Capítulo 07: Você é o único em minha mente

Narração do ponto de vista do Naruto.

Impotente e com lágrimas nos olhos, não pude fazer nada a não ser vê-lo partir. Naquele dia eu percebi a dura realidade... Eu era só uma criança e nada podia fazer.

"Quando você tiver idade suficiente para lutar pelas suas escolhas"... tais palavras mostravam o meu ponto fraco e ao mesmo tempo me encorajavam a mudar.

Apesar de ainda ser jovem, não foi preciso mais do que alguns meses para que eu entendesse que a presença de meu pai naquele dia na floresta não era uma simples coincidência e que ele foi o motivo pelo qual Kakashi foi embora.

Cheguei a confrontar meu pai a respeito daquele dia e apesar de não conseguir saber sobre o que eles conversaram, descobri que ele realmente mandou meu amigo embora e o pior, ordenou a ele que nunca mais se aproximasse de mim.

Desde que a verdade sobre a conversa deles foi revelada, um sentimento diferente cresceu dentro de mim e esse sentimento chamava-se ódio. Mesmo sendo meu pai, eu o odiava, e apesar desse ódio ter diminuído com o passar dos anos... estava longe de desaparecer por completo.

Estava sentado na janela, com a cabeça encostada no vidro e olhando para a floresta que estava sendo encoberta pela fina chuva que caía do lado de fora. Olhar para aquela floresta era triste e ao mesmo tempo era uma fonte de felicidade, pois era ali dentro que estavam as minhas memórias mais felizes.

— Naruto, preciso falar com você. Posso entrar? — perguntou Minato pacientemente após dar uma leve batida em minha porta.

— Entre — permiti sem muito entusiasmo, enquanto não me movia ou sequer olhava em sua direção. Mesmo depois de sentir a sua presença ao meu lado, fiz questão de não desviar a minha atenção da janela, que na minha opinião merecia mais atenção do que meu pai.

— Diga logo o que quer — pedi sem paciência, querendo apenas ficar sozinho e lamentar o dia de hoje que cinco anos atrás separou-me de meu amigo.

— Desculpe por ter vindo te incomodar, só queria avisar que chegou uma carta com a data do teste para aprendiz de Hokage e suas regras — explicou de modo geral, acrescentando em seguida algumas informações:

— O teste desse ano será atravessar uma floresta em dois dias e duas noites. Ainda não sei qual será a floresta, entretanto ouvi comentários de que é extremamente perigosa — comentou com tom preocupado.

— Uma floresta... chega a ser hilário — Sorri de modo divertido, fazendo-o me repreender ao ver o meu sorriso pelo reflexo da janela.

— Isso não é uma piada! Você pode morrer, está me escutando?! — Seu tom de voz começava a aumentar, tentando como sempre impor a sua autoridade como Hokage. Mas como sempre, eu o ignorei.

— E quais são as regras? — perguntei finalmente encarando-o e esperando por sua resposta que veio com um pouco de raiva.

— A maioria delas são sobre a quantidade de objetos e armas que você pode levar consigo, te darei a lista depois. A única regra que merece atenção é a primeira, ela diz que como parte do teste e como uma medida de precaução, os escolhidos devem ir acompanhados de seus pais. Mas como eu sou o Hokage, a minha participação foi considerada "injusta", então a sua mãe irá te acompanhar — explicou novamente com raiva, porém ela não estava sendo direcionada a mim, ele estava com raiva por ser forçado a aceitar uma decisão.

— Sem problemas — respondi calmamente e completei: — Eu já esperava que eles fossem me colocar em desvantagem, pois os membros do conselho não me querem como um aprendiz.

— Enquanto eu só fui avisado agora, os outros competidores já devem saber sobre a floresta há tempos e já devem estar se preparando. Além disso, levar a mamãe comigo que não possui habilidades de combate, vai ser um fardo comparado aos outros que levarão consigo um pai altamente treinado.

— Se você sabe de tudo isso, como pode dizer: "sem problemas"? — perguntou parecendo incrédulo, enquanto interrompia a minha explicação anterior.

— A verdade é que se fosse outra prova até estaria mais preocupado, mas... atravessar uma floresta é como brincar no jardim de casa, tenho confiança de que não terei problemas. Eu aprendi muito com Kakashi no tempo em que estivemos juntos. Pelo menos uma vez, confie nele — pedi surpreendendo-o.

— Certo... — afirmou com aquela expressão de culpa e tristeza que frequentemente via em seu rosto quando o nome do meu amigo era mencionado.

Isso acontecia desde três anos atrás quando brigamos novamente sobre a sua decisão de me afastar do Lobo e ele descobriu que Kakashi foi honesto comigo e que eu sabia sobre seu passado. Nesse dia ele percebeu o erro que cometeu e tem tentado repará-lo, isso tem sido de grande ajuda.

Afinal a ideia de virar um aprendiz de Hokage veio dele. "Um Hokage tem muitos deveres, mas também tem muitos privilégios. Um deles diz que: Ser um aprendiz te dá o direito de possuir um guarda-costas e este pode ser qualquer um de sua preferência". Essas palavras me deram uma esperança e uma meta, era a minha chance de tê-lo novamente ao meu lado.

— Sabe Naruto, nunca quis que você se tornasse um Hokage, pois queria que você levasse uma vida normal. Saber que eu ter separado vocês dois te levou a esse caminho, faz com que minha culpa aumente ainda mais — comentou meu pai enquanto olhava através da janela para a floresta que sempre estaria ali para lembrá-lo da sua culpa.

— Assim como o jovem Hatake me disse naquele dia, eu cometi o maior erro da minha vida e nunca vou poder repará-lo por completo — disse para a minha surpresa, olhando para mim e completando com tom sério: — Por isso não se atreva a morrer antes de me perdoar.

Sorri discretamente e voltei a olhar para a floresta — Não se preocupe, não vou morrer tão facilmente — disse a ele enquanto acrescentava em meus pensamentos: "Não vou morrer sem ter encontrado aquele homem novamente".

Após isso ele deixou meu quarto e voltei a me concentrar apenas na floresta, que felizmente estava mais visível devido a chuva que havia cessado. Aquela área parecia sem vida desde que ele se foi, mas hoje um brilho diferente a rondava, era como se ela mesma me dissesse: "Você está quase lá. Em breve poderá vê-lo novamente."

— Em breve — disse a mim mesmo, não contendo um sorriso que foi outra vez refletido na janela de vidro... um sorriso feliz, criado pela lembrança do seu abraço.