Naruto, obviamente não me pertence.
"Fome é como sexo: se você fica com vontade por muito tempo, acaba comendo o que não devia".
Capítulo 1.
A música alta me deixava excitada. Esfreguei a ponta dos meus dedos do pé na virilha de Itachi conforme ele preparava uma carreira de pó para a gente cheirar. Podia escutar o barulho das pessoas dançando, gritando para que as suas vozes se sobressaíssem ao do som, e o cheiro de cigarro invadia cada cômodo de minha mansão. Ele sorria para mim mostrando seus dentes brancos perfeitamente alinhados.
Largou o meu cartão em cima da mesinha de centro pegando o meu pé em seguida. Massageou o mesmo conforme passava a ponta da língua em cada dedo. Senti um arrepio subir pela minha espinha e se perder em minha nuca. Adorava quando Itachi me fazia sentir a mulher mais gostosa e poderosa do mundo.
Ele me puxou para os seus braços e selou nossos lábios. Sua língua pediu passagem para invadir a minha. Seus lábios eram quentes e macios e assim que a minha boca se abriu, nossas línguas se encontraram em uma explosão de sabores e sensações. Ele mordiscou o meu lábio inferior e um gemido escapou do fundo da minha garganta.
— Se continuarmos assim, não vou me responsabilizar pelos meus atos — sua voz era rouca e suprimia um desejo que me fez ficar molhada.
— Eu não quero que você pare — falei de forma sexy.
— Você diz isso agora — ele me soltou de forma gentil e se inclinou sobre a mesa cheirando a primeira carreira de pó — Sua vez baby.
Fiz um biquinho mostrando o quanto eu estava insatisfeita por ele não querer me foder ali no meu quarto, mas não pude resistir o convite de cheirar uma carreirinha. Inclinei meu corpo para frente imitando os seus movimentos anteriores. Encostei meu nariz na mesa de vidro e inspirei de uma vez a cocaína.
Meu corpo começou a formigar, era como se uma onda de endorfina percorresse cada camada do meu sistema nervoso central. Olhei para Itachi e me joguei em seus braços. Queria muito ser possuída por ele. Comecei a tirar a minha roupa o pegando desprevenido. Ele me encarou e seus olhos escuros como a noite estavam tão indecisos em continuar o que ele havia parado segundos atrás ou me deixar ali e ir embora.
Itachi nunca avançava o sinal comigo, por mais que eu me jogasse em seus braços ele me respeitava e dizia que ainda não era hora de perder a minha virgindade. Maldita virgindade! Suas mãos vieram gentis para o meu corpo acariciando cada parte de minha pele exposta.
— Mantenha-se vestida, meu amor — ele sussurrou em meu ouvido — Não faremos nada disso agora, não com você drogada.
— Eu preciso de você — objetei.
— Eu também preciso de você, mas não assim — sua voz soava como veludo — Vamos aproveitar a festa.
Ele se levantou e com um leve puxar me ergueu do sofá. Beijou o topo da minha cabeça com carinho e me guiou para o andar de baixo, onde as pessoas dançavam conforme o ritmo de David Gueta. Corpos e mais corpos pulando e se esfregando uns nos outros e som da batida me guiava para o centro da multidão que dançava como se não houvesse um amanhã.
Itachi passou os braços em torno na minha cintura conforme eu dançava até o chão em um ritmo completamente diferente da batida. As pessoas a minha volta pareciam um borrão colorido. Esfreguei meu quadril no dele conforme sensualizava e senti a sua ereção contra a minha bunda.
Me virei para poder me afogar em seus olhos escuros. Ele segurou o meu rosto com as mãos me puxando para um beijo ardente. Suas mãos escorregaram pelas laterias de meu corpo se perdendo nas minhas nádegas. Ele as apertou e eu soltei um gritinho em sua boca e aquilo pareceu o deixar mais excitado ainda.
— Você é uma garota muito malvada, Sakura — deixou uma trilha de beijos da minha boca até a curvatura do meu pescoço — estou tentando te manter pura, mas você não está me ajudando.
— A intenção é justamente essa — ronronei.
Itachi sorriu e tornou a me beijar. A música havia acabado e uma outra mais agitada começou, fazendo as pessoas pularem juntas e a casa vibrar com os corpos se chocando. Ele segurou as minhas mãos que cismavam em querer entrar nas suas calças e tocar a sua virilidade.
Levou elas aos lábios beijando-as com carinho. Revirei os olhos, mas não me irritei afinal, por mais que a gente não estivesse fazendo nada, ainda era Itachi que estava comigo e só de tê-lo me segurando em seus braços fortes e musculosos já valia apena.
Senti seu celular vibrar em seu bolso, ele me soltou apenas por alguns segundos para poder olhar a tela do aparelho e ver quem o perturbava. Um vinco se formou no meio de sua testa e percebi que ele havia recusado a ligação devolvendo o celular para dentro do bolso da calça jeans.
— Quem era? — perguntei curiosa.
— Ninguém importante — limitou-se a dizer. Ele percebeu a confusão em meus olhos e sorriu — Era um número desconhecido.
— Ah, tá!
— Não se preocupe. — ele voltou a me abraçar e nos voltamos a dançar conforme o ritmo da música. Ficamos ali por muito tempo, até que os primeiros raios de sol começaram a despontar do horizonte e as pessoas cansadas e sonolentas foram indo embora aos poucos.
Meu corpo estava exausto e minha cabeça parecia que explodiria. Uma dor de cabeça absurda latejava sem parar me deixando doida. Itachi me guiou até a espreguiçadeira ao lado da minha piscina de borda infinita me acomodando com gentileza.
— Vou pegar alguma coisa para a sua dor de cabeça — ele falou. O bom de Itachi era que eu não precisava dizer nada, apenas com um olhar era o suficiente. Ele me conhecia muito bem. Não tardou muito e já estava de volta com um copo de água e um comprimido em mãos — Tome, você logo estará melhor.
Fiz o que ele me pediu e deixei meu corpo se esparramar na espreguiçadeira mais uma vez. Fechei os olhos e os primeiros raios de sol roçaram a minha pele me aquecendo do frio da madrugada. Quando dei por mim, já estava dormindo. Minha mente vagou pelos sonhos confusos e estranhos até que um barulho começou a preencher os meus ouvidos.
Ele começou baixinho e foi ganhando volume acabando por me despertar. Sentei assustada esfregando os olhos. Um cobertor escorregou pelas minhas pernas quando me levantei ao escutar mais uma vez um barulho ensurdecedor vir da cozinha.
Estava meio grogue devido a cocaína e a bebida, mas consegui me arrastar até lá dentro. Fui segurando nas paredes até chegar na cozinha e me deparar com uma cena de terror. Rapidamente foi liberado em minha corrente sanguínea o hormônio da adrenalina, já que era com ele que o meu corpo se mantinha alerta para situações como: fortes emoções, estresse, excitação, ou medo. Naquele caso em especial era o medo que me dominava.
Itachi estava lutando contra um mascarado. Seu braço esquerdo estava ferido e um caminho de sangue era visto escorrer até a ponta de seus dedos. Ele tentava desarmar o homem que vestia uma roupa toda preta. O capuz impossibilitava de ver a cor de seus cabelos, apenas os seus olhos azuis eram visíveis atrás daquela máscara estranha.
Um grito ecoou pelo cômodo me fazendo pular de susto, até que percebi que o grito era meu. Itachi me olhou e eu pude ver pavor em seus olhos. Ele empurrou o mascarado na direção da bancada fazendo ele trombar com o cooktop e o forno. Corri na direção da porta, mas o homem se recuperou muito rápido do empurrão e partiu para cima de mim.
Pensei que seu corpo fosse se chocar contra o meu, mas Itachi havia segurado ele e o levado para fora da cozinha em direção a área da piscina. Fiquei na dúvida se saia correndo ou se pegava alguma coisa para ajudá-lo. Escutei o barulho de corpos caindo dentro d'água e aquilo serviu para me trazer de volta a realidade. Peguei o telefone que estava tombado no chão e disquei 191.
Uma moça atendeu no primeiro toque.
— Polícia de Miame, qual o motivo da sua ligação? — a voz da mulher era calma e lembrava muito esses locutores de rádio.
— Tem um homem na minha casa — eu quase gritei — Ele está tentando matar o meu namorado.
— Fique calma senhora, uma unidade da polícia já está indo para a sua residência.
— Por favor, venham rápido! — gritei.
Assim que desliguei o telefone escutei o barulho de tiros. Meu corpo tremeu a cada som de projétil sendo disparado. O coração parou de bater quando vi o mascarado surgir na porta da minha sala. Meus pés responderam de imediato. Corri escada acima e percebi que ele vinha em meu encalço. Cheguei no corredor que dava para os quartos de hóspedes passando por todos eles até chegar no meu, onde havia um lugar a prova de balas.
Esse quarto tinha sido ideia do meu pai. Ele era um homem importante e sempre soube que um dia alguém poderia tentar invadir a nossa casa para nos roubar, então ele preparou um cômodo pequeno, do tamanho de um banheiro para nos proteger.
Infelizmente esse quarto não havia sido útil para os meus pais, já que os mesmos morreram assassinados dois anos atrás, mas para mim, eu esperava que ele funcionasse. Entrei desesperada e antes de alcançar a porta senti meu cabelo sento puxado com força para trás. Ele me pegou, erguendo-me no ar com facilidade e me jogou em cima da penteadeira, o vidro se quebrou com o impacto do meu corpo. Sabia que havia me cortado em algum lugar, pois uma queimação começou a subir pela minha lateral esquerda.
Ele me puxou mais uma vez pelo cabelo me levantando e me jogando contra as portas do closet. Tentei me arrastar indo em direção ao banheiro, mas ele segurou em meu pé direito me puxando mais uma vez. Conseguiu ficar por cima de mim e suas mãos alcançaram o meu pescoço apertando-o com força.
Tinha certeza que morreria pelas suas mãos, mas o barulho da sirena e da porta de minha casa sendo arrombada pela polícia o deixou aflito e aquilo serviu para que eu juntasse o restinho de forças que tinha e tateasse o chão a procura de algum objeto que pudesse me ajudar. Meus dedos dedilharam o piso de madeira encontrando um pedaço de vidro, não pensei duas vezes, cravei o vidro em sua perna e ele me soltou com um grito abafado por causa da máscara.
Antes de sair do meu quarto pela sacada, seus olhos azuis me avaliaram mais uma vez e aquilo fez o meu corpo tremer. Aquele homem não desistiria, ele voltaria para terminar o serviço. Minha porta se abriu e um homem de cabelos prateados e olhos escuros entrou segurando uma arma em mãos. Ele apontou para o mascarado que pulou da sacada.
O policial ficou na dúvida se seguia atrás do maluco, ou se vinha em minha direção. No final, ele optou por me ajudar. Seus braços fortes me seguraram e antes que eu perdesse a consciência, percebi que ele usava uma máscara em sua boca. Ele falou alguma coisa, porém os meus ouvidos não captavam mais nada e então eu me afoguei na mais pura escuridão.
