"Well, you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Only know you love her when you let her go
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Only know you love her when you let her go

And you let her go"

Let Her Go – Passenger.


Capítulo 11 – Ares.

Monte Olimpo.

"Fez o que eu te pedi?" Perguntou de forma um tanto quanto ríspida.

Afrodite lhe dirigiu um olhar mal-humorado. Ele nunca falava com ela dessa forma.

"Sim. Fiz exatamente o que você pediu".

Ares havia lhe pedido que ela usasse de suas ninfas para espalhar focos de energia pelo mundo dos homens.

"Ótimo!" Relaxou.

Ares tinha um plano contra a deusa Athena que, há muito, havia sido meticulosamente planejado. Ele precisava de tempo para colocá-lo em prática, e levou mais de duzentos anos para uma brecha ser aberta no tártaro, onde ele conseguiu a informação de que tanto precisava. Foi Nyx quem o direcionou. Foi a deusa da escuridão que lhe alertou sobre os perigos do seu plano. Destruir a deusa Athena acarretaria inúmeros perigos para a humanidade e os deuses, mas, na visão do deus da Guerra, destruir Athena era o seu único objetivo.

Um acordo entre ele e Nyx havia sido selado: ele destruía Athena e Hades teria que libertá-la do Tártaro como recompensa pelos seus serviços prestados. Nyx instruiu Ares a procurar por suas filhas, as parcas – ou, como eram popularmente mais conhecidas, as Moiras. Elas eram três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses quanto dos seres humanos.

Eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida dos mortais. Durante o trabalho, as Moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios. As voltas da roda posicionam o fio de cada pessoa em sua parte mais privilegiada, o topo; ou em sua parte menos desejável, o fundo, explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. Ares sabia que nem Zeus ousava interferir no destino, pois sabia que poderia causar uma catástrofe na harmonia cósmica.

"Athena não vai saber o que fazer quando tudo estiver em seu devido lugar".

"Você não acha que está indo longe demais, Ares?" Afrodite tinha colocado na cabeça que ajudaria o deus da guerra em tudo o que ele lhe solicitasse, mas ultimamente o deus andava um tanto quanto diferente com ela. Já não era tão amoroso e fogoso.

"Você não prometeu me ajudar em tudo, docinho?" Usou o apelido o qual ela tanto amava.

"Prometi". Aconchegou-se em seu corpo quente. "Faço o que você desejar, mas estou meio receosa sobre o acordo com Nyx".

"Não se preocupe". Acariciou os longos cabelos dela. "Nyx terá exatamente o que ela merece no final disso tudo".

"Pretende traí-la?"

"Não".

De fato, ele não sabia o que fazer a respeito de Nyx, mas isso era algo já planejado por ele. Evitar pensar, evitar planejar algo, para, assim, ninguém descobrir os seus planos. Deixaria para decidir sobre Nix no momento em que tudo estivesse ao seu favor.

"Você acha que Poseidon e Athena vão se distrair com essa armadilha?"

"Com certeza". Ares esboçou um sorriso. "Eles estão sempre preocupados com guerras e novos perigos. Qualquer resquício de poder, o mínimo que seja, já é motivo para eles ficarem presos aos achismos e suposições mundanas".

"Você não cansa de brincar com a parte humana deles?"

"Não". Falou de forma séria. "Não entendo como eles, em sua forma divina, ainda pensem como humanos. E se preocupem com uma raça que está fadada a nascer e morrer".

"Talvez seja por isso". Acrescentou a deusa. "Viver e morrer".

"Então que morram com os seus animais de estimação".

Afrodite não gostou do que ele disse. Ela era a deusa do amor. Não era insensível como ele. Apesar de amar Ares, não concordava com todas as suas teorias e estratégias. Por mais que soubesse que o deus da guerra só pensava em guerra, ela ainda mantinha aquele feixe de esperança em seu coração. Talvez um dia ele mudasse e se importasse menos com Athena e o seu mundinho pacato e se dedicasse mais a ela.

"Tenho que ir". Ele beijou os lábios dela. "Preciso encontrar com as Moiras".

"Tenha cuidado".


Mundo inferior.

Assim que chegou ao mundo de Hades, Ares parou no grande portão que guardava o mundo inferior. Cérbero – cão demoníaco de três cabeças –, que, por sua vez, guardava o local dos mortais que passassem por ali, o encarava de forma agressiva. O deus apenas passou por ele, como se a criatura não lhe oferecesse perigo algum.

O cheiro de podridão e enxofre era forte e irritada o nariz do deus. Apesar de estar acostumado com cheiro da guerra e de sangue, não gostava nem um pouco do odor de carne queimada e apodrecida.

Seguiu até Cócito, onde Nyx havia lhe informado que as três mulheres estariam. Elas vagavam pela terra dos mortos sem destino certo. Era muito difícil localizá-las sem ajuda ou algum conhecimento prévio a respeito delas. Ares havia tentado inúmeras vezes, mas nunca conseguia e ninguém do mundo inferior lhe dava a informação que desejava – até que o deus teve a ideia de falar com Nyx.

Lá estavam elas. Na visão do deus, aquelas mulheres eram horripilantes. Usavam um manto preto desgastado pelo tempo, sujo e rasgado em certos pontos. Elas eram curvas e magras, tão magras que era possível ver o contorno dos ossos em sua pele fina e desidratada. Ares não sabia dizer se elas tinham cabelos ou apenas alguns fios brancos que saiam por debaixo do capuz.

Cloto, Láquesis e Átropos estavam de frente a um grande tear, cada uma fazendo o que lhe era incumbido. Cloto é a que tece. Ela detém o fuso, manipula-o e estimula o fio da vida a iniciar sua trajetória. Láquesis avalia os compromissos, as provas e as dores que caberão a cada ser, distribuindo entre os homens, assim, seus respectivos destinos; ela também sorteava quem partiria para o reino da Morte. E Átropos, que tem sob sua égide o poder de romper o fio da vida com sua tesoura encantada.

Átropos era a que detinha o olho. Ela segurava firmemente uma linda tesoura de ouro em seus dedos ossudos, no que lembrava um fio de cabelo. Quando a tesoura rompeu o fio, um grito pode ser escutado. Ares automaticamente levou as mãos aos ouvidos, tentando bloquear aquele som horroroso de morte.

"Quem vem lá?" Perguntou Cloto.

"O deus da guerra, minha irmã". Respondeu Láquesis.

"O que queres conosco, Ares?" Indagou Átropos.

"Ele quer respostas e direção, minha irmã". Láquesis esboçou um sorriso, mostrando os seus dentes podres.

"Ele quer mudar o destino?" Cloto perguntou, um tanto divertida.

"Ele ousa fazer o que ninguém teve coragem de fazê-lo". Átropos cantarolou.

"Estás a ficar caduca, irmã?" Láquesis tomou-lhe o olho. "Muitos tentaram…"

"… mas ninguém conseguiu". Terminou Cloto.

Ares ficou apenas observando as irmãs terminarem. Ele não falaria se não fosse solicitado. Não gostava de receber ordens, mas faria esse sacrifício em prol do que almejava.

"Diga-nos, deus da guerra, estás disposto a morrer pelo que desejas?" Perguntou Átropos.

Ares não morreria. Ele sabia que nenhum mortal tinha o poder para fazê-lo.

"Estou disposto a fazer o que for preciso para acabar com Athena". Falou de forma fria e seca. "Nenhum mortal tem o poder de matar um deus". Disse de forma arrogante.

"Se é nisso que acreditas…" Láquesis disse de forma triste.

"Só o amor verdadeiro poderá abrir o lacre que prende aquele que lhe ajudará nessa sua jornada". Cloto olhava para o tear de forma séria. "Uma vida por outra". Concluiu.

"Entretanto…" começou Átropos. "Aquela que odeias já fez a sua jogada".

"E se não deres um fim ao seu peão, perderás". Láquesis pegou um fio levemente banhado a ouro. "Este é o fio que queres que cortemos, mas o destino dela já foi traçado e a sorte está ao seu lado".

"Quem é esse peão de Athena?" Ares perguntou, furioso.

"Procure no santuário. Lá você encontrará".

Dizendo isso, as três mulheres gargalharam e sumiram deixando uma névoa escura e densa no ar.


Monte Olimpo.

Ares bateu a porta de seus aposentos com força. Afrodite, que estava jogada em sua cama, chegou a se sobressaltar com o susto que levara com o deus.

"O que houve?" Perguntou, apavorada com a atitude do amante.

"Aquela mulher ordinária". Ele jogou uma taça contra a parede. "Eu vou acabar com ela".

"Quem?" Afrodite estava tão assustada que não conseguia pensar em ninguém que pudesse deixar o deus daquela forma.

"Quem?" Ares foi até a deusa do amor, apertando-lhe o pescoço com força. "Athena".

Afrodite segurou os pulsos dele na tentativa de fazê-lo diminuir a pressão em sua garganta.

"Está me machucando". Falou sem tirar os olhos das duas chamas vermelhas que brilhavam intensamente em seu rosto.

O brilho do deus da guerra era tão intenso que feixes de luz iluminavam o cômodo. Afrodite teve que fechar os seus olhos em seguida, pois a energia de Ares queimava como fogo, deixando-a cega momentaneamente. O deus percebeu que estava descontando a sua raiva na deusa do amor e largou o pescoço dela com certa relutância.

"Athena me faz perder o controle".

"Então volte a ter controle sobre as suas ações". A deusa do amor disse, irritada. Ela esfregava o pescoço, massageando o local onde o deus a havia machucado. "Se continuar a me tratar desta forma por causa dessa sua rixa com Athena, nunca mais irá me ver".

Ares sentiu um impulso grotesco crescer dentro de seu interior. Ele queria ensinar uma lição à deusa do amor. Ninguém, nem mesmo ela, tinha o direito de falar assim com ele. Contudo, não podia perder o apoio de Afrodite. Ela estava lhe ajudando a confundir Poseidon e Athena para que os mesmos não prestassem atenção no submundo e no que planejava fazer.

"Me perdoe". Disse muito a contragosto.

Afrodite estava irritada, mas gostou de ele ter cedido. Ela o envolveu em um abraço e o beijou nos lábios.

"Se está com raiva, eu posso amenizá-la de outra forma". Sussurrou.

Ares apreciou o contato dela. Ele sentiu as mãos da deusa explorarem o seu abdômen e se perderem dentro de sua calça. Ela acariciou o seu membro já ereto, fazendo com que ele soltasse um gemido.

"Quando estiver com raiva, não me ataque e sim me peça para lhe satisfazer".

A deusa do amor o empurrou contra a cama, tirando-lhe a roupa. Ela beijou o tórax e foi descendo, dando mordiscadas em sua pele dourada até chegar em sua virilidade. Ares sentiu os lábios macios e sedosos dela lhe tocando a pele, beijando-o, massageando com a língua o seu sexo. E naquele momento, ele conseguiu extirpar de sua cabeça qualquer pensamento a respeito da deusa Athena.