Naruto, obviamente não me pertence.
"Minha vida ultimamente tem sido representada por algarismos romanos: VIXI"
Capítulo 4.
Os olhares que recebi do Uchiha e do platinado me deixaram sem graça e vermelha feito um tomate. Definitivamente estava fedendo a mijo. Como eu não havia sentido aquele cheiro dentro do carro? Será que estava tão absorta em pensamento que passou despercebido?
— Você pode tomar um banho se quiser — ele me encarou com aquele único olho me fazendo ter arrepios. O policial, Kakashi se eu não me engano, é um homem bastante interessante. A cicatriz em seu rosto o deixava mais sexy e aquela máscara tampando a sua boca me fazia querer saber o que ele tanto escondia. Será que a cicatriz era tão feia que se estendia por de baixo de seus lábios? Ou seu rosto era tão belo que precisava ficar escondido para não atrair os olhares atentos das mulheres? — Mas preciso te avisar que o banheiro fica do lado de fora da casa.
— Como? — perguntei incrédula. — Como assim o banheiro fica do lado de fora?
— Essa fazenda é bem antiga — ele começou a explicar abrindo a porta de entrada. O barulho de madeira velha rangendo fez os meus ouvidos doerem. Ele entrou seguido do Uchiha que tinha um sorriso de canto nos lábios, como se estivesse achando graça da minha situação. — Antigamente os banheiros eram construídos longe da casa principal, como um cômodo a parte — Ele acendeu um isqueiro e uma pequena chama pode ser vista. Logo depois pegou uma luminária antiga acendendo-a em seguida — Também não temos energia elétrica.
— O que? — pude sentir as batidas do meu coração nos meus ouvidos. — Como assim não tem energia elétrica?
— A casa é velha como você pode ver — ele colocou a lamparina em cima de uma mesa de madeira e foi a partir daí que pude avaliar melhor o local.
O chão era todo de pedra, as paredes brancas em alguns pontos estavam amareladas devido a algum tipo de infiltração. O cheiro era bastante forte, a casa devia estar fechada há séculos, parecia que algum bicho tinha morrido e já se encontrava em estado de decomposição. Os móveis estavam cobertos por um lençol fino de algodão e conforme Kakashi os retirava uma camada de poeira subia me fazendo tossir e espirrar.
Levei as mãos ao rosto imediatamente. Minha rinite começava a dar o ar da graça e eu sabia que a sinusite viria em seguida. Olhei irritada para o Uchiha que estava ao meu lado de braços cruzados ainda com um sorriso no rosto. Ele com certeza estava achando graça da minha desgraça. Pensei em várias coisas para dizer sobre aquele lugar não ter luz, mas nada que vinha a minha cabeça soava ruim o bastante.
Eu senti uma vontade imensa de agredir aqueles dois. Principalmente o chefe deles. Me tiraram da civilização e me colocaram no meio do nada em algum buraco qualquer para passar sabe-se lá quanto tempo escondida de um assassino. Começava a achar que o assassino não era o problema, eu morreria sem que ele precisasse fazer qualquer tipo de movimento. Como poderia viver em um lugar que o banheiro ficava do lado de fora – e eu nem quero imaginar a situação que ele se encontra —, e além disso não ter energia?
Eu havia morrido e estava no inferno, só pode.
— Essa casa ao menos é habitável? — perguntei.
— Ainda não, mas vai se tornar — Kakashi disse com um sorriso sendo abafado pela máscara.
— E onde passaremos a noite? — perguntei evitando tocar em qualquer lugar daquela pocilga.
— Eu não sei você — começou o Uchiha, falava pela primeira vez depois que entramos naquele lugar — Eu vou dormir em algum canto, você pode se ajeitar em qualquer lugar.
— Você só pode estar brincando — olhei dele para Kakashi que ainda tirava os panos de cima dos móveis da sala. Ele me olhou assim que terminou de embrulhar os lençóis de qualquer jeito com as mãos e jogá-los próximos a uma lareira antiga. Em outra época ela devia ter sido muito bonita, no momento estava arruinada e bastante acabada.
— Você pode dormir no sofá se quiser — falou apontando para um enorme sofá de canto em "L" de couro preto que mais parecia cinza. Mesmo que estivesse protegido, uma camada generosa de poeira estava fixa no material.
Olhei dele para o sofá e para o longo corredor escuro que se seguia adiante. Ficou claro que não exploraríamos a casa durante a noite, só quando o sol nascesse. Suspirei. Estava cansada, com fome e morrendo de vontade de tomar um banho quente de banheira. Caminhei até o sofá passando pelos dois homens que trocavam olhares cúmplices
— Só não espero que vocês não ronquem — falei ao colocar a minha bolsa em cima de uma mesa de centro. Era a única peça da casa que tinha certo charme. — Será que você pode me mostrar pelo menos onde fica o "banheiro"?
— Vem — Kakashi fez sinal para que eu o acompanhasse. Passei mais uma vez pelo Uchiha que tinha se jogado em uma poltrona que, com certeza, fazia parte do conjunto do sofá. Ele começou a verificar o celular completamente alheio a qualquer coisa que acontecia ao seu redor. Estava relaxado e parecia feliz.
Definitivamente eu não compreendia os homens. Estávamos em um lugar onde não havia energia elétrica, mas para eles era a coisa mais natural do mundo. Será que já haviam passado o mesmo tipo de perrengue em outros trabalhos?
Segui Kakashi até a porta da frente passando pela varanda em "L" e mais uma vez descendo as escadas de pedra. Ele foi em direção a lateral esquerda da casa e eu comecei a avaliar o lugar. O terreno era enorme, mas não era completamente plano, havia alguns desníveis no solo e mais para frente era possível ver vales e mais vales de montanhas.
O som das pedras sob os sapatos do policial me faziam lembrar de uma época quando os meus país me levaram para a Grécia. As ruas de paralelepípedo, as casas brancas e o mar ao fundo. Tudo tão lindo e magnífico, completamente diferente daquele lugar. Ele parou em frente a uma pequena construção em pedra e madeira. Dava para ver o chuveiro antigo e uma porta de madeira que mal poderia esconder o corpo da pessoa que tomava banho.
Não havia uma caixa d'água e sim um cano que se seguia pelo terreno até um tipo de poço que ficava a uns cinco metros de distância dali. Pelo jeito o vaso sanitário não ficava ali e antes que eu pudesse perguntar ou falar qualquer coisa relacionada aquilo que estava na minha frente, Kakashi se pronunciou:
— Eu sei que não é o ideal e que está completamente fora da realidade, mas fique tranquila, vou aproveitar o tempo que passaremos aqui e reformar a casa — ele me encarou e um singelo sorriso se formou por de baixo de sua máscara — Eu sei que não é o meio onde você está acostumada a viver, mas eu espero que esse lugar lhe faça sentir as mesmas coisas que eu senti quando os meus país e avos ainda eram vivos.
"Nojo? Pavor? Vontade de sair correndo e nunca mais voltar?" Isso foi o que eu pensei, entre outras coisas, mas não foi o que eu disse.
— Me surpreenda — disse da melhor forma que pude. Não era muito de mentir, ficava estampado na minha cara quando uma coisa me agradava ou não, mas só dele ter dito que aquele lugar lhe remetiam lembranças de sua família, eu não podia simplesmente falar o que me viesse a mente.
— Não se preocupe com a privacidade, eu ficarei lá dentro com Sasuke, então você poderá fazer a sua higiene tranquilamente — ele foi até o pseudo banheiro e averiguou se o mesmo tinha água e se estava funcionando. Depois que tudo estava dentro dos conformes na visão dele, ele virou na minha direção puxando a máscara até a base do pescoço. — Vou ligar o farol do carro para iluminar essa área e você não ficar no escuro. Está tudo funcionando devidamente, mas você deveria usar chinelos ao tomar, afinal, não há nada limpo ainda.
Ele continuou falando e a minha atenção estava toda em seus lábios carnudos e macios. Qual seria o gosto? Desviei minha atenção de sua boca para o seu rosto, que era lindo, mesmo com aquela cicatriz. Sendo justa, a cicatriz o deixava mais bonito ainda. Eu me peguei pensando em como ele era antes; poderia ter sido mais bonito?
— Tudo bem, Sakura? — sua voz aumentou um tom me trazendo de volta a realidade.
— Hã?
— Perguntei se está tudo bem para você tomar banho aqui fora e com água gelada?
— Está tudo bem sim — mentira. Não estava nada bem. Eu odiava água fria, só lavava os meus cabelos com água fria quando queria fazer algum tipo de hidratação, mas o corpo todo? Não mesmo! Contido, nem ele e nem o Uchiha me veriam desistir. — Pode ficar tranquilo que eu vou tirar isso aqui de letra. — falei confiante.
Ele acenou e eu pude vê-lo indo até o carro e fazendo exatamente o que havia me dito. Ligou os faróis na minha direção e eu pude analisar melhor o lugar. A madeira que cercava o banheiro estava podre e o piso antes branco, estava com uma camada espessa de lodo e alguns além de rachados quebrados. O cubículo era menor do que esses elevadores de prédios industriais, ou seja, eu não teria espaço nem para abrir os braços.
Kakashi se aproximou e trouxe a única mala que Ino havia levado para o hospital. Ele a colocou em cima da grama e tornou a me deixar sozinha. Eu queria gritar, eu queria espernear, também estava com muita vontade de bater em alguém, mas a todo momento eu ficava me lembrando que era adulta e tinha que agir como tal. Já havia passado por situações piores que aquela. Inclusive, havia enfrentado um assassino. Se ainda estava viva, poderia muito bem sobreviver aquilo.
Por Deus, Ino havia colocado u roupão ao em vez de uma toalha tradicional. Eu não precisaria me vestir ali fora, poderia muito bem pedir um pouco de privacidade para aqueles dois e me trocar em um lugar quente e sem mosquito. Abri a necessaire procurando meu sabonete líquido e meus óleos corporais de banho. Eu estava no inferno, mas, pelo menos, ficaria cheirosa.
Olhei para os lados avaliando se realmente estava sozinha e quando fiquei satisfeita comecei a tirar a roupa. Nesse processo levei umas quatro mordidas de mosquito. Praguejei ao notar a minha pele branca começar a empolar. Seria muito difícil manter a sanidade naquele lugar. Coloquei minhas havaianas de anime ninja favorito e fui em direção ao cubículo decrepito.
— Que Kami me abençoe. — pedi ao tirar o vestido sujo de urina. Coloquei ele delicadamente no chão. Por mais que estivesse sujo, era o único vestido que Ino havia colocado na bolsa além de duas blusas de algodão de banda e dois shorts jeans. Eu nem sei porque ela colocou essas roupas de ficar em casa na mala. Talvez ela tenha achado que eu ficaria mais tempo no hospital e precisaria de conforto e não de luxo.
Liguei o chuveiro que emitiu um som estranho, mas logo depois a água começou a jorrar para todos os lados me molhando e me dando um susto. Parecia pedra de gelo de tão gelada que ela estava. Resmunguei baixinho, xingando todos os ancestrais daquele maldito assassino antes de criar coragem e entrar de uma vez só. Eu não queria molhar os cabelos, mas a água não caia em apenas uma direção, seus jatos eram desgovernados, como se alguns dos furinhos do chuveiro estivessem entupidos.
Tentei acabar com aquele banho o mais rápido possível. Passei o sabão líquido rapidamente nas pernas, braços e tórax. Esfreguei minhas partes íntimas, assim como os seios e as axilas. Aproveitei para fazer xixi mais uma vez. O chão estava escorregadio e eu lutava para me manter de pé e não cair naquela lama que se formava abaixo das minhas sandálias.
Quando desliguei a água e comecei a passar os meus óleos corporais, escutei um barulho estranho. Não era algo que estava habituada a escutar, apesar de o som ser bastante familiar. Coloquei o roupão que havia deixado pendurado na madeira que cercava o chuveiro e abri a porta. O farol do carro incomodava um pouco os olhos, me fazendo franzir e estreitar os mesmos.
O barulho ecoou no silêncio da noite me fazendo pular e virar em sua direção. Estava próximo a casa, um pouco mais para os fundos. Mesmo com a ajuda do carro, eu não conseguia ver nada além das sobras do meu corpo e da própria casa. Dei de ombros e resolvi guardar as minhas coisas. Seja lá o que for, já havia ido embora, pois o barulho cessou. Guardei tudo dentro da necessaire mais uma vez e depositei dentro da bolsa, voltei para pegar o vestido e recuei ao escutar mais uma vez o barulho.
— Quem está ai? — perguntei para a escuridão. — Seja quem for, eu sei me defender — cerrei os punhos os colocando na frente do meu rosto. Obviamente eu não sabia nem como socar a cara de alguém, mas ninguém sabia disso.
Escutei mais uma vez o barulho e não pude deixar de correr para o vestido o pegando de qualquer jeito e o tascando na bolsa. Não ficaria ali esperando alguma coisa surgir das sombras e me pegar. Nos filmes de terror, a mocinha sempre ficava esperando alguém surgir ou saber qual era o motivo do barulho e, no final acabava morrendo.
Passei pelo carro correndo sem me importar de estar de roupão. O vento gélido da noite bagunçou meus cabelos assim que cheguei até os degraus de pedra. Cheguei na varanda bem a tempo de Sasuke abrir a porta e nossos corpos se chocarem e nos levarem ao chão. Um grito escapou de minha boca assim que a gente caiu. Ele mesmo caindo tomou o cuidado para que eu não batesse de cabeça no processo.
Uma de suas mãos estava envolta da minha cintura e a outra bem em cima do meu peito esquerdo. De imediato eu não notei, já que os olhos escuros dele estavam tão próximos dos meus que eu podia ver o quanto os seus cílios eram enormes. Sua respiração quente acariciava a minha pele e o cheiro de sua loção pós-barba me fez querer passar os dedos sobre a pele de seu rosto.
Ele piscou algumas vezes e abriu e fechou a boca como se quisesse falar algo, mas eu estava tão perdida em admirá-lo que fiquei naquela posição por alguns segundos. Um pigarrear alto me fez voltar a realidade. Ergui a cabeça e vi Kakashi tentando ocultar um sorriso por detrás da máscara. Por que é que mais uma vez ele estava de máscara?
— Está confortável para você? — a voz de Sasuke me fez olhá-lo. Ele tinha uma sobrancelha erguida e seus olhos brilhavam tamanha intensidade.
— Eu… — gaguejei. Tentei colocar os pensamentos no lugar. Eu tomei banho, estava com um roupão de algodão, era a única coisa que separava o meu corpo do dele, um barulho estranho me fez correr e cair por cima de Sasuke e a sua mão começava a esquentar o meu seio esquerdo. Olhei para baixo e seu olhar seguiu o meu.
Vi a sua mão onde ninguém havia me tocado, nem mesmo Itachi, tornei a olhá-lo; ele estava vermelho, assim como eu, já que as minhas bochechas ardiam. Kakashi tornou a pigarrear e foi ai que eu gritei ao perceber o que estava acontecendo.
— Seu tarado! — me afastei de seu corpo me escorando na porta de madeira. — Será que você pode manter as suas mãos longe de mim?
— Foi você que caiu em cima de mim — ele esbravejou — Você estava gostando!
— Eu? — me sentia ultrajada — Gostar de você me tocar? Nunca!
— Pessoal, vamos manter a calma. — pediu Kakashi.
— Manter a calma? — Sasuke olhou para o amigo — Ela cai em cima de mim, fica me olhando como se eu fosse um pedaço de carne e você me pede para ter calma?
— Ei! — cruzei os braços indignada — Eu te olhando? Meu amor — comecei de forma debochada — Você não é nada atraente. Você é a carne da pior qualidade, isso sim!
— Você ainda vai querer experimentas essa carne aqui — ele falou apontando para o próprio corpo todo convencido.
— Nem se você fosse o último homem! — passei por ele de cabeça erguida e fui até o sofá colocando as minhas coisas em cima do mesmo — Será que você podem me dar licença? — pedi.
— É muito abusada — bufou o Uchiha. Ele me olhou de cima a baixo antes de sair e ser seguido por Kakashi que parecia estar se divertindo bastante com a situação.
Kakashi fechou a porta me dando privacidade. Voltei a minha atenção para a bolsa. Estava muito irritada com o que tinha acabado de acontecer. Esse Uchiha se achava demais, era completamente diferente de Itachi. Como se eu fosse querer ele… Bufei e comecei a vasculhar a bolsa atrás de uma calcinha e sutiã quando escutei mais uma vez o barulho.
Olhei para os lados e depois para bolsa. O barulho soou mais alto me fazendo recuar até encostar as minhas pernas na mesa de centro. Estava vindo da minha bolsa. O barulho soou mais uma vez e eu peguei pensando no que era aquilo. Eu sabia que conhecia, sabia que já havia escutado na minha infância.
Até que eu vi um vulto saltar de dentro da minha bolsa e aterrizar ao meu lado, bem em cima da mesa de centro. O animal me olhou e quando ele coaxou eu deixei escapar o grito mais alto que estava entalado la minha garganta.
Que nojo! Maldito sapo!
