No abismo de Helm
No início da tarde, um desconhecido apareceu diante dos portões da fortaleza. Sua aparência denunciava os dias de caminhada que deveria ter enfrentando antes de chegar a Helm. Aos olhos dos guardas, nada havia de suspeito. Refugiados pedindo abrigo naqueles dias era algo bastante corriqueiro.
Contudo, ao ser introduzido na fortaleza, aquele homem fez uma solicitação inesperada: disse que precisava falar urgentemente com o Rei Théoden. Por mais que os soldados insistissem que ele lhes expusesse o assunto, o ádan não abria mão de revelar apenas ao rei o que tinha a dizer. Aqueles eram dias escuros e tanto as esperanças quanto as desgraças chegavam por caminhos inusitados. Tendo isso em mente e redobrando os cuidados costumeiros, um dos soldados do exército de Rohan o conduziu à sala do Rei.
Não houve quem se interessasse pelo recém-chegado, porém o ádan chamou a atenção de um certo par de olhos que já haviam visto bem de perto os ardis do Senhor do escuro o suficiente para reconhecer um de seus servos. Tempestade cerrou os punhos. 'Isso não pode ser boa coisa', ela pensou, enquanto se punha a seguir a escolta.
Na sala do Rei
Aragorn discutia a sós com Théoden os detalhes sobre a organização de suas forças. O Rei estava preocupado com as mulheres e crianças que estavam nas cavernas e o guardião do norte tentava convencê-lo a estabelecer um plano de fuga. Todavia o rei não acreditava que, havendo uma vitória por parte dos exércitos de Saruman, seu povo tivesse qualquer chance de escapar.
Haldir e Legolas aguardavam do lado de fora da sala e perceberam a aproximação do soldado que conduzia o estranho. Este quedou-se junto a porta enquanto o soldado ia comunicar ao rei sua solicitação.
Tempestade se aproximou, tentando não chamar atenção para si. Todavia seus passos não eram tão leves que os ouvidos élficos de Haldir e Legolas não conseguissem detectar.
- Tempestade? – indagou Haldir, surpreso.
O ádan, que até então estava com suas atenções voltadas para a entrada da sala do rei, olhou em volta até que seu olhar cruzou o de Tempestade.
- O que essa assassina está fazendo aqui? – ele indagou, recuando ante a presença da mulher.
Por instinto, Tempestade pôs a mão no cabo da espada, não tardando em perceber o erro que cometera. Não poderia matá-lo ali. Olhos élficos se voltaram para ela e a matadora de wargs teve que se dar por vencida e se retirou. Teria que resolver aquele assunto de outra forma.
- Sua protegida recorre à espada muito facilmente, Haldir – Legolas comentou. – Só nos resta entender por que o fez neste caso.
- Talvez ele nos dê a resposta – o Galadhrim respondeu.
- Conhece aquela mulher, meu bom homem? – Legolas se dirigiu ao ádan.
- Assassina... – ele murmurou com os olhos baixos.
Legolas estava a ponto de fazer mais uma pergunta quando o soldado saiu da sala do rei, anunciando que o homem poderia entrar. Dado o interesse da mulher pelo recém-chegado, os elfos se dispuseram a acompanhá-lo. Aragorn e Théoden precisavam saber o que havia ocorrido entre ele e Tempestade.
Em um corredor qualquer...
A uma certa distância dali, Éowyn ouvia o relato da ex-escrava de Mordor.
- Preciso chegar até aquele homem, minha senhora. Ele sabe a meu respeito! Se revelar alguma coisa, tudo estará perdido!
Percebendo a hesitação da Senhora de Rohan, Tempestade insistiu:
- Por favor, minha senhora, não temos tempo. Preciso entrar naquela sala!
A sobrinha do rei sentia a indecisão penetrar seu coração, contudo optou por seguir a resolução que tomara desde o início: confiar naquela mulher.
- Só consigo pensar em uma maneira de você entrar lá sem ser pela porta da frente, porém é perigosa.
- Que seja, senhora...
- Venha comigo.
A senhora de Rohan a conduziu a uma sala próxima à sala do rei.
- Saia pela janela – orientou Éowyn – , a terceira janela à direita é a da sala real.
- Obrigada minha senhora.
Éowyn saiu ao ver que Tempestade já havia atravessado a janela.
A senhora de Rohan tinha razão. O batente que Tempestade tinha para apoiar os pés era muito estreito. Demorou um pouco até ela chegar à janela tão almeja. 'Espero que não seja tarde', pensou.
De volta a sala do Rei
O homem foi conduzido à presença de Théodhen. Ao ser indagado sobre o motivo da audiência, ele não tardou em comentar.
- Meu senhor e rei – principiou com uma reverência –, vim em busca de auxílio, pois julguei que aqui estaria seguro e que poderia contar com a vossa ajuda.
E certamente pode – Théoden franziu o cenho. – Por que leio desconfiança em suas palavras?
- A confiança guiava meus passos, meu senhor, até que...
- Até que...?
- Esses cavalheiros são testemunhas de que há pouco fui ameaçado por alguém que, aparentemente, goza de livre trânsito em sua fortaleza.
O rei alternou o olhar entre o homem e os elfos, sem compreender a afirmação.
- A que ele está se referindo, Legolas? – Aragorn perguntou.
- Tempestade se mostrou hostil a ele – o elfo respondeu –, e ele a chamou de assassina. É tudo o que sabemos.
- Tempestade se mostra hostil com praticamente todas as pessoas – Aragorn considerou, cruzando os braços. – Será que ele não interpretou mal seja o que quer que ela tenha feito?
Haldir permaneceu em silêncio, lamentando não poder dar uma resposta diferente da que Legolas ofertou.
- Não, Aragorn. Ele a chamou de assassina e ela só hesitou em recorrer à espada por conta de nossa presença.
Théoden meneou a cabeça em uma negativa e mirou Haldir.
- Aonde quer que essa mulher vá a confusão a segue. 'Tempestade'. Não poderia ter escolhido nome melhor, capitão.
Haldir resolveu aproveitar a abertura e o reconhecimento dados a ele pelo rei.
- Sendo assim, meu senhor, atrevo-me a fazer um breve comentário.
- Estou ouvindo.
- Peço que ouça com cuidado o que esse homem tem a dizer, porém também desejo que escute Tempestade. A verdade raramente é tão evidente quanto parece. Que o julgamento se dê somente após pródigas reflexões.
Théoden assentiu e se dirigiu ao homem a fim de que este pudesse dizer o motivo de sua solicitação em vê-lo.
- Que seja – o rei assentiu. – Como se chama, meu bom homem?
- Broda, majestade.
- Então, Broda, pode começar nos dizendo o que o trouxe aqui e o que sabe sobre aquela mulher que, segundo afirma, tentou matá-lo há pouco – disse o rei com voz firme.
- Ela é uma assassina de Mordor, meu senhor. Como podem não saber?
- Ela nos disse que era uma escrava em Mordor – disse Aragorn.
- E que era forçada a lutar para sobreviver – completou Haldir.
- Sim, mas ela gostava. Não havia remorso em seu rosto quando matava.
- Como pode ter tanta certeza disso? Você também veio de Mordor? – indagou Haldir.
O homem continuou com uma voz trêmula. Seu rosto parecendo reviver o que suas palavras contavam:
- A existência dela era apenas uma lenda até que a vi em ação recentemente. Essa assassina atacou minha aldeia com um grupo de homens selvagens e destruiu tudo a sua frente, matando inclusive mulheres e crianças. Fiquei escondido com minha esposa e algumas pessoas de minha família. Quando eles pegaram tudo o que puderam, fugimos e vagamos por semanas sem rumo na floresta, até que avistei a fortaleza. Minha mulher e meus familiares estão muito doentes e famintos e não puderam vir comigo até aqui. Eu os deixei ali na floresta perto de uma cachoeira e imploro, meu senhor, que os ajude.
- Pertencer ao povo selvagem explicaria muito do que ela é – Aragorn ponderou.
- Então ela mente muito bem, se conseguiu iludir a todos nós, depois das conversas que tivemos – Legolas completou.
Os elfos se entreolharam. A história contada por aquele ádan era muito convincente. Por toda parte os aliados de Sauron, fossem orcs, homens ou uruks, espalhavam o terror. Não seria Tempestade uma desertora ou desgarrada que havia sido ferida em batalha e que ao ser encontrada por Éowyn, aproveitou-se de sua boa vontade e inventou aquela história fantasiosa de ser uma escrava moribunda que havia conseguido escapar de Mordor?
Contudo, algo dentro deles pedia cautela diante da situação. Théoden olhava fixamente para o homem a sua frente. Nada nele parecia contradizer suas palavras. O rei, porém, recordou-se de um detalhe:
- Se só se tratava de um pedido de ajuda, por que não falou com meus capitães? Por que insistiu em conversar comigo?
- Por que há mais um assunto da maior gravidade que não julguei prudente tratar com outra pessoa.
- E qual seria? – Aragorn perguntou.
- Enquanto estávamos escondidos em minha aldeia, ouvimos comentários sobre um plano que estava em curso. Algo sobre assassinar um rei dos homens. E pelo que pude compreender, a responsável seria justamente aquela assassina... – os lábios do homem tremeram, enquanto ele apontava para a porta.
Aragorn e Théoden se entreolharam.
- Como se já não tivéssemos preocupações demais! – Théoden exclamou, dividido entre a palavra do fugitivo e o testemunho da sobrinha que acolhera Tempestada há algum tempo, garantindo-lhe que não havia perigo algum. O Rei buscou com o olhar o conselho de seus aliados.
O homem mirou Aragorn. Este não estava disposto a arriscar a vida dos possíveis feridos:
- Eu irei verificar até que ponto sua história é verdadeira. Onde fica essa cachoeira?
O homem sorriu agradecido.
- Que o Único o abençoe, meu Senhor!
- Está certo disso, Aragorn? – Legolas questionou.
Aragorn assentiu.
- Então venha, eu lhe mostro aqui no mapa a localização – disse Théoden ainda um pouco hesitante.
A matadora de wargs, do lado de fora da janela, já observava há alguns instantes a movimentação na sala do Rei. Não conseguia compreender o conteúdo do diálogo, contudo percebeu quando os guerreiros deram às costas ao recém chegado a fim de observar o mapa que jazia em uma mesa próxima.
Enquanto os quatro analisavam o mapa, o homem se aproximou calmamente, retirando algo de seu peito e o brilho do punhal reluziu aos olhos de Tempestade. O desconhecido hesitou por um momento antes de erguê-lo. A mulher desceu pela janela, chamando a atenção dos sentidos dos elfos que miraram em direção ao homem a tempo de vê-lo com a arma em punho e ouvir a voz firme da ex-escrava de Mordor encher a sala:
- Solte isso, seu bastardo!
Tempestade apontava sua espada para a nuca do homem enquanto este erguia seu punhal.
- E então? Quem é o assassino agora? – a matadora de wargs perguntou ao recém-chegado. Contudo, seu questionamento parecia se dirigir também aos presentes.
O homem se virou lentamente em direção à mulher.
- Tenha piedade, minha senhora, eu não tive escolha...
- Tempestade – Haldir se dirigiu a ela –, baixe sua espada. Vamos ouvir o que vocês dois têm a dizer.
A mulher estreitou os olhos, enquanto algo negro parecia rastejar em seu peito.
- Eu não tenho nada a dizer, capitão – ela afirmou, pressionando a ponta da espada contra o pescoço do ádan. – E quanto a ele, creio que a arma que ele carrega diz mais do que sua boca vil poderia fazê-lo.
- Assassina... – ele murmurava de olhos fechados. Uma expressão tão desolada que chegou a abrandar o coração daqueles que quase haviam sido mortos por ele.
- Adentra uma fortaleza sorrateiramente – Tempestade dizia entre os dentes – , ergue sua adaga na intenção de derramar sangue e me acusa sem provas!
- Eles... eles... – o homem sussurrava.
- Eles quem? – indagou Théoden.
O homem não conseguiu responder, ainda chorando.
Contudo, ao contrário do que acontecia com os outros, as lágrimas dele serviam apenas para irritá-la ainda mais. Haldir percebeu e se aproximou da mulher. O elfo pôs a mão no pulso dela, pedindo com seu olhar que abaixasse a arma. Ela olhou para Haldir e para o homem, enquanto ponderava. Algo morno no toque do elfo garantindo-lhe que o melhor caminho seria atendê-lo.
- Por favor – Haldir solicitou, sob o olhar de expectativa dos demais.
Tempestade cedeu e abaixou a espada, porém não a guardou. O homem, contudo, não ousava abrir os olhos.
- Assassina... – ele murmurava.
Haldir olhou em direção ao Rei.
- Está seguro agora, Broda – Théoden se pronunciou, cruzando os braços –, se o que nos disse for verdade. Poderia, por favor repetir sua versão dos fatos e nos explicar o que pretendia fazer com esse punhal?
Ele não ousava abrir os olhos.
- Ela vai me matar – ele murmurava. – Se eu disser qualquer coisa, ela vai me matar.
- Não, não vai – Haldir se interpôs entre ele e Tempestade.
- Conte-nos o que sabe ou começaremos a duvidar de você – Aragorn completou.
- Ela atacou minha aldeia com um grupo de homens selvagens e destruiu tudo a sua frente...
- O quê? O assassino aqui é você! A adaga ainda está em suas mãos! Iria usá-la contra eles! A quem quer enganar? Você tem o cheiro de Mordor em sua pele!
- Tudo que fiz foi para salvar minha família e a única pessoa contra quem eu iria usá-la seria contra você! – ele retorquiu, erguendo o punhal. – Vi quando se esgueirava sorrateiramente! Sei o que temia! Temia que eu revelasse seus planos!
Tempestade se calou por um segundo, antes de indagar.
- Que planos, servo de Mordor? Está delirando!
- Seus planos de matar o rei, assassina, traidora de sua gente!
O homem começou a se alterar. Algo de feroz surgiu os olhos dele e que já não estava em harmonia com o que ele afirmava ser.
- Você é uma cria maldita de Mordor! A quem pensa que está enganando?
- Você é quem está enganando essas pessoas. Nenhuma escrava sai viva de Mordor se não vender sua alma a Sauron e seu corpo aos seus servos!
Tempestade arfava e em meio ao ódio ergueu a espada, antes de ter sua atenção capturada por Haldir.
- Não! – gritou o elfo.
Ela o olhou.
O homem, aproveitando a distração da mulher, tentou atingi-la, porém a mesma percebeu a tempo e decepou a mão dele com a espada, antes de golpeá-lo no pescoço.
Ele caiu inerte aos pés da matadora de wags.
- O que você fez? – Aragorn indagou, decepcionado.
Tempestade franziu o cenho.
- Apenas me defendi.
- Você não deu a ele chance de se explicar... ele disse que só queria salvar sua família – Legolas argumentou.
- Acreditam realmente que pertenço ao exército de Mordor, como ele insinuou? – Tempestade olhou as faces que a cercavam.
Silêncio.
- Acreditam que sou uma assassina, enquanto ele é um aldeão inocente?
- É o sangue dele que banha sua espada agora, Tempestade – Théoden ponderou.
Ela embainhou a espada ainda suja com o sangue da vítima.
- E me agradeçam por isso – ela disse com voz grave. – Pois o sangue de qualquer um de vocês poderia estar agora banhando a lâmina da adaga dele.
Silêncio.
- Ela está certa – Haldir finalmente se pronunciou, recebendo o olhar quase aliviado de Tempestade.
- Acredita mesmo nisso, Haldir? – Aragorn indagou.
- Não podemos contradizer os fatos, senhor Aragorn. Por vontade própria ou obrigado, ele teria feito algum mal ao rei. E ainda que eu discorde totalmente da forma como Tempestade agiu – ele a olhou com olhar severo – sua reação não basta para provar que ela é o que ele dizia.
- Contudo serve para termos a certeza de que você precisa aprender a controlar seu gênio, Tempestade – Théoden decretou. – Concederemos a você o benefício da dúvida. Contudo acautele-se. De agora em diante essa sua familiaridade com a espada deve ser direcionada apenas aos Uruk-hais. Será que eu me fiz entender?
Tempestade assentiu. Claramente a contra-gosto, mas assentiu.
O pronunciamento de Théoden selou a questão e os ânimos se acalmaram.
- O que faremos com o corpo, meu senhor? – perguntou Aragorn ao soberano de Rohan que se dirigiu novamente à mulher.
- Você sujou, você limpa. Peça a um de meus homens que a ajudem a colocá-lo sobre um cavalo enterre-o próximo à floresta.
Os olhos da jovem faiscaram, revelando o ódio que aquele coração era capaz de carregar.
- Sua vontade será feita, meu senhor – disse entre os dentes. – É melhor eu ir agora, a floresta não fica tão perto assim daqui – comentou Tempestade tentando novamente por fim a situação e se retirar. Quanto antes se livrasse daquele traste, melhor.
...
Legolas tomou a resolução de segui-la. Ele ainda não se conformara com a situação. Diante da insistência de Haldir em acreditar nas palavras da edain, o filho de Thraduil optou por ir sozinho ver o que ela iria fazer.
A mulher colocou o homem em um cavalo e se dirigiu à floresta. Legolas foi cuidadoso a fim de não ser visto. Tempestade parou após a última colina que precedia a floresta. O elfo observou uma estranha movimentação. A matadora de Wargs aproximou-se com o corpo do homem nos braços e jogou-o aos pés de um grupo de orcs! Ela abria os braços, gesticulava, parecia discutir com eles ao apontar para o corpo. Legolas não conseguia escutar nada, mesmo com sua audição élfica. Decidiu se aproximar conseguindo, assim ouvir as últimas palavras.
- Não se intrometam em meu caminho novamente! Vou cumprir o que prometi, preciso apenas de um pouco mais de tempo – disse a mortal. Enquanto montava o cavalo e dava a volta a fim de retornar à fortaleza, ouviu a sentença da criatura de Mordor:
- Consultaremos o Olho, enquanto isso, aguarde nossa resposta.
A mulher respirou aliviada. Conseguira, enfim, um pouco mais de tempo.
- E o que fazemos com esse inútil agora? – um dos orcs perguntou.
A humana, que já havia dado as costas ao grupo, virou calmamente a cabeça e disse:
- Não estão com fome?
Os orcs grunhiram de satisfação e iniciaram o banquete, enquanto a mortal se distanciava.
O elfo, aterrorizado, não conseguia raciocinar. Nada fazia sentido. Ele tinha apenas uma certeza: aquela mulher era má! O imortal refletia, ouvindo o som dos ossos se quebrando e tomou a resolução de não contar nada a Gimli nem a Aragorn. O primeiro era muito impulsivo e não teria o sangue frio para lhe dar com a situação e o segundo já tinha problemas demais. Ele decidiu que resolveria isso com Haldir.
