Capítulo 19 - A invasão - Alvo

Ao ver aquilo, a raiva tomou conta de mim ao imaginar uma pequena possibilidade. Por sorte alguém apareceu para me dar as respostas. Era apenas um dos muitos homens que vi naquela noite, mas ele devia servir. Derrubei-o sssim que chegou a mim, lhe prendi no chão com a espada em sua garganta e com um joelho em seu peito, pronto para interrogá-lo.

— Por que essa foto estava com seu companheiro? Quem a tirou? — perguntei mostrando a ele a foto que provavelmente quase não conseguia ver com a pouca luminosidade do anoitecer, porém em vez de me responder, ele sorriu.

Irritado, cravei uma kunai em sua perna, fazendo com que gritasse de dor antes de continuar: — Eu não sou um homem paciente. Diga-me o que sabe e te darei uma morte rápida — garanti, vendo seu sorriso aumentar ainda mais antes dele me dizer.

— O meu mestre disse que o melhor jeito de testar um lobo selvagem é lhe dando uma ovelha de presente... Uma ovelha para ser sacrificada. Mas, olha como o mundo é louco... quem diria que o lobo se apaixonaria pela ovelha — Ele gargalhou alto e parecia se divertir com aquilo. Tentando calar-lhe a boca, girei a kunai em sua perna, fazendo-o novamente gritar de dor.

— Quem é o seu mestre? — perguntei com tanta raiva que minha pergunta quase soou como um rosnado de fúria.

— Ele é... aquele que consegue tudo o que quer... E ele quer você — respondeu antes de levantar a cabeça com um grande impulso e cortar seu próprio pescoço na lâmina que eu segurava nas mãos.

Já não havia dúvidas, a minha suspeita tornou-se um fato. Eu sempre havia suspeitado disso, mas nunca pareceu ser um problema então nunca dei a devida atenção para aquela questão, porém agora era diferente.

Alguém mandou Naruto ir para a floresta naquele dia, alguém o instruiu a ir até lá, alguém que queria a mim. O tal "mestre"... ele me queria e agora que estou com Naruto, meu namorado tornou-se um empecilho, por isso queriam matá-lo...

Por isso Naruto tornou-se um alvo.

A única notícia boa era que eu agora sabia que tinha um inimigo e o motivo pelo qual estavam atrás de Naruto. Mas isso não tornava as coisas mais fáceis, principalmente agora que eu sabia a verdade.

Agora que eu sabia que tudo aquilo só estava acontecendo com ele por minha causa... tudo porque me apaixonei por ele.

Os ataques daquela noite cessaram de uma hora para a outra, mas me mantive alerta até o amanhecer, e quando o sol surgiu ele veio até mim.

Eu estava sentado nas escadas abaixo da porta da frente, quando senti sua aproximação, instintivamente segurei mais firmemente a espada e prendi a respiração. Eu sabia que era o Naruto, que era a pessoa a quem eu amava, mas mesmo assim cada célula do meu corpo me dizia para matá-lo e eu me odiava por isso.

— Eu queria abraçá-lo... mas acho que não devo me aproximar muito nesse momento — disse meu namorado com uma voz claramente triste. Mesmo com o instinto assassino ativo, o meu coração sentia a sua dor, fazendo a culpa me atingir de maneira intensa e até dolorosa.

— Desculpe — pedi em uma tentativa de diminuir a sua dor e a minha culpa por causá-la. Ele ficou ali mais alguns minutos, me disse para tomar banho na casa dos empregados onde uma roupa foi preparada para mim e depois subiu para o quarto para dormir um pouco... onde ele estaria me esperando.

Depois Minato e Way vieram falar comigo, entreguei-lhes a espada e o dever de fazer a limpeza do terreno e me encaminhei para os fundos da casa, lá encontrei Kushina e mais algumas mulheres em frente a casa dos empregados que ficava em um alojamento separado.

— Oh, Deus! você está bem? — perguntou Kushina aterrorizada, ao ver as manchas de sangue que cobriam minhas roupas e minhas mãos.

— O sangue não é meu — garanti sem acrescentar mais nada, enquanto passava por elas e ia para dentro da casa.

Eu pude ver a surpresa no rosto de todas elas quando escutaram as minhas frias palavras, palavras sem um pingo de arrependimento ou culpa. Elas estavam chocadas, o que não me admirava. Seria melhor evitar conversas desnecessárias por um tempo, ao menos até que eu pudesse ter uma conversa amigável novamente ou quando a adrenalina da batalha deixasse meu corpo e eu pudesse ser considerado um humano normal novamente.

Tive que ficar mais de uma hora no banho até conseguir tirar todo o sangue já seco de meu cabelo e de minhas mãos, as roupas provavelmente nem poderiam ser salvas, assim como a minha alma que parecia nadar em sangue e que por mais que mesmo se eu pudesse lavá-la, nunca ficaria limpa.

Após estar apresentável fui para o quarto onde Naruto me esperava sentado na cama, mas diferente das outras vezes, seu corpo exalava medo. Me aproximei devagar e me sentei em sua frente, sem fazer mais nem um movimento. Até que ele se moveu, chegando mais perto e me abraçando.

Ao sentir seus braços envolverem meu pescoço e seu corpo se encostar ao meu, percebi que minha aura assassina se subjugava sozinha e o meu modo de batalha se fechou completamente, ele era como uma chave, capaz de trancar a minha sede de sangue... e o única capaz de abri-la. Abracei-o com força e ficamos assim por vários minutos.

— Você ficou com medo? — perguntei em um sussurro.

— Sim, foi realmente assustador, nunca mais quero vê-lo daquele jeito — admitiu honestamente antes de se separar de mim e se aproximar para me beijar. Um beijo cheio de medo... Surpreendentemente, medo de me perder.

— Desculpe — pedi novamente.

— Isso não é culpa sua, você não precisa se desculpar — consolou-me com carinho, porém isso só piorou ainda mais as coisas.

— Não, Naruto. Você está enganado. É tudo minha culpa — Com calma e sem detalhes desnecessários, contei a ele o que havia descoberto sobre a foto e o tal "mestre".

— Não me lembro muito do que aconteceu antes de encontrá-lo, mas se isso é verdade e a pessoa que me mandou para lá agora quer me matar, então só precisamos encontrá-la e tudo ficará bem — disse com confiança, sem me culpar.

— Você não se importa com o fato de estar sendo caçado por minha causa? — perguntei, novamente presenciando um de seus comportamentos estranhos.

— Eu te amo e agradeço todos os dias por ter te conhecido. Então, não. Não me importo de ter um alvo pintado em minhas costas desde que possa estar ao seu lado. Além disso eu não tenho motivos para temer, justamente por sua causa, porque você está aqui.

— Você continua sendo um idiota — comentei não conseguindo conter um pequeno sorriso.

— E você continua estranho — devolveu ele agora também sorrindo, antes de me beijar outra vez, agora mais calmo e gentilmente introduzindo sua língua em minha boca, aprofundando o nosso beijo e o nosso desejo.

— É melhor irmos dormir, pois precisamos descansar..Amanhã de manhã nós vamos sair... Eu preciso ir falar com alguém e você vai comigo — Avisei interrompendo nosso beijo e me levantando, fui até o outro lado da cama e me deitei, logo sendo acompanhado por ele que se deitou perto de mim e me abraçou.

— Quem nós vamos ver? — perguntou curioso.

— Meu pai — respondi para a sua surpresa.