Capítulo 10: Percebendo a verdade
Depois que ele se foi, fui cercado pelos rapazes e confrontado com perguntas, perguntas essas as quais respondi com:
— Aquele que quiser saber a resposta para a sua pergunta, entre no ringue comigo e me acerte um golpe — sugeri com um sorriso no rosto enquanto via todos me darem as costas e não insistirem mais, afinal mesmo depois de anos ali, não perdi uma única luta naquele lugar.
O restante daquele dia e o dia seguinte se passaram mais devagar do que eu esperava e aumentavam a minha ansiedade em fazer a viagem. Por fim, tudo se resolveu e eu estava pronto para partir, agradeci ao Kayne pela oportunidade que me deu e me despedi dos rapazes com a certeza de que nunca mais voltaria ali, pois apartir daquele momento o meu lugar era ao lado de Naruto.
Quando desembarquei do avião encontrei uma pessoa a minha espera, que para a minha surpresa era uma mulher. Uma mulher aparentemente jovem de longos cabelos ruivos que segurava uma placa com meu nome e parecia me conhecer, pois assim que me viu começou a caminhar em minha direção.
— Prazer em conhecê-lo, Kakashi. Eu sou Kushina, mãe do Naruto — esclareceu com um sorriso assim que chegou a mim, estendendo sua mão em um gesto amigável.
— O prazer é meu — respondi apertando sua mão antes de irmos até um carro que nos aguardava. Sentados lado a lado no banco de trás, iniciamos uma conversa amigável.
Diferente de Minato, ela era alegre, espontânea e honesta, ficou claro que a personalidade de Naruto era muito parecida com a sua. Falou-me sobre o teste do qual participou, sobre estar grata pelo tempo em que passei com Naruto durante sua infância e pediu desculpas pelo que seu marido fez a mim no passado.
— Durante os últimos cinco anos, não vi nada a não ser tristeza no olhar do Naruto, tristeza essa que desapareceu nos últimos dois dias. Por isso agradeço muito por você estar aqui e farei qualquer coisa que puder para evitar que algo os separe outra vez... Em outras palavras: Se meu marido aprontar alguma coisa, me avise — encerrou dando-me uma piscada de olho, fazendo-me sorrir.
Era realmente uma mulher fantástica e muito divertida, durante o percurso conversamos bastante e percebi que iríamos nos dar muito bem. Quando chegamos na sua mansão, Naruto e Minato me esperavam na sala de estar.
Sentado ao lado do garoto, que já não era mais um pequeno garoto, assinei um contrato oficial dos meus serviços e recebi uma bandana com um símbolo de uma folha, que mostrava que estava trabalhando para o Hokage. Depois recebi algumas instruções sobre até aonde ia a minha autoridade e o que não podia fazer, nada que já não tivesse ouvido antes.
Evitei ao máximo falar com Minato. Na verdade, evitei até mesmo olhá-lo, pois tinha medo de ceder a vontade de dar-lhe um soco que permaneceu desde aquele encontro na floresta cinco anos antes.
Conversamos um pouco enquanto estávamos na sala, mas o clima estava tenso, então kushina resolveu intervir.
— Naruto, por que não leva o Kakashiaté o seu quarto? Vocês devem ter muito o que conversar. Eu os chamo para jantar — sugeriu com um sorriso, enquanto Minato mostrava seu descontentamento com uma expressão de desagrado, apesar de não mostrar esse desagrado com palavras.
Aceitando sua sugestão nós nos retiramos e subimos as escadas até o segundo andar, depois de passar por uma dúzia de portas chegamos até o nosso destino. A simples porta branca revelou um magnífico quarto, pouco mobiliado, com muito espaço e um toque feminino na decoração.
— Foi minha mãe quem organizou o quarto. Desde que descobriu que estava grávida ela esperava uma menina — explicou-me o fato de seu quarto parecer o de uma garota, enquanto íamos nos sentar na cama que se encontrava no centro de todo aquele espaço. — No começo me incomodava, mas desisti de tentar mudar e apenas aceitei, afinal não é algo tão sério.
— Eu não tenho nada contra um pouco de rosa, alguns laços e ursos, mas devo avisar... talvez seus amigos e colegas não pensem assim — avisei preocupado com suas amizades, enquanto me sentava na cama junto a ele.
— Eu não tenho muitos amigos, e mesmo os que tenho não trago ao meu quarto. Ah! falando em quarto, quero te mostrar algo. Deite aqui — pediu se deitando no meio da cama e dando um tapinha ao seu lado, indicando que queria que eu fizesse o mesmo.
— O que você vê? — perguntou alegre, assim que me deitei ao seu lado e nós começamos a observar uma pintura feita no teto. Admirei com atenção a pintura de uma paisagem vista de cima e só depois de muitos minutos percebi do que se tratava.
— É a floresta — respondi chocado.
— Depois que você foi embora, não quis mais ir até ela. Mas ao mesmo tempo não queria afastá-la de mim... Essa foi a solução que achei — disse-me com uma voz triste, parecendo se lembrar de algo doloroso.
— Desculpe por ter partido — pedi sem saber o que dizer, recebendo em resposta outro abraço. Dessa vez ele deitou-se sobre mim e me abraçou pelo pescoço, novamente fiquei surpreso e um pouco desconfortável, mas novamente não o afastei, porque me sentia feliz.
— Não se desculpe. O único que deveria fazer isso é meu pai — afirmou se apertando mais contra mim, exatamente como naquele dia.
Era um pedido mudo que me pedia para não partir, para não abandoná-lo. Fiquei sem palavras por alguns segundos e quando resolvi me pronunciar, fui interrompido por uma aura assassina. Tudo ocorreu muito rápido, se tivesse sido cronometrado, não daria mais do que dois segundos.
Senti uma forte intenção assassina que vinha do lado de fora da janela do quarto. Em seguida e agindo imediatamente, passei o braço ao redor da cintura de Naruto e rolei para fora da cama, caindo de costas no chão e já invertendo nossas posições e protegendo-o com o meu corpo. No mesmo instante um grande tiroteio se iniciou, destruindo todo o quarto e espalhando estilhaços de vidro para todos os lados.
Em uma pequena pausa nos tiros que foi feita para recarregar as armas, resolvi novamente agir. Agachei-me ao lado da cama e com um impulso me levantei e virei a cama de casal ocultando a nossa visão da janela. Logo depois puxei Naruto pela mão, levantando-o e correndo em direção a porta enquanto os tiros voltavam a atingir o quarto onde felizmente não estávamos mais.
Assim que perceberam que não estávamos mais dentro do cômodo, os tiros cessaram e houve um grande tumulto do lado de fora, os culpados haviam sido localizados e capturados. Escorei Naruto na parede para que pudesse se apoiar e continuei segurando sua mão que tremia levemente. Não demorou nem meio minuto e Minato apareceu com seis de seus homens armados.
— Naruto! Você está bem? O que houve? — perguntou Minato desesperado no minuto em que chegou até nós.
— Estou bem, mas não sei o que aconteceu... Estávamos deitados na cama e quando percebi já estava no chão e atiravam em nós — explicou honestamente, fazendo Minato olhar para mim com gratidão. Não precisava ser um gênio para entender que se eu não tivesse agido rápido, estaríamos mortos agora.
— Obrigado. Parece que enfim teremos algo para conversar. Mas por hora trate o seu ferimento — disse-me calmamente, fazendo Naruto se concentrar no meu braço e ver o corte causado por um pedaço de vidro que caiu sobre mim. — Naruto, leve-o até a enfermaria — ordenou Minato antes de entrar no quarto com os demais.
Sem dizer uma palavra e com o olhar baixo, ele seguiu na frente guiando-me pela mão, descemos as escadas até o primeiro andar e depois descemos ainda mais, a enfermaria era praticamente todo o subsolo que revelou-se ser imenso. Ele me levou até um pequeno sofá de couro e me sentou ali, antes de pegar uma caixa de primeiros socorros e tratar o meu ferimento. Após cortar a manga da camisa que eu usava, limpar a ferida e fazer um pequeno curativo, ele se pronunciou:
— Desculpe por fazer você se machucar e obrigado... — Naruto estava sentado ao meu lado, por isso não foi difícil me alcançar, ainda assim fiquei surpreso ao receber um beijo no rosto. — Obrigado por salvar minha vida — encerrou com o rosto levemente corado antes de se afastar e olhar-me nos olhos.
Era um olhar que não conseguia decifrar.
— Disponha — respondi sentindo meu coração novamente acelerar e agora entendendo o motivo. Até aquele momento eu ainda não havia me dado conta de algo... Porém Naruto não era mais uma criança e isso significava que a nossa relação iria mudar, assim como nossos sentimentos.
Eu ainda o considerava meu amigo e isso não iria mudar, mas agora não havia motivos para ter uma restrição no tipo de "gostar" que eu sentia por ele. Isso significava que na atualidade... não era errado amá-lo.
