Saint Seiya, obviamente não me pertence.

Gente, como vocês estão?
Eu queria agradecer a cada um de vocês que vem acompanhando a minha fic. Tenho que informar que estamos chegando na reta final, ou seja, estamos nos despedindo da nossa querida Mirela e por causa disso eu venho aqui começar a fazer a minha propagando para a mais nova fanfic no universo CDZ que estou escrevendo com uma amiga.
The Purge.
Sim, ela vai ter a pegada dos filmes e da série. Será uma fanfic curta, de no máximo vinte capítulos e terá uma temática diferente de Destino. Entraremos no universo alternativo, porém no gênero terror!
Estou muito empolgada e espero que vocês me sigam nessa nova aventura!

Boa leitura e desculpa a demora em postar.


"Se você já compreendeu o que significa amar de verdade, saberá dar amor sem exigir nada em troca".


Santuário.

Sentiu a brisa tocar o seu rosto assim que saiu pelas grandes portas do santuário. Não tinha palavras para descrever o que sentiu ao ver Mirela beijando Saga. Tinha certeza que sentiria raiva da garota e do amigo, mas não sentia absolutamente nada. Seu estado de torpor era tanto que não se surpreendeu por não sentir nada, estava em um estado de indiferença completa.

Será que tinha entendido errado? Será que ela não sentia nada por ele? Podia jurar que era correspondido. Como descrever o que aconteceu com eles não muito tempo atrás naquela pequena sala hospitalar? Não significou nada para ela? E para ele? Significava alguma coisa? Depois que soube que ela era o receptáculo de Athena algo dentro dele mudou.

Um raio cruzou o céu iluminando o mesmo por alguns segundos e tirando Aioros de seu estado de torpor. Ele encarou a magnitude cinzenta e inspirou o ar límpido daquele final de dia. Muitas coisas tinham acontecido naquele curto espaço de tempo em que ela havia surgido na vida deles. Não imaginava que se apaixonaria por alguém antes dela aparecer, sempre achou que sua vida e sua dedicação seriam voltados somente a deusa Athena, mas cá estava ele, perdido em pensamentos, e os mesmos eram voltados todas para aquela humana.

"Aioros" Layla se aproximou o suficiente para que o mesmo a escutasse.

Naquele momento ele queria definitivamente ficar sozinho, mas não sabia ser rude com as pessoas, muito menos com as mulheres, talvez o que faltasse nele fosse isso, não ser rude, mas se impor de certa forma. Sempre se achou sentimental demais, talvez bom demais com as pessoas. Ele possuía aquilo que muitos não tinham, fé. Fé na humanidade.

"Precisa de mim para alguma coisa?" Perguntou.

"Queria saber se está bem…" Sentiu o rosto esquentar. Não gostava de invadir a privacidade de ninguém muito menos ser irritante, mas se preocupava com ele. Sabia que estava sofrendo. Podia ver que ele amava Mirela, assim como ela; Layla, o amava.

"Não se preocupe comigo". Disse da forma mais amável que conseguiu. Apesar de estar ferido, não era de seu feitio tratar ninguém mal.

"Como não me preocupar com você?" Ela começou a dizer de forma baixinha. "Sei que está sofrendo, passo por isso todos os dias…"

Aioros virou para encará-la. Será que ela sabia o que era sofrer por amor assim como ele? Será que o entenderia?

"Já se apaixonou, senhorita Layla?" Ele observou cada movimento que ela fez. Mudou o peso do corpo de um pé para o outro. Dava para ver que estava incomodada com alguma coisa, talvez o assunto fosse um tabu para ela, assim como era para ele. "Se não quiser responder, não tem problema". Voltou a encarar a imensidão cinza a sua frente. Logo mais voltaria a chover e o cheiro de terra molhada preencheria o ambiente.

"Já". Ela respondeu depois do que pareceu ser uma eternidade. Andou até ele e ficou ao seu lado encarando os primeiros pingos de chuva despencarem do céu. "Eu não entendia o amor, confesso que ainda não o entendo. Tudo é muito novo para mim. Quando estava no Olimpo junto da deusa, achava que não me apaixonaria, sendo honesta com você Aioros, eu não sabia nem o que era estar apaixonada até vir para o Santuário". Suspirou. Juntou todas as forças que tinha e o encarou. Ele ainda olhava para a paisagem a frente. "O amor pode ser um sentimento tão lindo, mas ao mesmo tempo, ele dói demais. Antes eu queria arrancá-lo de meu peito e voltar a ser a antiga Layla, porém descobri com o passar do tempo que o amor serve para nos tornar mais fortes e mais maduros, mesmo que o sentimento não seja correspondido".

Ele a encarou. Podia ver que a mesma chorava. Limpou uma lágrima que escorria solitária em seu rosto. Ele entendia o que ela falava. Ele mesmo se pegou muitas vezes tentando esquecer Mirela, tirá-la de seu coração e voltar a ser quem era, o cavaleiro de Sagitário, santo da deusa Athena. Como retirar algo de seu peito que o preenchia por completo lhe dando vida? Como abandonar um sentimento que por doloroso que fosse era como uma lufada de vida sendo soprada em seu ser? Pensar em Mirela aquecia o seu coração, ele queria ser muito mais por ela e por ele mesmo. Cresceu muito mais depois que conheceu o amor.

Layla segurou a mão dele e se permitiu sentir o calor daquele toque. Será que ele era tão cego assim? Não conseguia ver que o amor da vida dela era ele? Esboçou um sorriso ou imaginar que Mirela era tão cega assim como ele. Layla queria muito que ele a enxergasse, assim como ela sabia que Aioros queria ser visto pela amiga. Ela começava a compreender algumas guerras entre os deuses. Amar alguém era ter o coração arrancado do peito e o tê-lo batendo junto com o da outra pessoa. É doar-se por completo.

"Já se declarou para ele?" Aioros se permitiu perguntar. Ele não queria dar uma de intrometido, mas ao ter a sua mão segurada pela dela, sentiu o desejo de saber se ela tinha obtido mais sorte do que ele. Ela não merecia sofrer por amor.

"Não. Não sei como fazê-lo. Ele está apaixonado por outra e acabou de sofrer uma desilusão". Ela sorriu derramando mais lágrimas "Não sei se é o momento certo de dizer a ele o quanto o amo".

Aioros puxou a mão da dela. Sentiu um tremor estranho percorrer o seu corpo. Será que era ele? Era dele que ela estava falando? Encarou os olhos dela e enxergou uma imensidão repleta das coisas mais lindas que ele podia desejar. Era como ver o cosmos dos deuses, as constelações em um único lugar. Então era dessa forma que ele deveria se sentir ao ser amado por alguém? Se afastou dela o máximo que podia. Pediu desculpas e foi embora em um ato covarde.

Como poderia retribuir aquilo? Enxergando através dos olhos dela o que era o amor, ele começou a entender que não sentia nem 1% daquilo por Mirela. Era como tirar um peso de seu coração. Ele amava Mirela, amava com todas as forças, mas de uma forma diferente. Do jeito que ele acreditava que seria o certo, porque no final de tudo, o amor que ele nutria por ela, era de cavaleiro para com a sua deusa. Depois de tanto tempo sofrendo conseguiu entender o que sentia. Precisou enxergar o amor através de terceiros para compreender o que aquele sentimento significava.

Não demorou muito para chegar até a sua casa. Entrou batendo a porta com um estrondo que se fundiu ao de um trovão. Jogou-se no sofá e ficou lá pensando no que estava acontecendo com ele. Se repreendeu por ter deixado Layla sozinha daquela forma, não era do feitio dele fazer aquilo, agir daquela forma, mas precisava colocar os pensamentos no lugar. Precisava entender o que estava acontecendo com ele. Depois que soube que Mirela era o receptáculo da deusa Athena ele notou que as coisas ficaram diferentes, não da parte dela, pois a mesma ainda não sabia disso, mas sim dele.

Antes de tudo ele conseguia sentir desejo por Mirela, não que ele não a desejasse agora, ele a desejava, mas só de pensar que ela era Athena aquilo soava errado aos seus ouvidos. Ele era o Santo de Athena e jurou defendê-la e não desejá-la. O que ele julgava ser certo? O que ele mais presava acima de tudo? Olhou para as próprias mãos trêmulas. O que estava acontecendo com ele? Por que não conseguia separar Mirela da Deusa? Por que não podia ser como Saga? Ele queria lutar pelo amor dela, queria brigar com Saga por ela, mas não sentia o impulso para isso e isso se devia ao fato de constatar que Mirela sempre seria a deusa e o amor que ele sentia por Athena era livre de qualquer sentimento impuro.

Então, como se alguém tivesse lhe jogado um balde de água fria ele compreendeu o que de fato era amar alguém. Se ele realmente amasse Mirela estaria disposto a passar por cima daquele sentimento de dever para com a deusa e lutaria por ela, mas ele não o faria, pois a deusa sempre estaria em primeiro lugar. Pensou em Layla, em como ela estava sofrendo. Vendo-o sempre ao lado de Mirela, sofrendo por ela, suspirando por ela… Se enxergou nos olhos dela. Layla sofria por ele, como ele sofreu por outra. Infelizmente ele não poderia suprir os sentimentos dela, não agora, não quando ele próprio não conseguia se entender. Sentiu vontade de peregrinar, sair em missão e só voltar quando o seu coração estivesse curado.

Por alguns segundos sentiu inveja de Mu e Aldebaran. Queria tanto estar no lugar deles. Sair do santuário nunca foi tão desejado quanto agora. Contudo, ele não podia ser egoísta e deixá-la a merce de Ares. Ele jurou protegê-la e se tivesse que dar a sua vida por ela, daria.

(***)

Layla enxugou a lágrima que cismava em escorrer pelo seu rosto alvo enquanto fungava. Sentiu uma mão repousar em seu ombro e virou para encarar a pessoa que solicitava a sua atenção. Não estranhou em ver os longos cabelos loiros de Afrodite. Ele a encarava com certa compaixão em seu olhar. Diferente dos outros cavaleiros de ouro, peixes sabia ler muito bem as pessoas.

"Posso ver que não temos apenas um coração sofrendo, mas sim dois". Ele lhe acariciou os cabelos. "Eu escutei a conversa de vocês dois".

Ela assentiu. Sabia que ele estava ali. Afrodite sempre foi muito perceptivo em relação aos assuntos do amor. Ele uma vez a pegou chorando nas escadarias das doze casas quando acidentalmente pegou Aioros e Mirela se pegando dentro da unidade hospitalar próxima a arena. Ela tinha ido até lá apenas pegar alguns medicamentos para deixar no quarto da garota quando escutou os gemidos. Ela soube de imediato de quem eram e não ficou ali por mais tempo. Não queria presenciar aquele tipo de cena, mesmo o seu corpo querendo ficar e ver com os próprios olhos, mas ela não podia se permitir sofrer daquele jeito.

Correu tanto que chegou a cair na escadaria. Permaneceu ali desolada chorando por um amor que nunca teria. Foi por causa de seus soluços que Afrodite a encontrou acabada e imersa em uma tristeza profunda. Ele a pegou nos braços e não foi preciso dizer muito para entender o que estava acontecendo com ela.

Peixes foi muito amável, assim como Câncer que se encontrava em sua casa. Layla ainda lembrava-se perfeitamente quando o canceriano se ajoelho na sua frente e lhe ajudou a limpar os ferimentos. Ele lhe entregou um lenço de algodão e ela o agradeceu com apenas um acenar de cabeça.

Afrodite lhe serviu um chá de camomila e ela pode em fim se acalmar. Os santos de Athena eram realmente pessoas boas e de um coração bom. Por mais que alguns fossem mais difíceis de se lidar, eles sabiam ser solidários quando era preciso.

"Eu disse a ele…" Ela encarou o amigo tomando coragem para externar o que estava sentindo. "Eu disse a ele que o amo e ele se afastou". Layla levou a mão a boca segurando a vontade descontrolada de chorar feito criança. "Eu sabia que seria rejeitada, mas não esperava que fosse doer tanto".

"Ah, minha querida". Afrodite a abraçou com carinho. "Dê tempo ao tempo. As coisas estão muito recentes ainda". Ele beijou o topo de sua cabeça afagando as suas costas. "você verá que no final as coisas vão se acertar e melhorar".

"Pelo menos eu posso ficar aliviada em saber que Mirela fez a escolha dela e que a mesma está feliz". Layla afundou o rosto no peito dele. "Pelo menos alguém está feliz".

"Chore minha querida, chore". Afrodite disse baixinho em seu ouvido. Ele olhou para o lado e viu o amor da sua vida encostado em uma pilastra observando a atitude dele. Máscara da Morte esboçou um leve sorriso de canto, mostrando que aprovava a decisão do peixe em consolar a garota.

Eles dois haviam visto que ela tinha ido atrás de Aioros e já imaginavam que a garota tentaria apaziguar os sentimentos do Sagitariano. Não foi fácil escutar a conversa deles, mas não se arrependiam de terem ficado lá esperando que acabasse para assim ajudar a mesma.

O amor era assim, para alguns ele era como o nascer do sol, iluminava tudo e a todos e para outras era como o pôr do sol, indo embora e deixando para trás apenas escuridão.

"Venha, vamos até a minha casa. Vamos tomar um pouco de chá". Afrodite lhe guiou até as escadarias e Layla aceitou de bom grado.

(***)

Assim que seus lábios se separaram dos dele, sentiu que não estavam mais sozinhos. Mirela encarou o grupo parado ali observando aquela cena de amor e não pode deixar de sentir o rosto queimar. As mãos de Saga lhe puxaram mais para perto de seu corpo e ela notou que o mesmo já não sentia mais o incomodo nas costas.

"Mirela, como se sente?" Shaka perguntou ignorando o fato de ter presenciado algo tão íntimo entre os dois.

"Um pouco cansada, na realidade…" Ela olhou dele para Saga. "Acho que eu preciso…" E simplesmente apagou nos braços dele.

"Mirela?" Saga a ergueu nos braços. "O que aconteceu?" Ele olhou de Shaka para os outros com o semblante preocupado.

"Ela curou as suas feridas e a si própria". Esclareceu o virginiano. "Consumiu muito cosmo energia".

Saga olhou para trás tentando ver os seus machucados, por mais que ele não precisasse disso, já que não sentia mais dor nenhuma lhe acometer. Ele trouxe o corpo dela para mais perto do seu e passou pelos cavaleiros de ouro indo até o quarto dela. Ele a deixaria em sua cama, ela precisava descansar e ele ficaria ao seu lado até que a mesma acordasse.

"Vamos avisar ao Shion o que aconteceu aqui". Camus e Miro partiram para o escritório do grande Mestre.

"Nós vamos nos preparar para partir". Declarou Mu.

Shaka assentiu e desejou boa sorte assim como os outros para os amigos. Ele sabia que a viagem de Mu e Aldebaran poderia ser bastante perigosa. Procurar a a esmo por pequenas oscilações de cosmos poderia levar dias, meses e até mesmo anos. Seria uma pena não poder contar com a presença dos dois no torneio.

Shura se despediu de Shaka e Aioria nas escadarias e partiu para a casa de Sagitário. Ele sabia que Aioria daria um tempo a mais para o irmão absorver o que tinha visto, mas ele não poderia deixar o amigo sozinho depois de ter presenciado Saga e Mirela aos beijos na enfermaria. Ele sabia o quanto o amigo estava apaixonado pela menina.

Assim que chegou na casa de Aioros, notou a oscilação do cosmo do amigo. Ele bateu à porta e entrou, não esperando ser convidado. Encontrou o amigo deitado no sofá com o braço sobre o rosto. Shura sabia que o amigo não estava dormindo.

"Como você está?" Perguntou.

"Tentando entender o que está acontecendo comigo". Aioros não era um homem de muitas palavras e não gostava de fazer rodeios, sempre foi direto. Ele se sentou e encarou o amigo. "Os meus sentimentos estão bastante confusos agora".

"Queria poder te ajudar, mas nunca conheci esse tipo de amor". Ele sentou ao lado do amigo. "Não deve ser fácil passar por isso, só queria que soubesse que estou aqui caso precise desabafar".

Aioros tocou o ombro do amigo em agradecimento. Ele sabia que podia contar com os seus amigos, assim como sabia que podia contar com Saga, por mais que ele tenha feito o que fez. Ele reconhecia o esforço do geminiano em tentar ser alguém melhor.

"Você vai tentar algo?" Perguntou Shura depois de um tempo em silêncio.

"Não". Ele falou convicto. "Não consigo me enxergar tendo algo com deusa Athena, não sou capaz de fazer essa separação como Saga".

"Eu te entendo". Realmente o capricorniano entendia o amigo. Ele próprio não conseguiria nutrir esse tipo de amor por uma mulher que ele jurou proteger. Ele a via como uma mãe. "E o que você vai fazer?"

"Vou conversar com ela e esclarecer as coisas". Ele suspirou. "Devo isso a mim e ela".

"Você sempre cumprindo com o dever". Shura esboçou um sorriso.

"Sempre".