"And I know the scariest part is letting go
'Cause love is a ghost you can't control
I promise you the truth can't hurt us now
So let the words slip out of your mouth
And all of the stairs that land me to you
And all of the hell I have to walk through
But I wouldn't trade a day for the chance to say,
"My love, I'm in love with you"
The Words – Christina Perri
Santuário.
Mirela acordou sentindo a cabeça latejar. Depois do episódio com Afrodite, ela não tinha saído de seu quarto pelo resto do dia. Tinha feito suas refeições sozinha e agradeceu internamente por Shion e os outros respeitarem o seu momento. A noite passou como um borrão. Ela não havia conseguido dormir direito e seus pensamentos estavam sempre voltados para casa.
A luz do sol começou a entrar pela janela semiaberta. O dia estava lindo, como todos os outros. Era estranho, mas desde que chegou no santuário ainda não havia chovido. Será que os deuses tinham alguma coisa a ver com o bom tempo também? Escutou a porta abrir e enfiou a cabeça por debaixo dos lençóis. Não queria sair do quarto naquele dia também.
"Senhora?" Layla lhe chamou com um tom de preocupação na voz. "Você precisa sair desse quarto".
"Eu só quero abrir um buraco e me esconder".
"O que aconteceu que a deixou dessa forma?" Layla se permitiu sentar na beira da cama.
"Eu meio que pulei no pescoço do cavaleiro de Peixes e chorei muito". Ela ergueu a cabeça e olhou para a mulher. "Tipo, chorei tanto de deixar meleca na blusa dele".
Layla tentou esconder o sorriso, mas não conseguiu. Ela puxou as cobertas da menina a deixando exposta.
"Deixa de ser boba". Ela começou a ir em direção a banheira. "Você vai tomar um banho, colocar um vestido lindo que eu fiz ontem e vai sair linda desse quarto como se nada tivesse acontecido".
"Eu queria ser assim!" Mirela afundou a cara no travesseiro.
"Corajosa?" Layla perguntou sem parar o que estava fazendo.
"Sim".
"Você é corajosa sim". Layla ergueu a cabeça em direção a ela. "Você não está aqui tentando mudar a vida desses cavaleiros de ouro tendo Ares no seu encalço?"
"Sim". Mirela sentou-se na cama. "Estou".
"Então". Layla foi até ela e a ajudou a tirar as roupas. "Um pouco de meleca e choro não é nada perto disso".
Mirela se sentiu um pouco melhor depois de conversar com Layla. Ela gostava muito dela. Sentia que Layla era a amiga que nunca teve, ou melhor dizendo, a irmã.
"Venha, o seu banho já está pronto". Ela estendeu a mão para que Mirela a pegasse. "Coloquei um pouco de essência de baunilha".
"O cheiro é maravilhoso". Mirela aceitou a mão da mulher que lhe ajudou a tirar a roupa. "Esse cheiro da fome".
"Não é?" Layla sorriu divertida. "Qualquer um que chegue perto de você vai sentir vontade de te dar uma mordida". ela deu uma piscadela.
Mirela riu do comentário e entrou na banheira. A água estava quente e gostosa ao toque de sua pele. Já não sentia-se tão incomodada e começou a surgir a necessidade de sentir o sol em sua pele. Ela deixou Layla esfregar as suas costas, assim como o seu cabelo. O banho havia lhe proporcionado uma recarga de energias.
"Obrigada". Falou ao colocar o vestido vermelho de um ombro só e decote em coração. O colar que Athena havia lhe dado ficava bastante evidente naquele vestido. "Por que esse vestido? Parece até que eu vou em algum evento importante".
"E você vai". Layla não podia conter o sorriso que se formava em seu rosto. "Você vai tomar café com os cavaleiros de ouro".
Mirela a olhou enviesado.
"Como assim? Aconteceu algo?" perguntou confusa.
"Acho que eles só estão preocupados com você e Shion deve apresentar o senhor Afrodite a você da forma correta".
"Ah!" foi a única coisa que conseguiu dizer.
"Fique tranquila, vai dar tudo certo"
"Se você diz". Mirela sentia que era muito mais do que uma apresentação formal ao cavaleiro de peixes. "Não sei porquê, mas sinto um calafrio na espinha".
Layla a encarou com preocupação nos olhos.
"Está sentindo alguma coisa diferente no ar?"
"Layla, eu não sou uma deusa". Mirela queria relembrar aquele fato importante a ela. "Eu posso até ter intuição, algo normal de qualquer ser humano, mas não esse tipo de intuição que você está acostumada".
"Eu sei". Ela lamentou. "Mas mesmo assim. O sexto sentindo de uma mulher nunca falha".
"Bom, se você acha". olhou-se no espelho. "Nossa! Eu nunca pensei que essa cor fosse cair bem em mim".
"Eu amo vermelho também". Layla falava enquanto arrumava a banheira. "Pena que a senhorita Athena não goste dessa cor".
"Ela fica muito no lilás e branco, né?"
"Sim". Layla suspirou. "Ela ficaria tão linda de vermelho".
Mirela tinha certeza que Athena ficaria bem em qualquer cor.
"Acho que estou pronta". ela girou. "O que você acha?"
"Que seu cabelo não está bom".
Layla foi até ela e prendeu os cabelos de Mirela em um coque bem no topo da cabeça. Alguns fios estavam soltos e davam um ar despojado ao penteado. Ela ajeitou a franja que caía sobre os olhos de Mirela a colocando atrás da orelha.
"Agora sim". Falou satisfeita com o trabalho.
Mirela se olhou no espelho e não pode conter o sorriso que se formava em seus lábios rosados. Com os cabelos presos o colar ficou mais em evidência ainda contra a sua pele clara. O ouro brilhava, lembrando muito o cosmo de Aioros quando ela o conheceu em Rodório.
"Você se superou". Disse contente.
Layla fez um gesto para que ela seguisse adiante em direção ao salão onde todos já deveriam estar lhe esperando. Mirela sorriu e foi embora deixando para trás a sua insegurança, tristeza e solidão do dia anterior.
Monte Olimpo.
"Diga-me que você fez o que eu te pedi". Ares andava de um lado para o outro. "Diga-me que vai dar certo".
"Eu falei com ela". Afrodite sentou-se em um grande e majestoso sofá de veludo vermelho. "Ela me disse que tem uma garota no santuário".
"E você pediu que fizessem aquilo?"
"Claro que pedi". Afrodite pegou um morango de cima de uma linda bandeja de prata. "Você sabe que eu não gosto muito disso, mas eu fiz por você".
"Você tem certeza que foi Athena que a colocou lá?" Ares estava aflito. "Não quero ter que fazer um movimento e descobrir que aquela mulher não passava de uma humana qualquer".
"Tenho certeza". Afrodite bufou. "Eu te disse pela manhã, não te disse?"
Afrodite tinha perguntando aos seus espiões dentro do santuário se algo tinha acontecido de diferente nesses últimos dias e claro que os mesmos lhe disseram que uma garota estava se hospedando no santuário de Athena.
Falaram até que ela usava os vestidos da própria deusa e que andava agarrada com o cavaleiro de sagitário e que o Mestre do Santuário a respeitava muito. Afrodite no começo não quis acreditar, mas resolveu ir tirar a prova. Foi até o Santuário e viu com seus próprios olhos a garota dormindo em um sono profundo no antigo quarto da deusa Athena.
"Não quero que os santos de Athena suspeitem de mim". Ares sentou-se ao lado dela. "Preciso que de certo".
"Eu dei as ordens, meu amor". Afrodite passou as mãos nos cabelos vermelhos dele. "Agora é com eles".
"Vamos ver se esses servos são leais". Ares beijou os lábios de Afrodite mordiscando o lábio inferior dela. "Não vou admitir falhas".
"Já eu, não vou admitir que você fique ao meu lado falando sobre essas coisas em vez de me possuir".
Afrodite tornou a beijar Ares e o mesmo respondeu as suas carícias com beijos intensos. Ele passava a mão pelo corpo dela saboreando cada detalhe e curva do mesmo. A cada beijo e toque, um gemido escapava dos lábios da deusa e assim ela se perdeu em seu corpo mais uma vez.
Santuário – Cozinha.
Layla estava exausta. Ficar no mundo mundano tinha esse efeito nela. Como passou a sua vida toda ao lado da deusa Athena, tinha se acostumado ao monte olimpo, então a atmosfera do mundo dos humanos era completamente diferente da que tinha se habituado. Era mais densa e pesada. No começo teve certa dificuldade em se adaptar, sempre que arrumava a senhorita Mirela e a mesma saía de seu quarto ela deixava o seu corpo cair contra o chão para poder recuperar as suas energias.
Trabalhava para a jovem a mando da deusa, no começo não gostou, pois sempre foi o braço direito de Athena e queria muito se manter ao seu lado ainda mais com Ares tramando no Monte Olimpo contra ela, mas depois se encantou com a jovem Mirela. Ela era gentil e não a tratava como serva e sim como amiga.
Depois de deixá-la magnífica para enfrentar um interrogatório, porque ela sabia que estava por vir, pois tinha escutado do próprio Shion que eles lhe fariam mais perguntas sobre o conhecimento dela. Resolveu ir na cozinha preparar uma bandeja de frutas e um chá calmante para Mirela.
"Ela vai voltar estressada ou chateada". Disse para si mesma.
"Ela te deu isso?" perguntou uma mulher baixinha de cabelos curtos e cacheados.
Layla se escondeu no exato momento em que a mulher ergue o olhar na direção da outra que parecia nervosa.
"Sim". a outra mulher de pele escura retirou um pequeno recipiente de vidro de dentro das veste. "Ela disse para despejar tudo na bebida e que apenas o toque da pele no líquido já pode causar um grande estrago".
Layla levou a mão a boca horrorizada. Ela tinha que fazer alguma coisa.
"Tem certeza?" a mulher baixa estava cheia de dúvidas. "Ela não é protegida de Athena?"
"É". a outra deu de ombros. "É ela ou a gente, o que você prefere?"
"Ela com certeza".
A mulher baixinha pegou um copo de cristal e despejou suco de laranja até que o mesmo ficasse quase cheio, já a outra, acrescentou o líquido do vidro no mesmo. Ela mexeu com uma colher e enrolou a mesma em um tecido jogando fora em seguida.
"Leve até a garota e só saia de lá quando ela beber". A mulher de pele escura pediu. "Depois que ela beber, vá embora".
A mulher assentiu pegando o copo com cuidado. Colocou o mesmo em uma linda badeja de prata e partiu em direção ao grande salão.
Layla se escondeu dentro de um armário de roupa de cama que ficava no corredor. Ficou ali por alguns segundos que mais pareciam horas. Abriu a porta e olhou pela brecha.
"Não tem ninguém". Sussurrou.
Saiu olhando para os lados aflita. Se ela estive certa, Mirela estava em perigo e ela tinha que fazer alguma coisa.
Sala de jantar.
Mirela caminhava confiante pelos corredores do santuário de Athena. Passou por algumas servas que lhe reverenciavam como se ela fosse a própria deusa. Aquilo a deixou muito nervosa e inquieta. Ela não era ninguém no seu mundo e mesmo naquele mundo ela não se sentia como alguém importante, apenas uma humana qualquer, tendo uma vida qualquer no meio da multidão.
Continuou seu caminho tentando ignorar as mulheres que lhe olhavam como se ela fosse alguém importante. Passou por um corredor cheio de pessoas arrumando as tapeçarias e limpando os grandes quadros penduras nas paredes. O santuário estava bastante cheio naquele dia em especial. As pessoas corriam de um lado para o outro arrumando e fofocando ao mesmo tempo. Parecia que alguma estava prestes a acontecer.
Será que era isso que eles informariam a ela naquela manhã? Talvez estivesse chegando o dia do tornei pela armadura de pégasos. Por mais que Shion soubesse por ela mesmo que o cavaleiro de pégasos ainda não tinha nascido, ele tinha que prosseguir com os preparativos para o torneio.
Chegou na grande salão onde eram servidas as refeições. Não se surpreendeu ao perceber que tinha sido a última a chegar. Todos estavam sentados em seus devidos lugares era como se ela estivesse se vendo há alguns dias, quando revelou o seu segredo. Passou por todos sem dizer nada indo até o único lugar vazio ao lado de Aioros. Ele tinha um sorriso quando ela sentou-se ao seu lado.
"Você está linda".
Aioros desde o primeiro dia em que a viu a admirou. Ela era linda de todas as formas possíveis ao seu olhar. Era engraçada e tímida ao mesmo tempo. Tinha um sorriso encantador quando estava descontraída. Sempre que ela olhava com admiração alguma coisa do mundo dela, era possível notar o brilho no olhar dela. Aquilo o deixava fascinado.
"Obrigada".
Mirela evitou olhar para ele e os outros. Depois que entrou na sala sentiu todos os sentimentos que havia deixado no quarto voltarem.
"Como você está, minha querida?" Afrodite perguntou de seu lugar.
Ele segurava uma taça de vinho entre os dedos. Mirela achou estranho ele beber aquela hora da manhã, mas não cabia ela julgar os seus atos. Ela mesma se imaginava bebendo se fosse amazona de Athena. Muita responsabilidade nas costas para carregar.
"Estou bem". Falou da melhor forma que conseguiu. "Com vergonha, tenho que admitir, mas estou bem".
"Não se preocupe". Ele levantou a taça em sua direção. "Fiquei lisonjeado por parecer com o seu irmão e como eu te disse ontem, seu irmão deve ser lindo".
Mirela esboçou um sorriso tímido.
"Ele é bonito, mas devo aceitar que você é muito mais". Admitiu dando de ombros.
"Eu já disse o quanto gosto dela?" Afrodite cutucou Máscara da Morte que tinha um bico enorme no rosto.
"Já, várias vezes". Ele disse um tanto ríspido demais.
Mirela abafou uma gargalhada. Era óbvio o ciúme de câncer.
"Mestre, acho que nós devemos ir direto ao assunto com a garota". Shura se pronunciou por todos.
"O que vocês querem saber?" ela perguntou sem rodeios. "Se for algo sobre o futuro de vocês, bom eu posso responder algumas coisas, mas não tudo".
"Mirela". começou Shion. "Queremos saber o que você acha sobre Ares?"
Mirela olhou para Saga por frações de segundos. Ele estava sentado diante dela. Seu rosto era uma mistura de sentimentos. Ele estava com medo dela revelar algo sobre o irmão dele, ela podia ver em seus olhos.
"Bom…" Mirela olhou para o prato vazio na sua frente. Dessa vez ele era branco, sem qualquer traço de arte. "Eu conversei sobre isso com o cavaleiro de Gêmeos ontem pela manhã quando estávamos na casa…" ela parou de falar e olhou diretamente para ele. "Quando estávamos na casa de aries". Mentiu.
Shion olhou de Saga para Mirela.
"Então…" incentivou Shion.
"É só uma intuição". Ela agora olhava para o grande mestre. "Athena me disse que estava preocupada com Ares, mas avaliando tudo o que eu sei sobre a estória de vocês". Ela olhou para todos na mesa, seus olhos pararam em Shaka que escutava tudo de braços cruzados. "Não existe nada relacionado a ele, então eu fico meio que as cegas como vocês, mas algo me diz que Ares está planejando algo muito além do que eu saiba contra a deusa Athena".
"Tem uma coisa muito estranha". Camus falou chamando a atenção de todos. "O que Athena quer que você mude?"
Mirela sentiu a boca seca. Ali estava a pergunta que ela não podia responder. Procurou por um pouco de água na mesa. Isso a daria tempo para pensar no que responder. Antes que pudesse pegar a jarra, uma serva parou ao seu lado colocando um copo de suco de laranja na sua frente. Mirela agradeceu internamente por aquilo. A mulher parecia que tinha lido os seus pensamentos.
"Obrigada". Agradeceu.
Mirela pegou o copo e ficou segurando ele firme em suas mãos. Ela tinha tanto coisa na cabeça, queria poder contar tudo para eles, mas se o fizesse poderia mudar a estória por completo.
Suspirou.
"Eu já disse". Ela fez uma pausa levando o copo a boca.
Deu um gole no suco e antes que pudesse colocar o copo na mesa, Layla entrou no salão fazendo com que as portas se chocassem com força contra a parede. Todos se sobressaltaram com a urgência que ela entrou. Seus olhos estavam arregalados e um misto de pavor podiam ser vistos fixos ali.
"Mirela!" ela gritou olhando para a serva e o copo na mesa.
Layla sentiu seu coração ficar mais leve ao ver que Mirela ainda não tinha bebido do líquido.
"O que foi, Layla?" Mirela perguntou assustada. "O que aconteceu?"
A serva já estava saindo quando Layla apontou o dedo para a mesma.
"Prendam ela!"
Foi apenas segundos na cabeça de Mirela. Ela viu uma agitação acontecer ao seu redor. Primeiro, Aioros pegou a mulher pelo braço a deixando completamente imóvel. Logo depois Saga já estava próximo o suficiente dela para lhe proteger de qualquer coisa que pudesse se materializar ali e em seguida ela viu uma luz como o sol preencher o ambiente. Quando ela conseguiu piscar para se acostumar com aquele brilho intenso dourado, percebeu que todos eles já estavam com a sua armadura de ouro.
Parecia mágica. Há um segundo eles estavam apenas com roupas simples, em um piscar de olhos, aquela armadura dourada surgiu diante de seus olhos abrilhantando todo o ambiente. Era uma visão magnífica. Ela nunca imaginou que seria assim.
Layla chegou perto de Mirela encarando a mulher nos braços de Aioros.
"Quem te mandou?" perguntou furiosa. "Ares?"
A mulher começou a rir compulsivamente.
"Quem foi que te mandou?" agora era a vez de Shion perguntar. "O que você fez?"
Mirela estava apavorada. Aquela mulher trabalhava para Ares? Ele já sabia da existência dela? Sentiu uma pontada na cabeça e uma dor aguda no estômago. Tentou se manter de pé segurando na cadeira, mas não conseguiu. Antes que pudesse cair de joelhos no chão, Saga a segurou. Ele encarou os olhos castanhos dela a procura de alguma coisa.
"O que foi?" perguntou preocupado.
A mulher que estava presa agora nas mãos de Shaka e Câncer apontou para Mirela ainda sorrindo.
"Morte". foi a única coisa que ela disse.
Shion olhou dela para Mirela que já estava começando a se debater nos braços de Saga. Layla se agachou ao lado da amiga apavorada.
"Ela bebeu?" perguntou tentando conter o choro.
"Bebeu o que?" Aioros perguntou.
Afrodite pegou o copo que a mulher havia trazido.
"O que tem aqui?" ele perguntou friamente para a serva. "O que você colocou aqui?"
A mulher não disse nada apenas encarava Mirela se debatendo e se contorcendo de dor.
"Existem mais". Layla falou para Shion. "Outras como ela". Apontou na direção da mulher. "Eu a vi na cozinha conversando com uma mulher de pele escura".
Shion fez um gesto com a cabeça e os cavaleiros sumiram. Apenas Afrodite que ainda segurava o copo em mãos, Saga que tinha Mirela em seus braços, Aioros que estava próximo da mulher presa com Shaka e Câncer ficaram com o grande Mestre.
"Ela tem que ter algum antídoto". Aioros começou a procurar nos bolsos da mulher detida.
"Ela não tem nada". Shaka disse com uma calma fingida. "Eu já procurei".
"O que vamos fazer?" Câncer perguntou.
"Temos que analisar esse suco". Afrodite não parava de olhar para o líquido.
"Não toque no líquido". Layla falou sem tirar os olhos de Mirela. "Elas falaram que apenas um toque já podia ser…" ela não queria falar a última palavra. "Eu sinto muito senhorita". ela começou a soluçar.
Mirela nunca tinha sentindo tanta dor em sua vida. Mesmo Saga estando ali do seu lado lhe segurando em seus braços, ela não conseguia sentir o calor dele, ela não conseguia sentir nada além da dor. Sentiu gosto de sangue na boca. Tossiu cuspindo o mesmo no chão. Aioros agachou ao lado dela lhe segurando a outra mão livre. Seus olhos antes tão gentis estavam repletos de medo.
Ela tornou a tossir e seu corpo começou a tremer violentamente. Ela sabia que estava morrendo que não duraria por muito mais tempo. O que seria da sua família? Será que Athena mandaria o seu corpo de volta para casa?
Segurou firme a mão de Aioros o puxando para perto de si.
"Mande meu corpo de volta para os meus pais". Ela sussurrou com dificuldade. "Por favor".
Ele arregalou os olhos quando escutou as palavras ditas por ela.
"Não!" Ele falou sem tirar os olhos dela. "Você não vai morrer!"
Mirela voltou a tossir cuspindo mais sangue. Seu olhar agora pousou em Saga que parecia uma pedra de tão duro ao seu lado. Em seu olhar ela podia ver muitas coisas, inclusive dor. Ela o puxou, assim como fez com o sagitariano. Não tinha muito tempo.
"Eu confio em você!" ela se permitiu sorrir no meio daquela dor. "Você tem um coração bom". sussurrou já sem forças.
Saga não podia acreditar que ela estava morrendo nos seus braços. Tinha imaginado tantas coisas com ela, mas aquilo nunca lhe passou pela cabeça, nem no dia em que segurou ela pela garganta em sua casa. Como conseguiria seguir em frente sem ela? Ele já tinha se acostumado com o jeito tímido dela. O sorriso dela estava gravado em sua memória, ela possuía vários. Um para quando estava tímida, um para quando achava algo engraçado, um quando queria ser irônica, um quando se admirava com a arquitetura do Santuário e um em especial quando olhava para ele que lhe aquecia o coração.
Não, ele não podia viver sem ela. Ele olhou para Aioros que chorava sem tirar os olhos de Mirela que continuava tossindo sangue. Saga sentia inveja de Aioros, mas ali ao lado dele, sentindo a mesma dor que ele, ele compreendeu o Sagitariano. A dor que Aioros sentia era a mesma que a dele. Os dois amavam aquela mulher e os dois a estavam perdendo.
Saga abriria mão dos sentimentos dele por Mirela se ele pudesse fazer qualquer coisa para deixar ela viva, ele abriria mão dela e deixaria ela nas mãos de Aioros, porque ele era o mais indicado a ficar com ela. Ele se contentaria vendo-a feliz ao lado do amigo. Ele só queria que ela vivesse, não queria mais nada.
Mirela apertou firme a mão de cada um deles antes de sorrir e dar seu último suspiro.
