Capítulo 12: Nunca mais vou deixá-lo beber

A festa teve início às sete da noite e antes do relógio alcançar oito horas já estavam todos presentes. Naruto circulava entre os convidados bem vestidos com um sorriso no rosto, enquanto eu o observava de uma distância segura. Recebi muitos olhares curiosos e olhares temerosos, por isso e felizmente, ninguém se aproximou de minha presença.

Enquanto vigiava Naruto, vi de relance uma jovem mulher com um vestido exageradamente provocante, ela conversava com Minato e exibia um sorriso ansioso. Depois que o Hokage deixou a sua companhia, pude vê-la observando-o, como um predador que observa a sua presa. Um predador esperando para cortar a sua garganta.

Pensei em avisar alguém, mas queria ter certeza antes, então preparei um pequeno teste. Usando a minha experiência em infiltrações, me movimentei pelo salão até ficar em um ponto fora do seu campo de visão. Depois peguei uma das taças de vinho que estavam sendo servidas pelos garçons e cheguei um pouco mais perto, ficando cerca de três metros atrás dela e então soltei a taça que foi diretamente ao chão.

Com o barulho do estilhaçar do vidro, todos me encararam com expressões surpresas enquanto ela me olhou assustada, levando inconscientemente sua mão dominante até em cima da sua coxa esquerda, onde provavelmente estava sua arma. Apesar de ser uma assassina, era uma iniciante ou possuia pouca experiência em situações reais, eu podia ver através de suas ações.

— Me desculpem, sou um pouco desastrado — pedi antes de me abaixar e começar a recolher os pedaços de vidro. Logo a seguir uma das empregados se aproximou e tomou o meu lugar. — Quando terminar, vá até o Hokage e diga a ele para vir falar comigo — pedi discretamente a moça antes de voltar ao meu lugar.

Encontrei Naruto me esperando escorado em uma das paredes, com um copo de vinho na mão e bochechas levemente coradas... parecia estar começando a sentir os efeitos da embriaguez. — Você ainda é menor de idade, não devia beber — avisei enquanto tirava a taça de sua mão e recebia um olhar de desaprovação.

— Parece que o Naruto está bêbado, ele é fraco para o álcool. Devia levá-lo para o quarto — sugeriu Minato assim que chegou até nós e olhou seu filho. — O que quer falar comigo? — perguntou visivelmente preocupado.

— Alguém vai tentar matá-lo essa noite, consegue se defender? — perguntei em um sussurro para que só ele me ouvisse, aproveitando o fato de que Naruto estava concentrado em se manter de pé.

— Como sabe que alguém vai tentar me matar? — perguntou parecendo ter dúvidas.

— Você não respondeu a minha pergunta — insisti friamente.

— Se eu souber de quem virá o ataque e quando, posso facilmente cuidar de mim mesmo — respondeu de má vontade.

— Ótimo. Vê a garota de vermelho, ela possui uma adaga ou arma de fogo escondida sob o vestido e vai tentar matá-lo dentro dos próximos dois minutos — avisei, recebendo um olhar de incredulidade.

— Você confia em mim? — perguntei percebendo um pouco de hesitação antes de ele acenar a cabeça em confirmação. Não era uma confiança completa, mas ao menos ele parecia disposto a me ouvir hoje, isso já era um avanço em nossa "relação" e por enquanto era o suficiente.

— Certo. Então prepare-se — pedi enquanto dava alguns passos para trás e me virava, ficando próximo aos convidados e dizendo em voz alta: — Senhoras e senhores, gostaria da atenção de todos por um momento — pedi recebendo a atenção dos convidados.

— Tenho certeza que a maioria de vocês me conhece ou ouviu falar sobre mim, mas vou fazer uma breve apresentação, apenas para garantir. Me chamo Kakashi Hatake, ex-Anbu e atual guarda-costas de Naruto Uzumaki. Para quem não sabe, também atuo como guarda-costas do Hokage em ocasiões especiais, como hoje, e gostaria de dar um aviso — comecei, mentindo descaradamente e recebendo muitos olhares curiosos e nervosos.

— Eu sei que há um assassino presente nesta sala e que visa tirar a vida do Hokage. Estou lhe dando uma chance de se entregar para que continue com vida. Eu não sou um homem muito paciente, então estou lhe dando dois minutos. Vou retirar o Naruto do salão e quando voltar, vou te matar — ameacei em tom alto e sério, não olhando para ninguém em particular. — E esteja ciente, não me importo em matar mulheres — encerrei, ouvindo muitas conversas se iniciarem enquanto dava-lhe as costas.

— Do que está falando? — perguntou Naruto confuso assim que cheguei novamente em sua frente e enquanto passava seu braço atrás de meu pescoço para ajudá-lo a andar e ir para fora do salão.

— Não é nada, apenas uma mentira — sussurrei baixinho antes de olhar Minato e vê-lo concentrado e pronto para uma briga, era um bom sinal.

Andei por cerca de um minuto e quando já chegava até as escadas ouvi gritos, um disparo de arma e uma grande confusão, ouvi então a voz de Minato mandando prendê-la e percebi aliviado que tudo havia dado certo. Em seguida continuei o meu caminho até o quarto, carregando um Naruto quase inconsciente nos braços.

— O que estamos fazendo aqui?... E a festa? — perguntou ainda confuso depois que o coloquei sentado na cama, parecendo mais sóbrio depois de ter "cochilado" durante o caminho.

— Você precisa descansar, pois bebeu demais — informei sentando-me ao seu lado.

— Kakashi... Estamos sozinhos?... A porta está trancada? — perguntou em um tom baixo, com um leve tremor na voz.

— Sim, estamos sozinhos. E como todas as noites, a porta está trancada — confirmei tentando entender o motivo pelo qual eu estava me sentindo tão ansioso naquele momento, porém antes de descobrir o motivo da minha ansiedade, ela transformou-se em nervosismo.

Em um movimento rápido demais para alguém que estava bêbado, Naruto empurrou-me na cama e sentou-se sobre mim, ficando de frente para a minha posição. Ao sentir meu corpo ser empurrado, em um reflexo apoiei meus braços na cama e evitei deitar. Me mantive meio deitado e meio sentado enquanto tentava encarar seus olhos, mas antes que eu conseguisse vê-los, fui distraido quando ele começou... a tirar a camisa!

— Naruto...? O que está fazendo? — perguntei "tentando" manter a calma.

— Estou fazendo o que eu quero fazer desde que te reencontrei — sussurrou com uma voz quase inaudível e extremamente sexy, antes de baixar minha máscara e... me beijar.

Seus lábios eram macios, seu beijo era desesperado, seus movimentos eram inexperientes e suas intenções... muito claras. Ele retirou a minha bandana e depois colou seu corpo ao meu enquanto me abraçava por cima dos ombros. Eu sabia aonde aquilo acabaria se eu não o impedisse, pois seu corpo e seu beijo deixavam claro o que queria. Mas para a minha surpresa, descobri que queria o mesmo que ele e antes de parar para pensar em minhas ações já estava retribuindo-o.

Com um braço envolvendo sua cintura e uma mão atrás de sua cabeça, me deixei levar pelo momento e o beijei como se não houvesse um amanhã. Introduzi minha língua em sua boca e senti o leve gosto de vinho que ainda permanecia ali, fazendo-me lembrar de algo muito importante.

Naruto estava bêbado.

Direcionei minhas mãos até seus ombros e o afastei levemente, interrompendo nosso beijo. — O que foi? Você não gostou? — perguntou preocupado, se afastando o suficiente para que pudesse me olhar nos olhos.

— Eu gostei, mas você está bêbado e não tem consciência do que está fazendo. Por isso vamos parar por aqui — avisei seriamente, tentando me levantar e sendo impedido por ele que se agarrou novamente ao meu pescoço e voltou a me abraçar.

— É verdade que bebi um pouquinho demais. Porém estou ciente dos meus atos. E a bebida não vai interferir nos meus sentimentos e certamente não mudará o fato de que te amo — afirmou antes de voltar a me beijar, surpreendendo-me novamente.

— Naruto... — Afastei-o outra vez e agora usei minha força para mantê-lo longe.

— Não me afaste — pediu enquanto olhava diretamente em meus olhos, suas palavras carregadas de tristeza quase me fizeram ceder outra vez, porém eu estava confuso demais para aceitar toda aquela situação.

— Desculpe — pedi deslizando minha mão de seu ombro e indo até seu pescoço, com a pressão certa vi uma leve expressão de dor em seu rosto antes dele perder a consciência e cair sobre mim.

Com cuidado peguei-o no colo e o coloquei na cama, lhe cobri com o cobertor e me afastei, olhando para o seu rosto adormecido e suspirando pesadamente ao me lembrar do que havia acontecido segundos antes.

Em seguida me afastei, verifiquei novamente a porta trancada e a janela, que agora era á prova de balas, depois fui para o banheiro. Retirei minhas roupas, deixando minha cueca, minhas calças e uma kunai estrategicamente posicionadas, caso precisasse delas rapidamente em um ataque surpresa. Em seguida entrei no box, abrindo a porta de correr feita de vidro e liguei o chuveiro.

Com as mãos na parede de piso e a água morna sobre minha cabeça, tentava decidir o que resolvia primeiro: A confusão em minha mente causads pela confissão ou a excitação em meu corpo causada pelo resto.

Eu não sabia se o que ele disse era verdade ou não, mas tinha certeza de duas coisas. Eu definitivamente o amava... e o desejava.

E o manteria longe de bebidas alcoólicas... só por precaução.