Capítulo 14: Um acordo feito entre quatro paredes
Voltei ao quarto, dispensei os outros guardas e encontrei Naruto sentado na cama me esperando. Depois que eles se retiraram, andei até a janela e olhei para a floresta enquanto respirava fundo e tentava me acalmar.
Senti Naruto vir até mim e me abraçar pelas costas, mas não me movi, apenas aproveitei o calor do seu corpo para relaxar. Alguns minutos se passaram até que eu me acalmei, percebendo isso ele se pronunciou:
— Eu falei a verdade quando disse que te amo — sussurrou, como sempre me surpreendendo e deixando claro que realmente estava ciente de seus atos quando me beijou.
— Não era assim que eu pretendia me declarar, mas... parece que o vinho não sabia disso — brincou tentando aliviar a tensão que estava sentindo, tensão essa que fazia com que seus braços me apertassem mais ao meu redor.
— Então a pessoa por quem está apaixonado, sou eu? — perguntei gentilmente, tentando controlar minha voz para não deixar transparecer o meu nervosismo naquele momento.
— Sim... Me desculpe — Sem conseguir se conter, ele começou a chorar, mostrando-me o medo que sentia naquele momento.
Ele sentia medo de ser rejeitado e provavelmente estava se sentindo culpado por nutrir esse tipo de sentimento por mim, que além de ser homem, era seu amigo. Seu choro angustiado me levou de volta no tempo para cinco anos atrás quando nos separamos. Ele estava sofrendo no presente, tanto quanto naquele dia e eu não podia suportar, pois a sua dor era a minha dor.
Decidido, me soltei de seus braços e me virei para ficar de frente para ele, ergui minhas mãos e enxuguei suas lágrimas, pedindo com aquela ação que ele parasse de chorar.
Um longo minuto depois ele parecia mais apresentável e até sorriu de maneira envergonhada por ter chorado em minha presença. Porém nada disse, apenas usei uma de minhas mãos para fazer um carinho em seu rosto e com a outra abaixei a minha máscara, aproximando meu rosto dele lentamente e beijando-o.
Em seguida segurei em sua cintura e empurrei-o alguns passos para a direita, colocando-o contra a parede e deixando-o longe da janela. Apesar de confuso, ele retribuiu o beijo enquanto deixava suas mãos apoiadas em meu peito. Quando separei nossos lábios, me abaixei e encostei minha testa na sua enquanto tentava respirar de modo mais calmo.
— Escute com atenção: Não peça desculpas, pois se você está fazendo algo errado ao me amar, eu estou cometendo o mesmo erro, porque também te amo. Amo mais do que imaginei ser possível amar alguém — confessei vendo sua surpresa. — Mas por mais que eu te ame, não podemos ficar juntos, ao menos... não por enquanto — expliquei atraindo a sua curiosidade.
— Quanto tempo terei que esperar? — perguntou visivelmente chateado.
— Não posso te dar uma data especifica, mas será até que os problemas sejam resolvidos, no mínimo um ou dois anos.
— Acho que não consigo resistir tanto tempo — disse-me enquanto passava de leve o seu polegar sobre o meu lábio superior e me direcionava um olhar de puro desejo.
— É, eu também tenho minhas dúvidas — respondi vendo um sorriso surgir em sua face, sorri junto com ele antes de acrescentar:
— Não disse que não podemos nos beijar ou aproveitar a companhia um do outro, mas não podemos deixar que ninguém saiba sobre nosso envolvimento e nem mesmo podemos mudar o modo como nos tratamos, entendeu? — perguntei encarando seus olhos seriamente.
— Certo. Então será como um namoro às escondidas, é isso? E eu posso te beijar sempre que quiser? — perguntou, parecendo se divertir com a ideia do namoro escondido.
— Se é isso o que realmente quer... Sim, estamos namorando. Porém ninguém pode ficar sabendo, pelo menos por enquanto — Fiz questão de mencionar aquela condição novamente e ele acenou com a cabeça em concordância.
— E sim, você pode me beijar sempre que quiser. Desde que ninguém esteja vendo e desde que você esteja vestido, pois não tenho um bom auto controle — encerrei vendo-o rir.
— Tudo bem, sem tirar a roupa... por enquanto — sussurrou perto do meu ouvido, fazendo os pelos de meu pescoço se arrepiarem antes dele voltar a me beijar. Um beijo mais calmo, mas que ainda continha o nosso desejo.
— Naruto, você está atrasado para a aula de combate — avisou Kushina após dar uma leve batida na porta, nos surpreendendo. Afastei-me de sua boca e de seus braços, terminei de enxuguar suas lágrimas quase secas e lhe dei um último selar de lábios, vendo aquele belo sorriso de felicidade.
— Você parece feliz — comentei enquanto a felicidade dele se tornava a minha.
— Muito — admitiu se aproximando e roubando-me mais um selar de lábios, rindo pelo roubo bem sucedido. Em seguida nós saímos e fomos para o pátio, lá Naruto iniciou seu treinamento e eu o observei de longe.
Enquanto eu o observava, pensei sobre minhas ações e sobre se tinha ou não tomado a decisão certa. Afinal ele era a pessoa mais importante do mundo para mim, e um relacionamento sob as circunstâncias atuais podia acabar nos afastando ou nos matando.
Mas eu não podia fazer nada mais. Mantê-lo ao meu lado era um risco e ao mesmo tempo o único jeito de protegê-lo. Beijá-lo e tocá-lo era perigoso, mas ao mesmo tempo era o melhor modo de controlar nosso desejo, amá-lo era um pecado e ao mesmo tempo, era uma dádiva.
Diferença de idade, diferença de posições sociais, ambos homens, um passado que nunca me deixaria livre, um pai super protetor, um empregado e seu contratante, uma amizade antiga... Muitas diferenças e problemas nos separavam e apenas o amor e o desejo nos unia, mas para mim era o suficiente... agora o resto só dependia dele.
