Capítulo 13: Assassino conhecido
Após resolver o problema físico, saí do banho e me preparei para dormir, porém o sono demorou a vir e durante esse tempo não consegui parar de pensar em como seria o dia de amanhã.
Não lembro quando enfim dormi, mas pela manhã senti um leve toque em meu ombro, consciente de que Naruto dormia do outro lado, acordei imediatamente erguendo a kunai até o pescoço do intruso que mostrou-se ser... Minato.
— Há um motivo para eu manter a porta trancada. O que está fazendo aqui? — perguntei irritado, mas em um tom baixo para não acordar Naruto, enquanto retirava a adaga que estava a centímetros de sua garganta.
— Desculpe. Eu chamei, mas não houve respostas, então achei melhor entrar e chamar pessoalmente — explicou enquanto mostrava seu medo por minha ira, dando um discreto passo para trás e colocando alguma distância entre nós.
— Não faça isso novamente. E diga logo o que quer — pedi sem paciência, me sentando na cama e tomando cuidado para não fazer barulho. Quando já estava de pé ouvi sua explicação.
— Estou fazendo uma reunião geral com os segurança da casa e meus guardas pessoais... Gostaria de ter a sua presença na reunião — pediu nervoso, só não sei se o nervosismo era por eu quase ter arrancado a sua cabeça ou por precisar me pedir algo.
— Eu vou, se prometer nunca mais entrar no quarto sem autorização — respondi em tom frio e ele afirmou com um balançar de cabeça.
— Tudo bem, nesse caso me juntarei a vocês em dez minutos. Até lá traga alguém para ficar no meu lugar — esclareci em tom sério, novamente ele aceitou sem queixas ou reclamações e logo se retirou.
Após vestir o meu colete e bandana, verifiquei minhas shurikens e kunais e depois fui acordar Naruto. Sua expressão ao levantar dizia que estava com dor de cabeça, provavelmente ressaca. Coloquei-o no banheiro e pedi para que tomasse um banho, enquanto esperava pacientemente pela volta de Minato que trouxe consigo três de seus melhores homens.
— Pedi uma pessoa, não três — disse confuso, assim que todos entraram.
— Uma única pessoa não pode substituir suas habilidades — explicou o Hokage. Pensei ter ouvido errado, mas aquilo definitivamente se parecia com um elogio. Ele elogiou minhas habilidades e isso era inacreditável.
— Certo... — afirmei ainda atordoado pelo elogio súbito. — Naruto está no banho, não deixem ninguém entrar nesse quarto até que eu volte — instrui calmamente antes de ir até a porta do banheiro e dar uma leve batida, avisando-o:
— Naruto, estou saindo. Vou em uma reunião com seu pai, não saia do quarto até eu voltar, entendeu?
— Entendi... não demore — pediu no momento em que o chuveiro foi desligado.
— Tudo bem — concordei antes de deixar o quarto junto com Minato. Andamos em silêncio durante todo o percurso até a sala de reuniões no primeiro andar, na parte de trás da mansão.
Quando entramos, percebi a presença de cerca de vinte homens, sete deles estavam sentados em uma mesa oval onde eu e Minato também sentamos. Quanto aos outros, eles nos observavam escorados na parede e ao redor da mesa, apenas acompanhando o debate.
A reunião começou com algumas discussões sobre como fortalecer a segurança da casa e depois o tópico da conversa mudou e eu fui incluído.
— Senhor Hatake, agradeço sua ajuda na festa. Nem um de nós percebeu que aquela jovem era uma assassina, a não ser você. Para evitar que algo semelhante aconteça no futuro, pode nos dizer como a identificou? — pediu um homem alto e forte, moreno e na casa dos quarenta anos, ele tinha aura de liderança.
— Dizer como eu a identifiquei não irá ajudá-los, pois nem um de vocês tem treinamento para fazer o que eu faço — respondi friamente.
— Vamos tentar, por favor — continuou insistindo sem dar ouvidos ao meu aviso. Com pressa para voltar ao quarto e esclarecer com Naruto o que aconteceu ontem, simplesmente disse tudo de uma única vez.
— Enquanto eu observava Naruto andar pelo salão, vi ela conversando com Minato. Seu sorriso estava ansioso e sua roupa exageradamente provocante para uma festa de aniversário. Normalmente o melhor jeito de se esconder das suspeitas é estando a mostra, então a observei com mais cuidado. Depois que Minato se afastou, pude vê-la observando-o e suspeitei de suas ações — comecei vendo-os completamente atentos as minhas palavras.
— Para confirmar as minhas suspeitas, me aproximei pelas suas costas e derrubei uma taça de vidro no chão. O barulho atraiu a sua atenção e a assustou, fazendo-a se descuidar e por reflexo ou autopreservação, levar a sua mão até onde estava sua arma. Após este teste tive certeza de que era uma assassina, e pelo medo e ansiedade que emanava não devia ter muita experiência, então me aproveitei disso na fase seguinte.
— Quando fiz meu discurso, fiz questão de dizer quem era, sendo uma assassina ela já devia ter ouvido meu nome, o que fez com que a minha ameaça de morte tivesse mais efeito. A cartada final foi eu dizer que não tinha problemas em matar mulheres. Se ela por um momento tivesse se achado segura por ser mulher, essa segurança lhe escapou entre os dedos.
— Ao lhe dar dois minutos, lhe pressionei e manipulei para que atacasse, pois se não tentasse naquele momento, nunca mais teria outra chance — encerrei recebendo um breve minuto de silêncio de todos ali presentes. Cruzei meus braços e olhei para o homem que havia me feito a pergunta, ele percebeu a minha impaciência e voltou a se pronunciar, quebrando o silêncio que seus colegas ou subordinados haviam iniciado.
— Você tinha razão, acho improvável que um de nós consiga ser tão observador, mas acho possível aprender a identificar um assassino. Bom... essa é apenas a minha opinião. Voltando ao assunto da festa, gostaria de lhe fazer algumas perguntas, tudo bem?
— Três perguntas e depois vou embora — esclareci para sua surpresa.
— Mas...
— Três perguntas ou nem um — cortei suas reclamações antes que se iniciassem. O meu trabalho era proteger Naruto e não ajudá-los, por isso não faria nada que não quisesse fazer, e o homem logo entendeu isso.
— Por que tinha certeza de que ela já ouviu falar do seu nome? Não acha muita arrogância da sua parte pensar que todos te conhecem? — perguntou sem mais reclamações, porém com um pouco de inveja e desdém camuflados em sua voz.
— O simples fato de ser um assassino, significa que você corre perigo. O jeito mais fácil de se livrar de um assassino é com outro, então conhecer outros assassinos é um modo de viver mais — expliquei o óbvio.
— Apesar de não estar mais nesse ramo, eu fui um assassino dos onze aos quinze anos, participei de quinhentas e doze missões sem nunca falhar e matei mais de 2.000 pessoas. Então sim, eu tinha certeza de que ela me conheceria. E sim, todos os assassinos me conhecem, isso não é arrogância é um fato.
Terminei olhando para ele com raiva e vendo em seus olhos o medo, ele estava começando a temer por sua vida e devia estar, pois eu estava começando a ficar realmente irritado.
— Certo... Responda mais uma, por favor — pediu agora mais respeitoso. A minha resposta anterior parecia tê-lo ensinado a me respeitar. — Você disse que suspeitou dela depois de vê-la observando o Hokage, como pôde descobrir que ela era uma assassina apenas com isso?
— Seu olhar possuia uma leve intenção assassina, apesar dela ter tentado ocultar, pude facilmente perceber. Se fosse fazer uma comparação... seria a de um tigre olhando um coelho indefeso.
— Como aprendemos a identificar esse olhar? — perguntou enquanto eu já me levantava.
— A habilidade de perceber e sentir intenções assassinas não pode ser ensinada, ela é adquirida através de um intenso treinamento. E antes que pergunte, não. Seus homens não podem fazê-lo, o treinamento é centrado na tortura e menos de 5% dos que começam, sobrevivem a ele.
— Em vez de se preocupar em encontrar assassinos, concentre suas buscas em encontrar informantes. Comece investigando todos exceto a mim, Naruto, Minato e Kushina, todos que frequentam a casa. Se não encontrar no mínimo duas pessoas com um histórico suspeito ou problemas no passado, sugiro que troque de emprego, pois não serve para proteger pessoas — encerrei já dando-lhe as costas e saindo daquela reunião.
Hoje era um dia daqueles, eu estava com raiva, irritado e com dor de cabeça. E tinha um adolescente me esperando no quarto... O mesmo que me "atacou" na última noite.
