I don't like my mind right now
Stacking up problems that are so unnecessary
Wish that I could slow things down
I wanna let go, but there's comfort in the panic
And I drive myself crazy
Thinking everything's about me
Yeah, I drive myself crazy
'Cause I can't escape the gravity
I'm holding on
Why is everything so heavy?
Holding on
Heavy – Link Park (feat. Kiiara)
Capítulo 13 – A proteção de Athena.
Santuário.
Ela sentia o corpo leve como pluma. Uma sensação de paz assolava o seu coração. Já não exista mais dor, nem saudades, ou dúvidas. Só exista paz. Mirela olhou ao redor e não via absolutamente nada. Estava em um grande nada. Então a morte era daquele jeito? Fechar os olhos e acordar em um completo vazio. Não havia nada em que ela pudesse se apegar naquele lugar. Nem mesmo a brisa, ou os raios de sol. Só havia o silêncio. Deixou a sua consciência vagar pelo mundo do seu subconsciente.
Shion ficou olhando para o corpo sem vida de Mirela. Ele conhecia aquela sensação de perder alguém próximo. Não tinha reparado que os outros cavaleiros de ouro haviam voltado. Pela primeira, vez não sabia o que dizer. Não sabia como consolar Saga ou Aioros. Pelo menos o sagitariano tinha o irmão, que o abraçava gentilmente sussurrando palavras de conforto em seu ouvido, já Saga permanecia ali, olhando para o corpo sem vida de Mirela em estado catatônico.
O silêncio era doloroso.
Quantos amigos ele havia perdido na guerra santa? Vários. E se tinha algo que ele não poderia esquecer ou descrever era a dor de perder alguém que amamos. Ele havia falhado como mestre. Será que poderia ser considerado o grande mestre do santuário da deusa Athena? Não se sentia mais capacitado para tal tarefa. Como poderia olhar para Athena novamente?
Shion não tinha percebido que Câncer ainda estava com a serva que matara Mirela. Ele sentiu a raiva explodir através do seu cosmo. Há muito não perdia o controle de seus poderes.
"Shaka". Falou de forma fria. "Tire-a daqui".
Mu se aproximou do seu mestre colocando a mão gentilmente em seu ombro. Queria mostrar que ele não estava sozinho e que não precisava se culpar pelo que havia acontecido. Já Shaka não parava de pensar no corpo da garota a qual havia prometido treinar. Justamente para que ela não fosse uma vítima fácil. Ele, o cavaleiro mais próximo de Deus, se pegou duvidando pela primeira vez da existência de um ser onipotente, onisciente e onipresente. Será que existia tal força assim? E se existisse, por que deixar que uma criança como ela padecesse assim, de forma tão bruta?
"Sim, senhor".
Ele fez um gesto com a cabeça para que Câncer, que ainda segurava firme a mulher em suas mãos, seguisse-o até a prisão do santuário. Mas antes mesmo que ele pudesse sair do cômodo, sentiu a presença dela. O cosmo de Athena era quente e gentil. Assim como ele, os outros levaram as mãos aos olhos a fim de se proteger da luz intensa que emanava do corpo divino dela.
Layla foi a primeira a correr para os braços da deusa. A garota chorava e soluçava enquanto Athena, com toda a sua bondade e paciência, acariciava os cabelos longos da amiga. Athena secou as lágrimas do rosto da mulher e depositou um beijo casto em sua testa. A visão da deusa fez com que os cavaleiros ajoelhassem em respeito.
Athena olhou para cada um deles com tanto amor que alguns se repreenderam por se sentirem preenchidos pelo cosmo repleto de amor dela em um momento tão triste.
"Eu sinto muito, minha senhora". Shion não pode deixar de conter as lágrimas.
"Não sofra, meu querido cavaleiro". Disse docemente. "Nem tudo está perdido".
A deusa ajoelhou-se diante de Mirela, que ainda estava nos braços do cavaleiro de gêmeos. Para a grande maioria, aquele era um gesto que significava muito. Uma deusa colocar os joelhos no chão por um humano era algo raro de ver.
"Athena". Aioros fez um leve meneio de cabeça em sinal de respeito a deusa.
Ele ainda segurava a mão da mulher que entrou em sua vida por acaso, tornando-se uma amiga e, rapidamente, invadindo o seu coração com amor e ternura. Athena apertou a mão dele brevemente, em sinal de respeito pela dor que sentia. Olhou para Saga sentindo um aperto no peito. Ela o amava tanto. De todos os seus santos, era dele que ela sentia mais compaixão.
Athena podia ver as feridas abertas no coração dele. O seu objetivo em trazer Mirela para aquele mundo repleto de violência, egocentrismo, raiva e rancor era salvar a vida de Aioros e, consequentemente, salvar Saga da escuridão. A deusa não imaginava que ele fosse se apaixonar pela mulher. Não o culpava por isso ou o condenava, pelo contrário. Estava feliz por saber que o coração dele não havia sido corroído pela amargura.
Olhando-o daquela forma, tão vulnerável, sentiu seu coração parar de bater. Assim como fez com sagitário, apertou a mão dele querendo transmitir que compreendia o que ele sentia. Saga permitiu-se olhá-la. Ela era tudo aquilo que ele imaginava. Seu cosmo era quente e reconfortante. A luz que irradiava de sua pele lembrava o próprio sol. Ele a viu limpar o sangue dos lábios de Mirela e, com um gesto simples, tocou o cordão que pendia solitário no pescoço sem vida da garota.
Shaka sentiu antes mesmo da deusa tocar a joia no pescoço de Mirela. Ele, que até então mantinha os olhos fechados, abriu-os só para poder apreciar aquele momento de pura demonstração de poder de uma divindade como Athena. Se ele pudesse descrever a sensação que sentiu quando o cosmo da deusa se elevou, de tal forma que fez com que o coração da mulher que há minutos estava morta voltasse a bater novamente, seria esplendoroso.
Mirela não sentia nada, somente o vazio e uma sensação de paz. Sua mente vagava entre o tempo e o espaço, perdida no meio do nada, quando algo chamou a sua atenção. Naquela imensidão de absolutamente nada, um ponto de luz brilhou. Começou pequeno, quase imperceptível, mas depois aumentou de tamanho, sugando-a para dentro daquela grande bola de calor.
A primeira coisa que sentiu foi uma vontade incontrolável de tossir. Tossiu tanto que seu corpo chacoalhava com força, enquanto seus pulmões gritavam por oxigênio. Era difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Podia sentir sangue ainda vindo do fundo de sua garganta conforme tossia.
Uma mão delicada esfregava suas costas conforme ela vomitava qualquer coisa que o seu estômago pudesse digerir. Palavras foram sussurradas para ela, porém, não conseguia entender nada do que a pessoa estava falando. Sua única preocupação era fazer o que lhe fazia mal ser expurgado de seu corpo.
Finalmente, quando não havia mais nada para vomitar, observou que Athena era a pessoa que lhe acariciava as costas. Tentou falar, mas sentiu dor na garganta. Tanto esforço tossindo e, depois de tanto sangue colocado para fora, percebeu que a mesma estava machucada. Mirela levou a mão ao pescoço. Massageou, sentindo vontade de chorar com a ardência no local.
"Sente dor?" Athena perguntou gentilmente.
Ela balançou a cabeça confirmando.
"Shion". Athena chamou o grande mestre.
Ele entendeu perfeitamente o que tinha que fazer. Pegou um copo e adicionou água, oferecendo para Mirela em seguida. A garota agradeceu com um aceno de cabeça, pegando o copo e sorvendo um pouco do líquido. No começou ardeu, o que fez Mirela esboçar uma careta, mas depois o líquido aliviou um pouco a dor.
"Melhor?" Shion perguntou.
"Sim". A voz saiu estranha e um pouco baixa. "O que aconteceu?"
Mirela procurou por Saga e Aioros. Foram as duas pessoas que ficaram em sua memória antes de apagar. O cavaleiro de gêmeos estava afastado, junto com Câncer e Afrodite. Eles estavam com a mulher da qual ela se lembrava vagamente. Já Aioros permanecia ao seu lado. Ela nem tinha percebido que ele estava ali, junto de Aioria.
"Senhorita". Layla segurou as mãos dela. "Você não se lembra do que aconteceu?"
"Eu só lembro do Saga e do Aioros". Ela procurou o olhar do geminiano, mas ele não a encarou. Mirela voltou-se para Aioros. "O que aconteceu?"
"Você foi envenenada". Ele queria poder abraçá-la, mas não queria machucá-la. "Você…" ele não conseguiu dizer a última palavra.
"Você morreu, Mirela". Athena falou com pesar. "Bom, você ficou entre a vida e a morte. Vamos colocar dessa forma".
"Ah…" foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
"Você precisa descansar". Athena ergue-se do chão com uma facilidade incrível. Olhou para os seus cavaleiros e sentiu-se triste por ter de deixá-los. "Eu tenho que voltar para o Olimpo".
"Senhorita". Layla a abraçou. "Fique bem".
Athena sentia falta da menina. Ela estava com ela há muitos anos. Antes, ela era tímida e mais reservada, porém, esse tempo que passou com Mirela tinha lhe feito muito bem.
"Conto com você, Layla". Athena beijou-lhe os cabelos. "Cuide dela".
"Sim, senhorita".
"Athena". Shion disse com respeito. "Obrigado".
Os outros cavaleiros de ouro as reverenciaram em sinal de respeito. A deusa sorriu e sumiu em um clarão, deixando-os momentaneamente cegos. Mirela tentou se levantar sozinha, mas não conseguiu. Sentia seu corpo todo dolorido. Aioros a pegou nos braços com facilidade.
"É a segunda vez que você me carrega no colo". Mirela disse com a voz meio rouca.
"Não sabia que estava contando". Disse, divertido.
Ela riu e apoiou a cabeça no peito dele. Tinha esquecido de como ele cheirava bem.
"Vou levá-la até o seu quarto". Ele sussurrou gentilmente em seu ouvido. "Assim você descansa um pouco e recupera as suas forças".
Os lábios dele fizeram cócegas contra a sua pele. Sentiu seu lado esquerdo ficar todo arrepiado.
"Obrigada". Falou esfregando ainda mais o rosto no peito dele. Não queria que ele a visse vermelha. "Sua armadura é gelada". Disse tentando disfarçar.
"Desculpe". Ele abafou uma risada. "Você me assustou".
Mirela não sabia o que dizer. Ficou olhando para as paredes conforme ele andava com ela. As pessoas passavam correndo por eles como se estivessem preocupadas com alguma coisa. Alguns até evitavam usar o mesmo corredor do que eles.
"O que está acontecendo?" Mudou de assunto.
"Shion quer todos os funcionários do santuário reunidos no grande salão". Ele falou de forma séria.
Pela primeira vez, Mirela via ligeiras rugas no canto de seus olhos. Aquilo era preocupação? Cansaço? Ela não saberia dizer. Seu semblante era neutro, não deixava escapar nada.
"Significa problemas?"
"Significa que algumas pessoas serão investigadas". Ele colocou dessa forma para não assustá-la.
"Ah!"
Ele parou em frente à porta do quarto dela, abrindo-a com certa facilidade. Layla já estava lá arrumando e procurando por qualquer coisa estranha. Ela apontou a cama para Aioros, que caminhou o mais lentamente possível. Mirela se afastou um pouco para poder encará-lo.
"O que foi?" Ela perguntou procurando pelo olhar dele.
"Eu só…" Ele a encarou.
Mirela pôde ver medo em seus olhos esverdeados.
"Eu só me sinto apavorado". Confessou baixinho.
Mirela percebeu que Layla foi para a ponta mais afastada do quarto, tentando lhes dar privacidade.
"Você com medo?" Perguntou forçando um sorriso.
"Sim". Ele disse, sério. "Eu tenho medo, Mirela. Eu tenho medo todos os dias. Ser cavaleiro não me exime de tê-lo".
Ela sabia disso. Antes de ir para o santuário, quando tudo não passava de ficção, ela sempre pensou neles como seres indestrutíveis. Intocáveis. Pessoas que não tinham medo de nada. Mas depois que ela os conheceu, soube que eram pessoas normais como ela, porém, com uma responsabilidade a mais.
"Eu sei". Falou de forma solidaria. "E eu o admiro tanto por isso".
"Admira o fato de eu sentir medo?" Perguntou duvidando.
"Sim". Ela deu de ombros. "Por mais que você sinta medo, você enfrenta eles com toda a sua coragem".
Ele a colocou na cama e sentou-se ao lado dela.
"Lembra quando a gente se conheceu e eu disse que era fraca?" Perguntou.
"Lembro". Ele a encarava.
"Eu ainda sou, admito". Ela suspirou. "Entretanto, toda vez que eu olho para você, eu tento ser forte. Eu tento buscar essa coragem, essa sua força que você exala a cada caminhar seu, em sua postura e até mesmo no seu modo de falar e olhar. Eu tento ser melhor todo dia por causa de você".
Aioros não conteve o sorriso que se formou em seus belos lábios. Ele colocou uma mecha de cabelo dela gentilmente atrás da orelha, sem tirar os olhos dos dela. Sentiu um impulso avassalador de beijá-la. Diminuiu a distância entre eles, estando tão perto que era possível sentir o hálito dela em seu rosto.
Mirela não pode deixar de notar que ele estava muito próximo a ela, próximo o suficiente para ela avaliar os lábios entreabertos dele. Apesar de a sua cabeça estar uma confusão, ela não queria nada que não fosse os lábios dele. Inclinou a cabeça na direção da dele e ele tomou aquilo como uma permissão.
O toque dos lábios dele era quente. Começou como um leve selinho que foi se transformando em um beijo intenso. Ele tinha gosto de vinho nos lábios. Ela não lembrava de vê-lo beber pela manhã. A língua dele explorou a sua boca, se enroscando na dela. Um calor começou a se apoderar do corpo de Mirela. Ela esqueceu completamente que os dois não estavam sozinhos no quarto.
Para a sua tristeza, Aioros também estava pensando a mesma coisa, pois ele se afastou gentilmente dela. Ele a beijou na testa com ternura, fazendo cócegas no local. Ela abafou um riso e ele ergueu o rosto dela para poder ver os seus belos olhos castanhos esverdeados.
"Eu não sei o que está acontecendo comigo".
Realmente ele não sabia explicar aquele sentimento.
"Eu só não quero sentir o que eu senti hoje mais cedo". Sua voz deu uma fraquejada. "Ver você daquele jeito me deixou apavorado".
Mirela abriu a boca para falar, mas ele colocou dois dedos em seus lábios.
"Nunca mais esquecerei aquela cena. Você se afogando em seu próprio…" Ele vacilou. "Pelos deuses… Eu não posso perder você de novo".
Mirela entendia. Ela sentia aquilo ao pensar nele, ao pensar em Saga. Misericórdia! Saga ainda ocupava os seus pensamentos assim como o sagitariano. Aquela confusão que ela queria evitar, que ela queria esquecer. Ela queria muito só pensar em Aioros, mas parte do seu coração clamava por Saga. Por que ele não tinha nem lhe olhado na cara? Por que não tinha ido ver se ela estava bem? Por que ela sentia dor ao pensar nisso?
Aioros percebeu a confusão em seu rosto. Ele se afastou levantando-se na cama.
"Tente descansar". Disse já se encaminhando para a saída.
"Espera".
Mirela tentou elevar a voz, mas acabou tento uma crise de tosse. Ele imediatamente já estava ao lado dela, assim como Layla.
"Senhorita, você precisa descansar". Layla a repreendeu. "Você não pode se esforçar".
Mirela assentiu, porém, segurou a mão de Aioros com força. Layla olhou para aquele gesto e, mais uma vez, se afastou dos dois. Aioros retribuiu o aperto com carinho.
"Obrigada". Não era aquilo que ela queria dizer, mas foi a única coisa que saiu de sua boca.
Ele tornou a beijá-la na testa e foi embora deixando-a sozinha com os seus pensamentos.
Sala do Grande Mestre.
Saga estava inquieto. Toda hora olhava para as portas à espera do Sagitariano. Já tinha se passado quase uma hora que ele havia levado Mirela para os aposentos dela. Shion não parava de falar e ele não conseguia focar no grande mestre. Tantas coisas tinham acontecido pela manhã que sentia a necessidade de se isolar de tudo e colocar os pensamentos em ordem.
Ainda sentia o corpo dormente pelo que tinha acontecido com Mirela. Só de pensar no ocorrido, suas mãos suavam. Quando ela caiu em seus braços, tossindo sem parar, se debatendo, um desespero tomou conta dele. Algo que nunca tinha sentido, nem quando pensava no pior a respeito do irmão. Era como se sua alma tivesse sido arrancada de seu corpo e jogada no mundo dos mortos. Seu coração explodiu em milhares de pedaços e eles foram lançados em outra dimensão. Que ironia, não?
Quando Aioros tinha perguntado se ele tinha se apaixonado por Mirela, ele disse que não. Na hora, ele não sabia o que sentia até vê-la morrer em seus braços. Ele não estava apaixonado, ele a amava. Como ele podia amar uma pessoa que mal conhecia? Será que o amor era aquilo? Não ter explicação para os sentimentos que afloravam dentro dele? Passou as mãos pelos cabelos, em seguida, esfregou o rosto.
Estava agoniado com essa demora. Estava com ciúmes. Como tinha sido burro. Ele não queria olhar para ela mais cedo. Não queria se envolver, mas ele já estava envolvido. Quando Aioros a pegou nos braços sentiu seu sangue ferver. Se não fosse pela mulher que ele matinha presa, tinha voado no pescoço do Sagitariano. Em pensar que, momentos atrás, ele estava desistindo dela. Desistindo de lutar por ela deixando o caminho livre para Aioros.
"O que está acontecendo comigo?" Falou para si.
"Isso se chama ciúmes". Afrodite disse chegando mais perto dele.
"O que você quer, peixes?" Falou de forma fria.
"Você acha mesmo que eu não percebi o jeito que você ficou quando Aioros saiu carregando Mirela nos braços, como se ele estivesse em um lindo cavalo-branco protegendo a sua amada?"
Saga se contorceu por dentro. Sim, ele tinha pensado a mesma coisa que Afrodite. E isso o deixava com raiva.
"Você não está ajudando, peixes".
"Se quer um conselho, lute por ela". Afrodite piscou para ele e voltou a olhar na direção de Shion que, apesar de continuar a falar, estava incomodado com a conversa paralela.
Saga entendeu o recado e era isso que ele faria. Ele lutaria por ela e de forma honesta, afinal, no final quem irá escolher será ela. Antes de voltar a prestar atenção em Shion, a porta se abriu revelando um Aioros um tanto quanto diferente. Ele tinha um sorriso no canto dos lábios, o que incomodou o geminiano.
Aioros se colocou ao lado do irmão, que logo o cutucou. Saga pode ler as palavras proferidas por leão: "O que aconteceu?" E um silencioso "Nada". Saiu da boca do Sagitariano, porém, lá estava aquele sorriso, que, assim como ele, Aioria tinha interpretado de uma forma um tanto quanto imprópria. "Vocês se beijaram?" Saga conseguiu ler mais uma vez os lábios do leonino. Em seu íntimo, ele implorava para que não tivesse acontecido nada, mas lá estava o sorriso no canto dos lábios de Aioros e aquilo foi o bastante para o irmão e para ele entenderem que sim, havia acontecido um beijo entre os dois.
"Saga!" Shion o chamou de forma ríspida. "Entendeu o que eu falei?"
Não era só Shion que tinha reparado a forma geminiano estava aéreo. Shura e Camus se entreolharam. Aquilo tinha que ser investigado.
"Sim, mestre". Ele encarou Shion tentando passar plenitude.
"Olha". Shion começou a andar no meio deles. "Eu sei que hoje foi um dia tanto quanto perturbador". Ele encarou Saga por alguns segundos e, depois, voltou a olhar para os outros. "Sei que estamos enfrentando o invisível, já que não sabemos se realmente foi Ares que tentou matar Mirela, e, por causa disso, temos que estar atentos".
Shion suspirou. Estava tão cansado e exausto. O dia tinha acabado de começar. Não era nem meio dia ainda e ele sentia-se como se já fossem altas horas da noite. Precisava de uma massagem no pescoço urgentemente.
"O torneio está se aproximando". Definitivamente ele havia ficado mais velho alguns anos só naquele dia. "E ainda temos que nos preocupar com os servos do templo. Eu quero que Mu, Aldebaran e Shaka fiquem responsáveis por averiguar quem, de fato, é espião. Camus, Shura e Miro, eu preciso que vocês fiquem encarregados de interrogar a mulher e, se obtiverem sucesso, me chamem. Quero estar presente quando ela começar a falar. Afrodite, Máscara da Morte e Aioria, Layla disse que havia mais uma mulher, uma mulher de pele escura. Quero que vocês achem essa mulher, nem que tenham que colocar Rodório de cabeça para baixo". Shion se aproximou de Saga e olhou para Aioros. "Vocês dois vão ficar responsáveis por Mirela. Ela é mais próxima dos dois, então, eu confio essa missão a vocês".
Saga encarou Aioros e percebeu que o mesmo acataria a ordem de Shion, mas tinha ficado visível em seu olhar e na sua postura que ele não apreciava ter que cumprir essa ordem com ele.
Monte Olimpo.
Ares estava sentado diante dos outros deuses. Ele achou estranho Athena não estar presente, já que ela ainda não havia reencarnado. Toda hora que as portas se abriam, ele disfarçava e olhava à procura da deusa da sabedoria, mas nada dela.
Poseidon sentou-se ao seu lado e sua expressão era um tanto quanto curiosa. Ele estava preocupado, mas, ao mesmo tempo, orgulhoso.
"Preocupado, sobrinho?" Poseidon perguntou de forma serena.
Ares não gostou nada da pergunta. Parecia que alguma coisa estava sobre as entrelinhas daquela pergunta tão simples.
"Porque não estaria?" Respondeu de forma debochada.
Poseidon esboçou um pequeno sorriso antes de lhe dirigir a palavra:
"Espero mesmo que esteja tudo bem com você, sobrinho". Ele sorriu e saiu do lado do deus da guerra, indo se sentar próximo de Zeus, que batia um papo super animado com Hermes e Hera.
Ares encarou o tio quando este se sentou, todo confiante, ao lado de seu pai. Será que eles estavam desconfiando dele? Ou será que eles já sabiam o que ele estava fazendo? Não! Se eles soubessem, Zeus já teria feito alguma coisa, mas seu pai não estava nada preocupado, muito pelo contrário. Ele parecia um garotinho se divertindo com a família.
Ares odiava esse tipo de reunião, mas era obrigado a marcar presença, afinal, seu pai fazia questão de ter todos os filhos reunidos pelo menos algumas horas do dia. Ele revirou os olhos para os deuses rindo e bebendo, até que seus olhos se encontraram com os de Afrodite. Ela estava sentada ao lado de Hefesto, que não parava de tagarelar com Dionísio. Este, por sua vez, segurava firmemente uma taça de vinho em mãos.
Ela lhe dirigiu um olhar cheio de desejos, já ele retribuiu de forma interrogativa. Ela franziu a testa – sinal de que não estava entendendo – e ele, discretamente, apontou com a cabeça para Poseidon. Ela fingiu se espreguiçar, sentando-se no colo de Hefesto e lhe beijando a testa, a fim de disfarçar, o que não ajudou muito, já que o marido começou a lhe acariciar as pernas, deixando Ares com raiva.
Afrodite percebeu que Poseidon estava muito tranquilo, como se tudo o que ela havia feito não tivesse servido para nada. Ela passou os olhos pelos deuses e percebeu que Athena não estava no salão. Ela abraçou Hefesto e sussurrou algo no ouvido do marido, que lhe deu um tapinha nas nádegas quando ela se levantou indo em direção a Zeus. Nesse processo, ela disse um inaudível "Depois conversamos" para Ares e se juntou com Poseidon, Zeus e Hermes a fim de participar da conversa e tentar descobrir alguma coisa.
Não demorou cinco minutos e Athena entrou no salão com seus longos cabelos loiros esvoaçantes. Ela agora tinha os olhos dourados e sua áurea divina emanava por sua pele perfeitamente branca. Parou em frente a Ares, sorrindo. Em toda a sua glória e esplendor, ela o encarou por alguns segundos.
O deus da guerra sustentou o seu olhar até que ela o cumprimentou com um aceno discreto e sentou-se junto de Arthemis e Apolo, que conversavam animadamente sobre o sol e a lua. Seja o que for que tenha acontecido com a deusa da sabedoria, Ares sabia que não tinha sido algo ruim, os seja, seus planos não tinham dado certo e aquilo significava que a menina ainda estava viva e que ele teria que partir para o plano B.
