"I hope you know, I hope you know
That this has nothing to do with you
It's personal, myself and I
We got some straightening out to do
And I'm gonna miss you
like a child misses their blanket
But I've gotta get a move on with my life
It's time to be a big girl now
And big girls don't cry"
Big Girls Don't Cry – Fergie.
Capítulo 18 – Quebra-cabeças.
Centro Médico.
Aioros levou Mirela até o centro médico. Era um pequeno posto para acidentes simples. Ficava próximo a Arena e uma fila se formava em sua entrada. Mirela achou incrível a quantidade de gente com pequenas escoriações. Ela não imaginava que um dia teria essa oportunidade de ver os cavaleiros sendo tratados e ser tratada pelos seus curandeiros.
O lugar era incrível apesar de pôr fora aparentar ser pequeno. Era uma construção toda em tijolos vermelhos e as janelas e a porta de madeira pintado de branco. O cheiro de álcool e éter eram fortes e fez com que Mirela franzisse o nariz. Os aspirantes quando notaram a presença do cavaleiro abriram espaço para que o mesmo passasse na frente, mas Mirela segurou a mão de Aioros o mantendo firme atrás das pessoas. Ela esperaria a sua vez.
"Tem certeza?" Ele perguntou sem tirar os olhos dela.
"Sim". Disse decidida. "São apenas arranhões".
Ele concordou e ficou ali com ela esperando. O silêncio tomou conta dos dois e Aioros sentia um certo incomodo com aquilo. Ele só havia se sentido assim na presença dela uma vez quando caminhavam pelas doze casas. Não gostava de ficar sem saber o que dizer ou como agir diante dela.
Mesmo Mirela ainda lhe segurando o braço, parecia que aquele toque era algo irrelevante, como se não representasse nada para ela. No fundo, Aioros já sabia que ela havia feito a sua escolha e para a sua tristeza, não era ele. Pensar naquilo o fazia sofrer, seu coração doía de uma forma que não imaginava ser possível.
Enquanto tentava manter os seus sentimentos escondidos a todo custo a fila andava. Finalmente só havia os dois na porta esperando para serem atendidos. A essa hora Mirela já havia soltado o braço dele e estava com os mesmos cruzados contra o corpo, como se tentasse se proteger de alguma coisa invisível.
"Vamos". Ele a direcionou para dentro depois de subir um lance de três degraus.
O interior do lugar era simples. Um grande armário de vidro fixo na parede onde vários tipos de medicação estavam catalogadas por ordem de uso. Os que já foram abertos na frente e os lacrados na parte de trás. Uma mesa com documentos espalhados, na certa dos aspirantes que haviam acabado de sair.
Para a surpresa de Mirela, Shina estava sentada atrás dela analisando um papel bastante concentrada. Não havia notado a presença deles ainda, até Aioros pigarrear a tirando de seus devaneios.
"Em que posso…" Ela encarou Mirela por frações de segundos antes de olhar para Aioros com raiva. "O que faz aqui?"
"Eu só preciso do kit de primeiro socorros". Falou indiferente a raiva dela.
"Acho que isso tem no santuário". Shina tentava controla a vontade de pular no pescoço da garota. "Não precisava ter vindo aqui com a boneca de porcelana".
Aioros ignorou a mulher e foi até o armário em busca do que ele queria. Pegou um saco já aberto de algodão, soro fisiológico e uma pomada cicatrizante. Colocou tudo dentro de uma pequena bandeja de metal e foi lavar as próprias mãos antes de manusear o que havia pego.
Enquanto Aioros se concentrava em lavar cada parte de sua mão, Mirela voltava a analisar o lugar. Ela tentava não olhar para Shina que parecia que ia pular em cima dela a qualquer momento. Uma maca estava logo atrás dela, próxima de Aioros. Um lençol branco estava perfeitamente arrumado em cima dela, o que fazia Mirela pensar que Shina mantinha o local muito bem limpo e esterilizado.
Um vento frio começou a entrar pelas janelas abertas e Shina as fechou com um baque surdo. Automaticamente o ambiente ficou escuro. Um clique foi escutado e, a luz se ascendeu tornando o lugar iluminado de novo.
"Quando acabar, me entregue a chave no alojamento das mulheres". Shina colocou a chave em cima da mesa dela e saiu do cômodo fechando a porta com um pouco de força demais.
"Ela não me suporta".
"Ela vai sobreviver". Aioros apontou para a maca e Mirela subiu com a ajuda de um banquinho que ela não havia reparado antes. "Tire a blusa".
Mirela tirou com certa dificuldade. Os arranhões começavam a incomodá-la. Eles repuxavam a sua pele lhe dando pequenas fisgadas de dor. Colocou a blusa de saga em cima da maca ao seu lado com cuidado e encarou as próprias mãos.
"Não vai demorar". Ele pegou o braço esquerdo dela jogando soro por toda a extremidade de seu antebraço.
Mirela evitou puxar o braço quando sentiu o líquido gelado tocar a sua pele. Aioros era muito atencioso e sua mão por incrível que pareça, era leve ao tocá-la. Ele limpou o seu braço utilizando os algodões e quando se deu por satisfeito aplicou uma pomada cicatrizante nos pequenos cortes.
"Não deve ficar nenhuma cicatriz". Esclareceu ao ver o rosto de Mirela avaliar os pequenos cortes. "Dá próxima vez, seja mais cuidadosa".
Ele soltou o braço dela e pediu o outro. Este por sua vez só tinha um corte próximo do pulso. Aioros conseguia ver pequenos graus de areia dentro do corte.
"Acho que esse foi um pouco mais profundo". Constatou Mirela.
"Está doendo?"
"Um pouco, mas nada que eu não possa aguentar". Ela fez questão de tranquilizá-lo. Não queria que ele realmente acreditasse que ela era uma boneca de porcelana.
"Tudo bem".
Ela ergueu o braço direito e ele o pegou com delicadeza. Analisou o corte mais uma vez e jogou soro com cuidado. Passou o algodão contra o machucado retirando toda a areia. Quando o corte finalmente estava limpo ele aplicou a pomada.
"Pronto".
"Obrigada".
Aioros começou a guardar as coisas e a lavar a bandeja e as mãos mais uma vez. Mirela ficou ali apenas observando ele terminar.
"Pena que a blusa tenha estragado". Ele falou depois que guardou as coisas dentro do armário de vidro. "Ela ficou boa em você".
"Ela não é minha". Mirela pegou a blusa e ficou cutucando os pequenos buracos.
"Eu sei".
"Sabe?" Ela agora o encarava.
"Eu o vi usando ontem a noite".
"Ah!"
Aioros se aproximou dela e o silêncio se apoderou do lugar. Mirela ainda estava sentada na maca enquanto ele alisava o seu joelho lhe enviando pequenos choques que subiu até o seu pescoço se alojando ali, dando-lhe calafrios.
"Você gosta dele?"
Mirela colocou a mão sobre a dele em sua perna. Na mesma hora os dedos dele se entrelaçaram com os dela. Ela apertou a mão dele com carinho.
"Gosto".
"Muito?"
"Muito".
"E quanto a mim?" A voz dele saiu fraca, quase em um sussurro.
"Aioros…" Mirela ergueu o rosto dele a fim de encará-lo, pois até então, ele estava olhando para as mãos deles juntas. Ele percebeu o misto de sentimentos em seu rosto. Ela não sabia como dizer qualquer coisa que não o machucasse. "Eu amo você…"
"Mas?" Ficou claro que tinha um mas naquela pequena frase dela.
"Mas não é dá forma que você quer". Mirela acariciou o rosto dele com a ponta de seus dedos.
"Como pode saber disso?" Ele repousou a cabeça na curvatura do pescoço dela. "A gente nem ao menos tentou".
Até o cheiro de suor dela era inebriante. Uma mistura de lavanda do banho usufruído pela manhã e o cheiro de seu suor devido ao treino. Mirela sentia a sua pele arder sob o contato da dele. Sentia a sua respiração ficar irregular conforme ele a abraçava. Ela podia escutar as batidas do próprio coração soarem em seus ouvidos como um martelo raivoso.
Ela estava ciente da pele do peito dele contra a sua, sendo separada por um cropped insignificante. Ele passou as mãos pelos braços dela evitando os lugares machucados fazendo um gemido escapar pelos lábios dela. Como ela podia dizer que não o amava da forma que ele se ao tocá-la ela respondia daquela forma?
"Eu consigo sentir o seu corpo desejando o meu". Ele sussurrou.
Sua voz era rouca contra a pele de seu ouvido lhe enviando mais calafrios pelo corpo. Era impossível não desejá-lo. Depois daquela manhã com Saga os seus hormônios estavam alterados, seria errado da parte dela se deixar sucumbir aos encantos de Aioros sem ter certeza do que sente por eles?
Era impossível resistir. O calor do corpo dele era convidativo demais e uma camada de névoa começa a encobrir os seus pensamentos restando somente o desejo. Seus dedos começaram a alisar as costas dele, que era lisa e muito quente. Aioros era como o seu sol, seu sol particular. Ela deslizou as mãos até os cabelos castanhos claros dele segurando-os firme entre os dedos.
Ele beijou o pescoço dela até seus lábios úmidos. Mirela o esperava completamente receptiva a sua língua macia e saborosa. Entrelaçou as pernas na cintura dele e o mesmo a levantou da maca ainda a beijando avidamente.
Com uma mão jogou as coisas que estavam em cima da mesa no chão. Mirela escutou o som de metal quicando contra o chão de pedra e logo depois sentiu o frio em sua pele. Aioros havia colocado ela sentada em cima da mesa e a beijava ao mesmo tempo que tirava a blusa dela.
Jogou o pequeno pano no chão e desfrutou do calor da pele dela. Agora era possível sentir os seios dela contra o seu peito. Segurou sua cabeça passando os dedos por entre seus cabelos a puxando para perto de si. Intensificou o beijo e ela gemeu junto dele, abrindo mais a boca quente e molhada. Aioros sentia o doce ruído ecoar dentro dele, deixando o seu membro erétil.
Mirela ainda mantinha a língua hesitando na boca dele, procurando e explorando aquela enxurrada de sensações. "Como ela é gostosa!" Pensou ele.
Ele deslizou uma mão por suas costas enquanto a outra ainda se mantinha fixa em sua trança. Quando a mesma chegou em sua bunda, ele a puxou ainda mais contra o seu corpo. Agora Mirela conseguia sentir a ereção dele pulsando em sua virilha. Ela deixa escapar outro gemido de prazer quando a mão dele acarícia a sua perna e a parte interna da sua coxa.
Aioros a deita na mesa e começa a percorrer com a língua o corpo dela, começando no pescoço passando por entre os seios dela onde Mirela deixa escapar mais um gemido de prazer e vai até o cós da calça e o seu umbigo.
Ela se contrai e inspira profundamente. "Porra!" Pensa conforme ele volta a fazer o mesmo caminho que antes. Aioros brincava com ela. Queria deixá-la louca por ele, mostrar o quanto os sentimentos que ela sentia por ele podiam ser maiores que os que a mesma sentia por Saga.
Mirela cerrou os punhos nos cabelos dele mais uma vez. Isso não o incomodou, muito pelo contrário lhe deu mais incentivo para continuar com aquele jogo. Aioros mordisca o quadril dela e a mesma puxa os seus cabelos ao sentir prazer com aquela leve mordida. Seus olhos estão fechados, sua boca, entreaberta e ela está ofegante.
Quando ele puxa de leve o cós de sua calça, ela abre os olhos e seus olhos se encontram. Devagar, ele abaixa até a altura de seus joelhos deixando-a apenas de calcinha. Agora as suas mãos percorrem as ondulações de seu traseiro se demorando uma pouco ali. Ela estava quente ao seu toque e era magnífico ver as emoções em seu rosto. Uma confusão de desejo, amor e curiosidade. Logo após, ele retira por completa a sua calça. Sem tirar os olhos dos dela, Aioros deliberadamente passa a língua em seus lábios inchados, depois se inclina e desliza o nariz até o meio de sua calcinha, inalando o seu odor de excitação.
"Pelos deuses! Como você é atraente". Um som inaudível sai de seus lábios e Aioros rir com aquilo. Esse era o efeito que ele tinha sobre ela. "Você é muito cheirosa". A voz dele sai rouca de desejo e começa a se sentir desconfortável por estar ainda de calças. "Preciso tirá-las". Pensou.
Mirela estava tentando encontrar a sua voz já tinha um tempo, mas era muito difícil quando ele a beijava daquela forma. Forçou os seus pensamentos a voltarem ao normal por alguns segundos.
"Espera". Sua voz saiu fraca. "Eu nunca fiz isso".
Aioros pareceu surpreso ao escutar aquilo. Então ele seria o seu primeiro homem? Aquilo não podia acontecer naquele lugar e daquela forma.
"Você nunca…" As palavras se perderem em seus lábios.
"Não".
"Então isso não está certo". Falou sério. "Não quero que a sua primeira vez seja em uma sala qualquer".
Mirela entendia e queria muito que a primeira vez dela fosse em um lugar especial e com uma pessoa especial. Aioros era especial para ela, muito até, mas agora que aquela névoa estava se dissipando de sua cabeça, a imagem de Saga ficava clara como um rio cristalino. Ela amava os dois, ela queria ficar com os dois. Ela precisava disso. Ela sentia-se como um pedaço de quebra-cabeças e, tanto Aioros quanto Saga, eram duas peças fundamentais que se encaixavam perfeitamente em seu coração.
Com muito esforço Aioros pegou a blusa dela do chão e a ajudou. Ele a vestiu sem tirar os olhos dos dela. O desejo ainda estava lá, mesmo que fraco, mas ainda existia. Beijou o topo de sua cabeça depois que ela vestiu as calças. Um rubor delicado permanecia em seu rosto como um lembrete do que eles tinham começado a fazer naquela pequena sala.
'Me desculpe". A voz dela soou tímida.
"Eu que devo pedir desculpas". Aioros segurou a mão dela levando-a aos lábios. "Quero fazer as coisas direito com você".
"Obrigada por você ser sempre tão gentil comigo".
O som de um trovão ecoou os tirando-os a concentração. De repente o barulho de chuva batendo contra as janelas fechadas era o único som a se escutado dentro daquele cômodo.
"Vou te levar de volta ao santuário".
"Irei te ver hoje a noite?" Ela perguntou assim que ele abriu a porta e um vento gélido entrou beijando-lhe a pele desnuda dos braços e barriga.
"Com toda certeza".
