Naruto, obviamente não me pertence.

"Se eu responder de forma irônica, saiba que é apenas porque sua pergunta foi idiota".

Capítulo 3.

O sol quente de verão começava a queimar a minha pela imaculada. Eu ainda não conseguia acreditar que estava ali, dentro daquele carro ridículo cercada por aquele trio. Ino olhava para mim sem graça conforme o carro avançava mais para dentro do nada. Eu tinha certeza que ela podia ver os meus olhos revirarem através das lentes escuras do meu Ray-Ban.

Algumas horas atrás Fugaku Uchiha apareceu no meu quarto de hospital explicando sobre o programa de proteção a testemunha. Ele disse que eu deveria ficar nesse programa até o assassino ser pego e os julgamentos acontecerem, pois estava envolvida em um crime que ia muito além do assassinato de Itachi.

Como não havia nada que eu pudesse fazer, acabei cedendo. Infelizmente, começava a ver o meu lindo apartamento em Manhattan ficando no esquecimento. Estava com um desfile marcado para o final do mês e pelo que pude entender, esse caso não tinha um tempo para ser solucionado, ou seja, minha perfeita vida de modelo famosa estava acabada.

— Falta muito? — perguntei entendiada.

— Não muito — respondeu o homem de cabelos platinados cujo nome eu havia me esquecido. — Apenas alguns quilômetros.

— Falta muito então — bufei irritada.

Ele me olhou pelo retrovisor do carro, assim como o outro Uchiha que estava ao volante. Ino se encolheu diante a tensão que se formava dentro do carro. Ela sabia que a qualquer momento eu explodiria como uma bomba atômica, porém muito mais poderosa.

— E aonde fica esse tal lugar? — perguntei querendo puxar assunto — Vocês não são muito de dar informações.

— É um lugar afastado — respondeu o Uchiha. Ele tinha aquele ar sério e debochado que me tirava do sério. Só de olhar para a cara dele perfeita demais, tudo muito certinho e aquela barba por fazer deixava a situação pior ainda, pois eu ficava imaginando ela roçando em minha pele me fazendo apertar as pernas a fim de controlar a pulsação crescente em minha intimidade. Deus! O que estava acontecendo comigo? Era como se eu nunca tivesse visto um homem bonito.

— Você só sabe dizer isso? — perguntei — Não tem outra resposta para dar?

— O que você quer ouvir? — sua voz saiu mais fria e ríspida do que o habitual —Quer que eu diga que estamos indo para um Resort cinco estrelas em algum lugar paradisíaco?

— Seria fantástico! — respondi ironicamente.

Ele bufou e isso arrancou uma risada do seu companheiro. Ele usava óculos escuros, assim como eu e sua atenção estava na estrada e nos carros que passavam por nós. Eu não sei o que ele esperava, já que estávamos no meio do nada. Não tinha nada do lado esquerdo e nem do lado direito. Cercados por um deserto escroto.

Já fazia mais de dez horas que me encontrava sentada naquele carro sem esticar as pernas. Minha paciência já tinha ido para o ralo quando pegamos o avião em Miame e descemos no Texas. Aquilo fez meu coração acelerar. Para que maldito lugar estávamos indo? Quando ele disse que ainda teríamos algumas horas de estrada, eu pensei que fosse umas duas horas no máximo e não dez.

— Preciso ir no banheiro — declarei.

— Não temos onde parar.

— Eu preciso fazer xixi — falei um pouco mais alto.

— Se você não reparou, estamos no meio do nada — Notei os olhos dele me avaliarem pelo retrovisor.

— Se você não parar o carro agora, vou fazer xixi no seu carro — cruzei os braços e o encarei.

Ele revirou os olhos e parou no acostamento. Ino rapidamente saiu do carro e abriu a porta para que eu pudesse sair. Minhas pernas doíam e minha coluna gritava comigo me pedindo um banho relaxante, quente e com muito sais aromatizantes. Olhei para a estrada averiguando qual seria a melhor posição para poder me aliviar. Não queria fazer do lado esquerdo, pois o traste do Uchiha me veria e não podia ir para o lado direito, já que o platinado veria, então fiquei atrás do carro rezando que nenhum carro viesse na nossa direção.

Levantei a barra do vestido abaixando a calcinha até os joelhos, assim que agachei e comecei a me aliviar o idiota do Uchiha buzinou me fazendo cair em cima da minha própria poça de mijo. O asfalto estava quente fazendo eu dar um gritinho por causa do calor e por ter molhado a minha bunda. A barra do vestido roçou no mijo e minha mão encostou no líquido quente. A raiva que antes estava sendo suprimida, explodiu.

— Qual o seu problema? — gritei sendo amparada por Ino que me olhava horrorizada.

Ele não me respondeu, mas pude escutar os risinhos dele e do amigo. Me subiu um ódio tão grande que eu não pensei, apenas agi. Fui até o lado do motorista onde ele estava achando graça da situação e enfiei a minha mão suja de mijo na cara dele. Fiz questão de passar na boca dele, para o mesmo aprender que nesse jogo, eu também podia jogar.

— Você ficou maluca? — ele começou a limpar a boca com o dorso da mão. Seu amigo continuava rindo da situação, agora ainda mais. Parecia se divertir as nossas custas. — Kakashi, pelo amor de Kami, me passa um pano, qualquer coisa para eu limpar a minha boca!

— Isso é para você aprender a não mexer comigo! — apontei o dedo na cara — agradeça que era só mijo, podia ter sido outra coisa, babaca!

Estava acostumada a ter olhares de raiva e ódio direcionados a minha pessoa o tempo todo, mas o olhar que o Uchiha me deu, fez com que as minhas pernas ficassem bambas, contudo, eu não deixaria transparecer o quanto fiquei mexida com apenas um olhar. Estava muito irritada e a minha bunda doía demais. Com certeza havia me ralado por culpa daquele boçal de merda.

Entrei no carro dispensando a ajuda de Ino. Ela me deu uns lenços umedecidos e pude enfim me limpar direito. Passei o lenço nas minhas pernas, na mão e nas coxas e tudo isso sobre os olhares de Sasuke e Kakashi. Eles achavam que eu não estava vendo eles me espiarem, mas eu estava bastante atenta a cada movimento dado pelos dois.

— Está com fome, senhorita? — Ino me perguntou pela terceira vez depois que o carro voltou para a estrada. O silêncio que se instalou no automóvel fez com que a tensão aumentasse mais.

— Não. — esfreguei as têmporas. Estava com muita dor de cabeça e o sol tornava a situação pior ainda. Eu já havia perdido as contas de quanto tempo estava dentro daquele maldito carro quando o Uchiha resolveu se pronunciar.

— Daqui a duas horas estamos chegando no nosso destino — falou.

O seu parceiro pegou o celular discou o número de algum telefone e o levou ao ouvido. A pessoa atendeu rapidamente.

— Comandante, estamos chegando no destino — sua voz era firma e ele parecia bem centrado. — Entro em contato com o senhor daqui a duas horas.

Um minuto de silêncio antes dele responder:

— Sim senhor. — ele olhou para o Uchiha que o encarou por alguns segundos me deixando irritada por ele desviar a atenção da estrada — Como quiser.

E assim ele desligou e o celular foi para dentro do bolso lateral da calça de jeans.

— Aconteceu alguma coisa? — Ino perguntou me fazendo virar em sua direção. Ela quase nunca falava, ainda mais se não fosse lhe solicitado.

— Parece que encontraram uma gota de sangue do assassino na cena do crime — Kakashi disse naturalmente. Ficou claro que aquela informação era do conhecimento de todos. Não havia sentindo em esconder. — Talvez não demore muito para as coisas voltarem ao normal.

Meu coração chegou a acelerar com aquela informação. Será que eu conseguiria desfilar no final do mês? Queria tanto estar na minha casa, desfrutando de um bom vinho, apreciando a vista da minha varanda panorâmica. Suspirei. Aquilo parecia bom demais para ser verdade.

— Será que a senhorita conseguirá desfilar no final do mês? — Ino me perguntou, como se soubesse o que se passava em minha mente.

— Se a CIA fizer o trabalho dela direito, quem sabe — alfinetei.

— Duvida da nossa capacidade, senhorita? — dessa vez foi o platinado quem perguntou.

— Dá sua não, já que você me salvou, mas do seu amigo…

— Você é inacreditável! — seus dedos seguraram firme o volante — Meu irmão morreu salvando a sua vida e você tem a capacidade de duvidar do nosso trabalho?

Dei de ombros ignorando completamente aquele idiota. Depois do que ele fez comigo, eu não queria estar no mesmo ambiente que ele. Ele ficou mais irritado por ser ignorado e aquilo me fez rir por dentro. Eu não era uma filha da puta, claro que sentia falta de Itachi e sentia a sua perda, por mais que o mesmo tivesse me enganado, mas não sou ruim ao ponto de comemorar a morte dele. Entretanto, aquele miserável não precisava saber disso.

O resto da viagem foi feito no silêncio. A paisagem começou a mudar e a terra árida começou a se transformar em vegetação verde e extensa. Podia ver cabeças de gado e vacas aleatórias pelos terrenos dos dois lados. Passamos pela entrada de uma cidadezinha e me surpreendi ao notar que o Uchiha passou direto.

Será que ainda faltava muito?

Até pensei em perguntar, porém ele entrou em uma estrada de chão e o carro começou a chacoalhar. Minha cabeça bateu com força no teto fazendo o meu óculos cair no chão. Ino tentava se segurar no banco, mas estava sendo impossível não ser jogada de um lado ao outro, mesmo com o cinto de segurança.

— Vai devagar! — falei tentando me segurar — Por acaso você comprou a carteira?

— O que houve? — ele olhou para trás ignorando a estrada — Agora você está falando comigo?

— Olha para frente, merda!

Ele riu da minha cara, mas diminuiu a velocidade. Consegui pegar os óculos do chão e fiquei puta em ver que a lente estava arranhada. Cerrei os punhos me controlando para não dar um soco na cabeça dele. Ino pegou os óculos e o guardou para mim e logo depois o platinado tornou a pegar o celular apertado a discagem rápida.

— Chegamos — falou assim que a pessoa da outra linha atendeu. — Claro, vou avisá-la. — Ele desligou o telefone e se virou na direção da minha assistente. — Vou te colocar em um avião e te enviar de volta para Miame.

— Como assim? — Ino perguntou incrédula tirando as palavras da minha boca.

— Você não precisa ficar escondida, a CIA não pode arcar com as suas despesas e o comandante acha melhor você se afastar da sua chefe, afinal, você estará se colocando em perigo.

— Mas eu preciso ajudá-la. — Ino olhou dele para mim.

— Ele tem razão — por mais que eu quisesse Ino ao meu lado me ajudando com as coisas do dia a dia, não dava para exigir isso dela.

— Mas senhorita…

— Ino, eu preciso de você aqui comigo, mas não dá para colocar a sua vida em risco também. — Falei encerrando o assunto. Ela até tentou dar prosseguimento, mas eu a calei com um simples gesto de mão.

Notei o Uchiha me encarando. Dessa vez ele tinha uma expressão diferente no rosto. Seu semblante era mais sereno e eu podia jurar que os seus olhos antes cheios de raiva agora estavam cheios de dúvida em relação a minha pessoa.

— Tem certeza, senhorita? — Ino me perguntou depois que o carro parou em frente a uma casa enorme de pedra e madeira.

Ignorei a visão a minha frente e me direcionei a ela.

— Olha, eu sei que você precisa desse dinheiro para sustentar a sua família e o seu filho. — segurei as mãos dela. Eu não era disso e Ino até se assustou com a minha atitude, mas como eu disse, não era uma filha da puta — Não se preocupe, eu vou continuar pagando o seu salário. Veja isso como um período de férias e de acordo com o nosso amigo aqui — apontei para o platinado — logo prenderão esse assassino de merda e ai a nossa rotina voltará ao normal.

— Obrigada. — ela sorriu e eu senti o meu coração ficar quentinho.

— Bom, espero que você aproveite as férias, pois quando as coisas voltarem ao normal, não aceitarei desculpas e errinhos. — ela riu e o Uchiha abriu a porta do motorista saindo do carro junto do outro policial. Ele abriu a porta de Ino e a conduziu até um carro escuro que estava estacionado ao lado do nosso. Ela olhou em volta e antes de entrar no carro, seu olhar marejado parou em mim por alguns segundos. Confesso que senti vontade de chorar. Ino era a minha única ligação com a minha antiga vida e perdê-la fez meu coração se partir.

O carro se afastou e antes que eu pudesse sair para ver a mansão a minha frente, os dois policias da CIA entraram fechando a porta. Ele tornou a ligar o automóvel e não pude deixar de notar a troca de olhares que eles deram antes de seguir mais uma vez pela estrada. Estava crente que tinha chegado em meu destino, mas pelo jeito a gente ainda teria que percorrer um longo caminho pela frente. O platinado me deu um sanduíche que eu aceitei com certa relutância, mas como estava a mais de 10 horas sem colocar nada no estômago aceitei.

— Pensei que ficaríamos naquele lugar — falei depois de um tempo em silêncio.

— Ninguém pode saber onde você vai ficar, inclusive a sua assistente. — O Uchiha se pronunciou.

— Entendo.

— Foi muito legal o que você fez por ela — ele me olhou pelo retrovisor e eu desviei o olhar para o sanduíche em minhas mãos.

— Não fiz nada demais — disse fazendo um bico.

— Estou começando a achar que você esconde a sua verdadeira identidade por debaixo dessa máscara.

— Vire na segunda a esquerda — o platinado falou interrompendo a nossa conversa. — Cerca de trezentos metros você torna a virar a esquerda e chegaremos no nosso destino.

— Então não estávamos tão longe assim— disse olhando pela janela.

— Não — apenas meia hora de onde deixamos a sua assistente. — Sasuke, está vendo aquela árvore? Vire ali.

— Claro.

— Que lugar é esse? — perguntei.

— Um lugar que faz parte da minha família há anos.

— Então vamos ficar na residência da sua família?

— Ninguém vem aqui há um bom tempo — ele virou o corpo e me encarou — Meus pais deixaram essa fazenda para mim, mas como tenho muito serviço na CIA, quase não venho aqui.

— Kakashi — Sasuke chamou atenção do platinado que voltou a olhar para frente.

— Próxima a direita.

Quando o carro passou por duas porteiras de madeira gastas pelo tempo o céu estava se tornando escuro, já que o sol começava a se pôr. As nuvens escuras ditavam que uma grande tempestade se aproximava. Senti um vento gélido adentrar o carro assim que Sasuke e Kakashi abriram as portas.

Por alguns segundos fiquei esperando Ino abrir a porta para mim, mas ao lembrar que ela não estava mais ali, bufei e abri a porta. As árvores balançavam conforme o vento vinha do leste, as folhas secas e mortas faziam um caminho até os degraus de pedra da casa simples que ficava no centro de um terreno absolutamente vazio.

Eu podia escutar o som dos passos dos dois sobre as folhas secas indo em direção as escadas de pedra. Esfreguei os braços e os segui. Parei em uma varanda de pedra e madeira. Alguns bancos de madeira estavam espalhados pela varando em L e um cheiro estranho começou a me incomodar.

— Que cheiro é esse? — perguntei tampando o nariz.

— Que cheiro? — perguntou o Uchiha.

— Esse! — olhei em volta tentando achar de onde estava vindo.

— Cheiro de urina? — Kakashi perguntou contendo um sorriso por detrás da máscara.

— Isso. — falei ainda olhando em volta.

— Vem de você! — O Uchiha me encarou com os olhos brilhantes e um sorriso divertido nos lábios.

Puta merda! Que nojo!