Esclarecimento: Só reiterando que esta história não me pertence, ela é uma adaptação do livro de mesmo nome, de Abby Green, que foi publicado na série de romances "Paixão", da editora Harlequin Books.
Capítulo 6
- Ah, por favor ! Você não suporta que alguém perceba o potencial das minhas terras e que queira investir em mim.
Os olhos de Ichigo brilharam.
- Acho que ele quer investir, mas não necessariamente na sua propriedade. Onde irá encontrá-lo ?
Orihime corou. Recusou-se a responder e tentou ir embora, mas ele segurou-a pelo braço. Ela trincou os dentes contra a reação do próprio corpo.
- Não me diga que irá encontrá-lo no quarto dele. Aquela conversa foi para isso ? - ele a viu ficar ainda mais vermelha, e explodiu - Para ser bem claro, Orihime, você é muito inexperiente para lidar com um homem como Aizen. Ele vai mastigá-la e cuspi-la !
Ela reagiu instintivamente. Mal sabia Ichigo o quanto ela era realmente inexperiente, fisicamente e em situações como aquela, mas cada grama do seu orgulho exigia que ela se mostrasse confiante. Ela olhou para ele e jogou os cabelos para trás. Sorriu e tentou imitar o tom condescendente que Aizen usara com ela.
- Você realmente acha que eu jamais conheci homens como Aizen ? Eu conheço o tipo, Ichigo. Ele só precisa ser devidamente manipulado.
Ele ficou corado e soltou-a como se ela o tivesse picado. Orihime se sentiu vazia.
- Desculpe por ter pensado que você estaria numa situação que não está preparada para enfrentar. Se ele é o tipo de investidor que você quer, e se está disposta a fazer o que for preciso, eu claramente subestimei você e a sua ambição.
Ele foi embora, deixando-a insegura e amedrontada. O que Ichigo quisera dizer com não confiar em Aizen ? Ela recordou o sorriso macio do homem e estremeceu. Ainda que ele tentasse agarrá-la, ela não poderia ir embora ?
Ichigo fizera com que ela se sentisse envergonhada e lhe dera a momentânea impressão de estar preocupado. Ela não estava acostumada a que alguém assumisse suas batalhas. Seu irmão fora o único que lutara por ela, mas morrera há muito tempo. Percebendo que tinha ficado sozinha na sala de jantar, ela olhou para o relógio, praguejou silenciosamente e se dirigiu aos elevadores.
Ichigo estava com amigos em um bar quando a viu passar e entrar em um dos elevadores. Ele sentiu o peito se apertar e sua visão ficou nublada. Não acreditava que ela iria adiante. Evidentemente, ele a subestimara. Subestimara a sua ambição em vencer, não importava o que fosse necessário.
Ele se debateu com as emoções que sentia, mas, de repente, se lembrou do ar de desafio de Orihime e de como ela corara. Estaria ela tentando provocá-lo ? Ele colocou o copo no balcão e se desculpou. Quando Orihime não estava presente e lhe embaralhava a cabeça, a sua bravura lhe parecia muito frágil. Ele correu para verificar o número do quarto de Aizen, voltou e apertou o botão do elevador. Mas, de repente, ele parou. Talvez tivesse confundido a maneira como ela o beijara com fervor. Talvez ela mudasse de estratégia e desse a cada homem o que achava que ele queria. Talvez o tivesse manipulado, beijando-o do jeito que o afetaria mais, lembrando-o de como reagira no orquidário ?
A porta do elevador abriu, e ele não conseguiu se mexer. Iria atrás dela e arriscaria se expor novamente ? Já podia ver o deboche no seu rosto quando ela abrisse a porta do quarto de Aizen. O que ele iria dizer quando chegasse ao quarto ?
- Ichigo ! Estive procurando você por todos os cantos. Você precisa conhecer Takahiro… ele está esperando…
Ichigo olhou estonteado para a prima, que o pegara pelo braço. Tudo de repente pareceu voltar à perspectiva, e ele se reprovou pela indecisão. Só sentia desconfiança e antipatia por Orihime - e um desejo inconveniente. Amava Arisa incondicionalmente. Quem era mais importante para ele ?
- Vamos lá - disse ele, sorrindo e esquecendo a feiticeira de cabelos alaranjados, que seria capaz de se cuidar.
Orihime estava presa em um pesadelo. Trancara-se no banheiro da suíte de Aizen e tremia. Não sabia quanto tempo se passara, mas, por fim, ele deixara de bater na porta e de chamá-la há alguns minutos. Ela se olhou no espelho: olhos arregalados de susto, cabelos desgrenhados, o vestido rasgado no ombro e o sangue aflorando de um corte no lábio. Ela ainda estava em choque. Não acreditava no que acontecera. A primeira indicação de que algo estava errado fora o fato de ele estar bêbado, mas, de início, Aizen havia sido gentil e interessado. Ele a desarmara e a fizera acreditar que estava exagerando. Ela tentara ignorar que ele falava enrolado e que cambaleava, e começara a falar da vinícola. Ele se sentara ao lado dela e colocara a mão em sua coxa. Ela se apavorara e dera um salto, e tudo mudara repentinamente. Ele tinha se tornado uma fera. Na luta que se seguiu, ele lhe rasgara o vestido e lhe batera no rosto. Orihime conseguira escapar, fugira para o banheiro e se trancara. Aizen gritara obscenidades e ela tivera medo de que ele arrombasse a porta, mas, depois de um longo tempo, felizmente, ele se aquietara.
Aproximando-se da porta, ela ouviu o som inconfundível de um ronco. Abriu a porta, ainda apavorada com a possibilidade de que ele a empurrasse violentamente, mas viu Aizen jogado no sofá, dormindo profundamente, de boca aberta. Quase chorando de alívio, ela correu para a porta, mas suas mãos tremiam tanto que teve dificuldades para abri-la. E, só quando chegou ao corredor, ela percebeu que perdera os sapatos durante a briga, mas não iria voltar para pegá-los. Forçando-se a caminhar, ela tomou a direção do elevador.
Ichigo fez a curva no corredor onde deixara Arisa na porta de seu quarto, e estancou ao ver uma silhueta familiar caminhando em sua direção. Ele sabia que Aizen estava hospedado naquele andar, e um dos motivos pelos quais levara Arisa até o quarto fora este. Teria esperado encontrar Orihime fazendo a sua encenação vergonhosa ? Bem, o seu desejo subconsciente a conjurara e a fizera aparecer diretamente à sua frente. A raiva o atingiu como uma onda de lava, assim como algo mais potente e perturbador: ciúme.
Naquele momento, Orihime levantou os olhos e ficou paralisada. Ele a ouviu dizer algo inarticulado, como um soluço abafado na garganta. Ela deu meia-volta e começou a caminhar. Para longe dele.
Ichigo só via a sua roupa repuxada, seus cabelos desgrenhados. E, então, ele notou que ela estava sem sapatos. A sua fúria atingiu as alturas. Descalça, ela parecia extremamente vulnerável, mas estivera… o fel subiu à garganta de Ichigo e, antes que ele percebesse, a raiva o levou a correr atrás dela.
- Bem, você deu a Aizen tudo o que ele queria, ou apenas o suficiente para mantê-lo interessado ? - indagou ele, com desgosto e decepção.
Orihime parou, muito tensa, mas não se voltou.
- Deixe-me em paz, Ichigo - disse ela, com a voz rouca.
Ele ficou revoltado, achando que ela brincava com seus sentimentos. Pegou-a pelo ombro e virou-a de frente, mas, quando viu o seu rosto, sentiu o coração despencar dentro do peito.
- Orihime, o quê...? Aizen fez isto com você ?
Ela tentou desviar o rosto, mas ele a segurou pelo queixo e praguejou violentamente. Ela se soltou e recuou. O sangue no lábio parecia cintilar na palidez do seu rosto.
- E então, Ichigo ? Não vai dizer "eu lhe disse" ? Afinal, você me avisou para não confiar nele - Orihime tentou se controlar e ser forte. Não suportava que ele presenciasse a sua humilhação. Ela nunca se sentira tão frágil e fraca. E inútil. E odiava o terror que a levava a desejar se apoiar na sua força. Os olhos dela se encheram de lágrimas.
- Quando eu disse que não confiava em Aizen, foi por instinto. Jamais gostei dele ou dos seus métodos de negociação, mas nunca achei que ele fosse violento.
- Bem, parece que o seu instinto estava certo - disse ela com amargura.
- Quando ele fez isso com você ? Depois…?
Orihime olhou para Ichigo com horror e esqueceu as lágrimas. Ele achava que ela dormira com Aizen ? A opinião que ele tinha a seu respeito era muito baixa. Ela se sentiu nauseada. Só poderia culpar a si mesma por ter querido provar a ele que era experiente. De repente, a combatividade a abandonou. O choque que a deixara atordoada passara, o tremor, que diminuíra, intensificou-se.
- Eu não dormi com ele. Isto nunca foi minha intenção. Eu não poderia… um homem como aquele… só para conseguir alguma coisa. Pode me chamar de ingênua ou do que quiser, mas eu fui ao quarto dele acreditando que falaríamos de negócios - ela respirou fundo e evitou encarar Ichigo - De repente, ele estava em cima de mim… eu não conseguia me mexer, nem respirar. Ele estivera bebendo, mas eu não percebera o quanto. Ele rasgou o meu vestido e depois me bateu…
Ela ficou horrorizada quando começou a chorar. Os soluços pareciam vir do nada, ela não conseguia controlá-los e se sentia gelada. Inesperadamente, sentiu o calor envolvê-la num abraço musculoso, com perfume de almíscar. Por fim, sentia-se em segurança.
Ela parecia extremamente frágil em seus braços, com o corpo tremendo violentamente. Ichigo queria tanto acreditar nela que quase lhe doía. Vê-la prostrada daquela maneira era tão difícil quanto vê-la desafiadora e triunfante. Ninguém poderia fingir o terror que ela mostrava. Seu pai costumava bater em sua mãe quando ela o irritava, e qualquer violência contra as mulheres o horrorizava. O ódio que sentia de Aizen chegava a assustá-lo. No entanto, ele achava difícil que Orihime não soubesse onde se metia, quando aceitara se encontrar com ele no quarto. Como ela pudera ser tão ingênua ? Como não previra que Aizen poderia se tornar violento ? No fundo, ele se recriminava por tê-la deixado entrar naquela situação, por ter deixado o orgulho impedi-lo de seguir seu instinto de ir atrás dela. Orihime o deixara tão confuso que ele preferira deixá-la em perigo a enfrentá-la.
Ele abraçou-a por um longo tempo, até que ela parou de chorar e ficou quieta em seus braços. Ele lhe acariciava as costas e de repente teve um déjà vu, uma outra ocasião em que a apertara nos braços depois que ela chorara. Ele se preparou para o sofrimento que sempre acompanhava esta lembrança, mas ele não veio.
Depois de algum tempo abraçados, Ichigo percebeu que o seu instinto de proteção se transformava em uma onda de desejo. O corpo dela se moldava perfeitamente ao seu. Ele endureceu o queixo, mas não conseguiu impedir o corpo de reagir à proximidade de Orihime, nem à maneira como ela pressionava os seios sobre o seu peito. Quando ela se mexeu, ele relaxou o abraço.
Ela se deu conta de que caíra nos braços de Ichigo como se fosse uma espécie de heroína frágil e ficou embaraçada. Afastou-se dele com relutância, ainda se sentindo tonta, e fixou os olhos em sua camisa.
- A sua camisa está suja de sangue.
- Tudo bem - disse ele.
Para embaraço dela, o abraço deixara de ser confortador e se tornara algo mais provocativo há algum tempo… quando o sangue começara a aquecer partes íntimas do seu corpo, seus mamilos se eriçaram sob o sutiã, sua pele se arrepiara e esquentara. Ichigo não a soltara totalmente: segurava-a pelos ombros e a encarava.
- Aonde você pensa que vai ? - perguntou ele.
Orihime o fitou, temendo que ele visse o desejo em seus olhos.
- Vou voltar para o meu hotel - ela estremeceu - Preciso tomar um banho. Estou me sentindo suja.
Quando Ichigo a soltou, ela ficou horrorizada ao sentir que suas pernas não a sustentavam, como se ela não pudesse se manter de pé sem ele. Ele segurou-a rapidamente nos braços.
- Você não vai a lugar algum. Você vem comigo.
Ela tentou protestar, mas estava excessivamente fraca. Estar nos braços de Ichigo parecia ser uma enorme traição a si própria, mas não tinha forças para resistir. Ele entrou num elevador, subiram ao último andar, atravessaram um corredor e ele abriu a porta que dava para uma sala parcamente iluminada com um vista deslumbrante da noite de Buenos Aires. Ichigo a colocou sobre o sofá.
- Você ficará bem por um minuto ?
Ela assentiu, sentindo-se culpada. No momento em que ele a envolvera nos braços, sentira-se muito melhor. Ela o viu pegar o telefone, enquanto desfazia o nó da gravata e tirava o paletó. Quando ele abriu os botões superiores da camisa, ela sentiu a boca seca.
- Mande um kit de primeiros socorros. Obrigado - ele desligou e desapareceu no banheiro, e ela ouviu o barulho de água correndo. Ele voltou e se agachou ao lado dela - Você se sente bem para tomar um banho ?
A pele de Orihime ainda formigava quando ela pensava em Aizen. Ela concordou vigorosamente, e Ichigo a ajudou a se levantar do sofá.
- Há um roupão no banheiro. Quando você sair, eu vou cuidar do seu lábio.
Ao entrar no banheiro, ela fechou a porta e apoiou-se nela até se sentir estonteada com o vapor. Fatigada, despiu-se e entrou debaixo do chuveiro, deixando que a água escorresse longamente pelo corpo, antes de se ensaboar. Quando ela voltou a se sentir limpa, saiu do chuveiro, se enxugou, passou a toalha nos cabelos e os deixou soltos às costas. Ela amarrou o roupão e abriu a porta para enfrentar Ichigo. Ele estava de costas, olhando pela janela. O coração de Orihime perdeu o compasso quando ele se voltou, soltou o copo que segurava e caminhou até ela.
- Deixe-me ver o seu lábio.
Ela tocou o lábio e se encolheu, estava bem inchado. Ele segurou-a pelo queixo e virou o seu rosto na direção da luz. A sua proximidade estava afetando os nervos dela. Ele a soltou e pegou um algodão e um antisséptico na caixa de primeiros socorros.
- Pode ser que isto doa um pouco - ele passou o algodão sobre o lábio inchado, e Orihime conteve a respiração, sentindo as lágrimas lhe aflorarem aos olhos - Pelo menos parou de sangrar. Amanhã terá desinchado.
- Você está acostumado com lábios partidos ? - perguntou ela, brincando. Para sua surpresa, ele contraiu o maxilar.
- Eu já tive muitos, no passado.
Algo chamou a atenção de Orihime e ela pegou a mão dele.
- O que houve com seus dedos ? - eles estavam seriamente arranhados. Ichigo tentou soltar a mão, mas ela segurou-a com firmeza.
- Enquanto você estava no banho, eu fiz uma visita a Aizen.
- Você bateu nele ?
A expressão dele era de ferocidade.
- Eu me controlei para não bater nele até deixá-lo desmaiado. Ele tem sorte por só ter ficado com o queixo machucado.
Exaltada pela emoção, ela lhe beijou os dedos.
- Eu odeio violência, mas, nesse caso… obrigada.
Tão profundos eram os olhos dele que Orihime tinha a sensação de estar caindo, embora ainda estivesse de pé. O ambiente se tornara silencioso de repente, até que Ichigo falou:
- Aizen está dizendo que você dormiu com ele.
A princípio, ela não entendeu, mas de repente processou as palavras e percebeu o jeito como Ichigo a olhava. Ela soltou a mão dele, embaraçada por tê-la beijado. Estivera olhando para ele como se fosse uma tiete, e ele achava que… ela ficou nauseada.
- Você acha que eu estou mentindo - disse ela sem expressão, consciente de que usava o roupão sem nada por baixo, e de ter se exposto. Como pudera esquecer que ele sempre pensava o pior a seu respeito ? Só porque ele a protegera e fora cavalheiro ? Ele não fizera nada que não faria por outra mulher em desespero. E ela vira um significado em tudo que ele fizera… Orihime desviou os olhos. Ainda que se declarasse inocente, seria a sua palavra contra a de Aizen - Afinal, por que lhe importaria ?
Ichigo sentiu um peso no peito. Acreditara em Orihime ao vê-la tão transtornada no corredor. Mas, quando enfrentara Aizen, ele resmungara com voz pastosa:
- Com ciúmes, Kurosaki ? Porque ela dormiu comigo, e não com você ?
Ele vira tudo vermelho e, antes que percebesse, seu punho atingira o rosto do homem. Ichigo se reprovava por ter sido levado à violência - não tanto pelo que Aizen fizera, mas pela possibilidade de que ela tivesse dormido realmente com ele. Há poucos minutos, quando ela lhe beijara os dedos e o fitara, ele quase mergulhara em seus olhos cinza e se perdera - de novo. Da última vez que isso havia acontecido, ela o aniquilara. Ele não era mais um jovem imaturo, mas ela parecia ter lhe tirado uma camada protetora da pele, expondo novamente o seu eu mais escondido. Tentando se livrar do peso no peito, ele aparentou frieza.
- O que me importa é o fato de saber que um homem abusou de você. O resto não é da minha conta.
Orihime estava profundamente magoada por ele não confiar nela, e não acreditava que se deixara enganar por um pouco de ternura. Ichigo provava o quanto ela era ingênua. Como se Sousuke Aizen já não tivesse lhe mostrado.
- Tem razão. Não é da sua conta - disse ela friamente, voltando-se para pegar suas roupas no banheiro.
- Aonde você vai?
- Vou voltar para o meu hotel. O meu ônibus para Mendoza sai às seis da manhã.
Ichigo soltou um palavrão que a fez corar.
- Você não vai voltar para aquele hotel. Já é tarde. Amanhã você voltará para casa comigo. Não vai fazer uma viagem de ônibus de dezesseis horas outra vez.
Ela se irritou. Por que ele não a deixava ir embora ?
- Eu acreditaria que você se importa, se não tivesse acabado de me acusar de dormir com um homem para garantir um benefício. Um homem violento ! Francamente, o meu hotel infestado de baratas é mais atraente que a perspectiva de ficar aqui e ser julgada.
- Droga, Orihime. Eu consigo outro quarto, mas você não vai sair deste hotel nem que eu precise trancá-la aqui. Diga onde está a sua bagagem.
Orihime olhou para ele, fumegando por dentro e por fora.
- Diabos, Ichigo Kurosaki. Você se acha tão perfeito ? Como ousa se fingir de honrado, quando acha que eu não passo de uma prostit…
Ele se aproximou rapidamente e ela recuou, com a pulsação latejando na garganta. Ele vibrava de raiva, mas não era por ela, e isso a abalou.
- O nome do hotel e o número do seu quarto, Orihime. Não vou aceitar um "não" como resposta.
Para seu desgosto, quando ela pensou em voltar para o hotel pulguento e na torturante viagem de ônibus, teve vontade de chorar. Ainda se sentia fragilizada e vulnerável. Ichigo achava que ela se vendera por suas terras, mas ainda insistia em cuidar dela, como se fosse um pacote desagradável que ele precisasse carregar.
Ele parecia determinado, e ela não duvidava que fosse capaz de trancá-la na suíte.
- Hotel Esmeralda, quarto 410.
Ichigo voltou à suíte, depois de ter reservado outro quarto e de ter buscado as coisas de Orihime no hotel. Quisera se afastar e esfriar a cabeça para voltar a raciocinar normalmente. No fundo, ele não acreditava que ela tivesse dormido com Aizen, mas, quando ela o fitava, ele sentia necessidade de erguer uma parede entre os dois. Ficava apavorado com a facilidade com que ela o provocava, e não tivera defesa ao vê-la desesperada. Carregando uma pequena mala incrivelmente leve, ele parou diante da porta e pensou que todas as mulheres que conhecia viajavam com uma verdadeira comitiva para carregar a bagagem, mas não Orihime.
Quando ele abriu a porta e entrou, esperava encontrá-la onde a deixara, mas tudo parecia silencioso. Ela estava enroscada em cima do sofá, com os cabelos espalhados sobre os ombros e a cabeça apoiada em um dos braços. Ele soltou a mala e se aproximou, mas ela não se mexeu. Tomado de um sentimento forte demais para controlar, ele empurrou uma mecha de cabelos para trás da orelha de Orihime. Ela estava tão pálida que o corte no lábio parecia mais chocante. Ichigo não resistiu e beijou o corte.
Orihime estava dormindo, mas algo incrível acontecia em seu sonho. Ela se sentia rodeada de segurança e de calor, e de algo mais forte. Desejo. Sonhava que Ichigo lhe tocava os lábios de leve e demoradamente, como se não conseguisse se afastar. Ela lutou para recuperar a consciência e abriu os olhos. Estava fitando diretamente os olhos castanhos de Ichigo, que a olhava com intensidade. Ela não tinha certeza de estar sonhando ou não. Tentou mexer a boca, odiando romper o contato com os lábios quentes, mas ele a beijou com maior firmeza. Ela entreabriu os lábios e fechou os olhos. Soltou um gemido quando ele lhe explorou a boca com a ponta da língua, e afundou no sofá ao sentir o contato dos seios com o peito de Ichigo. A pressão do beijo se tornou mais forte, e ela sentiu o fogo lhe percorrer as veias. Ele enfiou os dedos em seus cabelos e lhe puxou a cabeça. Ela se sentiu flutuar: a euforia se espalhava em seu sangue. Quando a boca de Ichigo se afastou de seus lábios e desceu pelo seu pescoço, ela sentiu o ventre se contrair. Se estava sonhando, não queria acordar nunca mais. Ele continuou a descer a cabeça, e ela percebeu que ele abria o seu roupão. O ar frio correu sobre a parte exposta de seus seios. Orihime segurou-o pelos ombros, levantou a cabeça e viu os cabelos alaranjados sobre a sua pele clara. Ele lhe descobriu os seios e tocou-os, acariciando seus mamilos com os dedos calejados. Ela conteve a respiração e arqueou o corpo contra o dele instintivamente. Quando ele lhe acariciou os seios com a boca, ela gemeu alto. Nunca sentira tanto desejo… pelo menos, não depois da catastrófica semana em que tudo mudara e fora destruído.
O desejo de Orihime se transferia para Ichigo. Sua boca ficou mais ávida e suas mãos se moveram mais para baixo, insinuando-se para dentro do roupão. Ele a beijou novamente, esquecendo-se do lábio ferido. Foi como jogar água fria sobre os dois. Ela sentiu a dor assim que ele lhe tocou os lábios, e gritou, e ele se afastou como se tivesse levado um tiro. Ela percebeu que seu lábio voltara a sangrar. Arrastou-se para fora do sofá e se perguntou como acabara beijando Ichigo. O rosto dele não lhe servia de conforto: estava muito corado e com uma expressão torturada.
Ela correu até o banheiro e parou diante do espelho. Não havia muito sangue, e ela molhou uma ponta da toalha e colocou-a sobre o lábio. Os seus olhos estavam arregalados e brilhando, suas faces estavam coradas, sua respiração arfava como depois de uma corrida, e o vértice de suas pernas encontrava-se úmido e latejava… o lugar de onde ele aproximara a mão, onde seus dedos quase haviam tocado. Ela fechou as pernas como se isso pudesse eliminar o desejo e, assim que se sentiu mais controlada, voltou para a sala e o encontrou parado como uma estátua, olhando para ela.
- Agora eu gostaria de ficar sozinha - ela viu um brilho selvagem passar pelos olhos dele e, em dois passos, ele já estava na sua frente.
- Você também queria, Orihime. Não finja que não.
Ela ficou vermelha. Ele a beijara suavemente, e ela acordara. Poderia tê-lo empurrado, mas por fraqueza correspondera à pressão de seus lábios, e o beijo se tornara mútuo. Ainda lhe doía a opinião que ele fazia dela. Precisava se proteger. Para ele, não passava de uma atração. Ichigo sequer se importava que ela pudesse ter dormido com outro homem há algumas horas.
Ele levantou a mão como se fosse tocar-lhe o rosto e ela recuou. Os olhos dele brilharam perigosamente.
- Eu estou bem, Ichigo. Por favor, vá embora.
Ele olhou para ela por um longo tempo, com o rosto contraído, e por fim se afastou.
- Virei buscá-la às oito da manhã. Esteja pronta.
Ela assentiu. Ao chegar à porta, ele se voltou e falou em tom ameaçador:
- Ainda não terminamos, Orihime. Nem de longe.
P. S.: Nos vemos no Capítulo 7.
