"Love me tender, love me sweet
Never let me go
You have made my life complete
And I love you so"

Love me Tender – Elvis Presley.


Arena.

"Como foi o interrogatório?" Saga perguntou para Camus. Ele sabia que o amigo, assim como Shura e Miro, havia ficado responsável por isso.

"Simples". Respondeu o aquariano. "Ameaçamos e ela respondeu".

"Não foi bem assim". Miro se alongava no canto, próximo da grande arquibancada de pedra. "Ela até que nos deu um pouco de trabalho".

"Teve um pouco de resistência da parte dela, mas nada que não fosse simples de se resolver". O capricorniano estava de braços cruzados, observando Miro se exercitar.

"O que ela falou afinal?" Saga estava bastante interessado nessa parte.

"Que a ordem veio de cima". Shura apontou para os céus a fim de representar o Monte Olimpo. "Nada que a gente já não sabia".

"Então vocês não obtiveram nada de novo?". Indagou o geminiano frustrado.

"Na realidade…" Começou Miro. "Ela nos disse um nome diferente do que imaginávamos".

"Quem?" Perguntou, irritado.

"A deusa do amor". Respondeu o aquariano, analisando a postura de Saga.

Era nítido que o cavaleiro de Gêmeos estava bastante ligado à Mirela. Camus conseguia perceber pelas atitudes e até mesmo pela linguagem corporal do amigo. O que ele não entendia era o motivo do mesmo ter mentido há alguns dias sobre os seus sentimentos para com a garota. Afrodite tinha visto primeiro do que ele a relação dos dois, e Camus sentiu-se frustrado com isto.

"De acordo com o que sabemos sobre os deuses, não é de se admirar que a deusa do amor esteja ajudando o deus da guerra". Objetou Shura.

Saga estava tão cansado daquela situação! Será que eles não teriam um momento de paz? Pensou no irmão que o estava ameaçando. Como se não bastasse ter que lidar com os deuses e suas guerras por poder, ainda tinha que lidar com irmão.

"Então, para encerrar de vez o assunto…" Miro deitou-se de barriga para cima e começou a fazer abdominais. "Mirela estava certa em relação a Ares".

"Você diz sobre ele querer algo que não seja o que Athena tem em mente?" Perguntou Shura.

"Exatamente". Miro terminou a primeira sessão, respirou e voltou aos abdominais. "Temos que ter mais cuidado".

Eles se entreolharam e Saga manteve o olhar fixo e confiante. Não deixaria escapar nada antes de consultar Mirela. Ele conversaria com Shion sobre o irmão, já que o mesmo planejava fazer alguma coisa com a garota. Se ela não visse problema no plano dele, então, seguiria adiante. Melhor os cavaleiros de ouro saberem por sua boca do que pela do seu irmão, alguém que eles não conhecem e, obviamente, não confiam.

"Onde estão os outros?" Quis saber o aquariano. "Mu, Shaka e Aldebaran podem nos informar sobre os traidores. Eles não ficaram responsáveis por isso?"

"Ficaram". Shura resolveu começar a se alongar também. Quanto mais procrastinava, mais demorava para acabar com aquele treino. "Eu conversei com Shaka mais cedo. Ele estava indo relatar o que descobriu para Shion, e daqui a pouco ele estará por aqui".

"Eu sinto como se a gente não pudesse confiar em ninguém". Desabafou Camus. "Somos cavaleiros de Athena, temos que proteger a deusa e, agora, nos preocupar com a vida de uma humana".

"Uma humana que é importante para a deusa". Saga disse entre os dentes.

Ele sabia que a deusa estava sempre em primeiro lugar na vida dos cavaleiros, mas, de uns tempos para cá, ele já não conseguia se ver protegendo a deusa em primeira mão. Sempre colocava Mirela na frente da segurança de Athena, e aquilo poderia ser um problema no futuro. Talvez o certo fosse abdicar da armadura de gêmeos para um novo cavaleiro usá-la. Ele não ficaria feliz com isso, mas a deusa poderia contar com a total dedicação de um novo cavaleiro.

"Será que Mirela o aceitaria sem a armadura? Será que ela o escolheria?" Pensou. Sentiu as mãos suarem ao perceber que estava lutando pelo amor dela com Aioros. A incerteza que assolava o seu íntimo o deixava tonto. No final de tudo, ele sabia que um dos dois sairia machucado. Ele só esperava que o ferido não fosse ele.

"Concordo com Camus". Shura dizia enquanto socava um grande pilar de concreto. "Temos que estar sempre em alerta. Se um simples servo ousa envenenar uma convidada da deusa, vamos colocar dessa forma, já que nem a gente sabe o que essa garota representa para a deusa, temo que o santuário não seja mais seguro".

"Nós estamos aqui para isso ou estou enganado?" Saga encarou o amigo sem entender a colocação dele. O que Shura queria dizer com aquilo? Será que ele estava dizendo que os cavaleiros de ouro não eram capazes?

"Você sabe o que eu quis dizer".

"Não, eu não sei". Saga cruzou os braços enquanto observava Shura socar com mais força o pilar.

"Eu também não entendi". Miro agora fazia flexões. "O que você quer dizer com: 'Temo que o santuário não seja mais seguro?'" Ele fez aspas com os dedos.

"Ele está querendo dizer que nós falhamos em cumprir o nosso dever". Shaka estava do outro lado da Arena. Ele próprio tinha duvidado de sua capacidade como cavaleiro de ouro.

Para a surpresa de Saga, os seus amigos também tinham duvidado de si. Sempre achou que a insegurança atormentasse somente ele, mas estava enganado. Agora as palavras de Shura faziam sentindo. Seus amigos, assim como ele, estavam inseguros e preocupados.

Shaka caminhou tranquilamente em direção ao grupo, seguido por Mu e Aldebaran.

"Ele está certo". Mu falou calmamente. "Mas estamos prontos para aprender com nossos erros e não falharemos mais". Concluiu, decidido.

Era difícil admitir a derrota. Se Mirela tivesse morrido, com certeza a autoestima de muitos teria ido pelos ares, afinal, poderia ter sido a própria Athena a beber daquele veneno.

"Como foi com Shion?" Saga tentou trocar o assunto. O clima havia ficado pesado demais entre eles.

"Descobrimos um grupo de dez pessoas que estavam espionando para a deusa Afrodite". Aldebaran falou de forma convicta. "Nunca imaginei que a deusa do amor se prestaria a isso".

"Os deuses são mimados e egocêntricos". Pontuou Shaka. "É mais do que normal que eles ajam dessa forma".

"Ela fez por amor". O cavaleiro de peixes entrou na arena ao lado de Máscara da Morte. "De acordo com os nossos registros, Afrodite tem um caso de amor com o deus da guerra. É natural que ela o esteja ajudando".

Saga sentiu uma pontada no peito. Ele entendia. Ele próprio faria qualquer coisa por Mirela.

"Ou seja, temos que nos preocupar com essa mulher também". Câncer não gostava de ter mais de um deus envolvido nos problemas da deusa Athena. Se um deus já era difícil, dois então...

"Conversamos com Shion e ele achou de extrema importância que nós ampliemos a procura por traidores nas terras da deusa Athena". Mu falou de forma tranquila. "Ficarei encarregado dessa tarefa com Aldebaran, então vocês não contarão com a nossa ajuda para poder proteger o santuário por alguns dias".

"Nós cobrimos vocês". Falou Camus.

Saga compreendia o que Shion queria com aquilo. Ele mesmo acharia certo se fosse há alguns dias, mas agora… Ele encarou o cavaleiro de Áries. Era nítido que o mesmo não queria sair do santuário, ainda mais em tempos de guerra. Toda ajuda seria necessária, mas quem era ele para ir contra o grande mestre?

"O que será que Aioros pensava a respeito daquilo?" Pensou atordoado.

– Vamos parar com esse papo e começar o treinamento. - Objetou o virginiano. - Mirela estará aqui em alguns minutos e eu não quero esse tipo de assunto na frente dela. Não faz bem para a mesma.

Os cavaleiros concordaram e cada um foi treinar com o seu respectivo par. Afrodite se junto a Câncer em um alongamento. Os dois se auxiliavam sem trocar nenhuma palavra – apenas olhares e carícias aqui e ali. Era difícil treinar com os dois, pois o amor deles exalava a quilômetros de distância, tirando a concentração. Por isso a maioria preferia ficar de costas para eles, e bem afastados. Peixes não se incomodava. Até agradecia pela privacidade.

Miro continuou sozinho, afinal, Shura, que era o seu par naquele dia de treinamento, tinha começado depois dele e o escorpiano não iria esperá-lo. Ele estava atolado de coisas para fazer naquela tarde. Primeiro, tinha que conversar com os aspirantes a cavaleiro de bronze e, em seguida, ir à Rodório para saber se os moradores queriam ajuda com os preparativos para a festa. Além, é claro, de manter a vigília pelo santuário.

Shura aproveitou a oportunidade para lutar contra Aquário, já que o mesmo ficaria sem par naquele dia, uma vez que Shaka treinaria Mirela. Os dois se afastaram bastante do grupo e pediram que Mu utilizasse sua muralha de cristal ao seu redor, para que pudessem usar de suas forças sem se preocupar com a destruição do local.

Mu meditava tranquilamente ao lado de Aldebaran, que socava sem parar um grande saco de areia – o qual estava preso em um suporte fixo na parede. Por sua vez, Saga observava a entrada da arena, à espera de Mirela. Não demorou nem meia hora e ela colocou a cabeça no grande arco de pedra, como se estivesse indecisa se entrava ou não. Ele não pôde conter o sorriso que se espalhou em seu rosto ao imaginar o quanto ela gostava de ficar sem fazer nada, e que aquilo estava sendo um grande sacrifício.

Mirela o viu de longe. Era impossível não distinguir Saga no meio daquela multidão de homens sem blusa, suando e se exercitando. Ela ficou um pouco tonta, pois se esqueceu de respirar vendo aquela cena maravilhosa. Notou também a falta de Aioros e Aioria.

"Onde será que eles estão?" Falou enquanto olhava para a grande arquibancada, que se estendia em direção ao céu nebuloso. Talvez tivesse deixado passar algum lugar.

"Por que ainda não entrou?"

A voz de Aioros fez com que ela saltasse, assim como o seu coração. Ela conseguia escutá-lo batendo em seus ouvidos.

"Pelos deuses! Você me assustou!" Ela levou a mão ao peito e contou de um até dez para se acalmar.

Aioros não fazia ideia de que ela estava tão distraída. Sentiu vontade de rir com a situação, porém, ao vê-la, o sorriso se perdeu em seus lábios e a única coisa que ele tentava não fazer era ficar com a boca aberta, feito idiota. De costas, ele não tinha reparado por causa dos cabelos dela, mas agora que ela o encarava, ele pôde avaliar a roupa que ela vestia. Seus braços, assim como a sua barriga, estavam de fora. Era possível ver pequenas pintas desenhadas no corpo dela. Elas desciam de seu ombro esquerdo e iam até abaixo da blusa, se é que aquilo poderia ser chamado de blusa, bem em sua costela flutuante.

Ele desviou o olhar com muita força de vontade e, com isso, lembrou que não estava sozinho. Ao seu lado, Aioria a encarava com os lábios entreabertos, um fino caminho de saliva escorrendo de sua boca. Aioros revirou os olhos e o cutucou com força.

"O que foi?" Perguntou sem tirar os olhos dela.

"Você está babando". Ele tentou dizer com uma voz baixa o suficiente para que somente o irmão escutasse. "Está sendo ridículo".

Ele tratou de se endireitar e, nesse exato momento, Saga apareceu com um sorriso que se perdeu assim que viu os três juntos.

"Aioros, Aioria". Ele cumprimentou os amigos.

Mirela se virou para encarar o cavaleiro de gêmeos. Achava que seu coração tinha se tranquilizado, porém, nunca esteve tão errada. Assim que escutou a voz dele, perdeu o controle sobre seu corpo. Ele estava sem blusa como mais cedo. Ela pensava que se lembrava dos detalhes com precisão, mas nunca esteve tão enganada. Só se passaram cinco horas desde que o viu, e agora, olhando-o, sentia falta de tocá-lo e de sentir o cheiro da sua pele.

"Saga". Ela deixou escapar o nome dele por entre seus lábios cheios de um desejo velado.

Ele a encarou e, assim como Aioros e Aioria, notou a roupa que ela usava. Vendo-a daquele jeito, lembrou do que havia acontecido mais cedo. Ele tinha passado a manhã toda tentando não pensar no corpo dela e no desejo que ele sentia em tê-la em seus braços. Mas lá estava ela, brincando com ele. Como ele conseguiria treinar com ela daquele jeito? Se com roupa já era difícil, quase nua era impossível.

Mirela segurava firme a blusa dele em suas mãos. Ela tinha enrolado tanto que mais parecia um pano qualquer do que a blusa dele. Ela queria muito dar a ele, mas não queria fazer aquilo na frente de Aioros e Aioria. Naquela manhã, quando Shion a havia deixado, ela achou a blusa dele no chão, próxima de sua cama. Escondeu até mesmo de Layla. Já bastava a vergonha por ela tê-los pego em flagrante. Não precisava mostrar aquela blusa para ela também.

"É melhor entrarmos". Aioros quebrou o silêncio.

"Você tem razão". Ela ainda encarava o geminiano. "Shaka deve estar me esperando e eu aposto que ele não gosta de atrasos".

"Você tem razão a respeito disso". Comentou o leonino. "Ele é muito pontual".

Os três tentavam não olhar para o corpo dela e sim para os seus olhos, e Mirela não pode deixar isso passar despercebido.

"O que foi?" Perguntou conforme entrava na arena. "Está muito ruim essa roupa?"

"Está perfeito". Aioria deixou escapar.

Ela o encarou com olhos arregalados e ele tratou de consertar o que havia dito.

"Quer dizer…" Começou. Ele sentia a atmosfera pesada vindo do irmão e de gêmeos. Se ele não tomasse cuidado com as palavras, acabaria tendo uma longa e exaustiva luta de mil dias. "Está apropriada para o treino".

"Que bom!" Ela se sentiu aliviada. "Achei que fosse um pouco inapropriada, mas como vocês vivem sem blusa por aí, pensei que não fossem se incomodar. Que bom que estava certa".

Mirela voltou a andar e parou abruptamente quando os vários pares de olhos lhe encararam. Sentiu um calafrio percorrer o seu corpo. Talvez não estivesse tão certa assim. Ficou surpresa por Afrodite a encarar com olhos cheios de malícia e desejos. "Ele não é gay?" Pensou.

Apenas Shaka estava intacto. Agradeceu aos deuses por ele ser o único que andava de olhos fechados por aí. Não precisava que ele ficasse lhe encarando com olhos de predador. Porque era dessa forma que ela se sentia: uma presa.

"Mirela". Shaka a cumprimentou. "Que bom que chegou".

"Eu acho que…"

"O que é isso em suas mãos?" Shaka a interrompeu.

Ela tinha se esquecido da blusa de Saga depois de receber tantos olhares famintos.

"É uma blusa". Falou constrangida. Havia chegado a hora de devolver a mesma ao dono. Uma pena que teria que ser na frente de todos. Seu coração acelerou mais ainda, e sua respiração ficou descompassada. "Eu…"

"Que bom!" Shaka tornou a interrompê-la. "Acho que seria mais apropriado tanto para você, quanto para a gente que você a vista". Ele disse sem delongas. "Não estão tendo um efeito positivo... Os seus trajes hoje. Os hormônios estão alterados, consigo sentir no ar".

"Mil perdões". Ela colocou a blusa sem esperar por um segundo pedido. Assim que a vestiu, notou um sorriso no canto dos lábios de Saga. Ela desviou o olhar, sem graça. "Pronto". Disse timidamente.

"Do outro jeito estava melhor". Afrodite disse, divertido. "Por você, meu bem, eu viraria hétero".

"Concordo". Máscara da Morte ainda a encarava com desejos. "Não é sempre que a gente vê esse tipo de coisa por aqui".

Antes que Mirela pudesse responder qualquer coisa, ela notou o sorriso que se formou nos lábios de peixes e, em seguida, Câncer estava rindo junto de seu amado. Era bonito ver a cumplicidade dos dois. Ela se sentiu mais tranquila porque o clima ficou mais leve depois das brincadeiras feitas pelos dois.

Como já não havia mais distrações, os cavaleiros voltaram a fazer os seus exercícios e Mirela se dirigiu junto de Shaka para um canto isolado da arena. Ele conversou com ela sobre o que fariam naquela semana e ela agradeceu internamente por não ter que pegar no pesado. Shaka simplesmente a faria correr pela arena e isso ela podia aguentar. Pelo menos era o que ela achava.

A primeira volta foi tranquila, a segunda também. E aí vieram a terceira, a quarta e, quando Mirela chegou na sexta volta, seus pés já estavam se arrastando. Ela havia diminuído o ritmo e Shaka gritava ordens e incentivos para que ela não parasse de correr – mesmo que ela apenas andasse rápido. Ela só não podia parar.

Ficou surpresa por vê-lo gritar daquela forma. Ele sempre pareceu calmo para ela. Agora, ela começava a comparar o cavaleiro de virgem com o mar. Uma hora estava calmo e, em apenas alguns segundos, ele podia se tornar um mar revolto. Continuou a correr, ou melhor, se arrastar pelo lugar de superfície irregular, tomando cuidado para não tropeçar e se esborraçar pelo chão cheio de pedrinhas minúsculas.

Enquanto ela corria, ela observava os cavaleiros de ouro. Saga estava de costas para ela, socando o saco de areia preso a parede e, ao seu lado, fazendo mesmo, estava Aioros. Por frações de segundos. ela podia jurar que tinha visto os lábios do sagitariano se mexerem. "Será que eles estavam conversando?" Pensou. "Qual o problema, Mirela? Claro que eles podem conversar!" Sacudiu a cabeça tentando se livrar dos pensamentos.

"Mirela!" Shaka gritou. "Parou por quê?"

Ela não tinha se dado conta que estava parada, olhando para os dois. E Shaka não foi o único a perceber que ela tinha parado e que olhava para um ponto específico da arena. Tratou de voltar a correr, dessa vez, com mais entusiasmo. Ela deu duas voltas completas e perfeitas antes de sentir os seus pulmões ardendo em protesto pelo esforço físico.

"Eu não aguento mais". Falou se jogando no chão, não se importando com os arranhões em seus braços causados pelas pedrinhas do chão de terra. "Preciso de cinco minutos".

Shaka se aproximou e a encarou de cima.

"Você está liberada por hoje". Falou, satisfeito.

"Sério?" Ela sentou-se e esfregou os braços, tentando aliviar o desconforto dos pequenos cortes.

"Sim". Falou com sinceridade. "Pensei que você não fosse aguentar dar uma volta e você deu treze voltas. Estou satisfeito. Para o seu primeiro dia, você foi muito bem. Vamos começar devagar, não vou sobrecarregar você de imediato. Primeiro, vamos adquirir um pouco de condicionamento físico".

"Obrigada".

Ele se afastou, deixando-a ali, sentada. Mirela avaliou a blusa de Saga. Estava totalmente suja e, nas mangas, havia pequenos furos por ela ter deitado no chão. Agora ela podia ver algumas gotinhas de sangue escorrendo de dois cortes que pareciam mais fundos do que os outros, mais superficiais.

"Idiota". Disse para si mesma. "Agora a blusa está arruinada".

"Está preocupada com a blusa ao em vez dos machucados em seus braços?" Aioros sentou-se ao lado dela.

"Eu sei…" Ela não sabia o que responder. "Eu sou idiota, né?"

Ele não respondeu. Tampouco riu do que ela disse. Aioros sabia que aquela blusa era de Saga. Antes de Saga ir para o quarto dela para fazer a vigia da primeira noite, eles haviam conversado e o amigo estava usando justamente aquela blusa preta. Aioros não sabia o que tinha acontecido entre os dois, mas seu coração lhe dizia que Mirela nutria sentimentos por ambos.

Suspirou.

"Vem, eu vou te ajudar a limpar esses cortes". Falou se levantando e estendo a mão para ela.

Mirela aceitou com gratidão a mão dele e, com um único solavanco, ele a ergueu sem dificuldade nenhuma. Ela queria falar com Saga, mas o mesmo não estava mais na arena. "Para onde ele havia ido?" Pensou. Aioros não pôde deixar de notar os olhos dela varrendo a arena em busca do geminiano.

"Shion o chamou para uma conversa". Aioros respondeu à pergunta silenciosa dela.

"Quem?" Mirela perguntou ainda procurando por Saga. Não tinha se tocado de que o sagitariano estava falando dele.

"Saga".

"Ah!" Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.