Capítulo 15: Sexo é um assunto muito sério

Dois meses se passaram, dois tortuosos meses.

— Kakashi, o que você acha dessa roupa? — perguntou Naruto escorado na porta do banheiro, vestindo apenas uma cueca extremamente colada.

— Você chama "isso" de roupa. Em que ocasião pretende usar? Um jantar de gala, talvez? — brinquei sem conter o riso.

— Vou usar para dormir com meu namorado — respondeu com um sorriso travesso, vindo até mim que estava parado em frente a cama e me abraçando pelo pescoço

— Por acaso está tentando me seduzir? Porque se for, está funcionando — Retirei minha máscara e beijei seu pescoço enquanto abraçava a sua cintura com ambos os braços, colando seu corpo ao meu. Quando afastei um pouco meu rosto, senti suas mãos conduziram meus lábios até os seus.

— Nada de beijos sem roupas — adverti enquanto me afastava um pouco.

— Você disse que eu não podia tirar a roupa enquanto te beijava, e não que não podia te beijar enquanto estivesse sem roupas — defendeu-se usando de minhas palavras. Ele realmente era um garoto esperto e inteligente... até demais.

— Certo, boa tentativa. Agora vá se vestir ou vai se atrasar para tomar o café da manhã com seus pais — avisei usando o fato de ser mais forte que ele para nos separar. Com visível descontentamento ele se vestiu e se preparou para irmos, porém antes de ir, exigiu que eu respondesse uma pergunta.

— Se não posso nem te beijar quando estou sem roupas, quando poderemos fazer sexo? — perguntou seriamente para a minha surpresa, não só pelo assunto surgir tão rapidamente, como pela importância que ele dava para aquele assunto. Por um longo minuto me mantive calado, tentando encontrar as palavras certas para lhe explicar o meu ponto de vista.

— Não quer fazer isso comigo? Ou simplesmente não quer que a nossa relação evolua tanto ao ponto de termos relações sexuais? — perguntou parecendo realmente chateado. Aquilo se tornou um grande problema, pois apesar de ser um assunto sério, tentar fazer com que ele entenda a realidade era como lidar com uma criança.

— Eu não consigo encontrar as palavras certas, então vou te mostrar. Deite-se na cama — pedi seriamente enquanto tirava o colete, as luvas, a bandana e abaixava a máscara. Apesar de estar confuso, ele fez o que eu pedi. Subi na cama e após ficar de joelhos em cima de dele, comecei a abrir o zíper da sua calça e fui rapidamente impedido pelas suas mãos que seguraram as minhas.

— Eu não quero fazer isso... agora — falou com um pouco de vergonha e nervosismo, talvez até um pouco de medo.

— Eu sei... Não se preocupe, não farei nada demais, só quero te mostrar algo — esclareci tranquilizando-o, que pareceu relaxar um pouco.

Após abrir seu zíper e desabotoar suas calças, me deitei sobre seu corpo e o beijei. Senti suas mãos me abraçarem e explorarem minhas costas enquanto eu fazia o mesmo em seu corpo. Uma de minhas mãos apoiava meu corpo e a outra subia por debaixo de sua camisa e tocava sua pele. Depois passei a alisar as suas costas, antes de descer minha mão e entrar em suas calças.

Pude sentir a tensão do seu corpo aumentar, mas não parei o meu movimento, pois era isso que eu queria lhe mostrar. Pressionei meu dedo em sua entrada, ainda por cima da cueca e ao ponto de introduzir apenas a ponta de meu dedo, porém foi o suficiente para que um gemido de desconforto deixasse seus lábios. Retirei minha mão de seu corpo e me afastei o suficiente para encarar seus olhos.

— Eu não introduzi nem mesmo metade de um dedo e você se sentiu desconfortável, agora imagine se eu colocar outra coisa... será muito pior — alertei vendo seu rosto corar ao entender as minhas palavras, nem parecia o mesmo garoto que estava me beijando só de cueca há poucos minutos.

— Mesmo que queira fazer sexo, isso não significa que esteja pronto para fazê-lo. Quando segurou minhas mãos mais cedo, me mostrou que ainda não está pronto psicologicamente e nem mesmo fisicamente — esclareci sério e encarando-o nos olhos.

— Mas eu te amo e quero sentir prazer ao seu lado. Além disso... não importa se for agora ou no futuro, ainda assim vai doer — retrucou ainda tentando me convencer.

— Não tenho dúvidas de que me ame. E também quero sentir prazer com você, mas para isso, não significa exatamente que temos que fazer sexo. Mesmo se for preciso sexo, não necessariamente é preciso ter uma penetração para que se sinta prazer — disse em tom gentil enquanto usava uma de minhas mãos para fazer um carinho em sua bochecha.

— E sim, provavelmente vai doer, mas tenho certeza que se houver uma preparação antes, a dor pode diminuir consideravelmente — terminei vendo a compreensão em seu rosto, ele sabia que eu falava a verdade, só não queria aceitá-la.

— Mas...

Quando ele ia protestar novamente, calei sua boca com um beijo enquanto envolvia meus braços ao redor do seu corpo e depois que nossas bocas se separaram, encostei a minha testa em seu ombro, apertando-o mais contra mim.

— Naruto... Uma relação sexual entre homens é naturalmente mais difícil, principalmente para um virgem ealguém com pouca experiência como no nosso caso. E para piorar, temos outros problemas adicionais, como o fato de que um ataque pode acontecer a qualquer minuto ou o denão estarmos realmente sozinhos nessa casa.

— Imagine o que aconteceria se alguém nos pegasse, só pioraria ainda mais a nossa situação. Ou pior, e se alguém nos atacar?... Eu posso ser extremamente habilidoso, mas acima disso sou homem e humano. No momento em que finalmente estiver conectado a você, não conseguirei pensar em mais nada, muito menos me defender ou defender outra pessoa.

— Acredite em mim quando digo que te quero mais do que tudo, chega a ser doloroso me manter longe o suficiente para não cometer uma loucura. Nós faremos sexo, eu te dou a minha palavra, mas terá que ser quando eu ter certeza de que a hora chegou. Se você não puder lidar com isso... não poderemos continuar com essa relação — esclareci antes de levantar meu rosto e encarar novamente seus olhos, que agora mostravam culpa e tristeza.

— Desculpe. Eu nunca tinha parado para pensar em tudo isso — admitiu envergonhado e triste. — Vou esperar o tempo que for preciso, mas não me deixe — pediu tentando esconder o desespero de sua voz.

— Eu não irei a lugar algum desde que você colabore comigo. Eu prometo — garanti vendo um sorriso surgir em seus lábios.

— Você disse que poderíamos fazer outras coisas além de sexo... Estava se referindo a quê? —perguntou curioso.

— Vença a primeira prova dos aprendizes e eu te mostro — prometi com um sorriso malicioso antes de voltar a beijá-lo.

— Você promete?

— Eu prometo — confirmei para a sua alegria. Depois de encerrar a conversa nós nos arrumamos e descemos para a sala de jantar onde o café da manhã foi servido e onde éramos aguardados.

— Estão atrasados! — advertiu Minato parecendo de mau humor.

— Não seja assim querido, tenho certeza de que eles tem seus motivos — interveio Kushina, olhando de mim para Naruto e depois dele para mim, várias vezes... antes de abrir um sorriso discreto e malicioso.

Algo me dizia que alguém havia acabado de nos descobrir.