Capítulo 05: A promessa

Já me preparava para partir quando ouvi sua voz me chamar: — Lobo.

Me virei para ele e encarei-o, não recebendo resposta. — O que foi? — questionei após um longo minuto de silêncio, sabendo que se ele me chamou, era porque havia um motivo para isso.

— Você disse naquele dia de noite que mesmo se nos afastarmos, ainda seremos amigos. Então você promete?... Promete que não importa o que aconteça, vai ser sempre meu amigo? — perguntou sério. Pela primeira vez desde que o conheci, falava realmente sério.

Me aproximei calmamente e segurei atrás de sua cabeça, puxando-o para mais perto e lhe abraçando. Foi a primeira vez que tomei a iniciativa de abraçá-lo, mas Naruto não hesitou em envolver meu quadril com seus braços e apoiar sua cabeça em minha barriga, parecendo confortável com meu ato de carinho.

— Eu prometo que vou ser seu amigo para sempre. Enquanto você quiser manter essa amizade, eu estarei lá por você... Mesmo que nos afastem, mesmo que alguém seja contra essa amizade e mesmo que existam dificuldades, nunca vou abrir mão da sua companhia... Ao menos não sem lutar e sou muito bom nisso — expliquei rindo e sendo acompanhado por ele que riu enquanto se afastava e encerrava o abraço.

— Obrigado — agradeceu antes de partir pelo caminho já conhecido e desaparecer pela trilha conhecida.

"Obrigado" aquela pequena palavra apesar de ser curta, me disse muita coisa. Eu quase podia ouvir todos os seus significados.

"Obrigado por ser meu amigo. Obrigado por me aceitar, por me ensinar, por ter confiado em mim e por ter me falado sobre você. Obrigado por existir". Apesar de ser uma única palavra, ela estava repleta de sentimentos, mas o que mais se destacava era alívio, algo como: "Que bom, parece que sentimos o mesmo".

— Pirralho idiota — disse com um sorriso divertido nos lábios. — Sou eu quem devia agradecer — confessei para ninguém em especial, sendo ouvido apenas pelas árvores e pelos animais. Porém me senti muito bem ao dizê-lo, porque graças a isso pude ver a verdade.

Eu me sentia grato, me sentia feliz, me sentia confortável e tudo isso graças ao Naruto. Eu achava que jamais experimentaria tais sentimentos, porém pelo Naruto eles apareceram. Eu gostava muito daquele garoto, já não havia mais dúvidas sobre isso, o problema era... descobrir que tipo de "gostar" era esse que eu sentia por ele.

Segui para o meu acampamento e os dias voltaram a passar, as vezes mais rápido do que eu queria e muitas vezes mais demorados do que eu gostaria.

Após colher frutas e ir buscar água, deitei-me debaixo de uma árvore e comecei a observar o pouco do céu azul que conseguia ver. Aquele dia parecia demorar três vezes mais do que o normal para anoitecer, talvez fosse o fato de eu não ter nada para fazer... ou a ausência de Naruto.

Mais quatro meses haviam se passado e agora era o final do ano, Naruto estava atarefado com provas e trabalhos e por isso não tinha permissão para sair. E isso é claro, não nos agradou, porém nem um de nós podia fazer algo sobre aquela situação, nada além de aceitá-la.

Quase uma hora se passou desde que me deitei, quando comecei a pensar em levantar e arranjar algo para fazer, senti uma presença me observar... uma presença humana.

— Quem está aí?! — perguntei ao me levantar imediatamente enquanto colocava a mão sobre o cabo de minha katana, pronto para empunhá-la se fosse necessário.

Segundos depois uma voz pôde ser ouvida não muito longe. — Não esperava menos de um ex-Anbu, suas habilidades parecem ser bem afiadas, jovem Hatake. Eu estou aqui apenas para conversar. Então... poderia por favor largar sua espada? — pediu educadamente enquanto saía de trás de uma árvore com as mãos erguidas, mostrando que não trazia armas consigo, um sinal de paz.

— Desculpe. Foi um reflexo — esclareci soltando a katana e relaxando a posição defensiva que havia assumido. — O que deseja conversar comigo... Senhor Namikaze? — perguntei também mantendo o tom cordial e respeitoso.

— Fico surpreso que saiba quem sou. Não me lembro de tê-lo encontrado antes — comentou com admiração e surpresa.

— O senhor e o Naruto são muito parecidos, é fácil perceber que são pai e filho — expliquei calmamente. Não havia a mínima chance de não reconhecê-lo, seu cabelo loiro levemente despenteado e olhos azuis que pareciam enxergar através da alma, transformavam-no em uma versão adulta de Naruto.

Enquanto olhava para o homem a quem não queria conhecer tão cedo, meu coração se acelerava dentro do peito. Eu não sabia o que ele estava fazendo ali, porém suspeitava da razão... e essa suspeita fazia meu coração doer silenciosamente.

— Entendo. Você parece estar bem informado, isso vai facilitar a nossa conversa. Mas antes de continuarmos gostaria de ver seu rosto, poderia tirar sua máscara? — pediu ainda falando calmamente.

Eu não gostava de ter que revelar meu rosto e queria muito negar o seu pedido, porém pelo bem da minha amizade com Naruto, optei por não recusar e acatei ao seu pedido.

— Você também se parece muito com seu pai. Se não fosse a diferença de idade, poderia afirmar que ele está em minha frente — brincou com um sorriso, tentando esconder sua mágoa.

— Obrigado por atender ao meu pedido. Agora eu vou ir direto ao assunto que me trouxe até aqui, embora você já deve saber do que se trata — disse-me sério.

—... Naruto — respondi sentindo meu coração doer ainda mais. Sentia como se uma faca tivesse sido cravada em meu coração no momento em que disse o nome dele.

— Sim... KakashiHatake, quero que se afaste do meu filho — ordenou em um tom sério, mostrando que não estava disposto a fazer negociações.

Aquelas palavras para mim eram como se ele tivesse segurado no cabo da faca e girado-a na ferida, fazendo a dor se tornar quase insuportável.