma não tivesse acontecido, ela continuaria sentindo vergonha dele. Era a forma como ele a olhava, um olhar penetrante, firme e cheio de segredos – estes por sua vez ela já sabia, porém, se pegava querendo desvendar todo o seu ser.

"Sente falta?"

"Muito". Ela o encarou. "Sinto falta dos meus irmãos".

Aquele brilho no olhar dele não passou despercebido para ela.

"Você mencionou que era a irmã do meio". Queria confirmar o que martelava em sua cabeça desde o dia do jantar. "Quer me contar um pouco sobre eles?"

Mirela entendeu o que ele queria saber. É claro que ele estava com dúvidas a respeito do que ela sabia, e isso se referia ao irmão dele.

"O meu irmão mais novo tem dezoito anos, acabou de entrar na faculdade". Falou, orgulhosa. "Eu sou muito próxima ao Martim". Ela o encarou. Segurou firme a caneca em suas mãos. Bebeu mais um pouco, e agora já não estava tão quente. "E eu tenho o Mike e o Miguel". Ela desviou o olhar do dele.

"Eles são gêmeos?" A pergunta saiu arrastada e pesada. Parecia que Saga não falava há anos. Sua boca ficou áspera e seca.

"Por que pergunta isso?" Devolveu a pergunta.

Era a primeira vez que estava perto o suficiente para distinguir pequenos pontos verdes em sua íris. Seus olhos eram castanhos, bem claros, e se os raios de sol os beijassem, era possível ver um leve tom de verde. Saga tinha certeza que eram aqueles minúsculos pontos que lhe davam essa característica.

"Porque você disse que era a irmã do meio, mas não incluiu um dos seus irmãos contigo". Ele não desviou o olhar do dela. "E você disse que são em quatro, já contando com você".

Mirela não pode deixar de sorrir com a perspicácia dele. Ele era o cavaleiro de gêmeos. Com toda a certeza ele repararia em detalhes. Não só ele, mas todos. Afinal, são detalhes que fazem com que eles ganhem aquelas batalhas.

"Você tem razão". Voltou a beber o café que, por sua vez, já estava frio. "Eles são gêmeos".

"Por que não falou no jantar?"

"Pelo mesmo motivo que você". Ela tinha que ser direta, pois precisava ganhar a confiança dele de qualquer jeito.

A caneca caiu da sua mão assim que as palavras saíram da boca dela. Ele não tinha certeza de que ela sabia, mas agora… Agiu no impulso, jogando-a contra o sofá, segurando a garganta pequena e frágil de Mirela em sua mão, enquanto a outra segurava os dois braços dela acima de sua cabeça.

Ela sentiu o peso do corpo dele contra o seu. O problema daquele movimento feito por Saga era justamente esse: eles estavam próximos demais e, por mais que a mão dele estivesse em seu pescoço, dizendo-lhe que a mataria em segundos, ela não sentia medo e sim calor. Calor que irradiava da pele dele, do contato com ele. Aquilo era errado. O medo tinha que se sobrepor ao desejo.

"Meu Deus!" Pensou, horrorizada. "Quando eu passei a desejar esse homem?" Sua respiração ficou irregular e ela podia sentir seu coração batendo em sua artéria femoral, como dizia o seu irmão Miguel, que, para os leigos como ela, pulsava em sua virilha.

"Se você ousar contar sobre ele, eu juro que te mato". Sussurrou.

"Se eu quisesse, poderia tê-lo feito há tempos, mas Kanon não é uma ameaça". Mentiu.

Mirela não conseguia entender de onde vinha aquele sentimento repentino por ele. Ela mal havia trocado meia dúzia de palavras com ele, não podia estar assim, tão entregue. "Coração estúpido". Repreendeu-se por tais pensamentos e sentimentos velados pelo geminiano.

"O que quer dizer com isso?" Ele sabia que seu irmão era uma ameaça ao santuário, assim como ele. Eles planejavam contra a deusa Athena.

Mirela começou a sentir os braços formigando. Ele não aliviava a pressão em seus pulsos e ela sabia que uma marca apareceria ali em breve. O hálito dele fazia cócegas em sua pele.

"Saga, eu sei o que vai acontecer. Eu sei o seu destino e o do seu irmão e não é bom". Ela não mentiria. "A culpa irá te corroer por dentro de tal forma que você sucumbirá à escuridão".

As palavras dela penetraram em sua carne como brasas. Ele afrouxou o aperto em seus pulsos e soltou a garganta dela, mas ainda estava próximo o suficiente para sentir o cheiro de flores que emanava de sua pele branca. Seus lábios eram carnudos e estavam vermelhos. Ela os umedecia e os mordia como se o convidasse a sentir seu gosto.

Com muito esforço, ele se afastou. Levou as mãos à cabeça querendo afastar qualquer resquício de desejo permanente dali.

"Saga". O nome saiu de sua boca com um desejo velado, quase como uma súplica.

Ela se ergueu do sofá com cautela. Não queria que o seu movimento deixasse transparecer o quanto ela tinha ficado abalada com o contato deles. Ele a encarou. Os olhos dela estavam úmidos, e ele sabia que aquelas lágrimas não eram de pena e sim de medo. Não dele e sim por ele.

"Ela te trouxe aqui por isso?" A pergunta quase ficou presa em sua garganta. Era difícil admitir que Athena já sabia da sua traição antes mesmo que ela acontecesse.

"Sim". Confessou. "Mas não ache que ela o fez porque não acredita em você, ou não o ame".

Saga agora a encarava. Saber que Athena a trouxe ali só para impedir que ele e seu irmão dessem um golpe o fez ficar arrasado. A culpa de ela ter sido privada da sua família era dele, assim como ele era privado de seu irmão.

"Athena não pode amar um traidor como eu e como o meu irmão". Era difícil dizer aquilo, mas era a verdade. O destino dele e de Kanon já estava traçado desde o dia em que nasceram.

Mirela encurtou a distância entre eles. Saga estava de costas contra a parede de seu quarto. Ela podia ver as roupas de cama ainda desarrumadas no chão. Queria poder sentir o cheiro dele impregnado naqueles lençóis. Segurou as mãos dele com carinho. Estavam geladas e, ao tocá-lo, ela o sentiu tremer. Ele estava vulnerável.

"Athena ama você e o seu irmão". Ela o encarou. Os olhos azuis dele estavam com uma cortina de névoa. Ela não imaginava o que se passava em sua cabeça. "Ela ama tanto vocês dois que foi até o meu mundo para me pedir ajuda. Ela não quer que vocês morram. Ela não quer perder nenhum de vocês. Ela ama tantos os seus cavaleiros que daria a própria vida por vocês. Faria qualquer coisa pela felicidade de vocês". Ela apertou ainda mais as mãos dele. "Isso não é irônico? Vocês lutam por ela, e ela luta por vocês".

"O que vai acontecer?" Precisava saber se os seus atos trariam dor e sofrimento.

"O que vai acontecer não importa". Mirela ergueu as mãos ao rosto dele. "O que importa é o presente, Saga. São as suas atitudes agora. Sendo bastante honesta com você, eu não duvido da sua honra e lealdade diante a deusa. Eu vejo em seus olhos o quanto você a respeita, e ela também".

"Então por que você está aqui? Se ela acredita tanto em mim, por que ela te trouxe aqui?"

"Por causa de Ares". Não era mentira, era uma meia verdade.

"O que ele quer?" Ele estava impaciente e confuso. Como cavaleiro, sabia o seu dever, mas seu coração estava pesado pelo seu irmão. Queria unir as duas coisas, não queria falhar com ninguém.

"Ela tem medo que ele possa influenciar você e seu irmão". Outra meia verdade.

"O que você acha? Isso tinha na sua história?"

Saga não queria quebrar o contato que estava tendo com ela. As mãos dela eram quentes e macias sobre a sua pele. Ele sentia pequenas ondas elétricas percorrerem o seu corpo toda vez que os dedos dela lhe acariciavam o rosto.

"Não". Mirela sentiu o peso do mundo voltar para suas costas. "Ares não é mencionado, e isso me preocupa".

Ela esperou ele dizer alguma coisa, mas ele apenas a observava em silêncio.

"Tenho medo de que os planos de Ares não sejam exatamente o que Athena acredita. Acho que vai muito além de você e do seu irmão". No fundo do seu coração, ela sentia que aquelas palavras eram certas. "Meu medo é ele usar isso como distração para algo muito maior".

"Tem alguma ideia do que seja?" Por mais que ele duvidasse de suas palavras a respeito de Ares ser o problema e não ele, ele tinha que perguntar. Tinha que, pelo menos, ter um pouco de esperança. Talvez ele não fosse, de fato, um monstro.

"Não". Seu coração sentia que Ares era o problema, e não ele. "Eu só sinto".

"O que você vai fazer comigo e com o meu irmão?"

"Nada". Falou com sinceridade. "Tenho certeza de que você vai honrar o seu juramento e a sua armadura".

Aquelas palavras acalentaram seu coração. "Como uma mulher como ela produz esse efeito sobre mim? Por que se sentia tão confortável com ela em sua casa?" Palavras que não paravam de martelar em sua mente.

"Vamos". Ele se afastou dela, querendo evitar mais contato. Tinha que tentar entender toda aquela situação, mas antes terminaria o que prometeu a ela e a Aioros. "Vamos terminar de ver as outras casas".


Monte Olimpo.

Os lábios dele queimavam a minha pele logo abaixo do pescoço. Ares tinha fogo. Seus olhos pegavam fogo, assim como a sua pele. Aquele calor era tudo o que a deusa do amor precisava. Hefesto, seu marido, não lhe tocava há anos, e ela também não fazia questão do mesmo. Mas Ares era diferente. Seu amor e seu desejo por ele eram incontroláveis.

Podia ficar assim com ele por toda a eternidade que nunca se cansaria de ser desejada e beijada por aqueles lábios quentes e voluptuosos. Desatou o nó fino que mantinha seu vestido. Ao fazer isso, sentiu o tecido deslizar pelo seu corpo. O vento que vinha do norte era agradável e fazia com que a sua pele desnuda se eriçasse ao seu toque. Ares sussurrou algo incompreensível e Afrodite sorriu do poder que ela tinha sobre o deus da guerra.

"Você conseguiu o que eu te pedi?" Ele beijou os lábios dela e foi descendo até o umbigo.

"Consegui".

Não havia nada que a deusa do amor não conseguia. Era só usar um pouco de charme que todos os seres rastejavam aos seus pés.

"Quando?" Ele perguntou sem parar de tocá-la.

Afrodite deixou um gemido escapar por entre seus lábios semiabertos.

"Hoje". Sorriu.

Ele teria a sua vingança contra Athena.


Santuário. Casa de Touro.

Saga e Mirela entraram em touro sem dizer uma palavra. Ele não se atrevia a encará-la e ela não sabia o que dizer para quebrar o clima pesado entre os dois. Ela queria muito dar um tempo a ele, para que a conversa fosse assimilada aos poucos pelo mesmo, mas ela podia ver a confusão em seu semblante.

A casa de touro era como todas as outras. Grande, espaçosa, vazia… Sem os seus respectivos cavaleiros, ela meio que não passava de um templo grande de pedra. Com Aioros ao seu lado, aquele passeio era agradável, mas com Saga…

"Você estará presente no treino hoje?" Perguntou somente para quebrar aquele silêncio.

"Não sei".

Aquele jeito dele estava lhe deixando nervosa. Como apareceria na frente dos outros com ele assim? Ia ficar obvio que aconteceu alguma coisa.

"Você acha que hoje eu conhecerei o Afrodite?" Mais uma vez tentou puxar assunto.

"Não sei".

Mirela bufou, irritada. Estalou os dedos das mãos e começou a assoviar para tentar se distrair. Cantarolou uma música do seu mundo e, quando acabou com a melodia, percebeu que Saga a encarava.

"Bonita".

Graças a Deus ele falou alguma coisa diferente do "Não sei".

"É uma música que fala de amor". Mirela encarou Saga.

"Qual o nome?" Perguntou sem tirar os olhos dela.

"More than words".

Mirela não era muito boa em cantar, mas seus pais sempre lhe disseram que ela tinha uma voz bonita, então arriscou:

"Saying: I love you
Is not the words I want to hear from you
It's not that I want you
Not to say, but if you only knew
How easy it would be to show me how you feel"

Saga escutava a melodia sem deixar de encará-la. A voz dela não era a de uma profissional, mas era agradável. Ele sentiu seu coração se aquecer conforme ela cantava cada letra daquela música de seu mundo.

"More than words
Is all you have to do to make it real
Then you wouldn't have to say
That you love me
'Cause I'd already know"

Mirela sentia saudades de casa e, ao cantar a música, a saudade apertou mais ainda em seu coração. Aquela música era a favorita dos seus pais e ela sempre pegou seu pai cantarolando para a sua mãe. Ela ficava escondida atrás do batente da porta da cozinha, pois não queria estragar o momento íntimo deles. E sempre que os via assim, sentia um pouco de inveja. Ela queria um romance assim para a sua vida.

"What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying: I love you"

Cantando daquela forma para ele, sentiu-se aberta, exposta. Sua relação com Aioros era calma, suave, gostosa. Já a sua relação com Saga era intensa e cheia de altos e baixos. Ele a olhava com raiva em certos momentos e, em outros, era como se a despisse. Se ela pudesse descrevê-los em algumas palavras seria, paixão e amor, tempestade e calmaria, fogo e água. Os dois eram completamente diferentes.

"More than words

Now that I've tried to talk to you and make you understand
All you have to do is close your eyes
And just reach out your hands and touch me
Hold me close, don't ever let me go"

Saga deixou a letra da música penetrar a sua pele até os seus ossos. Sentiu-se triste e feliz por ela estar ali, catando para ele. Depois de todas as coisas que ele fez, da forma como ele a tratou, ela estava ali, ao seu lado, cantando uma melodia linda, repleta de sentimentos. Por que escolher uma música de amor para cantar? Será que ela sentia algo por ele? Não, aquilo era impossível. Ele havia visto o jeito como ela encarava Aioros e como ele a olhava. Talvez aquela música fosse para ele.

"More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say
That you love me
'Cause I'd already know"

Não. Aquela música tinha que ser para ele. Ele viu como ela se sentiu em sua casa. Ele não podia estar tão errado a respeito dela, podia? Não. Ele viu em seus olhos, ele via agora conforme ela cantava. Ele sabia que ela sentia algo por ele. Aioros podia até estar em seu coração há mais tempo, mas ele tinha certeza que ela também o mantinha lá.

"What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying: I love you"

Assim que ela terminou de cantar, eles pararam em frente à casa de touro. O sol brilhava intensamente e, apesar do calor que fazia, Saga não se sentia incomodado. Ele não conseguia parar de pensar nos lábios semiabertos dela. Seus olhos brilhavam e ele percebeu que não queria desapontá-la. Não queria ser um traidor. No começo, não gostou da decisão da deusa de tê-la levado até o mundo deles, mas agora… Agora ele agradecia por ter tido o prazer de conhecê-la e por ter o prazer de usufruir da sua presença.

"Obrigado". Agradeceu. "Por ter me contado a verdade e por não desistir de mim".

Mirela apenas sorriu. No início, ela não fazia ideia de como ia mudar as coisas com Saga. Estava com medo e aterrorizada de fazer alguma besteira, mas, no final, não havia sido difícil. Ele era diferente, não era fraco e muito menos covarde. Bastou a sinceridade para ela conseguir ver em seus belos olhos azuis a determinação que tanto buscava. Se antes ela não tinha dúvidas, agora ela estava convicta de que Saga nunca trairia Athena.