Saint Seiy,a obviamente não me pertence.

"Você é a história mais bonita que o Destino escreveu na minha vida".


Capítulo 31Epílogo.

Mirela acordou com o som das ondas do mar. O céu estava límpido e o sol brilhava, majestoso, enviando raios de calor pelo seu corpo molhado. Ela tirou a areia do rosto quando se pôs a sentar. O cheiro de maresia preencheu os seus sentidos e um déjà-vu lhe acometeu. Olhou para os lados tentando assimilar cada detalhe da paisagem onde se encontrava. Seu coração acelerado lhe dizia que ela estava no lugar de onde nunca deveria ter saído.

Tentou tantas vezes voltar para lá que parecia mentira ter finalmente conseguido. Será que estava sonhando? Levantou-se com certa dificuldade. Sentia o seu corpo doer em todos os lugares. Sua garganta ardia. Com certeza tinha engolido água. Olhou para a mão fechada: podia sentir o material frio entre os dedos. Será que o cordão tinha lhe mandado de volta quando "percebeu" que ela se afogaria?

Colocou o cordão no pescoço e olhou para o grande paredão de pedra. No seu primeiro dia no Santuário, havia escalado com certa dificuldade, mas foi através dele que atravessou um deserto até chegar em Rodório. Refez o mesmo percurso com o coração acelerado. Não sabia como encontraria as coisas. Só tinha certeza de que não poderia mais ver os belos olhos do grande mestre.

Seus olhos começaram a arder. Secou as lágrimas e rezou para que Shion e Dohko estivessem nos campos Elísios, descansado junto dos cavaleiros de sua época. Andar no deserto com aquele vestido foi muito difícil. O sol forte queimava a sua pele e, com a ajuda do sal, tudo piorava. Seus lábios estavam rachados quando avistou a cidade de Rodório, ao longe. Mesmo estando cansada, não pôde deixar de sorrir.

Assim que chegou, percebeu o quanto Rodório estava diferente. As casas já não eram feitas de barro e sim de tijolos. A cidade havia prosperado e crescido bastante. Mirela já não via mais crianças correndo pelas ruas, agora de paralelepípedo. Ela notou uma grande construção com os dizeres "Primeira Escola de Rodório" e isto lhe aqueceu o coração.

Na época em que esteve no santuário, as crianças aprendiam em casa com os seus pais. A grande maioria mal sabia ler e escrever, já que a população vivia da pesca e do trabalho braçal. Então, muitas das crianças acabavam ajudando os pais nos trabalhos e afazeres domésticos, deixando de lado os estudos.

Agora elas tinham um lugar para ir, para aprender e, consequentemente, ajudar os pais futuramente com as despesas de casa. Antes, ter uma profissão era para uma pequena parte da população privilegiada, mas as coisas estavam diferentes agora. Todo mundo tinha o direito à educação.

Mirela andava pelas ruas, boquiaberta. Parecia que estava em alguma cidadezinha do sul da França. As casas eram coloridas e cheias de vida. Muitas flores e árvores davam um ar próspero à aldeia. Seus pés a levaram até uma grande pedra de mármore no centro de um grande chafariz. Algumas pessoas jogavam flores na água e rezavam em silêncio.

Havia um pequeno caminho que levava até o centro, onde as pessoas acendiam velas e deixavam bilhetes. Mirela tomou cuidado para não cair na água ao pisar no caminho suspenso em pedras até chegar no monumento. Um grupo de mulheres terminaram as suas rezas e deixaram a garota sozinha.

Ela dedilhou o dedo pela pedra fria e lisa. Notou alguns nomes escritos nela e não se surpreendeu ao encontrar o nome de Shion e Dohko, assim como os dos antigos cavaleiros que perderam a vida em prol da humanidade. Nada mais justo do que ter aquela pequena homenagem a eles ali.

"Mirela?" Escutar seu nome depois de tanto tempo, sendo proferido por aquela voz, deu-lhe calafrios. Ela girou o corpo na direção do homem, encarando seus belos olhos azuis, da cor do céu.

"Afrodite". Ela sorriu ao ver o amigo parado do outro lado da fonte, encarando-lhe. A sua armadura de ouro brilhava conforme os raios de sol a beijavam. Ela correu para os braços do amigo assim que sentiu o seu corpo relaxar. Não sabia que estava tensa por estar naquele lugar mais uma vez. Ele a segurou com força, girando-a no ar. Aquele cheiro de rosas era tão familiar!

"Senti a sua falta". Mirela afundou o rosto na curvatura do pescoço dele e se permitiu ficar naquela posição por alguns minutos. Precisava absorver o calor do amigo.

"Eu também senti a sua". Os lábios dele lhe tocaram os cabelos sujos e grudentos devido à água do mar.

"Como soube que eu estava aqui?" Ela perguntou se afastando um pouco para enxergá-lo nos olhos.

"Sentimos um cosmo diferente. Estava mais perto do local e avisei que averiguaria". Ele passou os dedos gentilmente no rosto dela. "Você não mudou nada, mas está com uma carinha de acabada. O que aconteceu com você? "Ele perguntou docemente.

"Eu acho que morri no meu mundo". Ela notou a expressão confusa no rosto de Afrodite. "Eu estava me afogando e, quando acordei, estava na praia".

"Alguém tentou te matar em seu mundo?" Ficou claro o alarde na voz dele, mas Mirela tratou de tranquilizá-lo.

"Não, meu amigo. Eu fui imprudente". Ela segurou o cordão com força. "Eu o perdi no fundo de um lago, e não podia deixá-lo para trás. Não quando o cordão era o único elo que me ligava a vocês". Sua voz saiu baixa e chorosa. "Eu não podia, eu simplesmente..."

"Está tudo bem". Ele a abraçou com força. "Você não morreu. Só voltou para o nosso mundo. O cordão deve ter te protegido. Ou você conseguiu despertar seu próprio cosmos".

"Eu estou tão feliz por ter voltado". Ela fungou secando as lágrimas. "Eu sinto tanto, Afrodite. A culpa é minha. Eles morreram por minha causa. Eu disse que os protegeria, disse que os ajudaria, mas, no final, eu não servi para nada".

"Não diga isso, minha amiga". Afrodite sentia a dor dela. Ele mesmo se culpava por não ter feito mais por Shion e Dohko. "Eles deram as vidas deles por nós, morreram com honra e agora descansam junto dos seus".

"E os outros? E Saga?" O nome de Saga saiu arrastado e pesado de seus lábios. Ela sentia tanta falta dele, e, só de pensar no moreno, seu coração já sangrava de dor.

Afrodite se separou dela e segurou firme em sua mão. Ele a puxou com carinho, guiando-a até o Santuário.

"Estão todos em reunião com o Grande Mestre. Eu estava indo para lá quando senti o seu cosmo".

"Aconteceu alguma coisa?" Mirela tinha medo em saber a resposta daquela pergunta. Ela não havia terminado de ler o mangá todo, não sabia o que tinha acontecido no final, ou se realmente eles estavam vivendo em paz.

"Nada demais. Estamos começando a escolher os nossos sucessores". Afrodite disse dando de ombros. "Mesmo que estejamos em paz, precisamos nos manter sempre em alerta".

"Então a paz finalmente chegou ao Santuário?" Mirela perguntou cheia de esperança.

"Sim, minha amiga. Graças a você".

"Graças à minha pessoa?" Ela o olhou, incrédula. "Não, meu amigo. Eu não fiz nada. Muito pelo contrário. Eu só dei trabalho para vocês".

"Você mudou tudo, Mirela. Você veio com o intuito de salvar Saga e, consequentemente, Aioros. Mas a sua vinda até o santuário foi muito além disso. Você conseguiu fazer com que a guerra entre Athena e Hades acabasse".

Mirela ficou pensando e refletindo sobre o que ele havia dito. Eles caminhavam por Rodório e Afrodite acenava e cumprimentava alguns aldeões. Chegaram à entrada do Santuário e Mirela notou que a Arena estava destruída. Muitas pessoas trabalhavam em volta dela, mas não nela.

"Vocês não reconstruíram?" Ela se ouviu perguntar depois de um tempo em silêncio.

"Não. É uma forma de lembrar o que aconteceu e passar para as gerações futuras o sacrifício de Shion e Dohko".

Mirela permaneceu em silêncio o resto do caminho. Passaram pelas doze casas e aquela sensação familiar de estar em casa lhe preencheu por completo. Queria saber como todos estavam e queria muito ver Saga mais uma vez. Assim que ficou de frente para as grandes portas do salão do grande mestre, seu estômago se revirou.

"Espera". Ela impediu que Afrodite entrasse.

"O que foi?" Ele perguntou, curioso.

"Eles não me odeiam, né?" Tentava controlar as emoções que sentia.

"Odiar você?" Afrodite segurou suas mãos. "Não existe possibilidade de existir alguém que lhe odeie, Mirela".

Ela inspirou fundo e apertou a mão dele antes de soltá-la. Afrodite esboçou um leve sorriso antes de abrir as portas. Uma claridade a cegou por alguns segundos. Ela tinha esquecido de como as armaduras de ouro brilhavam intensamente. Lá, no fundo da sala, estava Aioros, vestido com as roupas de grande mestre. E, ao seu lado, estava Layla.

Seus olhos se encontraram e ficou claro, pela expressão da amiga, o quanto aquele momento tinha sido aguardado por todos. Mirela passou os olhos marejados pelos cavaleiros de ouro, procurando por ele. Na fileira esquerda, olhando para ela do fundo, com uma expressão assustada e incrédula no rosto, estava Saga.

Seus cabelos estavam curtos, na altura dos ombros. Seus olhos azuis-escuros brilhavam e ela notou uma lágrima solitária escorrendo em seu rosto assim que ele entendeu que ela estava ali, que não era uma miragem.

Se Mirela pudesse descrever o que é felicidade, ela diria que felicidade se resumia em apenas uma única palavra: Saga. Os cavaleiros de ouro sumiram, só restava ele e ela naquele cômodo. Seus pés, apesar de doloridos devido à viagem até Rodório, não a decepcionaram. Eles a guiaram até ele em uma corrida curta, já que o cavaleiro de gêmeos veio ao seu encontro.

Seus corpos se chocaram e ela pôde sentir os lábios dele mais uma vez. Quentes, úmidos, sedosos. Cheios de ardor, calor e amor para lhe oferecer. Ignorou os risos dos outros, dedilhou o rosto dele com carinho antes de se afastar para recuperar o fôlego. Ele encostou sua testa na dela e o calor que irradiava da pele dele era gostoso, assim como seu hálito fresco.

"Eu te amo". Ela sussurrou sem tirar os olhos dos dele. "Eu te amo tanto". Fungou. Não tinha se dado conta de que chorava feito uma criança.

"Eu te amo muito mais". A voz rouca dele não fazia jus às suas lembranças. Saga a puxou para mais um beijo, que foi muito mais intenso e demorado que o primeiro. Ele precisava sentir o corpo quente dela contra o seu, o gosto de sua boca. A textura de sua língua brincando com a dele. Como rezou por aquele momento!

"Vamos parar com isso!" Máscara da Morte se aproximou dos dois. "Vocês vão ter o resto da vida para se pegarem. Deixa eu falar com a minha amiga!"

Mirela se afastou de Saga muito à contragosto. Ela encarou Mask com carinho. O sorriso que ele lhe deu a fez chorar ainda mais. Abraçou-o com força e sentiu os braços de Afrodite envolvendo dos dois. Amava aquele casal. Eles lhe ajudaram tanto... Sempre estiveram presentes quando ela precisou e tinham uma palavra amiga para lhe dar.

"Eu senti muito a falta de vocês". Falou assim que o abraço se desfez e Saga tornou a abraçá-la por trás. "Eu senti falta de todos vocês!" Ela olhou com carinho para cada um deles.

Conforme eles se aproximavam, ela se permitia abraçar e beijá-los com carinho, dizendo palavras de gratidão e amor para cada um deles. O último foi o Grande Mestre, que esperava a sua vez em silêncio.

"Fico feliz que tenha voltado". Aioros disse. Sua voz era suave e Mirela não notou nenhum rancor nela.

Ela o abraçou com carinho. Aioros foi o primeiro amigo que ela teve no Santuário. Ele havia sido gentil, amável e sincero com ela em todos os momentos, além de ter sido o primeiro a acreditar nela e lhe defender.

"Você fica muito bem no cargo de Grande Mestre". Por mais que ela quisesse que Shion continuasse ali, com eles, ela sabia que o ex-Grande Mestre ficaria feliz por ter seu cargo ocupado por Aioros.

"Mirela". Layla a chamou, fazendo com que a garota girasse o corpo em sua direção. "Você não mudou nada, minha amiga".

Mirela sentiu os braços de Layla lhe envolvendo com carinho, e ela retribuiu o gesto com ternura. Ela tinha sentindo tanta falta dela! Depois de alguns minutos desfrutando do abraço silencioso de Layla, as duas se separaram, sorrindo.

"Senti muito a sua falta". Declarou Mirela.

"Eu também senti a sua".

Saga puxou Mirela para junto de si. Ele não queria soltá-la nunca mais. Envolveu-a com os braços e beijou o topo de sua cabeça.

"Como conseguiu voltar?" Perguntou.

Aquela era uma pergunta que todos gostariam de saber. Mirela notou os olhares curiosos sobre ela. Ela tinha se esquecido de como os cavaleiros de ouro podiam ser intensos.

"Eu fiz algo imprudente". Ela colocou uma mecha do cabelo para trás da orelha.

"Como assim? Imprudente?" Aioros perguntou.

"Que besteira você fez, meu amor?" Escutar Saga lhe chamando de meu amor fez todos os cabelos de seu corpo se arrepiarem. Ela esperou tanto tempo escutar aquelas palavras da boca dele... Parecia até que estava sonhando! Ou, quem sabe, havia morrido e estava no céu.

"Eu acabei perdendo o cordão de Athena no fundo de um lago". Seus dedos automaticamente foram para o cordão em seu pescoço. "Eu não podia perder a única ligação que eu tinha com vocês, então, eu me aventurei a procurar por ele durante a noite e... Bem…" Ela olhou para Saga, implorando com o olhar para que ele não brigasse com ela. "Acabei me afogando. Acho que devo ter morrido".

"Você não pode ter morrido. Senão, não estaria aqui". Shaka interveio. "Deve ter despertado o seu cosmo".

"Foi o que eu disse à ela". Afrodite concordou. Ele estava de mãos dadas com Câncer. "Ou Athena pode ter interferido".

"Acredito que não". Mirela respondeu, cabisbaixa. "Tentei falar com Athena durante cinco anos e ela nunca me respondeu". Era nítido a amargura em sua voz.

"Ela foi proibida de entrar em contato com os seus receptáculos de outros mundos". A voz de Hades era firme e forte como trovões. Mirela se virou para ver o deus melhor. Ele era alto, forte, e seus cabelos escuros estavam presos em uma trança muito bem elaborada. Seus olhos pretos a analisavam de cima a baixo. "Então você é a mulher que mudou o destino dos deuses".

"E você é o deus que queria destruir a humanidade". Ela sabia que tinha que manter a linha com Hades. Não podia ser petulante com ele. Qualquer coisa poderia fazer com que a Guerra Santa estourasse de novo.

'Era". Ele a corrigiu. "Meus problemas com Athena já foram solucionados".

"Fico feliz". Mesmo tendo escutado da boca dele, Mirela não pôde deixar de sentir um arrepio subir pela sua espinha quando o mesmo se aproximou.

"Posso sentir o poder dela em você". Falou ao mesmo tempo em que erguia a mão para tocar o rosto dela, mas a abaixou antes de fazê-lo.

"E Perséfone?" Mirela perguntou com um misto de curiosidade e preocupação em sua voz. "Como ela está?"

"Vejo que você sabe o que aconteceu com ela".

"Eu li algo em meu mundo. Parece que a estória mudou lá também". Ela apertou a mão de Saga e ele retribuiu o gesto, tranquilizando-a.

"Já que está aqui, gostaria de lhe pedir um favor". Hades se aproximou dela e a ar ficou mais tenso entre eles.

"Não". Saga e Aioros disseram em uníssono.

"A decisão é dela". O deus do submundo disse de forma ríspida.

"Não sabemos se dará certo e nem as consequências que isso poderá acarretar para a humanidade". Shaka se intrometeu. "Ela é Athena".

"O que está acontecendo?" Mirela exigiu saber. Olhou de Saga para Aioros, e depois para Shaka. Quando nenhum dos três respondeu, voltou-se para Afrodite. Ele, com certeza, responderia.

"Minha querida, Hades quer que você doe o seu cosmo para Perséfone voltar a ser uma deusa". O cavaleiro de peixes esclareceu.

"Isso é possível?" Perguntou.

"Não sabemos". Saga disse com carinho. "Pode ser que dê certo, mas pode ser que você morra e eu não vou te perder de novo. Não agora que eu acabei de te ter de volta".

"Ela não vai morrer". Ironizou Hades.

"Você não tem certeza, meu amor". Perséfone era uma mulher linda. Seus cabelos, castanho dourados, eram longos e cacheados até a base da cintura. Sua pele alva começava a ficar bronzeada devido ao sol do mundo mundano. Seus olhos castanhos eram simpáticos e, se Mirela não tivesse lido que a mulher havia perdido a sua imortalidade, ela não teria percebido ao ver a deusa. A rainha do Submundo irradiava luz e aparentava estar muito feliz, apesar do que havia lhe acontecido. "Mirela". Ela fez uma reverência para a mulher e Mirela não pôde deixar de corar com aquele ato respeitoso da deusa.

"Perséfone". Ela imitou a mulher e, ao erguer o corpo novamente, deparou-se com um sorriso lindo, branco e perfeitamente alinhado.

"Não dê ouvidos ao meu marido". Ela cutucou Hades, que parecia outra pessoa na presença da esposa. Ele a abraçou gentilmente – como se ela fosse uma boneca de porcelana que, a qualquer momento, pudesse quebrar. "Que bom que você voltou, Mirela".

Mirela não sabia o que dizer para a deusa. Ela sentia uma admiração por ela. Mesmo sendo humana, Perséfone irradiava força e uma luz que faziam com que Mirela quisesse ficar perto dela.

"Meu amor, pare de colocar ideias na cabeça da garota. Ela acabou de chegar. Deixe-a em paz. Ela precisa recompensar esse tempo perdido". Perséfone beijou o rosto do marido. "Vamos. Nossos filhos estão nos esperando".

"Por favor, pense no assunto". Hades praticamente implorou para a garota "Eu mesmo faria, mas Zeus me proibiu. Não sei se conseguirei viver pela eternidade sem o amor da minha vida. Você sabe o que eu estou dizendo, não sabe?" Hades apelou para o amor da jovem.

Mirela sabia. Ela olhou para Saga discretamente. Os cinco anos que passou longe dele foram horríveis. Seu coração se despedaçou e ela pensou que nunca mais fosse conseguir juntar todos os cacos. Um buraco enorme jazia em seu peito, corroendo-a por dentro, sempre pronto para lembrá-la de que ela estava sozinha. Que morreria sozinha e que nunca mais se apaixonaria por mais alguém além dele.

Sim, ela entendia a dor de Hades. Automaticamente, levou a mão ao peito como se, a qualquer momento, aquele buraco profundo fosse lhe arranhar e lhe consumir, mas a sua dor não estava mais ali, já que as mãos quentes e fortes de Saga lhe acariciavam os braços com carinho. Era como se nunca tivesse existido dor em seu coração.

"Pode deixar, vou pensar no assunto".

"Mirela, não". Saga a interrompeu. "Nós não sabemos…"

"Está tudo bem, meu amor". Ela o puxou e o beijou com carinho. "Eu vou pensar no assunto, não significa que farei isso agora". Tratou de tranquilizá-lo. "Depois conversaremos, Hades". Mirela falou antes do deus sair pela porta, sendo puxado pela esposa.

"Acho que a senhorita Mirela precisa de um banho e de algo para comer". Layla se aproximou da amiga, pegando sua mão. "Deve estar cansada".

"Não precisa ser formal comigo, Layla. Nós duas somos amigas".

"Força do hábito" Ela deu de ombros. "Venha, vou levar você até os seus aposentos".

"Não se preocupe, Layla". Saga queria levar Mirela para outro lugar "Ela vai ficar comigo, se você não se importar, Grande Mestre".

"Acho justo que ela fique com você, meu amigo" Aioros falou sorrindo. Ele puxou Layla para os seus braços e a beijou com carinho. "Meu amor, eu sei que você quer colocar o assunto em dia com a Mirela, mas você terá todo o tempo do mundo, já que ela voltou para ficar".

"Vocês dois estão juntos?" Mirela perguntou, surpresa.

"Sim". Layla respondeu um pouco receosa para saber o que a amiga acharia dos dois juntos.

"Isso é fantástico!" Mirela não se conteve de tanta felicidade e abraçou a amiga com força. "Que maravilhoso! Fico tão feliz em saber que você estão juntos!"

"E eles já são pais". Respondeu Aioria. "Tenho dois lindos sobrinhos".

"Sério?" Mirela olhou de Aioros para Layla. "Quero conhecê-los!"

"Eles são gêmeos". Saga falou com um sorriso torto nos lábios. "Ichiro e Iori. Iori é discípulo do meu irmão, Kanon. Será cavaleiro de Poseidon. Ichiro é o meu discípulo, e será o novo cavaleiro de Gêmeos". Saga disse, satisfeito.

Mirela olhou dele para Aioros. Os dois estavam felizes e sorriam como se aquilo fosse a situação mais normal do mundo. Ela sentiu seus olhos marejando e não conseguiu conter as lágrimas. Saga a puxou para os seus braços, beijando-lhe o rosto com carinho. Cada lágrima que ela deixou escapar, ele fez questão de pegar para ele.

"O que foi, meu amor?" Ele perguntou docemente. "Por que choras?"

"Estou tão feliz". Ela esfregou o nariz vermelho. "Pensei que nunca mais fosse sentir essa felicidade de novo". Olhou dele para Aioros e, depois, para os outros também. "Eu amo tanto vocês, meus cavaleiros de ouro, meus amigos!"

"Vamos, você precisa de um descanso". Saga a guiou para fora do salão do Grande Mestre. Mirela foi falando com os amigos e prometendo que conversaria com cada um assim que tivesse descansado. Aioros fez questão de dizer que aquela noite eles teriam um jantar de comemoração pela volta dela. Ela agradeceu ao amigo e o casal foi embora, deixando Aioros e os outros para trás.

Saíram do santuário em silêncio, mas nada que fosse constrangedor. Era gostoso desfrutar um do outro depois de tanto tempo separados. O calor que irradiava da pele de Saga deixava Mirela tranquila. Ela se permitiu relaxar depois de longos cinco anos.

Desceram as escadarias das doze casas até chegar à Gêmeos. Tudo era como antigamente, como se ela nunca tivesse partido. Ele abriu a porta da sua casa e Mirela entrou sem cerimônia. Tudo estava do mesmo jeito. Apenas um pouco mais bagunçado do que antes. Em cima da mesa de centro, havia várias cartas espelhadas.

"O que é isso?" Mirela perguntou indo na direção dos pequenos envelopes.

"Não é nada demais". Ele tratou de juntar todas, sem deixar que ela pegasse alguma.

"Com certeza são alguma coisa. Você não agiria dessa forma por causa de papel". Mirela sentou-se no sofá e o encarou. "Me diz: o que são?"

"São cartas que eu escrevi para você". Disse sem jeito.

"Todas elas?" Ela perguntou, incrédula. "Deixe-me ver". Pediu.

"Tem certeza? São apenas pensamentos…"

"Tudo que você faz me interessa, Saga". Mirela se levantou e o abraçou "São pensamentos seus a meu respeito, e eu gostaria de lê-los".

"Bom, se você faz tanta questão..." Ele falou sem graça e Mirela sorriu ao ver que o rosto dele adquiriu uma tonalidade linda de vermelho. Saga entregou para ela um dos envelopes aleatórios.

"Obrigada". Mirela abriu a carta com cuidado para não a rasgar.

Querida Mirela,

Hoje fazem exatamente 1156 dias que não tenho notícias suas. Por mais que Athena tenha nos falado que você voltou para casa e que está bem, sinto-me vazio e preocupado. Não sei se conseguiu seguir com a sua vida. Espero que sim, que esteja com alguém e que esse alguém lhe faça feliz. Por mais que me doa pensar que você pode estar sendo amada e tocada por outra pessoa que não seja eu.

Infelizmente, não posso ser egoísta e pedir que me espere, já que sua volta para o santuário é algo impossível. Em todos os lugares que eu vou, eu vejo você. Consigo escutar a sua risada e, às vezes, por mais que pareça estranho, eu consigo escutar a sua voz sendo sussurrada pelo vento. Será que o meu desejo é tão grande e desenfreado que está me deixando louco?

Eu sou louco por você e não ter dito isso me corroí por dentro. Queria ter aproveitado mais os momentos que passei com você. Nesses dias eu me peguei lembrando da nossa primeira conversa. Eu fui tão estúpido, mas você, sempre tão gentil e amável, me conquistou apenas com um olhar.

Eu ficava negando o tempo todo o que estava sentindo por você. Até o estúpido do meu irmão sabia quais eram os meus sentimentos, mas eu, burro, preferi cair em negação. Esse tempo perdido me deixa louco. Se eu tivesse aproveitado melhor, aceitado o que sentia, teria feito tudo diferente.

Definitivamente, você foi a melhor coisa que aconteceu nesse santuário. Livrou a minha alma e me fez transbordar de amor. Um amor tão avassalador que me consome por inteiro. Rezo para os deuses me deixarem tê-la nos campos elísios. Quem sabe lá nós teremos a oportunidade de viver a nossa história de amor?

Com amor, Saga.

Mirela secou as lágrimas e procurou por outra carta, ávida, querendo ler mais. Saga estava na cozinha, preparando um café para os dois, quando viu Mirela pegar uma carta já amarelada por causa do tempo. Ele colocou o pó de café em cima do balcão e correu para o lado da amada.

"Essa não!" Ele tirou o envelope das mãos dela.

"Por que não?" Mirela fungava ao mesmo tempo em que tentava pegar a carta da mão dele. "Me dê essa, Saga!"

"Essa foi a primeira". Ele disse escondendo a carta dentro da blusa. "Pode ler outras, mas essa não!"

"Eu quero essa!" Ela disse, decidida. "Me dê essa carta, senão eu vou tirá-la à força de você!"

"Ela é perturbadora". Ele parecia meio tentado a deixar que ela lutasse contra ele. "Eu estava louco, insano…"

"São minhas cartas! Minhas! Eu quero ler todas!" Mirela se jogou em cima dele. Ela tentou enfiar as mãos pela blusa dele à procura da carta. Saga tentava afastá-la, mas o calor de suas mãos era muito tentador.

"Tem certeza que você só quer essa carta? Parece que está querendo outra coisa". Provocou.

Mirela sentiu o rosto pinicar. Ela não tinha se tocado de que estava tão próxima dele e o apalpando. Estava tão absorta em ler a maldita carta que se esqueceu de que ele estava ali, na sua frente, com aquele corpo maravilhoso.

"Quer saber…" Ela começou a passar a mão com afinco sobre o corpo escultural dele. "Dane-se essa carta, eu quero você!" Ficou na ponta dos pés e tocou os lábios dele com os seus.

Saga achou deliciosa a ousadia dela. Ele a puxou para mais perto do seu corpo, pegando-a no colo sem desgrudar os lábios dos dela. A carta caiu no chão quando ele a carregou para a cama. Saga a deitou, traçando uma linha de beijos de sua boca até a curvatura do seu pescoço.

Mirela queria muito se entregar a ele. Esperava por esse dia há muito tempo e tinha se arrependido por não ter feito quando teve a oportunidade. O calor do corpo dele era como veneno em sua pele branca. Onde ele a tocava, ondas de prazer faziam com que a sua parte íntima ficasse molhada.

"Tem certeza que quer fazer isso?" Saga perguntou sem parar de beijá-la. "Agora que está aqui, podemos esperar o tempo que você achar necessário".

"Não. Eu não posso esperar mais. Esperei cinco anos para te ter". Mirela deslizava as mãos pelos ombros dele, ávida para que o cavaleiro tirasse a blusa. "Meu corpo é seu, Saga".

Aquelas palavras eram o combustível para o fogo de Saga. Ele tirou a blusa, jogando-a no chão. Cobriu a boca dela com a sua, dando pequenos beijos até que ela estivesse completamente aberta para ele. Mirela sentiu a língua dele invadir a sua boca, buscando a sua em um desespero desenfreado. Quando as duas se conectaram, deram início a um beijo apaixonado e cheio de volúpia.

Entre uma busca de ar e outra, Mirela sentia os dentes de Saga mordiscando os seus lábios, arrancando gemidos do fundo de sua garganta. Ela sentiu as mãos dele tocando seus seios sob o vestido branco de algodão. Ele beliscou um de seus mamilos e Mirela gemeu em sua boca.

Ela deslizou as mãos pelo corpo sarado dele. Tinha sentido tanta falta de cada parte daquele corpo... Passou os dedos sobre as cicatrizes no ombro, enquanto brincava com a sua língua. Suas mãos delicadas desceram pelo seu tanquinho, perdendo-se por dentro da sua calça preta.

"Mirela!" Ele gemeu quando os dedos dela correram pela sua coxa, tímidos, voltando para o seu abdômen sarado e, depois, subindo até o peitoral.

Ela sentia o coração dele batendo forte e acelerado igual ao dela. Aquilo só os unia ainda mais. Se Mirela não voltasse para o Santuário, ela nunca mais pertenceria a ninguém, morreria virgem, pois ninguém conseguiria substituir o amor que ela sentia por ele. Seu coração era dele e de mais ninguém.

Saga tirou o vestido dela com cuidado para não machucar e, ao perceber que ela estava sem sutiã, deixou escapar outro gemido de sua garganta. Ele se inclinou até pegar um dos mamilos intumescidos com a boca, arrancando um gritinho de prazer dos lábios de Mirela. Seu corpo se inclinou para frente e sua cabeça pendeu para trás e, a cada chupada que ele dava em seus mamilos, ela gemia alto sentindo sua intimidade pulsar.

Saga largou os seios dela e traçou uma linha de beijos até o colo e depois do pescoço ao lóbulo de sua orelha esquerda. A ponta de seu nariz acariciava a pele de Mirela, deixando-a mais arrepiada. Ele lambeu uma parte sensível do pescoço dela e isto fez com que ela estremecesse.

"Você está me deixando doido". Sua voz saiu rouca e cheia de desejo. Saga tornou a beijá-la até chegar mais uma vez em seus mamilos. Voltou a chupá-la e Mirela tinha certeza que ele a faria gozar só fazendo aquilo.

Ele voltou a segurar o rosto dela com as mãos e a beijou como se estivesse faminto. Era difícil Mirela acompanhá-lo, já que a cada toque que ele lhe dava, ela sentia o seu corpo desintegrar.

Saga se afastou dela o suficiente para olhá-la nos olhos. Era nítido o desejo ali, naqueles orbes azuis-escuros. O olhar inebriado dele só a deixava mais úmida e com mais vontade ainda de senti-lo dentro de si. Seus dedos percorreram lentamente o vale entre seus seios, Mirela sentiu seu ventre se comprimir com o seu toque.

Saga acariciou as coxas dela, analisando a cor da sua calcinha. Por alguns segundos Mirela achou que ele fosse arrancar o frágil tecido, mas ele apenas deslizou os dedos até as laterais de seda e as puxou gentilmente pelas pernas, passando um pé depois do outro.

Mirela percebeu o sorriso travesso que se formou em seus lábios assim que ela ficou completamente exposta para ele. Saga se curvou sobre ela, beijando delicadamente a parte interna de sua coxa. Ele mordiscava de leve, tirando alguns gemidos dela até chegar em sua virilha.

Mirela abriu e fechou os dedos contra o lençol, agarrando-o com força. Ela sentiu a língua dele tocar o seu clitóris e uma sensação de prazer fez a suas costas se curvarem. Ele começou a chupar, fazendo com que ondas de prazer reverberassem pelo seu corpo. Ela sentiu um dedo escorregar para dentro do seu corpo ao mesmo tempo em que Saga a chupava com força.

Mirela gemia, e o seu quadril se movimentava sozinho indo na direção da boca do cavaleiro de gêmeos.

"Saga!" Seu gemido desesperado ecoou pelo quarto. "Ahh…"

"Goza na minha boca, Mirela". Aquelas palavras serviram como uma nova carícia para ela.

A cada chupão que ele dava e a cada estocada, Mirela sentia uma onda de prazer crescer em seu ventre. Sua visão foi ficando turva e o seu corpo começou a convulsionar. Então ela entregou o seu prazer a ele.

Saga beijou a sua virilha, pelve e foi subindo até encontrar seus lábios novamente. Mirela sentiu seu gosto nos lábios dele, mas aquilo não lhe deu nojo, muito pelo contrário, só fez com que ela ficasse com mais tesão.

Mirela tornou a passar a mão pelo abdômen dele e, ao fazer isso, ela sentiu o corpo enrijecer e o volume em sua calça pareceu aumentar de tamanho. Aquele homem era um deus grego. Saga a fascinava.

Ela deslizou a mão para dentro da calça dele a fim de tirá-lo. Ele sorriu e deixou escapar um gemido quando ela, acidentalmente, encostou em seu membro erétil. Saga ajudou Mirela a tirar a sua calça e ela se surpreendeu ao notar que ele não estava usando cueca. O pau dele pulou para fora, glorioso, e ela sentiu suas bochechas ficando vermelhas. Como podia sentir vergonha? Ele havia lhe chupado e, mesmo assim, ela ainda sentia vergonha só de ver o pênis dele.

Saga pegou a mão dela e a levou até o sem membro, incentivando que ela o tocasse. Mirela começou a acariciá-lo timidamente. Ela foi se guiando pelos gemidos que Saga ocasionalmente dava. Ver o prazer estampado no rosto dele lhe dava coragem para continuar a fazer aquilo. Ela nunca tinha tocado em um pau antes, então, tinha medo de machucá-lo.

"Se eu te machucar, me perdoe". Ela disse timidamente.

Saga apenas gemeu um pouco mais alto quando ela resolveu tentar fazer algo inusitado – para ela pelo menos. Os lábios de Mirela tocaram a glande. Ela passou a língua com cuidado e saboreou a gotícula que havia ali. O gosto não era ruim, então, ela abriu mais a boca, colocando toda a cabeça larga e redonda para dentro.

"Ahh, porra!" Saga grunhiu e suas mãos foram parar nos cabelos de Mirela. "Coloca tudo!"

Ela o olhou, assustada. Será que aquilo tudo cabia em sua boca? Ela queria tanto dar prazer a ele – da mesma forma que ele havia dado a ela – que não pensou muito. Foi lentamente deslizando o pau dele para dentro de sua boca. A espessura a fez salivar e, enquanto ela o engolia, sentiu o quadril dele vindo mais em sua direção, incentivando a tomá-lo um pouco mais.

Ela enfiou tudo o que conseguiu, deixando ainda alguns centímetros para fora. Saga acariciou os seus cabelos conforme começava a se movimentar. Ele sentiu ela cravar as unhas em sua coxa, mas não se importou com a dor. Mirela se equilibrou nele e deu tudo de si, para que ele sentisse tanto prazer quanto ela.

"Mirela!" Ele rugiu seu nome, levando ainda mais o quadril para a frente e ela sentiu a cabeça de seu pau encostar no fundo de sua garganta. "Ah! Porra!"

Mirela achou que estava no caminho certo, já que Saga gemia sem parar. Aquilo estava deixando ela excitada. Mas quando achou que Saga ia gozar, ele se afastou dela, jogando-a na cama mais uma vez. Tocou o seu clitóris sensível e isso fez Mirela gritar de prazer. Saga acariciou as coxas dela, subindo e descendo a mão, então, afastou um pouco mais as pernas dela, deslizando o seu pau para dentro dela com cuidado.

Em nenhum momento ele tirou os olhos dos dela. Queria saber se ela sentiria dor. Mirela segurou firme os seus cabelos agora curtos e assentiu para que ele continuasse o que estava fazendo. Ela sentiu uma pontada de dor assim que ele introduziu seu pênis para dentro. Ela mordeu os lábios com força e ela a beijou no pescoço, sussurrando que a dor logo passaria.

A ardência e o desconforto continuaram até que ele entrasse por completo dentro dela. Contudo, os beijos que ele desferia em seu pescoço, colo e lábios faziam com que a dor fosse suportável, e chegou num ponto em que ela apenas sentia Saga lhe preenchendo totalmente.

Ele começou a deslizar para fora e para dentro, iniciando uma onda de prazer. Um prazer tão forte que crescia a cada estocada que ele dava. Completamente entregue e desnorteada, Mirela cruzou as penas em volta de sua cintura, empurrando o seu quadril contra o dele. O instinto levava Mirela a fazer coisas que ela nem imaginava ser capaz.

"Puta merda! Como você é gostosa!" Ele estocava cada vez mais rápido dentro dela. "Caralho!"

"Saga!" Seu nome saiu febril de seus lábios. "Ah!" Ele a faria gozar de novo naquele dia.

Suas estocadas ganharam mais velocidade, e ele empurrava o quadril mais forte contra o dela. Mirela sentia as costas deslizando pelo lençol conforme seus seios saltavam a cada tranco que ele dava. O prazer foi se construindo em seu corpo a cada estocada que ele dava. Ela sentiu um orgasmo intenso e tão poderoso que fazia o primeiro que ele havia lhe proporcionado ser apenas uma mera lembrança pálida.

"Eu te amo". Ela deixou escapar assim que o corpo dele caiu sobre o dela.

"Eu também". Ele beijou mais uma vez os lábios vermelhos e inchados dela, tomando o cuidado para não colocar o seu peso sobre o corpo pequeno e frágil de Mirela. "Como está se sentindo?" Perguntou assim que eles se ajeitaram na cama e ela colocou a cabeça em seu tórax.

"Nunca estive melhor". Falou conforme passava os dedos sobre o abdômen dele. "Obrigada por ter sido tão gentil comigo".

"Não teria como ser diferente". Ele beijou os cabelos dela. "Você é a pessoa mais importante da minha vida. Eu te amo demais, Mirela".

"Você também é importante para mim, Saga". Ela se apoiou nos cotovelos para poder encará-lo. "Esse tempo que eu fiquei longe de você foi horrível".

"Eu…"

"Não". Mirela colocou dois dedos sobre os lábios dele. "Você escreveu cartas para mim, dá para ver o quanto você me amava, o quanto você me ama, mas eu fiquei presa na minha dor e me afastei de tudo e todos. Eu me isolei do mundo".

Saga se ajeitou na cama, trazendo-a para perto de si.

"Agora você está aqui comigo. Vai ficar tudo bem".

"Eu sei, mas eu preciso dizer como foi ficar longe de você". Ela tocou o rosto dele com carinho. "Dizer não, cantar". Falou, tímida.

"Essa é uma lembrança que me aquece por dentro. Vou ficar muito feliz em ouvi-la novamente".

Mirela beijou o rosto dele antes de criar coragem para cantar os primeiros versos.

Wish I could

(Gostaria de ter conseguido)

I could have said goodbye

(Conseguido dizer adeus)

I would have said what I wanted to

(Eu teria dito o que queria dizer)

Maybe even cried for you

(Talvez, até chorado por você)

Mirela até tentou segurar as lágrimas, mas elas teimavam em rolar pelo seu rosto. Apesar de não ter uma voz como a da Lady Gaga, era o suficiente para expressar os seus sentimentos para ele. Ela sempre achou que aquela música havia sido escrita para os dois, pois foi daquela forma que ela se sentiu ao perdê-lo.

If I knew it would be the last time

(Se eu soubesse que seria a última vez)

I would have broke my heart in two

(Eu teria partido meu coração em dois)

Tryin' to save a part of you

(Tentando salvar uma parte de você)

Quando voltou para casa, a insegurança por perdê-lo foi tanta que ela não queria mais chegar perto de nada que lhe remetesse àquele mundo. Se manter às escuras lhe dava esperanças de que Saga pudesse ter sobrevivido a Ares. Por mais que ela acreditasse que os cavaleiros de ouro seriam capazes de vencer a guerra, ela sabia que eles teriam baixas e ela, no seu egoísmo, rezava para que não fosse ele. Por mais que estivesse longe, se tivesse esperanças de que Saga estava vivo, ela poderia continuar a viver.

Don't wanna feel another touch

(Não quero sentir outro toque)

Don't wanna start another fire

(Não quero começar outro fogo)

Don't wanna know another kiss

(Não quero conhecer outro beijo)

No other name falling off my lips

(Nenhum outro nome saindo dos meus lábios)

Don't wanna give my heart away

(Não quero entregar meu coração)

To another stranger

(Para um outro desconhecido)

Or let another day begin

(Ou deixar um outro dia começar)

Won't even let the sunlight in

(Não deixarei nem mesmo a luz do sol entrar)

No I'll never love again

(Não, eu nunca amarei novamente)

I'll never love again

(Eu nunca amarei novamente)

E foi exatamente o que ela fez. Mirela não se permitiu amar outro alguém. Seu coração se fechou para todos os tipos de amor. A escuridão era tão grande que lhe arrancava a vontade de viver. Chegou num ponto em que a morte lhe parecia convidativa demais. Se soubesse que amar era daquela forma, talvez não tivesse se permitido sentir algo por ele, mas, ao mesmo tempo em que pensava nisso, seu coração se contraía e ela tinha certeza de que, por mais que doesse, ela faria tudo de novo por ele. Ela o amaria para sempre.

When we first met

(Quando nos conhecemos)

I never thought that I would fall

(Nunca achei que iria me apaixonar)

I never thought that I'd find myself lyin' in your arms

(Não pensei que me encontraria deitada em seus braços)

And I wanna pretend that it's not true

(E eu quero fingir que isso não é verdade)

Oh, baby that you're gone

(Oh, amor, de que você foi embora)

Cause my world keeps turnin' and turnin' and turnin'

(Porque meu mundo continuava girando sem parar)

and I'm not movin' on

(E eu não estou seguindo em frente)

Ela fungou e as lágrimas fizeram com que desafinasse, mas Saga não riu dela; ele apenas a encarava com um olhar profundo. Ele entendia os sentimentos dela, ele mesmo estava vivendo daquele jeito. As lembranças eram a pior e a melhor parte. Lembrar dos toques dele, das carícias e dos beijos a fazia sofrer, mas ela sentia uma urgência em lembrar de cada momento que teve ao seu lado. Masoquista? Talvez. Ela não entendia o que ele representava em sua vida. Quando achava que conseguia entender a dimensão de seus sentimentos, outra memória lhe invadia a mente e ela percebia que Saga era de uma complexidade tão grande quanto as galáxias.

Don't wanna feel another touch

(Não quero sentir outro toque)

Don't wanna start another fire

(Não quero começar outro fogo)

Don't wanna know another kiss

(Não quero conhecer outro beijo)

No other name falling off my lips

(Nenhum outro nome saindo dos meus lábios)

Don't wanna give my heart away

(Não quero entregar meu coração)

To another stranger

(Para um outro desconhecido)

Or let another day begin

(Ou deixar um outro dia começar)

Won't even let the sunlight in

(Não deixarei nem mesmo a luz do sol entrar)

No I'll never love

(Não, eu nunca amarei novamente)

Mirela tocou o rosto de Saga, secando as lágrimas que ele nem sabia que estavam ali. Ela beijou o rosto dele antes de voltar a cantar. Passar cinco anos longe dele fez com que ela amadurecesse e entendesse o verdadeiro significado do amor. Ele havia sido o seu primeiro amor e Mirela não se arrependia de tê-lo como o último. Porque nem todas as estrelas do mundo, nem todas as ondas do mar, e nem que a terra parasse de girar, o seu amor por ele acabaria.

I don't wanna know this feeling unless it's you and me

(Não quero esse sentimento, ao menos que seja eu e você)

I don't wanna waste a moment

(Eu não quero perder um momento)

And I don't wanna give somebody else the better part of me

(E não quero entregar a melhor parte de mim a outra pessoa)

I would rather wait for you

(Eu prefiro esperar por você)

E foi exatamente o que ela fez. Ela esperou por ele. Ela esperaria por toda a eternidade se fosse preciso. Porque ninguém seria como ele, ninguém lhe daria o que ele lhe dava e da forma que ele lhe dava: amor incondicional.

Quando ela terminou de cantar, ele a puxou para o seu colo, aconchegou o corpo dela contra o seu e se permitiu sentir o amor que ele achava que tinha perdido para sempre. Graças aos deuses ele estava tendo a oportunidade de tê-la em seus braços novamente. Agora ele poderia sentir o seu mundo voltando a girar novamente com ela ao seu lado.

"Eu te amo!" Ele sussurrou.

"Eu sei". Ela tocou o rosto dele com carinho e depositou um beijo casto em seus lábios. "Obrigada por me esperar".

"Eu te esperaria para sempre". Disse com intensidade, fazendo-a acreditar ainda mais nele.

"Sempre".

The End.