"A vida é dividida em três períodos: o passado, o presente e o futuro. Destes, o presente é breve, o futuro, duvidoso, e o passado, imutável".


Meses atrás.

O plano de Athena era imprudente, para não dizer insano. Layla tentou se acalmar, mesmo sabendo que não conseguiria. Já fazia mais de quatro meses que a deusa havia partido para o outro mundo em busca de informações sobre o futuro dos seus cavaleiros. No primeiro momento, Layla ficou incrédula a respeito de que tal possibilidade pudesse ser verdadeira, porém, ela nunca havia duvidado de sua deusa.

Conseguia escutar os próprios batimentos cardíacos descompassados conforme andava em círculos. Athena havia lhe pedido para vigiar o Monte Olimpo e os passos de Ares. Fez exatamente o que ela lhe ordenara. Muitas das vezes ficou com medo de ser pega pelo deus, graças a luxuria dele pela deusa do amor, conseguia passar despercebida.

Muitos perguntavam pela deusa e ela sempre inventava uma desculpa diferente. "Athena não se sente bem". "Pretende passar o dia reclusa em seu quarto". "Está se preparando para reencarnar". Sempre agradecia internamente quando eles lhe evitavam, ou quando acreditavam em suas mentiras. Sendo honesta, os deuses eram assim mesmo. Eles não se importavam uns com os outros. Estavam sempre dentro de suas próprias bolhas vivendo as suas vidas.

Já estava quase desistindo de passar o dia dentro do quarto de Athena e seguindo para o seu, quando um clarão se fez presente lhe deixando cega momentaneamente. Quando o brilho intenso se desfez, Layla passou os olhos pelo cômodo a procura de Athena. Ela se encontrava deitada no chão, sua pele que já era branca, estava mais pálida que o habitual. Seus lábios tinham uma tonalidade de roxo em suas bordas.

"Senhorita". Layla correu de encontro a deusa. Ela lhe ajudou a ficar de pé com certa dificuldade. Podia escutar a respiração de Athena contra o seu rosto. "O que aconteceu com a senhorita?"

Se a deusa pudesse lhe responder, lhe responderia. Estava tão fraca e cansada, que apenas fechou os olhos assim que Layla lhe ajudou a deitar em sua cama. Athena precisava de alguns minutos para restituir as suas energias. Viajar de um mundo para outro não era fácil, ao contrário, era perigoso e imprudente. Sua cosmo energia era dragada de tal forma que poderia lhe matar.

"Senhorita, eu disse que era arriscado". Layla tinha voltado a andar de um lado para o outro "Se algo acontece com a senhorita, eu sou uma serva morta".

A deusa abriu a boca para responder, mas não encontrava forças nem para tal. Layla encarou a linda mulher deitada e sentiu seu coração se quebrar em vários pedacinhos por vê-la naquele estado deplorável.

"Certo". Ela correu para fora do quarto tendo o cuidado de manter a porta fechada para que ninguém entrasse e visse a deusa daquela forma. Parou na cozinha pegando um pouco de ambrosia. Só aquele líquido dourado poderia lhe trazer um pouco de suas forças de volta. Voltou para o quarto passando por Hermes e Hefesto pelo caminho, os deuses não notaram a sua presença, assim como todos que viviam por ali.

Ao entrar no quarto fechando mais uma vez a porta atrás de si, encontrou Athena na mesma posição de antes. A deusa continuava pálida, os seus cabelos dourados já não brilhavam como antes e aquela falta de coloração deixava Layla apreensiva.

"Senhorita, beba isso". Se aproximou da cama auxiliando a deusa a beber em pequenos goles o líquido dourado.

Assim que os lábios da deusa encostaram na taça de ouro e ela sorveu da bebida, já começou a sentir as energias voltando para o seu corpo.

"Layla, preciso que faça algo para mim". Athena encarou a jovem com intensidade. Layla sentiu um arrepio estranho subir pelas suas costas. Um mal presságio, quem sabe? Ela assentiu e um sorriso brotou no canto dos lábios de Athena.


Brasil – Rio de Janeiro. Friburgo.

Segurou firme o cordão que Athena havia lhe dado. Estava tão preocupada com a deusa. Ela havia feito com Layla viajasse entre os mundos só para colocar o cordão no bolso de uma humana. Estava com medo de voltar e encontra a deusa morta. Ela tinha dito que era um movimento arriscado e imprudente, havia alertado Athena, mas ela era apenas uma serva e deveria cumprir suas ordens sem questionar.

Mentalizava sem parar a aparência descrita pela deusa. Estatura mediana, magra, branca, longos cabelos escuros, olhos castanhos… Não havia nada de muito diferente que pudesse fazer com que Layla não errasse, afinal, aquela descrição não era uma das melhores. Ela mesma era assim, só mudava a tonalidade do cabelo. Athena disse que ela saberia, disse que Layla sentiria quando visse Mirela.

Esse era o nome dela, Mirela. Era outra coisa que ela ficava dizendo sem parar em sua mente. Talvez tivesse sorte e a mulher lhe dissesse seu nome. Ela estaria naquele hotel, Athena tinha lhe dito isso. As duas horas a mulher faria o Check -in, não haveria erro. Deixou seu corpo se escorar contra um pilastra de madeira e ficou observando as pessoas entrando e saindo. Analisava cada uma delas tentando descobrir quem poderia ser a escolhida da deusa.

Foi então que ela sentiu uma energia familiar no ar. Era como se a própria deusa Athena estivesse naquele cômodo. Layla começou a olhar de um lado para o outro em busca do que ela procurava. Uma mulher dentro dos padrões citados pela deusa entrou carregando uma mala. Ela segurava firme um celular em mãos e parou atrás de uma fila que havia se formado na recepção. Layla não pode deixar de notar o constrangimento que a tal de Mirela estava sentindo ao ver um casal se beijar na frente dela.

Layla leu os lábios dela e não pode deixar de sorrir quando ela expressou em palavras o que a própria Layla estava sentindo ao ver aquela demostração afetiva em publico. Não demorou muito e a fila foi diminuindo até chegar em Mirela. A garota entregou um papel a recepcionista que digitou algo no computador e lhe entregou um cartão chave lhe indicando o caminho que ela deveria percorrer até chegar o quarto.

Layla esperou a mulher começar a andar para segui-la. Viu ela parar em frente ao quarto 109 e sumir por detrás da porta. Então pode se acalmar, já sabia quem era, só precisava do momento certo para dar o cordão a mulher. Voltou para o saguão principal e sentou-se em um pufe esperando que ela saísse do quarto. O que podia ou não acontecer. Enquanto esperava, pensou em como ela podia ter o mesmo cosmo que a deusa da sabedoria.

Será que Athena sentiu o cosmos em Mirela quando a viu pela primeira vez? Será que era por isso que Mirela havia sido a sua escolhida para aquela missão não muito agradável? Layla não saberia nunca. Esperava pelo menos quando voltar ter algumas respostas da deusa, isso se a encontrasse viva. Tentou não pensar mais naquilo. Segurou seu próprio cordão de ouro dado por Athena. Aquele seria o seu meio de sair daquele mundo e voltar para o seu, assim como o de Mirela.

Quando já estava desistindo, notou a mulher andando pelos corredores admirando a construção e procurando alguma coisa para fazer antes que o jantar fosse servido. Depois que ficou evidente para Layla que a mulher voltaria para o quarto, já que evitou com veemência entrar no cinema e ver um filme sobre um grande navio, o que fez Layla achar os humanos estranhos, ela correu para ficar a frente da mulher. Já sabia o que faria, não seria agradável, mas seria o jeito mais fácil.

Esperou no corredor e quando sentiu o cosmo da deusa se aproximando correu em direção a ele.


Monte Olimpo.

"Senhorita". Layla correu para o lado de Athena que estava jogada no chão de mármore. Tinha acabado de voltar do mundo dos humanos. "A senhorita não deveria se esforçar tanto, vai acabar se matando".

"Faço qualquer coisa por eles, Layla". A deusa disse de forma fraca. "Obrigada por fazer isso por mim".

"Sempre senhorita, sempre".

Athena fechou os olhos e dormiu em seus braços e foi a primeira vez que Layla sentiu-se útil. A maioria dos deuses eram iguais, mas Athena era diferente dos demais. Ela sabia ser amável e querida por todos. Ela não discriminava ninguém por não ser uma deusa como ela. Ela sempre pensava na humanidade antes de si própria e tinha um amor incondicional pelos seus santos.

Layla muitas das vezes sentiu ciúmes dos cavaleiros de Athena, já que a mesma sempre os admirava e fazia de tudo para que os mesmos pudesse ter uma vida boa, mesmo que curta. Quando Athena voltou do mundo humano há mais de duzentos anos, Layla notou a tristeza no olhar da deusa. Ela queria tanto acabar com aquele ciclo vicioso de reencarnar para sempre ter que salvar a humanidade de Hades e outros deuses que ousavam desafiá-la.

Queria tanto não ter que enviar pessoas que amava para a morte certa. Talvez daquela vez fosse diferente, Layla se pegou pensando. Talvez, Mirela, a mulher que Athena havia depositado a suas esperanças pudesse terminar com aquele ciclo e iniciar um novo, diferente, sem ter mais guerras e tristezas, talvez um tempo de paz e Layla tinha certeza que Athena faria qualquer coisa para alcançar a paz eterna.

(***)

Assim que Mirela e Shion voltaram para o Santuário, Layla correu para o lado da deusa lhe ajudando a sentar em sua cama. A deusa ainda estava fraca devido à quantidade de cosmos perdida na busca pela pessoa que salvaria o mundo dos deuses. Entregou-lhe um copo cheio de ambrosia na esperança do líquido lhe restituir um pouco de força.

"Senhorita, por que não disse que a garota é seu receptáculo?"

"Não é o momento certo para que eles saibam disso, Layla. Eu não quero que Ares descubra sobre isso também".

"Acha que se ele descobrir pode tentar algo?"

"Ele tentara algo descobrindo ou não, conheço o irmão que eu tenho". Athena bebeu o líquido de uma vez só. Layla esperou que a deusa terminasse e lhe entregasse a taça com paciência. Quando a mesma o fez, Layla a colocou com cuidado em cima do criado-mudo e voltou a encarar a deusa que permanecia de olhos fechados. Agora a cor voltava para o rosto da mulher lhe dando um pouco de vida.

"Qual o próximo passo, senhorita?" Perguntou.

"Primeiro eu quero que você fique com Mirela". A deusa disse de forma tranquila e serena.

"O quê?" Layla perguntou nervosa. "Eu sou a sua serva, senhorita. Não saberia ficar longe de você".

"Eu sei minha querida". Athena abriu os olhos e segurou firme a mão de Layla "No momento eu só confio em você. Preciso que fique de olho em Mirela por mim".

"Tem medo de que ela não seja capaz?" Perguntou Layla.

"Tenho medo que ela acabe deixando as informações do futuro serem vazadas por não saber lidar com tudo o que está acontecendo em sua volta".

"Se esse é o seu desejo, hoje mesmo estarei com ela". Layla disse conformada. "E o segundo?"

"Vou libertar Poseidon".


Santuário.

Chegou no Santuário e foi logo para o quarto que seria de Mirela. Layla sabia perfeitamente como andar por entre aqueles corredores sem ser vista, mas como usava o emblema da deusa em sua vestimenta, ninguém ousava pará-la ou perguntá-la quem ela era. Passou por um grupo de senhoras que tiravam o pó da tapeçaria e foi para o corredor que levava até o antigo quarto da deusa.

Entrou e ficou ali arrumando as coisas para a chegada de Mirela. Foi até a banheira deixou a mesma cheia com água quente, pois a qualquer momento a mulher poderia entrar por aquela porta e pedir para tomar um banho a fim de relaxar a musculatura. Assim que tudo estava pronto, foi até as roupas de Athena que estavam dentro de um grande baú, deixou alguns antigos vestidos da deusa pegarem um pouco de sol e foi arrumar o armário com as roupas de cama e banho. Sentou-se no chão e por causa da cômoda acabou ficando escondida. Nem notou quando a porta do quarto abriu e Mirela entrou, só foi se tocar da presença dela quando ela começou a falar coisas incoerentes.

Levantou-se do chão e percebeu que a mulher estava deitada na banheira desfrutando da água quente. Ficou feliz consigo mesma por ter deixado tudo pronto para a mulher.

"O que eu vou fazer?" Mirela perguntou olhando para o teto.

"Não sei, mas eu posso pentear seus cabelos".

A mulher gritou e Layla cobriu os próprios ouvidos com as mãos trêmulas. Não demorou muito e um homem lindo entrou pelo quarto estourando a porta em vários pedaços de madeira.

Uma conversa entre eles foi iniciada e Layla correu para proteger o corpo nu de Mirela da visão do santo de Athena e quando se desculpava por ter sido o pivô daquele incidente, dois outros homens entraram no quarto e Layla não pode deixar de sentir o seu coração parar de bater ao notar os olhos verdes do cavaleiro de ouro que estava ao lado do grande Mestre.

Layla tinha certeza que aquele olhar nunca mais sairia de sua cabeça e mais tarde ela descobriria o nome do homem que havia invadido os seus pensamentos e sonhos.

(***)

Layla ajudou Mirela a vestir um antigo vestido da deusa Athena. Observou a menina se observar no espelho e ficou satisfeita ao notar um pequeno sorriso brotar no rosto da garota. Layla gostava de ser útil e ficava feliz em poder ajudar, mesmo que em coisas fúteis.

Mirela foi atender a porta e de onde Layla estava ela pode notar o cavaleiro de ouro de Sagitário. Aioros estava lindo, é claro que para ela, ele não precisava se arrumar daquele jeito, qualquer roupa caia bem no seu corpo perfeitamente malhado. Desejou poder vê-lo um pouco mais, porém logo a porta se fechou e ela sentiu seu coração vazio.

Arrumou o quarto da garota querendo tirar o sagitariano da cabeça. Fez todos os serviços e quando olhou a hora notou que a qualquer momento Mirela entraria por aquela porta. Resolveu deixar uma camisola em cima da sofá de couro branco perto da estante com os livros, assim Mirela a veria e trocaria de roupa antes de dormir.

Assim que saiu do quarto escutou barulho de conversa. Correu para ficar longe de qualquer pessoa que estivesse passando por aquele corredor e se escondeu, esperando ver quem era. Quando notou que era Mirela e Aioros, seu coração começou a bater descompassado. Será que o cavaleiro de ouro estava interessado na mulher?

Eles trocaram algumas palavras e ao se despedir ele beijou a testa de Mirela e Layla teve que controlar a vontade absurda que sentiu de chorar por ter presenciado aquele momento dos dois.

"Como você pode se apaixonar por um santo de Athena em menos de um dia? Você é idiota, Layla?" Disse para si mesma baixinho.

(***)

Layla tinha ido até Rodório comprar alguns tecidos para Mirela. A jovem não queria usar os vestidos da deusa, ela entendia o motivo, ela própria não usaria, por mais que eles fossem lindos. Então, resolveu agradar a mulher comprando uns tecidos e fazendo algumas peças de roupa para ela.

Passou por várias bancas de tecido escolhendo vários de cores e texturas diferentes. Pensou em fazer uma calça e blusa para ela, como as de seu mundo, quem sabe assim ela não se sentia mais "em casa".

Assim que já tinha tudo o que precisava para começar a costurar, voltou para o Santuário. Ao subir as escadarias das doze casas notou Aioros e Mirela entrarem na casa de capricórnio. Eles não trocaram uma palavra se quer o que fez Layla pensar que talvez eles tivesse discutido por alguma coisa, ou que Mirela não gostasse tanto assim to sagitariano. Ela esperava que fosse isso, que Mirela não o amasse, assim quem sabe ela não pudesse ter alguma chance com o cavaleiro?

"Pelos deuses! Quem estou querendo enganar? Até parece que ele se envolveria comigo".

Mas tarde, Layla notou a garota se jogar na cama tendo o rosto vermelho como pimentão. Não quis tecer comentários a respeito, só esperava que ela e Aioros não tivesse tido nada um com o outro. Se repreendeu novamente por tais pensamentos.

"Meu rosto está vermelho?" Perguntou na esperança de escutar um não.

"Um pouco". Admitiu Layla.

Layla observou a mulher começar a falar coisas incoerentes e se debater na cama. Parecia até que estava com dor. Pelos deuses! Que aquela vermelhidão fosse apenas por estar com cólica e nada mais.

"Seu banho está pronto, senhora". Layla jogou algumas pétalas de rosas na água. "Vai se sentir mais relaxada depois do banho e vou preparar um chá de gengibre para a dor. Vai ajudar com as cólicas".

(***)

Mirela tinha deixado o quarto cedo naquele dia. Havia saído com Aioros para terminar a visita pelas doze casas e Layla ficou mais uma vez sozinha no quarto. Ela já havia costurado vários vestidos lindos para a menina e pensava em ir até Rodório comprar mais alguns tecidos. Era o que ela faria, ficar ali dentro daquele cômodo não ajudaria em nada e o tempo demorava a passar. Desceu as doze casas em um ritmo um tanto quanto acelerado demais. Antes de chegar na casa de Áries esbarrou no corpo duro de alguém que lhe jogou no chão de pedra, fazendo com que a sua bunda latejasse de dor.

"Me desculpa". Disse antes de se levantar e ver quem ela havia acertado.

"Eu que peço desculpas". Aioros sorria de forma gentil para ela lhe ajudando a ficar de pé.

"Senhor Aioros". Layla subiu dois degraus assustada com a presença dele. "Pensei que o senhor estivesse com a senhorita, Mirela".

"Por favor, não me chame de senhor, me sinto um velho". O sorriso se tornou mais largo e Layla precisou se lembrar de respirar. "Ela está com Saga".

"Ah!" Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.

"Onde está indo?" Ele perguntou curioso.

"Estou indo até Rodório comprar uns tecidos para a senhorita, Mirela".

"Estou indo para Arena treinar, se quiser posso te acompanhar até a entrada de Rodório".

"Não quero te atrapalhar".

"Não é trabalho algum". Aioros tornou a sorrir e Layla sentiu as pernas bambas. O que fazer ou falar para um homem desses não se aproximar? Ela não podia deixar as suas emoções falarem mais alto e não queria ser refém das mesmas.

"Tudo bem então".

O caminho até o Rodório foi feito em silêncio, mas nada que incomodasse Layla ou Aioros. Ele conversava com todos que passavam por eles, tinha sempre um sorriso no rosto e Layla sentia o calor que emanava dele.

Na visão dela, Aioros era um homem encantador de todas as formas, lindo, maravilhoso, amável, sabia ouvir e sempre tinha uma palavra amiga e cheia de sabedoria para oferecer. Sua áurea era pura e brilhava com tanta intensidade que a garota sempre desviava o olhar dele.

Agradecia internamente por tê-lo ao seu lado nem que por alguns minutos, desfrutar de sua presença era como ganhar um presente da deusa Athena. Assim que eles chegaram na entrada de Rodório sentiu uma tristeza invadir o seu coração. Ela agradeceu pela presença dele e ele a retribuiu com um acena de cabeça antes de sumir por entre a multidão.

(***)

Layla nunca havia sentido tanto medo em toda a sua vida ao lado da deusa Athena e quando escutou o que aquelas mulheres diziam na cozinha seu coração parou de bater. Segurou firme o cordão que Athena havia lhe dado caso precisasse se comunicar com ela e fez uma oração silenciosa para deusa lhe pedindo força e coragem para enfrentar o que estava vindo. Ela precisava correr e encontrar com Mirela viva e alertar os santos de Athena de que no Santuário haviam espiões de Ares.

Mirela começou a representar muitas coisas para Layla. A garota não a via como uma serva e sim como uma amiga, assim como a própria deusa Athena e ela sentia-se feliz por estar ao lado da menina. Quando o corpo frágil dele morreu nos braços de Saga e Aioros, tentou controlar os soluços que ameaçavam escapar pelos seus lábios entreabertos.

Tinha falhado em proteger a menina e agora ela estava morta. Athena não a perdoaria, ela própria não se perdoaria jamais. Seus olhos se encontraram com os de Aioros e ela notou o desespero velado ali. Ele amava Mirela, Layla sentiu raiva de si mesma por sentir ciúmes daquele sentimento e desejou que aquele amor que ela sentia por ele morresse.

Foi a primeira a sentir o cosmos de Athena, primeiro pensou que fosse de Mirela, mas depois notou que a deusa estava presente com eles. Ela correu para os braços reconfortantes da deusa. Chorou enquanto a deusa acariciava os seus cabelos com carinho. Os dedos da deusa tocaram-lhe o rosto secando as lágrimas que escorriam pelo seu rosto e um beijo casto foi depositado em sua testa e partir daí, Layla soube que tudo ficaria bem.

Assim que a deusa trouxe Mirela de volta a vida com o auxílio do cordão, Layla correu para o lado da garota.

"Senhorita". Layla segurou as mãos dela. "Você não se lembra do que aconteceu?"

"Eu só lembro do Saga e do Aioros". Ela procurou o olhar do geminiano, mas ele não a encarou. Mirela voltou-se para Aioros. "O que aconteceu?"

Layla se afastou dela e deixou que Mirela tivesse um momento com o cavaleiro de Sagitário. Ela ficou próxima de Saga que parecia perdido em pensamentos. Assim como ele, Layla se viu presa a um sentimento a qual não era correspondida. Entretanto, desejou que Mirela fosse feliz, com Aioros ou com Saga, seja com quem ela escolhesse.

Athena começou a se despedir e Layla tornou a abraçar a deusa. Sentia tanta falta dela, queria muito ir embora e ficar ao lado dela. Assim ela poderia esquecer Aioros e voltar a viver a sua vida normalmente. Escutou as palavras da deusa com atenção e logo que ela foi embora sentiu vontade de chorar. Tornou a olhar para Mirela deitada no chão ainda frágil e jurou que se tivesse que dar a sua vida para salvá-la, daria.


Dias atuais.

Muitas coisas haviam acontecido desde o dia em que Mirela havia morrido e voltado a vida com ajuda de Athena. Layla se mantinha o mais afastada possível de Aioros e desde aquele dia havia se encontrado poucas vezes com o sagitariano. Mesmo sentindo-se vazia por dentro por não poder desfrutar de sua presença, Layla compreendia que ela não estava no Santuário para viver um amor.

Mirela tinha sofrido uma segunda tentativa de assassinato e desta vez pelo irmão gêmeo de Saga. As coisas entre Mirela e Saga estavam ficando mais quentes, na visão de Layla. Ela conseguia ver que as intenções de Mirela com Saga eram mais fortes do que as dela para com Aioros e Layla deveria se sentir feliz com isso, mas não conseguia, pois sabia que o Sagitariano sofreria ao descobrir que Mirela preferia Saga ao em vez dele.

Ela sabia que Mirela queria encontrar Saga e Layla sabia que o mesmo estava na enfermaria sendo cuidado, já que suas costas estavam um desastre. Pensou em ver como ele estava para poder contar a Mirela, caso ela não conseguisse vê-lo, já que os cavaleiros de ouro não queriam que ela ficasse próxima dela.

Notou um barulho de conversa e ao virar no corredor que levava a enfermaria sentiu seu corpo tremer ao ver todos os cavaleiros ali parados do lado de fora como se estivessem esperando alguma coisa e no meio deles estavam Aioros. Seus olhos estavam tristes e Layla já imaginava o motivo para aquela tristeza. Talvez o cavaleiro tenha percebido que o verdadeiro amor de Mirela era Saga. Qualquer um podia ver isso, pelo menos quem estava de fora.

Ela deu um passo na direção do grupo quando sentiu o cosmo de Athena forte preencher o ambiente. A luz dourado invadiu o corredor e todos os cavaleiros correram para dentro da enfermaria assim como ela e quando a luz foi diminuindo a intensidade, Layla levou a mão a boca em um ato involuntário.

Sentiu um desespero tomar conta de seu corpo ao ver Mirela nos braços de Saga. Eles se beijavam sem notar a presença deles e pela visão que ela teve as costas do cavaleiros estavam curadas, sem nem ao menos uma única marca.

Notou o cavaleiro de Sagitário passar pelos amigos e por ela com a rosto indecifrável e assim que ele saiu da enfermaria, Layla não conseguiu se conter mais correndo atrás dele.