Cap 03 – Focar apenas na parte boa
Catra estava ansiosa, não sabia como agir e isso era irritante. "Vocês dividem dormitório desde que se lembram por gente, não é como se fosse novidade" ela pensava quase em um loop infinito enquanto Adora tomava o que parecia ser o banho mais longo de sua vida. Tentava se convencer de que tudo estava normal, mas sabia que cedo ou tarde teriam de falar sobre o que aconteceu no Coração, e que isso traria à tona anos de competição, rivalidade, traumas e erros e principalmente o fato inegável de que elas tentaram se matar. Não metaforicamente, mas da forma mais literal possível, e ambas tinham cicatrizes em seus corpos e corações que comprovavam isso.
Por mais que não quisesse admitir, não se sentia a altura de Adora, afinal... ela era a Princesa do Poder, o maior prodígio tanto da Horda quanto da Resistência, uma líder nata e uma droga de uma guerreira mágica de 2 metros capaz de salvar todo um planeta. Era no mínimo intimidante.
Estava tão absorta em seus pensamentos de autocomiseração que não percebeu que a loira estava logo atrás dela, sentiu seu coração saltar quando ela tocou seu ombro meio incerta, o rabo da gata denunciou o susto pois dobrou de tamanho com os pelos todos eriçados.
- Parece que tomou um choque – Constatou Adora preocupada usando seu top preto e seu shorts branco de pijama, seu cabelo estava amarrado com o rabo de cavalo costumeiro pois fazia calor aquela noite e isso a desencorajava a deixa-lo solto. – Eu não queria te assustar, nem sabia que conseguiria se tentasse, você sempre ouviu e farejou tão bem, especialmente em lugares fechados assim.
- Estava distraída. – Desconversou a gata e um silêncio pareceu se instalar no ambiente sem que nenhuma das duas soubesse bem o que fazer. Mas Adora respirou fundo e tomou a iniciativa.
- Tudo ficou estranho depois do Coração, não é? – falou a loira procurando alguma forma de quebrar o gelo.
- Parece que sim, quer dizer, não é como se fosse novidade pra nós dormir juntas, mas... – Catra se interrompeu, não sabia como continuar.
- Mas nós nunca tínhamos nos beijado depois de dizer que nos amávamos em uma experiência de quase morte antes. – Concluiu Adora com um sorriso nervoso.
- Acho que é isso, mas falando assim parece tão... idiota. – O mesmo sorriso nervoso surgiu no rosto da gata também enquanto olhava para a loira diretamente em seus olhos azuis. – Eu sei que teremos de resolver um monte de coisas, e provavelmente vamos ter de tocar em feridas bem dolorosas, mas...
Vendo que Catra vacilava, Adora se aproximou enlaçando sua cintura com a mão direita e se aproximando até colar sua testa na dela e encarar os olhos heterocromáticos da felina, perto o suficiente para sentir suas respirações se encontrando.
- Mas que tal só por hoje aproveitarmos apenas a parte boa disso tudo? – A loira sugeriu com um sorriso.
- Você é tão boba. – Catra enxugou uma pequena lágrima no canto de seu olho amarelado. O coração dela estava acelerado, e sua respiração descompassada. – Mas eu gosto dessa ideia boba.
A mão esquerda da princesa foi até a nuca da felina e a puxou num movimento um pouco mais brusco do que o esperado, seus lábios colaram num beijo de início um pouco incerto, mas que a cada instante foi se tornando mais impetuoso e desesperado, conforme as bocas começavam a entrar numa sincronia quase hipnótica, enquanto Catra entreabria os lábios dando passagem para que Adora explorasse sua boca com a língua num instinto sedento. Com um passo trôpego a loira imprensou o corpo da morena contra a parede num baque surdo, e sorriu enquanto mordiscava o lábio inferior dela que a esta altura já tinha uma das mãos enroscada em seus cabelos desfazendo seu rabo de cavalo recém atado e com a outra mão explorava suas costas bem definidas pelos anos de treino militar e marcadas por cicatrizes.
Com seu joelho direito forçou passagem por entre as pernas da gata aumentando a pressão entre seus corpos e a parede. Sua mão esquerda agarrou com força os cabelos da nuca da felina puxando-os num só movimento para baixo, fazendo-a erguer a cabeça e separando suas bocas lhe expondo o pescoço pelo qual passou a língua devagar fazendo-a soltar um gemido rouco quase um miado. Simplesmente não havia mais pensamentos ali, e nem medos, apenas puro e irrefreável instinto que a fez abocanhar aquele pescoço com os dentes iniciando um chupão ousado logo em seguida.
Catra ronronava alto e não conseguiu conter um rosnado baixo de pura excitação enquanto Adora lhe beijava o pescoço inteiro. Se esfregava nela de forma involuntária e sensual, soltando pequenos rosnados e gemidos, sentindo a pressão de seu joelho entre suas pernas e a mão forte dela em sua cintura segurando-a de forma possessiva. Elas se conheciam a vida inteira e acreditavam que já haviam visto todas as facetas da personalidade uma da outra, mas nenhuma das duas estava preparada para descobrir o que eram capazes de serem juntas daquela forma. A felina então levou ambas as mãos para o peito de Adora e a empurrou com força em direção a cama.
Adora se desequilibrou e deu alguns passos para trás caindo confusa no colchão, mas assim que viu a morena se aproximando languidamente com um olhar ferino sorriu de forma desafiadora. A cauda da gata se agitava de um lado para o outro conforme seus quadris graciosos se moviam em sua direção em uma velocidade torturantemente lenta.
- Hey Catra! - Disse ela sustentando o olhar feroz da companheira. A gata ergueu uma das mãos e deixou sua garra exposta no dedo indicador passando-o pela parede no seu caminho até a cama marcando um risco em sua estrutura.
- Hey Adora! Este jogo dá para duas! - Respondeu a gata enquanto subia na cama de joelhos se impondo sobre ela, deixando o rastro do arranhar de sua garra pelo lençol rasgando-o como se não fosse nada e nublando todo e qualquer fio de raciocínio que a princesa ainda pudesse ter. Erguendo os braços da loira acima de sua cabeça sem resistência e segurando-os pelos pulsos com firmeza em sua mão esquerda enquanto deslizava lenta e provocante sua afiada garra pela lateral do corpo dela com delicadeza sentindo o arrepiar que causava. Com um movimento rápido e preciso enlaçou o tecido da alça direita do top preto e o rasgou fazendo Adora suspirar, deslizando seu indicador para a lateral da peça e cortando-a com a facilidade de quem rasga uma folha de papel.
A tensão no ar era palpável, e Adora embora soubesse que poderia se soltar com facilidade se tentasse, simplesmente estava completamente rendida. Uma corrente elétrica lhe tomava o corpo conforme sentia que agora era o joelho de Catra que lhe pressionava entre as pernas enquanto ela inclinava o rosto em sua direção olhando-a de forma quase predatória com um sorriso que lhe expunha as presas naqueles lábios deliciosos. Catra lhe beijou com volúpia, invadindo sua boca com a língua dessa vez sem nem lhe pedir passagem enquanto com sua mão livre lhe agarrava o seio direito desnudo sentindo o mamilo entumecer e a loira se contorcer gemendo em pleno beijo. Já quase sem fôlego parou e buscou por ar, sem interromper as carícias na pele fina e sensível do seio e sem romper o contato do olhar, ela queria muito ver os olhos de Adora dessa forma, gemendo e arfando, se contorcendo e dominada pelo prazer que ela lhe causava, mil vezes melhor do que qualquer sonho que já tivera e jamais conseguiu reprimir no passado. Segurou o seio com força fazendo com que a loira mordesse o lábio pela excitação da expectativa e vagarosamente aproximou sua boca dele, deixando o ar quente de sua respiração encontrar aquele mamilo rosado delicadamente, apenas para em um movimento repentino abocanha-lo com os dentes fazendo um pequeno grito ecoar pelo quarto. Soltou os pulsos da loira para aproveitar suas duas mãos enquanto brincava nos seios dela, alternando entre eles com beijos, chupões, mordidas e lambidas ligeiramente ásperas de sua língua felina, enquanto Adora se contorcia cravando-lhe as unhas em suas costas e agarrando o lençol rasgado sem controle motor.
Catra desceu seus beijos pela barriga da guerreira, fazendo questão de contornar com a língua cada músculo definido que compunha o trajeto até o elástico do shorts que puxou com a boca o suficiente para depositar um beijo no monte de vênus da loira e seguir com a língua até a virilha esquerda ainda parcialmente coberta pelo tecido inconveniente aonde deixou uma leve mordida. Suas garras passavam levemente por toda a pele branca da princesa que a esta altura já estava avermelhada em vários pontos, seja.
Adora ergueu o quadril instintivamente para que a felina removesse com facilidade a peça incômoda de roupa, e sentiu uma mão em seu pescoço segurando-o com firmeza enquanto outra pequena mordida na virilha lhe fez virar os olhos. Aquilo era novo, aquilo era elétrico, aquilo era mágico. E a cada novo contado daqueles lábios naquela região Adora sentia seu coração falhar por um instante, a cada lambida, cada mordida, cada chupada... em meio ao seu descontrole olhava para baixo tentando encontrar os olhos dela e a simples visão com a qual se deparou parecia enlouquecedora.
Vendo Catra de quatro sobre ela, inclinada no meio de suas pernas, com a bunda empinada e a cauda movendo-se num estalo de um lado para outro Adora não conseguia pensar, não conseguia suportar o desejo, seu corpo simplesmente reagia sem controle e uma febre lhe tomava por completo fazendo o suor brotar. Quando a gata abocanhou seu sexo ela arfou e suas costas ergueram-se violentamente num espasmo, apenas para caírem novamente no colchão enquanto agarrava com as mãos os cabelos da morena com uma força que não conseguia regular. O tempo pareceu parar enquanto sentia Catra lhe explorar com a língua, chupando-lhe com vontade, lambendo e beijando toda a área sensível de sua intimidade, penetrando-lhe com a língua de forma atrevida. Seu corpo tremia e tinha certeza de que falava palavras desconexas e se esfregava no rosto da companheira que parecia cada vez mais ávida provando seu gosto prazerosamente.
Quando achava que seu corpo já não podia mais ser sobrecarregado pelas sensações sentiu que ela se erguia, passando a língua pelos lábios com sua presa exposta orgulhosa por sentir a guerreira se derramar em sua boca, mas ela ainda não tinha acabado, pois enquanto se deitava ao lado da loira colando suas testas para lhe olhar diretamente nos olhos lhe invadiu com dois dedos, fazendo com que Adora soltasse um grito que nem sequer tentou abafar golpeando aleatoriamente o colchão com uma das mãos e agarrando o ombro de Catra com a outra.
A gata fazia questão de observar de perto as expressões da loira enquanto estocava-lhe sem dó num ritmo cada vez mais frenético e bruto, tentando saciar o desejo suplicante da amante. Adora se agarrava a ela com uma força que não controlava mais e cravava suas unhas em suas costas enquanto soltava sons desconexos e desencontrados. Os corações batiam acelerados, e por alguns segundos os olhos azuis de Adora brilharam magicamente enquanto uma descarga poderosa lhe fez espasmar o corpo inteiro e subitamente a força lhe abandonou fazendo-a tombar exausta.
- Catra... o que foi isso? – Perguntou Adora numa voz rouca e ofegante abraçando a companheira com os braços trêmulos e descoordenados.
- Foi um bom começo. – Concluiu a gata lambendo os dedos melados. – Agora acho que precisamos de um banho.
- E você? – inquiriu a loira enquanto levava sua mão para acariciar o rosto da amada que lhe deu um beijo terno, tão diferente dos que haviam trocado até agora.
- Por hora estou bem – respondeu ela também ofegante sorrindo vitoriosa. – Além disso, você tecnicamente não deve fazer esforço e já parece beeeeeeeemmmmmm cansada.
O sol já despontava no horizonte fazendo seus raios inconvenientes invadirem o aposento aonde Adora e Catra dormiam profundamente. Quando sem aviso a rainha surgiu no meio do cômodo completamente agitada ainda de pijama.
- Adora! – ela chamou com urgência ignorando completamente tudo ao seu redor e despertando em um susto as duas figuras que já se punham de pé automaticamente num reflexo do treinamento de toda uma vida.
- Glimmer? O que houve? – perguntou sobressaltada a loira
- A janela. – Apontou a monarca. E as três correram para o local aonde pararam sem entender o que estavam vendo.
Ao longe, na parte mais densa da Floresta do Sussurro uma forte luz brilhava com uma potência sobrenatural em um feixe de luz que parecia surgir do céu
- Sabe quando isso começou? – Perguntou Catra séria.
- Pouquíssimos minutos, foi o tempo dos guardas me acordarem em meu quarto e eu me teleportar para cá.
E da mesma forma inesperada que surgiu a luz sumiu.
- Cinco minutos e estamos prontas para partir – disse a felina de forma assertiva, e seca, já se trocando sem se importar com a presença de Glimmer que após trocar um olhar rápido com Adora se teleportou para seus próprios aposentos para se trocar também.
